AMPLIAÇÃO FINAL e GIGANTE! Contando como foi o festão mega de quinze anos do blog, mostrando o novo destaque da cena indie paulistana (o trio Ema Stoned) e trazendo uma MUSA ROCKER verdadeiramente ESPETACULAR para celebrar nossa década e meia de existência, wow! – Mesmo em um momento politicamente e democraticamente terrível e crucial para todo o Brasil, o blog zapper tenta se manter em festa e escapar ao menos um pouco desses dias angustiantes: nesse post especial celebramos nossos QUINZE ANOS DE EXISTËNCIA online, damos todas as infos do festão que vai BEBEMORAR e ROCKAR a data amanhã (sexta-feira) em Sampa, no Sesc Belenzinho, e ainda adiantamos que, sim, este espaço virtual se despede em DEFINITO de seu dileto leitorado ainda este ano (afinal, é melhor fechar a tampa no auge do que na decadência, como vemos por aí na “concorrência”, hihi); mais: em um tempo em que o rock e a cultura pop estão inapelavelmente no fundo do poço e no final de sua história, a grande Cat Power ainda se mantém total relevante com um belíssimo novo trabalho inédito de estúdio; e ainda nossas observações e opiniões sobre o segundo turno das eleições deste ano, uma musa rocker absolutamente de li ci ous (e que causa furor no circuito do baixo Augusta/SP) e muuuuuitooooo mais aqui, onde JAMAIS haverá espaço para a caretice, a intolerância, o preconceito e o FASCISMO comportamental, cultural, social e intelectual (postão MEGA totalmente ampliado e FINALIZADO em 26-10-2018)

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A cultura pop e o rock alternativo estão em seus estertores mas ainda resistem como podem, e nos oferecem ainda grandes discos, como o novo álbum da folk singer americana lindona que é Cat Power (acima), muito bem resenhado nesta edição comemorativa de quinze anos do blog zapper; uma data que inclusive será mega bem comemorada na noite desta sexta-feira em Sampa, com showzaços das bandas Saco De Ratos e The Dead Rocks (abaixo)

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MICROFONIA EXTRA E ESPECIAL – AS DUAS FACES DESTA ELEIÇÃO E DE QUAL LADO CADA UM ESTÁ

Analisando por alto a situação e sem uma pesquisa mais aprofundada nesse momento (pois teríamos que ter tempo para fazer isso, embora esse detalhe não inviabilize a realidade do que vamos elencar aí embaixo), podemos chegar a algumas conclusões. Começando por QUEM ESTÁ DO LADO DA VERDADE, DA DEMOCRACIA, da liberdade de expressão, do humanismo, do respeito, da tolerância com quem pensa diferente, e que é contra fascismo e nazismo político, ditadura e cerceamento de pensamento, machismo, homofobia, racismo, misoginia e mentira na política e nessas eleições:

 

– lideranças políticas que merecem nosso respeito pela sua trajetória, cultura, inteligência, equilíbrio, propostas de governança e RESPEITO à liberdade e democracia (Fernando Haddad, Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Eduardo Suplicy, Luiza Erundina, José Luiz Penna etc.)

 

– artistas gigantes e de mega PESO da música brasileira e internacional (Roger Waters, Nick Cave, Madonna, os dois ex-guitarristas e fundadores do gigante indie Sonic Youth, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Daniella Mercury, Mano Brown, o guitarrista do Ira!, Egard Scandurra e o ex-baterista do grupo, André Jung), das artes dramáticas (Fernanda Montenegro, Wagner Moura, Thaís Araújo), da poesia (o escritor Ademir Assunção), medicina (dr. Dráuzio Varella) etc.

 

– imprensa mundial que importa (jornais como o inglês The Guardian, o espanhol El País, o francês Le Mond e o americano The New York Times).

 

– e uma renca de pensadores, escritores, poetas, cientistas políticos e sociólogos daqui e de fora, todos reconhecidos pelo seu trabalho intelectual e pela sua obra e que sabem o tamanho do RETROCESSO institucional, social, político, econômico e comportamental que irá se abater sobre o Brasil caso o MONSTRO NAZISTA ganhe a eleição.

 

Agora, quem está do lado totalmente NEGRO e reacionário, calhorda, imundo, podre e BANDIDO da eleição, APOIANDO o candidato NAZI FASCISTA:

 

– toda a pior TORPEZA da política nacional atual (DEM, psdbosta, parte do mdbosta, João Escória Dólar, senador Magno Malta, o centrão político etc, etc, etc.).

 

– igrejas evangélicas corruptas, reacionárias ao extremo, ignorantes e boçais no pensamento medieval que impõem aos seus seguidores, fundamentalistas e com os líderes evanJEGUES mais BANDIDOS que se tem notícia e que ROUBAM na cara larga seus milhões de seguidores (Edyr Macedo, Silas Malafaia, Waldemiro Santiago etc.).

 

– PATRÕES que estão loucos para dar CAMBAU no décimo terceiro salário e nas férias dos seus pobres funcionários.

 

– os 1% SUPER ricos do país, que querem continuar NÃO PAGANDO impostos, deixando os mesmos no LOMBO dos outros 99% pobres da população.

 

– “luminares” da cultura nacional como o ator PORNÔ (e cotado para ser futuro Ministro da Cultura, ahahahaha) Alexandre Frota, a gagá Regina Duarte e os “roqueiros” falidos e decadentes de direita, Lobão e Roger Moreira.

 

– agremiações políticas completamente CAFAJESTES, cretinas, mentirosas, manipuladoras, espalhadoras de fake News aos milhões e ordinárias como o MBLixo.

 

– e claro, os “cidadãos de bem” (uia!), aqueles extremamente trogloditas, ogros em estado bruto, bestiais e selvagens ao máximo. Os que perderam a vergonha (e que saíram finalmente do armário) de serem machistas, racistas, homofóbicos e misóginos, e que não têm pudor algum em mostrar que odeiam pretos, pobres e que acham que homem tem que MANDAR na mulher, e esta OBEDECER caludinha (se não, leva PORRADA!). Pior é encontrar no meio dessa malta gigante de eleitores boÇALnaros e bolsOTÁRIOS, negros que irão votar no nazi (sim, há negros que odeiam sua própria cor de pele), pobres que também irão votar nele (porque acham que irão ascender socialmente e financeiramente caso o monstro vença o pleito) e MULHERES (inacreditável, mas elas também existem como eleitoras do nazi) que acham isso mesmo: que a sociedade tem que continuar sendo eternamente e grosseiramente PATRIARCAL, machista, e que mulher tem mais é que ser bela, pudica, recatada, do lar e que tem apenas que servir como reprodutora humana e servir aos instintos SEXUAIS de seu macho, amo, senhor e provedor (com ela inclusive não tendo direito ao seu GOZO carnal).

 

É isso. Faça sua escolha. O blog já fez a sua. E vote consciente no próximo dia 28 de outubro, domingo.

 

#EleNÃO

 

#EleNUNCA

 

#EleJAMAIS

 

***Mas a BOMBA de ontem, quinta-feira, foi a manchete de capa da FolhaSP. E aí, STE, MP, PF e STF, vão se ACOVARDAR ou irão fazer o que precisa ser feito, ou seja, CASSAR a chapa do candidato nazifascista. Hein?

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***E de fato o país está em chamas a oito dias do segundo turno eleitoral. E nós também estamos tensos ao máximo, acompanhando tudo como todos estão. Mas agora vamos direto para os tópicos deste postão zapper, o que celebra quinze anos de nossa eternamente rocker existência. E ao longo da próxima semana (quando este post será ampliado, atualizado e finalizado), iremos colocar mais notas aqui na Microfonia, pode ficar sussa! Bora celebrar a década e meia de Zapnroll!

 

 

ZAPNROLL ANO QUINZE! A PROVÁVEL DERRADEIRA FESTONA QUE VAI MARCAR A DÉCADA E MEIA DE UM DOS PRINCIPAIS ESPAÇOS VIRTUAIS DA BLOGOSFERA BR DE ROCK ALTERNATIVO E CULTURA POP – E QUE DEVERÁ SE DESPEDIR DEFINITIVAMENTE DE SEUS LEITORES AINDA ESTE ANO

Não é todo dia (ainda mais nos tempos atuais, onde o rock praticamente morreu e a cultura pop está mais irrelevante do que nunca) que um blog dedicado à cultura pop e ao rock alternativo permanece no ar por uma década e meia. Pois a Zapnroll, que está na blogosfera BR desde 2003, com muito orgulho, conseguiu essa façanha. E se mantém firme e forte até hoje, com cerca de 70 mil acessos mensais. Este espaço rocker virtual começou como uma coluna semanal na verdade, no primeiro semestre de 2003, no finado portal Dynamite online. E antes ainda, foi uma coluna IMPRESSA e publicada na saudosa revista Dynamite, onde durou de 1993 a 1995 (há vinte e cinco anos!). Assim são praticamente duas décadas e meia acompanhando de muito perto tudo o que de importante aconteceu no rock alternativo e na cultura pop, no mundo todo e no Brasil também.

De modos que a bebemoração teria que ser (e vai ser) à altura da data. Fomos atrás do Sesc SP, conversamos com eles e conseguimos a espetacular comedoria da unidade Belenzinho (no bairro do Belém, zona leste da capital paulista) para celebrar nosso aniversário de quinze aninhos. Assim o festão rocker acontece lá nessa sexta-feira, 19 de outubro, a partir das 9 e meia da noite. Vai ter showzaços do Saco De Ratos (a banda de blues rock liderada pelo vocalista e escritor Mario Bortolotto) e do incrível The Dead Rocks (a melhor surf music instrumental da cena indie nacional). Também irão rolar vídeo projeções do expert vj Fabio Vietnica e estande da editora Kazuá onde você poderá comprar o nosso livro, “Escadaria para o inferno”.

E já na madruga ainda vai ter after party no sempre infernal open bar do Clube Outs (lá no 486 da rua Augusta), onde o blog fará dj set a partir da uma da manhã.

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Vai perder? Não, né! Então nos vemos lá amanhã. Afinal esta poderá (e deverá) ser a DERRADEIRA festa de aniversário de um blog e site de cultura pop que se mantém relevante há uma década e meia, mas que também tem consciência plena de que NADA é ETERNO neste mundo, sendo que um dia estas linhas zappers irão chegar ao seu fim (talvez já em dezembro próximo). Mas o Rock sim, este deverá se manter para sempre contra a opressão, o fascismo e pela liberdade individual dos cidadãos, da democracia e da alegria de viver livre e liberto.

 

***tudo sobre a festona desta sexta-feira pelos quinze anos do blogão zapper, você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/460162691145863/.

 

***e os INGRESSOS (preço merreca, o mais caro sai por apenas vinte pilas!) para o showzão podem ser comprados aqui: https://www.sescsp.org.br/programacao/168893_DEAD+ROCKS+E+SACO+DE+RATOS#/content=saiba-mais.

 

 

APÓS SEIS ANOS LONGE DOS ESTÚDIOS CAT POWER VOLTA AO DISCO, COM O BELÍSSIMO E TRISTE “WANDERER”

Uma perene melancolia sempre moveu a musicalidade folk de Cat Power. Foi sempre assim, desde que a americana batizada com o nome de Chan Marshall soltou a voz em seu primeiro compêndio de canções registradas oficialmente em disco, há mais de vinte anos. E assim ela permanece até hoje: reflexiva, tristonha, tecendo ambiências sonoras e melodias suaves que perscrutam caminhos solitários e desvelam um mundo sempre em desalento quase pleno. É o que sentimos no coração e nos ouvidos quando nos deparamos com a inebriante beleza das canções que integram “Wanderer”, décimo álbum de estúdio de Cat, e lançado oficialmente no começo deste mês. São onze músicas e pouco mais de trinta e sete minutos de duração onde a cantora, letrista, compositora e instrumentista continua deambulando fielmente pelos matizes sônicos que sempre nortearam seu trabalho musical. Continua não havendo alegria no mundo sombrio da desajustada e linda Chan. E isso é ótimo pois se traduz nas melhores pinturas sonoras que podemos escutar, em um tempo em que a música pop perdeu quase que totalmente sua relevância.

Lá se vão vinte e três anos desde que Cat Power estreou em disco, com “Dear Sir”, lançado em 1995. E já em sua estreia a cantora, então com apenas vinte e três anos de idade, mostrava a força introspectiva de seu cancioneiro de acepções melódicas folks e com forte acento melancólico nas letras e nas ambiências sonoras. Características que permearam desde então e desde sempre sua obra, acompanhando-a pelos nove discos seguintes (a maioria deles lançados pelo selo Matador, que ela abandonou depois de duas décadas, editando o novo trabalho pela Domino Records). Cat sempre deteve um olhar reflexivo e tristonho sobre o mundo que a cercava e ainda a cerca. Além disso sempre foi uma outsider e emocionalmente algo desajustada e inadequada existencialmente, colecionando problemas de saúde por conta de seu alcoolismo (hoje em dia em parte superado). Esse desajuste, no entanto, não a impediu de se tornar uma das vozes femininas mais respeitadas, relevantes e importantes do folk rock americano dos anos 2000. E de 1998 para cá a cantora lançou pelo menos três discos sublimes: “Moon Pix” (em 1998), “You Are Free” (em 2003) e “The Greatest” (lançado em 2006), que ganharam o respeito inequívoco da imprensa e também ajudaram outras artistas do novo milênio a moldar sua musicalidade. Não é exagero dizer que nomes como a deusa Lana Del Rey (que participa inclusive do novo álbum de Power, fazendo dueto com ela na belíssima “Woman”, o primeiro single de trabalho do disco) e a também cantora folk Sharon Van Etten (em bastante evidência já há algum tempo) se inspiraram em parte da construção de sua obra musical nos devaneios bucólicos e tristonhos de Chan.

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Após seis anos longe dos estúdios Cat Power volta com disco lindíssimo e tristonho

Após aventurar-se por paisagens eletrônicas em seu último registro de estúdio (no também muito bom “Sun”, lançado já há longos seis anos), Cat Power recolheu-se para voltar a trilhar os caminhos do folk introspectivo e quase pastoral. Nesse processo de recolhimento ela teve um filho (há três anos) e burilou novas e sublimes canções, que finalmente ganharam vida e corpo no início deste mês. Assim “Wanderer” exibe onze preciosidades onde não cabem arroubos sonoros, tampouco explosões de inquietude ou alegria fútil e sem sentido. Marshall continua observando o mundo como sempre fez: através de um olhar tristonho, que filtra o que vê e transforma essa visão em construções musicais muito delicadas e precisas, geralmente arquitetadas com arpejos de guitarras que se intercalam com pianos dolentes. Por cima de tudo flutua o vocal contido (às vezes quase sussurrado) da cantora. E o resultado é inebriante para se ouvir em uma madrugada solitária, com o barulho da chuva caindo ao longe. Não há como escapar da beleza e não se impactar com a delicadeza, quase fragilidade de canções como “In Your Face”, “Horizon”, “Stay” ou “Black”. Muito menos não se emocionar e quase se entristecer como retratos precisos como “Nothing Really Matters” ou “Me Voy”, onde Chan Marshall parece querer reafirmar mais uma vez (e já foram tantas vezes…) que não pertence a este mundo, que sua vida é eternamente errante e que ela jamais encontrou um verdadeiro motivo que pudesse arrancar um sorriso de seu belíssimo rosto.

Já pode ser considerado um dos grandes LPs deste 2018 tão trágico (ao menos para nosso colapsado e triste Brasil) e que está caminhando para mais um final sem nenhum motivo para esgares de felicidade. Aos quarenta e seis anos de idade Cat Power ainda seduz, acalenta e acolhe nossos corações e nossos ouvidos com carinho, ternura, beleza poética imensa e grandes canções. Não é pouco, aliás é uma imensidão de qualidade e deslumbre em um mundo onde até a música pop parece ter perdido totalmente o rumo e sua razão de existir. Grato por mais esse discaço, Chan. Ao menos agora temos mais uma ótima trilha sonora para nos confortar em nosso isolamento existencial e infortúnio emocional.

 

***A cantora começou há pouco nos EUA a turnê de divulgação do seu novo álbum. Quem sabe ela não aparece novamente no Brasil (onde tocou por algumas vezes, sendo que Zapnroll assistiu a uma gig inesquecível dela lá por 2009, na finada casa de shows Via Funchal).

 

***Mais sobre Cat Power e seu novo trabalho, vai aqui: https://www.catpowermusic.com/.

 

O TRACK LIST DE “WANDERER”

1.”Wanderer”

2.”In Your Face”

3.”You Get”

4.”Woman” (featuring Lana Del Rey)

5.”Horizon”

6.”Stay”

7.”Black”

8.”Robbin Hood”

9.”Nothing Really Matters”

10.”Me Voy”

11.”Wanderer/Exit”

 

E O DISCO AÍ EMBAIXO PARA AUDIÇÃO COMPLETA, ALÉM DO VÍDEO DO PRIMEIRO SINGLE DELE, PARA A MÚSICA “WOMAN”

 

 

LACROU! O JÁ QUASE VELHO MAS AINDA ÓTIMO (NO PALCO, PELO MENOS) FRANZ FERDINAND ARRASOU NA SUA GIG EM SAMPA – COM DIREITO ATÉ A CORO DE “ELE NÃO!” NO FINAL

Yep. Foi uma semana rocknroll beeeeem agitada na capital paulista. Ainda que o país esteja em chamas e ameaçado de eleger (graças a milhões de eleitores boÇALnaros selvagens, conservadores, imbecis e bestiais em nível extremo) um nazi fascista como presidente, ao menos o rock rolou farto na cidade. Teve Roger Waters, teve Peter Hook e Nick Cave. Tudo, vale repetir, em apenas UMA semana. E também teve Franz Ferdinand na sextona do feriado religioso nacional. E nesse o blog marcou presença. Foi a sétima vez que os escoceses liderados pelo vocalista, letrista e guitarrista Alex Kapranos baixaram no Brasil. Em Sampalândia a gig rolou na Tom Brasil (espaço ótimo como sempre, acústica muito boa, iluminação idem mas localização terrível pois é looooonge pra caralho, no cu da zona sul de São Paulo e ali só dá pra chegar mesmo de carro). E o local lotou em pleno feriado. Sendo que o show foi IN SA NO.

O FF pode já não ser mais em estúdio o grupo fodástico do primeiro e primoroso álbum, homônimo e lançado em 2004 (depois vieram mais quatro discos e a banda nunca mais acertou a mão em cheio como na sua estreia, sendo que “Always Ascending”, o mais recente e lançado no início deste ano, talvez seja o melhor trabalho de estúdio deles desde o primeiro cd). Mas ao vivo demonstrou que continua no gás total, com pique monstro e infalível em suas acepções de indie rock dançante com eflúvios claros do glam glitter rock de David Bowie, Marc Bolan e Roxy Music, além de algumas pitadas de Talking Heads. Fora que Kapranos, aos 46 anos de idade, continua um dínamo no palco, como se fosse um adolescente em início de trajetória musical.

Não deu outra: com um repertório bem equilibrado mas que privilegiou menos o novo disco e muito mais (claro!) o primeiro álbum, o FF deitou e rolou na Tom Brasil, levando as cerca de 4 mil pessoas que lotaram o local literalmente à loucura. E este velho mas ainda loker jornalista rocker, do alto dos seus quase 5.6 de vida, pulou como uma criança em boa parte da apresentação. Perdemos a vergonha e REBOLAMOS como uma BICHAÇA LOKA em “Lazy Boy” e “No You Girls” e só faltou nos jogarmos no chão quando eles dispararam “Michael”, aquele proto punk que em menos de 3 minutos conta a história do sujeito que vai com sua namorida a uma dance floor, lá conhece o Michael (“tão bonito, tão sexy…”) e se APAIXONA pelo dito cujo, hihi. Inclusive comentamos isso com dois amigos queridões (Dirlei e Renata), que estavam conosco assistindo a apresentação: o FF é uma banda com uma estética sonora bastante dançante, atrevida, subversiva e GAY, no final das contas (não à toa, haviam muitas bibas elegantérrimas, montadas, assanhadas e completamente desinibidas na plateia), o que é ótimo e se traduziu num ambiente que respirava liberdade musical, comportamental e de expressão. Tudo o que iremos perder daqui a duas semanas, caso o monstro nazi de extrema direita ganhar o pleito presidencial.

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De volta ao Brasil pela sétima vez, o escocês Franz Ferdinand arrasou em sua gig paulistana (acima), na semana passada, show que foi acompanhado por Zapnroll e amigos (abaixo)

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E o final foi lindaço e apoteótico como sempre em se tratando de FF: no bis tocaram, óbvio, “Take Me Out”, “Jaqueline” (que estas linhas online amam e que abre o primeiro disco do conjunto) e “This Fire”, em versão extra longa e que terminou de loucurar o povo já exausto àquela altura, de tanto dançar e berrar. O blog arrisca a dizer que talvez tenha sido o MELHOR show que presenciou do grupo até hoje (e olha que foi a quarta vez que os vimos ao vivo).

E teve a cereja no bolo: em um ambiente que parecia (e pelo jeito apenas parecia, mesmo e felizmente) dominado por coxinhas eleitores do nazista (afinal o ingresso mais barato custava 240 pilas), no intervalo da apresentação e antes do grupo voltar ao palco para o bis, começou um ENSURDECEDOR coro de “Ele NÃO!”, que dominou todo o ambiente da Tom Brasil. Foi lindo ouvir aquilo, de verdade!

 

 

UMA LINDA TARDE DE SÁBADO COM MILHARES GRITANDO E CANTANDO #ELENÃO – 150 MIL EM SP – 200 MIL NO RIO DE JANEIRO!!!

Faz tempo já que o autor deste espaço rock e político virtual vive em desalento por ter nascido e morar no Brasil. Sentimos um misto de vergonha e indignação (afinal aqui é o país em que coxas imbecis e eleitores bolsOTÁRIOS querem ensinar para os alemães o que foi o nazismo, ou que chamam Madonna de Merdonna e “beneficiária da lei Rouanet” porque ela aderiu ao #EleNão, ahahahaha), ainda mais agora que, perto do segundo turno das eleições presidenciais deste ano, nos damos conta de como grande parte da sociedade e do povo brasileiro se tornou SELVAGEM e BOÇAL ao máximo. Por isso o NAZISTA está aí, e vai receber milhões de votos também no segundo turno.

Mas NÃO VAI GANHAR a eleição. Porque há algumas semnas sentimos, depois de muito tempo, certo orgulho e MUITA SATISFAÇÃO de ser brasileiro. Estávamos todos lá no Largo Da Batata, em Pinheiros (zona oeste de Sampa). O blog, amigos queridíssimos e mais umas 150 MIL PESSOAS (no Rio foram 200 mil na Cinelândia). Um OCEANO de gente cantando, batucando, gritando #EleNÃO para todos ouvirem alto, muito alto. Lá pelas tantas, comentamos com um amigo, que estava conosco: “incrível o que está acontecendo aqui. Meus olhos estão marejados de tanta emoção por ver tanto carinho, afeto, tanta solidariedade humana, tanto RESPEITO e TOLERÂNCIA, tanta ARTE e CULTURA se manifestando, tantos cânticos diferentes, tantas cores e pessoas diferentes. Mas todas UNIDAS pelo mesmo sentimento de LIBERDADE e de RESPEITO ao ser humano”. Tudo o que NÃO EXISTE no outro lado, no pensamento fútil, vazio, preconceituoso, boçal, selvagem e MEDIEVAL dos eleitores que se espelham no seu “mito” nazi fascista.

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Imagem mais linda: na praça do bairro de Pinheiros, na capital paulista, 150 mil pessoas cantam e gritam “EleNÃO!”

