AMPLIAÇÃO FINAL E DEFINITIVA PARA O ÚLTIMO POST DA HISTÓRIA ZAPPER! Com entrevistas com novos autores da literatura de cultura pop e nossa derradeira musa rocker: a secretíssima, tesudíssima e cadeludíssima N.R. – Fim de jogo e fim de festa para este TÉTRICO 2018 (sendo que os próximos quatro anos deverão ser iguais em pavor, se não forem piores) e TALVEZ para estas próprias linhas bloggers rockers: após uma década e meia de ótimos serviços prestados ao rock alternativo e à cultura pop, chegou o momento de o blogão zapper sair de cena ao menos na forma como está sendo publicado atualmente e enquanto ainda se mantém relevante e com ótima audiência (ao contrário de certos “vizinhos” pobreloaders que… deixa pra lá, rsrs); assim, nessa postagem derradeira, nada de despedidas chorosas ou dramáticas, sendo que seguimos fazendo o que sempre foi feito muito bem aqui: você vai conhecer um pouco do trabalho do músico e guitarrista Dhema Netho, saber como foi o showzaço de final de ano dos sempre fodásticos Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, conhecer o trabalho de dois novos escritores independentes e que lançaram dois bons livros na seara da cultura pop, e mais isso e aquilo, com um detalhe: aqui NÃO tem lista de “melhores do ano” (isso, novamente, fica para aquele micro blogs que não têm mais assunto para publicar, uia!), “talkey”? (modo Jairzinho saco de cocô, claaaaaro!) (post ampliado, atualizado e finalizado em 28-12-2018)

BANNERMONKEYR18II

IMAGEMLUTODEMOCRATICOII

IMAGEMU2LIVE

Zapnroll chega ao fim de sua trajetória de quinze anos na blogosfera brazuca de rock alternativo e cultura pop, período em que cobriu zilhões de shows internacionais mega, como o U2 (acima), e onde também revelou algumas das melhores bandas da cena alternativa nacional na última década e meia, como Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (abaixo, o zapper ao lado do vocalista Jonnata Araújo); em 2019 a marca do blog deverá continuar presente em eventos especiais em unidades do Sesc e talvez em outras plataformas digitais, como o YouTube

FINATTIJONINHA17

 

MICROFONIA EXTRA E ESPECIAL: UM FEROZ PÁSSARO AZUL ROCKER FAZ UM VOÔ RASANTE VIA JONNATA DOLL E SEUS GURIS SOLVENTES – E ESPALHA POEIRA VERMELHA NA CARA DOS CARETAS (E DOS BOLSOTÁRIOS) – O jornalista ainda mezzo loker e eternamente rocker foi lá na Barra Funda (zona oeste de Sampa), em um aprazível final de tarde de domingão, prestigiar uma gig ao ar livre e gratuita dos sempre fodásticos Jonnata Doll & Os Garotos Solventes. E Finaski, mesmo estando combatendo um início de pneumonia com antibióticos e tal, não poderia deixar de ir ver seus guris amados do coração fazerem seu habitual esporro sônico. Foi o primeiro show que o blog viu da banda desde que eles ganharam o Prêmio Governador Do Estado SP para a Cultura (como melhor artista musical) em março deste ano, Prêmio do qual o autor deste blog foi um dos jurados e votou com gosto no grupo. Pois então: mesmo tocando em condições precaríssimas e no chão de terra da praça Olavo Bilac, o quinteto (que além de Joninha nos vocais também conta com as guitarras do Léo Breedlove, do Edson VanGogh, o baixo do Loiro Sujo e a batera do Felipe) literalmente BOTOU FOGO no local. Sonoramente a banda está em ponto de bala (e prontos para entrar em estúdio e registrar seu novo álbum inédito), mais redonda impossível. No repertório, algumas das canções que já se tornaram marcos na pequena discografia deles (como “Rua de trás”, que Jonnata dedicou ao microfone ao “nosso amigo Finatti”, e a dedicatória não poderia ter mais sentido, pois sabemos muito bem o que é ter frequentado uma “rua de trás” há um mês, se entorpecendo e alucinando com o que não deveria nunca mais se entorpecer; mas já passou, felizmente) e a adição de novas e sublimes canções, como a lindíssima “Pássaro azul”. Sem fazer média com a turma (que não precisamos disso) mas a real é que JDEOGS deve mesmo ser a MELHOR banda ao vivo do atual rock brasileiro (ou do que resta dele), ao menos na geração atual. As melhores referências sonoras (glam rock, pós punk à la Smiths, proto punk à la Iggy Pop, Legião Urbana e rock BR dos anos 80), ótimas letras em ótimo português e um vocalista ALUCINADO e do inferno, total andrógino, que se joga no chão e se vira e revira na terra bruta, que começa as apresentações total vestido e as termina inevitavelmente quase sempre apenas de CALCINHA (sim, ele sempre vai aos shows usando CALCINHAS), numa subversão e transgressão estética, visual, comportamental e performática como há muito não se via no MORTO roquinho brasileiro. Um rock hoje eivado de velhos idiotas e reacionários de extrema direita (como Lobão Cagão e Roger Bosta Moreira, ambos eleitores de BolsoNAZI, inacreditável isso; fora os “merdalheiros” fãs de heavy merdal e classic rock, todos também bestas humanas reacionárias de extrema direita) e que ENVERGONHA de verdade quem de fato AMA o grande rock que sempre esteve ao lado da liberdade, da democracia, da justiça social e que JAMAIS irá se alinhar com o fascismo de direita. E como se não bastasse o show ainda rolou bem na frente da sede de uma… igreja evanJEGUE, ops, evangélica, ahahahahaha. Sim, eles mesmos: os evanJEGUES como a futura primeira dama do país (R$ 24 mil na conta dela, depositados de maneira altamente suspeita, que be le za hein bolsOTÁRIOS) e como a futura Ministra dos Direitos Humanos (a que já disse que “é hora de a RELIGÃO governar o país!”, isso porque somos um Estado LAICO, de acordo com a Constituição). Joninha não perdoou e detonou a mesma. Foi, vale repetir, sensacional! O rock daqui nunca precisou tanto nesse momento de uma banda como a Boneca Jonnata e seus guris solventes. Em um país culto e não boçal e medieval como é o Brasil, esses moleques já estariam de contrato com uma grande gravadora e tocando direito nas rádios. Mas aqui, claro, é a nação boÇALnara, medieval ao máximo e que ama sertanojo e pagode burrão, além de axé e funk podreira. Sem problema: Jonnata Doll sabe que o rock voltou ao lugar onde se sente mesmo à vontade e em casa: no underground musical e cultural, na RESISTÊNCIA artística e cultural da qual todos nós faremos (já estamos fazendo, na verdade) parte a partir de 1 de janeiro vindouro, quando o Brasil irá mergulhar na idade das trevas porque 57 milhões de totais imbecis assim o quiseram. Que venha o fascismo troglodita e seu “mito” sujo de barro. Estaremos todos aqui para combate-lo. Ao som de Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, claro!

IMAGEMJONNATADOLLLIVE18

Joninha e seus guris solventes: provavelmente o show ao vivo mais esporrento e poderoso da atual cena rock brasileira

***Ainda sobre a gig: o público não foi grande, mas o blog sentiu-se completamente contente e enturmado ali. Só tinha “cidadão do mal” (ahahahaha): “comunistas”, esquerdopatas, “petralhas”, “vagabundos” e LINDAS garotas (de todas as cores e raças) esquerdistas, hehe. Lindas, nada pudicas e de lar nenhum, como as boçais e “limpinhas” garotas de direita jamais o serão.

 

***Final de ano chegou, o inútil natal está aí e bla bla blá. Tá de bobeira este finde e pelos lados do Rio MEDO De Janeiro 40 graus? Então cola na casa noturna Dama De Aço, em Humaitá que a festona lá vai ser absolutamente fodástica nesse sábado, 22 de dezembro: vai rolar a “Ceremony”, apenas com anos 80 e pós punk a noite toda, com super especiais do Joy Division e do Echo & The Bunnymen. A produção do evento é do queridão Kleber Tuma (que vai discotecar também e comemorar seu niver) e Zapnroll é o dj convidado, wow! interessou? Vai aqui e saiba tudo sobre o evento: https://www.facebook.com/events/293078024871304/.

CARTAZFESTACEREMONYRIO18

 

***E como já estamos todos em clima de fim de festa por aqui (pelos lados do blog) e de final de ano, vamos deixar mais notinhas para a Microfonia para a semana que vem, antes da virada para 2019. Isso se algo realmente importante rolar e merecer ser comentado aqui, beleusma?

 

 

ÚLTIMO POST ZAPPER DO ANO – E FIM TALVEZ DE UMA TRAJETÓRIA LINDONA DE QUINZE ANOS NA BLOGOSFERA BR DE CULTURA POP E DE ROCK ALTERNATIVO

Já disseram há muito tempo Los Hermanos: “todo carnaval tem seu fim”. Estamos total de acordo com essa frase. Pois tudo na existência um dia chega ao fim. Grandes bandas de rock acabam mais cedo ou muito mais tarde (Keith Richards, o genial guitarrista dos Rolling Stones, do alto de seus setenta e cinco anos de idade, já mandou avisar que a atual turnê da banda é mesmo a ÚLTIMA), movimentos acabam, gêneros musicais idem (o rock já foi para o museu, infelizmente), escritores, artistas variados e músicos um dia morrem (desse mundo ninguém sai vivo) e por aí vai. Com este blog não haveria de ser diferente.

Zapnroll começou a ser publicada na internet por volta de maio de 2003. Primeiramente dentro do extinto portal Dynamite online (que foi o substituto digital da revista alternativa de rock do mesmo nome, e que marcou época na imprensa musical brasileira, fundada por volta de 1992 pelo músico, produtor e agitador cultural André Pomba). Depois, com a ampliação do número de leitores e da sua repercussão midiática, ganhou endereço próprio (.com). Mas dez anos antes, em 1993, este espaço dedicado ao rock alternativo teve um período de vida na própria edição impressa da revista Dynamite, em forma de coluna.

Desde então muita coisa aconteceu, muita água rolou embaixo da ponte e poderíamos escrever um LIVRO aqui apenas sobre a década e meia em que o blog e site zapper estão no ar na internet. Nesse período este espaço virtual literalmente acompanhou tudo o que foi possível no rock alternativo daqui e do mundo inteiro. Viajou o Brasil inteiro cobrindo centenas de festivais, descobrindo bandas que hoje são mega conhecidas (entre elas, Vanguart de Cuiabá, e Luneta Mágica de Manaus), resenhou toneladas de discos e shows e cobriu alguns dos maiores festivais (Lollapalooza, Planeta Terra, SWU etc.) e shows gringos (U2, Franz Ferdinand, The Cure, Blur, Oasis, Pulp, Pixies, Duran Duran, The Strokes, Belle & Sebastian et, etc, etc.) que já aconteceram no Brasil. Era e talvez seja, portanto, hora de sair de cena, enquanto este espaço ainda se mantém relevante, digno e com boa audiência. Afinal estamos envelhecendo (assumidamente: ou você morre antes de envelhecer ou envelhece e morre, simples assim) e produzir material para este blog é algo trabalhoso e cansativo, sem dúvida. Fora que o mundo infelizmente mudou radicalmente de anos para cá, com o advento da internet, dos apps, redes sociais e que tais. O grande jornalismo musical e cultural, como o conhecemos (e sendo que Zapnroll talvez seja parte da última grande geração de jornalistas da imprensa IMPRESSA que existiu, a que surgiu na década de 1980), definitivamente morreu. Idem a cultura pop e o próprio rocknroll. Sim, a música pop continua existindo e produzindo novos artistas a todo vapor. Mas eles são tão irrelevantes artisticamente falando que explodem um mega hit nas redes sociais e canais da web (como YouTube etc.) por uma semana e depois desaparecem tão rápido quanto surgiram, sendo logo substituídos por outro astro tão irrelevante e fugaz quanto foi seu antecessor.

Diante de um panorama desses estas linhas virtuais nem tinham mais como atualizar a todo instante o material publicado aqui, justamente por não ver NADA DE RELEVANTE que justificasse tal atualização frenética. Enquanto outros blogs “vizinhos”, que já foram incríveis e mega importantes para o jornalismo de cultura pop e agora se veem em aterradora decadência editorial (publicando micro posts diários sem importância alguma e com um autêntico fiasco em termos de repercussão e audiência), o blog zapper preferiu diminuir suas atualizações, publicando posts com farto material informativo e dedicando edições especiais a grandes bandas e discos da história do rocknroll.

IMAGEMLUNETAMAGICA

A Luneta Mágica, de Manaus (acima): uma das grandes descobertas do blog na cena indie nacional; nas fotos abaixo, momentos da trajetória do blog, com Finaski ao lado de Robert Smith (The Cure, em 1996), Kim Gordon (Sonic Youth, em 2005), Frejat (em 2016) e Nasi (vocalista do Ira!, este ano)

FINATTIBOBSMITH19996

FINATTIKIMGORDON2005

FINATTIFREJAT

FINATTINASI18

 

Mas enfim avaliamos e decidimos que agora talvez seja a hora de encerrar de vez as atividades da Zapnroll. Tal qual o gigante REM decidiu por fim à sua trajetória musical sem trauma algum e após trinta anos de gigante trajetória no rock, tal qual Keith Richards que surpreendeu o mundo semanas atrás dizendo que estava parando de beber (“é hora de sair”, disse o guitarrista que é a ALMA dos Stones), também acreditamos que chegou a nossa hora de sair de cena, pois acreditamos que já cumprimos com louvor nossa missão por aqui. No final de 2017 o jornalista zapper publicou seu livro “Escadaria para o inferno”, onde ele faz um balanço de sua vida profissional na imprensa brasileira ao longo de três décadas de atividades. E em outubro passado o blog realizou uma sensacional e magnifica festa de quinze anos de existência nas dependências do Sesc Belenzinho na capital paulista, com showzaços das bandas Saco De Ratos e The Dead Rocks. Damos por encerrada nossa missão. Ao menos por enquanto.

Mas sem tristeza ou choradeira. O espaço do blog irá permanecer ainda por muitos meses online, para ser consultado por seus fieis leitores. E além disso também estamos programando novos eventos e atividades especiais, com a marca do blog – um deles deverá acontecer novamente no SescSP, entre abril e maio de 2019. Quando esses eventos se confirmarem, serão obviamente divulgados por aqui mesmo. E, por fim, talvez Zapnroll se renove e mude de plataforma, estreando um canal no YouTube, por exemplo. Tudo isso será estudado a partir do final de janeiro próximo.

Até lá estas linhas malucas e lokers que causaram polêmica como ninguém na história da blogosfera brazuca de cultura pop, entram em férias “permanentes” a partir deste post. Agradecendo de coração e com todo o carinho do universo quem sempre nos acompanhou e nos prestigiou. E desejando que todos tenham ótimas festas e uma virada de ano bacana, dentro do que é possível esperar de bom no país que será DESgovernado por BolsoNAZI a partir de primeiro de janeiro.

Fica então o nosso “até breve” para toda a galera. Valeu, pessoal!

 

***E não, pode ESQUECER! Na despedida oficial de Zapnroll, não vai haver LISTA ALGUMA aqui de “melhores do ano” – já basta a vergonhosa lista publicada pela revista americana Rolling Stone, com os 50 melhores (ou seriam os PIORES?) discos de 2018. Quer ver listas inúteis? Vai lá no blog pobreload, uia!

 

 

A HISTÓRIA TOTAL ROCKNROLL DE DHEMA NETHO – DE QUEM PROVAVELMENTE VOCÊ NUNCA OUVIU FALAR MAS QUE TEM UMA TRAJETÓRIA JÁ GIGANTE NO MONDO ROCKER

Yep, você provavelmente nunca ouviu falar dele. Mas como uma das funções primordiais de toda a história de década e meia deste blog eternamente rocker foi apresentar gente desconhecida mas totalmente envolvida como o grande rocknroll, achamos que era uma boa se deter no personagem do músico Dhema Netho para ser um dos tópicos principais de nosso derradeiro post.

Quem? Dhema Netho. Ou Ademar Neto, seu nome de batismo. Que nasceu no interior do Paraná há mais de cinco décadas, foi protético na adolescência e juventude, começou a tocar guitarra aos dezenove anos de idade, se apaixonou pelo rocknroll e nunca mais desistiu da sua paixão. Que o levou a montar bandas na década de 90 (uma delas, a Brechó De Elite, chegou a fazer razoável sucesso entre 1989 e 1995, chegando a tocar em rádio e a fazer aparições na então poderosa MTV Brasil), depois a ter uma loja de discos lendária em São Paulo (a Rocks Off, no bairro de Pinheiros) e, por fim, a leva-lo para Londres, onde morou por mais de quinze anos. Período em que gravou e lançou discos (um deles, inclusive, teve seus registros feitos no mega lendário Abbey Road, onde foram gravados alguns dos álbuns gigantes dos Beatles e de toda a história do rock), tocou no Cavern Club em Liverpool (onde uns certos Beatles também começaram tudo) e foi vivendo da sua música até se cansar “do frio” inglês para retornar a Sampa, há mais ou menos dois anos. Enfim, uma trajetória pra lá de bizarra e incrível e sendo que sua produção musical jamais cessou – Dhema tem cerca de quatrocentas músicas INÉDITAS e ainda não gravadas.

Como o blog conheceu o músico, que vive ao lado de cinco guitarras em uma kit no centro da capital paulista? Isso você, dileto leitor zapper, irá saber logo menos lendo a entrevista que fizemos com ele e onde o guitarrista e compositor relembra histórias bizarras de sua década e meia morando em Londres. Abaixo, os principais trechos do bate papo que ele teve com este espaço rocker blogger.

IMAGEMDHEMAIII

O músico, guitarrista e compositor Dhema Netho (acima) e seu projeto, Monkey Revolution (abaixo): uma história incrível no rocknroll nos últimos dezesseis anos

IMAGEMDHEMAIV

 

Zapnroll – Você já possui uma extensa trajetória como músico, guitarrista e compositor. Começou a tocar ainda na adolescência, teve banda de rock nos anos 90 (a Brechó De Elite) e morou dezesseis anos em Londres, tendo voltado há pouco tempo para São Paulo. Assim, para quem não conhece seu trabalho gostaria que você detalhasse bem tudo o que fez até hoje em termos artísticos e musicais.

 

Dhema Netho – A banda brecho’ de Elite foi fundada por mim mesmo em 1989 com um anuncio num jornal chamado primeira mão procurando integrantes para montar uma banda de Rock, e então os interessados foram aparecendo. Esse jornal foi de uma geração de Rock dos anos 80, pois nele você poderia procurar musicos , vender e comprar instrumentos musicais. Nessa época nem se sonhava com instrumentos importados no Brasil. Achar uma guitarra Fender, amplificador Marshall era impossível.

As lojas de instrumentos musicais na Teodoro Sampaio (rua do bairro de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista) estavam começando a surgir.

A banda Brecho’ de Elite teve 3 vocalistas. Musicos?  Dezenas passaram pela banda. Um entra e sai de musicos e na verdade  NUNCA  tive musicos que realmente gostasse deles como gosto musical . Um gostava do Pantera , outro do Iron Maiden, outro do Steve Vai e  eu adorava e ainda gosto do Chuck Berry e Rolling Stones. Então as coisas, as ideias  NUNCA se encaixavam e nada dava certo. Passei a maior parte da existência dessa banda procurando acertar os musicos do que realmente chegando a algum lugar. Depois de muito sacrificio e insistência consegui gravar o primeiro álbum do Brecho’ de Elite, “A vida e’ Rock and Roll” em 1995, por uma gravadora independente de Sao Paulo que já pegou as músicas todas gravadas e estúdio já pago por mim mesmo. Ninguém da banda pôs um centavo do bolso, eu paguei tudo, uma parte em dinheiro e outra parte em  instrumentos musicais. Essa mesma gravadora tinha lançado a banda Velhas Virgens e eles estavam quebrando o pau com os donos dessa gravadora que eu nem quero dizer o nome e nem sei para onde eles foram e que fim eles levaram, nem quero saber. Depois de ter caído numa grande roubada dessa gravadora, assim como os Velhas Virgens caíram, essa porcaria de gravadora jogou um membro da banda Brecho’ de Elite um contra o outro e a casa caiu feio. Os integrantes tentaram me roubar a banda por influência de um dos donos da gravadora dizendo que ele me queria fora da banda pois eu como dono, líder da banda representava perigo para eles, dono da gravadora manipular e não cumprir o contrato e roubar as músicas que nem sequer eles pagaram para gravar. Foi um verdadeiro inferno essa fase. Um integrante da banda roubou um amplificador de um amigo meu que emprestou para a gente gravar no estúdio. Os pais desse amigo foram no meu apê dizendo que iam chamar a polícia se não devolvesse o amplificador do filho dele e esse mesmo integrante da banda disse que ia ficar com o amplificador do meu amigo para pagar as horas de gravação dele no estúdio, vai vendo. Era um cabeçote valvulado para Guitarra mod. 5150 Van Halen. Não fazia muito o meu gênero como amplificador, mas esse guitarrista queria gravar com ele. No final ele devolveu o amplificador com ameaças de ir preso por roubo. Um idiota, moleque inconsequente. Meti um precesso em todo mundo. Ganhei a causa na Justiça, coisa que não foi nada dificil para ganhar POR SER TÃO ÓBVIA a situação. Traumatizado, abondonei tudo, vendi tudo e fui embora para Londres sem querer nem saber de banda, de guitarra e só pensava em recomeçar uma vida completamente nova e comecei uma vida completamente nova: fui produzir música eletrônica old school . Nada de House music, nada comercial. Musica eletrônica Underground Minimal Techno, Drum and Bass, etc. Não toquei Guitarra por 10 anos. E nunca entendi o por que disso e nunca achei resposta. Um dia bem discretamente, isso ja’ em Londres depois de 10 anos ja’ morando la’, entrei numa loja de guitarras, há 10 anos sem tocar ou pegar esse instrumento, com muita timidez peguei um violão bem principiante nas mãos e queria saber se eu ainda sabia tocar aquilo. Foi muito estranho aquele momento. Comprei o violão pois custava uma merreca, 60 libras. Foi então que aos poucos fui

lembrando e em pouco tempo eu ja’ estava com a casa, quarto cheio de Guitarras Fender, Amplificadores para toda parte. E la’ vamos nós, quero dizer eu, montar uma banda de rock de novo. Só que agora em Londres. Começar tudo do zero de novo como banda de rock. Anúncios e anúncios em jornais, revistas de musica procurando integrantes para formar banda. Entrei numa banda que era uma vocalista meio Blues, Folk, até Punk. Deu tudo certo logo de cara. A banda nao tinha nome. Eu dei o nome de Burning Money e todo mundo gostou. Eu era o único brasileiro nessa banda. Ainda bem que ninguém me pediu para tocar bossa nova ou samba, hehehehe,  man, fuck you, no way. Gravamos 6 musicas logo de cara, pois eu peguei todas as minha musicas do Brecho’ de Elite e traduzi para o inglês com a vocalista  adaptando uma coisinha aqui outra lá, pois alguma coisa nao fazia muito sentido dizer aquilo em inglês. Pronto, vamos fazer shows e procurar pubs para tocar. Nós agora somo o Burning Money: queimando dinheiro e não tínhamos muito onde cair mortos. Muitas águas rolaram, ou melhor, pedras rolaram e acabamos dentro do Abbey Road Studios (um dos estúdios mais célebres do mundo, onde os Beatles gravaram algumas de suas obras primas). E eu WOOOOO, isso seria uma recompensa depois do inferno no Brasil? Olho do meu lado sentado numa mesa do café do estúdio ninguém menos do que JIMMY PAGE do Led Zeppelin, a banda que eu idolatrava quando moleque? Ele sentado sozinho lá no jardim do estúdio e eu aqui também fazendo meu trabalho como  musico e agora mister Dhema Netho, eu me pergunto a mim mesmo? Por alguns minutos passou um filme pela minha mente doque eu tudo tinha passado no Brasil com o brechó de elite e membros, e pensei: essa é a minha verdadeira recompensa. Fui até Jimmy Page, pedi licença se poderia trocarmos umas palavras e ele disse por favor sente se e sinta se a vontade. Me apresentei como brasileiro,  e depois comentei se ele ainda tinha uma casa no Brasil onde ele passava as férias, ele disse que sim mas que não vinha ao Brasil há uns 3, 4 anos. Me perguntou se eu estava gravando musicas no Abbey Road ou só visitando. Respondi que sim estava masterizando umas musicas com minha banda o Burning Money. Ele fez uma brincadeira com o nome da banda perguntando se eu estava queimando dinheiro por ter ficado rico com a banda. Dei um cd demo para ele apertamos as mãos e boa sorte com sua musica rapaz, ele disse. Nos vemos por aí. Já estava dando a hora de subir para entrar no estúdio pois ficava no primeiro andar. E assim mil e outras histórias com famosos cruzaram o meu caminho. Por que decidi voltar ao Brasil depois de 16 anos na Inglaterra? Para por a minha cabeça no lugar, perdas de grandes amigos que fiz por lá que morrem com abuso de substancias, outros de câncer bem jovem. E eu estava precisando dar um tempo de Londres, pois estava bem cansado de lá. Talvez ainda volte a morar lá, mas quando penso no inverno, no frio que faz lá, eu nao sei não se voltarei a morar. Talvez só a passeio mas tem que ser no verão com certeza absoluta.

 

Zap – Por que você foi parar em Londres, afinal? O que houve com a Brechó De Elite e por que decidiu voltar ao Brasil?

 

Dhema – Nao consegui viver só de musica em Londres. A maioria de integrantes de bandas Inglesas tem um trabalho em loja de instrumentos musicais como acontece aqui no Brasil. Nada muda nesses termos , a dureza para chegar em algum lugar como banda não  é nada fácil. Trabalhei em Lojas de instrumentos também na Rua Dean Mark st. onde ficam todas as lojas, tipo uma Teodoro Sampaio em São Paulo. Sim, toquei guitarra nas ruas também com uma amiga nos vocais. Toquei muito em Camden Town, um bairro bem louco de Londres onde as pessoas parecem morcegos góticos. Eu não saia de lá.

 

Zap – Conseguia viver de música lá? Conte sobre sua fase como músico de rua, tocando em estações de metrô etc. E como foi a história de você também ter tocado no Cavern Club em Liverpool, onde os Beatles começaram a trajetória deles?