Zapnroll ficou contente, muito, naquela tarde em Pinheiros. E mais do que nunca teve a certeza de que ele NÃO VAI GANHAR o que quer. Vamos barrá-lo, com a força das MULHERES, dos NORDESTINOS e do povo brasileiro que ainda pensa com a razão e não com o fígado.

Vote com a razão dia 28 agora. Apenas isso. O futuro de todos nós está em jogo, como nunca esteve nas últimas décadas.

 

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ZAPNROLL ANO 15 – A FESTANÇA ROCKER ARRASOU NA COMEDORIA DO SESC BELENZINHO!

As celebrações e “bebemorações” total rockers dos 15 anos do site e blog de cultura pop e rock alternativo Zapnroll não poderiam ter sido melhores. Um ótimo público compareceu à incrível comedoria do sensacional Sesc Belenzinho (em Sampa), para curtir os showzaços das bandas Saco De Ratos e The Dead Rocks.

E depois a esbórnia seguiu madrugada adentro, com a dj set de Finaski no sempre infernal open bar do Clube Outs, último bastião rock alternativo noturno do baixo AugustaSP. Quem foi, amou e deve estar morto até agora. Quem não foi perdeu. E perdeu MESMO: Zapnroll se despede e encerra com orgulho e no auge sua trajetória na blogosfera BR em dezembro próximo, após uma década e meia de ótimos e relevantes serviços prestados ao jornalismo cultural online brasileiro. E agradece imensamente a todos que nos acompanharam através do blog nesses 15 anos. Valeu galera, de coração!

Abaixo uma seleção em imagens dos melhores momentos da festa rocker arrasa quarteirão que invadiu o Sesc, e depois ainda se prolongou pela madrugada no clube OutsSP. As fotos são das gatíssimas Renata Porto e Gisélia Silva.

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Saco De Ratos, a banda liderada por Mario Bortolotto: blues rock de bebuns fodões

 

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The Dead Rocks: incendiou o povo com sua surf music instrumental fodona

 

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O blogger rocker e suas amigas gatas! (Samara, Renata, Flávia e Gisélia)

 

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Dupla de novos amigos queridos, ambos total do rock, claro: Sandro Saraiva (Sesc Belenzinho) e Zapnroll, bebemorando o sucesso do evento

 

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“Mestre de cerimônias” (rsrs) falando rapidamente sobre os quinze anos de Zapnroll

 

ENGENDRANDO PSICODELIA INSTRUMENTAL FODONA, EMA STONED SE DESTACA NA NOVA CENA ROCK ALTERNATIVA PAULISTANA

Em tempos onde o rock está praticamente morto tanto lá fora quanto aqui também, três garotas paulistanas não apenas insistem em manter sua fé no gênero musical que já foi um dos mais importantes de toda a história da música mundial (e que também mobilizou milhões de seguidores por mais de cinco décadas). Elas insistem em uma subversão e ousadia ainda mais radical, até mesmo para os padrões da cena rock alternativa da capital paulista: desde novembro de 2011 o trio feminino Ema Stoned investe em uma sonoridade apenas instrumental (sem vocais) e com forte acento psicodélico. Pode parecer loucura mas está dando certo, e já rendendo seus dividendos artísticos e de público também: a trinca tem tocado com regularidade nos espaços possíveis (que também são bem poucos atualmente) e começa a chamar a atenção de um público que vem crescendo aos poucos.

A banda começou como um quarteto. E decidiu se manter como trio e compondo material apenas instrumental depois que a quarta integrante, a guitarrista e vocalista Sabine Holler, se mudou para a Alemanha. Ficaram Alessandra Duarte (guitarras), Elke Lamers (baixo) e Jéssica Fulganio (bateria). E mesmo lutando com muitas dificuldades elas permanecem juntas até agora, sete anos após a fundação do grupo. Zapnroll as viu ao vivo há algumas semanas em São Paulo, na comedoria do Sesc Belenzinho, onde abriram para o também trio (e nome já clássico e lendário do rock BR dos anos 80) Violeta De Outono. O blog ficou realmente impressionado com a potência sonora do conjunto, e com suas ambiências psicodélicas construídas em longas e envolventes passagens instrumentais. Desta forma, não poderíamos deixar de destacar o trabalho do trio neste espaço rocker online. Para tanto fomos conversar com as três instrumentistas para saber um pouco mais sobre a trajetória delas até o momento, além de saber como é lidar com uma banda de rock psicodélico e instrumental nos dias que correm.

Os principais trechos deste bate papo você confere aí embaixo.

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O trio psicodélico instrumental paulistano Ema Stoned: um dos destaques da novíssima cena alternativa paulistana e nacional

 

Zapnroll – A banda já tem um tempo razoável de existência mas ainda longe de ser conhecida do grande público. Então para quem ainda não conhece o Ema Stoned, dê um resumo da trajetória do grupo até aqui, como e quando ele foi criado etc.

 

Jéssica Fulganio – Ema Stoned começou oficialmente em Novembro de 2011 no formato de quarteto que durou até 2013 quando saiu nosso primeiro EP Gema. De lá pra cá lançamos um EP ao vivo, Live from Aurora (2016) e o single Proxima b (2017), que saiu pela coletânea da Levis no projeto Original’s Studio. Estamos passando com a “Around Galaxies Tour” em festivais pelo país e nosso primeiro álbum full sai em 2019.

 

Elke – Acho que a Jéssica resumiu tudo.

 

Zapnroll – Em um momento onde não há muito espaço na mídia e interesse do público pelo rock, o Ema Stoned começa a chamar a atenção fazendo um trabalho musical nada convencional, investindo em canções apenas instrumentais e com forte acento psicodélico. Como se deu a opção por esse estilo (instrumental e psicodélico) e o que vocês acham que podem alcançar com esse trabalho.

 

Jéssica – Com a ida da guitarrista/vocalista Sabine para Alemanha decidimos seguir como trio já que boa parte do repertório era instrumental. Foi o caminho natural. Passamos um período redescobrindo nossas músicas, tocando com outras pessoas e maturando novas ideias. Nossa sonoridade não foi desenhada a partir de um estilo ou formato pré-estabelecido, mas sim por meio do mix das nossas individualidades e referências.

 

Elke – Não foi uma escolha, o som surgiu naturalmente quando começamos a nos reunir, mesmo antes de trocarmos referências. As músicas já eram em maior parte instrumentais, e com a partida da Sabine aí sim foi uma opção, continuamos com as composições em trio.

 

Alessandra Duarte – Acho que conseguimos alcançar os públicos mais diversos com esse tipo de trabalho. Acredito que a música instrumental pode criar um canal de acesso para uma conexão consigo mesma/o, atravessando as pessoas de formas diferentes, onde cada uma/um pode criar e acessar a sua própria história dentro de si.

 

Zapnroll – Quais artistas do rock nacional e mundial vocês podem citar como influência direta no trabalho que vocês desenvolvem.

 

Jéssica – Morphine, Acid Mothers Temple, Velvet Underground, Meat Puppets.

 

Elke – Mutantes, Pink Floyd, Sonic Youth.

 

Alessandra – Ash Ra Tempel, Blonde Redhead, Can, Radiohead.

 

 

Zapnroll – A banda já é conhecida fora do Brasil? Há planos para se fazer algo em torno de construir uma carreira no exterior?

 

Jéssica – O Gema no seu lançamento teve uma resposta muito bacana em países da Europa e Ásia. Alcançamos também EUA, Austrália e Argentina. Há tempos recebemos convites para tocar fora mas ainda não conseguimos alinhar uma mini tour sustentável.

 

Zapnroll – O que você gosta e não gosta na atual cena do rock independente nacional.

 

Alessandra – Acho que tá surgindo uma nova onda de experimentalismo no rock que sai do formato de canção, mistura noise, drone, barulhos não identificados, com uma pegada ritualística que tem me interessado bastante. Também tem surgido umas bandas de mulheres que estão dando uma nova cara pro rock. Não gosto quando o rock é muito pop ou previsível, muito menos quando o negócio fica muito mental, tipo martelada de notas na cabeça que para mim acaba virando um exibicionismo sem sentido.

 

 

Zapnroll – Novamente, é visível que o rock atravessa um momento de baixa, não apenas aqui mas no mundo todo. O público parece mais interessado em gêneros musicais mais acessíveis e de fácil digestão, como música pop e eletrônica (lá fora), e sertanejo e funk (por aqui). Como furar esse bloqueio e voltar a fazer com que as pessoas se interessem pelo bom e velho rocknroll?

 

Elke – O rock teve seus momentos de glória, de novidade, talvez pra voltar à tona novamente tivesse que se reinventar, ele já anda por aí disfarçado de pop, dissolvido em outros estilos. Não sei se é um bloqueio que queremos furar, coexistimos em proporções muito diferentes, são universos paralelos…

 

Alessandra – Eu tendo a pensar que, como a reconstrução do mundo, o futuro do rock é feminino.  Acho que já cansamos um pouco dessa energia masculina que sempre predominou o mundo do rock e está na hora de escutarmos e sentirmos mais atentamente o que a experiência de ser mulher no mundo pode nos dizer e trazer através da música.

 

Zapnroll – Planos futuros da banda?

 

Elke – Lançar um álbum em 2019.

 

Alessandra – Por enquanto estamos focadas no #EleNão antes de qualquer outra coisa.

 

***Mais sobre o Ema Stoned, vai aqui: https://www.facebook.com/EmaStoned/. E aqui também: https://www.emastoned.com/?fbclid=IwAR2Ndb9nW56kxLIAD8-jviVzI9SU3jetkgXHo8hZYneOpGZ3psvJI5t2CXE.

 

 

UM EXGERO DE TESÃO E GOSTOSURA NO POST DE 15 ANOS DO BLOG ZAPPER: UMA MUSA ROCKER PRA ENLOUQUECER NOSSO LEITORADO MACHO (CADO), ULALÁ!

Ela é linda, doce, meiga, total do rock e costuma enlouquecer o povo que frequenta baladas alternativas do baixo Augusta (em Sampa), onde volta e meia atua como hostess (e que hostess, wow!) de bares como o do Netão (onde estará nessa noitona de sextona pré eleição do segundo turno) e o Clube Outs. E como estas linhas online sempre a admirou e sempre teve enorme carinho e simpatia por ela (além de uma amizade bem bacana), não poderíamos deixar de convidar a garota para fazer um ensaio pra lá de sensual nesse espaço virtual.

Assim, podem se deleitar avonts. Com vocês a lindaça, mega sensual e incrível Nay In, a nossa musa dos quinze anos de Zapnroll. Apreciem sem moderação alguma!

 

(fotos: Otavio Macedo – @visionsp.br)

 

MUSA NAY IN

Nome: Nayanny Ito Nogueira.

Idade: 25 anos.

Nasceu em: São Paulo.

Mora em: São Paulo, capital.

Com quem: tios e avó.

No que trabalha e estuda: Hostess e DJ, formada em audiovisual.

Três discos: “Living in Darkness” (Agent Orange), “Wasted Again” (Black Flag) e “Houdini” (Melvins).

Três artistas ou bandas: Adolescents, Dinosaur Jr, e Stone Temple Pilots.

Três filmes: “Kids”, “Taxi Driver” e “Clube da Luta” (um quarto filme pode ser “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”).

Três diretores de cinema:

Tarantino, Tim Burton e Alfred Hitchcock.

Um livro: “Veronika decide morrer”.

Um escritor: Paulo Coelho.

Um show inesquecível: Dinosaur Jr no Cine Joia.

Sobre

Sexo: é algo que precisa fluir naturalmente, atração não tem uma regra pré estabelecida, mas acho que nosso gosto muda muito de acordo com a nossa frequência de vida.

Drogas: experimentei algumas na adolescência, foi importante pra compreender/saber como lidar com as pessoas, mas não tenho nenhum vício.

E rocknroll, claro: foi o que começou a mover minha vida, a sensação causada pela música faz você se conhecer, se descobrir, se libertar, aprender a sentir, mesmo quando não tem uma letra tão óbvia, a atitude rock’n roll faz você questionar as coisas “será que está tudo certo e eu só preciso seguir… ou eu quero meu espaço porque não concordo com isso?”.

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Com quantos desejos construo meu amor por você…

 

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Um dia conto meus segredos mais secretos a alguém especial…

 

 

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Não basta ser bonita, tem que ser do rock!

 

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Vermelho básico escondendo um corpo em chamas

 

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Linda, rocker, tatuada e mortalmente sedutora!

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

Disco: o novo e lindão da Cat Power, óbvio.

Livros: estas linhas online estão devendo algumas resenhas literárias de ótimos lançamentos independentes que chegaram até nossas mãos nas últimas semanas. E assim que passar a loucura destas eleições presidenciais sinistras ao cubo, iremos falar detalhadamente aqui de “Fogo, fatos e frangos” (da sereia loka e gatíssima Flávia Dias, que inclusive já foi também musa rocker do blog), “Macumba rock” (do jornalista e brother Jesse Navarro) e de “De analgésicos e opióides”, da escritora e poeta (e querida amiga zapper) Tatiana Pereira. Todos bacaníssimos e que mantém a chama literária alternativa vibrando em um país onde a cultura está cada vez menos prestigiada e onde as pessoas leem cada vez menos. Assim, podem aguardar nos próximos posts mais infos sobre estes livros, promessa de blogger fináttico fanático por livros.

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A sereia loka e linda Flavinha Dias, e seu primeiro livro, lançamento da Bar Editora

 

Show indie: na correria total (já é noitão de sexta feira) o blog está indo pro baixo Augusta, para prestigiar a gig do Cenário Liquído, nova empreitada musical do guitarrista, cantor, compositor, poeta, letrista e professor Edner Morelli, velho chapa destas linhas bloggers rockers. Se você estiver a fim de colar lá também, corre que ainda da tempo: o grupo liderado por ele sobe ao palco do Augusta 339 (na rua Augusta no mesmo número, oras) a partir da meia noite.

 

 

E AGORA É THE END MESMO!

Yep. Postão ficou grandão e bacanão como sempre. E no domingo tem segundo turno de uma eleição decisiva para o futuro do Brasil. Pense nisso quando for votar. Diga NÃO gigante ao retrocesso, ao autoritarismo de extrema direita e ao fascismo que ameaça a todos nós. Vote em quem pode manter o país livre, democrático, liberto e sem ódio e violência. Fica o apelo sincero destas linhas sempre libertárias, diretamente ao coração de seu amado leitorado. Vote bem neste domingo!

E logo menos a gente volta aqui com novo post daquele que é, há década e meia, o blog de cultura pop e rock alternativo mais legal e RESPEITADO da web BR. Beijos pra todos vocês!

 

(amplaido, atualizado e finalizado por Finatti em 26-10-2019 às 22hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL EXTRA!!! Informando OFICIALMENTE a data e local da mega festona de quinze anos do blog zapper, falando do show (com ingressos esgotados) do Ira! semana que vem no Sesc Belenzinho em Sampa, e muito mais! – Novo postaço zapper no ar! E em edição especial sobre o pós punk inglês dos anos 80 e também dos anos 2000, o blog analisa em detalhes o novo discão do grupo Interpol, além de celebrar os quarenta anos de existência de dois gigantes da história do rock, os ingleses do Echo & The Bunnymen e do Bauhaus; mais: a “invasão” da armada brit oitentista que vai acontecer no Brasil (e em Sampa, claro!) de setembro a dezembro, os livros sobre o gigante Lula que foram lançados, o grande HORROR golpista político e jurídico no país às vésperas das eleições presidenciais, e mais isso e aquilo tudo no espaço blogger que é campeão na blogosfera BR de cultura pop já há quinze anos! (postão gigantão totalmente ampliado e finalizado em 6-9-2018)

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Em mega postaço especial sobre o pós punk, o blogão zapper analisa em detalhes o novo discão do trio americano Interpol (acima), além de falar dos quarenta anos de existência de um dos maiores nomes do rock mundial em todos os tempos, o inglês Echo & The Bunnymen (abaixo)

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MAIS MICROFONIA – AGORA VAI! A MEGA FESTA DE QUINZE ANOS DA ZAPNROLL ACONTECE MÊS QUE VEM EM SAMPA, NO SESC BELENZINHO, UHÚ!

O site e blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR chega a uma década e meia de existência. E para celebrar, vai ter uma comemoração à altura da data! No próximo dia 19 de outubro, sexta-feira, a partir das 9 e meia da noite, a comedoria do Sesc Belenzinho na capital paulista, recebe dois showzaços dos grupos Saco De Ratos e The Dead Rocks, que vão tocar o puteiro e o terror rocker para festejar o niver zapper. Bora lá!

E após a maratona rock ao vivo no Sesc, ainda vai rolar uma after party show no Clube Outs (localizado na Rua Augusta, 486, no centro de Sampa), com dj set especial do blog, a partir da uma e meia da manhã. O Outs também existe há 15 anos, é o último reduto rocknroll da cena alternativa noturna do baixo Augusta e vive lotado nos finais de semana, graças ao vitorioso sistema open bar (pague um preço fixo e beba até cair!) implantado pela casa há quase 5 anos. Não dá pra perder!!!

Quem vai fazer a festa e tocar o puteiro e o terror rock no Sesc Belenzinho:

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***Saco De Ratos – a banda de blues rock existe há mais de uma década e já gravou quatro álbuns. É um dos destaques da cena independente brasileira e paulistana e cujo vocalista e letrista, o escritor, poeta e dramaturgo Mário Bortolotto, é um dos destaques da cena literária marginal brasileira há mais de vinte anos. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/BANDA-SACO-DE-RATOS-121151831228419/?fb_dtsg_ag=AdwjGDA39anTwQWKwrhAh9__oSTdyWkXiqrbKrZ85SIvOw%3AAdwCc08wU0iZzIGbX9yn0oKlNzZ99N-e7nKKtr2TNScTbA.

 

***The Dead Rocks – O trio baseado no interior paulista (na cidade de São Carlos) existe há uma década e meia e nesse período se transformou num dos principais nomes do estilo surf music no rock alternativo brasileiro. Compondo apenas temas instrumentais e com quatro discos editados, a banda alcançou tanto prestígio para o seu trabalho musical que já excursionou pela Europa e Estados Unidos, onde também lançou alguns EPs e participou de coletâneas com músicas de sua autoria. Não tocam na capital paulista há um bom tempo já, de modos que será uma ótima oportunidade para os fãs da cidade se reencontrar com o grupo ao vivo ou para conferir a potência sônica deles no palco pela primeira vez. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/thedeadrocks/.

 

Ingressos à venda em breve no site do Sesc Belenzinho, aguardem! E tudo sobre o festão você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/460162691145863/?active_tab=about.

 

***E SEMANA QUE VEM TAMBÉM NO SESC BELENZINHO TEM IRA! – Conforme estas linhas zappers imaginavam os ingressos para os dois shows que o Ira! irá realizar no final da semana que vem (dias 14 e 15 de setembro, sexta-feira e sábado), na comedoria do Sesc Belenzinho (unidade da entidade que fica no bairro do Belém, zona leste de Sampa, aliás como todas as unidades do Sesc esta também é sensacional), se EVAPORARAM do site (e também na compra física) em menos de 24hs. Os tickets começaram a ser vendidos ANTEONTEM. Já acabaram – a comedoria do Belenzinho não é grande, cabem umas 500 pessoas lá. E com o Ira! tocando na íntegra e ao vivo o seu fodástico terceiro disco de estúdio, o “Psicoacústica” (lançado em 1988, daí a turnê comemorativa pelos 30 anos dele), não tinha mesmo como ser muito diferente o sumiço das entradas em velocidade recorde. Sendo que o blog se sente algo contente e orgulhoso nessa parada. Contente porque além de admirar pra carajo a banda, também é amigo pessoal da dupla Scandurra-Nasi há séculos. E orgulhoso porque o texto do press kit sobre o evento e sobre o LP em questão é de nossa autoria. Sim, o Sesc confiou este trabalho ao jornalista rocker aqui, não apenas pela amizade que ele mantém com a banda mas também por (modéstia às favas) conhecer profundamente a trajetória dos Irados e as nuances que permeiam “Psicoacústica”. De modos que estaremos por lá na semana que vem, já que temos par de convites disponíveis (cortesia do Sesc) pra ir lá na gig. Pra quem não vai: sorry, hihi.

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Zapnroll (acima) e o bacanudo press kit criado pelo departamento gráfico e de divulgação do Sesc Belenzinho, para divulgar o showzão do Ira! que rola lá semana que vem, e cujo texto encartado no kit (abaixo) foi produzido pelo autor do blogão zapper

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock alternativo, a política e o comportamento)

 

***LULA ONTEM, LULA LIVRO, LULA LIVRE, LULA SEMPRE! – Foi realmente emocionante o evento realizado no último dia 13 de agosto em Sampa, por conta do lançamento oficial e nacional do livro “Lula Livre – Lula Livro”, coletânea de textos organizado pelo jornalista e queridão deste espaço online Ademir Assunção, e que conseguiu reunir num volume extraordinário (e que estava sendo vendido por módicos 15 dinheiros durante o evento, sendo que os exemplares à disposição do público se esgotaram rapidinho), textos e poemas de artistas variados, como poetas, cantores, compositores, rappers etc (estão no livro, entre outros, textos de Chico Buarque, Augusto de Campos, Alice Ruiz, Carlos Rennó, Sergio Mamberti, Paulo Lins etc.). E boa parte desses artistas compareceu ao lançamento, que lotou as dependências do já lendário, mitológico e histórico teatro Oficina, lar do grupo homônimo criado há décadas pelo gênio gigante que é Zé Celso Martinez Correa, um dos monstros sagrados de toda a história da dramaturgia brasileira. Foram lidos textos no pequeno palco montado, mostrados vídeos, entoados hinos e canções eivadas de sentimento de liberdade, de apoio total à democracia e a tudo que importa ao ser humano: respeito às minorias, aos negros, às mulheres, aos gays, além de um não gigante ao retrocesso comportamental, ao arbítrio, a intolerância, ao discurso de ódio boçal que tornou o país uma nação de pensamento binário, ao reacionarismo de extrema direita e, principalmente, a prisão política e completamente injusta e surreal do maior líder popular que este pobre Brasil (uma nação vilipendiada por golpistas imundos em esferas variadas: na política, no Judiciário etc.) já teve. Ele mesmo, Luis Inácio LULA da Silva, o MELHOR PRESIDENTE que o Brasil teve em pelo menos 50 anos. O blog poderia escrever um LIVRO aqui sobre como foi bacana a aquela noite. Mas tenta resumir sua emoção e orgulho de ter participado do evento dizendo que, sim, a VERDADE e a JUSTIÇA irão prevalecer e VENCER no final de tudo. Apenas fica-se questionando do por que dessa dicotomia apavorante: a NATA da arte e da cultura brasileira reunida numa segunda-feira à noite na capital paulista pedindo LULA LIVRE, enquanto a sociedade e povo do país, quase como um todo, se deixando contaminar por uma ignorância abominável e monstruosa e se mostrando propensa a eleger como presidente um BOÇAL e BESTIAL herdeiro maldito da pior escrotidão (em todos os sentidos) que já houve na história do país, a ditadura militar. É isso mesmo que o brasileiro quer, ter como presidente um mentiroso, asqueroso, crápula, também escroque e pilantra (que enriqueceu como deputado federal durante 30 anos, nos quais não fez absolutamente NADA digno de nota como político) e que ainda por cima é homofóbico, racista e machista ao máximo. Só pra saber… Foi lindo o evento. E a melhor imagem do que rolou no Oficina, para resumir tudo, é a que está aí embaixo: Finaski (com sua amiga Silvia Fasioli) ao lado de um GIGANTE da história política nacional, um dos ÚNICOS políticos realmente DECENTES em grau máximo deste Brasil corroído pela corrupção. Ele mesmo, o “velhinho” mais fofo de todos e nosso eterno senador, a quem sempre daremos nosso voto. Um beijo no seu coração ever, Eduardo Suplicy!

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Finaski, sua amiga Silvia e o gigante (como político e como ser humano) Eduardo Suplicy (acima), no lançamento do livro “Lula Livre – Lula livro”, em São Paulo; abaixo no mesmo evento o senador, ladeado pelo diretor de teatro Zé Celso Correa e pela poeta Alice Ruiz

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***Mais Lula em livro – yep, outro lançamento em torno do ex-presidente Lula é “A verdade vencerá – o povo sabe por que me condenam”, volume editado pela Boitempo editorial e onde o ex-presidente concede uma enorme entrevista a um grupo de jornalistas, em bate papo organizado por Ivana Jinkings e Juca Kfouri, além de textos complementares escritos por Eric Nepomuceno e Rafael Valim. Vale muito a pena ler e tomar contato com uma radiografia textual isenta e escrita por gente séria e por alguns dos principais nomes do jornalismo brasileiro, para que se possa entender todo o imundo processo político golpista que segue em curso no país, às vésperas de mais uma eleição presidencial – talvez a PIOR eleição desde que o país se redemocratizou.

 

*** O BRASIL E O ROCK BR NO FUNDO DO ABISMO SEM FUNDO – Quando uma cadeia varejista de lojas como a gigantesca Americanas chega ao completo desplante de vender (pelo seu site) dois modelos de camisetas (um enaltecendo BolsoNAZI; outro contra Lula, o MELHOR presidente que este país já teve em pelo menos 50 anos), a conclusão é inefável: essa MERDA monstro chamada Brasil chegou mesmo ao fundo de um abismo que parece não ter nenhum fundo. E não só. Segundo reportagem da revista Carta Capital, olhem só a “inspiração” visual para os modelos: “as peças têm inspiração estética em BANDAS DE ROCK, como o modelo que imita a camiseta-símbolo do grupo punk RAMONES. Em vez do nome dos integrantes da banda, como no modelo original, consta o lema bolsonarista “Deus acima de todos / Brasil acima de tudo”. A águia americana, por sua vez, foi trocada por uma estrela com a data de proclamação da República”. Que DESASTRE e que nojo. Depois questionam por que o rock MORREU nessa porra horrenda de país cu tropical, não abençoado por NENHUM Deus (seja lá o que for Deus) e habitado por milhões de asnos, ogros, idiotas, imbecis, ignorantes, BURROS, conservadores, sem cérebro, reacionários, boçais e MEDIEVAIS no comportamento e pensamento. É esse povo triste, indecente, ordinário e bolsOTÁRIO que irá votar no “mito”. E boa parte desses JUMENTOS machistas, misóginos, racistas e homofóbicos é que empunham a BANDEIRA do rocknroll hoje em dia no bananão falido. Que triste fim pro Brasil e pro “roqueiro” brasileiro, jezuiz… (adendo: após a publicação da reportagem no site da CC, as lojas Americanas RETIRARAM da venda no seu site os tais modelos das camisetas. Menos mal…)

 

***A “INVASÃO” BRASILEIRA DO PÓS-PUNK INGLÊS DOS ANOS 80 – como este postão que você está começando a ler agora é especial e focado na vertente pós punk do rock mundial (seja o pós punk oitentista ou de bandas atuais, como o grande Interpol), não poderíamos deixar de mencionar a autêntica “invasão” que o estilo irá promover na terra brasilis entre setembro e dezembro vindouros. De modos que o blog zapper dá abaixo seu PITACO sobre as atrações que vêm aí, todas célebres no pós punk britânico dos anos 80.

 

***Peter Murphy e David J.: ou MEIO Bauhaus, que vão relembrar seus clássicos das tumbas em Sampalândia, dia 7 de outubro, no Carioca Clube. Pois então, os maiores morcegões trevosos da cena goth inglesa também celebram 4 décadas de sombras sonoras este ano. Tudo começou em 1978 e yep, sempre gostamos MUITO deles. Mas fato é que solo o vocalista Peter Murphy (uma BICHAÇA loka e das trevas que enlouqueceu garotos e garotas darks no auge do conjunto, lá por 1983) nunca funcionou e passou longe da genialidade musical conseguida quando ele estava junto com Daniel Ash (guitarras), David J. (baixo) e Kevin Askins (bateria). Vimos Pedro Morfético solo em sua primeira visita a Sampa, em fevereiro de 2009 (na finada Via Funchal). Na metade da gig Zapnroll já estava de saco cheio e rezando pra aquilo acabar logo. Agora vamos lá ver esse meio Bauhaus mesmo porque Peter, com mais de 60 anos nas costas, continua com o vocal super em forma e porque o show vai contemplar apenas Bauhaus em seu set. E além de tudo vai ser ótimo e bizarro encontrar aquele monte de gótico velhão e com a pança à mostra, todos reunidos no mesmo local e todos com capotões pretos, claro!

 

***Nick Cave: uma semana depois do meio Bauhaus, o gênio e já icônico Nick Caverna também aterrissa em Sampa, em 14 de outubro. Quase sessentão, Nick continua em plena forma e atividade e segue lançando discos ótimos. Esteve uma única vez no Brasil, em 1988 (lá se vão 30 anos…), e estas linhas online estavam naquele show, lá no saudoso ProjetoSP. Foi inesquecível. Agora vamos TENTAR ir novamente, porque credencial não iremos pedir (o show é produzido por aquele jornalista e “bloggero” pobreloader, hihi, de modos que…) e dindin pra comprar ingresso não tá fácil. Mas vamos verrrrr…

 

***New Order: totalmente DISPENSÁVEL a essa altura do campeonato. E sinceramente não dá pra entender porque tá todo mundo esperneando por conta do show único da banda este ano no Brasil, em SP, dia 28 de novembro. Na boa: quando aqui esteve pela primeira vez, também em 1988, o NO ainda estava no auge e fez uma apresentação histórica, memorável e inesquecível (o blog estava nela) no ginásio do Ibirapuera. Depois, entre paradas e retomadas da carreira, o grupo volto aqui em 2006 (também na saudosa Via Funchal), já não era nem em sonho mais ótima banda que tínhamos assistido ao vivo 18 anos antes mas a gig ainda assim foi razoável. Depois ainda assistimos os sucessores do Joy Division uma terceira vez, no Ultra Music Festival em São Paulo, em dezembro de 2011. Foi o horror total: o vocalista Bernard Sumner gordo (e sem pudor algum em ostentar a barrigona) e preguiçoso ao vivo (e sem voz também), a banda sem o baixista fodão e ícone que é Peter Hook e por aí foi. Conseguiram destruir a si próprios em uma versão ao vivo lamentável do ultra clássico “Blue Monday”, parecendo uma banda COVER de si mesma de quinta categoria. Este jornalista ficou realmente bodeado naquele show e só não saiu mais puto do estacionamento do Anhembi porque estava com uma credencial máster (de jornalista) pendurada no pescoço e que o permitiu ir na área vip open bar, onde tomou todo o whisky que pôde com energy drink. Moral da história: o zapper saiu completamente alucicrazy do festival e foi VOANDO atrás de cocaine, claaaaaro! Bien, depois disso a Nova VELHA Ordem ainda voltou pra cá (o grupo já tinha virado carne de vaca) no Lollapalooza BR 2014 e literalmente CAGAMOS pra assisti-lo ao vivo novamente. Yep, em estúdio o conjunto segue ok (“Music Complete”, lançado em 2015, é bem bom), mas ao vivo vamos passar bem longe pois achamos (achamos não, temos certeza) de que não vale mais a pena. A não ser que você nunca tenha visto eles ao vivo. Aí quem sabe…

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Bauhaus (pela metade, no caso da gig brazuca) e Nick Cave (acima), e New Order e Morrissey (abaixo): todos eles vêm ao Brasil entre setembro e dezembro

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***Morrissey: ah, a velha bexa dos Smiths de volta ao Breeeziiilll… e daí. Daí que Morrisséia está cada vez mais rabugenta e chata com o avançar da idade. Se ainda está em forma em cima de um palco, não sabemos. Os Smiths são uma das 5 bandas da nossa vida (ever) e vimos Moz uma única vez ao vivo e solo, quando ele esteve aqui pela primeira vez em 2000 (lá no finado Olympia SP). Foi lindão, inesquecível e depois nunca mais conseguimos vê-lo novamente on stage. Até queríamos ir esse ano novamente (seu último cd solo dá pro gasto) mas o foda é que na mesma noite do show (2 de dezembro) vai ter também em Sampa L7 com Pin Ups. E vamos preferir ir no segundo.

 

***Fora essa autêntica “invasion” pós punk inglesa dos 80, ainda vai rolar Kasabian (setembro, 30), Peter Hook (dia 10 de outubro, e talvez valha mais a pena ver ou rever este do que o New Order), Franz Ferdinand (outubro, dia 12, mas esse também já deu, né), Noel Gallagher (ainda a confirmar) etc. A pergunta é: quem tem dinheiro pra ir em tudo isso, rsrs. O autor deste blog definitivamente não tem, rsrs.

 

***Não esquecendo: é já em outubro a mega e oficial festa de quinze anos do blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR. Vão ter showzaços do The Dead Rocks e do Saco De Ratos. E depois ainda vai ter after party com dj set do blog no Clube Outs, o open bar rocker mais infernal do baixo Augusta SP. Tudo no dia 19 de outubro, sexta-feira, wow! Logo menos a gente divulga aqui o local onde irão rolar os shows, pode esperar!

 

***E antes que o blog esqueça: a primeira tiragem do livro “Escadaria para o inferno” está quase esgotada. Restam poucos exemplares à venda na loja virtual do site da editora Kazuá. De modos que se você ainda não comprou o seu exemplar, vai JÁ aqui e faz seu pedido: http://www.editorakazua.net/prosa/escadaria-para-o-inferno-de-humberto-finatti.

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***E mais notinhas irão entrar aqui na Microfonia ao longo da semana vindoura. Mas por enquanto vamos já direto ao ponto e ao que interessa aí embaixo: o novo discão daquele que ainda é o grande nome do pós punk dos anos 2000, o trio americano Interpol. Bora lá!

 

 

AUSENTE HÁ QUATRO ANOS DOS ESTÚDIOS, O GOTH E INDIE NOVA IORQUINO INTERPOL RETORNA COM TALVEZ SEU MELHOR ÁLBUM DESDE A ESTREIA DA BANDA

Das zilhões de bandas que surgiram no chamado “new rock” (ou indie rock alternativo) na virada dos anos 2000, uma das que Zapnroll mais gosta (e sempre gostou, e continua gostando) é o nova iorquino Interpol. Em tempos em que o rock praticamente MORREU (aqui e lá fora também), em que grupos surgem e desaparecem na velocidade de um bólido e onde conjuntos novos, por melhores que sejam, não conseguem encontrar espaço para mostrar seu trabalho e muito menos público JOVEM interessado em ouvir sua música (esqueça: a pirralhada OGRA e BURRONA da era da web detesta fazer esforço mental, odeia música que a obriga a PENSAR e AMA música total irrelevante e mega RASA em sua construção, daí a ascensão irresistível e implacável do popão eletrônico e R&B pasteurizado lá fora, e do funk, axé e sertanojo aqui no bananão), o agora trio (ainda integrado pelo fundador, o vocalista, baixista e guitarrista Paul Banks, pelo também guitarrista Daniel Kessler e pelo batera Sam Fogarino) está resistindo bem ao tempo: foi fundado em 1997 e lançou seu primeiro álbum (o espetacular “Turn On The Bright Lights”) 5 anos depois, em 2002. E além de resistir bem ao tempo o grupo ainda está em grande forma e acaba de lançar aquele que talvez seja seu melhor trabalho de estúdio desde sua estreia em disco, há dezesseis anos. “Marauder”, o sexto álbum de músicas inéditas do Interpol, chegou ao mercado (nos formatos físico e virtual) na semana passada e não apenas traz de volta as ambiências sonoras sombrias engendradas pelo conjunto em sua estreia, como faz isso através de melodias dançantes e envolventes e também com guitarras abrasivas e poderosas. Já é provavelmente um dos grandes lançamentos de 2018, no que ainda resta de relevante no rock mundial.

E por que estas linhas zappers gosta tanto do Interpol não é nenhum mistério. O blog sempre apreciou muito os vocais sombrios de Banks (que emulam quase à perfeição Ian Curtis) e a ambiência pós punk (circa 1980,1983) sinistra deles, bem na linha do Joy Division. Com um detalhe: mesmo EMULANDO tudo isso o Interpol sempre soou muito convincente e REAL em sua sonoridade, algo difícil de se ver no rock atual, ou no que ainda resta dele. Sim, a banda cometeu deslizes. O autor destas linhas bloggers não gosta do segundo disco deles, o “Antics”. E os três que vieram na sequencia eram ok, mas longe de reeditar o brilhantismo sonoro obtido em sua estreia. De qualquer forma, assistimos a um SHOWZAÇO deles em Sampa, na finada Via Funchal (em março de 2008, há mais de uma década, sendo que eles voltariam ao Brasil por mais duas vezes, em 2011 no extinto festival Planeta Terra, e depois em 2015 no Lollapalooza BR), quando a saudosa casa de espetáculos da capital paulista lotou e a banda brindou o público com uma gig acachapante em sua potência e energia no palco. De modos que sempre ficamos na torcida para que o conjunto voltasse ainda com um grande álbum.

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Capa do novo Interpol: discão!

Pois este retorno com este grande álbum finalmente se materializou em “Marauder”. Em suas treze faixas (sendo duas vinhetas curtas, batizadas de “Interlude I e II”) e pouco mais de quarenta e quatro minutos de duração, o trio reedita finalmente as nuances sombrias (em alguns momentos, quase sinistras) porém dançantes que marcaram o seu hoje já clássico primeiro cd. São melodias aceleradas e construídas com guitarras poderosas e que cativam o ouvinte já nas primeiras audições, o que fica evidente nas quatro primeiras canções do disco (“If You Really Love Nothing”, “The Rover”, “Complications” e “Flight Of Fancy”). “If You…”, que abre o disco, inclusive possui uma letra de consistência poética belíssima e ultra densa (veja a tradução mais abaixo, neste mesmo post) e acabou se transformando no terceiro single do novo trabalho, com direito a um espetacular vídeo de divulgação e onde a atriz deusa loira e XOXOTAÇO Kristen Stewart faz a loka, deitando e rolando com vários homens em um bar onde tudo acontece (duas garotas se beijando, povo loko bebendo Jack Daniel´s no gargalo etc, etc.), enquanto o Interpol surge tocando entre sombras e escuridão quase plena. Melhor impossível!

Há mais do mesmo nível na sequência, sendo que o disco mantém sua qualidade até o final da audição. Ok, ele poderia ser mais econômico e sucinto, com menos faixas e menor duração. Mas não há nada nele que comprometa o prazer, cada vez mais raro nos dias que correm, de se escutar um álbum quase perfeito do começo ao fim. No caso deste “Marauder”, cuja musicalidade nos remete diretamente à Londres do início dos anos 80 (em especial nas muito darks “Stay In Touch”, “NYSMAW” e “Surveillance”), esta quase perfeição sônica além de oferecer grande satisfação a quem a escuta ainda desvela que o Interpol, aos vinte e um anos de existência e com um front man ainda relativamente jovem (Paul Banks fez quarenta anos de idade em maio passado), poderá se manter em forma ainda por alguns anos, impedindo que (e sem trocadilho aqui) o triste rocknroll da estúpida era da web feneça de vez.

 

 

O TRACK LIST DE “MARAUDER”

1.”If You Really Love Nothing”

2.”The Rover”

3.”Complications”

4.”Flight of Fancy”

5.”Stay in Touch”

6.”Interlude 1″

7.”Mountain Child”

8.”NYSMAW”

9.”Surveillance”

10.”Number 10″

11.”Party’s Over”

12.”Interlude 2″

13.”It Probably Matters”

 

 

O DISCO PARA AUDIÇÃO AÍ EMBAIXO, NA ÍNTEGRA

 

 

E O TERCEIRO SINGLE, COM ÓTIMO VÍDEO PARA “IF YOU REALLY LOVE NOTHING”

 

 

UMA LETRA DO DISCO

 

“If You Really Love Nothing”

 

Se você realmente ama nada

Em que futuro construímos ilusões

Se você realmente ama nada

Nós esperamos em glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Que parte da traição você quer negar?

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Se você realmente ama nada

Todo mundo é inventado

Todo mundo está perdendo

Se você realmente ama nada

Vamos dormir na glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Como você pode estar lá

Você poderia simplesmente deixar para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

 

Respiração é ótima

Lendo lembrar

A classificação final da semana

Melhor que sete outros homens

Imprudente das mulheres que quebram a dimensão

Eu sei que você poderia simplesmente partir para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então vai ser um beijo de despedida então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

E me dê adeus e um beijo

Eu vejo você traçar esse buraco no seu peito

Me dê um tchau e um beijo

 

 

HÁ 40 ANOS SURGIA NA CIDADE INGLESA DE LIVERPOOL (TERRA DE UNS CERTOS BEATLES) ECHO & THE BUNNYMEN, UM DOS MAIORES NOMES DO PÓS PUNK DOS ANOS 80 E DE TODA A HISTÓRIA DO ROCK MUNDIAL

Ninguém discorda de que o quarteto pós-punk inglês Echo & The Bunnymen foi um dos maiores nomes do rock britânico dos anos 80 e de toda a história do rocknroll mundial. Por pelo menos quase uma década (de 1980 até meados de 1988) a banda que em sua formação original e clássica tinha o sublime vocalista Ian McCulloch, o gigante (na qualidade e técnica instrumental) guitarrista Will Sergeant, e os ótimos Les Pattinson (no baixo) e Pete De Freitas (na bateria), reinou absoluta na Velha Ilha e foi aclamada unanimemente pela imprensa e pelos fãs. Foi nesse período de oito anos que o Echo lançou seus cinco primeiros e imbatíveis álbuns de estúdio, onde uma combinação de melodias e harmonias aceleradas e herdadas da simplicidade punk, se unia a ambiências psicodélicas e melancólicas egressas do melhor rock feito nos anos sessenta (com fartas referências e eflúvios de Beatles, Rolling Stones e The Doors), tudo dando suporte para as letras memoráveis (em sua construção poética) escritas por McCulloch. Se depois de 1988 e até hoje o grupo lançou uma série trabalhos sofríveis e que nem de longe lembram seu passado inicial e glorioso, não importa. Tampouco o fato de que da formação original só restam Will e Ian. Mas daqui a exatos dois meses Echo & The Bunnymen estará completando quarenta anos de existência. E nesse período ele já deixou inscrito para a eternidade seu nome entre aqueles que construíram com maestria e encantamento máximo a grande e imortal história do rock mundial.

Tudo começou em Liverpool (a cidade inglesa terra de uns certos Beatles) por volta de 1977, quando o então adolescente Ian McCulloch começou a cantar em um grupo local chamado Crucial Tree (considerado por muitos pesquisadores e estudiosos do rock inglês do período como sendo quase tão excepcional em sua musicalidade quando o Echo seria alguns anos depois). O grupo, no entanto, teve curta existência e logo McCulloch se juntou ao guitarrista prodígio Will Sergeant e ao baixista Les Pattinson, para formar o Echo & The Bunnymen – em tradução literal, “Echo & Os homens coelho”. E que foi batizado assim por, no princípio, não ter um baterista humano – o trio fazia seus registros sonoros acompanhado de uma bateria eletrônica, a Echo. Foi com essa formação e com a bateria eletrônica no fundo do palco que o conjunto fez sua estreia em novembro de 1978, em uma apresentação no Eric Club em Liverpool. É o marco zero da trajetória dos coelhinhos.

Daí em diante a fama do trio foi crescendo rapidamente, em função de suas ótimas composições e apresentações ao vivo. Quando a banda assinou com o selo Zoo Records e lançou seu primeiro single, “Pictures On My Wall”, em maio de 1979, a aclamação da imprensa britânica foi instantânea. Em julho do ano seguinte e já contando com o baterista Pete De Freitas em seu line up o Echo fez sua estreia em LP, editando o a um só tempo barulhento, climático e psicodélico “Crocodiles”, hoje considerado um clássico na discografia da banda. Nova aclamação da crítica, com a legião de fãs aumentando rapidamente e de maneira espantosa. Não parecia haver limites para a genialidade sonora do Echo & The Bunnymen.

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Os “Coelhinhos” em seu auge, no início dos anos 80 (acima); abaixo Ian McCulloch também nos anos 80, destruindo nos vocais ao vivo

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Nos anos seguintes e até por volta de 1988, o quarteto se manteve no topo em tempo integral. Lançou mais quatro álbuns impecáveis da primeira à última música de cada um deles e rodou o mundo com seu show, aportando pela primeira vez no Brasil em maio de 1987, para cinco apresentações inesquecíveis e sold out em São Paulo, além de tocar também no litoral paulista (na cidade de Santos) e no Rio De Janeiro. E quando retornou à Inglaterra, começou sua fase descendente. Primeiro o baterista De Freitas morreu em um acidente de moto em Londres, em 1989. Logo em seguida Ian McCulloch decidiu largar os Bunnymen para seguir em carreira solo. O que sobrou do Echo decidiu seguir em frente, lançando em novembro de 1990 o inexpressivo disco “Reverberation”, onde os vocais ficaram por conta do desconhecido Noel Burke. O trabalho foi um retumbante fracasso, tanto comercial quanto perante à rock press. E assim determinou o fim da primeira fase do conjunto, já que Will e Ian se reuniram novamente mas sob outro nome, Electrafixion, lançando um único e ótimo cd em 1995, intitulado “Burned”. O álbum era muito bom (contava inclusive com a participação especial do ex-guitarrista dos Smiths, Johnny Marr) mas nem de longe vendeu o que os primeiros discos dos Bunnymen venderam.

Foi quando Will Sergeant e Ian McCulloch tiveram a infeliz ideia de voltar novamente como Echo & The Bunnymen. Com Les Pattinson novamente no baixo, o grupo lançou “Evergreen” em 1997. Um disco sofrível que inaugurava a segunda encarnação do conjunto, e que perdura até os dias atuais. Desde então a banda lançou mais seis trabalhos inéditos de estúdio, alguns razoáveis (como “Flowers”, de 2001, e “Siberia”, editado em 2005) mas a maioria demonstrando que aquele grupo de musicalidade absolutamente impecável e gloriosa dos anos 80, não mais existia. Além disso o baixista Pattinson abandonou definitivamente o grupo em 1999, e a voz outrora trovejante de Ian (que se tornou famoso pelo apelido de Big Mac) havia desaparecido, destruída por décadas de consumo de álcool, tabaco e drogas variadas. Por fim o conjunto acabou se tornando carne de vaca e figurinha carimbadíssima no Brasil: voltou novamente pra cá em 1999 (na turnê do fraquíssimo cd “What Are You Going To Do With Your Life”), em gig realizada na saudosa casa paulistana Via Funchal. No ano seguinte Ian voltou retornou ao país, em tour solo. Em 2002 o grupo fez nova aparição por aqui (na mesma Via Funchal) e aí não parou mais de excursionar na terra brasilis, tocando por diversas vezes em São Paulo no extinto Credicard Hall (atual Citibank Hall). E claro, a cada nova visita as performances ao vivo decaiam de qualidade a olhos vistos.