 

 

Dhema –  Caverna Pub em Liverpool, sim, fiz várias jamming  sessions no Caverna. Eu ia muito a Liverpool com um amigo inglês que tinha vários amigos em Liverpool e também eram musicos. Assim com em Manchester também. Íamos durante a tarde um dos amigos tinha um irmão que trabalhava no Caverna Pub e liberava tudo pra gente lá dentro. Nos sentíamos como se o caverna fosse nosso. Quando você está vivendo isso, tudo é tão natural, tão normal. Mas pode ter muita gente agora lendo isso e achar isso um sonho para eles. Talvez até um sonho nao realizável. Eu também ainda tenho sonhos que não sei se vão se realizar. Por exemplo, tocar um dia no The Royal Albert Hall. Uma casa de Londres onde as maiores bandas inglesas tocaram e fui ver shows lá centenas de vezes. Uma dupla sertaneja do Brasil já tocou nesse lugar. Mas tem um porém, eles dedetizaram o lugar ao meu pedido para as bandas de rock voltarem a tocar lá, rsrs.

 

Zap – De volta ao Brasil, você tem composto muito? Quantas canções inéditas você possui prontas para serem lançadas?

 

Dhema – Na verdade eu componho o tempo todo. E onde quer que eu esteja, estou com letras vindo à cabeça e mando isso via mensagem para o meu próprio celular para evitar que eu esqueça. Faço isso há muitos anos. E o mesmo eu faço com um gravadorzinho de voz para registrar coisas que me vem quando estou tocando guitarra. Não tenho smartphone, iphone não gosto disso de forma alguma. Meu celular não tem internet e não tira fotos. To muito feliz assim e não quero me tornar um escravo de uma máquina tão idiota e não fazer nada mais na vida a nao ser estar olhando e segurando aquilo 24 horas por dia, não entendo essas pessoas que fazem isso.  Sim, tenho gravado muitas musicas novas com amigos do Brasil lá em Pinheiros. E sao musicas ótimas.

 

 

Zap – Quais foram suas maiores influências musicais e no rock ao longo da sua vida? Quais suas bandas preferidas?

 

Dhema – Eu diria que quase tudo que tem qualidade musical. Ou seja, musica boa de verdade. Quando muito pequeno black music, disco music que eu adorava. Peguei e vivi toda a fase da discotheque e até hoje gosto muito desse estilo. Por volta dos 12, 14 anos o Rock&Roll entrou na minha vida e dominou tudo. Nazareth, Ac/Dc , The Sweet, Rolling Stones, The Beatles, Gary Gliter, Joan Jet, Bad Company, Led Zeppelin, The Who, Deep Purple, Yes, Sex Pistols, The Ramones etc. Isso era o que eu realmente ouvia. Tudo isso eu tinha em aqueles compactos vinil de 2 musicas de cada lado. E depois veio o Vinil.

 

 

Zap – Como você vê a música e o rock em si nos tempos da internet? Acha que o grande momento do rocknroll mundial já passou e não volta mais, ou ainda acredita que o gênero irá sobreviver?

 

Dhema – Não acredito de forma alguma  que o estilo Rock irá ter um BOOOOM como teve nos anos 50,60,70 e talvez até anos 80. É uma outra geração, uma outra mentalidade, uma outra realidade. E honestamente nada disso me interessa. Não tem aparecido uma banda que me interessa nestes últimos 20 anos. Seja essa banda de qualquer país. Não gosto de nenhuma banda dessas que estão. Não vou citar nomes porque SÃO TODAS. Musica na internet? Não faço downloading. Tenho tudo que me interessa para ouvir no meu Notebook e no pendrive. Internet facilita a vida das pessoas em todos os sentidos se você souber usar isso de uma forma inteligente. Tudo é muito prático e muito rápido quase no tempo real.O Rock vai sobreviver? O ock vai estar sempre aí como todos os outros estilos de musica boa. Assim como o Reggae, Folk, Blues, Country, Jazz, Clássico, Punk Rock etc. E isso vai ficar ao gosto, interesse individual de cada um o que quer ouvir. Agora, o que vai predominar ou continuar predominando é essa porcaria que está nessa geração Iphone. Como disse Albert Einstein, quando a tecnologia dominar as pessoas, dominar o mundo, essa será a geração mais estúpida na face da Terra. Se você não sabe usar a tecnologia, ela te usa e faz de você um verdadeiro idiota.  A tecnologia é sensacional se você souber usa la e não ser usado por ela.

 

Zap – Seus planos para 2019. Pretende lançar um disco inédito, afinal?

 

Dhema – Sim , pretendo lançar um álbum todo de inéditas que já tem umas 8 musicas novas com o Monkey Revolution, meu novo projeto/banda. Com esse projeto realmente eu alcancei quase o top da montanha em termos de satisfação profissional com as composições, produções, arranjos etc. E eu canto nesse projeto, coisa que demorou muito para eu assumir que gostava da minha voz cantando e tenho sido muito elogiado por isso. Mas sempre quase todo mundo diz a mesma coisa: parece Lou Reed , David Bowie, Bob Dylan, em termos de voz. Tudo bem, para mim e’ um elogio.

 

***Para saber muito mais sobre Dhema Netho e seu Monkey Revolution, vai aqui: https://www.facebook.com/Monkey-Revolution-was-born-in-London-by-Ademar-Mello-Brazilian-Musician-574501856270636/

 

 

E MONKEY REVOLUTION AÍ EMBAIXO

Em diversos vídeos, no canal no YouTube dedicado ao projeto de Dhema Netho

https://www.youtube.com/user/1964ademar

 

 

CULTURA POP LITERÁRIA – DOIS ESTREANTES EM LIVROS CONVERSAM COM O BLOG EM NOSSA DERRADEIRA EDIÇÃO

Em um momento em que o mundo em geral e o Brasil em particular possui cada vez menos apreço pelo lazer e simples (e ótimo) ato de ler um livro (afinal a era da web democratizou e tornou todos iguais perante à boçalidade humana: ninguém mais quer saber de ler livros ou textos longos mas, sim, compartilhar bobagens e imbecilidades vazias e ligeiras em redes sociais e aplicativos de celular), a literatura ainda possui devotos fiéis e segue respirando. Parte essencial e intrínseca da cultura pop e de nossa formação cultural e intelectual, ler um (ou muitos) livro (s) deveria ser algo obrigatório na existência humana. Manter essa arte gigante viva então nos tempos atuais, publicando um livro, pode se tornar um autêntico ato de coragem.

Pois dois diletos amigos pessoais destas linhas virtuais de cultura pop que estão se despedindo da blogosfera BR após uma década e meia de presença nela, ousaram, tiveram coragem e acabam de se lançar em suas estreias literárias. O jornalista Jesse Navarro vem com o seu “Macumba Rock”. Já a farmacêutica (!) e publicitária Tatiana Pereira apresenta “De analgésicos e opióides”, título homônimo do blog que ela mantém já há alguns anos. E para saber do que se tratam os dois livros e conhecer um pouco melhor a trajetória dos autores, Zapnroll foi bater um papo com ambos. Sendo que as duas entrevistas você confere abaixo.

 

JESSE NAVARRO

IMAGEMJESSE

O jornalista e escritor Jesse Navarro e seu primeiro livro, “Macumba Rock”

 

Zapnroll – Você é jornalista de formação, já tendo passado por redações de veículos impressos e pela produção de programas de tv e para a internet. O que o motivou a lançar este seu primeiro livro?

 

Jesse Navarro – Sempre escrevi, no colegial fiz curso técnico de redator auxiliar, minha primeira faculdade foi letras e meu pai foi jornalista e escritor. No entanto, não conseguia me organizar para escrever um livro. Em 2017, o exercício de um curso de roteiro era criar uma série imaginária para a Netflix. Nasceu Macumba Rock. Como é muito difícil virar série mesmo, resolvi adaptar a história para um livro. Da ideia original da qual apresentei até um “pitching” no curso, só ficaram o título Macumba Rock e os papos entre o espírito de Raul Seixas e uns jovens ocultistas num cemitério. Virou Culto a Raul. O resto é coisa que vi na vida, histórias de minhas consulentes de baralho cigano e dos moradores de rua com quem trabalho. O objetivo é mostrar a capacidade humana de sair das trevas por quem já viveu nelas, o poder de superação pelos caminhos da arte e da espiritualidade. A trilha sonora da minha vida que sempre foi rock alternativo viveu uma mudança: passei a ouvir cada vez mais o que chamo de xamanismo eletrônico e sons cheios de tambores. Esses barulhos estavam na minha mente e viraram ficção. Inclusive na trilha sonora incluí também preciosidades musicais da Grã Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez, um dos discos mais vanguardistas dos anos 70, pós-tropicalista e debochado, com Raul Seixas, Miriam Batucada, Sérgio Sampaio e Edy Star. Incluí essas trilhas na versão áudio livro que está em arte final. Foi uma fase inspirada da minha produção na Rádio Mundial, usando horas e horas de estúdio 2 para produzir esse material com vários dubladores. Lançamento será em mp3 em janeiro. Sei que tudo nasceu num curso de roteiros num momento de profunda transformação na minha vida pessoal.

 

Zap – Fale um pouco de sua trajetória jornalística e de suas influências literárias.

 

Jesse – Minha trajetória jornalística começou numa assessoria de imprensa na Prefeitura de Osasco. Meu sonho era o rádio, a televisão e peguei a internet chegando. Adorava ser repórter do jornal Primeira Hora, onde comecei cobrindo polícia e depois parei na política. Fui repórter de vários pequenos jornais e apresentador de várias pequenas emissoras de TV, rádio e internet, passando a ter mais pegada cultural. Entrei na RedeTV para ser editor de um programa da tarde e acabei trabalhando em algumas produções, pautei muito Márcia Goldsmidt na Band e dirigi o Clodovil interinamente por uns quinze dias. Durante dois anos fui assistente de direção. Aquilo era puro entretenimento e eu ainda vivia no estado da arte mais erudita. Meu programa na TV Osasco se chamava Giralata e acabou virando Oráculo em outro portal local. Criei um personagem punk místico cultural que atraiu a atenção da MTV da época. Aparecia no programa Gordo Freak Show, umas matérias externas, uma experiência bizarra pela proposta humorística de cornetar o artista na porta do seu show, mas uma experiência inesquecível de gravar uma externa com profissionais de verdade. Passei pelo Guia Quatro Rodas da Abril e depois disso, minha trajetória de jornalismo sobreviveu como comunicação e leitura de oráculos. Fui para a Rádio Mundial e hoje leio ocultismo, um ou outro romance espírita, minha influência literária é beat, Hunter Thompson, Plínio Marcos, cinema da Boca do Lixo. Dica de livro para verdadeiros estudantes de tarô: “O caminho do tarô”, Jodorovsky. A cultura de auto ajuda espiritual é um caminho que mudou minha leitura, meu radicalismo, coisas que assisto e impressões da existência.

 

Zap – De onde surgiu a ideia para o nome “Macumba rock”? Do que trata o romance, afinal?

 

Jesse – Havia um teste nesse curso de roteiros e os professores estimulavam os participantes a compararem as pessoas às séries. Me compararam com “Sons of Anarchy” e o rock realmente está em mim. Fiz uma piada interna comigo sobre isso. Lembrando de pontos da Umbanda e vendo que minha realidade hoje era muito mais tropical, bem mais alinhadas à busca da espiritualidade africana do que com o velho punk. Então veio Macumba Rock. O título antes de qualquer enredo. O romance se trata da capacidade de recuperação de pessoas parecidas perdidas, que não terão volta em suas decadências. Todas elas se encontram no bairro da Freguesia do Ó, em São Paulo. É um thriller que evoca um culto a Raul Seixas em meio a uma delirante e caótica vida macumbeira, festiva, cigana em que uma moça se revolta quando lhe dizem que sua pomba-gira é marmotagem e terá um destino de perdição enfrentando demônios em cemitérios e fazendo contato com Raul Seixas. Como prefaciou Newton Cannito, “Macumba Rock é um livro muito ousado: Navarro escreveu um thriller espiritual erótico, uma mistura heterodoxa de vários gêneros de sucesso. Tem prazer na leitura para todos os lados. Se você gosta de investigações policiais, leia o livro. Se gosta de literatura espiritual e quer saber mais sobre entidades da umbanda, leia o livro. Se quer ouvir detalhes eróticos de boas trepadas, leia o livro. E se você gosta de Raul Seixas, leia o livro”.

 

 Zap – Você hoje em dia se dedica a qual área? Tem planos de prosseguir lançando mais livros?

 

Jesse – Hoje me dedico à comunicação holística. Apresento dois programas. Um na Rádio Mundial todo domingo, o programa Momento. E o programa Profecias do Momento, um canal do YouTube que realmente agregou uma comunidade participativa que interage escolhendo um dos três montinhos do baralho cigano. Levo adiante minha causa social com moradores em situação de rua, sempre trazendo novos parceiros até terapeutas musicais ou massagistas que tragam quick massage. Minha criatividade continua a mil e pretendo lançar outros livros.

 

 

Zap – É fato que a era da internet, se por um lado democratizou e colocou ao alcance de todos o máximo de informação possível, por outro meio que boçalizou as pessoas, visto que elas perderam o interesse por obras literárias mais densas e extensas. O reflexo disso é a queda na venda de livros no Brasil e a crise que se abate sobre o mercado editorial brasileiro, com editoras fechando e mega livrarias entrando em recuperação judicial. Diante de um panorama desses você ainda acredita na literatura e no livro impresso como forma de levar lazer e cultura para um grande público? Você mesmo bancou a edição independente do seu livro?

 

Jesse – Ainda tem bastante gente lendo. O que quebrou o antigo mercado foi a Amazon. Como você é um jornalista da área cultural, me preocupo com sua visão pessimista. Antigas tradições sobreviveram e a leitura de livros é uma delas, que sempre lutou por seu espaço. As pessoas boçais são minoria e muitas se curarão. Existe uma evolução natural junto com uma mudança marcante de formatos, livros digitais dobráveis. Macumba Rock foi artesanal. Uma edição limitada para me lançar como escritor. E os dados ainda estão rolando.

 

Zap – Seus heróis literários e suas obras favoritas em todos os tempos?

 

Jesse – Meus heróis morreram de overdose e as obras favoritas foram desconstruídas. Cem anos de solidão, G G Marques, A Erva do Diabo, Castaneda, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Machado de Assis, modernistas, simbolistas, dadaístas, Dom Quixote, Mate-me por favor, Bukowski, Marcelo Rubens Paiva, Adelaide Carraro, Hemmingway e meu pai, Jesse Navarro Júnior, autor de “A voragem dos moribundos” (1975) e outros.

 

Zap – Para comprar o livro, como proceder?

 

Jesse – Entre no site www.profeciasdomomento.com.br.

 

 

TATIANA PEREIRA

FINATTITATI18II

Zapnroll e a escritora Tatiana Pereira, no coquetel de lançamento do livro dela

 

 

Zapnroll – Como e quando uma farmacêutica bioquímica foi se apaixonar por literatura e por cultura pop, a ponto de criar um blog sobre os dois temas e, anos depois, publicar um livro com os textos que saíram neste blog?

 

Tatiana Pereira – A minha profissão veio bem depois da paixão pela literatura e pela cultura pop. Nasci numa casa onde a literatura sempre foi reverenciada, então sempre li muito, desde criança, e comecei a escrever poesia muito cedo, mas tudo de forma muito pessoal, sem um plano para me tornar escritora. O blog aconteceu no comecinho dos anos dois mil e foi uma maneira de compartilhar o que antes ficava apenas “na gaveta” – acredito que tenha sido um processo natural da época.  Já a publicação do livro veio com mais maturidade, quando senti que já tinha escrito coisas que valiam à pena ter esse formato.

 

 

Zap – De onde surgiu a ideia para o nome “De analgésicos e opioides”?

 

Tatiana – O De Analgésicos & Opioides foi um mini conto que escrevi por volta de 2005 – vale dizer que o conto era bem pessoal, sem uma validade literária, tanto que nunca foi publicado em lugar algum – mas eu gostei do título dele e passei a usá-lo como título do blog. Para mim, a literatura é capaz de te proporcionar analgesia da mesma maneira que te leva às experiências mais loucas como o ópio, e quando fiz essa relação não consegui mais desvincular esses “signos”.

 

Zap – O livro possui 470 páginas reunindo crônicas e textos curtos. Todos já haviam sido publicados no blog ou há algo inédito?

 

Tatiana – Não. Pelo menos 60% do livro nunca foi publicado no blog, nem em qualquer outro veículo. Tem muito mais material inédito no livro do que espalhado pelos canais digitais.

 

Zap – Você hoje em dia se dedica à área de marketing, certo? Tem planos de prosseguir lançando mais livros?

 

Tatiana – Sim. Fiz faculdade de Farmácia e Bioquímica e logo percebi que estudar marketing me ajudaria a desenvolver projetos de serviços de saúde com uma comunicação mais assertiva, mais direta, sem esse lado “sisudo” e muitas vezes “impondo medo” que a comunicação nessa área insiste em fazer – o que me incomoda muito. Para isso, acabei fazendo MBA em Planejamento Estratégico de Marketing, fiz pós em Marketing Digital, estudei Netnografia e decidi que precisava ter uma qualidade de vida melhor para poder fazer o que gosto sem a dureza do mundo corporativo. Foi quando, há 8 anos, abri minha própria empresa onde a área de saúde se torna uma divisão de negócio, mas amplifiquei o leque de serviços para outros segmentos. Tudo isso para poder ter tempo de escrever. Hoje já tenho mais dois livros praticamente prontos e tenho escrito roteiros de longas, curtas e uma previsão de lançamento de filme em 2019.

 

Zap – É fato que a era da internet, se por um lado democratizou e colocou ao alcance de todos o máximo de informação possível, por outro meio que boçalizou as pessoas, visto que elas perderam o interesse por obras literárias mais densas e extensas. O reflexo disso é a queda na venda de livros no Brasil e a crise que se abate sobre o mercado editorial brasileiro, com editoras fechando e mega livrarias entrando em recuperação judicial. Diante de um panorama desses você ainda acredita na literatura e no livro impresso como forma de levar lazer e cultura para um grande público?

 

Tatiana – Você pontuou coisas importantes aí e me arrisco a dizer que as grandes livrarias começaram a deixar seus reais leitores/ consumidores de lado para investir nos leitores de internet – o que não haveria nada de errado se houvesse um equilíbrio, entendimento e planejamento. É só entrar nessas livrarias para perceber que na mesa dos mais vendidos e de lançamentos há uma série de réplicas de coisas já publicadas na internet e que não é mais novidade para quase ninguém. Tentar aplicar a rapidez e liquidez do ambiente digital nas lojas e nas editoras sem considerar a diferença de consumo dos dois ambientes nos levou a esse cenário triste da literatura. Em contrapartida, tem gente que entendeu o processo, e usa os canais digitais para levar o público para a loja física – que é o caso da editora Lote 42 que também é dona da Banca Tatuí e da Sala Tatuí, no bairro Santa Cecília, em São Paulo – que me faz acreditar que o livro impresso sempre vai existir, mas não na quantidade de hoje. E aí eu pergunto: se as grandes redes de supermercados entenderam que uma cidade como São Paulo precisa mais de mini mercados e uma curadoria geolocalizada de mix de produtos, por que as redes de livrarias não fizeram esse exercício?!

 

Zap – Para quem não conhece seu blog e seu estilo literário, o que esse possível leitor irá encontrar no seu livro?

 

Tatiana – O livro é uma série de crônicas e prosas poéticas que abordam os diferentes estados emocionais do ser humano fazendo referências à cultura pop – literatura, cinema, música, artes plásticas – usando, muitas vezes, a própria gramática como personagem.

 

Zap – Seus heróis literários e suas obras favoritas em todos os tempos?

 

Tatiana – Listas são sempre terríveis, pois tendem à uma injustiça. Risos! Mas vamos lá: meu deus é o Fernando Pessoa e seus heterônimos. Coleciono Júlio Cortázar, Clarice Lispector e Haruki Murakami como referência literária, e a Fernanda Young como o humor [ou a falta dele] de uma sofisticação para poucos. Gosto demais do Ariano Suassuna e tenho o tenho lido muito nos últimos anos. Minhas obras favoritas são Histórias de Cronópios e Famas, do Cortázar. Água Viva, da Clarice Lispector. O livro do Desassossego e toda obra do Alberto Caeiro, do Fernando Pessoa.

 

Zap – Para comprar o livro, como proceder?

 

Tatiana – Na Livraria Blooks [São Paulo e Rio de Janeiro] e através da Indie Blooks: http://indieblooks.iluria.com/pd-5d701f-de-analgesicos-opioides.html. E diretamente comigo, pelo Pagseguro [vai com dedicatória e autógrafo]: https://bit.ly/2GBtoer.

 

 

ARQUIVOS DO JORNALISTA MUSICAL FINASKI – SAUDADES DOS SHOWS DE ROCK QUE VIMOS NA VIA FUNCHAL SP

Madrugada dessas estava o loker rocker aqui assistindo ao programa do Jools Holland (ou Jools “RÔLA”) no canal Bis. Gostamos de ver, sempre rolam atrações bacanas: nessa madruga, por exemplo, teve Damon Albarn (vocalista do Blur, pros desinformados de plantão), Black Keys e… Coldplay. Ok, ok, a banda não é mais o que era antes mas continuamos achando o dream pop inicial deles (pelo menos até o terceiro disco) digno de respeito. E ouvindo Chris Martin e sua turma se apresentando, nos lembramos saudosos das duas vezes em que vimos a banda ao vivo na finada Via Funchal.

Fomos pesquisar na web. No Wikipedia tem um verbete bastante completo sobre aquela que, na nossa opinião, foi mesmo a MELHOR casa de shows internacionais que existiu na capital paulista nos últimos 25 anos. Projetada com esmero e rigor, permitia que você assistisse super bem as gigs que lá aconteciam, estivesse onde estivesse lá dentro (havia uma pista em desnível em direção ao palco, com degraus, o que permitia que a fila à sua frente ficasse sempre ABAIXO da sua visão do palco). Fora que a acústica era ótima e a iluminação idem. Mas como tudo que é ótimo nunca dura para sempre o local encerrou atividades em dezembro de 2012, já que a dupla que era sócia de lá vendeu o mesmo a uma incorporadora imobiliária pela “bagatela” de R$ 100 milhões.

Enfim, a Via Funchal durou 14 anos, de 1998 a 2012. E nessa quase década e meia de existência, este jornalista eternamente rocknroll viu shows verdadeiramente incríveis por lá (alguns nem tanto, vamos ser honestos), e agradecemos isso à queridíssima Miriam Martinez, que foi assessora de imprensa máster da casa durante toda a existência dela. Miroca, que atualmente trabalha na Tom Brasil SP, é uma das nossas melhores e mais bacanas amigas na assessoria de imprensa rock paulistana há mais de 30 anos, e nunca nos deixou na mão, hehe. De modos que aí embaixo segue um resumo de algumas das gigs que vimos por lá, com rápidos comentários sobre cada uma delas e sobre o momento pelo qual estávamos então.

 

***Green Day (novembro de 1998): a Via Funchal existia há apenas dois meses e esse foi o primeiro show de rock que o blog viu lá. E foi showzão, casa lotada (cabiam 6 mil pessoas lá), a banda ótima no palco etc.

 

***Echo & The Bunnymen (setembro de 1999): os “homens coelho” finalmente retornavam ao Brasil após 12 anos de sua primeira e histórica passagem por aqui. Vieram na turnê do disco que marcou a volta do grupo, o PÉSSIMO “Evergreen”. Mas novamente a gig foi sensacional (enlouquecemos ao ver na nossa frente, pois estávamos COLADOS no palco, na área de imprensa, a banda começar a apresentação com a clássica “Rescue”), mesmo com Ian McCulloch sem voz alguma. E foi nesse show que o zapper estava acompanhado DELA! Quem? Ana S.B., um XOXOTAÇO goth que havíamos conhecido semanas antes na porta do Madame Satã. Linda, gostosa, 17 aninhos de idade (e o loker aqui com meus 36 já…), inteligentíssima e… totalmente PERVA, safada e ordinária, rsrs. O zapper se apaixonou pela garota. Fomos juntos ao Echo e depois passamos no também finado e saudoso Nias (um dos clubes de rock mais legais que existiram em Sampa), bebemos e dançamos por lá, até que propus irmos ao Madame (afinal, tínhamos nos conhecido na porta do casarão goth clássico do Bixiga). Ela topou. Pegamos um táxi e quando chegamos na porta do Satã, me disse que não queria entrar. “Vamos logo pro hotel TREPAR!”, falou, para nosso total espanto. Nem precisou pedir duas vezes. A foda foi do inferno e jamais esqueceremos do BOQUETE primoroso feito pela magrinha de peitos miúdos e rosto angelical perfeito como o de uma boneca de porcelana oriental. E também não me esqueço jamais dos seus gritos histéricos quando ela gozou. Trepamos ainda mais duas vezes e Aninha sumiu, para apenas me reencontrar muitos anos depois, quando estava CASADA com um espanhol com o dobro da idade dela. Procurou o jornalista rocker novamente, foi na casa dele e DEU novamente. O blog se casaria com ela. Mas nunca mais a vimos depois de mais duas fodas canalhas e inesquecíveis.

 

***The Mission (junho de 2000): o quarteto gótico inglês já estava em franca decadência. Mas havia lançado um cd TRIPLO (!) e veio tocar aqui mais uma vez (depois virou carne-de-vaca no Brasil e o vocalista e líder Wayne Hussey até se casou com uma loiraça goth perua de Santo André, onde parece que mora até hoje). A Via Funchal quase lotou e a tribo goth enlouqueceu com os hits do grupo. Depois do show fomos parar num muquifo goth que estava funcionando no cu da zona leste paulistana, levados por um busão caindo aos pedaços e fretado pelos ex-donos do Madame Satã, para fazer o tal trajeto.