Zapnroll no entanto, sempre teve amor por aquele quarteto pós punk fantástico dos anos 80 e que lançou ao menos cinco LPs que podem figurar tranquilamente entre os cinquenta melhores de toda a história do rock (“Ocean Rain”, de 1984 e o preferido deles destas linhas rockers, está eternamente na nossa lista dos dez melhores álbuns de rock de todos os tempos). E por ter devotado esse imenso amor ao conjunto é que o acompanhou muito de perto durante toda a década de 80 e também na de 90, ouvindo os discos, assistindo a vários dos shows brasileiros e entrevistando os coelhinhos em algumas das coletivas dadas por eles aqui. Momentos em que a banda fez parte essencial da vida do autor destas linhas bloggers e que inclusive renderam algumas histórias bastante divertidas (leia mais abaixo, nesse mesmo post). E agora, ao rememorar as quatro décadas de existência do Echo & The Bunnymen, este jornalista se dá conta de que o tempo avança e não perdoa mesmo ninguém. Nem mesmo artistas, músicos e bandas. Talvez os Bunnymen já devessem ter se aposentado há anos, preservando um passado irretocável e que nunca mais irá voltar. Preferiram continuar, mesmo que flertando cada vez mais com a decadência irrefreável. Não importa: os cinco primeiros e inesquecíveis LPs daquele grupo que um dia surgiu em Liverpool e encantou o mundo para sempre, estarão em nossos corações igualmente para sempre e da mesma forma: encantando ad eternum quem quiser os escutar.

 

 

ECHO & THE BUNNYMEN – UMA ANÁLISE DA TRAJETÓRIA DISCOGRÁFICA DA BANDA

 

Por Valdir Angeli, especial para Zapnroll

 

Conheci o Echo & The Bunnymen meio por acaso, lá pela virada de 1984 para 85. Por essa época eu, normalmente ávido por novidades no âmbito do rock e do pop, vinha ouvindo um bocado de Talking Heads, tinha conhecido o Prince, já tinha adquirido os novos lançamentos do Frank Zappa e do David Bowie (deste último o, para mim, fraco ‘Tonight’), mas achava que o rock estava precisando de uma boa sacudida; na verdade, o que eu achava que estava faltando já existia, mas eu ainda não tinha entrado em contato com o que as novas bandas inglesas – notadamente as de Manchester e Liverpool – andavam fazendo há algum tempo. Quase sem querer, folheando o jornal diário paulistano Estadão, dei de cara com um artigo no Caderno 2 (nota do editor do blog: caderno de variedades do diário e onde o jornalista zapper se tornaria repórter e colaborador anos depois, em 1988, integrando a lendária equipe da página de música editada por Luis Antonio Giron, e que tinha textos assinados por gente do calibre de Fernando Naporano e do saudoso Kid Vinil) sobre o lançamento no Brasil do último disco de um grupo de Liverpool de quem eu nunca tinha ouvido falar, um tal de Echo & The Bunnymen. Interessei-me de cara pelo conjunto, não só pelos elogios a ele contidos no tal artigo, mas também por sua procedência; afinal, se em tempos idos Liverpool tinha sido o berço do merseybeat e o Estadão elogiava tanto uma banda nova vinda de lá (infelizmente não me recordo quem era o articulista), coisa ruim ela não deveria ser, pensei. Movido pela curiosidade, adquiri às cegas logo em seguida o tal disco, o ‘Porcupine’, terceiro álbum por eles lançado, em uma das minhas regulares visitas à lendária Galeria do Rock, até hoje localizada no centro de São Paulo e um dos “points” rockers mais conhecidos do Brasil. A princípio não fiquei nem um pouco animado com o que ouvi, achei estranha e meio desagradável aquela maçaroca de guitarras tocando contra um arranjo de violinos que, segundo o que eu tinha lido no jornal (o disco nacional que eu comprei não trazia sequer ficha técnica) eram do violinista Lakshminarayana Shankar, que já havia colaborado com Peter Gabriel e John McLaughlin. Mesmo assim, gostei muito de uma faixa, chamada “Gods Will Be Gods”, e graças a ela em vez de tentar devolver o disco na loja ou encostá-lo num canto, resolvi repetir um procedimento que eu já havia feito anteriormente, com o álbum ‘Wonderwall’, do George Harrison, e com o ‘Whistle Rymes’, do John Entwistle, baixista do The Who, dois discos que, graças à minha persistência em ouvi-los após uma decepção inicial, acabaram se tornando praticamente dois discos de cabeceira pra mim. Minha ideia deu certo, de fato concluí que os caras desse tal Echo eram bons mesmo, como o artigo informava. Semanas depois, um amigo meu, do circuito das lojas de discos que eu freqüentava, jogou em minhas mãos uma fita cassete com gravações de grupos diversos (entre as quais fiquei conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês), contendo no meio duas das músicas do ‘Porcupine’, “The Cutter” e “The Back Of Love”, porém em suas versões de compacto, com arranjos bem diferentes e, aos meus ouvidos, muito melhores, e mais uma inédita dos Bunnymen, o “Never Stop (Discotheque)”, que de imediato me deixou encantado com seu arranjo cheio de cellos, toques em pizzicato e outros detalhes e ambiência que lembravam, e muito, aquela outra antiga banda de Liverpool; esse mesmo amigo também me fez ouvir um exemplar importado do ‘Porcupine’, através do qual pude perceber que muito do meu desencanto inicial com o long-play era fruto da péssima prensagem da edição nacional, cortesia da EMI-Odeon, que era quem, na época, prensava os lançamentos da Warner (distribuidora da Korova, a gravadora  do grupo) por aqui. “Ah, então era isso…! Acho que vou ter que ouvir mais coisas desses caras…”

Demorou mais alguns meses para sair no Brasil o álbum seguinte do Echo, mas nesse meio tempo um outro amigo me emprestou um compacto de doze polegadas deles, que tinha “The Killing Moon” nas versões “standard” e estendida, e mais uma gravação ao vivo sensacional, “Do It Clean”, que me fez conhecer outra faceta da banda, a porrada que era uma gravação ao vivo deles. Foi então, com grande ansiedade, que adquiri logo que saiu aqui ‘Ocean Rain’, quarto disco da banda. E como era de se esperar, caí de amores por ele logo na primeira audição (pois é, a prensagem nacional desse já era bem melhor). Passei a ouvir direto “Silver”, “Seven Seas”, “Crystal Days”… Era fantástico!

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“Crocodiles”, 1980

Um nada de tempo depois disso consegui, escarafunchando várias lojas especializadas, achar dois álbuns importados da banda, os quais comprei sem perda de tempo: ‘Heaven Up Here’, que continha as excelentes “A Promise” e “Over The Wall”, e logo em seguida o disco de estreia deles, ‘Crocodiles’, um álbum mais cru e básico, onde estava a versão original do “Do It Clean” (esse disco que eu achei era a versão americana; a inglesa não contém essa faixa) e as absurdas de boas “Rescue” e “Villiers Terrace”, além do “Read It In Books”, composição oriunda da banda anterior do cantor Ian McCulloch, banda essa que também contava com os geniais Julian Cope  e Pete Wylie.

A seqüência dos acontecimentos ia meio que em banho-maria até que, lá pelo final de 1985, após grande demora, surgiu mais um compacto deles na praça, o “Bring On The Dancing Horses” que, além de trazer no lado principal uma música de qualidade e que mantinha em alta o nível da banda, ainda continha no seu lado dois duas faixas das quais uma em particular, “Bedbugs And Ballyhoo”, acabou virando uma das minhas preferidas de sua obra para todo o sempre. Logo após, foi anunciado que o baterista, Pete De Freitas, havia deixado a banda.

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“Heaven Up Here”, 1981

Paralelamente no passar de todos esses meses, fui conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês como, entre outras, The Cure, Joy Division e sua continuação New Order, The Smiths, Bauhaus, Dead Can Dance, Siouxsie & The Banshees e, naturalmente, comecei a enquadrar os Bunnymen como parte integrante desse contexto; a partir daí, meu conceito a respeito do Echo foi se tornando mais relativo e minhas expectativas em relação à banda foram ficando mais exigentes e, como conseqüência disso, a forma de eu enxergar os discos do conjunto começou lentamente a mudar, fazendo com que eu, dia a dia, cada vez mais questionasse a sua música  (a do ‘Ocean Rain’ em particular), até que eu, por fim, não mais estava achando que o trabalho do grupo pudesse ser algo comparável a, por assim dizer, “a arte dos deuses”. Eu já começava, como hoje vejo com mais clareza, a olhar, se não a totalidade da obra do Echo, ao menos o ‘Ocean Rain’ – apesar de eu até hoje reconhecer entre suas faixas uma obra prima atemporal meio subestimada, o”Nocturnal Me”, carregada que é de elementos góticos e sombrios, pouco comuns no repertório do grupo –, suas composições, arranjos  e interpretações, quase como um esnobismo, uma coisa pretensiosa, como se esse disco fosse uma forma de auto-afirmação desnecessária – e até exagerada, eu acrescento – em sua desesperada tentativa de emular os Beatles e os Doors, referências onipresentes, quem sabe para tentar provar a todos (e talvez até a si próprios) o quanto eles eram superiores, como se eles pertencessem a uma casta acima da das demais bandas – a campanha do lançamento do ‘Ocean Rain’ anunciava ser esse “o maior álbum já gravado até então”.

Embora por conta disso meu entusiasmo pelo conjunto tivesse diminuído um pouco, nada impediu que em 1987, na ocasião em que foi anunciada a vinda da banda para apresentações no Brasil (e, melhor ainda, com o retorno do “portuga” De Freitas às baquetas), eu fosse um dos primeiros a entrar na disputada briga para adquirir um ingresso para os shows que ocorreriam no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, parte da turnê brazílica do  grupo. Consegui ir ao evento em duas noites, nos dias 12 e 15 de maio, e fiquei cara a cara com os gajos que ficaram bem na frente de meus olhos esbugalhados, com o direito de testemunhar o McCulloch tragando copos e copos de caipirinha entre uma música e outra, e de verificar “in loco” a exímia performance do “portuga” na bateria, além de tudo mais que, atônito, consegui captar no momento, incluindo execuções inéditas de faixas que fariam parte do lançamento que eles estavam prestes a fazer.

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“Porcupine”, 1983

E no final de julho desse mesmo ano esse esperado álbum (sem título, apenas ostentando o nome do grupo, talvez em mais uma alusão aos Beatles, que lá pelas tantas também haviam lançado um disco apenas com o seu nome, chamado informalmente de “album branco”) foi lançado, carregando a honra de ter em duas faixas a presença do próprio Ray Manzareck, dos Doors, como tecladista convidado. Uma delas, uma equivocada releitura, no meu modesto entender, de “Bedbugs  And Ballyhoo”, que se revelou uma escolha infeliz mas acabou tendo mais sucesso entre o público que a versão original; a outra em compensação, “Blue Blue Ocean”, para mim (não sei sei até hoje se por conotações emocionalmente fortes para mim na época ou pela sua mera excelência) foi outra das que estarão entre as minhas preferidas do grupo para sempre. No geral o álbum – que teve como hits (inclusive por aqui) “Lips Like Sugar” e “The Game” – foi bem recebido pelo público, principalmente nos Estados Unidos, se bem que não tanto pela crítica, e foi o primeiro a apresentar entre os convidados, além do Ray Manzareck, músicos como Jake Brockman, que faria parte de posteriores encarnações da banda; também foi o último a contar com as baquetas de Pete De Freitas, vítima fatal em um acidente de moto em 1989.

Uma tentativa de reformulação da banda após a morte do baterista e, para surpresa de todos, após a saída de McCulloch, que optou por seguir carreira solo, não chamou a atenção de ninguém. Nem a minha na época, embora hoje eu reconheça que ‘Reverberation’, o único álbum lançado por essa nova formação, que contou com Noel Burke nos vocais, até tinha lá suas qualidades, só não vingando devido à enorme carga que o nome da banda carregava consigo. Pouco tempo se passaria e logo McCulloch e o guitarrista Will Sergeant já estavam novamente experimentando algo juntos, formando uma banda que levava o nome de Electrafixion (e ainda por cima contando com a colaboração do Johnny Marr, dos Smiths), algo ao meu ver bem mais animador, a julgar por um álbum e uma caixa de compactos com registros ao vivo colocados no mercado; pena que o projeto não vingou…

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“Ocean Rain”, 1984

Com a entrada do baixista original do Echo, o Les Pattinson, no que sobrou do Electrafixion (a dupla McCulloch/Sergeant) o mundo viu em 1997 o renascimento do Echo & The Bunnymen com o disco ‘Evergreen’, cuja capa lembrava muito – sei lá se propositadamente ou não – a do primeiro LP, o ‘Crocodiles’. Um álbum que se não era lá tão digno de comparação com a sua obra anterior, ou não tinha tudo o que eles ainda poderiam render àquela altura do campeonato, ainda oferecia um resto de gás que os caras tinham em estoque e até tinha seus bons momentos, e acabou caindo bem em minhas memórias afetivas, em grande parte por conta de um feriado prolongado que passei em companhia de minha então namorada – atual esposa – em Campos de Jordão, do qual o disco foi a trilha sonora (curiosamente minha mulher, normalmente interessada em música brasileira e new age, acabou se tornando fã da banda); o que pouca gente sabe é que logo depois de seu lançamento, ‘Evergreen’ teve uma tiragem limitada contendo um CD bônus, de subtítulo ‘History Of The Peel Sessions 1979-1997’, que trazia gravações feitas pelo grupo através de todos esses anos para a BBC, no programa do lendário John Peel, muitas delas até melhores que as versões originais, uma tetéia!

E daí pra frente eles tentaram… tentaram…  A partir do horrendo ‘What Are You Going To Do With Your Life?’, de 1999 (no qual o Les Pattinson tocou apenas em uma faixa antes de pular fora de novo – esse aí ao menos deve ter pensado direito no que fazer da vida), eles lançaram, até agora, mais seis discos (um deles, aliás, ao vivo, onde o coitado do Ian só consegue estragar as músicas antigas com sua voz totalmente comprometida pela bebida e pelo cigarro, algo só comparável ao Bob Dylan atual) que não acrescentam absolutamente nada ao que de bom eles fizeram no passado.

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“Echo & The Bunnymen”, 1987

 

Se, no final das contas, o Echo & The Bunnymen não conseguiu ser a maior banda surgida no “pós-punk” inglês ou quase não chega a ter relevância e influência hoje em dia, eles podem ainda se orgulhar de ter sido uma das grandes bandas dos anos oitenta, uma época em que, ao menos para mim, foi feita a melhor música dento daquilo que se entende por rock, música até mesmo melhor do que o que foi lançado nos cultuados anos sessenta, com todos os seus ídolos sagrados…

 

(Valdir Angeli, 64, é fã do Echo & The Bunnymen, além de colecionador e pesquisador de rock; se formou em Publicidade na Eca-Usp)

 

 

TODOS OS DISCOS DOS HOMENS COELHO

Crocodiles (1980)

Heaven Up Here (1981)

Porcupine (1983)

Ocean Rain (1984)

Echo & the Bunnymen (1987)

Reverberation (1990)

Evergreen (1997)

What Are You Going to Do with Your Life? (1999)

Flowers (2001)

Siberia (2005)

The Fountain (2009)

Meteorites (2014)

The Stars, The Oceans & The Moon (2018, será lançado oficialmente no próximo dia 5 de outubro)

 

Mais sobre a banda aqui: http://www.bunnymen.com/. E aqui também: https://www.facebook.com/thebunnymen/.

 

DOIS “COELHINHOS” (WILL SERGEANT E LES PATTINSON) JUNTOS EM POLTERGEIST – O FENÔMENO, OU OS FANTASMAS SE DIVERTEM!

 

Alex Sobrinho, especial para Zapnroll

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A dupla Poltergeist, formada pelos Bunnymen Will Sergeant (guitarras) e Les Pattinson (vocais)

 

Os puristas afirmam que o Echo & The Bunnymen acabou em 1987. Discordo somente da data: o correto seria 1997, com o disco “Evergreen”, a última vez que os três membros originais trabalharam juntos, literalmente, na composição de todas as faixas. O baixista Les Pattinson caiu fora de baixo e cuias reclamando em entrevistas que o vocalista “estava  reciclando canções solo” nos discos do Echo. Essa reciclagem pode ser ouvida no cd “What Are You Going to Do with Your Life?” (de 1999, nas faixas  “Lost on You” e “Rust”,  derivadas de “Birdy” e “Ribbon & Chains”,  presentes  no compacto “Lover, Lover, Lover”, de1992 e cover  de Leonard Cohen).

E de 1999 a 2014 vieram à tona mais cinco discos a cargo da dupla Ian McCullouch e Will Sergeant que pouco acrescentam a discografia da banda. À exceção de alguns lados B de singles, o ao vivo registrando a tour do “Ocean Rain” com orquestra que esteve no Brasil em 2010 e o EP “Avalanche” com recriações dos clássicos “Silver” e “All My Colours”. O mesmo expediente vai ser utilizado no disco a ser lançado em outubro deste ano (provando que coelho velho não aprende truque novo).

Will Seargent já tinha uma carreira solo iniciada 1978 e lançado um excelente disco influenciado pela música eletrônica chamado “Curvature of the Earth” – em 2004, com o projeto Glide. O fã que por acaso tenha torcido o nariz para os últimos trabalhos do Echo se sentirá recompensado logo na primeira audição.                                                                                   Já Les Pattinson seguiu seu caminho pondo itens dos mais variados de sua trajetória com os Bunnymen em leilão e se dedicou a fabricação de barcos. Só saiu de exílio musical atendendo ao chamado de velho companheiro Wiil Seargent para colaborar no projeto ‘Poltergeist”, que a dupla criou em 2012 e que lançou apenas um único álbum até o momento, editado em março de 2013 (lá se vão cinco anos…).

A bolacha se chama “Your Mind is Box (Let Uss Fill It Wonder)”. A sensação é de que a dupla de amigos resolveu despejar a criatividade represada pelo tempo de separação musical e virar o ouvinte pelo avesso e levá-lo para uma viagem a outra dimensão já nos primeiros acordes.

As guitarras do Will nunca estiveram tão livres e desconcertantemente geniais ao longo das oito faixas desde, desde quando mesmo… rsrs. Desde o “Curvature of The Earth” – Glide, o único paralelo possível. Logicamente é preciso dizer que o baixo de Les Patinson vem matador, pulsando nervoso quase explodindo as caixas de som ou seus ouvidos (caso ouça com fones; recomendável) em simbiose perfeita com bateria do desconhecido Nick Kilroe. Um ouvinte ocasional do disco o recomendaria aos amigos mais descolados. Já alguns fãs dos Bunnymen ficariam imaginando “ah se tivesse vocais!”. Afirmo que é desnecessário.

 

(Alex Sobrinho, além de dileto amigo zapper há anos e radialista em Colatina, Espírito Santo, também é fã FANÁTICO pelo Echo & The Bunnymen)

(e adendo do editor do blog, ouvindo agora o projeto de Will Sergeant e Les Pattinson no Spotify: melhor do que qualquer álbum que os Bunnymen gravaram de 1990 pra cá. Lembra total o Echo do início, especialmente em “Heaven Up Here” e “Porcupine”, mas sem vocais. E nem precisa!)

 

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – O JOVEM JORNALISTA ZAPPER, O ECHO & THE BUNNYMEN E A SAMPA PÓS PUNK DOS ANOS 80 E 90

***Descobrindo os Coelhinhos – Zapnroll conheceu o Echo & The Bunnymen por volta de 1983, quando o grupo lançou seu terceiro disco, o espetacular “Porcupine” (álbum sombrio e GÉLIDO em suas ambiências pós-punk). O LP foi lançado naquele ano no Brasil e o jovem Finas (com vinte aninhos de idade apenas), que havia tomado conhecimento da existência do grupo através de matérias publicadas no caderno Ilustrada, do diário paulistano Folha De S. Paulo (e assinadas pela então lenda do jornalismo cultural, mr. Pepe Escobar), foi atrás de um exemplar. Não conseguiu encontrar nas lojas onde procurou e acabou desencanando de adquirir o tal disco. Daí pra frente começou a escutar músicas do conjunto na programação noturna da rádio 97fm (localizada na cidade de Santo André e possivelmente a primeira rádio rock do Brasil), e começou a ficar literalmente apaixonado pelo som do Echo. Um ano depois também saiu no Brasil o quarto trabalho da banda, o mega clássico “Ocean Rain”. Finaski foi na Galeria Do Rock (que já existia) e achou o LP por lá, juntamente com o “Porcupine”. Comprou os dois de uma vez. E nunca mais deixou de amar Echo e os Homens Coelho.

 

***A primeira vinda ao Brasil e três histórias BIZARRAS da primeira entrevista coletiva do quarteto – Era o primeiro semestre de 1987. A produtora paulistana Poladian (que na época trazia muitos shows internacionais ao Brasil), animada pelo sucesso obtido com a turnê brasileira do inglês The Cure, que ela havia promovido em março daquele ano, resolveu arriscar novamente: anunciou que estava trazendo o Echo & The Bunnymen pra cá, e que os shows aconteceriam em maio daquele ano. Foi um verdadeiro TUMULTO entre jornalistas (o sujeito aqui incluso), fãs, góticos e darks em geral (os darks DOMINAVAM O MUNDO então). Finaski, que havia começado a trabalhar como jornalista musical há apenas um ano, conseguiu se credenciar para a primeira entrevista coletiva para a imprensa do grupo em terras brazucas, e também para assistir a um dos shows da perna paulistana da turnê (foram cinco no total na capital paulista, no Palácio do Anhembi, e todos com ingressos ESGOTADOS), sendo que eles ainda fizeram gigs em Santos (litoral paulista) e no Rio De Janeiro. E na coletiva de imprensa que rolou em uma tarde quente em Sampa, aconteceram ao menos três histórias curiosas, quase bizarras. A primeira: o jovem zapper foi para o bate papo com o conjunto vestindo estrategicamente uma t-shirt da banda The Doors, com a cara enorme do vocalista Jim Morrison estampada na camiseta. No meio da entrevista o cantor Ian McCulloch olhou para a camiseta e fez sinal de “ok” com o dedo. Segundo lance: Zapnroll foi na entrevista acompanhado dos amigos Carlos Quintero (que era proprietário da loja Antitedium Discos, na Galeria Do Rock) e Arlindinho (uia!). Este último, um moleque sensível dos seus dezenove aninhos de idade, não se contentava apenas em ser FANÁTICO pelo Echo. Ele era o SÓSIA perfeito e irmão GÊMEO de Big Mac. Tanto que a ideia da dupla Finas e Carlinhos era apresentar Arlindo para Ian ao final da entrevista. Mas o garoto ficou completamente tímido e achamos melhor abortar a aproximação entre ídolo e fã sósia perfeito. E por fim: entrevista terminada, o zapper não se fez de rogado nem tímido. Foi com uma caneta e a CAPA de “Porcupine” nas mãos até os músicos e pediu na cara larga o autógrafo de todos eles. Que foram super gentis e atenciosos e assinaram seus nomes na capa do LP.

 

***O show no Anhembi – foi, literalmente, inesquecível. Começou (se não nos falha a memória) com “Going Up”, a faixa de abertura de “Crocodiles”, o álbum de estreia dos Bunnymen. A banda em forma e potência máxima no palco. E teve “Paint It Black”, clássico dos Rolling Stones, “coverizada” já no bis. Gig igual a essa, nunca mais!

Registro HISTÓRICO e na íntegra: a banda se apresenta no Brasil em maio de 1987, aqui neste vídeo na gig realizada no Canecão, Rio De Janeiro

 

***Dançando nos porões goth de Sampa ao som dos Coelhinhos – O autor deste blog perdeu a conta das madrugadas que dançou tristonho ao som das músicas do Echo no eternamente escuríssimo porão do Madame Satã. Tempos depois (por volta de 1988), o ritual passou a se repetir na pista do Espaço Retrô, onde Zapnroll conheceu e meio que se apaixonou pela loirinha Márcia B.B. Teve um brevíssimo romance com ela e ambos ficaram algumas noites “namorando” no apê da rua Frei Caneca, ao som do Echo. Mas Marcinha (que era uma peituda lindona e xoxotudíssima) nunca quis de fato ficar pra valer com o jovem jornalista.