 

***Coldplay (setembro de 2003): a primeira visita dos ingleses ao Brasil. E já estavam no auge, prestes a lançar seu terceiro álbum de estúdio e com dois CDs primorosos na bagagem. Foram três noites absolutamente LOTADAS na Via Funchal. Não me lembro em qual fui, mas estava lá. De calça preta, camisa social branca de manga comprida e blazer por cima (disso me lembro bem). Ficamos EMOCIONADOS com a gig, de verdade. E quando saímos de lá fomos ainda em um coquetel fechado para convidados em Pinheiros, lançamento de um disco se não me engano. O coquetel era open bar e fiquei (claro!) num estado lamentável. Como sou adicto (dependente químico que não deveria sequer beber UMA gota de álcool), não deu outra: saí dali direto para o centro de São Paulo, para me ENTUPIR de CRACK. Final de madrugada absolutamente trágico para uma noite que havia começado de forma sensacional. Normal, faz parte.

 

***Massive Attack (maio de 2004): o zapper já tinha visto a trupe trip hop inglesa alguns anos no extinto Free Jazz Festival. Show mais uma vez perturbador. Pela concepção cênica e pela ambiência sonora total sinistra e sombria. Foi lindão, no final das contas.

 

***The Sisters Of Mercy (maio de 2006): também já estava em sua fase total decadente e vivia aparecendo para shows caça níqueis por aqui. Já os tinha visto 15 anos antes no finado ProjetoSP, onde a gig já não tinha sido grande coisa (a real é que a banda nunca foi muito boa ao vivo). Mas o povo goth amava a banda e assim bastante gente apareceu para revê-los ao vivo.

 

***New Order (novembro de 2006): o retorno do gigante synthpop inglês, depois de sua gloriosa primeira vinda ao Brasil, em 1988. Foi legal, a VF lotou (óbvio), Peter Hook (ainda estava no conjunto) deu show no baixo mas já não era mais a mesma coisa. Hoje em dia, então… só para TROUXAS ou FANÁTICOS.

IMAGEMECHOLIVE

Echo & The Bunnymen (acima) e REM (abaixo): duas das zilhões de bandas gigantes da história do rock mundial e que o blog testemunhou ao vivo ao longo de nossa década e meia de existência, ambos em gigs na finada e saudosa Via Funchal SP

IMAGEMREMLIVEBR

 

***Coldplay (fevereiro de 2007): eles voltaram e lá estava Zapnroll novamente (iria cobrir a apresentação para o caderno B do diário carioca Jornal Do Brasil, onde Finaski estava colaborando então). Mais uma vez três noites lotadas. Mais uma vez showzaço emocionante. E felizmente desta vez não teve crack no final da noite.

 

***Interpol (março de 2008): a única gig que vimos dos nova-iorquinos pós punk que emulam Joy Division à perfeição. E foi ótimo!

 

***REM (novembro de 2008): um dos shows INESQUECÍVEIS da NOSSA VIDA. Uma das cinco bandas eternas da minha existência. Já os tinha visto em janeiro de 2001, no terceiro Rock In Rio. E aqui foi ainda melhor pois era espaço fechado e com muito mais visibilidade de palco e som muito melhor. E este zapper CHOROU quando a banda tocou “Losing My Religion”.

 

***Duran Duran (novembro de 2008): a volta do new romantic histórico inglês, 20 anos após tocar pela primeira vez no Brasil (em janeiro de 1988, no festival Hollywood Rock). Foi um dos melhores shows que assistimos na Via Funchal.

 

***Peter Murphy (fevereiro de 2009): gig solo do ex-vocalista dos Bauhaus. Na boa, foi chatíssimo, rsrs.

 

***The Kooks (junho de 2009): os inglesinhos indie rock dos anos 2000 estavam no auge e fizeram um bom set.

 

***Cat Power (julho de 2009): nossa deusa e musa americana ad eternum. Set melancólico, climático e lindíssimo. Sendo que o blog estava apaixonado e quase namorando com a Rudja, que morava (e mora até hoje) em… Macapá! Tanto que LIGAMOS pra ela do via celular no meio da apresentação, e tentamos fazer com que ela escutasse parte do show pelo celular.

 

***Belle & Sebastian (novembro de 2010): nossos eternos heróis escoceses do indie rock e dream pop. Show inesquecível, sendo que saíram lágrimas dos meus olhos ao final dele. E sim, o blog estava acompanhado da garota de Macapá (a Rudja), com quem havia namorado e noivado por um ano, e ela tinha vindo passar um mês em Sampa (também vimos juntos a primeira edição do festival SWU), pra nos despedirmos do noivado. Aquela noite pós B&S foi looooonga, com álcool, drugs etc. Mas não posso entrar em detalhes porque senão a fofa Telma (mãezona da garota e querida amiga nossa até hoje) me mata, hihi.

 

***Stone Temple Pilots (dezembro de 2010): outro show za ço! Scott Weiland sempre foi nosso “ídalo”, rsrs (e também do mozão André Pomba, ahahaha). No final da gig Zapnroll, já com algumas doses de whisky na cachola, deu de cara com o porcão, jotalhão e covardão José Flávio MERDA Jr., um dos seres humanos e jornalistas mais escrotos e imundos que tivemos o desprazer de conhecer em toda a nossa existência. Só não partimos pra cima do pança de elefante porque fomos contido pelo querido Pablo Miyazawa (então editor chefe da finada revista Rolling Stone Brasil). Depois o blog veria novamente o STP na segunda edição do festival SWU, em 2011 em Paulínea. E depois Scott se foi, morto por overdose de drugs aos 48 anos de idade. Viveu rápido, intensamente, e morreu jovem ainda. Como todo mundo deveria viver e morrer, no final das contas – é um CASTIGO cruel se tornar um velhote solitário, senil e gagá, definitivamente.

 

***Pulp (novembro de 2012): o fim para o blog por ali, e para o próprio Via Funchal em si. A gig foi no dia 28 daquele mês, dois dias depois do niver de 50 anos de idade do jornalista zapper. Foi uma despedida mega digna para o MELHOR espaço de shows de rock que já houve em Sampalândia. Deixou saudades. E quem viu o que vimos ali e relembramos nesta publicação, viu. Quem não viu não irá ver nunca mais.

 

**********

E PARA FECHAR COM CHAVE DE OURO A HISTÓRIA DAS MUSAS ROCKERS ZAPPERS, ELA! A MUSA SECRETA N.R., QUE PASSOU UM ANO CHIFRANDO SEM DÓ O MARIDO ENQUANTO ERA FODIDA NUMA PAIXÃO LOUCA PELO JORNALISTA LOKER ROCKER

Yeeeeesssss. Para encerrarmos verdadeiramente os quinze anos de Zapnroll no tópico “musa rocker”, teríamos que caprichar. Afinal muitas, lindas, divinas, devassas, bocetudíssimas, cadeludas, imorais e total pervas passaram por aqui ao longo desta década e meia. De modos que para terminar super bem também este capítulo, resolvemos caprichar e enlouquecer de verdade nosso dileto leitorado macho (cado), com uma reedição do ensaio DELA! Quem? Da musa SECRETA N.R., oras. E de quem não podemos revelar a identidade pois a garota é CASADA e durante um ano meteu corno sem dó no seu maridón, dando e fodendo com gosto com seu AMANTE zapper – este mesmo aqui, o eterno jornalista gonzo, loker e rocker. A paixão entre ambos foi algo realmente avassalador. Mas tudo que é ótimo um dia acaba. Ficaram então as lembranças. Que você confere aí embaixo, sem moderação alguma!

 

Nome: N.R.

Idade: 36 anos.

De: São Paulo.

Mora em: São Paulo.

Com quem: com o marido.

O que faz: já foi comerciária, hoje cuida da sua casa.

Paixão: literatura, sendo que seus autores preferidos estão Charles Bukowski e o cubano Pedro Juan Gutiérrez.

Música: fã de Tiê, Ana Carolina, Cazuza, Chico Buarque e Legião Urbana.

Como ela e o autor deste blog se conheceram: foi através de um grupo de discussão na internet sobre a obra do velho safado Charles Bukowski, o célebre autor americano do qual ambos são fãs devotados. Os papos online começaram, depois ligações pelo celular. Começou a negociação para um encontro pessoal e ao vivo, o que não demorou a acontecer. E o que era para ter sido apenas uma única tarde de foda intensa porém sem compromisso emocional algum, se tornou uma paixão avassaladora que durou um ano e dezenas de TREPADAS enlouquecedoras, com o casal GOZANDO tudo o que podia. Como a situação não poderia se prolongar ad eternum sem que uma possível tragédia acontecesse, tudo se findou um dia. Restaram as lembranças imagéticas e uma amizade que perdura até hoje.

 

FRASES INESQUECÍVEIS DISPARADAS DURANTE ALGUMAS DAS FODAS DESVAIRADAS DO CASAL

 

“A irmã CRENTE rezando, e a PUTA aqui dando!” (N.R., numa tarde de sábado, quando estava sendo traçada de ladinho pelo jornalista Finas, e lembrando que naquele exato instante sua irmã, que é evangélica, deveria estar na igreja orando)

 

“Vai, me dá LEITE DE PUTA!” (era assim que N.R. se referia ao esperma, que adorava BEBER sem restrição. E Zapnroll soltou muita porra na BOCA dela, ulalá!)

 

“A puta branquela, peituda, magra e perfeita!” (assim Finaski se referia a N.R., já que ela é branca como um fantasma, possui bunda durinha e miúda, pernas finas e peitos GIGANTES)

IMAGEMNEIDEPUTAETERNAV

Uma BOCETA do inferno e sempre em chamas!

 

IMAGEMNEIDEPUTAETERNAIV

Peitões portentosos

 

 

IMAGEMNEIDEPUTAETERNAIII

A bundinha magra e durinha de uma cadela branquela e puta sem igual

 

IMAGEMNEIDEPUTAETERNA

Uma devotada fã de literatura

 

IMAGEMNEIDEPUTAETERNADEFINAS

Sim, o CORPO dela sempre acalmava o velho jornalista

 

FINATTINEIDE

O casal saciado carnalmente, após uma de suas fodas alucinadas

 

 

2003-2018 – FIM DA HISTÓRIA ZAPPER!

Sim! Tudo tem um fim, tudo um dia acaba. Foi ótimo enquanto durou e foi um imenso prazer estar com todos vocês durante os últimos quinze anos. Nos vemos por aí! Beijos na galera que ainda ama rocknroll, vocês estarão sempre em nosso coração!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 28-12-2018 às 18:30hs.)

 

AMPLIAÇÃO FINAL! Contando como foi o show do Gang Of Four no Sesc Pompeia, em Sampa! – Nos quinze anos do blog zapper continuamos publicando posts comemorativos como este, em que destacamos as três décadas do lançamento (celebrados esta semana) de um dos discos mais importantes e clássicos do rock mundial nos anos 80: o álbum “Green”, do gigante, saudoso e inesquecível REM; quem também chega aos trinta anos de existência e lançando um bacanudo novo álbum é o Smashing Pumpkins; mais: os vinte anos do Grind, a domingueira rock mais lendária e bombada do Brasil (e que recebe nesse domingo dj set do blog zapper, “bebemorando” mais um niver do jornalista ainda loker e eternamente rocker!) e o fechamento (infelizmente) do bar e teatro Cemitério de Automóveis e também (novamente) do clássico Matrix Rock Bar; análises sombrias do que aguarda todo o país a partir de 1 de janeiro de 2019, com a chegada ao poder de um presidente e de um governo fascista, autoritário, conservador e de extrema direita; e enquanto o reacionário, troglodita e boçal moralismo ultra conservador e hipócrita (que já saiu do armário) não avança sobre nós com tudo e com sangue nos olhos e faca entre os dentes, presenteamos nosso sempre dileto leitorado macho (cado) com uma musa rocker absolutamente e divinamente abusada, tesuda, transgressiva e subversiva ao máximo: a gataça, filósofa, escritora e nada pudica, recatada e de lar nenhum, Sue Nhamandu Vieira. Aproveitem e deleitem-se com as imagens total nudes deste mulherão enquanto isso ainda é possível! (postão MEGA finalmente concluído em 1/12/2018)

IMAGEMLUTODEMOCRATICOII

IMAGEMSP2018

2018 celebra os trinta anos de existência de um dos maiores nomes do rock mundial (ou do que resta dele): o americano Smashing Pumpkins (acima, reunido no estúdio este ano com sua formação quase original) retorna com um bom disco inédito, após quatro anos longe dos estúdios; já o inesquecível e também americano REM (abaixo, com sua formação original, em imagem de 1988) tem seu clássico álbum “Green” relembrado neste post por ocasião do seu trigésimo aniversário, em textos do próprio blog e do convidado especial Léo Rocha

IMAGEMREM1988II

**********

E MAAAAAIS MICROFONIA SUPER EXTRA! – SALVEM A DATA! FINASKI NESTA QUINTA-FEIRA MEIA NOITE NO “NASI NOITE ADENTRO” (CANAL BRASIL), FALANDO DE SEU LIVRO EM “O ESTRANHO MUNDO DE HUMBERTO FINATTI”

 

Yes. Custou mas finalmente vai ao ar. Gravado em janeiro deste ano numa agradabilíssima noite de segunda-feira no antigo endereço da sempre bacanuda Sensorial Discos SP, a entrevista que concedemos para o amigo de décadas, vocalista do Ira! e queridão Nasi será finalmente exibida no “Nasi noite adentro” desta quinta-feira, 6 de dezembro, à meia noite, no Canal Brasil (canal 150 na tv Net). O bate-papo, claro, girou em torno do nosso então recém lançado livro, “Escadaria para o inferno”.

Nem o blog mesmo sabe como ficou o resultado final, rsrs. Afinal não vimos o programa editado. Mas o papo foi ótimo e tanto Finaski quanto ele ficaram “trêbados” de tanto vinho (ótimo, diga-se) que tomamos, ahahahaha.

 

Contamos com a audiência dos nossos leitores. E depois digam o que acharam, claro!

 

(sendo que as fotos deste tópico, inéditas, foram tiradas diretamente das gravações do programa)

 

O quê: entrevista de Finaski para o programa Nasi noite adentro.

 

Título do programa: “O ESTRANHO MUNDO de Humberto Finatti” (ahahahaha, a risada é por nossa conta)

 

Quando: nesta quinta-feira, 6 de dezembro, meia noite.

 

Onde: no Canal Brasil (150 na tv Net)

 

Apresentação: Nasi. Direção: André Barcinski. Co-direção: Rogério Lacanna (a quem agradecemos pelas imagens deste post)

finatti 4

O jornalista zapper rocker e seu amigo Nasi, vocalista do grupo Ira!: bate-papo entre ambos hoje à noite no programa “Nasi noite adentro”, no Canal Brasil

 

**********

MAIS MICROFONIA: GANG OF FOUR NO SESC POMPEIA – SP, 23/11/2018

 

Então foi isso: o blog esperou mais de uma década para conseguir ver a “Camarilha dos quatro” ao vivo (em 2006, no festival Campari rock, que rolou em Atibaia, próximo à capital paulista, mesmo estando credenciado o jornalista sempre atrasildo chegou atrasado o suficiente para perder todo o set dos ingleses lendários do pós-punk dos anos 80’). E finalmente lá foi Zapnroll na última sexta-feira (23 de dezembro) para a choperia do Sesc Pompeia, conferir a última gig deles em Sampa – a primeira havia sido na quinta-feira e, assim como ontem, esgotou os ingressos e lotou o local.

E no final das contas, a performance do grupo foi apenas… razoável. A parada já não começou muito bem na noite de sexta: Andy Gill (guitarrista, fundador e único membro original da banda ainda nela) subiu ao palco com ALGUM problema na sua guitarra. O músico demonstrou visível irritação quando simplesmente jogou com quase fúria seu instrumento no chão, e ficou encarando o público de braços abertos. A plateia achou que se tratava de algum “chilique” de rockstar para iniciar com ímpeto a apresentação e aplaudiu (alguns gritaram) em aprovação. Mas não era nada disso e quem observou atentamente (como o sujeito aqui) sacou que havia algo errado, sendo que um dos roadies se apressava em aprontar outra guitarra para o loiro e que FUNCIONASSE a contento.

Até que o show começou finalmente. Foi beeeeem mais ou menos até a metade pelo menos. Na verdade quem deveria ser a estrela e ter brilhado no palco seria Andy Gill, autor da maioria do repertório do GOF, inclusos aí os clássicos punk dançantes do conjunto. Mas quem DE FATO roubou a cena quase o tempo todo foi o negão Thomas McNeice, um baixista do inferno que literalmente destruiu com suas linhas pesadas e matadoras, todas tiradas na base da palhetada. Gill foi “apenas” (vamos dizer assim) o ótimo guitarrista que sempre foi, mas sem arroubos de genialidade. O baterista Tobias Humble foi apenas correto. E o vocalista John Sterry (que o velho chapa e ex-vj da MTV Thunderbird, presente ao show, achou que ele se parece com Peter Murphy, quando o ex-vocalista dos Bauhaus era uma bicha loka novinha e bonitinha) bem que tentou se esforçar: instigava o público, rebolava, pulava, dançava etc. Mas é irremediavelmente FRACO, ainda mais se lembrarmos que esses caras tiveram um Jon King nos vocais.

IMAGEMGOFLIVESESC18III

Os ingleses do Gang Of Four no palco da choperia do Sesc Pompeia, na capital paulista, na última sexta-feira (23 de dezembro): a gig foi apenas razoável, e quem brilhou mesmo e roubou o show foi o baixista

 

Set list? Tocaram de tudo um pouco e fizeram um bom apanhado da trajetória deles. Claro, o povo que lotou a choperia (muitos velhões e velhonas na faixa dos 40/50 anos, como este jornalista ainda rocker mas já “tiozão” sem pudor e problema algum; mas também havia uma pirralhada mais jovem, incluso aí muitas xoxotinhas tesudas com cabelos descoloridos, tattoos e tetas QUASE à mostra, afinal estava bem quente na choperia, e todos com t-shirts de bandas ícones do pré e pós punk, como Television e Joy Division, sendo que o zapper vestia a sua do Clash, uma das eternas cinco bandas da nossa vida) só enlouqueceu mesmo quando o GOF disparou seus dois grandes hits (dentro do que se pode considerar “hit” no caso deles e no rock alternativo), “Damaged Goods” e “I Love A Man In A Uniform” (sendo que essa Andy Gill bem poderia tê-la dedicado ao futuro presidente nazi fascista brasileiro e a quase todos os 55 milhões de OTÁRIOS, BOÇAIS e IMBECIS e completos selvagens que votaram nele). Mas aí já era um pouco tarde para virar o jogo totalmente, ainda que o bis tenha sido empolgante a ponto de conseguir fazer todo mundo dançar.

Para quem esperou tanto tempo e esperava mais em termos de performance, o Gang Of Four ficou devendo. Como não deverão mais voltar aqui (nesse país fodido, falido e agora mergulhado em trevas medievais culturais profundas a partir de 2019), vamos ter que ficar com esse registro mesmo em nossa memória de jornalista musical.

 

***O set list da gig do GOF, no Sesc:

 

Anthrax

Where The Nightingale Sings

Not Great Men

Isle of Dogs

Toreador

Paralysed

I Parade Myself

What We All Want

Natural’s Not In It

Lucky

Damaged Goods

Do As I Say

I Love a Man in a Uniform

Why Theory?

At Home He’s a Tourist

To Hell With Poverty

 

Bis:

Return the Gift

Ether

I Found That Essence Rare

 

**********

 

MICROFONIA (reverberando a cultura pop em todas as suas múltiplas facetas)

 

***Okays, o novo post demorou mesmo desta vez para sair. Mas cá estamos, com zilhões de assuntos pendentes e para serem colocados em dia. Fora que este é o penúltimo postão do blog em 2018 e talvez em sua história, fechando um ciclo que já dura quinze anos – muito bem sucedidos, diga-se. A partir de 2019 este espaço deverá continuar presente na blogosfera brasileira de cultura pop mas apenas para divulgar EVENTOS ESPECIAIS com a marca Zapnroll, como festas e noites com o nome do blog e que serão prioritariamente realizadas em unidades do Sesc da capital paulista, reeditando o sucesso que foi a comemoração do nosso décimo quinto aniversário mês passado, na unidade Belenzinho, na zona leste de Sampa. Mas sobre isso daremos mais e melhores detalhes em nosso último post deste ano, beleusma?

 

***E falando em festas, essa bacanuda e celebrando o niver do nosso querido brother carioca Kleber Tuma, rola mês que vem (dia 22, pertinho do natal) no Rio De Janeiro. Noitona pós-punk anos 80 pra nenhum gótico do Rio MEDO De Janeiro reclamar, hihi. Com especiais do Echo & The Bunnymen e Joy Division, além de Finaski como dj convidado, wow! Se você mora no balneário ou se estiver de bobeira por lá no dia, já sabe pra onde ir pra dançar até cair! Tudo sobre a baladadona aqui: https://www.facebook.com/events/293078024871304/.

CARTAZFESTACEREMONYRIO18

 

***“BOHEMIAN RHAPSODY”, O FILME, É SENSACIONAL E FEZ FINASKI CHORAR! – a cinebiografia do Freddie Mercury, que se eternizou na história do rock e da música mundial como o vocalista do inesquecível Queen, é um filmaço! Com alguns defeitos, isso é inegável. Um dramalhão quase mexicano, só que muito bem produzido e roteirizado? Sem dúvida. Passa muito superficialmente por diversos momentos da trajetória do grupo? Também, e nem tinha como ser diferente, afinal estão condensados em duas horas de filmagem uma história de mais de 20 anos. Comete equívocos cronológicos grosseiros? Sim, e talvez esta tenha sido a principal “escorregada no tomate” do longa, que mostra o show do Queen em janeiro de 1985, na primeira edição do Rock In Rio, absolutamente fora do tempo correto. Naquela época Freddie já ostentava seu visual que o acompanhou até sua morte em 1991, com cabelo curtíssimo e bigodão. No filme, na gig no Rio, ele ainda aparece de cabelos compridos e sem bigode. Fora que DEPOIS da apresentação no festival carioca a banda é mostrada criando o clássico “We Will Rock You” – que na verdade abre o álbum “News Of The World”, lançado 8 anos antes (!), em 1977. Mas nada disso tira o prazer gigantesco de assistir o filme. Os atores que vivem os quatro integrantes do conjunto não poderiam ter sido melhor escolhidos. E a cada avanço e ascensão na jornada do quarteto, a plateia fica extasiada de verdade. Como quando é mostrado como eles criaram o HINO que dá título ao longa, uma das obras-primas de toda a história do rock mundial e que a gravadora não queria lançar como single de trabalho de forma alguma por causa da longa duração da canção (uns 6 minutos). O Queen bateu o pé para que “Bhoemian…” fosse o primeiro single do clássico e sensacional LP “A Night At The Opera” (lançado em 1975) e deu no que deu: a faixa estourou nas rádios inglesas e foi parar no topo das paradas. O final então é mega emocionante e de arrepiar, quando a banda se reúne para tocar no Live Aid, concerto monstro organizado em 1985 e que reuniu os maiores nomes do rock mundial de então, para um show beneficente que visava arrecadar fundos para as vítimas da fome na África. O evento entrou para a história da música, e no palco do estádio de Wembley o Queen mostrou mais uma vez porque era a RAINHA máxima do rock. O filme acaba ali e não foca nos anos finais da vida de Freddie, que seria derrotado pela Aids seis anos depois, quando tinha 45 de idade. Mas mostra (ainda que de forma sutil e discreta) como ele se descobriu gay ao longo da sua vida, após namorar seis anos com Mary Austin e terminar sua vida ao lado do companheiro Jim Hutton. Tanto Mary como Jim herdaram a maior parte da fortuna deixada por Mercury. E vendo o filme, um OUTRO FILME passou diante dos nossos olhos. O blog se lembrou de como amava o Queen na nossa pós-adolescência, dos LPs que tínhamos deles (tivemos durante anos meia dúzia de discos do grupo, em suas edições originais com capas duplas, e não parávamos de escutá-los) e dos DOIS SHOWS que vimos da banda, em março de 1981 no estádio do Morumbi em Sampa, e depois em 1985 no primeiro Rock In Rio. Zapnroll foi sozinho em ambos, graças ao “apoio” financeiro da saudosa mama Janet, que superprotegia o jovem Finas e pagou os ingressos nas duas vezes sob protestos irados, pois ela morria de medo de que seu filho fosse sozinho naquela idade (18 anos no primeiro show; 22 no segundo) num “tumulto” musical e rocker onde estariam milhares de pessoas. Mas que loko: ela mesma AMAVA o Queen e por isso deixou o jovem Finaski ir às duas gigs. No final das contas, “Bohemian Rhapsody” nos mostra o que todos nós já sabemos há bastante tempo: nunca mais haverá na história da música bandas como o Queen ou vocalistas fodásticos como Freddie Mercury. O rock morreu, já está no museu e a música pop de hoje (assim como a própria cultura pop em si) se tornou completamente anêmica, irrelevante, ignorante. Burra como são estes tempos da internet. Estúpida como são os próprios ouvintes de música de hoje em dia. De modos que, se temos alguma felicidade por estar com quase 5.6 nas costas, é por saber que conseguimos viver, ouvir e ver tudo aquilo de perto, ao vivo. As últimas fases de uma história emocionante, empolgante e fantástica, chamada rocknroll. Uma história que não mais irá se repetir. Nunca mais. E sim, o zapper CHOROU nos minutos finais do filme, viu mozão André Pomba (rsrs). E ao final do filme a sala inteira do Belas Artes (que não lotou mas estava bem cheia) APLAUDIU e deu URROS de satisfação. E não teve (felizmente) bolsominion retardado, boçal e imbecil para vaiar o personagem de Freddie Mercury quando ele começou a beijar homens na boca e descobriu que, sim, o ser humano tem que ser FELIZ NO AMOR COM QUEM ELE BEM ENTENDER e com quem o faz se sentir amado, acolhido, carinhado e respeitado, e não com quem a sociedade careta e moralista hipócrita quer determinar. Valeu Queen e Freddie Mercury, por ter tornado grande parte da nossa vida menos ordinária e menos cinza também.

 

 

*** HORA DE JOGAR A TOALHA, ACEITAR A DERROTA TRÁGICA PARA A DEMOCRACIA E A PARTIR DE AGORA FAZER OPOSIÇÃO SÉRIA, HONESTA, CORAJOSA E GIGANTE FRENTE AO NAZI FASCISMO AUTORITÁRIO QUE VEM AÍ – Sim, não há o que fazer. Lutamos todos como GAROTOS e GAROTAS, mas a onda nazi fascista ultra conservadora de extrema direita que VARREU a sociedade selvagem e o eleitorado bestial brasileiro foi mais forte do que nós. E nesse momento sentimos mais VERGONHA DO QUE NUNCA de ser brasileiro. Mas não iremos desistir de nossa luta por democracia e liberdade. E achamos que NINGUÉM que está do nosso lado irá desistir. Sim, a partir de agora seremos todos outsiders novamente. OPOSIÇÃO seríssima e forte contra o senso comum BOÇAL que elegeu um presidente autoritário, truculento, irracional e amante da tortura e da ditadura militar. Exatamente como há quase 40 anos quando foi fundado, o PT volta a ser oposição contra o conservadorismo medieval político e social. E assim sendo terá chance de reavaliar sua postura e fazer a auto-crítica necessária aos seus erros. Mas sobretudo estaremos na oposição e na luta incansável por um Brasil menos horrível do que se prenuncia pelos próximos 4 anos. Jamais iremos nos arrepender do voto que demos para Fernando Haddad. Valeu, professor! Você também LUTOU COMO UM GAROTO. E seguiremos todos ao seu lado! E todos os que votaram nesse TRASTE Jairzinho bolsa de cocô vão se arrepender AMARGAMENTE e muito em breve. Vamos todos pagar muito caro por esse desastre (muitos até com a vida, talvez), mas esse MONSTRO será TOTALMENTE DESCONSTRUÍDO em tempo recorde. E aí vamos ver quem irá ter CORAGEM de assumir que ajudou a AFUNDAR de vez o Brasil.

 

***E só pra não esquecer, sendo que nunca foi tão necessário ter uma gig dessas nesse momento no Brasil: logo menos à noite, na choperia do Sesc Pompeia, rola o segundo show dos ingleses do Gang Of Four, um dos grupos mais politizados e esquerdistas da história do pós punk inglês dos anos 80. Os ingressos estão esgotados (ontem também se esgotaram) mas o blog estará presente e depois conta aqui nesse mesmo post como foi a apresentação, pode ficar sussa.

 

***Bien, mais notas e novidades poderão pintar aqui na Microfonia a qualquer momento e ao longo da próxima semana, já que o postão está entrando no ar na sexta-feira e seguirá como sempre em enorme construção. Mas vamos em frente aí embaixo, falando da volta dos Smashing Pumpkins e também dos trinta anos do mega clássico álbum “Green”, lançado pelo gigante inesquecível que foi o REM. Bora!

 

 

AOS TRINTA ANOS DE EXISTÊNCIA O SMASHING PUMPKINS RETORNA COM SUA FORMAÇÃO QUASE ORIGINAL – E, QUEM DIRIA, COM UM BOM DISCO DE INÉDITAS

Yeah, a lendária e clássica banda fundada há também exatos 30 anos pelo guitarrista, vocalista, compositor e gênio Billy Corgan, lançou semana passada seu novo disco de estúdio, após quatro anos sem gravar. Título enooooorme: “Shiny and Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.”. É o décimo primeiro trabalho inédito do grupo e o primeiro a reunir em décadas a formação quase original da banda, já que ao lado de Corgan estão novamente o guitarrista (e nas gravações deste álbum também tocando baixo) japa James Iha, e o batera monstro Jimmy Chamberlin, sendo que só não se juntou a eles novamente a loira e loka e tesuda baixista D’Arcy.

O SM e Billy Corgan deram obras musicais GIGANTESCAS e IMORTAIS ao rocknroll, especificamente em seus três primeiros discos de estúdio (“Gish”, “Siamese Dream” e o duplo “Mellon Collie and the Infinite Sadness”, lançado em 1995 e que apenas naquela época vendeu absurdas 14 milhões de cópias) e isso é incontestável. É vero que daí pra frente a banda nunca mais acertou a mão e se tornou apenas grupo de apoio para o ditador Corgan. Depois que lançou o magistral álbum duplo “Mellon Collie…”, o SM nunca mais foi o mesmo. Fora que o conjunto se desfigurou por completo, com zilhões de músicos entrando e saindo do seu line up e onde apenas o careca Billy permanecia.

A banda também tocou no Brasil algumas vezes, sendo que o blog esteve nas duas primeiras: em janeiro de 1996 na derradeira edição do festival Hollywood Rock, quando eles vieram justamente na turnê do “Mellon Collie…” e fizeram um show ARRASADOR no estádio do Pacaembú (numa noite que ainda seria magistralmente fechada pelo The Cure, ótimos tempos que nunca mais irão voltar), e dois anos depois na tour do fraquinho “Adore”, sendo que a gig nem de longe foi igual a de dois anos antes.

CAPASP18

O novo e bom álbum do Smashing Pumpkins (capa acima), banda que completa 30 anos de existência em 2018 e cuja formação inicial e clássica incluía a baixista D’Arcy (abaixo)

IMAGEMSPCLASSIC

 

Mas enfim, trata-se de um bom retorno para um conjunto que soube como ninguém engendrar um mix sonoro onde cabiam eflúvios de heavy rock, psicodelia, dream pop e até shoegazer inglês. O disco tem enxutos 31 minutos de duração, uma ótima e bem vinda raridade em tempos em que se gravam discos com mais de uma hora de música insuportável e que não diz NADA ao ouvinte. E essa meia hora onde estão condensadas oito faixas periga ser o MELHOR DISCO da banda desde “Mellon Collie…”, lançado há seculares 23 anos. Ótimas melodias, músicas enxutas e bem resolvidas, sem enchimento de linguiça. Parece que a reunião dos três (Corgan, Iha e Chamberlin) reascendeu a mágica que havia na sonoridade do grupo nos anos 90’. Estas linhas bloggers rockers gostaram especialmente de “Silvery Sometimes (Ghosts)” (que lembra demais “1979”, pela melodia dela) e da lindíssima “With Simpathy”. Deu até pra se sentir de volta a 1995, dançando na pista do Espaço Retrô da rua Fortunato, no centro de Sampa.

Em tempos em que o rocknroll está definitivamente morto e atropelado pela completa irrelevância da música pop atual, e quando não se esperava nada mais de um conjunto como o Smashing Pumpkins, o fato de ele conseguir lançar um cd como este “Shiny…” é mais do que bem vindo. Vai agradar bastante aos velhos fãs e poderá ser uma ótima surpresa para uma pirralhada que não sabe mais o que é rock ou uma banda de rock, mas que tem curiosidade em descobrir como era e é esse gênero musical “do tempo das cavernas”.

 

 

A TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO SMASHING PUMPKINS

1.”Knights of Malta”

2.”Silvery Sometimes (Ghosts)”

3.”Travels”

4.”Solara”

5.”Alienation”

6.”Marchin’ On”

7.”With Sympathy”

8.”Seek and You Shall Destroy”

 

 

E O DISCO PARA VOCÊ OUVIR, AÍ EMBAIXO

 

 

GRIND ANO 20 E FINAS 5.6 – ALGUMAS HISTÓRIAS BEM LOKAS NA MELHOR DOMINGUEIRA ROCK DO BRASIL

Yep, o rocknroll pode ter morrido no mundo (o que é muito triste) mas no Grind, a domingueira rock mais famosa e bombada do Brasil, ele segue firme e forte. Já se tornou um clássico da noite paulistana e isso num dia da semana dado como morto – o domingo. E nesse próximo domingo, 25 de novembro, ele completa 20 anos de existência, um recorde! Sendo que lá também estaremos discotecando para bebemorar nosso próprio aniversário, já que chegamos aos 5.6 de vida (não é mole, não!) na segunda-feira, 26.

Zapnroll se lembra bem (ou mais ou menos bem, rsrs) de quando tudo começou, em maio de 1998. A internet ainda engatinhava no Brasil, não existiam redes sociais e, tal como hoje, o rock era o gênero da música pop dado como morto. Pois o venerável André Pomba (nosso melhor amigo há 25 anos, ou seja, nos conhecemos 5 anos antes da festa dominical começar), sempre visionário, procurou a direção do clubinho gls A Loca (que estava começando a bombar na noite paulistana), propôs fazer uma noite rock para um público mix (gays, lésbicas e simpatizantes), o povo da Loca topou a parada e aí tudo começou. Nos primeiros anos era mesmo uma matiné dominical, que começava às 8 da noite e encerrava pontualmente meia-noite de segunda-feira. Não haviam flyers virtuais mas sim uma filipeta impressa em formato retangular, que divulgava a programação e a lista de djs e especiais do mês todo.

Com o passar dos anos o público foi aumentando e o horário teve que ser progressivamente esticado. A balada passou a funcionar até duas da manhã de segunda-feira. E no seu auge, quando cerca de mil pessoas passaram a frequentar a domingueira, o horário passou a ser estendido até (acreditem!) 6 da matina. Era uma piração bizarra: enquanto o povo “normal” amanhecia na avenida Paulista saindo de metrôs lotados para ir estudar ou trabalhar (todos devidamente engravatados ou trajando uniformes empresariais), uma galera loka, de óculos escuros e devidamente chapados de álcool e outros “aditivos”, saía do “inferninho” da rua “Gay” Caneca (no centro de Sampa) para chegar em casa e desabar na cama.

Estas linhas zappers fizeram muitas djs set no Grind ao longo dessas duas décadas (o sujeito aqui é jornalista e sempre foi, mas gosta de “brincar” de dj). E as histórias absolutamente MALUCAS que vivemos na festona sempre animada do mozão Pomba, dariam um livro. Não resistimos e contamos duas abaixo, tentando resumir ao máximo a ópera rock.

CARTAZGRIND20ANOS

A domingueira rock mais famosa do Brasil chega aos vinte anos de existência nesse domingo (25 de novembro) com festão, que irá contar com dj set especial do blog (acima); abaixo, o jornalista loker rocker manda bala na cabine de som do Grind

FINATTIDJGRIND18II

 

 

***2004 e o strip do jornalista loker-rocker – era julho daquele ano e o Grind fazia sua festa especial celebrando o famigerado Dia Mundial do rock. Pomba montou um line de djs especial onde, entre outros, tocariam o saudoso Kid Vinil e Finas, claro. Pois quando chegou a hora da nossa dj set lá foi o jornalista loker (já turbinado por boas doses de vodka com energético e gin tônica) fazer o “serviço”, rsrs. Até que resolveu tocar “I Can’t Get Enough”, super hit dançante (naquela época) do grupo britpop Suede, que sempre amadoramos (a banda e a música em si). E sempre que tocava essa música em alguma discotecagem Finaski despirocava e se transformava numa bicha mais loca que o vocalista Brett Anderson. Pois o dj loki e ainda relativamente jovem e PAUZUDO (rsrs) começou a se ESFREGAR na parede e também a… TIRAR A ROUPA em plena cabine de discotecagem! Terminou a faixa apenas de CUECA (sunga, ainda por cima), o que levou sua então love girl (a tesudíssima Tânia, com quem ele havia começado a ter um caso um mês antes e sendo que ela em outra noitada no Grind, bem loka de álcool, chupou o pinto zapper em plena pista de dança, num cantinho ao lado da cabine de som) a exclamar para um amigo em comum que nos acompanhava: “Mas o que é isso que ele fez!!!”. “Ficou pelado, oras!”, respondeu nosso amigo, uia!

 

***Dando entrevista BICUDAÇO de farinha, e a LOCA do “acabou, acabou!” – maio de 2009 e o Grind faz sua mega festa de 11 anos de existência. Casa lotada, Finas bem loko de álcool e cocaine, rsrs. E num momento que estava na cabine enquanto Pomba manda bala no som, chega uma equipe do programa de tv do Chato Mesquita, ops, Otávio Mesquita, para fazer uma matéria sobre a festa. Uma repórter tesudinha entrevista Pombinha na cabine mesmo. Logo em seguida ele RECOMENDA que a repórter também entreviste o mancebo aqui, por ele ser jornalista conhecido e bla bla blá. Ela vem falar com o gonzo chapado, põe o microfone na cara dele, acende a luz da câmera de filmagem e manda bala. O zapper total alucicrazy, com os olhos estalados e as órbitas saltando pra fora deles, dispara a falar a 200 kms por segundo. Ao final da curta entrevista, dom Pomba com sua sempre impoluta sabedoria, vaticina: “se eles aproveitarem 20 segundos do que você falou será muito, hihi”. Mas o grand finale dessa madrugada (sendo que o blog já tinha indo embora quando rolou a parada, mas depois ficamos sabendo pelo relato de dom Pombinha) foi mesmo quando, às 5 e meia da matina (!!!), uma LOCA literalmente INVADIU a cabine do dj e tentou jogar as CDJs (os tocadores de cds) no chão, enquanto gritava total alucinada: “ACABOU! ACABOU!!!”. Pomba só teve tempo de literalmente AGARRAR as CDJs pra evitar que elas fossem pro chão, enquanto um segurança arrancava a maluca da cabine. Depois, ficou-se sabendo, a moçoila tinha levado uma botinada do (ex) namorido durante a balada, o que a motivou a fazer a loucura de invadir a cabine. Só não se sabe até hoje se os gritos dela de “acabou!” se referiam ao fim do namoro ou se ela queria mesmo ACABAR com a balada, ahahaha.

 

Então é isso. Domingo agora promete ser lindo: 20 anos de Grind (no Espaço Desmanche, onde a festa está muito bem instalada há quase dois anos, e que deverá lotar), uma festa que já formou gerações na capital paulista, e 5.6 de Finaski, com dj set dele avassaladora a partir das duas da matina. E deverá ser mesmo nossa ÚLTIMA dj set pois já estamos véios demais pra essas loucuras, hihi.

Espero todo mundo por lá, sendo que todas as infos da balada imperdível você pode conferir aqui: https://www.facebook.com/events/254150721931307/.

Feliz aniversário, Grind! Que venham outros 20 anos pela frente!

 

**********

 

 

“GREEN”, UM DOS DISCOS GIGANTESCOS DA HISTÓRIA DO ROCK MUNDIAL E LANÇADO EM 1988 PELO INESQUECÍVEL REM (UMA DAS CINCO BANDAS DA VIDA DE ZAPNROLL), CHEGA AOS 30 ANOS DE EXISTÊNCIA – MOSTRANDO QUE REALMENTE NÃO EXISTEM MAIS BANDAS E NEM DISCOS COM TAMANHA QUALIDADE ARTÍSTICA E MUSICAL

Sexto álbum de estúdio da trajetória da banda norte americana REM (que durou exatamente trinta e um anos, lançando durante este período um total de quinze discos inéditos, além de Eps e coletâneas), “Green” é um dos trabalhos gigantes do grupo e superlativo em vários aspectos. Lançado oficialmente em 7 de novembro de 1988, marca a estreia do então quarteto criado em Athens (no Estado da Georgia) e integrado pelo vocalista e letrista Michael Stipe, pelo guitarrista Peter Buck, pelo baixista e tecladista Mike Mills e pelo baterista Bill Berry, na gigante major do disco Warner Bros, após editar seus primeiros LPs pelo pequeno selo IRS.

Quando foi cooptado para a Warner Music (o braço musical do monstruoso conglomerado de mídia e comunicação sediado nos Estados Unidos), o REM (o nome do grupo foi escolhido de maneira aleatória por seus integrantes, mas tem a ver com um termo da psiquiatria que determina a fase do sono humano em que a pessoa mergulha em sonhos e quando os olhos desta pessoa passam a piscar freneticamente, daí o termo “Rapid Eye Movement” ou “movimento rápido do olhar”) já existia há oito anos (foi fundado em 1980) e havia lançado cinco álbuns pelo selo IRS (na verdade, uma subdivisão de outra major gigante, a Columbia Records, fundada por Miles Coppeland, empresário do meio musical e irmão de Stewart Coppeland, baterista do lendário trio inglês The Police). Todos venderam muito bem, ganharam grande respeito da crítica e amealharam alguns milhões de fãs nos EUA (especialmente no circuito do rock mais alternativo), seduzidos pelas ótimas melodias que combinavam aceleração punk com eflúvios de folk e country music, e também pelas letras poéticas (escritas e cantadas por Stipe) e pela postura altamente engajada do grupo, tanto na questão política quanto social. Além disso um dos maiores trunfos do quarteto era mesmo o guitarrista extraordinário Peter Buck, que possuía um conhecimento ENCICLOPÉDICO de rocknroll por ter trabalhado durante anos na sua juventude em uma loja de discos.

Assim, quando “Green” chegou às lojas de discos, ele veio cercado das maiores expectativas possíveis. E não decepcionou nem os fãs muito menos a imprensa rock. Alternando canções rocks vigorosas (como “Pop Song 89”, “Get Up”, “Stand”, “Orange Crush” e “Turn You Inside-Out”) com momentos de puro lirismo e melancolia melódica (e aí dois ótimos exemplos são as belíssimas “World Leader Pretend” e “The Wrong Child”), “Green” foi efusivamente saudado como um grande disco pelos principais veículos de mídia do mundo à época. Vendeu muito bem também e abriu caminho para que, três anos depois, a banda se tornasse um fenômeno planetário de vendas e de público, quando editou o álbum “Out Of Time”, que produziu um dos maiores hits que se tem notícia em toda a história do rock mundial, a igualmente lindíssima “Losing My Religion”. Mas “Green” permanece como um marco ESSENCIAL na trajetória do conjunto até hoje, três décadas após seu lançamento. Reverenciado por astros como o saudoso vocalista do Nirvana, Kurt Cobain (que incluiu o LP na sua lista de cinquenta melhores discos de todos os tempos), ou por jornais lendários como o inglês The Times (onde o disco permanece também na lista dos cem melhores de todos os tempos), “Green” não envelheceu. Pelo contrário: continua com uma musicalidade atualíssima e com temas idem, mesmo em tempos onde a cultura pop não vale praticamente mais nada e quando o rocknroll virou infelizmente peça de museu.

CAPAREM1988II

Um dos nomes mais importantes de toda a história do rock mundial, o quarteto americano REM lançou há exatos 30 anos um de seus melhores álbuns, “Green” (acima); abaixo, o vocalista Michel Stipe canta e canta quase 200 mil pessoas (o blog zapper entre elas!) na terceira edição do Rock In Rio, em janeiro de 2001

IMAGEMREMRIR2001

 

Após “Green”, o grupo ainda ficaria ainda na ativa por mais de duas décadas, onde continuou lançando ótimos trabalhos e alguns mais medianos no final de sua carreira, que se encerrou de maneira pacífica (e sem brigas entre seus integrantes) em 2011, quando terminou o contrato do grupo com a Warner. Antes, por duas vezes, a banda se apresentou no Brasil, em janeiro de 2001 (na terceira edição do festival Rock In Rio, em uma gig inesquecível e que provocou comoção generalizada no público de quase duzentas mil pessoas que estava na “cidade do rock”, o autor deste blog incluso), e depois em novembro de 2008, quando tocou em São Paulo, Rio De Janeiro e Porto Alegre. Foram dignos, gigantes em sua musicalidade, amados pelos fãs e ultra respeitados pela imprensa mundial até o fim. Foram, com justiça, um dos maiores nomes de toda a história do rock. E deixam saudades até hoje.

Abaixo, em texto especialmente escrito para o blog pelo carioca Leo Rocha (querido amigo, fã e especialista em REM), nosso dileto leitorado terá uma extensa e ótima análise da trajetória do quarteto, além de também uma preciosa análise de “Green”. Boa leitura!

 

 

 

REM – A TRAJETÓRIA DA BANDA E A VISÃO DE UM FÃ E ESPECIALISTA NELA, SOBRE O ÁLBUM “GREEN”

 

(por Leo Rocha, especial para Zapnroll)

 

“Michael Stipe gritou pela última vez:

– And I feel…

Cem mil vozes urraram em respostas:

– Fine!

Bernardino pensou:

– Pu-ta que pa-riu!

Duas e quarenta e quatro da madrugada de 14 de janeiro de 2001.”

 

Pois é, amigos… Esse é o começo do livro de Arthur Dapieve (jornalista carioca) (e nota do editor do blog, com todo respeito à admiração do querido Léo pelo referido jornalista carioca: Dapieve, superestimado como jornalista, sempre cometeu equívocos e imprecisões em seus textos: haviam quase 200 mil pessoas no show do REM em 13 de janeiro de 2001, na terceira edição do Rock In Rio, e não apenas 100 mil. E Finaski era UMA dessas quase 200 mil pessoas) chamado “De Cada Amor Tu Herdarás Só o Cinismo” (Ed. Objetiva). Uma analogia com a canção “O Mundo é um Moinho” de Cartola. Uma senhora lição de vida!!!! Compareci ao lançamento e de lá descolei uma assinatura circulando o nome do vocalista (informei ao jornalista que era um admirador da banda) junto ao meu. Tenho guardado o exemplar intacto na minha estante. O livro narra uma história romântica e ímpar de um homem de quarenta e poucos anos seduzido por uma jovem ingênua e arisca. E, justamente, tudo inicia-se ao fim do show do REM no Rio de Janeiro (Rock in Rio 2001). Sincrônico, não?

A primeira vez que me deparei com essas linhas fiquei auspicioso e hirto. Pensei: “Que porra é essa?” Não esperava que o começo da minha leitura iria de encontro ao show mui especial da banda do meu coração, tampouco numa noite que foi ÚNICA pra mim. Em diversos aspectos. Antes que você ache que me refiro ao show em si… interrompo para dizer: meu casamento havia terminado naquele ano e na semana do show. Você consegue imaginar o meu espanto agora? Ou melhor: no instante em que li o livro de Dapieve? Pois é, meu caro. A vida é cheia de surpresas e ironias. Enfim… E devo dizer que durante muitas páginas do livro fiquei mais espantado, pois os detalhes dentro da história lembram muito o que eu fiz naquele show e como foi a volta do mesmo pra casa. Assustador!!! Muita sincronia!!! De qualquer modo, a banda nunca havia pisado em solo nativo para tocar. Jamais. E minha ex-mulher sabia bem o que aquele dia representava pra mim. De novo: a vida é irônica e sacana. Lembro-me de muito do show e do dia inteiro. Foi surreal esse momento de celebração com os amigos (em comum) e ao mesmo tempo a nossa frustração interna com a separação. Foi punk! Mas, antes de prolongar-me nessa retórica deixe-me voltar anos atrás para resumir como a banda surgiu na minha vida…