 

***A volta ao Brasil e o “embate” em outra coletiva – Em 1999, já em sua segunda encarnação (tendo como membros originais apenas o vocalista Ian e o guitarrista Will, e lançando álbuns cada vez menos inspirados e distantes da banda gloriosa que havia encantado o mundo rocker nos anos 80), o Echo & The Bunnymen finalmente voltou para shows ao Brasil, doze anos após a primeira turnê pelo país. Em Sampa a gig rolou na mui saudosa Via Funchal, a melhor casa de shows internacionais que existiu na capital paulista. Novamente o espaço lotou mas a banda que subiu ao palco já não ostentava mais o brilho exibido em 1987 no Palácio do Anhembi. De qualquer forma, foi uma boa apresentação. Daí para a frente o grupo começou a tocar sem parar no bananão tropical. E a cada nova turnê por aqui a qualidade das apresentações decaía mais um pouco. Numa dessas turnês, houve quase um “embate” entre o autor destas linhas memorialistas e o vocalista Ian McCulloch, durante a entrevista coletiva de imprensa dada pelo conjunto. Lá pelas tantas Finaski levantou a mão e LASCOU a porrada para Big Mac: “O que houve com aquela voz TROVEJANTE dos anos 80, afinal. Só sobrou um FIAPO dela desde que o grupo voltou à ativa”. McCulloch ficou VERMELHO como um peru e este jornalista chegou a pensar que o vocalista iria VOAR no pobre pescocinho fináttico. “Minha voz continua a mesma”, retrucou Ian, irritadíssimo. “Mas se você acha que entende tanto assim de performances vocais, vá hoje à noite ao show com PLAQUINHAS com números, e me dê NOTAS avaliando meu vocal ao final de cada canção”. A sala, claro, veio abaixo em gargalhadas.

 

***E rolou a FODA do inferno após a gig dos Bunnymen – Yeeeeesssss. Para encerrar este mini diário sentimental não poderia faltar (claaaaaro!) um relato sexual sujo e devasso envolvendo a existência zapper e seu amor pelo Echo & The Bunnymen (ainda mais nesses tempos totalmente caretas, moralistas, ultra conservadores e sacalmente politicamente corretos como os de hoje, uma historinha dessas se faz absolutamente necessária, hihi). Enfim, faltavam umas três semanas para a apresentação dos Bunnymen em Sampa, na Via Funchal. Sem ter muito o que fazer num domingo à noite lá se foi Zapnroll pro porão do Madame Satã, dançar e beber um pouco. Até que pelas tantas foi tomar um pouco de ar na porta do clássico casarão goth paulistano. Foi quando viu ali aquela DEUSA arrebatadora: toda vestida de preto, muito jovem, muito magra (mas com peitinhos durinhos e salientes) e com uma beleza facial apolínea e arrebatadora, algo parecida com a musa inglesa Siouxsie Sioux. Como se aproximar desse encanto feminino pleno, pensou o jornalista sempre mega atrevido e já cheio de más intenções. Finaski fez então o que lhe veio à cabeça naquele instante: começou a cantarolar baixinho a letra do clássico do Echo, “The Killing Moon” (seguramente uma das canções mais lindas de toda a história do rock). “Isso é Echo & The Bunnymen!”, disse a garota, algo triunfante, após alguns segundos. Wow! O contato estava estabelecido! O papo entre ambos começou e não demorou muito para a dupla descer para um dos BANHEIROS do Madame, onde os malhos incendiários começaram. Mas Aninha (o nome da deusa) não cedeu fácil e disse que precisava ir embora. O casal trocou números de telefone (não havia ainda celulares, apps, nada dessas merdas tecnológicas dos fúteis e banais tempos atuais), começou a se falar com alguma frequência e também a se encontrar algumas vezes. E o jornalista rocker e eternamente loker, já com trinta e seis anos nas costas, começou a ficar perdidamente apaixonado pela garota pois ela era inteligentíssima para os seus parcos dezessete anos de idade, além de ser um xo xo ta ço. Só restava saber se ela também… FODIA gostoso. Algo que finalmente o gonzo loker descobriu na noite da gig do Echo em Sampa. Ele convidou a sua deusa e musa pra acompanha-lo ao show. Ela mais do que aceitou, imediatamente. Apresentação encerrada na Via Funchal, primeiro o casal foi beber drinks e dançar no finado bar Nias (que funcionava no bairro de Pinheiros e era muuuuuito legal). E já no meio da madrugada e louco pra COMER a garota, o zapper sugeriu: “vamos pro Madame Satã!”. Ana topou novamente no ato e o casal embarcou num táxi rumo ao casarão do bairro do Bixiga. Quando chegou na porta, para surpresa do jornalista, a mui tesuda adolescente se antecipou: “não quero entrar. Vamos pra algum HOTEL!”. Wow!!! Ela queria FODER! E nem precisou pedir duas vezes: saímos dali literalmente voando, em busca de algum muquifo próximo que pudesse abrigar nossos desejos carnais sórdidos, sujos e imorais. E como fodia miss Aninha… uma chupada esplendorosa no caralho e pelo menos duas gozadas em que a garota goth de apenas dezessete anos literalmente urrou com o pinto fináttico enterrado em sua boceta. Um pinto que ela apelidou naquela madrugada de “pau quilométrico”, ahahaha. O jornalista sempre carentão e taradão, GRUDOU na garota, óbvio. Queria namorar com ela. Mas a guria, que havia vindo de Mato Grosso Do Sul para morar e estudar em Sampa, estava vivendo na casa de uma tia quase NAZISTA no pensamento e comportamento. Tanto que os encontros entre ela e seu paquera jornalista eram quase às escondidas (a desculpa dela era sempre que ia sair com “amigas”). Desta forma o relacionamento acabou se tornando inviável, ainda mais que um acontecimento muito trágico marcou a convivência entre Zapnroll e a garota (e que já foi relatado neste mesmo blog, anos atrás). O casal se encontrou por mais duas vezes no final das contas, trepou como se não houvesse dia seguinte e Aninha sumiu por muitos anos. Procurou o autor deste blog novamente por volta de 2013, quando estava CASADA com um espanhol com o dobro da idade dela. Procurou, quis reencontrar o agora já envelhecido blogger ainda rocker e acabou DANDO pra ele novamente. E sumiu novamente. E hoje permanece nas melhores lembranças do autor destas linhas online como uma de suas aventuras carnais inesquecíveis, da época em que o rocknroll valia a pena, a noite de Sampalândia idem e o mundo ainda tinha bandas fantásticas como o Echo & The Bunnymen mobilizando multidões.

 

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FIM DE FESTA – POR ENQUANTO!

Yeeeeesssss! O postão ficou lindão e monstrão, néan. De modos que paramos mesmo por aqui. Afinal já é quinta-feira, 6 de setembro, véspera de mais um feriadon, e o blog vai descansar que ninguém é de ferro. Mas voltamos em breve com novo postão totalmente reformulado na sua pauta, prometendo inclusive publicar novo ensaio com mais uma tesudíssima musa rocker. E também em breve colocaremos na roda alguns pares de ingressos para você ir curtir a festona de quinze anos do blog de cultura pop definitivamente mais legal da web BR, ulalá!

Até mais então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 6-9-2018,  às 3hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL, falando do neo conservadorismo que está dominando a humanidade e do disco INÉDITO de David Bowie que vai ser lançado ainda este ano! – (e ainda:) O dia mundial do rock já passou (13 de julho) mas ainda em comemoração a ele o blog diz: bem-vindos ao grande e imbatível passado do rock’n’roll! Há trinta anos o mondo rocker tinha os Smiths na Inglaterra (lançando “The Queen Is Dead”) e os Titãs em seu auge no Brasil, lançando o também histórico, clássico e até hoje insuperável “Cabeça Dinossauro”, além de zilhões de outros motivos e bandas para se realmente comemorar a data; e hoje??? Mais terrorismo e sangue na França, com o caminhão da morte espalhando sangue e horror pelas ruas de Nice; a cultura brazuca, que já anda péssima das pernas, perde um gênio do cinema; e mais uma renca de assuntos no postão que custou pacas a chegar dessa vez mas que aí está, sempre com o rock’n’roll e a cultura pop em primeiro lugar (postão FINALIZADO em 23/7/2016)

IMAGEMTITASCLASSICO

Dois nomes gigantes do rock’n’roll classe 1986: os Titãs (acima), hoje em franca decadência, lançaram há trinta anos sua obra-prima, “Cabeça Dinossauro”, um disco que merece ser relembrado nesse post; assim como os Smiths (abaixo) também legaram obras imortais para a história do rock, discos como não se fazem mais hoje em dia, infelizmente

by Stephen Wright, resin print, 1985

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ÚLTIMA, FECHANDO O POSTÃO: NOVO DISCO DO GÊNIO DAVID BOWIE A CAMINHO!

Yep. A notícia foi dada ontem (sexta-feira) e dá conta de que a nova coletânea póstuma do inesquecível Camaleão, vai se chamar “Who Can I Be Now (1974-1976)” e será lanaçada ainda este ano. E o mais importante: a compilação trará na íntegra o disco inédito “The Gouster”, que Bowie registrou ao mesmo tempo em que gravava “Young Americans”, lançado por ele em 1975.

É um período que corresponde ao auge da trajetória de Ziggy Stardust. Então deve vir parada musical ÓTIMA por aí. Vamos aguardar!

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O gênio David Bowie, em sua fase Ziggy Stardust: disco inédito a caminho

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O fim enfim do rock’n’roll.

Ou ainda, o dia em que o rock finalmente morreu, quase parafraseando o título do livro (“O dia em que o rock morreu”) lançado pelo chapa e grande jornalista André Forastieri, há dois anos. Pois após a comemoração de mais um Dia Mundial do Rock (que aconteceu anteontem, 13 de julho) Zap’n’roll reflete cada vez mais sobre um provável fim que JÁ SE ABATEU sobre o gênero musical mais popular, revolucionário e impactante surgido na metade final do século XX. Ele mesmo, o rock’n’roll, que já foi mega relevante em todos os sentidos possíveis (e não apenas no artístico mas principalmente no âmbito político e social da história contemporânea) e que desde o advento do novo milênio, da era da internet e do mundo totalmente globalizado e digitalizado/integrado por redes sociais e apps (muitos deles inúteis) parece ter mergulhado no fundo do abismo da superficialidade, da futilidade e da falta de criatividade e relevância cultural, social e política. Um mergulho sem volta, ao que parece. Papo de jornalista já velho, ranzinza e que passou dos cinqüenta anos de idade? De forma alguma: estamos em julho de 2016 e quando nos damos conta de que discos hoje já clássicos da história do rock, como “The Queen Is Dead” (do inesquecível e insuperável quarteto inglês The Smiths) ou “Cabeça Dinossauro” (dos brasileiros Titãs) estão completando três décadas de seu lançamento e que até hoje não foram superados qualitativamente por nenhuma banda ou lançamento discográfico da nova geração, aqui ou lá fora, não dá mesmo pra escapar da conclusão de que o esgotamento criativo chegou ao pop/rock planetário e que a era dos grandes grupos e dos álbuns clássicos chegou definitivamente ao fim. Pensem: quantos zilhões de grupos surgem e desaparecem com a velocidade de um meteorito nos dias atuais? Quantos emplacam apenas um hit por alguns meses (quando não apenas algumas semanas ou dias) pra depois desaparecer por completo sem deixar nenhum rastro ou saudade? Qual foi a última música que se tornou um hit clássico e duradouro na história recentíssima do rock? “Seven Nation Army”, lançada pelo já finado The White Stripes, há treze anos? Talvez… ou a popíssima e pegajosa “Pumped Up Kicks”, lançada pelo Foster The People (quem, a essa altura???) há cinco anos, que varreu o planeta em 2011 e ninguém mais se lembra dela pois já parece algo do século 19 e que já foi atropelada por milhares de outros hits mais fúteis, vazios e grudentos e cujas únicas serventias parecem ser fazer adolescentes descerebrados pularem em pistas de dança ou em shows, enquanto tiram selfies com os (as) amigos (as)? (abrindo parêntese um pouco mais longo: e pior são blogs de cultura pop que ficam caçando assunto em vários micro-posts diários sem repercussão alguma, falando com estardalhaço de nomes sem importância alguma dentro de um contexto musical SÉRIO e realmente de qualidade, como se esses nomes fossem salvar a humanidade com um peido bombástico e fedorento, né Popload? Aliás nem o bloguinho do nosso vizinho dear L.R. agüenta mais caçar tanta “novidade” irrelevante e sem importância alguma, isso em um esapço que primava por querer ser novidadeiro a todo custo). O autor destas linhas rockers bloggers, elas mesmas no ar já há quase década e meia, sempre defendeu que bandas de rock deveriam durar mesmo apenas o tempo necessário para legar uma obra gigante e inesquecível dentro da música mundial. Caso novamente dos Smiths, que duraram apenas cinco anos (de 1982 a 1987), gravaram quatro obras-primas em estúdio e deram adeus ao mundo sem dó nem piedade – tanto que a Inglaterra passou quase três décadas seguintes procurando o “novo” Smiths e nunca mais encontrou. O problema é que nos tempos atuais os conjuntos não duram absolutamente NADA. E os poucos que duram alguma coisa, nem em sonho conseguem legar um trabalho realmente estupendo do início ao fim e que algum futurólogo possa vaticinar que este trabalho irá se tornar um CLÁSSICO daqui a vinte ou trinta anos. Toda essa situação, enfim, é um tanto tristonha, melancólica. Talvez por isso que o blog zapper esteja ficando com cada vez mais desanimo e preguiça de atualizar seus posts, que demoram cada vez mais a serem renovados – não, não vamos cair mesmo na armadilha “poploader” e de outros blogs que também estão afundando, de querer caçar novidades diárias a qualquer custo e ainda mais onde elas estão cada vez mais indignas de serem mencionadas – yep, novos nomes continuam surgindo aos borbotões (e este espaço virtual escuta centenas deles diariamente na radio “new rock” da TV NET, no Spotify etc.), mas achar entre eles algum que valha realmente uma menção aqui é tarefa das mais ingratas atualmente. Por isso vamos caminhando como podemos nestas linhas online (que na real, talvez sejam extintas mesmo até o início de 2017, quando enfim pretendemos ter lançado o livro “Escadaria para o inferno – memórias de um jornalista junkie”). E falando do que realmente consideramos relevante. Como relembrar neste post que começa agora os trinta anos de “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs. Um disco imbatível até hoje. E de uma época inesquecível e igualmente imbatível do rock BR, os anos 80’. Uma época que não irá mais voltar. Ainda mais nos tempos atuais, medíocres, reacionários, conservadores e com pessoas cada vez mais ignorantes, intolerantes e bestiais espalhadas pelos quatro cantos deste triste planeta chamado Terra.

 

  • E apenas pra reforçar o que está escrito aí em cima, no editorial de abertura do post – inclusive poderia ser uma piada ou um texto engraçado esse pra abrir as notas iniciais. Mas na real corrobora e revela apenas UM dos lados trágicos da FALÊNCIA artística e qualitativa que dominou a música brasileira de hoje, o rock nacional em particular. Como jornalista musical que somos (há trinta anos), volta e meia recebemos e-mails de assessorias de imprensa, divulgando artistas e eventos como shows, lançamentos de discos e vídeos etcs. Pois bem, alguns dos últimos que recebemos esta semana (de uma assessoria de resto legal, que trabalha com a cena mais underground e cujo assessor também é um sujeito simpático e sempre prestativo com os jornalistas) nos deram a certeza de que o rock BR dos anos 2000’, mesmo o mais alternativo, está mesmo no fundo do poço. Um dos e-mails divulga as datas da edição deste ano do Matanza Fest, festival já promovido pelo grupo carioca Matanza há alguns anos. O blog zapper sempre DETESTOU o Matanza, banda escrota, machista, sexista e com letras que fariam corar um adolescente com QI de ostra. E como se não bastasse, começamos a prestar atenção nos outros grupos que irão tocar no mesmo festival (em Sampa, pros interessados, ele acontece em 17 de julho agora). No show na capital paulista estarão, ao lado do headliner pavoroso, o Cólera (Cólera sem o grande e saudoso Redson??? Temerário…) e o Zumbis do Espaço (que era ok há anos atrás e sinceramente não sabemos como está atualmente). E nas outras cidades por onde o festival vai passar? No Rio uma das bandas que vai tocar se chama MONSTROS DO ULA ULA. Isso mesmo, você não leu errado: Monstros do Ula Ula. O que ESPERAR de um grupo com um nome ridículo a esse nível? Tem mais. Outro e-mail da mesma assessoria informa que a banda MUQUETA NA OREIA (!!!) anuncia a pré-produção do seu novo disco. Wow! Uma notícia que vai causar uma REVOLUÇÃO/TERREMOTO no rock nacional! Fora que o grupo (veja bem: ele se chama Muqueta na Oreia) é descrito no referido e-mail como uma das “grandes e surpreendentes revelações do cenário do rock/metal nacional”. Jezuiz… Pobres anos 2000’. Nos anos 80’ tivemos Ira!, Legião Urbana, Titãs, Plebe Rude, Ultraje A Rigor, Violeta De Outono, Replicantes, Barão Vermelho. Hoje temos Matanza, Monstros do Ula Ula e Muqueta na Oreia. Ainda é preciso dizer algo mais sobre a MORTE do rock’n’roll aqui e lá fora?

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Muqueta na Oreia, uma das novas, hã, “sensações” do rock BR atual; pobre de nossas orelhas… rsrs

 

  • Bien, de qualquer forma e pra quem é fanático por datas comemorativas tivemos mais um Dia Mundial do Rock. Uma bobagem sem tamanho, claro, e que Zap’n’roll sempre considerou a maior babaquice – rock se vive todos os dias e não em apenas UM DIA da sua vida ou ano. Houve como sempre programações especiais em emissoras de rádio e TV (os canais pagos Brasil e Bis mostraram boas atrações especiais) e bla bla blá. MAS rolou algum evento ao vivo e específico em Sampa, por exemplo, que fosse digno de registro? O blog não ficou sabendo de nenhum…

 

 

  • Digna de nota, infelizmente, foi a notícia da morte ontem (em São Paulo) do cineasta Hector Babenco, de quem estas linhas virtuais eram fãs incondicionais. O diretor que nos legou obras-primas como “Pixote”, “O beijo da mulher aranha” e “Carandiru”, sofreu um ataque cardíaco e se foi aos setenta anos de idade. E assim a cultura nacional fica ainda mais pobre do que já está. Rip, Hector.

 

 

  • Digno de nota, II: “vovô” Mick Jagger continua em plena forma sexual e PAUZUDO aos quase setenta e três anos de idade, uia! Foi divulgado na tarde de hoje que o vocalista da eterna maior banda de rock de todos os tempos (os Rolling Stones, quem mais?) vai ser PAI pela OITAVA vez. A futura mamis é sua atual namorada, a bailarina americana Melanie Hanrick, de vinte e nove aninhos de idade. Ulalá, Mick!

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O novo XOXOTAÇO moreno que mr. Mick Jagger está TRAÇANDO (uia!); o vovô dos Stones acaba de engravidar a moça, uia!

 

 

  • Já na França o terror atacou novamente, com o caminhão da morte matando (até agora) oitenta pessoas nas ruas de Nice. A bestialidade humana chegando ao seu limite. E você aí, achando que o rock de hoje vai mudar algo no mundo…

 

 

  • O bandido e pilantra evangélico Eduardo Cunha começou a ser finalmente EJETADO da Câmara dos Deputados, com o próprio pedindo sua renúncia ao cargo de presidente da casa, na semana passada. E ontem seus últimos recursos contra o pedido de cassação do seu mandato foram rejeitados pela CCJ da Câmara. Óbvio que ainda não há muito a comemorar pois haverão MANOBRAS articuladas para SALVAR o mandato de um dos maiores mafiosos da política brasileira, alguém duvida? A saída definitiva para nos livrarmos dessa PRAGA seria ele ter de fato seu mandato CASSADO pelos colegas (o que parece difícil, mas não impossível) e ainda condenado pelo STF, pra ir passar um bom tempo na cadeia. Mas vamos aguardar o desenrolar dos próximo capítulos desta já looooonga e dantesca novela.

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Vai logo pro inferno, Cunha!

  • IMAGEM BACANUDA DA SEMANA – um casal rocker jovem e estiloso. Ele, vinte e dois anos de idade, fã de Arctic Monkeys e poesia. Ela, vinte e um, fã de Radiohead. Ambos baristas e já moram juntos. Foram descobertos ao acaso no metrô de Sampa pelo blog, que ficou encantado com o visual e a simpatia deles. Então tá aí: Jr. e Julia. Um casal rock’n’roll, sem dúvida!

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  • E ainda sobre o canal Bis: ele andou reprisando nas madrugadas desta semana que está chegando ao fim os episódios do documentário “London Calling – The Untold Story Of British Pop Music”, que foi levado ao ar originalmente pela emissora há dois anos – e naquela época estas linhas online perderam a exibição. Pois foi emocionante recordar, na madrugada de ontem, histórias sobre a cena musical de Manchester nos anos 80’, sobre como se desenvolveram selos com a célebre Factory Records e bandas como Joy Division, The Smiths e Happy Mondays. Tudo pontuado por depoimentos e entrevistas com produtores e jornalistas que contextualizam muito bem a importância social e cultural e o ambiente em que o pós-punk inglês se formou. Para nos darmos conta mais uma vez de que, sim, não haverá mais bandas iguais. E que aquela foi uma das últimas grandes gerações do rock mundial.

 

 

  • Teve showzaço do Saco de Ratos semana passada, no Centro Cultural São Paulo. Quinteto de blues/rock já com quase uma década de existência (foi formado em 2007) e liderado pelo escritor e dramaturgo Mario Bortolotto (nos vocais), o SDR está cada vez melhor e mais afiado no palco (fora que a ambiência acústica do teatro do Centro Cultural São Paulo sempre realça pra caralho a qualidade e a potência musical de uma grande banda ao vivo). As guitarras de Fabio Brum e do japa Marcelo Watanabe estão mais entrosadas e dinamicas do que nunca, e a “cozinha” formada pelo baixista Fabio e pelo batera Rick segura tudo com precisão e peso. As letras escritas e cantadas por Marião são o que os fãs do grupo já sabem: a melhor tradução “bukowskiana” para um universo povoado por marginais, desajustados sociais, boêmios, putas, putos, beberrões e todos aqueles que a sociedade “normal” costuma rejeitar. Foi showzão enfim, gratuito e além disso o blog percebeu que o quinteto está atraindo cada vez mais uma legião de xoxotões gostosíssimos às suas sempre mega animadas gigs. Não foi e perdeu? Sem problema: esses velhacos rockers e blueseiros estão sempre fazendo alguma apresentação pelo circuito de bares alternativos (ou do que resta deste circuito) da capital paulista. Quer saber mais sobre eles? Vai aqui: https://www.facebook.com/BANDA-SACO-DE-RATOS-121151831228419/.

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A turma blueseira do Saco De Ratos (acima) fez showzaço semana passada em Sampa; após a gig o blog se encontra com seu brother e chapa de alguns goles, o grande Mário Bortolotto (abaixo)

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  • Quem está de volta pela milésima vez é o já jurássico gigante indie Pixies. O quarteto do gordão Black Francis anunciou nos últimos dias o lançamento do seu novo álbum de estúdio. “Head Carrier” chega às lojas em setembro e sucede o bom “Indie Cindy”, editado há dois anos. A questão é: o quarteto deixou sua marca inquestionável nos anos 90’ e influenciou até o Nirvana. Mas quase trinta anos depois já ostenta um incômodo odor de anacronismo em seu som. E fica a questão: alguém ainda se importa realmente com os Pixies?

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Na buena: alguém ainda se importa com os Pixies?

 

 

  • Goodbye, I: o baixista Cliff Williams já avisou: vai se aposentar e deixa seu posto no AC/DC assim que acabar a atual turnê do velhão combo hard australiano. Pelo jeito, já passou da hora de a turma liderada por Angus Young pendurar as guitarras.

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O velho Cliff Williams pede pra sair e deixa o posto de baixista do já jurássico AC/DC: está na hora da banda se aposentar, não?

 

 

  • Goodbye, II: quem também anunciou que está tirando o time de campo é o guitarrista Nick McCarthy, que ajudou a fundar o Franz Ferdinand. A banda vai continuar sem ele mas na real o FF deve até hoje um álbum à altura de sua estréia, em 2004.

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Franz já não é mais um quarteto, com a saída de seu guitarrista

 

  • O retorno da baleia branca: Guns N’Roses tocam no Brasil em novembro, com sua formação “clássica” (???). Numa palavra: desecessário.

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Guns toca em novembro no Brasil, com sua formação “clássica” (hã?); desnecessário…

 

  • Bien, bora lá. Com postão novão finalmente entrando no, vamos relembrar os trinta anos de um dos mais importantes discos de toda a história do rock brasileiro. Ele mesmo, “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs e sobre o qual falamos melhor a partir de agora, aí embaixo.

 

JUNHO/JULHO s DE 1986 – HÁ TRINTA ANOS O GRANDE ROCK BR ATINGIA UM DE SEUS AUGES COM “CABEÇA DINOSSAURO”, DOS TITÃS

O tempo anda voando de anos pra cá. Parece que foi ontem que um dos mais fundamentais e essenciais discos de toda a história do rock BR foi lançado e que o então jovem jornalista zapper (iniciando-se na profissão de repórter musical) vivia escutando o mesmo no volume máximo no quarto do pequeno apartamento em que morava, na rua Frei Caneca (na região central da capital paulista). Mas na realidade já se passaram trinta anos do lançamento do sensacional “Cabeça Dinossauro”, o disco que marcou o auge da trajetória do hoje totalmente decadente grupo paulistano Titãs. O álbum foi lançado especificamente em junho de 1986 . Mas mesmo já estando em julho e por tudo o que ele significou para o rock nacional, para os fãs e para a própria banda e continua significando, é mais do que justo e necessário relembrarmos e falarmos dele neste post de Zap’n’roll.

Para chegarmos ao disco em si e entender os motivos que levaram o então octeto Titãs a conceber o trabalho da forma como ele foi concebido, é preciso retornar no tempo mais de três décadas e recordar a existência do conjunto desde seu início. Formado por um grupo de amigos músicos que estudavam no colégio Equipe (um dos mais prestigiados da capital paulistana nos anos 70’), os Titãs a princípio se chamavam Titãs do IeIeIê. E estrearam oficialmente em um grande palco profissional em setembro de 1982, no SESC Pompeia, em Sampa. Nos dois anos seguintes o conjunto (formado por OITO músicos e vocalistas) abreviou seu nome apenas para Titãs, foi burilando seu material musical e enfim conseguiu um contrato com o selo Wea (atual Warner Music), onde estrearam em disco em agosto de 1984, com um álbum homônimo. Era um disco bastante pop e que logo emplacou nas rádios a música “Sonífera Ilha”. Razoavelmente bem recebido pela crítica, não vendeu o que a gravadora esperava. Assim mesmo, no ano seguinte, o octeto entrou em estúdio novamente. Desta vez para registrar o LP “Televisão”. É o trabalho que marca a primeira mudança na formação da banda, com a saída do batera André Jung (em seu lugar entrou Charles Gavin), que foi tocar no Ira! Produzido por Lulu Santos, é também o disco que dá mais um hit para o grupo, a faixa-título que estoura nas rádios do Brasil inteiro – além dela também teve boa execução a faixa “Insensível”. Com letra escrita pelo vocalista Arnaldo Antunes (e também cantada pelo próprio), a faixa-título fazia uma inteligente e sagaz crítica ao então maior meio de comunicação de massa do mundo, a TV. E já desvelava que Antunes iria se projetar, ao longo da carreira do conjunto, como um de seus principais e melhores compositores.

“Televisão” melhorou a posição do grupo no rock nacional e dentro da gravadora Wea. Mas ainda faltava ALGO que transformasse os Titãs em uma mega banda, tanto na questão do potencial comercial quanto na aceitação integral pelo público e imprensa. E esse “algo” começou a se desenhar quando o grupo iniciou os preparativos para a gravação de seu terceiro álbum de estúdio. Ao mesmo tempo em que o conjunto pensava a formatação de seu novo trabalho, uma turbulência e nuvem negra inesperada se abateu sobre ele: no final de 1985 o guitarrista Tony Bellotto e o vocalista Arnaldo Antunes foram presos por porte (Tony) e tráfico (Arnaldo) de heroína, que ambos consumiram no apartamento onde residia o vocalista. Quando estava indo para a sua casa, de táxi, Tony foi parado em uma blitz policial. Pego ainda com uma pequena quantidade da droga e pressionado pelos policiais sobre onde a tinha conseguido, o guitarrista acabou confessando que Antunes havia lhe passado o entorpecente. Foram ambos encaminhados a um distrito policial e ao abrir o inquérito sobre o caso o delegado entendeu que Antunes, por ter fornecido a heroína ao seu companheiro de banda, deveria ser enquadrado como traficante. Tony Bellotto pagou fiança e foi libertado quase imediatamente. Já Arnaldo Antunes amargou cerca de trinta dias em cana, sob protestos dos fãs e da classe artística em geral, que se mobilizou pela sua soltura. Quando Arnaldo enfim conseguiu o relaxamento de sua prisão, os Titãs estavam bastante abalados com o episódio. E foi justamente este abalo emocional o principal combustível e motivo para que o novo trabalho de estúdio saísse como saiu.

“Cabeça Dinossauro” foi lançado quase no final de junho de 1986 e começou a bombar algumas faixas em rádio já em julho. O disco era uma cacetada e abordava temas e tocava em feridas que sempre incomodaram a sociedade “normal” (e que incomodam mais ainda atualmente, dado o processo de conservadorismo e retrocesso comportamental e moral que está se verificando no mundo todo). Com uma abordagem sonora muito menos pop que nos dois primeiros discos e investindo pesado em guitarras algo punk, além de melodias barulhentas, dançantes e aceleradas (tudo cortesia do produtor Liminha, que mudou muitas das concepções musicais do conjunto e ampliou seus horizontes a ponto de, durante muito tempo, ser chamado de “o nono titã”), o grupo atacava instituições como a igreja (na faixa do mesmo nome) e a polícia (idem, mesmo nome), além de desancar o estilo de vida e o comportamento médio das pessoas que viviam na sociedade “normal” – e aí temos obras-primas e polaróides instantâneos do que é a vida da grande maioria das pessoas em faixas como “Homem primata”, “Estado violência”, “Tô cansado” e “Porrada”. Era como se a banda quisesse gritar para o mundo seu inconformismo com as prisões (no final das contas desnecessárias, visto que os envolvidos no caso não eram bandidos perigosos mas, sim, artistas) de dois de seus integrantes e manifestar sua posição contra as arbitrariedades de uma sociedade moralista e dominada por preconceitos e conceitos comportamentais arcaicos.

CAPATITAS1986

“Cabeça Dinossauro”, a obra-prima dos Titãs: lançado em junho/julho de 1986, vendeu rapidamente trezentas mil cópias e passou a ter várias músicas tocando sem parar nas rádios, mesmo com sonoridade agressiva e falando de temas espinhosos e atacando instituições como a igreja e a polícia

 

O que ninguém imaginava era que um álbum com esse viés textual e barulhento como ele era, que abordava e atacava temas espinhosos e as convenções sociais caretas (e que, justamente por tudo isso, era considerado “difícil” pela gravadora) se tornasse um estouro de vendas e execução em rádio.

Pois foi exatamente o que aconteceu, para espanto da Wea e da própria banda. Músicas como “Aa Uu”, “Polícia” e “Bichos escrotos” invadiram as rádios e começaram a tocar sem parar. Em pouco tempo “Cabeça Dinossauro” chegava a trezentas mil cópias vendidas (a maior vendagem do grupo até então) e o grupo passou a lotar seus shows, tocando em espaços para até cinco mil pessoas. Ao longo dos meses seguintes o trabalho iria receber diversos prêmios de associações de críticos e jornalistas e a agenda de apresentações lotou: todo mundo queria ver os Titãs ao vivo e pular ao som das porradas sonoras contidas em “Cabeça Dinossauro”.

Foi a consagração e o auge dos Titãs, que estavam ainda apenas em seu terceiro álbum de estúdio. O que veio daí em diante é bastante conhecido. “Jesus não tem dentes no país dos banguelas”, editado em 1987, era uma espécie de “continuação” de “Cabeça Dinossauro”, mas sem o mesmo impacto de seu antecessor. “Go Back”, que saiu em 1988, era um disco ao vivo sem muito brilho. A banda voltou a experimentar o sucesso combinado com grande qualidade artística em “Õ Blésq Blom”, lançado em 1989 e que recebeu novamente aprovação unânime da crítica e teve boa execução de algumas de suas músicas nas rádios. A partir daí começaram as debandadas na formação titânica: Arnaldo Antunes é o primeiro a sair em 1992, logo após o grupo soltar “Tudo ao mesmo tempo agora” um ano antes. “Titanomaquia” (1993, pesadíssimo e considerado o disco “grunge” do agora septeto) e “Domingo” (1995) são talvez os últimos trabalhos dignos de nota na trajetória de um dos mais importantes nomes do rock BR dos anos 80’. Mesmo assim em 1997 o grupo, já entrando em curva artística descendente, obteve seu maior sucesso comercial com o lançamento do “Acústico MTV – Titãs”, que até hoje vendeu mais de um milhão de cópias. Mas nem isso impediu a derrocada qualitativa do conjunto e nem a saída de mais integrantes. Em junho de 2001 o guitarrista Marcelo Frommer foi atropelado e morto por uma moto equanto fazia exercícios e caminhada perto de sua casa. E pouco mais de um ano depois era a vez de o baixista Nando Reis pedir pra sair. O quinteto remanescente permaneceu junto até 2010 quando foi a vez do baterista Charles Gavin pedir a conta (em seu lugar entrou Mario Fabre, que permanece até hoje). E na última segunda-feira quem também anunciou sua saída foi o multiinstrumentista e vocalista Paulo Miklos, após permanecer trinta e cinco anos nos Titãs. Em seu lugar entrou Beto Lee, filho de Rita Lee. E da formação original restam apenas o guitarrista Tony Bellotto, o vocalista Branco Mello e o tecladista Sérgio Brito.

Com mais de três décadas de existência e sem lançar nada digno de nota há pelo menos vinte anos (pelo contrário: CDs como “Volume II”, de 1998, “As dez mais”, de 1999, “Como estão vocês?”, de 2003, “Sacos Plásticos”, de 2009, e “Nheengatu”, que saiu em 2014, são uma vergonha total para um grupo que um dia causou um terremoto no rock brasileiro com apenas três discos lançados), é muito óbvio que os Titãs, reduzidos a um trio original (com dois músicos os acompanhando) e definhando a olhos vistos, deveriam ter simancol e acabar definitivamente com sua trajetória, que já está pra lá de indigna de quinze anos pra cá. Mas alguém já disse que pouquíssimas bandas sabem a hora exata de parar (como o REM soube, por exemplo). E os Titãs já deram mostras de que perderam o timing para encerrar com dignidade sua carreira. Uma carreira que já foi sim gloriosa. E que deixa para sempre um disco imbatível, irrepreensível, já clássico e imortal como é “Cabeça Dinossauro”.

 

“CABEÇA DINOSSAURO” AÍ EMBAIXO

Para ser ouvido na íntegra.

 

TRÊS LETRAS DE UM DISCO DE 1986 E QUE PERMANECEM MAIS ATUAIS DO QUE NUNCA

 

“Polícia”

Dizem que ela existe pra ajudar
Dizem que ela existe pra proteger
Eu sei que ela pode te parar
Eu sei que ela pode te prender
Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!

Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!
Dizem pra você obedecer
Dizem pra você responder
Dizem pra você cooperar
Dizem pra você respeitar
Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!

Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!

 

“Igreja”

Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto do vigário
Nem da missa das seis.
Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça
Do milagre de Deus.
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião.

 

“Estado Violência”

Sinto no meu corpo
A dor que angustia
A lei ao meu redor
A lei que eu não queria

Estado violência
Estado hipocrisia
A lei que não é minha
A lei que eu não queria

Meu corpo não é meu
Meu coração é teu
Atrás de portas frias
O homem está só

Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
O Futuro da nação

Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
O Futuro da nação

Estado violência
Deixem-me querer
Estado violência
Deixem-me pensar
Estado violência
Deixem-me sentir
Estado violência
Deixem-me em paz

Estado violência
Deixem-me querer
Estado violência
Deixem-me pensar
Estado violência
Deixem-me sentir
Estado violência
Deixem-me em paz

Estado violência
Deixem-me querer
Estado violência
Deixem-me pensar
Estado violência
Deixem-me sentir
Estado violência
Deixem-me em paz

 

HISTÓRIAS RÁPIDAS E SELVAGENS DE SEXO, DROGAS E ROCK’N’ROLL: OS TITÃS, OS ANOS 80’/90’ E O JOVEM JORNALISTA ZAPPER NA VIDA ROCKER LOKA, AO SOM DA BANDA

  • Zap’n’roll não se lembra exatamente como e quando conheceu o som dos Titãs. Mas já curtia a banda antes de começar sua trajetória como jornalista musical profisional. Foi talvez por volta de 1985 que o então aspirante a repórter musical comprou, na extinta loja Devil Discos (na Galeria Do Rock, no centrão de Sampa), o LP “Televisão”, segundo lançamento da discografia titânica. Finaski gostava do disco mas não morria de amores por ele. Quando “Cabeça Dinossauro” saiu, em junho do ano seguinte (justamente na época em que o autor deste blog começou a fazer suas primeiras colaborações para publicações musicais), tudo mudou e foi paixão louca e instantânea pelo LP à primeira audição. “Cabeça…” literalmente virou a cabeça do jovem repórter e chapou o côco dele, que não perdeu tempo em ir atrás de credenciamento para assistir ao show de lançamento do trabalho, que aconteceu em agosto de 1986 na “lona de circo” que era o ProjetoSP, um dos espaços para gigs então mais badalados da capital paulista na época. E que ficava a menos de duzentos metros de onde o zapper morava (na rua Frei Caneca, atrás da rua Augusta e onde ficava o ProjetoSP). A “lona” lotou na noite do show e quase veio abaixo com a empolgação do público. Zap’n’roll, com seus ainda jovens vinte e três anos de idade, saiu literalmente morto da apresentação.

 

  • Daí em diante o jovem jornalista também foi crescendo em sua profissão e sempre que possível, ia a um show dos Titãs. Veio seu casamento, seu filho, o início das colaborações para a revista Somtrês, a contratação como repórter na editoria de cultura da revista IstoÉ. E entrou em cena também a cocaína e a paixão algo avassaladora do autor deste blog pelo pó branco. Bocetas loucas e calhordas também começaram a surgir aos borbotões na vida do jornalista já a essa altura bastante alucicrazy. Seu casamento foi pro saco por conta desses detalhes. Mas o gosto pelo som dos Titãs permaneceu inalterado.

 

  • Entre 1990/1993, durante as turnês de “Õ Blésq Blom”, “Tudo ao mesmo tempo agora” e “Titanomaquia”, Zap’n’roll assistiu a pelo menos uns cinco shows da banda no período. Em um deles, num ginásio do Ibirapuera (em São Paulo) LOTADO (com quinze mil pessoas lá dentro), o zapper doidão não parou de pular a gig inteira. Quase ao final dela, deu um pulo máster e se desequilibrou (estava com uma bota de couro de salto razoavelmente alto), torcendo o pé direito. Teve que sair do ginásio CARREGADO pelas irmãs Silvia e Sueli Ruksenas. E em seguida ficou de molho três dias em casa, sem poder andar.

 

  • Já em 1993 o autor deste blog e que havia terminado seu casamento um ano antes, namorava com a XOXOTUDÍSSIMA crioula Greta. Ele, trinta e um anos de idade; ela, dezoito. Um bocetaço de mamicaços gigantes e que era uma cadela em grau máximo na hora da foda (quando disparava frases como “seu cavalo, seu cachorro! Me FODE, VAI!”), era fã de rock’n’roll (adorava Doors e Smiths), de maconha, queria fazer faculdade de Letras (e acabou se formando no  curso, na USP) e… não podia beber muito que se transformava em um autêntico exu. Não deu outra: separado da ex-mulher e dividindo um apê com o amigo Felipe Britto na avenida 9 de julho (também no centrão de Sampa), o jornalista namorado do bocetão preto e crazy, armou uma autêntica “caranava do delírio” (expressão criada pelo saudoso Ezequiel Neves) para ir ver um show dos Titãs (dentro da turnê do LP “Titanomaquia”) na extinta casa Olympia (que ficava no bairro da Lapa, zona oeste de Sampa e que era outra das mais badaladas casas de espetáculos musicais da época na cidade). Reuniu Greta e uma turma de amigos no apartamento e lá fez um “esquenta” pra gig, regada a uma garrafa de whisky. Pois eis que miss Greta encheu um copo descartável até a boca e querendo dar uma de fodona, virou o mesmo de uma vez. A big shit estava armada: no meio do caminho para o Olympia a negona simplesmente DESMAIOU na rua e não tinha mais como ir para o show. O zapper ficou absolutamente puto e desesperado. Sem saber o que fazer, pediu a dois dos amigos que o acompanhavam: “peguem um táxi e a levem pra casa, aqui está a chave e grana pro táxi. E depois voltem. Eu não posso perder o show pois estou credenciado e bla bla blá”. Eles atenderam o pedido. Foram, deixaram Greta “confortavelmente” instalada na cama do jornalista e rumaram novamente pro Olympia. O show foi fodástico como de costume (sempre era, naquele tempo) e a surpresa veio quando Zap’n’roll voltou pro apartamento e foi rapidamente ver como estava sua namorada maluca. Ela estava bem e dormindo na cama. Só que… totalmente PELADA! E como ela estava absolutamente desacordada quando foi deixada no apê, permanece até hoje a dúvida: quem teria TIRADO A ROUPA da crioulaça putaça, ela mesma ou… os “amigos” (mui amigos…) do zapper? Uia!

CAPAREVISTAZORRATITAS

  • Os Titãs no auge de sua carreira estrelam a capa da primeira edição da revista Zorra, especializada em rock nacional, em 1987; foi também nessa revista que Zap’n’roll escrevia algumas de suas primeiras matérias musicais
  • Ainda em 1993 o já trintão jornalista rocker estreou como repórter de música da edição brasileira da célebre revista americana Interview – e nela permaneceu até 1996, quando a publicação deixou de circular. Sua primeira entrevista publicada na revista (que era o emprego dos sonhos de qualquer jornalista: ótimo salário, viagens de avião pra tudo quanto era canto, rodadas de whisky oito anos na redação ao final do expediente, portas abertas para festas, coquetéis etc, etc, etc, bastava ligar dizendo que era da redação da Interview que o convite saía no mesmo instante em que era pedido) foi justamente com os Titãs. E curiosamente a matéria derradeira de Finaski na revista também foi com a banda, em 1995, quando ela estava lançando o álbum “Domingo”.

 

  • Em uma das sessões de entrevista para esta matéria, realizada no estúdio paulistano Be Bop (onde o grupo estava gravando o disco “Domingo”), Zap’n’roll conheceu ELA! Quem? Laura, outro BOCETAÇO moreno, cabelos longos e que com apenas vinte e um aninhos de idade já trampava no estúdio, como técnica auxiliar de gravação. Ao ver aquele monumento na sua frente o jornalista sempre paquerador não se conteve: ao final da entrevista foi puxar papo com a garota. Ela lhe ofereceu um café, prontamente aceito. Ambos começaram a falar de música, de rock, de jornalismo. Ela era fã de… PJ Harvey, a deusa inglesa que era e é até hoje uma das paixões musicais do autor destas linhas bloggers/lokers e sempre repletas de histórias saudosas para serem resgatadas aqui. O coração zapper começou a bater mais forte pela moçoila. Os dois trocaram telefones (não havia internet naquela época, nem celulares ou redes sociais; era tudo mais sincero, real, elegante e romântico) e marcaram um encontro para a noite seguinte. Laura foi até a kit onde Finaski a essa altura estava morando (no mesmo prédio em que já havia morado em 1993, na avenida 9 de julho). E lá a dupla passou a noite TREPANDO furiosamente e depois CHEIRANDO cocaine (que a própria garota tinha levado pois ela também apreciava o “esporte”, wow!). Óbvio que o zapper se apaixonou pela boceta “perfeita”: rocker, fã de PJ Harvey e de padê, além de ótima foda na cama. E também por conta dessa paixão, óbvio que o jornalista sempre grudento e carente com suas paixões, começou a SUFOCAR a moça. O resultado foi o esperado: ela foi se afastando aos poucos, até que ambos perderam totalmente o contato. E o repórter musical  nunca mais soube do xoxotaço que ele conheceu em uma bela noite num estúdio de gravação, após entrevistar os Titãs.

 

  • Mas antes que Laurinha sumisse de vez, ela ainda acompanhou Zap’n’roll em uma gig dos Titãs no velho ginásio do Ibirapuera, na turnê do disco “Domingo”. Nessa época e por conta das entrevistas que haviam sido publicadas na Interview, o autor deste espaço online estava razoavelmente próximo do grupo. Foi assim que, show encerrado, ele e Laura foram parar no camarim dos Titãs – que estava cheio pra caralho. Lá pelas tantas o zapper sempre atento percebeu Marcelo Frommer e Branco Mello se dirigindo apressados para um dos BANHEIROS do camarim. Entraram nele e trancaram a porta. O jornalista cara-de-pau foi atrás e começou a bater na porta, dizendo: “também quero!”. Frommer abriu, Finaski entrou e disse: “põe um risco pra mim!”. Branco: “Não!”. Finaski: “Sim!”!. Frommer interveio: “porra, vamos por um risquinho pro Finatti, rsrs”. Aí foram esticadas TRÊS carreiras de cocaine no TAMPO do sanitário. E quando o blogger loker foi cheirar a sua, Branco cantarolou: “É dia de Finatti/Nem precisava tanto!”. Uia!

 

  • O último show que o blog assistiu da banda foi no final de 1995, numa das festas de aniversário da 89fm (a rádio rock, que existe até hoje). Desde então perdeu o contato com os integrantes dos Titãs e nunca mais assistiu a uma gig deles. Nem sentiu falta: com o grupo definhando aos poucos e lançando discos cada vez piores, o zapper preferiu e prefere guardar em sua memória a melhor fase do conjunto e seus momentos de glória, tanto em disco quanto ao vivo. E ambas as fases duraram, no máximo, até 1995. Agora, só escombros titânicos e só ótimas lembranças aqui, de um tempo que não vai voltar nunca mais.

 

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O NEO CONSERVADORISMO MUNDIAL – INCLUSIVE NA CULTURA POP

O que escrever e publicar neste blog, quando o mundo está tão eivada de opiniões preconceituosas, de moralismo hipócrita, de intolerância e conservadorismo expostos sem nenhum pudor ou temor? O que escrever nesta já noite de sábado (quando o post está finalmente sendo finalizado), quando se mora em uma das capitais com população mais reacionária de um país (o Brasil) já ele mesmo cada vez mais reacionário e bestial, além de inculto e ignorante? O neo conservadorismo escroto está dominando e ACABANDO com o mundo inteiro e em todas as instancias da existência humana – inclusive na cultura pop, na música, no outrora revolucionário e ultra transgressor rock’n’roll.