Eu já havia escutado “The One I Love”, “Stand” e “It’s the End” na extinta Rádio Fluminense. Final da década de 80. Faz-se necessário recordar que não havia internet nem celular. Então as coisas, os sons, as novidades “gringas” chegavam ao Brasil tempos depois. Era sempre assim. Se por acaso uma banda lançasse algo fora o país só receberia anos depois. Salvo se você fosse ingressar como jornalista musical. O que a gente podia fazer era ter amigos ou parentes que viajassem e comprassem um vinil ou K-7. No máximo. Não tinha muito como escapar. Tinham poucas revistas que informavam, mas era árdua a missão. Quem gostasse de som alternativo e afins tinha que ler revistas especializadas, corresponder-se (cartas) com os fã-clubes pelos correios (duas semanas ou mais chegavam as respostas) e sair pela noite nas festas “estranhas com gente esquisita”. E eu fui um adolescente assim. Juro! Por mais uma ironia do destino viajei para Nova York a lazer para casa da minha prima mais velha em 1991. Hmmmm… acho que o leitor já sentiu aonde vou chegar né? Sim…  saía “Out Of Time” com tudo no país (EUA). O disco estava muito estourado (“hype” pros mais jovens). Tocava em toda esquina de NY. Concomitante o Nirvana também havia lançado “Nevermind” e eu peguei tudo lá, direto da fonte. Mas, essa é outra história. Comprei o “Out Of Time” e com isso comprei todos os outros CDs (só tinha no exterior a mídia) da banda. Do EP “Chronic Town” ao “Green”. Levei tudo. Eram sessenta cds (sim, sessenta). O dono da loja ficou rindo à toa. Gastei na época uns seiscentos dólares. Cada cd custava dez dólares. Sacou? O dólar na época estava 1,5 para moeda brasileira. Nada de muito assustador. Mais: tive que comprar o aparelho!!!! Sim… Não havia cd nem aparelho pra rolar no Brasil. Só rico tinha. Eu não era rico. Voltei de lá lotado de sons e louco para desvendar a banda de Athens. Aí… bom… vamos deixar de lado o que aconteceu, pois é como se eu narrasse um encontro meu com uma mulher. Foi lindo! Tinham oito trabalhos distintos do REM para escutar. Devorar mesmo. Havia a coletânea “Epponymous” lançada lá nos EUA em 1988. Desse momento em diante passei a “alugar” cds em lojas recém-abertas no Rio de Janeiro. Permitia você alugar um cd por um dia ou mais para escutar ou gravar (olha a pirataria aí…Tsc…Tsc…). Quem tem mais de quarenta anos irá lembrar. Dali eu escutei muito REM antes de comprar. Mas, eu não tinha o aparelho. O jeito era escutar nas casas dos amigos. Mas, tudo bem. Quando eu volto pro Brasil estava com tudo. Munido de som, aparelho, roupas, revistas etc. Diversos amigos meus enfurnaram-se na minha casa para ouvir, beber, apreciar a qualidade do CD… Vínhamos do som do Vinil. Eu adorava, mas o cd estava chegando, entende? Bom, desde então consumi a literatura de música pop, rock e indie feito um esfomeado. Absorvi tudo, tudo. Mas sempre com o REM em particular… cada vez mais. Quando frequentei as festinhas de rock eram as camisas quem ditavam regras. Quem curtia Smiths, Joy Division, The Cure e tal. Porém eu comprei uma lá do REM e foi justamente com ela que conheci diversas pessoas na noite e ficamos amigos. Alguns famosos, rsrsrrs. Nesse passo fui encontrando-me nesse pessoal (da noite) que curtia outros sons. Eu, cada vez mais, aprofundava-me nos rapazes da Georgia. Em resumo: a banda fez-me conhecer muitas pessoas distintas, era apreciada em conjunto, embalou namoricos meus e acalantou-me em outros pés na bunda que tomei também. Esteve sempre comigo na adolescência, juventude e plena maturidade. Veio o milênio novo e com ele a esperança de um show no Brasil (esse mesmo!!!) em 2001. Foi um alvoroço na minha turma. Gente de São Paulo, Minas, de vários lugares comentando e combinando. Foi quando o meu casamento (eu já era pai também) acabou. Eles chegaram no ano certinho. Pior: no mesmo mês. Eu me separei em janeiro. Foi inimaginável assisti-los, degustá-los e ao mesmo tempo ficar firme. Algo próximo da catarse! Mais uma ironia? Fato. A tecnologia foi chegando, celulares, internet, redes sociais… O que unia a rapaziada nos anos 80 e 90 a rede receberia anos depois. Salvo se você fosse ingressar como jornalista musical. O que a gente podia fazer era ter amigos ou parentes que viajassem e comprassem um vinil ou K-7. No máximo. Não tinha muito como escapar. Tinham poucas revistas que informavam, mas era árdua a missão. Quem gostasse de som alternativo e afins tinha que ler revistas especializadas, corresponder-se (cartas) com os fã-clubes pelos correios (duas semanas ou mais chegavam as respostas) e sair pela noite nas festas “estranhas com gente esquisita”. E eu fui um adolescente assim. Juro! Por mais uma ironia do destino viajei para Nova York a lazer para casa da minha prima mais velha em 1991. Hmmmm… Acho que o leitor já sentiu aonde vou chegar né? Sim… Saía “Out Of Time” com tudo no país (EUA). O disco estava muito estourado (“hype” pros mais jovens). Tocava em toda esquina de NY. Concomitante, o Nirvana também havia lançado “Nevermind” e eu peguei tudo lá, direto da fonte. Mas, essa é outra história. Comprei o “Out Of Time” e com isso comprei todos os outros CDs (só tinha no exterior a mídia) da banda. Do EP “Chronic Town” ao “Green”. Levei tudo. Eram sessenta cds (sim, sessenta). O dono da loja ficou rindo à toa. Gastei na época uns seiscentos dólares. Cada cd custava dez dólares. Sacou? O dólar na época estava 1,5 para moeda brasileira. Nada de muito assustador. Mais: tive que comprar o aparelho! Sim, não havia cd nem aparelho pra rolar no Brasil. Só rico tinha. Eu não era rico. Voltei de lá lotado de sons e louco para desvendar a banda de Athens. Aí… Bom, vamos deixar de lado o que aconteceu, pois é como se eu narrasse um encontro meu com uma mulher. Foi lindo! Tinham oito trabalhos distintos do REM para escutar. Devorar mesmo. Havia a coletânea “Epponymous” lançada lá nos EUA em 1988. Desse momento em diante passei a “alugar” cds em lojas recém-abertas no Rio de Janeiro. Permitia vc alugar um cd por um dia ou mais para escutar ou gravar (olha a pirataria aí…Tsc…Tsc…). Quem tem mais de quarenta anos irá lembrar. Dali eu escutei muito REM antes de comprar. Mas, eu não tinha o aparelho. O jeito era escutar nas casas dos amigos. Mas, tudo bem. Quando eu volto pro Brasil estava com tudo. Munido de som, aparelho, roupas, revistas etc. Diversos amigos meus enfurnaram-se na minha casa para ouvir, beber, apreciar a qualidade do CD. Vínhamos do som do Vinil. Eu adorava, mas o cd estava chegando… Entende? Bom, desde então consumi a literatura de música pop, rock e indie feito um esfomeado. Absorvi tudo, tudo. Mas sempre com o REM em particular. Cada vez mais. Quando frequentei as festinhas de rock eram as camisas quem ditavam regras. Quem curtia Smiths, Joy Division, The Cure e tal. Porém eu comprei uma lá do REM e foi justamente com ela que eu conheci diversas pessoas na noite, e ficamos amigos. Alguns famosos, rsrsrrs… Nesse passo fui encontrando-me nesse pessoal (da noite) que curtia outros sons. Eu, cada vez mais, aprofundava-me nos rapazes da Georgia. Em resumo: a banda fez-me conhecer muitas pessoas distintas, era apreciada em conjunto, embalou namoricos meus e acalantou-me em outros pés na bunda que tomei também, rsrsrs. Esteve sempre comigo na adolescência, juventude e plena maturidade. Veio o milênio novo e com ele a esperança de um show no Brasil (esse mesmo!) em 2001. Foi um alvoroço na minha turma. Gente de São Paulo, Minas, de vários lugares comentando e combinando. Foi quando o meu casamento (eu já era pai também) acabou. Eles chegaram no ano certinho. Pior: no mesmo mês. Eu me separei em janeiro. Foi inimaginável assisti-los, degustá-los e ao mesmo tempo ficar firme. Algo próximo da catarse! Mais uma ironia? Fato. A tecnologia foi chegando, celulares, internet, redes sociais… O que unia a rapaziada nos anos 80 e 90 a rede social podia fazer “online”. E, assim foi. Comunidades e fãs de diversos lugares do mundo eu fiz amizade. Estreitando mais ainda os laços internacionais com algo em comum: REM. Por fora eu traí muito a banda, rsrsrs. Nunca fui fiel nesse sentido. Eu adoro som. Flertei com tudo: jazz, rock, indie, pós-punk, punk, blues, jungle pop, power pop, techno, rap, etc. Nunca prendi-me a um som ou a uma coisa somente. Isso eu sempre tratei bem. Porém, nunca deixava de ser um fã da banda. Um pesquisador de várias bandas que tinha um afeto especial por eles. Era bem simples. A banda entrou na minha vida como entra um amigo ou parente e fica. Participa, convive e estabelece-se. Entende? É assim que funciona comigo. Tenho as minhas predileções, contudo mantenho-me ouvindo e curtindo tudo mais. Mas, é fato que as pessoas lembram de mim, também, por ser um fã de REM. Afinal de contas, o que faço aqui no blog do Finas? Falando do quê? Ora bolas, rsrsrs.

Para arrematar esse papo todo menciono a segunda vez deles aqui. Antes, em 2005, conheci uma moça que faz meu coração balançar mais uma vez. Nada estava dando certo nesse período. Conhecê-la foi uma virada pra mim. Namoramos durante quase três anos e nos programamos para morar juntos e tal. Seria o “segundo” casamento. Ugh! Como dizia a famosa canção: “pro inferno ele foi pela segunda vez”… Rsrsrs. Mais uma relação pro vinagre. O ano? Era 2008. Adivinhe quem viria naquele ano pro Brasil? Pois é… De novo, os caras para alentar esse jovem recém separado. Ou seja: a banda esteve e está em todos os momentos cruciais meus. Não havia como ignorar tanta ironia e capricho da vida. Foram quatro shows (dois em SP e um no RJ e em Porto Alegre). Daí vieram mais amigos, celebrações, etc. E um disco de encerramento (“Collapse Into Now” em 2011) por parte da banda. Um momento forte, mas essencial. Opinião minha.

O show do REM na terceira edição do festival Rock In Rio, na noite de 13 de janeiro de 2001: quase 200 mil pessoas cantaram junto com a banda; e CHORARAM quanto ela tocou “Losing My Religion”

 

 

PARTE REM EM CARREIRA

O contexto histórico e musical em que se encontra a banda REM é complexo, mas muito interessante. Como toda banda de mais de trinta anos (exatos trinta e um anos redondos) o REM passou por fases internas, mudança de gravadora, contratos novos, modismo no mercado fonográfico e tudo mais. Porém, comecemos ali no ano de mil e novecentos e setenta e nove. Os jovens Michael Stipe e Peter Buck se conhecem em Athens (berço da banda, na Georgia) numa loja de discos em que o guitarrista trabalhava. Michael descobrira que eles tinham gostos similares com a música. Sobretudo punk rock e pós-punk. Mike Mills e Bill Berry (baixista e baterista) estudavam na mesma universidade e tocavam juntos em bandinhas locais. Conheceram-se nessa cena pequena de Athens e resolveram montar a banda. O nome REM foi escolhido de forma aleatória num simples dicionário. Uma amiga de Stipe estava de aniversário marcado e a banda resolve tocar em celebração numa igreja abandonada (data de 5 de abril de 1980 – esse é o ponto zero da banda) que eles costumavam ensaiar. Dali gravaram o single “Radio Free Europe” pela Hib-Tone para ver o que rolaria. Fez um barulho além da expectativa chamando atenção da IRS Records (gravadora genitora deles que seria a responsável por tudo que eles fizeram nessa fase independente). Lançam o EP “Chronic Town” com cinco canções aceleradas e pungentes. Começam a arrebatar fãs pela cidade. Essa fase é de ouro. A banda começa a reputação de “cult” e de largos elogios pelas “colleges radios” (cenário independente dos EUA). Gravam em 83 o clássico “Murmur” (obra prima dessa fase considerada pela crítica) e batem “WAR” do U2 e, pasmem, “Thriller” de Michael Jackson! Simplesmente tornam-se imensos para a cena local e começam a fazer shows pelo país… A fama começa a crescer de forma incontrolável e à medida que eles faziam shows e gravavam mais discos a demanda do mercado e a crítica especializada começou a apelidá-los de “maior banda de rock dos EUA” ou “Number one with Attitude” (título estampado na Rolling Stone anos mais tarde). Seguem “Reckoning” (84), “Fables Of Reconstruction” (85), “Lifes Reach Pageant” (86) em sequência. As letras mudam, o tom político e contestador sobressaltam e há uma esperança nova nesses caras. O que pouca gente sabe é que no meio de 1985, na gravação de “Fables”, em Londres, a banda quase termina. Brigas no estúdio, discussões acerca do som e instabilidade emocional no estúdio quase puseram tudo a perder. Michael admitiu numa entrevista que foi difícil, mas necessário para a banda decidir o que queria e como seguiria. Dizem que o clima de Londres também deixou o clima soturno na época. De qualquer forma o tempo foi o maior aliado deles. Transformaram-nos no maior expoente americano em 87. Ano do último disco pela IRS: “Document”. Um discaaaaço. Dos singles, “The One I Love” e Its The End…”, sucesso imediato nas rádios também comerciais. Nesse mesmo ano a IRS percebendo que ia perder seu principal artista do catálogo relança o EP “Chronic Town” juntamente com uma coletânea chamada “Dead Letter Office” em CD – trabalho que constam os takes jogados fora e os lados B (sim, isso existia, rsrs) das canções lançadas além de algumas covers. Acho esse trabalho grandioso, inclusive. Estava óbvio que a banda precisava de uma grande gravadora. Muitas tentaram, mas eles fecharam com a Warner. Dizem que o contrato girou em torno de dez milhões por cinco discos. A banda já tinha excursionado desde 1983 pra fora dos EUA. Fez Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha, Holanda, etc. Flertavam com a Ásia e Oceania. Em 1988 gravaram “Green” (na impressão da capa há um erro com a letra “R” e o numeral “4) e entraram em todas as paradas europeias e americanas com “Stand”, “Pop Song 89” (uma sátira com “Hello I love You” dos Doors) e “World Leader Pretend”. O álbum torna-se um sucesso comercial e uma turnê fez-se necessária. Excursionaram por desgastantes meses. Stipe adotou um corte moicano terrível em seu cabelo (Sim, ele ainda tinha bastante cabelo!) e abraçou causas ambientais e políticas pelo mundo. Esse registro vale muito a pena. “Tourfilm”, o registro em questão, existe em VHS e DVD. Pra quem é fã é quase uma obrigação ter. Resolvem descansar após essa turnê (iniciada em 88 e finalizada quase em 90), a primeira pela nova gravadora. Nessa época, a América Latina já escutava esses dois discos (“Document” e “Green”). Sem a banda e o mercado saber, há um terreno sendo preparado ao Brasil, inclusive. Quando voltam ao estúdio gravam o seu álbum de maior sucesso mundial – “Out Of Time” – um sucesso à moda Beatles. Estouro, fãs, MTV, fama e inúmeros prêmios. Chefiado por “Losing My Religion”, “Radio Song” e “Shinne Happy People”. No Brasil o clipe de “Losing My Religion” tocou mais do que qualquer outra canção. E, assim começa a nova fase da banda. Fãs dessa geração noventista e MTV se apaixonam pelos caras e a banda alcança o patamar de GIGANTE. É importante salientar duas coisas aqui: 1) o sucesso veio de forma natural sem se vender nem abrir concessões. 2) o som do REM nunca mudou em busca disso ou daquilo. Desde o “Green” a sonoridade deles já havia desacelerado. Culminando em “Out Of Time” e no álbum seguinte: “Automatic For The People” de 1992. Um tapa na cara da crítica que esperava outra coisa do REM… Era a fase “grunge” no mundo. Eles vieram com um disco quase acústico e recheado de metais e cordas com participação da Orquestra Sinfônica da Georgia. A Warner quase teve um treco. Mas as boas vendas e a resposta dos fãs acalmaram tudo. Desse álbum “Drive”, “Man on The Moon” e “Everybody Hurts” desbancam várias canções nas paradas. “Man on The Moon” é lançada também para promover o filme sobre o comediante Andy Kaufman (uma celebridade televisiva americana que morreu precocemente com apenas 35 anos de idade, sendo que a música é dedicada a ele), que chegava aos cinemas. A banda tinha uma queda pelo controverso humorista. “Everybody Hurts” emociona mulheres e homens. Muitos machões choraram com a letra e chegou-se a se falar pela América que aquela era a música “masculina” (não faço ideia do que isso queria dizer, juro!) mais triste do planeta. Por mais louco que possa ser a banda resolve não excursionar para divulgação do disco. Também não o fizeram em “Out Of Time” (apenas deixaram as TVs e lojas venderem e recolheram todos os louros disso). Uma decisão que só pode ser tomada por uma banda que tenha maturidade, culhão e banca pra botar. E eles tinham isso. O tão citado título de “number one with Attitude” não era em vão. Essa atitude era sempre de conversar e deixar claro que o trabalho e postura não iriam mudar. Sem apelos ou vulgaridade com seu som em nome de um mercado. Posso assegurar (quebrando a janela, gente) que isso foi feito em toda carreira. Talvez, exceção feita em “Monster” (1994) onde eles toparam distorcer e afiar as guitarras numa época que as bandas de rock mais novas faziam. Mesmo assim fizeram à moda deles, rsrsrs. Gostaria de abrir um enorme aposto aqui: os produtores da banda sempre foram importantes e considerados “amigos” do coração. Começou com Mich Easter (frontman do Let’s Active) na fase independente, chegou em Scott Litt (grande Scott!) na fase Warner e, tida por muitos como a melhor de um produtor, passando pela produção de LUXO de John Paul Jones (baixista do Led Zeppelin) em “Automatic…” e Pat McCarthy. Verdadeiros mágicos, parceiros e responsáveis pela sonoridade que eles sempre buscaram nos álbuns. Tenham certeza disso. Produção musical é a parte essencial para dar vida ao que o artista criou. Fundamental.

Bom, voltando ao álbum seguinte: “Monster” vendeu bem e aproximou a banda de outros públicos. Dentro desse disco tem “Let Me In” (canção dedicada a Kurt Cobain) em homenagem ao líder do Nirvana, que havia se matado em abril de 1994. O trabalho também rende homenagem ao ator River Phoenix, morto naquele ano também, vítima de uma overdose. Nessa época começa a “Road Movie” outra turnê clássica e importante da banda. Ali eles puderam incluir nos shows as canções mais pesadas deles feitas nesse disco. O resultado foi incrível. Mesclaram de maneira acertada o set list da turnê. Esse registro existe em DVD, outra peça importante pra fãs. Em 1996 eles lançam “New Adventures In Hi-fi”, o último do contrato com a Warner. As vendas não são boas e há a primeira “pressão” em cima da banda. Apesar da sonoridade desse disco ser bem “on the road” há uma gama de teclados e pianos ganhando luz no som deles e isso irritou uma turma radical (críticos e fãs) fazendo com que o álbum fosse duramente criticado. O mais engraçado disso é que eu considero esse um belo registro. Acho-o superior ao “Monster”, inclusive. Mas, a crítica não enxergou assim. Fica aqui a minha imane discordância. É um disco de viagem mesmo. Experimente ouvi-lo na estrada. Putz… e ali tem canções ótimas como “Undertow”, “Binky The Doormat”, “E-Bow Letter” (com participação de Patti Smith nos vocais), “Be Mine” e “New Test Lepper”. Enfim… foi subestimado pelo mercado. Nesse disco acontece aquilo que nenhum fã deseja: sai um membro fundador. Bill Berry, exausto e de saco cheio decide deixar a banda e dedicar-se a sua fazenda (sendo que na turnê do álbum anterior, “Monster”, o baterista teve um pequeno AVC ao final de um show, o que fez com que ele desmaiasse em pleno palco, episódio que também contribuiu para sua saída do grupo). A banda sente o golpe. Muito. Eu senti também. Nunca pensei que isso poderia acontecer. Juro. Achava que os quatro iriam juntos até o final. Mas o fato é que Bill Berry pede as contas e se manda. Segue amigo e irmão deles, mas longe de qualquer estrelato. Importante comentar: a banda NUNCA substituiu o músico. Sempre trabalhou com bateristas contratados. Nunca receberam alcunha de “membro REM”. Outra coisa fundamental nos caras. Sempre assinaram os quatro. Eu disse “os quatro”, autorias de todas as canções. Assim era dividido igualmente sempre. Outra faceta de credibilidade e caráter da banda. Raro hoje, né? Nesse climão eles assinam um novo contrato com Warner por mais cinco discos sob a bagatela de R$ 80 milhões!!!! Uow! Um sucesso de renovação. Repito: somente porque era o REM. A banda sempre se posicionou e bancou seu som. Em 1998 eles lançam “Up”. Uma retomada boa nas vendas e com algum sucesso nos EUA e na Europa. Excursionam incansavelmente por países mais distantes e fora de rota das grandes bandas. Outro fator deles. Nesse disco canções como “Daysleeper”, “At My Most Beautyful” (Mike Mills compõe um lindo arranjo nos teclados) e “Lotus” alcançam o público. Nessa altura do campeonato o REM já tinha renovado seus fãs… São pessoas que gostam da fase da Warner primeira e essa segunda. São distantes um pouco da fase independente. Isso é comum em bandas com mais de vinte, trinta anos. E é cool. É importante, sobretudo. Em 2001 eles lançam “Reveal”, um disco redondo, ensolarado e bonito. Acertam a mão e a crítica e as vendas ficam condizentes. Os rapazes voltam ao trilho. E aí vai acontecer algo inédito pra gente aqui do Brasil: a banda vem no mês de janeiro de 2001 ao Rock in Rio. Simplesmente fazem um dos melhores shows do Festival e ganham o dobro de fãs no país. Os músicos nunca mais esqueceram aquela noite. Foram quase 200 mil pessoas uníssonas cantando e entoando gritos. Michael ficou bêbado com caipirinha e foi pro público. Uma leve confissão aqui (quebrando a parede pela segunda vez): eu estava nas primeiras filas e cocei a careca de Stipe. Visivelmente emocionado. Foi uma catarse! Quem foi nunca esquece. Ali eu resgatei um “furo”: The Lifting” e “She Just Wants to be” foram executadas ao vivo pela primeira vez no MUNDO. Sim, isso que você leu: o Rio de Janeiro (e o Brasil) foi o primeiro lugar na Terra que eles tocaram essa duas canções, já que o disco só saiu cinco meses depois. O que deixou os fãs mais excitados com o que viria no álbum. Estabelecido de volta ao bom caminho a banda lança mais um disco: “Around The Sun” de 2004. Um trabalho honesto repleto de teclados, pops duvidosos e ousadia em outras sonoridades. O resultado é bom para as vendas, mas a crítica torce o nariz. Eu também acho esse trabalho um dos menores. Tem coisas ali como “The Outsiders”, “Aftermath”, “Leaving New York” e “Electron Blue” que são hinos. Lindos! Mas, tem outras derrapadas ali bem feias. Não vou citar para não depor contra. Mas eles erraram feio na minha opinião. Os novos fãs curtem e nem ligam. No fim de tudo é isso que importa, não? Em 2007 eles entram pro Hall Of Rock And Roll Fame, importante e definitiva homenagem a uma banda de rock. Comparecem e entregam tal honraria Patti Smith e Eddie Vedder no palco. Bill Berry (ex baterista) é convidado e comparece. Depois de muito tempo toca com seus antigos amigos. Um ano de celebração. No ano seguinte eles lançam “Accelerate”, o décimo quarto da carreira. Um retorno bom às guitarras e distorções além do bom e velho rock antigo que eles faziam no começo. Dali canções como “Living Well is the Best Revenge”, “Accelerate” (faixa título), “Man-Sized Wreath” e “Mr. Richards” se destacam. Um bom trabalho dos rapazes. Disco enxuto e direto. Exatamente como eles (bem) faziam no começo. Em 2010 entram em estúdio para gravar o último disco: “Collapse Into Now”. Lançam em 2011 e vendem de maneira satisfatória. A partir daquele momento a banda encerrava quaisquer obrigações contratuais com a Warner. Obviamente existem inúmeras coletâneas, registros oficiais ao vivo, compilações, boxes especiais, etc… Minha intenção foi fazer um apanhado básico e específico dos discos de estúdios. Na internet tem material de sobra para você saber, conhecer, escutar e se aprofundar sobre o REM. Está tudo aí. Basta começar. Pra fechar: nesse ano do último disco, em 2011, a banda em seu site oficial escreve uma nota e encerra as atividades. Deixou um buraco no peito dos fãs, mas eu entendi. Foram trinta e um anos de trabalho, arte, viagens, hotéis, discos, shows, aeroportos e tudo mais. Um carreira bonita e ímpar. Ficou demais… E, como eles mesmo disseram e profetizaram: Its the end (and i feel fine)! Não é mesmo? REM, senhoras e senhores! Clap! Clap! Clap!

 

PARTE GREEN CONTEXTO

Contextualizar o álbum Green dentro do som da banda e do rock é complexo e torto ao mesmo tempo. Prefiro ambientar em termos da banda. O mundo nessa época vivia uma enxurrada de possibilidades musicais: havia de tudo um pouco. Inclusive a dance music (gênero que se solidificaria anos mais tarde). Mas a banda havia feito cinco álbuns de estúdio (além de um EP e duas coletâneas) pela IRS e estava insatisfeita com a distribuição externa dos trabalhos feitos. Nessa época surgiram convites de diversos selos, mas a Warner levou Stipe e cia. com a promessa de imensa distribuição e “liberdade criativa” para a banda. Martelo batido. Era hora de gravar o que seria o “Green”. Apesar do nome a capa (feita pelo artista Jon McCFerrty ) saiu na cor laranja. Alguns dizem que se apertar os olhos algumas vezes a visão embaça e aparece o “verde”, rsrsrs. Eu já fiz isso e deu certo, rsrsrs. Mas decerto que existem algumas edições lançadas com um tom mais amarelado também. A capa recebeu um tratamento especial e foi um grande trunfo para as vendas. Mas retornando ao processo criativo deles, os integrantes disseram que na época resolveram criar sem nenhuma necessidade de soar como o “velho REM”. Queriam um álbum mais experimental. E foi o que fizeram mesmo. Tanto que trocaram os instrumentos e batizaram os lados A e B (A seria o lado ar e B seria o lado metal). A ideia era eletrificar bem o primeiro lado e deixar acústico o segundo. Entraram acordeão, bandolim, violoncelo e percussão para ajudar a fazer o som experimental quisto pelo produtor Scott Litt e pela banda. As letras das canções tornaram-se mais satíricas e cínicas. Michael Stipe gravou os arranjos de sua voz depois dos outros. O resultado ficou na medida para a gravadora. No ano de 1988 havia uma disputa eleitoral entre republicanos (Bush) e democratas acirrada. E os membros do REM entraram de sola em Bush. Isso ajudou mais ainda o lançamento do álbum. O público gostou e comprou o discurso deles. Tanto que canções como “World Leader Pretend”, “Orange Crush” e “Haitshirt” caíram no gosto americano. Pungentes, cínicas e diretas. A banda tinha uma qualidade e jeito em passar sua mensagem de maneira criativa e harmoniosa. O líder do “The Divine Comedy”, Neil Hannon, afirmou numa entrevista que esse álbum era um dos seus prediletos. E que o protesto e a ideia deles era algo que só eles sabiam fazer de forma tão competente e distinta. Soava diferente. Kurt Cobain listou “Green” como um dos seus 50 melhores discos. Algo controverso, inclusive. “The Wrong Child”, “I Remember California” e “You Are Everything” acertaram os fãs mais antigos. Muitos consideram essas verdadeiras profecias do que seria o “Out Of Time” três anos depois. De algum modo elas soam mesmo como um embrião. “Pop Song 89” (uma sátira com os Doors), “Stand” e “Get Up” deram o tom mais pop e irônico do disco. Foram usados dois estúdios para gravação: Ardent Studios (Memphis) e Bearsville Studio (Nova York). Processo que tornou-se natural depois, pois certas canções necessitavam de mixagens diferentes e outras foram finalizadas conforme o potencial de cada estúdio. Duas ficaram sem nome no fim. “Untitled” foi uma delas e assim ficou no disco. “Turn You Inside-Out” e “Orange Crush” precisaram de mixagens distintas também. Scott Litt trabalhou incansavelmente nos estúdios dando acabamento bacana. A produção de “Green” foi a primeira dele com a banda. Uma parceria de ouro na história do REM. Quem é fã sabe disso. Feito e lançado o álbum a banda partiu para uma das turnês mais importantes e históricas, a famosa “Tourfilm” (1988). Foram onze meses de estrada e show. O registro encontra-se em VHS e DVD (tenho ambos). Vale a pena. A performance do REM é única. O moicano de Stipe é um diferencial também. E a banda estava em forma. Recomendo muito esse registro. O disco foi remasterizado em 2013 para o 25º aniversário e adicionado o ao vivo “Live in Greensboro” de 1989. Esse ano o disco completou 30 anos. Um salve enorme para esse que foi o primeiro disco da banda pela Warner (sexto na carreira) e que soou mais experimental do que o público poderia supor. Gostaria de acrescentar uma coisa: como fã, nesse disco, há duas canções que fazem parte do meu rol de favoritas: “World Leader Pretend” e a lindíssima “I Remember California”. Dois petardos dignos de banda GIGANTE! Salve Green, salve REM!