Você acha que não e que isso é papo de um jornalista já tiozão (o autor destas linhas virtuais), ranzinza e rabugento e que está com 5.3 já pesando nas costas? Então tomemos dois exemplos que já há alguns dias vem fustigando nossos pensamentos. Um deles é Pepeu Gomes. Sim, o véio Pepeu, que nem de longe nunca foi um primor como CANTOR, mas é um dos MELHORES GUITARRISTAS da história da música brasileira. Pois então: há mais de trinta anos (em 1983, mais exatamente), Pepeu lançou um disco solo cuja faixa-título se chamava “Masculino & Feminino”. E em cuja letra ele fazia uma alegre e inflamada elegia/apologia da diversidade sexual, quando isso nem era assunto muito recorrente na MPB. Mas a música fez sucesso naquela época justamente por não ser um tema muito explorado até então. E também porque a massa de OUVINTES de música de então era muito menos burra e careta do que o populacho dos tempos atuais.

O outro exemplo: o amado e inesquecível Renato Russo, que morreu em outubro de 1996 (lá se vão quase vinte anos…), pondo fim à Legião Urbana (um dos maiores e melhores grupos do rock nacional em todos os tempos) e nos deixando todos órfãos para sempre. Pois sete anos antes de se mandar desse mundo cada vez mais cuzão em todos os sentidos, Renato gravou “Meninos & Meninas” (no álbum “As Quatro Estações”, lançado em 1989), que também era um libelo sensacional sobre o direito de um ser humano ter de gostar de… garotos e garotas. A letra era fantástica, a música mais ainda e ela tocou horrores nas rádios naquela época, além de ser cantada em coro pelas multidões que iam aos shows da banda – e o blog ESTEVE PRESENTE em muitos desses shows.

Aí vem a pergunta: qual artista brasileiro (seja ele de MPB, axé, pagode, forró, funk, sertanojo, a puta que o pariu que for) aborda com coragem e ousadia algum tema POLÊMICO em suas canções nos dias atuais? Pagodeiros e sertanejos cretinos compõem sobre o que todos já estão carecas de ouvir (e parece que a massa tigrona não se cansa de ouvir isso): dor-de-corno, a gostosa que deu uma bota na bunda do machinho playba e por aí vai. Axezeiros: não sabem falar de outro tema a não ser exaltar a alegria de ser baiano, tudo com português sofrível, claro. Funkeiros (as)? Quando não é uma besta quadrada como a tal Anitta (que é um bocetão, reconheça-se) exaltando o poder feminino através de letras ginasianas, é o funkão proibidão tecendo vassalagem interminável à bandidagem. E nem vamos falar aqui de debilidades mentais como “Metralhadora”, “Tá tranqüilo, tá favorável”, “Gordinho gostoso” e outras aberrações que estouraram nas rádios e viralizaram na web (no YouTube) nos últimos meses ou anos. É fedor cultural/sonoro demais entupindo nossas pobres narinas e ouvidos.

LEGIAOURBANA

A inesquecível Legião Urbana: cantando a diversidade sexual em “Meninos & Meninas”, em um tempo em que o mundo era menos reacionário e careta

Vai mal o ser humano e a cultura da humanidade. Vai mal, não: vai péssima e a arte talvez esteja mesmo no fundo do abismo e com seus dias contados. A nós só restará se resignar com o fato de que não irão surgir mais outro Bob Dylan, outro Jimi Hendrix, outro Jim Morrison, outro Lou Reed, outro Bowie, outro Chico Buarque, Caetano, Gil, Gal, Elis ou mesmo (para sermos, hã, mais recentes e contemporâneos) outro Morrissey, Ian Curtis, Cazuza ou Renato Russo.

E todo esse desmantelamento artístico da cultura pop em geral e da música (e do rock) em particular, nada mais é do que o reflexo de uma humanidade que se tornou isso mesmo: ignorante, inculta, intolerante, burra e bestial. E isso num mundo dominado por alta tecnologia e globalizado pela informação ultra veloz, conectando todo mundo através da internet, de cels, redes sociais sacais, apps imbecis (o Whats app me deixou burro, muito burro demais…) e os caralho.

O que deu errado, afinal de contas? Algum leitor zapper pode dizer?

 

  • A DITADURA ESTÉTICA DAS XOXOTAS RASPADAS – é outro exemplo claríssimo do conservadorismo moral e estético que se abate nos dias de hoje sobre a humanidade. Nosso dileto leitorado (sejam leitores ou LEITORAS) já percebeu que, de anos pra cá, a DITADURA estética IMPÕE que o correto é modelos, atrizes e mulheres comuns exibirem seus sexos total DEPILADOS, sem UM pêlo que seja. Isso, claro, metaforicamente pode ser associado a alguma espécie de HIGIENIZAÇÃO e CORREÇÃO total do mulherio, não apenas na questão física como também MORAL. Seria mais ou menos isso: mulheres depiladas e bem cuidadas são as que possuem correção MORAL e ÉTICA. Quem não se adéqua a esse padrão ESTÚPIDO seria alguma espécie de “vagabunda”, “puta”, “safada” e “PORCA”. Será isso mesmo o certo? Pros dias atuais sim, claaaaaro. Mas há três décadas atrizes idolatradas e amadas pelo povão, como Claudia Ohana, Helena Ramos e Aldine Muller exibiam sem constrangimento seus bocetões PELUDÍSSIMOS, e deixavam a macharada com água na boca. Até mesmo a deusa Demi Moore, em glorioso ensaio feito por ela aos dezenove anos de idade (quando ainda não havia se tornado mega star da indústria do cinema) para uma revista francesa, não teve pudor em exibir sua xotaça totalmente peluda – e Zap’n’roll sempre AMOU bocetas que são verdadeiras matas atlânticas, rsrs. Então fica novamente a questão que não quer calar: o que deu errado com o mundo e o ser humano, afinal?

IMAGEMDEMIMOOREXOTAPELUDA

Dois XOXOTAÇOS PELUDOS sem igual, de um tempo em que não havia ditadura estética e ultra conservadorismo na humanidade: a deusa Demi Moore (acima, na flor de seus dezenove aninhos de idade) e a nossa brazuca Claudia Ohana (abaixo); bons tempos…

IMAGEMCLAUDIAOHANAPELADA

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: sem nada digno de nota sendo lançado nunca é demais re-ouvir “Cabeça Dinossauro”, o clássico dos Titãs. Mais atual do que nunca!
  • Festival da linguagem eletrônica: a edição 2016 do File (Festival internacional da linguagem eletrônica) já está rolando em Sampa, lá no prédio da Fiesp (avenida Paulista, 1313, centro da capital paulista) e vai até 19 de agosto. Quer saber mais? Vai aqui: http://www.fiesp.com.br/agenda/festival-internacional-de-linguagem-eletronica-file/.
  • Baladenhas pro finde: yeah! Postão sendo enfim concluído já na noite de sabadão. Então vamos ver o que rola de bão no circuito alternativo de Sampalândia. Começando pelo já clássico casarão que abriga o Madame Satã (na rua Conselheiro Ramalho, 873, Bixiga, centrão da cidade), e onde hoje rola super DJ set especial dedicado ao imbatível Joy Division, com discotecagem comandada pelo Rodrigo Cyber, pelo Sérgio Barbo e pelo Fábio Vietnica, todos queridos amigos destas linhas online. Mas se você quer pista entupida e open bar infernal, se joga no Outs (na rua Augusta, 486), já um clássico rocker do baixo Augusta.///E pra fechar beeeeem o finde não dá pra perder a domingueira rock’n’roll da boate gls A Loca (na rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de Sampalândia), o projeto Grind comandado há dezoito anos pelo super DJ André Pomba. Beleusma? Então vai nessa que o blog vai também, uia!

 

 

FIM DE JOGO

Mais um postão concluído, certo manos? Então é isso. Semana que vem voltamos aqui, sempre com a cultura pop e o rock alternativo em primeiro lugar. Até lá!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 23/7/2016, às 21hs.)

 

Com o país em chamas na seara política e econômica e com o mondo pop/rock em marcha lentíssima o blogão também se retrai e publica post, hã, mais modesto, falando do novo discão dos Forgotten Boys, ainda um GIGANTE da indie scene paulistana e nacional (e de quebra, historinhas “cabulosas” e cabeludas de sexo e drogas que o blogger loker viveu na cia de integrantes da banda); os treze anos de um dos bares mais tradicionais do circuito rocker alternativo de Sampa (e também aproveita para fazer uma análise de como anda atualmente essa cena de bares na capital paulista); novos discos de bandas indies nacionais bacaninhas (como o duo campineiro trip hop Seti), as notas e os (poucos) agitos da semana e… ahá!!! Uma nova musa rocker SECRETA e total PELADA, safada e ordinária em imagens realmente cadeludas, ulalá! (postão sempre em eterna e enoooooorme construção com nova ampliação falando dos 13 anos do primeiro disco do Interpol, da nova e linda música da deusa Lana Del Rey, do amado Morrissey e mostrando, claaaaaro, as fotos indecentes da nossa musa rocker SECRETA E CADELUDA, uia!) (ampliação FINAL em 27/8/2015)

O país está em crise econômica bravíssima, e que afeta todas as esferas da sociedade e da cultura; nessas o rock’n’roll alternativo vai sobrevivendo como pode e ainda assim mostra renovação e  grandes discos, como o novo álbum dos Forgotten Boys (acima, tocando ao vivo na última sexta-feira em São Paulo), ou a novíssima banda garage rock paulistana BBGG (abaixo), que toca amanhã na capital paulista

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* OS TREZE ANOS DE UM DISCAÇO DO INDIE ROCK PLANETÁRIO DOS ANOS 2000’ – Um dos principais nomes do que se convencionou chamar de “novo indie rock planetário dos anos 2000’”, o americano Interpol (que surgiu em Nova York, em 1997, portanto há quase 20 anos) lançou há 13 anos (em 20 de agosto de 2002) seu primeiro disco, “Turn On The Bright Lights”. É um cd fantástico em suas ambiências pós-punks à la Joy Division (houve na época quem achasse o vocal do guitarrista e compositor Paul Banks a reencarnação perfeita de Ian Curtis) e na qualidade fodíssima das canções – um álbum que começa com a linda e sombria “Untitled” e que ainda tem preciosidades poderosas do calibre de “PDA” (o blog bateu muito sua cabeça nas célebres DJs set no Outs, tocando essa autêntica porrada sônica), “Obstacle 1” e “NYC”, não tinha como dar errado. Foi aclamado pela crítica (só aqui no Brasil é que alguns críticos velhuscos e que gostam de classic rock, sendo que para seus cérebros e ouvidos engessados e surdos o rock’n’roll parou em Jimi Hendrix, é que torceram e torcem o nariz pro trabalho do Interpol) e a banda angariou milhões de fãs mundo afora – por aqui inclusive, onde já tocaram por duas vezes e sendo que o jornalista zapper os viu anos atrás num showzaço na extinta e saudosa Via Funchal (ao lado dos queridos Pablo Miyazawa e Lúcio Ribeiro). Depois de sua estréia, vamos reconhecer, o Interpol nunca mais foi o mesmo e até hoje tenta lançar algo próximo do que foi sua estréia musical. O mais recente trabalho de estúdio, “El Pintor” (lançado em 2014) é bem bacana. Mas ainda assim muito longe daquelas canções quase perfeitas e de melancolia perversa e soturna, que embalaram nossos ouvidos pelas pistas rockers unders noturnas de Sampa há mais de uma década. Discão, enfim. Uma obra já atemporal e que permanece até hj como marco de um novo rock de um novo milênio (pode por aí nessa lista também o primeiro dos Strokes) que prometia muito mas que infelizmente se perdeu na mediocridade que consome toda a música mundial atual.

O primeiro disco do grupo pós-punk americano Interpol, lançado há exatos 20 anos: já um clássico do indie rock dos anos 2000″

 

* Sendo que você ouvir a estréia do Interpol na íntegra aí embaixo:

 

 

* E assistir ao vídeo belíssimo que foi feito na época para “Untitle”, que abre o disco.

 

* MORRISSEY FALA, E VEM AÍ NOVAMENTE (AO QUE PARECE) – yep. O inglês vivo mais maravilhoso que existe abriu sua bocarra esta semana que hoje se encerra (sim, o postão está sendo ampliado, mas ainda NÃO encerrado, no sabadão, 22 de agosto). Morrissey, que um dia cantou à frente dos inesquecíveis Smiths (eternamente uma das cinco bandas do coração do autor destas linhas rockers online), deu uma grande entrevista ao programa inglês Larry King Show, na última terça-feira, 18. Foi sua primeira grande entrevista ao vivo em dez anos e a nossa amada biba falou de tudo: sobre o câncer que enfrentou no esôfago, Smiths (que JAMAIS irão se reunir novamente) etc. Além disso a semana também chega ao fim com a boataria extra-oficial (mas quase oficial) dando conta de que Moz vem mesmo ao Brasil em novembro, para quatro shows (dois em Sampa, um no Rio e outro em Brasília). Será??? Aguardemos pois…

 A bexa mais maravilhosa do rock: em novembro ao vivo no Brasil, mais uma vez

 

 

* LANINHA DEL REY, NOSSO XOXOTÃO INCRÍVEL E CANTANTE EM MAIS UMA NOVA CANÇÃO INCRÍVEL – essa aí embaixo. O disco novo está saindo. E deverá ser fodástico, alguém duvida?

 

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O país indo pro buraco.

É a sensação que está sendo disseminada nas últimas semanas com o agravamento da crise econômica (inflação aumentando, desemprego idem, recessão ibidem, dólar e juros nas alturas etc.) e política (impopularidade monstro da presidente da República, a oposição e eleitorado descontente querendo defenestrá-la à força de seu mandato, a corrupção endêmica espalhada pela máquina pública e pela classe política e a operação Lava Jato, da Polícia Federal, pondo a nu talvez o maior esquema de roubalheira dentro de uma estatal, a Petrobras, já visto na história do Brasil). Tudo isso acaba se refletindo NEGATIVAMENTE em todas as esferas do país – incluive na área artística e na cultura pop. Não é à toa que Zap’n’roll detectou ao longo da semana que está chegando ao fim (hoje é quinta-feira, quando a primeira parte do novo post finalmente está entrando no ar, após uma considerável demora para o surgimento deste novo totalmente inédito post) uma imensa apatia no noticiário do mondo pop/rock, sendo que foi dureza (reconhecemos) montar uma pauta minimamente razoável para esta postagem. Nada realmente muito digno de nota rolando (e o que é minimamente digno de ser registrado aqui está aí embaixo, nas notas iniciais juntamente com as matérias maiores) em termos musicais. Enquanto isso o país seguiu pegando fogo durante toda a semana, com a Lava Jato avançando em suas investigações, enjaulando políticos, empreiteiros e tubarões variados, e com a oposição política e a turma do eleitorado “coxinha” (e qiue não soube perder as eleições nas urnas) insistindo no absurdo de querer o impeachment da presidente. Sendo que no próximo dia 16, domingo, vai haver nova manifestação nacional contra o governo federal. Estas linhas online, que votaram sim em Dilma e em seu Partido (o PT), reconhecem que a situação do Brasil nesse momento é de fato gravíssima. Mas daí a defender algo tão esdrúxulo e mesquinho quanto o afastamento da presidente, é ridículo. Sim, porque apesar de tudo o que está acontecendo e vindo à tona, só idiotas não percebem que existe uma diferença gigante entre o que é Dilma e o que é Aécio Neves e o que foi e continua sendo Fernando Collor – esse sim bandido assumido e que por ser o que é foi arrancado da presidência da República em 1992. Por mais que o petismo tenha errado e aparelhado a máquina pública, por mais que integrantes do partido tenham revelado sua face criminosa (e Zé Dirceu é, com certeza, um criminoso histórico e uma figura pela qual o blog nunca teve nenhuma simpatia) e por mais que se saiba que Dilma é sim turrona, teimosa e cabeça-dura, também se sabe que suas mãos aparentam ser LIMPAS e que ela não compactua com esse mar de lama. Caso compactuasse NUNCA que a Polícia Federal iria tão longe nas investigações da Lava Jato. Enfim, é um momento crítico para o país e para suas instituições democráticas. E o que nos resta é torcer para que o furacão venha e purifique/limpe tudo o que precisa ser limpado aqui. Que depois venha a bonança e que fique em nossa política apenas o que realmente presta e que vale a pena. E que junto com isso os bons sons e agitos também voltem à cultura pop. Estaremos por aqui torcendo por tudo isso e sempre atentos também a tudo isso.

 

 

* Ainda sobre a questão da crise pela qual o país está passando e sobre o PANELAÇO que rolou na semana passada: esse bando de coxinhas é mesmo reaça ao cubo e burrão. Batem panelas chics em varandas gourmet e vão às ruas nesse domingo, dia 16, para pedir o impeachment da presidente. Que beleza! Todos querendo Michel Temor, Eduardo Escroque Cunha, Renan Roubalheira ou os MILICOS no poder, uia! Vão caçar o que fazer na vida, bando de otários!

 

 

* Circulando na internet, a propósito do protesto contra o governo federal marcado para este domingo, este “manual” de como ir na passeata e protestar corretamente, uia! Vejam só, hihihi.

 

* E a polícia militar ASSASSINA do Estado de São Paulo, (des) governado pelo MERDA GIGANTE chamado Geraldo Alckmin, comprova mais uma vez: no Tucanistão é Lei de Talião. Olho por olho, dente por dente. Aqui a polícia MATA MAIS! Parabéns (ou pêsames?) para ela!

 

 

* Enfim, cá estamos. Após quase um mês sem atualizar o blog, mas firmes e fortes, com a audiência lindona de sempre (mais de 100 likes, quase 150 comentários, tá ótimo!). E a demora na chegada do novo postão se deveu a uma série de fatores alheios à nossa vontade. Mas felizmente cá estamos, com o mesmo pique de sempre.

 

 

* E a BOMBA no mondo pop esta semana foi essa aí mesmo, ulalá! Dessa vez o MORDOMO não é o culpado ou vilão da história. E sim a… babá! E que BABÁ! Um XOXOTAÇO cadeludo pra nenhum macho reclamar – o ator Ben Affleck e o jogador americano Tom Brady (a essa altura, ex-Gisele Bundchen???) que o digam, uia! Dá-lhe, cachorrona!!!

Uma doce e PUTAÇA/CADELAÇA/XOTAÇA babá, pra nenhum Ben Affleck ou marido da Gisele Bundchen botar defeito, uia! Sabem de nada, esposas inocentes, hihihi.

 

* A doce, SAFADA e CADELUDA babá, uma deliciosa “destruidora de lares” e que NÃO passava despercebida, ulalá! Aqui: http://g1.globo.com/jornal-da-globo/videos/t/edicoes/v/baba-e-apontada-como-pivo-da-separacao-de-famosos-como-ben-affleck/4389372/.

 

* E aqui também: http://pagesix.com/2015/08/11/ex-affleck-nanny-took-private-jet-to-vegas-with-ben-and-tom-brady/.

 

 

* Um BOCETAÇO sem igual, aos 57 de idade. Sendo que “Instinto selvagem” fez gerações se acabar na punheta. E eis que miss Sharon Stone permanece GLORIOSA, como mostra o ensaio nude que ela fez para a capa da revista americana Harper’s Baazar deste mês.

Ela continua um XOXOTAÇO, mesmo aos 57 anos de idade

 

 

* ESPAÇO RETRÔ: E ASSIM QUASE TRINTA ANOS SE PASSARAM – quem convive e vive perambulando pela atual cena de bares alternativos e de rock dos dias de hoje, lá pela região do baixo Augusta, próximo ao centro de Sampa (e onde se concentram clubes como o Outs, Inferno, Astronete, Blitz Haus, Tex, A Loca e Funhouse, todos analisados na segunda matéria principal deste post, logo mais aí embaixo), é provavelmente muito jovem (na casa dos 20/25 anos de idade, se não tiver menos do que essa faixa etária). E nem imagina como era ser rocker e alternativo nos idos de 1988/1998, a década em que existiu o célebre, saudoso e lendário Espaço Retrô, talvez até hoje o nome mais simbólico e importante da cena de bares dedicados ao rock e a cena alternativa paulistana. A primeira fase do clube começou a funcionar em meados de 1988, em um sobradinho estilo clássico que ficava na rua Frederido Abranches, atrás da igreja de Santa Cecília, no bairro do mesmo nome, na região central da capital paulista. E o autor deste espaço virtual sempre loker e calhorda (opa!) conheceu o Retrô no segundo semestre daquele ano e ali viveu algumas (muitas, aliás) das aveturas envolvendo drogas e putaria mais calhordas que alguém poderia viver em sua existência. Mas isso nós contamos com mais detalhes daqui a pouco, dando uma ampliada bacanuda neste tópico

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* Aliás o post está sendo construído na correria brava de sempre e mesmo nossas notas iniciais irão sendo incluídas aqui aos poucos. Por enquanto vai aí embaixo e veja como é o novo discaço do grande e já veterano Forgotten Boys.

 

 

OS “GAROTOS ESQUECIDOS” RESISTEM AO TEMPO – E LANÇAM UM CD DE COVERS MATADOR, RELENDO ROCKS E PROTO-PUNKS FODÕES E CLASSUDOS

A história do grupo paulistano Forgotten Boys já dura quase duas décadas, boa parte desse período acompanhado bem de perto pelo autor deste blog, que sempre foi um amigo próximo dos “garotos esquecidos” (principalmente do vocalista, guitarrista e fundador do conjunto, Gustavo Riviera, e do ex-baterista Flávio Forgotten, um eterno sujeito total alucicrazy e que costuma se referir ao seu amigo blogger zapper como “titio Finas”, rsrs). Fundado em 1997 por Gustavo e pelo falecido músico argentino Arthur Franquini, o FB logo chamou a atenção na cena independente rock brazuca por prestar ótima vassalagem em seu som ao proto-punk de MC-5 e Stooges, ao rock de garagem dos Stones sessentistas e ao glam/punk setentista de Ramones e New York Dolls. Isso rendeu ao atual quinteto (que além de Gustavo nas guitarras e vocais ainda conta com Dionisio Dazul também nas guitarras, Paulo Kishimoto nos teclados, Zé Mazzei no baixo e Thiago Sierra na bateria) grandes momentos e performances ao vivo, além de uma trajetória de poucos mas grandes discos. Como o novo que acaba de sair, “Outside Of Society” e onde a banda gravou apenas covers de clássicos do garage/glam/proto-punk rock. São onze faixas matadoras e o resultado não poderia ser melhor e mais esporrento. É o cd que o blog tem escutado sem parar nos últimos dias.

 

O grupo não lançava um novo trabalho há quatro anos já – o último disco de estúdio foi “Taste It”, editado em 2011. E também tem feito poucas apresentações ao vivo, talvez por conta do refluxo geral que o país vive em todas as áreas, inclusive na cena rocker alternativa. Isso no entanto não desanimou o conjunto e a convite do selo argentino Rastrillo Records, ele se trancou no estúdio El Rocha em São Paulo (sob a direção musical do produtor Fernando Sanches), para sair de lá com um disquinho/discão que tem uma tiragem de apenas quinhentas cópias – a do blog é a de número cento e vinte e oito. E nesses tempos de internet e troca sem censura e sem pudor de arquivos musicais, ainda nada do álbum vazou por lá. Também não há áudios do trabalho no YouTube e nem no site do grupo ou na sua página oficial no Facebook. Ou seja, como nos tempos do saudoso, bom e velho vinil quem quiser ouvir o cd, ao menos por enquanto, terá que correr atrás de uma das quinhentas cópias físicas dele, entrando em contato com o próprio conjunto ou tentando achá-lo em alguma loja especializada. E você pode acreditar na palavra destas linhas online: vale muito a pena ir atrás do álbum.