 

(Leo Rocha, dileto amigo carioca há mais de uma década do autor deste blog, tem 41 anos de idade e se formou em publicidade. Blogueiro, apresentador de programa em web rádio e autor de três livros de ficção, mora no Rio De Janeiro, onde nasceu. O REM é a banda da sua vida)

 

 

A POSTAGEM TRISTE DESTA EDIÇÃO, ANUNCIANDO O FECHAMENTO DO CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS (O BAR DO QUERIDÃO DRAMATURGO E ESCRITOR MARIO BORTOLOTTO, EM SP) E TAMBÉM (E NOVAMENTE) DO MATRIX ROCK BAR

É isso. Em tempos absolutamente sombrios e tenebrosos, com a cultura pop entregando os pontos, o rock indo pro museu e o Brasil BOÇAL aguardando a posse do futuro PIOR presidente que o país já teve, as notícias cruéis continuam se sucedendo: o Cemitério de Automóveis, misto de bar e teatro administrado pelo dramaturgo, poeta, ator e cantor Mário Bortolotto, encerra atividades no próximo dia 5 de dezembro. Funcionava há alguns anos na rua Frei Caneca, centro de Sampa, e era (e ainda é, ao menos até a semana que vem) um dos espaços culturais alternativos mais incríveis da capital paulista.

O blog vai muito ao “Foda-se” (a denominação mega carinhosa e genial que a sereia linda e loka do nosso coração, a gatona e também escritora Flavia Dias, dá pro bar). Estivemos lá na sexta-feira passada inclusive. Estava bem cheio, o que não vinha ocorrendo nos últimos tempos porque o país está quebrado e as pessoas estão sem grana pra curtir uma noitada num espaço legal bebendo boas brejas e ótimos drinks. Mas enfim, Marião mantinha o espaço há alguns anos já. E sempre está lá nas madrugadas, na sua cadeira cativa na indefectível mesa ao lado do balcão onde a clientela é atendida pela Silvia e (eventualmente) pelo Linguinha. O Cemitério acabou aglutinando uma turma hoje em dia rara na noite paulistana: homens e mulheres mais adultos (na faixa dos 30-50 anos de idade) e apaixonados por ótima música (volta e meia rolam sets acústicos por lá), ótima literatura (uma micro livraria funciona dentro do bar) e também ótimo teatro: há igualmente lá dentro um espaço para encenação de peças e onde geralmente Marião encenava, atuava e dirigia os próprios textos, que eram interpretados por atores de sua trupe teatral (estas linhas bloggers nunca se esquecem da montagem sensacional que assistimos lá, anos atrás, de “Mulheres”, baseado no livro homônimo do gênio Charles Bukowski, um dos nossos ídolos literários ad eternum. E do Mario idem).

E o povo que frequenta (va) lá é bem loki também. Mulheres insinuantes, libidinosas, ébrias, poéticas, cultas, inteligentes, nada recatadas, nada do lar. Todas gostosas, ousadas mas jamais vulgares e totalmente mega interessantes (na questão intelectual), daquelas que são pura transgressão, subversão e resistência cultural e que você, ao se deparar com elas tomando uma dose de gin ou uma taça de vinho, imagina que a mesma fará estragos irreversíveis em seu corpo sedento e carente durante um embate carnal feroz em alguma cama bêbada de hotel idem. Os caras que frequentam (ou frequentavam) ali também eram o que podemos chamar de “escória” e “marginais” perante a sociedade ultra careta e moralista sacal hipócrita destes tempos terríveis atuais: músicos, escritores, autores teatrais etc.

O autor deste espaço online conhecia Marião de nome há anos e já admirava seu trabalho de escritor, diretor teatral, poeta e ator de cinema mesmo antes de se tornar seu amigo pessoal, algo que acabou acontecendo há uns… 4 anos ou um pouco mais. Com o tempo descobrimos que por trás daquela rabugice e “ranzinzisse” toda existe um sujeito gente finíssima, de coração muito generoso e que sobreviveu sem ser auto piedoso de um assalto onde quase morreu após levar 3 tiros. Na medida do possível ajuda os amigos: pedimos a ele que escrevesse o texto para a contra-capa do nosso livro, “Escadaria para o inferno” (que foi lançado há exatamente um ano), e ele topou no ato. Somos gratos a ele por isso até hoje.

E nosso coração dói bastante nesse momento, ao escrever esse post falando do fim do “Foda-se”. As doses generosas e bem-vindas de Bell’s que o blog toma neste momento começam a aquecer a alma e coração, ampliam as sensações neuro transmissoras cerebrais e nos reconfortam ante o fato de saber que estamos perdendo mais um espaço cultural que vai fazer muita falta. Como já dito mais acima, estivemos lá na sextona passada. O bar estava cheio, o clima estava ótimo e acabamos até batendo um papo com a lindona, tesudíssima e ótima atriz (em filmes e no teatro, não a curtimos muito em seus trabalhos na tv “Grobo”) Maria Ribeiro (sim, Marião tem muita moral com o povo da tv, do cinema e do teatro pois convive com eles e é um autor mega respeitado). O zapper disse a ela que é fã de dois filmaços nos quais atuou: “Tolerância” (dirigido pelo “replicante” Carlos Gerbase, lá em 2000) e “Como nossos pais”, rodado ano passado pela Laís Bodansky.

FINATTIMARIONAPORANO17

Trio rocker e literário de respeito MÁXIMO se encontra no bar e teatro Cemitério de Automóveis, no final de 2017: Zapnroll “cercado” pelo jornalista e escritor Fernando Naporano e pelo dramaturgo Mário Bortolotto (acima); uma semana atrás o autor deste blog encontrou por lá a sensacional atriz, feminista e gata bi incrível e dos sonhos de qualquer homem que se preza, a XOXOTAÇA Maria Ribeiro, aqui (e abaixo) em imagens nudes total delicious, extraídas do ensaio que ela fez para o amigo fotógrafo Jorge Bispo, onde a divina musa esquerdopata e nada pudica e do lar, mostra toda a exuberância de sua BOCETA PELUDAÇA, como toda xota decente e do inferno deveria ser, inclusive (sorry, idiotinhas de direita: vocês são “limpinhas” demais, “cheirosas” demais, DEPILADAS demais e SEM CÉREBRO algum; jamais chegarão aos pés das garotas de esquerda, especialmente na questão intelectual e cultural e na hora da FODA). Infelizmente o bar do Marião fecha na próxima semana, no dia 5 de dezembro. Vai deixar saudades!

IMAGEMMARIARIBEIRONUA

IMAGEMXOTAMARIARIBEIRO

Todo mundo “comunista”, “de esquerda” e “do mal” no final das contas, né. Pois o bloog se ORGULHA de fazer parte dessa turma. E fará até o fim e até o derradeiro respirar. Afinal não há mais ilusões aqui, elas se perderam todas definitivamente quando cerca de 55 milhões de eleitores (a maioria deles BOÇAIS, trogloditas, selvagens, racistas, homofóbicos, misóginos, machistas, medievais de pensamento, machistas ogros, moralistas hipócritas e conservadores de extrema direita do inferno) elegeram para presidente do Brasil um nazi fascista que, além de total intolerante e ignorante, ainda é um evangélico FUNDAMENTALISTA. E esse pessoal ODEIA cultura e quem trabalha com arte e cultura. Para eles, incapazes de compreender e aceitar o que lhes foge do raciocínio binário e ultra limitado, cultura é “coisa de vagabundo e petralha”, ou se resume a ler a Bíblia, orar, PRAGUEJAR quem pensa diferente e assistir a novelas toscas ou séries religiosas da tv Record (a emissora do escroque Edir Macedo, que juntamente com outro pilantra evanjegue mor, Silas Malafaia, ajudou a eleger presidente o monstro da extrema direita). Nunca é demais lembrar: quando tomou o poder na Alemanha NAZISTA, Hitler quis ANIQUILAR toda a produção cultural passada do país. Mandou COLOCAR FOGO em milhões de exemplares de livros. E todos sabem como a história do nazismo e a da própria Alemanha acabou, ao final da segunda guerra mundial.

De modos que não se iludam: BolsoNAZI e seus seguidores BESTIAIS farão tudo o que for possível para EXTERMINAR a Cultura nesse miserável e triste Brasil. O desmonte já começou, mesmo antes da posse do nazi. Mário Bortolotto e seu sensacional Cemitério de Automóveis saem de cena um pouco antes. Quem sabe até para não sentir na pele o que está por vir em janeiro próximo.

Rip, querido Foda-se. Este jornalista loker se divertiu muito ali (ficamos bem lokos lá muitas vezes, a ponto de tirar Marião do sério e de dar trabalho pra ele, ahahahaha). Vamos sentir saudades. E antes que as portas e cortinas se fechem de uma vez por todas, ainda iremos baixar lá pra tomar a saideira. E MERDA para todos nós!

 

***E a outra baixa no circuito cultural e rock alternativo de Sampa é o fechamento (agora, definitivamente ao que parece) do lendário Matrix Rock Bar. Durante mais de duas décadas e sob o comando do brother Giggio, o Matrix animou as noitadas da Vila Madalena (zona oeste de Sampa), na rua Aspicuelta, sendo que este blog mesmo fez algumas festas e djs set muito bacanas por lá. Há cerca de três anos o espaço fechou, devido à alta um tanto quanto abusiva do valor do aluguel do imóvel onde estava localizado. Giggio porém batalhou novo espaço (com preço mais em conta na locação) e reabriu o Matrix na rua Inácio Pereira Da Rocha (também na Vila Madalena), onde funcionava até agora. Há algumas semanas, veio a notícia novamente tristonha e surpreendente: o Matrix fecha definitivamente suas portas no próximo dia 7 de dezembro. Ainda dá tempo de ir curtir por lá neste sabadão (1 de dezembro, quando este post está sendo enfim finalizado), e é o que o blog pretende fazer, para tomar uma breja e curtir os ótimos sets dos queridos amigos e djs Shiva On e Fabiano Bulgarelli. Depois, só na sexta da semana que vem e pela última vez. Rip Matrix! Foi muito bom enquanto durou e tornou nossas vidas rockers muito mais alegres, animadas e menos ordinárias do que elas são nos tempos atuais. Tempos que, pelo visto, só irão piorar e onde o rocknroll está mesmo deixando de fazer parte da vida noturna e cultural de uma cidade como São Paulo, infelizmente.

 

 

MUSA ROCKER DESTA EDIÇÃO – A ABSOLUTAMENTE TESUDA E AVASSALADORA SUE NHAMANDU!

Nome:  Sue Nhamandu

 

Nasceu em: 11/03/1984 em Campinas de parto natural nas mãos do meu tio avô obstetra Deodato.

 

Mora onde e com quem: com meu filho de 10 anos, o cabeça da gang, Pablo Miguel Nhamandu.

 

O que estudou ou estuda: sou formada em filosofia desde os 24 anos, mas leciono filosofia desde os 19, psicanalista e esquizonalaista em formação, sou mestranda em filosofia de gênero e pornografia pela Universidade Federal do ABC, e  pesquisadora convidada 2019 pela Universidade Toulouse 2 Jean Jaures, e vencedora do segundo prêmio select de artista educadora, ou seja, estudo o próprio estudar. Estudei teatro na Universidade Antropófaga com José Celso Martinez Correa, e teatro com Gerald Thomas.

 

O que faz profissionalmente: Sou a Pornoklasta, terapeuta orgástica, filósofa e desartista multimeios.

 

Três artistas musicais ou bandas: tenho um trabalho musical experimental que divulgo submidialógicamente através de avatares-persona como no projeto Domitila Mataha(cker)ari Pompadour Monroe, uma projeto de música tática e cyber feminismo que envolve música e artes visuais num contexto de hackeamento de identidade, mas entrei no meu teste no Oficina em 2011 cantando Casisa Listada, imitando Isaurinha Garcia e já vivi de cantar em pequenos bares periféricos, com alguns brothers no violão.

 

Três discos: Ando só numa multidão de amores (Maysa), Drama ato três luz da noite, (Maria Bethania) e Deus é mulher (Elza Soares). Elza e Wilson das neves: is so hard to tell whos going to love yoi best, Karen Dalton, Chets Billie.

 

Três filmes: Bin jip kim ki duk, Mutantes despentes, mi sexualidad es una creacion artística, Lucia egana (sombra) rojas.

 

Três livros: Crise da filosofia messiânica (Oswald De Andrade), Manifesto contrassexual (P B Preciado), O teatro e seu Duplo (Antonin Artaud), O que é filosofia  (Giles Deleuze), Água viva (Clarice Lispector) e (ufa!) Meta linguagem e outras metas (Haroldo De Campos).

 

Um diretor de cinema: Annie Sprinkle.

 

Um diretor de teatro: Artaud.

 

Um autor literário: Haroldo de Campos.

 

Um show inesquecível: Mutantes no Parque Do Ipiranga.

 

O que pensa sobre

 

Sexo: é uma criação artística.

 

Drogas: Isdeus.

 

Rocknroll:  Toca Raul!

 

Política: esquerda radical (ótimo!).

 

Relacionamentos: os éticos com cuidado de si e do outro.

 

Eleições presidenciais deste ano: Levamos uma solapada de mídia tática, a direita comeu as teorias todas e usou com capital neo liberal nossas ideias melhor que nós. Todos sabemos que o humanismo acabou. Não sou ingênua de acreditar que o problema é cultura e civilização. É hora de lutar, de reler o anti-édipo, de entender os desejos construídos, de combater o fascismo, de andar em bandos. Essas eleições foram o momento  histórico mais importante que vivi, nasci em 84, não esperava viver isso, só posso dizer que sobreviver e viver bem tem sido minha vingança contra um sistema que me queria natimorta, afinal sou mulhler cafuza não binária poliafetiva, pansexual, ativista feminista pró-sexo demi-sexual, latino-americana.

 

E como o blog conheceu Sue: como nosso dileto leitorado pode ver pelas respostas aí em cima, essa deusa GIGANTE é uma mulher AVASSALADORA em todos os sentidos (tão avassaladora que chega a dar medo, ahahahaha). Enfim ela nos foi apresentada por uma amiga querida em comum (a escritora e poetisa Rita Medusa), nos encantamos pelo perfil e pelo pensamento da garota, a convidamos para fazer ensaio para estas linhas eternamente e totalmente subversivas e abusadas ao máximo, e cá está o resultado. Apreciem sem NENHUMA moderação!

16144872_237824783331265_1165255913_n

Avassaladora, apenas isso

 

16176810_237824786664598_814107540_n

O peito que te seduz é o mesmo que pode matá-lo em pequena, rápida e gloriosa morte…

 

16144192_237824769997933_1754741026_n (1)

O espelho é o reflexo preciso e que jamais MENTE!

 

16128741_237824789997931_274976665_n

A água escorre pelos poros. E Rimbaud, se vivo estivesse, sentaria toda essa beleza em seus joelhos, para admirá-la ad eternum

 

16128454_237824779997932_503127839_n

Corpo relaxado mas também perenemente em chamas

 

 

FIM DE UM POST REALMENTE GIGANTESCO!

Com quase 80 mil caracteres de texto (uma autêntica bíblia!) este é o provavelmente o MAIOR post já publicado por Zapnroll em seus quinze anos de existência, o que demonstra que o fôlego destas linhas online continua inalterado.

Mas tudo precisa ter um fim, não é. De modos que paramos por aqui, e sendo que havia tanto material ainda a ser publicado que deixamos parte dele para a nossa derradeira edição deste triste 2018 que está chegando ao fim e prenunciando um 2019 absolutamente SINISTRO no Brasil. De qualquer forma no próximo post traremos sim as histórias dos shows que o blog viu na inesquecível Via Funchal. E também iremos falar do superb músico e guitarrista Dhema Netho, que residiu por 16 anos em Londres e agora está de volta ao Brasil, onde pretende retomar sua carreira. E claaaaaro, já temos a musa rocker pra fechar com chave de ouro este sombrio 2018: a delicious total Juliana Gelinskas (cujo aperitivo do ensaio futuro você vê aí embaixo).

Beleusma? Então até a próxima!

IMAGEMMUSAJULIANAGGII

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 01/12/2018 às 22:20hs.)

Em post modesto e reduzido (pois o blog está preparando sua lista dos melhores de 2012) o espaço zapper fala sobre o fim DE FATO da Via Funchal, analisa o possível fim da MTV, além de falar desses boatos infundados que muitas vezes inundam a blogosfera, e também daquela velha história do comeback de Bob Smith e sua turma ao Brasil (plus: o novo vídeo do Rock Rocket, para a xoxotuda “Maria Eugenia”, uia!)(versão final, ampliada, em 18/12/2012)

Tudo que é ótimo sempre chega ao fim, néan? Em semana que houve boatos sobre o fim do festival Planeta Terra (desmentido, felizmente) e sobre o possível fim da MTV (ainda em suspense…), sobrou mesmo para a ótima Via Funchal (foto acima): a melhor casa de shows musicais de médio porte da capital paulista fecha de fato as portas em 2013; pelo menos a ótima notícia (apurada e confirmada pelo blog zapper) é que Bob Smith e o Cure (abaixo) estão mesmo voltando ao Brasil, em abril/maio 

 

Pois então.
Não dá pra fazer um post com quase cinqüenta mil caracteres (como foi o caso do último) toda semana, néan? Sacumé, final de ano chegando, tudo fica mais calmo (quer dizer, mais ou menos…) no mondo pop/rock, o blog começa a preparar sua lista de melhores de 2012 (que estará por aqui na semana que vem), de modos que hoje Zap’n’roll vem bem modestinha, hehe. Mas ainda assim falando de temas, hã, palpitantes e que andaram sacudindo a galere nos últimos dias. E dá-lhe boatos e especulação sobre o fim da MTV (já comentado aqui no último post), fim do festival Planeta Terra (já desmentido, rsrs), fim das atividades da casa de shows paulistana Via Funchal (confirmado) e a volta do gigante e lenda goth The Cure ao Brasil (esse, sendo investigado agora, já na tarde de sexta-feira, por estas linhas online, sendo que você fica sabendo logo aí embaixo o que apuramos a respeito, uia). De modos que sem muitas delongas esta semana vamos apenas a algumas notas/análises rápidas aí embaixo, a respeito desses assuntos. Lembrando que no próximo post vem a lista dos melhores do ano pelo blog zapper e aí… férias merecidas que ninguém é de ferro, hehe.

 

 

VIA FUNCHAL – O FIM, ENFIM (E INFELIZMENTE)

Jarvis Cocker, vocalista e líder do inglês Pulp, tocando no final de novembro em Sampa, na Via Funchal: quem viu, viu; quem não viu…

Talvez a melhor casa de shows musicais de porte médio (por porte médio, entenda-se um espaço onde cabiam até seis mil pessoas) da capital paulista na última década e meia, a Via Funchal, localizada no bairro de classe média alta da Vila Olímpia (na zona sul de Sampa), vai mesmo fechar suas portas a partir do mês que vem. A informação foi confirmada ao blog há pouco, em conversa informal entre estas linhas online e a querida Míriam Martinez, assessora de imprensa da casa e dileta amiga pessoal zapper há mais de duas décadas.

 

Os boatos sobre o fechamento do local já rolavam fortes há várias semanas. O motivo para o provável fechamento era, senão outro, a especulação imobiliária de sempre e que anda atacando com apetite voraz determinadas regiões da cidade (como a própria Vila Olímpia ou a região no entorno da rua Augusta, no centro de Sampalândia) nos últimos tempos. Pois a Via Funchal acaba de se tornar a mais nova vítima dessa especulação: o terreno onde está localizado o imóvel da casa de shows foi vendido para uma incorporadora. E dentro da própria Via Funchal ninguém se pronuncia oficialmente sobre o assunto mas os dois proprietários do local já autorizaram a querida Míriam a informar que, sim, a Via Funchal localizada na rua do mesmo nome deixa de existir como espaço de shows musicais e outros eventos na área de entretenimento a partir de 2013.

 

O último show musical por lá seria o da cantora Norah Jones, que iria se apresentar na Via Funchal amanhã (sábado), com tickets esgotados. Como Norah cancelou sua turnê no Brasil (em função da morte de seu pai, a lenda Ravi Shankar, ocorrida esta semana nos Estados Unidos), a história musical da casa está definitivamente encerrada.

Zap’n’roll na entrada da Via Funchal, ao final do show do britpop Pulp, no último dia 28 de novembro: o blog perdeu as contas de quantas gigs fodásticas assistiu ali. Vai deixar saudades!

 

O último show visto por Zap’n’roll lá foi o da banda inglesa Pulp, que aconteceu no último dia 28 de novembro. E o blog perdeu a conta de quantas gigs fodásticas ele presenciou ali. New Order, REM, Echo & The Bunnymen, Interpol, Massive Attack, Cat Power, The Kooks, Stone Temple Pilots, Duran Duran, Coldplay…foram incontáveis os grandes momentos rockers presenciados por estas linhas online na casa da rua Funchal.

 

Vai deixar saudades, e muitas. A Via Funchal tinha ótima localização, ótima estrutura para acomodar a platéia (espaço circular com o palco ao fundo, degraus que permitiam a todos assistir com ótima visão o que rolava em cena), ótima acústica, bares estrategicamente localizados na pista etc. Com o seu desaparecimento a maior cidade do país fica ainda mais carente de espaços para shows gringos de médio porte: restam agora o longínquo e tenebroso (na questão de acústica e localização) Credicard Hall e o HSBC Brasil. Sendo que nenhum dos dois jamais superou a VF em termos de funcionalidade.

 

Pra quem viu shows por lá, restam as lembranças. Pra quem não viu, a solução é torcer para que São Paulo ganhe, em breve, um espaço para eventos musicais tão bacana quanto era a, desde já, saudosa Via Funchal.

 

 

**********
O BLOG ZAPPER APUROU: CURE EM ABRIL, COM (POR ENQUANTO) TRÊS SHOWS NO BRASIL
Yep. Que Robert Smith está finalmente voltando ao Brasil com o gigante goth The Cure em 2013, já são favas contadas desde que o próprio Bob anunciou, no primeiro semestre deste ano, que a banda tocaria na América do Sul no ano que vem – sendo que não custa lembrar que nos últimos quinze anos o grupo “prometeu” diversas vezes que voltaria ao Brasil. Promessa nunca cumprida, rsrs.

 

Mas como costumam dizer no jargão popular: agora vai, uia! Esta semana espaços de cultura pop na blogosfera brazuca começaram a trombetear que a turnê sul americana da Cura já estava praticamente fechada e que só faltava o anúncio oficial, que deverá ser feito na próxima semana. De modos que, acompanhando todo esse falatório, estas linhas bloggers curiosas resolveram deixar a preguiça de lado e foram na tarde desta sexta-feira apurar o que há de fato CONCRETO na operação The Cure – Brazil Tour 2013.

 

O blog entrou em contato com um “chegado” seu que, por acaso, presta serviços para a produtora que está negociando (e fechando) a vinda da lenda goth ao Brasil (sendo que eles também irão tocar no Chile e Argentina). Em bate-papo telefônico, o blog apurou o seguinte junto à sua fonte (que pediu sigilo absoluto, pra não foder o trampo dele, óbvio):

 

O Cure vem para a América Do Sul em abril e fica por aqui até o final do mês pois em maio a banda já voa para gigs na Europa. No Brasil, especificamente, irão acontecer (por enquanto) TRÊS shows, na primeira quinzena do mês: em São Paulo, Rio e Porto Alegre. Há a possibilidade de um show extra em Sampa, de acordo com a demanda de ingressos. Também há a possibilidade de rolar uma data ou em Curitiba ou em Belo Horizonte.

 

Os shows em Sampa deverão acontecer (infelizmente) no horrendo Espaço das Américas, onde a referida produtora já realizou vários outros shows gringos importantes. Há duas configurações possíveis para o Cure em Sampa: ou dois shows no Espaço das Américas ou um único na arena Anhembi. Por último: os tickets começarão a ser vendidos a partir de janeiro e, sim, haverá a famigerada pista Premium entre eles.

 

Foi isso que Zap’n’roll apurou na tarde desta sexta-feira, sobre a volta do Cure ao Brasil. Nunca é demais lembrar: a banda liderada por Bob Smith já tocou por duas vezes aqui. A primeira em março de 1987, com gigs sold out por todos os lugares por onde ela passou. A segunda e última vez foi há quase dezessete anos, em janeiro de 1996, na edição daquele ano do extinto festival Hollywood Rock. O grupo tocou então em Sampa (no estádio do Pacaembu) e no Rio (na Apoteose) e enlouqueceu a galera goth com um set que durou quase três horas. Mais ou menos o mesmo tempo que tem durado os shows da atual turnê onde o conjunto, além do vocalista e líder inconteste Robert Smith, ainda conta com o igualmente eterno Simon Gallup no baixo, Roger O’Donnell nos teclados, Jason Cooper na bateria e (voilá!) Reeves Gabrels, que já tocou com o gênio David Bowie no grupo Tin Machine (quem se lembra?)

 

E fora que a passagem do grupo por aqui em 1996 rendeu uma entrevista sensacional para a então ainda edição impressa da revista Dynamite (saudades, saudades…), feita pelo sujeito aqui e que apareceu assim (veja aí embaixo) do ladinho de Bob Smith, em foto tirada durante o bate-papo, no lobby do hotel Maksoud Plaza.

 

É isso. Góticos novos e tiozões (como o zapper que digita estas linhas virtuais) podem preparar os coturnos, os óculos escuros, as capas pretas e começar a desgrenhar as cabeleiras: Cure Brazil tour – abril de 2013. É logo ali…

Sampa, janeiro de 1996: há dezessete anos o Cure veio ao Brasil pela última vez, para se apresentar no extinto festival Hollywood Rock. E antes do show na capital paulista Zap’n’roll (ainda um jovem e morenudo jornalista junky e rocker, hihi) bateu dois dedos de prosa com Robert Smith, hehe. Pois agora chega de saudade: o Cure, felizmente, está vindo novamente aí!

 

 

**********

FECHANDO A TAMPA
Final de ano batendo na cara, entonces vamos fechar logo esse post comentando que, yep, a situação continua indefinida lá pelos lados da MTV. Tudo vai ser sim resolvido em janeiro vindouro e é muito óbvio que ou a emissora muda radicalmente sua grade de programação e volta a se concentrar em MÚSICA e informação ADULTA e de qualidade, ou tchau e benção.

Sobre a boataria que rolou na blogosfera nos últimos dias, dando conta do provável fim do festival Planeta Terra em 2013: a própria direção do portal se encarregou de DESMENTIR o boato, afirmando que o evento rola sim, firme e forte, no final do ano que vem. Tá vendo o que dá querer saber mais que todo mundo e ficar inventando “furos” do além e que não correspondem à realidade?

Por fim, indicações zappers pra esta semana (post sendo finalizado no final da tarde de terça-feira, já): nesta quinta-feira, depois de amanhã em si, tem showzão de lançamento do novo álbum dos queridos Rock Rocket, lá no BecoSP (no baixo Augusta), naquela que promete ser a última grande esbórnia/putaria rocker de 2012, uia! O blog vai estar por lá e nessa mesma quinta-feira teremos o último post zapper deste ano, com a nossa lista de melhores dos últimos doze meses e a resenha do novo trabalho do RR. Por enquanto, de aperitivo, você fica com o novo vídeo deles, para a supimpa “Maria Eugenia”.

E nós estamos de volta aqui nesta quinta-feira, okays? Até logo menos então!

Rock Rocket – “Maria Eugenia”

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 18/12/2012, às 19hs.)

 

Quinze anos depois o “coroa” Soundgarden retorna com trabalho inédito, pra humilhar o bundão rock dos anos 2000’. Mais: as duas décadas de um álbum gigante da história recente do rock’n’roll (e como era a cena rocker há duas décadas); o novo disco do Leela (agora vai!); o “negão” continua firme (ainda bem!) no comando do país mais poderoso do planeta (e onde a maconha acaba de ser legalizada em alguns Estados); e aqui a guerra civil está definitivamente instalada em Sampa – salve-se quem puder!

O mundo da música está assim: veteranos experientes como o Soundgarden (acima) são obrigados a voltar com um disco fodão, pra salvar a pátria já que nem loiraças tesudas como Lady Gaga (abaixo) conseguem evitar o fiasco que está a música pop atual 

 

Salve Obama! Salve marijuana free!
Semana agitadona chegando ao fim, néan? A semana em que o mundo ficou de olho na eleição do novo presidente do país mais rico do mundo – os EUA, claro. A semana em que a guerra civil não declara continuou (e continua) em curso em Sampa e em toda a região metropolitana da maior cidade do Brasil (e uma das maiores do mundo). E a semana em que, finalmente, o novo álbum de um gigante da história do grunge americano noventista surgiu na web. Yep, depois de quinze anos de ausência o quarteto Soundgarden mostra ao mundo “King Animal”, o novo disco de inéditas e cujo lançamento oficial acontece na próxima semana. Enfim, tudo isso transformou os últimos dias em um mosaico de acontecimentos memoráveis: Barack Obama ser reeleito presidente nos Estados Unidos deu mais tranqüilidade a um mundo já tão conturbado por problemas de toda ordem; um mundo que NÃO precisa de mais gente maluca, reacionária, conservadora, moralista babaca e ditadora para comandar nossos destinos. Já há governantes demais dessa espécie espalhados pelo planeta, e essa é uma das causas pelas quais esta velha Terra está como está. Entonces, nesse aspecto, todo o apoio destas linhas online à reeleição do negão: um sujeito íntegro, decente, na medida do possível conciliador e pacificador e que em uma de suas falas de agradecimento ao povo americano por ter confiado a ele mais quatro anos de governo, disse que os Estados Unidos é um país onde todos têm oportunidade de crescer, independente de raça, credo e opção sexual (lindo isso, não?). Mas enquanto lá em cima Obama ganhava a confiança do povo e do eleitor americano para continuar conduzindo os destinos do país deles por mais quatro anos, aqui embaixo o cenário continuou funesto como sempre: média de oito assassinatos diários na Grande São Paulo. Uma violência gerada, em grande parte, pelo comércio ilegal de drogas, claro. Só que aqui as autoridades não querem ver o óbvio ululante: que apenas a LEGALIZAÇÃO de TODAS as drogas reduziria drasticamente esse quadro tenebroso. O Brasil deveria se mirar no exemplo do Uruguai (que legalizou o comércio e consumo de maconha há pouco) e também dos Estados americanos de Colorado e Washington, que acabam de tomar a mesma medida. A guerra contra as drogas é uma guerra perdida. Ficamos então aqui, à espera que um dia o bom senso ilumine a cabeça dos governantes de um país (o nosso) que, sim, ainda é muuuuuito conservador em vários aspectos e completamente eivado de preconceitos morais e também de credo, raça e opção sexual, infelizmente. Enquanto esse quadro não muda o que podemos fazer é colocar mais uma Zap’n’roll no ar, falando do novo e bacanudo disco do Soundgarden – uma banda que, por certo, jamais fará um rock moralista, babaca e preconceituoso. Muito longe disso, aliás.

 

* Ainda sobre a reeleição de Barack Obama: Ted Nugent, o velhote asno, mala, ultra conservador e babaca bufou como nunca nas redes sociais, demonstrando todo o seu inconformismo com a nova vitória do negão. Chamou os eleitores de Obama, entre outras grosserias, de “cafetões” e “prostitutas”. Vem cá: de que adianta ter sido um dos grandes guitarristas do rock  americano dos anos 70’, mas tendo essa mente minúscula e retardada?

Esse velhote babaca e reacionário já foi um grande guitarrista. Agora, Ted Nojento vem insultar os eleitores de Barack Obama. A inveja, quando não mata…

 

* Já aqui, nas redes sociais, começou a circular a zoação abaixo, com o nosso querido (des)governador de São Paulo, hihihi. Perfeito!

Cai fora Alckmin, pelamor!!!

 

* Prefeitura do Rio dando tickets do show de Lady Gaga para seus funcionários. Lojas Riachuelo (uma das patrocinadoras da turnê da loira), em Sampa, fazendo promo desesperada (compre um ingresso, leve outro na faixa) para desencalhar os convites que estão sobrando – e como estão. Não é preciso ser nenhum gênio pra entender porque a turnê de miss Gaga pelo Brasil (e por boa parte das datas sul-americanas) se transformou – até o momento – em um quase retumbante fracasso. O assunto já rendeu fartos comentários esta semana em blogs, sites e redes sociais. A estréia da cantora em terras brazucas acontece hoje à noite, no Rio De Janeiro. Em Sampa, ela canta domingo no estádio do Morumbi (e segundo as últimas atualizações, dos cerca de sessenta mil ingressos colocados à venda para o show paulistano, pouco mais da metade foram vendidos até o momento), seguindo por último para Porto Alegre, onde se apresenta na próxima terça-feira. Anyway há muito que o Brasil sofre com dois problemas básicos na área de shows internacionais: a) o excesso dos mesmos por aqui (há três décadas, ninguém vinha pra cá; depois do primeiro Rock In Rio, em 1985, a situação se inverteu e agora a HUMANIDADE quer tocar aqui, o que acarreta o desembarque anual de zilhões de atrações gringas em solo brasileiro, com shows diretos, um atrás do outro e sem descanso para o bolso do pobre fã de rock e de música pop); e b) a putaria infindável que se formou em torno das malditas carteiras de estudante. Hoje todo mundo tem a sua, no? Do estudante de fato ao velhinho aposentado. Com isso o grosso dos tickets vendidos para shows (e outros eventos culturais) é meia-entrada. Isso deixa, óbvio, produtores locais putos e eles, também mega gananciosos que são, jogam o preço dos ingressos na estratosfera, para “compensar” a perda de receita com a venda de milhares de meia-entrada. É isso: o quase fiasco na venda de tickets para os shows de Lady Gaga no Brasil é apenas um primeiro aviso de que algo não vai bem e precisa ser mudado, urgente. E se não houver essa mudança é bem provável que os avisos continuem, em forma de fracasso nas vendas de ingressos para outros futuros shows internacionais por aqui. Quem avisa…

 

* Ao menos a loira popstar está sendo mega simpática com os fãs. Ontem ela apareceu várias vezes na sacada do hotel onde está hospedada, distribuiu lanchinhos pro povaréu que está lá fazendo plantão, e foi fazer o básico que todo astro da música faz quando aporta no Rio: visitou uma favela – pacificada, vale exarar.

*

Bien, não é apenas o Soundgarden que lança seu novo disco na próxima segunda-feira, 12 de novembro (e sobre o qual nosso dileto leitorado ainda vai ler bastante, logo mais aí embaixo). “Grrr!”, a coletânea comemorativa ao cinqüentenário dos Rolling Stones também chega às lojas na mesma data. Vai ter aqueles clássicos de sempre (“Satisfaction”, “Jumpin’ Jack Flash” etc, etc, etc) e as duas já faladíssimas músicas inéditas. A primeira, bacanuda, é “Doom And Gloom” e foi divulgada pela banda há algumas semanas. Pois ontem os velhinhos mais amados do rock’n’roll liberaram na web “One More Shot”, que não é taaaaaão legal quanto a outra mas ainda assim vale a audição, sendo que você pode curti-la aí embaixo:

 

* Vai Jagger e Richards: caiam logo na estrada em 2013, em turnê mundial, e venham pra cá!

 

* Já o fodão quarteto australiano Tame Impala, dono de um dos lançamentos mais geniais de 2012 (o espetacular álbum “Lorenism”), acabou de soltar no YouTube mais um vídeo de uma das canções do disco. Desta vez a faixa contemplada é “Feels Like We Only Go Backwards”. Chapação total de marijuana e ácido é pouco!

 

 

* Isso sim é uma notícia mega relevante no rock alternativo: a lenda shoegazer inglesa My Bloody Valentine anunciou que vai tocar no Japão em maio de 2013. A gig vai acontecer no Tokyo Rocks Festival e a intenção do gênio Kevin Shields (guitarrista, vocalista e líder eterno do MBV) é mostrar no palco, na íntegra, o ultra clássico álbum “Loveless” (que a banda lançou em 1991 e que é, seguramente, um dos vinte melhores discos de toda a história do rock), além de algumas faixas inéditas que poderão estar em um futuro novo disco do grupo. Sorte da japonesada, no?

 O gênio louco Kevin Shields toca com o seu My Bloody Valentine no Japão, em 2013

 

* E CONTINUA A CONFUSÃO NA DEVOLUÇÃO DOS INGRESSOS DO ROCKERS NOISE FESTIVAL – infelizmente, diga-se. Quem acompanha estas linhas bloggers rockers soube que o evento, que seria realizado no último dia 30 de outubro em Sampa (com shows dos grupos ingleses The Telescopes e Gallon Drunk), foi a princípio ADIADO para o início de 2013 já que a Rockers, produtora responsável pelo festival (e dirigida pelo músico Neo Distortion, ex-baixista do finado grupo paulistano Starfish100) acabou enfrentando enormes dificuldades na reta final da parada: houve problemas na questão dos vistos de entrada dos músicos no Brasil, além de baixa procura de ingressos e também a falta de um patrocínio que viabilizasse com tranqüilidade a realização da gig. Diante de tudo isso Neo decidiu adiar a realização do Rockers Noise e comunicou o fato nas redes sociais, informando que em breve iria proceder a devolução dos valores pagos pelos ingressos para quem assim o quisesse. A questão é que, passados quase dez dias do adiamento do evento, quase nenhum comprador ainda teve seu dinheiro devolvido e isso começa a preocupar quem se dispôs a adquirir tickets pra ao festival. Segundo o blog apurou dois compradores tiveram seu dinheiro restituído graças ao bom senso do pessoal da Locomotiva Discos (um dos pontos onde os ingressos estavam sendo vendido, em São Paulo), que resolveu fazer a devolução e arcar com o prejuízo. Enquanto isso, nada de Neo ou alguém da Rockers se manifestar, até mesmo na página da produtora no Facebook (https://www.facebook.com/GrupoRockers) onde sobram reclamações e não há nenhuma palavra oficial da produtora a respeito do assunto. Zap’n’roll quer acreditar que Neo Distortion não é uma pessoa má intencionada. Portanto, em nome daqueles que se entusiasmaram com o evento e tiveram a boa vontade de adquirir o ingresso para ir ver as bandas, o blog pede que a Rockers se manifeste sobre a devolução dos valores pagos pelos tickets e resolva a questão o mais rápido possível.

 

* O que também não pode esperar é a opinião zapper sobre o novo disco do Soundgarden, que já está dando sopa na web. Dá uma lida aí embaixo e veja o que estas linhas online acharam do comeback do gigante grunge.

 

 

O GRUNGE VOLTA COM TUDO NO NOVO DISCO DO SOUNDGARDEN
Não, não estamos em 1990. Mas é como se uma imaginária máquina do tempo nos jogasse lá novamente, duas décadas atrás. E esse “retorno ao passado” não é nenhuma novidade nos tempos que correm, onde bandas de rock perderam total a capacidade de produzir grande música e grandes discos. Aí fica cada vez mais difícil surgir alguma novidade realmente digna de nota. E cada vez mais grupos que tiveram grande importância na história recente do rock se animam a voltar a tocar. Caso do Soundgarden: o gigante grunge ficou hibernado por década e meia. Começou a articular seu retorno – com a formação original – em meados do ano passado. E agora esse comeback se concretiza com o lançamento deste “King Animal”, programado para chegar às lojas (dos Estados Unidos e Europa) na próxima segunda-feira – sendo que na web ele despencou com tudo anteontem.

 

É um bom disco? Sim. Claro, não se equipara a obras fodásticas da banda (como “Badmotorfinger”, “Superunknow” e “Down The Upside”), mas flagra o quarteto em ótima forma após ficar quinze anos sem gravar material inédito em estúdio. Fora que um grupo que possui um vocalista como Chris Cornell e um guitarrista como Kim Thayil, leva laaaaarga vantagem sobre a concorrência. Mesmo não sendo uma obra prima do além, “King Animal” simplesmente HUMILHA 90% do rock que se produz no mundo atualmente.

 

Trata-se de um trabalho que mostra como faz falta ter técnica, garra, criatividade e tesão para se tocar. Ou seja: tudo o que falta na maioria dos grupelhos atuais. O Soundgarden, mesmo o jovem leitorado zapper sabe, tinha tudo isso de sobra e mais um pouco. Era um dos três gigantes do grunge de Seattle nos early 90’, ao lado de Pearl Jam e Nirvana (e com todo respeito ao Mudhoney, ao Stone Temple Pilots, Screaming Trees e outros grandes nomes do movimento que devolveu o rock americano a um lugar de destaque na música mundial, além de dar um chute na bunda da música pop ordinária que infestava as paradas de então). Fazia rock pesado, quase heavy metal, com nuances psicodélicas e tendo um vocalista capaz de (como dia a imprensa musical da época) cantar até um catálogo telefônico com perfeição, emoção e arrebatação. A parte instrumental também não ficava atrás, com um guitarrista monstro (Kim) e uma seção rítmica brutal e precisa (com o baixista Ben Shepherd e o batera Matt Cameron, que de tão bom acabou sendo também cooptado pelo Pearl Jam).

O novo disco do Soundgarden: bom o suficiente pra humilhar as bandas atuais

 

É óbvio que com tamanha qualidade sonora e tantos talentos em um só grupo, rolaram os dois lados da parada. O bom: a banda começou a vender horrores, mesmo fazendo um som pesado e de difícil digestão para o mega populacho. O lado péssimo: começaram as inevitáveis enfiações de pé na lama em álcool e drugs, além de estourar a habitual guerra de egos gigantes – no caso, os de Cornell e Kim Thayil. Não demorou muito pro Soundgarden anunciar o seu fim, no começo de 1997.

 

Quinze anos se passaram, cada um continuou tocando sua vida na música (Chris, por exemplo, foi vocalista no Audioslave, que chegou a lançar dois bons discos, e também editou dois álbuns solo que são a vergonha alheia total), até começarem as negociações para um retorno efetivo do Soundgarden. Até que ele finalmente se concretiza agora. E “King Animal”, o novo álbum de estúdio, reedita os procedimentos que celebrizaram o conjunto no auge do movimento grunge. A guitarra de Kim dispara riffs enérgicos e acelerados mas sem perder a elegância melódica. E Chris, que está com quarenta e oito anos de idade, continua com as inflexões vocais de um adolescente irado. Impressionante. Há faixas acachapantes espalhadas por todo o cd, como a esporrenta “Been Away Too Long”, que abre o disco e é o primeiro single de trabalho. Fora ela, dá pra chapar tranqüilo os miolos com “By Crooked Steps” (que tem a participação do batera Cameron em sua composição), “Attrition”, e “Black Saturday”. Curiosamente, em sua parte final, o trabalho desacelera um pouco e fica mais contido no quesito barulho. Mas, ainda assim, deixa o ouvinte altamente satisfeito e se questionando: o que há com as merdas das bandas atuais, afinal? Por que elas não conseguem produzir um disco – ou algumas faixas, que seja – como este que marca o retorno do Soundgarden?

 

O já tiozão grunge agora vai cair na estrada, pra promover o álbum. Eles seriam um dos headliners do festival SWU deste ano. Desistiram de vir pra cuidar do lançamento de “King Animal” – e sua desistência, pasmem, provocou o cancelamento do SWU, que já estava com dificuldades para montar seu line de 2012. Sem problema: fica a torcida para que o velho Jardim Sonoro passe por aqui em 2013. E também fica o desejo de que as medíocres bandas de hoje ouçam o disco e aprendam algo que valha a pena com o experiente e ainda muito bom Soundgarden.

 

 

O TRACK LIST DE “KING ANIMAL”
1. “Been Away Too Long”
2. “Non-State Actor”
3. “By Crooked Steps”
4. “A Thousand Days Before”
5. “Blood on the Valley Floor”
6. “Bones of Birds”
7. “Taree”
8. “Attrition”
9. “Black Saturday”
10. “Halfway There”
11. “Worse Dreams”
12. “Eyelid’s Mouth”
13. “Rowing”

 

 

UM DISCAÇO DO REM COMPLETOU VINTE ANOS E NINGUÉM (DA NOSSA MEDÍOCRE MUSICAL PRESS) SE IMPORTOU
Quem acompanha este espaço rocker virtual desde sempre já está careca de saber: o finado e saudoso trio americano REM sempre foi – e será – uma das cinco bandas da vida de Zap’n’roll (as outras são os Stones, o Nirvana, o Clash e os Smiths). E por manter essa devoção eterna e inabalável ao grupo de Michael Stipe, Peter Buck e Mike Mills (e que durante muitos anos também contou com Bill Berry na bateria) é que o próprio blog zapper assume seu deslize, de público, por não ter comentado nada aqui sobre os vinte anos de existência do fodástico “Automatic For The People”, disco lançado pela banda mais exatamente há duas décadas e um mês.

 

Mas como nunca é tarde para comentar sobre um momento brilhante e iluminado da história do rock’n’roll, o fazemos agora. O álbum foi lançado exatamente em 5 de outubro de 1992. O blog se lembrava perfeitamente do ano em que “Automatic…” chegou ao mercado musical, mas não se recordava exatamente o mês do lançamento. Ao começar a re-ouvir o discão diversas vezes na semana passada, foi pesquisar e se deu conta de que o trabalho havia saído em outubro de 1992. Um álbum difícil, denso, tenso em muitos momentos. A banda, ainda um quarteto, já havia lançado dois discos pela gigante Warner (após passar anos no pequeno selo independente IRS) e tinha estourado mundialmente com o anterior, “Out Of Time”, que vendeu milhões de cópias e levou o som do REM para as massas através dos mega hits “Losing My Religion” e “Shine Happy People”. Duas músicas belíssimas mas extremamente pop, radiofônicas, “pra cima”. Com o sucesso decorrente delas o grupo rodou o mundo em turnês gigantes e não se esperava novo disco de inéditas tão cedo.

 O trio americano REM: gigantes eternos da história do rock’n’roll

 

Pois “Automatic For The People” foi lançado cerca de um ano e meio depois e era muito diferente de “Out Of Time” em alguns aspectos. Havia toda uma dramaticidade emocional presente em várias faixas do disco, em oposição ao clima mezzo ensolarado do álbum anterior. Fato plenamente explicável: além de estar mergulhado no vício da heroína o vocalista, letrista, poeta e gênio Michael Stipe finalmente tornara pública sua homossexualidade. Tudo isso se refletiu em canções extremamente angustiantes e sombrias – caso da espetacular “Drive”, que abre o disco de forma arrebatadora e algo sinistra. Um trabalho que, além disso, exibiu o conjunto no auge de sua criatividade e legou para o rock instantes de puro brilhantismo. E aí basta lembrar de baladas lindíssimas e tristonhas como “Everybody Hurts”, de deambulações por countries e folks singelos, bucólicos e melancólicos como “Mont Got A Raw Deal” ou “Find The River”, ou ainda de momentos inesquecíveis como “Man On The Moon”, a tocante homanegam que Stipe legou para o célebre comediante americano Andy Kaufman, que morreu de câncer com apenas trinta e cinco anos de idade e que era um verdadeiro ídolo nos Estados Unidos.

 

Hoje é consenso entre críticos e jornalistas especializados em música pop e rock, que “Automatic For The People”, além de ser muito superior musicalmente a “Out Of Time” (que foi o disco do REM que mais vendeu em toda a trajetória do conjunto), também é um dos quatro melhores trabalhos da banda (ou outros três seriam “Murmur”, a estréia do grupo em 1983, “Document”, lançado em 1987, e “Monster”, editado em 1994 e o último com a participação do batera Bill Berry). E seguramente um dos vinte melhores discos de toda a história do rock’n’roll, flagrando no auge uma banda que tinha um vocalista/letrista excepcional e um dos melhores guitarristas do mundo (Peter Buck).
Pois esta pequena obra-prima da história recente do rock’n’roll saiu há vinte anos. Como de hábito a porca jornalistada especializada em rock na mídia brazuca nem se lembrou do fato. Ela prefere comemorar outras efemérides bem mais estúpidas e sem importância, sempre. Mas “Automatic For The People” está aí. Permanece como um monumento genial do grande rock’n’roll e vai nos lembrar eternamente que, sim, já se produziram obras-primas na música mundial.

 A capa de “Automatic…”: uma obra-prima como não se faz mais no rock de hoje

 

Claro, não vai existir outro REM (um grupo que foi digno e gigante até na hora de anunciar o seu fim) nem outro álbum como “Automatic…” nos dias que correm, onde o rock e a música pop estão no fundo do poço da idiotice criativa. Resta então ouvir e re-ouvir, sempre e sempre, um álbum que nos acalente a nossa alma e nossa sensibilidade, sempre que ambas estiverem atordoadas pelo horror que se instalou na música de hoje.

 

 

REM AÍ EMBAIXO
Em dois vídeos: o promocional para a sombria “Drive” e um ao vivo, flagrando a banda tocando “Everybody Hurts” diante de uma multidão gigantesca no festival de Glastonbury, na Inglaterra, em 2003.

 

 

 

REM – UMA LETRA DE “AUTOMATIC FOR THE ´PEOPLE”
Da música “Everybody Hurts”

 

Quando seu dia é longo
E a noite – a noite é solitária,
Quando você tem certeza de que já teve o bastante desta vida,
Continue em frente

 

Não desista de si mesmo,
Pois todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes…

 

Às vezes tudo está errado,
Agora é hora de cantar sozinho.
Quando seu dia é uma noite solitária (aguente firme, aguente firme)
Se você tiver vontade de desistir (aguente firme)
Se você achar que teve demais desta vida,
Para prosseguir…

 

Pois todo mundo se machuca,
Consiga conforto em seus amigos.
Todo mundo se machuca…
Não se resigne, oh, não!
Não se resigne
Quando você sentir como se estivesse sozinho.
Não, não, não, você não está sozinho…

 

Se você está sozinho nessa vida,
Os dias e noites são longos,
Quando você sente que teve demais dessa vida para
seguir em frente

 

Bem, todo mundo se machuca
Às vezes, todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes
Mas todo mundo se machuca, às vezes
Então aguente firme

 

 

O ROCK E O MUNDO ZAPPER ERAM ASSIM HÁ DUAS DÉCADAS
* Em 1992 o grunge dominava o mundo. O Nirvana estava estouradaço com “Nevermind” e o Pearl Jam idem, com “Ten” (a estréia do grupo e até hoje sua obra-prima imbatível). Já o jornalista zapper amargava problemas em sua vida pessoal: fazendo frilas esporádicos aqui e ali (ele havia sido demitido da revista IstoÉ, onde havia trabalhado por três anos,  no começo do ano), com problemas de money e afundado no vício em cocaine, viu seu casamento ir pras picas. No final de 1992, já separado, dividia seu tempo entre esses frilas e passar os finais de semana no Espaço Retrô (a lenda maior dos bares underground paulistanos, em sua primeira versão, em um sobrado em estilo clássico atrás da igreja de Santa Cecília, no bairro do mesmo nome, no centrão rocker podre de Sampa), atrás de álcool, dorgas e xoxotas – e foram muitas ali que passaram pela rôlla zapper, como a da magrela Mônica, ou a da baixinha e peituda Paulinha. Mas nenhuma foi tão cadeluda quanto a ex-gótica Jade, que uma bela madrugada foi parar no apê da rua Frei Caneca (que já estava tomado pelas pulgas e seria abandonado pelo blogger junky em março de 1993, quando ele foi morar um tempo com o velho amigo Phillipe Britto, no apê dele na avenida 9 de julho) com o sujeito aqui – já era janeiro de 1993 e o autor deste blog acabara de sair do estádio do Morumbi, onde literalmente morreu no show do Nirvana. Morreu e ressuscitou pra foder a ordinária Jade (com quem ele havia se encontrado no bairro do Bixiga), de boceta infernal, peitos suculentos e que gritava enquanto era fodida de ladinho: “me come! Me come!”.

 

* Ainda em 1992 houve o expurgo de Fernando Collor da presidência da República. Foi a única vez em que o país botou um presidente pra correr – logo ele, o primeiro a ser eleito pelo voto direto após anos de ditadura militar por aqui. Mas a expulsão do calhorda foi legítima já que o escândalo de corrupção em que o sujeito estava metido era tão ou mais atrevida do que o atual Mensalão. Também foi a última vez em que se viu a classe estudantil desse pobre país sair às ruas, mobilizada e gritando por algo. Nunca mais… e olha que estamos precisando disso por aqui novamente.

 

* O grande festival que rolava então no país era o Hollywood Rock, que acontecia tradicionalmente no mês de janeiro, ocupando um finde o estádio do Morumbi (ou do Pacaembu) em Sampa, e outro a Praça da Apoteose (no Rio). Em 1992 o HR teve uma de suas edições mais fracas – tão fraca que a última noite em Sampa foi fechada por um show que reuniu no palco os grupos Titãs e Paralamas Do Sucesso.

O casal mais junky da era do grunge: Kurt e Courtney, que estiveram no baixo Augusta, em janeiro de 1993. O blogger loker ficou pertinho deles no bar Der Temple, mas preferiu ir embora pra sua house, pra foder a xoxota ordinária da putinha Jade

 

* A recuperação do evento se deu em janeiro de 1993, com a edição “grunge” do festival. Tocaram nele, com showzaços fodaços e inesquecíveis, o Red Hot Chili Peppers (então no auge, a bordo da turnê do sensacional álbum “Blood Sugar Sex Magic”), o Alice In Chains, o L7 e o Nirvana, claro. O que aconteceu na noite em que se apresentaram Kurt Cobain e cia (em uma giga historicamente péssima, vale sempre lembrar) daria um diário sentimental monstro aqui. Encerrada a maratona rocker no Morumba, todo mundo se mandou pro baixo Augusta (que nem tinha essa denominação naquela época, ainda). O local escolhido pra balada pós-festival foi o bar Der Temple, que era tocado pelo Giggio (hoje, dono do Matrix, na Vila Madalena). Foi pra lá que Zap’n’roll foi com a putinha Jade (depois de encontrar com ela no Bixiga), pra beber e – se possível – tecar algum padê. Pois lá pras tantas eis que surge no pedaço ninguém menos do que… Kurt e Courtney Lova, ambos acompanhados pelo hoje chapa João Gordo (que naquela época era inimigo mortal do autor destas linhas virtuais sempre prontas a recordar uma ótima história, uia!). Assim que a dupla entrou no bar Giggio mandou abaixar as portas do mesmo; quem estava do lado de fora não podia entrar mais. Quem quisesse sair, estava à vontade pra fazê-lo – e imagina se alguém queria sair dali àquela altura. E assim, durante alguns minutos, o blogger loker esteve a apenas alguns ombros do então maior nome do grunge e do rock’n’roll planetário. Tanto Kurt quanto Love estavam beeeeem lesados e mal se agüentavam em pé. E o zapper louco pra foder a boceta canalha da mamicuda Jade, achou melhor se mandar dali com ela, até pra evitar alguma confusão for de hora com mr. João Gordo. A noite do casal Kurt/Courtney terminou como todo mundo sabe: com a dupla jogando notas de cem doletas pras putas na praça Roosevelt – o blog não viu a cena: estava no apê da Frei Caneca infestado de pulgas, metendo vara no xoxota da cadela Jade.

 

* Nos meses seguintes, em 1993, a vida do jornalista rocker doidón sofreria mudanças – algumas para melhor. Ele conheceu seu (até hoje) melhor amigo, o Publisher e dj André Pomba, e começou a colaborar com a edição impressa da revista Dynamite (então uma das melhores publicações dedicadas ao rock alternativo em circulação no Brasil). Ao mesmo tempo voltou à grande mídia, passando a escrever matérias musicais mensais para a poderosíssima e influente revista Interview, onde ganhava um ótimo salário e onde vivia enfiado em festas chics regadas a champagne, bocetas e cocaine, claaaaaaro. E essa seria a vida zapper nos três anos seguintes, em histórias que já foram contadas aqui mesmo no blog e em mais algumas outras que irão aparecer aqui, no momento adequado.

 

**********
Postão ficando gigantão como a gelere gosta, hihihi. pois entonces: sextona já chegou e o blogger sempre atarefado vai dar uma pausa por aqui, pra resolver uns assuntos pessoais. De modos que prometemos concluir a parada por aqui (que já tá enooooorme) até o final da tarde deste sábado (amanhã em si, no?), quando ainda vamos falar do novo álbum do Leela, do disco do fluminense Amplexos, além de dar aquelas dicas culturais bacanas e o roteiro de baladas pro finde underground que promete ser chuvoso em Sampalândia – amanhã, sábado, tem showzão free do duo Madrid às quatro da tarde na Praça Victor Civita (em Pinheiros, zona oeste de São Paulo). E depois, às oito da noite, rola showzão dos amados Los Porongas na Casa do Mancha, também em Pinheiros.

 

Certo? Então ficamos por aqui, por enquanto. E já pode começar a ir lá no hfinatti@gmail.com que vão entrar em disputa sangrenta:

 

* INGRESSOS (número ainda a ser definido) pro showzaço do trio The Cribs, no próximo dia 29 de novembro lá no BecoSP. Tá dentro dessa? Então vai no e-mail e boa sorte!

 

Até logo menos, então, sendo que o blog deixa um beijão estalado na Michelle.

 

(enviado por Finatti às 18:30hs)

Chan Marshall não está pra brincadeira e mesmo quarentona, volta com disco fodão. O inglês XX também retorna mas com um disco meio assim… Mais: a volta de um gênio da guitarra made in Brazil, o provável fechamento da Via Funchal, a assesora parlamentar cadeluda que se deu bem e uma semana pop/rock mooooorna, em final de inverno horrivelmente quente e seco

A deusa Cat Power (acima) volta em grande forma em seu novo álbum. Já os moderninhos do XX (abaixo) fizeram um bom segundo disco, mas repetiram a fórmula do primeiro

 

Ninguém agüenta mais.
O quê? Esse final de inverno horrendo que tomou conta de Sampalândia nas últimas semanas. Calor, clima seco, falta de chuva. Nem o blog, nem seu dileto leitorado nem ninguém mais agüenta isso (até quem é fã eterno do verão sem fim). Não chove na capital paulista há mais de um mês. termômetros batendo diariamente na casa dos 27 graus. Umidade do ar em torno de 20% (quase clima de deserto). E depois ainda dizem que não há aquecimento global e que está tudo bem com o clima do nosso pobre planeta. Só quem é cego ou ganancioso ao extremo (leia-se: governantes das maiores potências econômicas do mundo, que só pensam em faturar bilhões e foda-se o meio-ambiente, foda-se a terra que será herdada pelas gerações futuras) não percebe que algo vai muito mal aqui. Mas de que adianta falar, reclamar, resmungar não é mesmo? Zap’n’roll, particularmente, que sempre amou frio glacial e detesta calor e verão, sente saudades de duas décadas atrás quando, no inverno, ainda se podia ver os relógios digitais da avenida Paulista marcando temperatura de 6 graus na madrugada. Os anos foram avançando, a poluição atmosférica foi aumentando e isso nunca mais aconteceu. Hoje, é esse pavor em pleno inverno – aliás, houve mesmo inverno em 2012? Vai daí que o autor destas linhas bloggers rockers alimenta, de verdade, o sonho secreto de se mudar um dia pra Islândia – yep, a pátria da Bjork e onde o inverno reina por oito meses durante o ano (e sendo que no verão, a temperatura máxima por lá atinge módicos 15 graus positivos). Mas enfim, enquanto o sonho não se torna realidade possível, vamos a mais uma semana e um post zapper. Uma semana meio assim, néan? Morna, onde poucas paradas realmente dignas de nota rolaram. Também não podemos vir toda semana com um super ultra mega post, como foi o último – afinal, estas linhas virtuais de cultura pop e rock alternativo estavam voltando de um recesso de quase um mês, uia! De modos que vamos lá, ver como está o novo disco da deusa Cat Power, do “muderninho” grupo inglês The XX e também dar uma geral nesse nosso velho mundo, castigado pelos homens e que um dia vai acabar sim, tostado em um enorme auto-forno do aquecimento global fora de controle.

 

* E começando com as nossas tradicionais notinhas preeliminares (ops!): este espaço virtual de cultura pop lamentou muito a morte de Tony Scott, que se matou no início da semana, aos sessenta e oito anos de idade. Tony era o irmão mais novo do grande Ridley Scott (cineasta de respeito e que dirigiu clássicos como “Blade Runner”, “Alien – o oitavo passageiro” e, mais recentemente, “Gladiador”). E, assim como ele, também dirigiu filmes (se bem que atuava mais na área de produção cinematográfica), sendo o mais célebre e cult de todos (pelo menos na opinião do blog) “Fome de viver”, que ele rodou em 1982 e que tinha no elenco ninguém menos que David Bowie e a deusa Catherine Deneuve. A dupla fazia um casal de vampiros modernos em um filme de terror gótico glamuroso, que tinha os célebres Bauhaus na cena inicial, tocando em uma jaula (!) o clássico “Ziggy Stardust” (de Bowie, quem mais?). O autor destas linhas online, então ainda um jovem jornalista mezzo goth, trintão, junky, eternamente vestido de preto da cabeça aos pés e freqüentador assíduo dos porões alternativos de Sampa, perdeu a conta de quantas vezes assistiu a fita. E hoje se recorda mais uma vez dela, enquanto deseja que Tony realmente esteja bem onde estiver. Rip, dear! Você não está mais aqui mas sua obra vai permanecer eterna, dentro da história recente do cinema.

Bowie e Catherine Deneuve: divinos em “Fome de Viver”,
filme dirigido por Tony Scott

 

* Ainda na praia da telona: você bota fé em um filme que radiografa (em tom ficcional, bem entendido) a cena rock de Los Angeles nos anos 80’ (leia-se: hard rock farofa e brega ao cubo), e que tem Tom Cruise no papel principal, o de um astro do rock? O blog, não. De qualquer forma “Rock Of Ages” estréia hoje no Brasil. A conferir, pois.

 

 

* Do cinema para a política: as condenações estão saindo em Brasília, no STF, no julgamento do Mensalão. O que se espera é que a parada continue nesse ritmo e que, finalmente, um bando de pilantras graúdos vá pra trás das grades nesse país.

 

* Por outro lado, lamentável a decisão do ministro Marco Aurélio de Mello, do STF, que acatou pedido de habeas corpus e mandou soltar um dos mandantes do assassinato da missionária americana Dorothy Stang, em 2005, no Pará. Como reza o clichê ultra popular decisão da Justiça não se discute, se cumpre. Mas é muito óbvio que certas decisões (como essa) estimulam cada vez mais a bandidagem e a impunidade que domina desde sempre o pobre Brasil, onde pelo jeito só os mais pobres e que cometem delitos é que mofam pra valer na cadeia.

 

* E da política pra música e pro rock’n’roll, enfim. A notícia bacana em uma semana meio mueeeeerta em termos de novidades, é a volta de um dos maiores gênios da guitarra brasileira. Yep, Lanny Gordin, o loki que tocou em alguns principais discos da história da Tropicália (que foi foi um movimento estético e musical rocker pra caralho, beeeeem mais do que se ouve hoje no pobrinho indie rock nacional), lança seu novo álbum em novembro, pela BarraVento Artes (do nosso querido chapa Glauber Amaral). O disco já está gravado e mixado e conta com zilhões de participações mega especiais, como a do também grande Edgard Scandurra (seguramente um dos cinco melhores guitarristas do Brasil). E assim que o blog tiver mais novidades a respeito do lançamento, elas estarão escritas aqui, pode esperar.

 

 

* Vai chegando o final do ano e a turma dos festivais independentes se agita, no? Ou nem tanto: com a falência da Abrafin e a entrada em cena da Rede Brasil de Festivais, parece que vai ficar tudo como dantes no quartel de Abrantes, uia. Esta semana a galere da cúpula da célebre “entidade” sediada em Sampa está toda reunida na Feira de Música, em Fortaleza. Há gente muito boa e decente por lá, óbvio, que trabalha sério e tal – principalmente a turma heróica que batalha e coordena os bons e honestos coletivos da região Norte brasileira. E também há os que não trabalham tão sério assim e que ao invés de fazer esforços em prol das bandas, artistas e músicos (que é quem interessa nessa parada, afinal), prefere usar a MÚSICA pra atingir objetivos POLÍTICOS e também faturar uns trocados gordos junto à Petrobrás e ao Poder Público em geral. Mas enfim, não vamos nos estender muito sobre isso aqui. O tempo se encarregará de mostrar quem é decente ou indecente na atual rede brazuca de festivais independentes.

 

 

* Desses festivais e de acordo com infos que chegaram há pouco ao blog, o Varadouro (em Rio Branco, no Acre) não será realizado este ano. Pena pois o coletivo Catraia é ponta firme e realizava um dos eventos ok do circuito.

 

 

* Já no feriadão de 7 de setembro vai rolar o Casarão, em Porto Velho (Rondônia), com a participação do trio roraimense Veludo Branco, um dos ótimos nomes do rock básico e garageiro do extremo Norte.

 Veludo Branco: o rock de Roraima vai marcar presença no festival Casarão, em Porto Velho

 

* E na semana seguinte, tem o Até o Tucupi, em Manaus. Esse Zap’n’roll vai acompanhar beeeeem de perto pois o blog quer conhecer pessoalmente a cena rocker da capital do Amazonas. Fora que estas linhas online estão perdidamente apaixonadas pelo som da Luneta Mágica, banda fodaça de lá e que acaba de lançar o – até o momento – melhor disco do indie rock BR em 2012. Em tempo: o blog irá até Manaus POR SUA CONTA, o que obviamente nos dará muito mais liberdade e independência pra cobrir o festival que, botamos fé, vai ser bem bacana.

 

 

* E, claaaaaro, não poderia faltar uma notinha putanhesca aqui, hihi. Como estas linhas rockers sacanas imaginaram, a cadeluda ex-assessora parlamentar Denise Rocha se deu bem após tem vídeo seu (onde ela fode com desenvoltura, dando sua incendiária boceta com gosto) divulgado na internet. A moçoila “casta” e “pura” será a capa da edição de setembro vindouro da revista Playboy. Por outro lado uma tal de “mulher melão” (hã???) teve seus quinze minutos de fama semana pasaada, ao mostrar seus tetões em uma praia em Miami. A vida é bela…

Ah, essas xoxotas ordinárias, rsrs. A ex-assessora
parlamentar Denise Rocha (acima, em fotos retiradas de seu vídeo, hã, “educativo”, hihi) se deu bem e vai ser a capa da próxima edição da revista Playboy; já a Mulher Melão (abaixo) apareceu assim em uma praia em Miami: tudo pelos quinze minutos de fama, uia!

 

* VIA FUNCHAL: O FIM DE UMA ERA? – o boca-a-boca anda comentando bastante o assunto há algumas semanas, já. E é realmente estranho que nenhum site ou blog especializado em música tenha publicado algo a respeito do assunto, ainda. Pois então: a Via Funchal, seguramente (na modestíssima opinião destas linhas bloggers investigativas) a melhor casa de shows musicais de grande porte em Sampa desde que foi fundada (e onde cabem até seis mil pessoas), estaria para encerrar atividades em 2012. Se acontecer de fato será um duro golpe em uma metrópole que, apesar de ser a maior cidade do país (e uma das cinco maiores do mundo) e de receber centenas de shows gringos todos os anos, possui pouquíssimos espaços de grande qualidade e que podem abrigar um grande público nesses eventos. Tudo na Via Funchal é bem estruturado: a acústica do local, o planejamento arquitetônico que permite que se veja bem o palco onde quer que a pessoa esteja (já que o espaço onde fica o público foi construído em forma mezzo circular, com a visão direcionada ao palco, além de haver degraus entre um piso e outro, o que permite que quem está na frente não atrapalhe a visão do espectador que está atrás), os bares que estão localizados dentro do espaço onde rolam as gigs etc, etc. E estas linhas online perderam a conta de quantos mega shows bacanas ela assistiu na Via Funchal, onde sempre fomos mega bem recebidos com a eterna simpatia da querida Miriam Martinez, assessora de imprensa da casa e amiga pessoal de Zap’n’roll há mais de duas décadas. REM (em show emocionante), New Order, Echo & The Bunnymen (em 1999), Duran Duran, Belle & Sebastian, Coldplay (em duas gigs ultra emocionantes, em 2003 e 2006), Stone Temple Pilots, Interpol, The Mission, Massive Attack… tudo isso e muito mais estas linhas rockers saudosistas e sentimentais presenciaram por lá. Mas o que rola, afinal? Os boatos dão conta de que a já famosa e maldita especulação imobiliária que está atacando metrópoles como Sampalândia nos dias atuais seria a causa do prossível fechamento, já que os donos do imóvel onde está localizada a casa de shows teriam recebido uma oferta milionária pra vender o espaço. O blog entrou em contato com Miroca pra tentar apurar algo a respeito, e ela com a gentileza e simpatia de sempre, foi categórica: pelo menos nas internas da Via Funchal, não se fala nada a respeito desse assunto, sendo que a programação de shows segue intensa pelo menos até o final deste ano – a última gig de 2012 listada no site oficial do local (WWW.viafunchal.com.br) é a da mega star Norah Jones, que vai se apresentar lá em 15 de dezembro. O blog, sinceramente, torce para que tudo não passe realmente de boato e que a Via Funchal ainda continue por muitos anos, sempre trazendo grandes shows para a alegria de nós, apaixonados por música e pelo rock’n’roll.

 REM (acima) e Interpol (abaixo): dois super shows
que o blog teve prazer e orgulho de assistir na Via Funchal, em Sampa

 

* Aliás, a deusa Cat Power foi outro dos grandes shows que o blog assistiu na Via Funchal. A mesma Cat Power que está de volta com um novo discaço, “Sun”. Vai lendo aí embaixo.

 

 

CHAN MARSHALL, ALIÁS CAT POWER, CONTINUA LINDA E DEUSA ROCKER EM SEU NOVO ÁLBUM
O blog sempre foi fã devotado dela, desde que tomou contato com sua música em algum dia perdido na segunda metade dos anos 90’. Naquela época a gravadora Trama começou a lançar uma série de CDs de bandas e artistas indies americanos e ingleses, no Brasil. No meio de um desses suplementos estava o disco “Moon Pix” (de 1998), composto e gravado por uma garota esquisita e cujo nome artístico era Cat Power – nome real: Charlyn “Chan” Marshall. Quando ouviu o disquinho Zap’n’roll caiu de amores pela garota, então com vinte e seis anos de idade. O mesmo amor que permanece intocado e inalterado até hoje, quando o blog ouve “Sun”, o novo disco de Chan Marshall, que tem lançamento oficial no próximo dia 31 de agosto – lançamento, óbvio, em cd. Na internet o álbum já circula feliz há algum tempo, embora pouca gente no jornalismo musical daqui tenha comentado o dito cujo com a devida atenção.

 

Cat está com quarenta anos de idade. Mas conserva a feição jovem, algo adolescente, da garota inquieta que surgiu para o mundo da música em 1995, com o disco “Dear Sir”. De lá pra cá são dezessete anos de carreira onde Chan Marshall gravou nove álbuns, todos muito diferentes entre si. E todos muito bons, diga-se. Multiinstrumentista talentosa, com a mente algo perenemente perturbada (e o blog sempre amou garotas e mulheres de mente e pensamentos estranhos e/ou insanos), vocal oscilando entre o doce e o agressivo e autora de letras que desvelam os meandros emocionais de alguém que mergulhou boa parte de sua vida em álcool, drugs e romances com desfechos não raro dolorosos, Cat Power construiu uma obra das mais consistentes e respeitadas por crítica e fãs, dentro do rock alternativo americano.

 

Ela já trafegou por ambiências country/folk, por bucolismo melódico e acústico, por rock de guitarras ásperas e até por releituras magníficas de canções alheias (no incrível “The Covers Record”, editado em 2000). Esteve algumas vezes no Brasil sendo que na última, em 2009, em gig abrasiva e iluminada na Via Funchal, em Sampa (e presenciada por estas linhas virtuais), ela já dava pistas do que estaria por vir neste “Sun”, seu primeiro trabalho de estúdio em quatro anos, e o primeiro totalmente inédito desde 2006.

“Sun”, o novo discão da deusa Cat Power: ela continua poderosa!

 

 

É um disco que causa estranhamento à primeira audição pois, mais uma vez, Cat Power NÃO se repete em seus procedimentos musicais. Ao contrário dos últimos cds (que pendiam para paisagens sonoras mais pastorais), em “Sun” a cantora e compositora se apropria de sonoridades mais pop e experimenta até em direção a esgares eletrônicos, algo bem evidente na faixa-título. Mas é claro que isso não é a tônica dominante no álbum: no primeiro single de trabalho, a bonita, densa e, vejam só, pop “Ruin” (e onde ela exercita mais uma vez todo a sua intensidade como letrista, ao afirmar no refrão: “Estamos sentados em ruínas”), há diálogos entre pianos e guitarra, ambos tocados por Cat (que também produziu o álbum). O mesmo piano que também conduz a melodia de “3,6,9”, esta com alguns dos melhores jogos vocais de todo o cd. E a cada nova audição “Sun” se torna mais prazeroso e revela novos detalhes que colocam canções como “Cherokee”, “Real Life”, “Manhattan” (mais percussão eletrônica em uma música suave e com vocais doces, serenos) e “Nothin’ But Time” (o grande e épico momento do álbum, com mais de dez minutos de duração, interpretação itensa da cantora e a participação do mestre Iggy Pop nos vocais) entre as melhores composições já criadas pela artista.

 

O mondo pop/rock anda frouxo e tenebroso, artisticamente falando. Nesse panorama de indigência criativa e qualitativa vozes como as de Cat Power ou de Fiona Apple (outra mulher perturbada emocionalmente, e que também lançou um discaço esse ano) continuam fazendo a diferença. E o trabalho delas continua mais essencial do que nunca. A prova disso é este “Sun”, que mostra que aos quarenta anos de idade miss Chan Marshall continua em plena forma. Ainda bem!

 

 

THE XX DE VOLTA NOVAMENTE HYPADO – MAS COM MAIS DO MESMO
Surgido em Londres em 2008, o quarteto (que começou como um duo, passou para trio e agora tem quatro integrantes) The XX é hoje um dos nomes mais queridinhos do indie rock britânico e planetário – tem inclsuive um grande séquito de fãs aqui mesmo, no nosso Brasilzão. Justificável: o indie/dream pop sombrio e envolvente mostrado em seu homônimo álbum de estréia (lançado em 2009), rapidamente encantou público e a rock press mais festeira. Produzindo um mix de Cocteaw Twins, ambiências oníricas e eletrônicas com guitarras limpas e sem muita distorção, tudo jogado em melodias calculadamente frias e distantes e cobertas por vocais masculinos e femininos, o XX ganhou capas na NME e badalação instantânea. E agora, três anos depois, lança seu novo disco, “Coexist”, que sai oficialmente no próximo dia 5 de setembro mas que escapuliu pela web esta semana. E estas linhas zappers sentem informar seu dileto leitorado, após algumas audições do dito cujo: é mais do mesmo.

 

Não que o álbum seja ruim, longe de ser aliás. A produção é cuidadosa, esmerada. As músicas continuam oníricas, belas, imagéticas, sombrias e reflexivas. O primeiro single, “Angels”, é quase divinal. O que há de errado, então? A repetição, a falta de coragem em avançar na fórmula que deu certo na estréia. É esse o grande mal de “Coexist”. Tudo nele remete ao primeiro disco: os embates entre o vocal masculino e feminino, as canções contemplativas que seguem em andamento melódico quase linear (ouça “Fiction”, “Try”, “Reunion”, “Missing” ou qualquer outra do cd e você perceberá o que estamos falando aqui), a gélida sonoridade eletrônica alternada com guitarras esparsas e sem distorção. Tudo ótimo, tudo lindo e tudo muito IGUAL a estréia, há três anos. Ou seja: o que era novidade lá tornou-se repetição aqui.

 O novo disco do XX: bom, mas é mais do mesmo

 

The XX pecou por não ousar e não procurar um novo direcionamento em seu segundo trabalho. Se fosse em outros tempos, isso seria a sentença de morte para a banda. Mas como estamos na era do lixo qualitativo dominando ubiquamente o rock planetário esse “Coexist”, mesmo que não tenha nenhum rasgo de brilhantismo musical, ainda vai prolongar o hype em torno do grupo por mais alguns (poucos, provavelmente) verões – ou invernos.

 

 

THE XX AÍ EMBAIXO
No vídeo de “Angels”, o primeiro single do álbum “Coexist”.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Discos: “Sun”, da Cat Power, óbvio. E também o igualmente perturbador “The Idler Wheel…”, o novo e fodaço álbum da loka e linda Fiona Apple, e cujo vídeo de “Every Single Night”, você pode conferir aí embaixo:

 

 

* Filme: ele está de volta!!! Quem? Ora, Sasha Baron Cohen, quem mais? O mais hilário e genial comediante do cinema mundial dos últimos tempos agora ressurge na pele de um tirano em “O ditador”, que chega hoje às telas brasileiras. E, vejam só, o xoxotaço Megan Fox também sai da hibernação e participa do filme. Enfim, que assistiu “Borat” e “Bruno”, sabe o que esperar do novo filme do figuraça. Diversão garantida!

 

* Baladas: a elas povo, que hoje é sexta-feira! Começando com as noitadas rocker imperdíveis lá no Astronete (que fica na rua Augusta, 335, centrão rocker de Sampa). Agora, se você quer fazer uma balada saudosista e anos 80’, a pedida é a festa “Back To The Cave”, que rola também hoje no Poison Rock Bar (lá na rua Mourato Coelho, 651, Vila Madalena, zona oeste paulistana).///Sabadão, mais conhecido como amanhã: vem que tem! Mais uma edição da festa “Pop&Wave”, no Inferno Club (também na Augusta, no 501). E também noitada com discotecagem de clássicos do punk na Outs (no 486 da Augusta).///E na semana que vem, se preparem: festona imperdível de lançamento do primeiro álbum do Coyotes California, o ótimo “Hello Fellas”. Vai ser na sexta-feira, 31 de agosto, na Outs e promete ser fodástico porque o CC, sem nenhum favor, é um dos melhores nomes da atual indie rock scene paulistana, pode confiar na palavra do blogão campeão quando o assunto é rock independente brazuca.

 

 

ROCKERS NOISE FESTIVAL – TICKETS SANGRENTOS, UIA!
E como! Se você ainda não foi lá no hfinatti@gmail.com, é melhor se apressar. A disputa está ficando realmente sangrenta porque estão em jogo:

 

* DOIS PARES DE INGRESSOS para o Rockers Noise Festival, que rola dia 31 de outubro em Sampa, no Victory (na Penha, zona leste paulistana), com showzaços imperdíveis dos ingleses The Telescopes e Gallon Drunk. Vai perder? Não, né. Então corre e boa sorte!

 

 

E THE END POR HOJE
Post mais modesto esta semana, sabemos. Também não se pode ser fodão e demolidor a cada sete dias, no? O blog se vai, deixando abraços calorosos na turma da Luneta Mágica e um super beijo pras queridas e meigas Karla Sanches e Rosimeire Antunes. Semana que vem tem mais por aqui. Até lá!

 

 

(enviado por Finatti às 17hs.)