 

Trata-se de um registro que, no final das contas, ratifica tudo aquilo que sempre foi a paixão do FB e formatou seu som. Tem “Rock’n’roll Nigger”, da lenda e musa Patti Smith. Tem uma versão mais lenta e algo psychobilly de “Summertime Blues” (do gênio imortal Eddie Cochran), tem Ramones, Johnny Thunders (a bicha louca genial que deu ao mundo os New York Dolls), tem uma versão fodíssima de “1969” (dos Stooges) e um cover mais rock’n’roll e menos psicodélico de “Citadel”, dos gigantes Rolling Stones. Tudo gravado com as guitarras em chamas de sempre e com Gustavo mantendo os vocais agudos e rock’n’roll que sempre caracterizaram sua inflexão.

Capa do novo disco dos Forgotten Boys (acima e abaixo): apenas covers, mas de clássicos fodaços do rock’n’roll e tocadas com tesão, fúria e competência absolutas

 

Apesar de não trazer material musical composto pelo grupo, “Outside Of Society” é um disco tão bom quanto “Gimme More” (lançado em 2003) ou “Stand By The D.A.N.C.E.”, editado pelo grupo em 2005 e que chegou a colocar o FB na capa do caderno Ilustrada, do jornal Folha De S. Paulo. Não há por enquanto planos dos Garotos Esquecidos para voltar ao estúdio e registrar um novo disco com material inédito, como informa Gustavo Riviera em bate-papo rápido com o blog (leia mais abaixo). Sem problema: este álbum de covers dos Forgotten Boys mostra que os já tiozinhos da cena indie nacional ainda têm muito fôlego e lenha pra queimar. E que o grupo segue, mesmo tocando material alheio (e no caso, com competência absoluta e com um repertório fodíssimo, que dá prazer máximo em ouvir), muuuuito superior em qualidade ao grosso da mediocridade que hoje reina sem fim entre as bandas independentes brasileiras.

 

* Para saber mais sobre os Forgotten Boys e ir atrás do novo disco deles, vai aqui: http://forgottenboys.com.br/#hero, e aqui também: https://www.facebook.com/forgottenboys/timeline.

 

 

TRÊS PERGUNTAS PARA GUSTAVO RIVIERA (VOCALISTA, GUITARRISTA E FUNDADOR DOS FORGOTTEN BOYS)

Os “Garotos esquecidos” no palco: mesmo após quase vinte anos de banda, o show deles continua total esporrento e rock’n’roll

Zap’n’roll – Como o Forgotten Boys, que já está com mais de quinze anos de existência, conseguiu e continua conseguindo se manter na ativa durante tanto tempo na cena independente nacional?

Gustavo Riviera – Porque na cena independente temos a liberdade. Fazemos como achamos que tem que tem que ser feito, é uma escolha nossa fazer de tal jeito. Isso nos mantém com uma satisfação, por isso se segue. Continuamos excitados!

 

Zap – Por que lançar agora um disco de covers (muito bom, diga-se) com alguns clássicos do rock de garagem e do proto-punk que influenciaram a banda?

Gustavo – A ideia veio do Roy Cicala [falecido produtor americano, que trabalhou com gigantes como AC/DC, e que morreu vitimado por um câncer no ano passado, quando já estava morando há quase uma década em São Paulo], que na época que eu estava produzindo o disco do Moondogs com ele gravando, viu na internet nós fazendo uma versão de “Citadel” dos Stones em um tributo e disse que queria gravar um disco de versōes nosso. Decidimos as músicas, que seriam de bandas que nos influenciaram de alguma maneira, aí ele ficou doente,  tivemos que esperar, fui morar fora e ele insistia que ainda queria gravar quando eu voltasse. Mas acabou falecendo. Mesmo assim decidimos fazer. E virou outra coisa bem legal, que fizemos no Estudio El Rocha, que é nossa segunda casa, com o  Fernando Sanches, gravamos duas músicas com o Hurtmold, tudo legal, tá bem legal o disco.

 

Zap – Há planos para um novo disco com material inédito do grupo? Se sim, quando ele deverá sair?

Gustavo – Planos sim, mas prazos nāo. Outro lance é uma coletânea que deve sair em vinil pela Rastrillo records na Argentina. Mas por enquanto vamos tocar em frente o “Outside of Society”.

 

 

FORGOTTEN BOYS E ZAP’N’ROLL – HISTÓRIAS BREVES DE SEXO, DROGAS (MUITAS), VIOLÊNCIA (COM DIREITO A TIROS PRO ALTO) E ROCK’N’ROLL (SEMPRE!)

Os Forgotten Boys existem há quase vinte anos (a banda foi fundada em 1997 por Gustavo Riviera e pelo músico argentino Arthur Frankini). E o jornalista loker/gonzo resposável por este blogger rocker convive com a banda há mais de dez. A amizade e proximidade com a turma (principalmente com o ex-baterista Flávio Cavichioli, um sujeito doidaralhaço quase em tempo integral, além de um dos cinco melhores bateras de toda a indie scene nacional que importa) não podia dar em outra parada: sempre rendeu ótimas e inacreditáveis histórias de putaria, drugs e grande rock’n’roll.

 

Algumas dessas histórias foram selecionadas para este post e estão rememoradas aí embaixo, para o deleite do nosso sempre dileto leitorado.

 

* Show no extinto bar Juke Joint em Sampa (em alguma madrugada maluca de 2003) – O grupo tinha lançado naquele ano um de seus melhores trabalhos de estúdio, ”Gimme More”. E a revista Dynamite (que ainda existia em sua edição impressa) resolveu dar a capa de sua edição vindoura da época pro FB. E adivinhem QUEM foi escalado para entrevistar a banda? Claaaaaro, o jornalista junkie e amigo do conjunto. A entrevista foi então marcada para a noite em que ela iria tocar no Juke Joint (uma espelunca rocker fodíssima que funcionava no porão de um antigo casarão na rua Frei Caneca, no centrão de Sampa), onde circulavam bocetas tatuadas e cadeludas e amantes de rock’n’roll e dorgas aos montes (o blog deu algumas trepadas muito boas naqueles banheiros imundos, rsrs). E foi realizada no jardim que existia no fundo do bar, depois da pista de dança, antes de o show começar. Tudo ia bem até que passou correndo pela mesa em que músicos e jornalista conversavam um sujeito alucinado, chamando todo mundo pro… BANHEIRO! Todos se levantaram imediatamente e foram correndo atrás do cara, o zapper incluso e falando esbaforido: “eu também quero!”. Não é preciso dizer o que esperava o FB e o autor deste blog no banheiron: devastação nasal no capricho, ulalá! De lá o grupo foi direito pro palco, fazendo mais um set esporrento e que foi apenas parte de mais uma madrugada demente na vida do repórter maloker.

 

* Festival Calango em Cuiabá (segundo semestre de 2006) – foi há quase uma década. O FB estava escalado para ser o headliner da última noite do evento, fechando-o com o show rock’n’roll incendiário de sempre. O jornalista zapper já havia passado duas noites seguidas COBRINDO o festival e TAMBÉM enfiando com gosto o pé na lama (leia-se: bebendo whisky com energético aos borbotões, mamando nas TETAS gigantes de uma xoxotaça loka que estava trabalhando na equipe do Calango e DEITANDO A NAPA sem dó em taturanas e taturanas bem fornidas de cocaine). Pois tudo ia muito bem até quase o final do set do quarteto (então em sua formação quase “clássica” e original, com Gustavo e Chuck Hiphólitho nas guitarras e vocais, Fralda no baixo e Forgottinho na bateria). Foi quando o figuraça Alejandro Marjanov (conhecidíssimo músico e produtor argentino que reside há anos em Sampa, onde toca na banda Detetives), que era um dos técnicos de som do festival e que estava very crazy por conta de um ÁCIDO que tinha tomado horas antes, resolveu dançar e rodopiar o corpo à toda no fundo do palco – e onde também estava o autor destas linhas online malucas, confortavelmente instalado numa espécie de mini sofá. E fazendo o quê nesse mini sofá? Ora, ESTICANDO A ÚLTIMA CARREIRA de cocaína (sendo que a de Cuiabá sempre era de excelente qualidade, uia!) que ele tinha pra cheirar naquela já madrugada de segunda-feira. Pois aí se deu a “tragédia”: Marjanov ensandecido ficou dançando com uma garrafa de água mineiral grande nas mãos e cheia até a boca – e que estava sem tampa. Não deu outra: voou água pra todo lado, que acabou atingindo a FIAÇÃO do palco e provocando uma pane geral no equipamento de som, que emudeceu por completo. O show acabou ali mesmo, quando ainda faltavam umas três músicas para o final dele. Flavinho se levantou emputecido do banquinho atrás do kit de bateria e ao se ver de frente com uma TATURANA de padê esticada em cima de um cd (a que o jornalista gonzolino iria aspirar), não teve dúvidas: mergulhou sua nareba na dita cuja e a aspirou com vontade, sem sequer usar algum tipo de “canudo” pra cometer sua insanidade. O autor deste blog entrou em fúria, claro. E quase voou no pescoço do baterista, reclamando: “filho da puta! Era a ÚLTIMA carreira que eu tinha! Se você faz isso com um cara que não é amigo seu ou é algum malaco, ele te MATA!”. De nada adiantou essa irritação toda, óbvio. Forgottinho ficou doidinho, o jornalista loker putinho e ambos são amigos queridos até hoje, ahahaha.

 O jornalista eternamente loker/gonzo ao lado de seu “sobrinho”, Flávio Forgotten e da sua girlfriend, a igualmente querida Samantha, em balada sempre rock e alucicrazy no Inferno Club (acima); e abaixo o autor desta esbórnia blogger rocker perde completamente o juízo e a compostura (turbinado que estava por excessos etílicos e de cocaine, uia!) e vai pro palco “bater tambor” durante show dos Corazones Muertos, em 2013

 

* Festa DESASTROSA do blog em bar goth nos Jardins, em Sampa, com direito a TIROS para o alto (em outra madrugada também “trágica”, e também em 2003) – sabe aquelas noites em que quase TUDO dá errado na sua vida e talvez tivesse sido melhor você ter ficado em casa? Pois ESSA foi uma dessas madrugadas. Zap’n’roll ainda era coluna semanal no portal Dynamite online e estava há cerca de seis meses no ar. E teve a “brilhante” idéia de fazer uma “festinha” em uma casa noturna alternativa para comemorar a data. O erro já começou pela escolha do local: um bar gothic rock que funcionava há pouco tempo numa travessa da rua Pamplona, no bairro dos Jardins (zona sul de Sampalândia), e que não andava bem de público. O dono do local, o conhecido DJ Berns e chegado do autor deste blog, ofereceu o espaço, tudo foi acertado e óbvio que Zap’n’roll chamou seus amigos do FB pra fazer o show, combinando dar parte da bilheteria da noite pra banda a título de cachê. Deu tudo errado, claro. O público da casa não tinha absolutamente nada a ver com o grupo e o público habitual do FB (um bando de bocetas delícia total e sempre lokas, rock’n’roll total e tatuadas) não deu as caras. A bilheteria foi um FIASCO e não havia GRANA pra dar pro conjunto. Os ânimos se exaltaram por conta disso no camarim ao final do set, a discussão entre jornalista e promotor da festa e músicos se acirrou até que o baixista Fralda (amigo do blog desde a adolescência, quando havia trabalhado como office-boy na redação da mesma Dynamite), já “turbinado” por doses de álcool, literalmente empurrou o autor deste blog pra fora do camarim aos gritos e tentando acertar uma “voadora” nele, no que foi contido por Gustavo e (imaginem) pelo loki Flavinho Forgotten. Era o sinal de que a amizade entre jornalista e banda estava correndo risco sério, por conta de uma noite e uma festa desastrosa. No final das contas o quarteto recebeu um cachê miserável e foi embora bem puto (não sem razão). E quando estava entrando em sua van o sujeito aqui ainda foi se despedir e se desculpar pelo ocorrido com Forgottinho. O roadie do grupo, que já estava de péssimo humor com a situação toda, partiu em direção ao jornalista quase ex-amigo do conjunto, com a intenção nada amigável de dar-lhe uns sopapos. Mas mudou de idéia quando um dos SEGURANÇAS do bar, também já de saco cheio de tanta encrenca, simplesmente sacou um BERRO da sua cintura e disparou dois PIPOCOS para o alto. Foi o suficiente pra roadie e banda entrarem correndo na van e se mandar dali. E o zapper não sabia se ficava agradecido pela atitude do segurança ou se o reprovava, já que somos notoriamente contra qualquer tipo de violência, ainda mais envolvendo arma de fogo. Enfim, isso aconteceu há mais de uma década e hoje em dia, quando o blog e Gustavo se lembram dessa história, a dupla cai na gargalhada.

 

* Show do grupo Corazones Muertos no clube Hole, em Sampa (outubro de 2013) – com tumor canceroso detectado na garaganta seis meses antes e prestes a iniciar um tratamento pesado de quimio e radioterapia, o jornalista eternamente alucicrazy estava dando suas última enfiadas grotescas de pé na lama, antes de parar com tudo pelos quatro meses seguintes (e depois que o tratamento se encerrou, a bem da verdade, o autor deste espaço virtual reduziu suas loucuras em cerca de 80%, se tornando um homem quase “normal”, hihihi). E uma dessas enfiações monstro de pé em álcool e drugs foi na madrugada em que o bacana grupo Corazones Muertos foi tocar no clube Hole, na rua Augusta (em um porão chic na parte dos Jardins da Augusta, e cuja dona é ninguém menos do que a igualmente loka Lu Brandão, mãe do vocalista Branco Mello, dos Titãs), onde Flavinho Forgottinho toca batera atualmente. E antes dos Corazones tocarem uma banda glam/rocker fez o show de “aquecimento”, e resolveu prestar uma homenagem aos Forgotten Boys, tocando um cover da fodona canção “Cumm On” do FB. Convidaram Forgottinho pra subir ao palco e tocar bateria nela. E o coroa maloker aqui, já bastante alterado por doses de álcool e devastações nasais, não teve dúvidas: também SUBIU NO PALCO e munido de uma “caixa” de bateria, ficou “batendo tambor” encostado na parede, enquanto a música era executada. Interno de manicômio perderia longe, com certeza, rsrs.

 

 

FB AÍ EMBAIXO

No vídeo da já clássica “Cumm On”. E também no áudio integral do álbum “Stand By The D.A.N.C.E.”, de 2005 e um dos grandes momentos do grupo.

 

 

OS TREZE ANOS DO BAR PAULISTANO FUNHOUSE MOTIVAM O BLOG A DAR UMA ANALISADA NA ATUAL CENA DE CLUBES ALTERNATIVOS DE ROCK DA CAPITAL PAULISTA

Yep. Na semana passada a casa noturna Funhouse, localizada em um sobradinho em estilo clássico na rua Bela Cintra (região do baixo Augusta, no centro de São Paulo), comemorou com festa seus treze anos de existência. Teve show da novíssima banda de garotas (e um garoto) de Sampa BBGG e tal. E a Fun, que está resistindo ao tempo junto com algumas poucas outras casas noturnas dedicadas exclusivamente a tocar rock alternativo na capital paulista, já formou uma geração de garotos e gatas ao som de Strokes, Blur, Oasis, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys etc.

 

Não é pouco em um tempo onde a palavra de ordem é crise econômica em todos os setores do país, com reflexo direto na cena de bares e de bandas que atuam no circuito do rock independente brasileiro. De alguns anos pra cá esses bares alternativos viu seu público escassear, o que obrigou os proprietários a repensar estratégias de funcionamento e o som que toca nesse locais, isso quando eles simplesmente não fecharam suas portas. Dentro desse qaudro a Funhouse já é uma sobrevivente, assim como também são clubes como Outs e Inferno (na rua Augusta), e a amada A Loca (na rua Frei Caneca), o point gls mais famoso da capital paulista. São os clubes mais antigos da região ainda em funcionamento (veja mais abaixo).

 

Sobre como anda esse circuito atualmente, Zap’n’roll foi conversar com alguns personagens que atuam diretamente nele há anos. Como a linda e loira (atualmente mais ruiva do que loira) Dani Buarque. Modelo e atriz, vinte e sete anos de idade, promoter de algumas das noites mais badaladas do baixo Augusta e (ufa!) guitarrista e vocalista na banda BBGG, Dani avalia que realmente houve um retrocesso na cena, mas que ela continua se mantendo. “Entre 2009 e agora deu uma bela caída na cena do rock underground. Perdemos espaço pra bandas autorais, as baladas ficaram mais tendendo pro pop mas desde o ano passado esse espaço tá sendo reconquistado novamente”, acredita ela. “A própria funhouse onde trabalhei como hostess e depois gerente, estava quase 3 anos sem shows e esse ano eu e uns amigos que frequentam e tocam no underground de SP nos reunimos pra criar a festa “Surdina”, que é a volta e bandas ao vivo e autoral na Funhouse. Tivemos 100% de apoio da casa e a festa tá linda e começará a ser edição quinzenal em setembro, e não mais mensal. Também tenho a festa “Bandit” na  TEX [nova e badalada casa noturna, tipo bar americano, que foi inaugurada há poucos meses na Augusta, pelo DJ e empresário Click] que é puro rock, a galera cola em peso e agora estamos colocando banda lá também. Esse mês é tributo Amy Winehouse. A cena tá voltando sim, vejo um progresso”, avalia.

A linda, loira e gatíssima modelo, atriz, promoter e cantora Dani Buarque (acima) e o super dj André Pomba (abaixo, ao lado de Zap’n’roll na cabine de som do clube A Loca): para ambos a cena alternativa de bares e grupos de rock está passando por um momento realmente difícil, mas ainda assim segue firme e forte

 

Para André Pomba, 5.1 de idade, dileto amigo destas linhas virtuais e um dos DJs mais conhecidos da noite alternativa paulistana (ele discoteca há dezessete anos na Loca, onde é responsável pelas noites “Loucuras, às quintas-feiras, e pelo já clássico Grind, projeto rock que rola aos domingos no clube), a especulação imobiliária na região da rua Augusta também afetou a continuidade da existência de bares dedicados ao rock. “Sinto falta de espaços que priorizem essa cena de bandas independentes, como era anos atrás, como o Juke Joint e a Outs mais no começo, por exemplo. Hoje em dia tudo parece voltado para open bar e discotecagens e se esquecem que sem as bandas a cena não recicla e corre serio risco de retração”, analisa. “O projeto Grind surgiu para abrir a cabeça do rock para a cena GLS, teve uma época que se popularizou, ficou pop demais, mas hoje mantem-se fiel às origens mantendo um público em torno de 400 pessoas, o que é ótimo para um domingo” diz ele, que ainda vê com ânimo a atual cena de bares: “Eu acho que apesar da crise e da especulação imobiliária, algumas casas fecham e outras são abertas na mesma velocidade. Inegável dizer que a cena tem se mantido ativa, embora com espaço prejudicado para bandas que fazem rock autoral. Acho que o segredo da Alôca ao completar 20 anos é de ir se adaptando as novas realidades, e ao mesmo tempo ser tipo precursora numa região que 20 anos atrás só tinham puteiros”.

 

Joe Klenner, proprietário do Inferno Club e também guitarrista e vocalista da banda Corazones Muertos é o mais cético dos que emitiram sua opinião para esta matéria. E não poupa desalento ao comentar sobre o atual momento da cena alternativa de bares e bandas rockers: “A cena alternativa está uma bosta… se bem que toda cena musical sofre mudanças constantes em todo lugar, na minha opinião, mas nos últimos anos está bem ruim mesmo. Um reflexo disso é a quantidade de bandas covers que se tem hoje em dia. É muito triste ver a falta de interesse das pessoas em criar as suas próprias musicas. Sem falar dos inúmeros bares e lugares que simplesmente não abrem suas portas pra bandas autorais. Eu sinto muita falta da cena que existia em São Paulo há alguns anos. Era só sair qualquer dia da semana que vc tinha um monte de espaços com festas de rock e bandas tocando, todos os dias.Foi assim que a gente se conheceu né… hahaha”. Mas mesmo com tanto ceticismo ele ainda enxerga alguns pontos positivos no atual momento: “Por outro lado, o ponto positivo é que tem poucas, mas boas bandas surgindo constantemente, e como diz o ditado: melhor qualidade do que quantidade. E o Inferno já virou um clássico e uma referencia na cena. Já passamos por muitas situações e fases nos quase 10 anos de vida do clube. Quando nós abrimos, não existiam as baladas que se tem hoje em dia na Rua Augusta. Era o Outs, Funhouse e o Vegas, que eu me lembre….o resto eram só puteiros, putas e traficantes. No começo era praticamente impensável pra gente abrir uma noite sem uma banda no palco. Hoje em dia temos muitas festas só com musica mecânica rolando, ou seja dj´s. Mas sempre tentamos abrir espaço pra shows e bandas novas. Fazemos muitos festivais de bandas novas pra que possam difundir seu trabalho. Eu acho que é responsabilidade nossa tambem fomentar e difundir a cena”, acredita o músico.

 

Enfim, a cena alternativa quebra mas não verga. Aos trancos e barrancos, sobrevivendo como pode e enfretando momentos de crise e adversidade, ainda assim ela segue em frente e felizmente. Então quando VOCÊ, dileto leitor zapper, for dar seu rolê noturno no final de semana pelo baixo Augusta, não se esqueça: ainda há muito rock’n’roll rolando por ali, em bares e clubes que pelo jeito irão manter essa cena viva e atuante para sempre.

 

 

OS BARES E CLUBES CAMPEÕES EM LONGEVIDADE NO CIRCUITO ROCK ALTERNATIVO DO BAIXO AUGUSTA, EM SÃO PAULO

* A Loca – dedicado ao público GLS, funciona há vinte anos no número 969 da rua Frei Caneca. De quinta a sábado o som na pista é eletrônica e sua variantes. No domingo o super DJ André Pomba comanda o projeto Grind, voltado ao rock e que rola até seis da manhã da segunda-feira.

 

* Funhouse – localizada na Rua Bela Cintra, 567, completou treze anos de existência na semana passada. Após passar um período sem shows ao vivo, voltou a abrir espaço para bandas autorais se apresentarem. O som na pista é sempre indie rock.

 

* Inferno Club – outro que já se tornou clássico na rua Augusta, onde funciona há onze anos no número 501. Tem noitadas rock’n’roll incríveis, principalmente às sextas-feiras e sábados, com som de DJs e também com espaço para bandas ao vivo.

 

* Clube Outs – chegou aos doze anos de existência em 2015. É um dos bares do coração de Zap’n’roll, que promoveu ali zilhões de festas e DJs sets do blog. Antes dedicava espaço para shows de bandas ao vivo. Com o declínio da cena de grupos autorais o clube resolveu acabar com as apresentações de conjuntos musicais e resolveu se dedicar apenas a noitadas movidas integralmente a discoteagem na pista, apoiada em um open bar onde o consumidor paga cinqüenta mangos na entrada e bebe até cair. Deu certo e fez o Outs renascer já há dois anos: o local vive entupido de gente às sextas e sábados, com média de quinhentos pagantes por noite.

 

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MUSA ROCKER SECRETA DA SEMANA – UMA CADELA PAULISTA QUE ASSUME: “SOU CASADA MAS AMO FODER COM OUTROS HOMENS!”.

Nome: A.

 

Idade: 23.

 

De onde: interior de São Paulo.

 

Mora com: marido.

 

O que faz: estudante.

 

Uma banda: AC/DC.

 

Um escritor: Charles Bukowski

 

O que o blog tem a dizer sobre a divina putona: sempre papeando com garotas lindas, inteligentes, tesudas e gostosas em grupos do faceboquete dedicados ao velho safado e gênio Bukowski, Zap’n’roll acabou fazendo amizade (virtual, por enquanto) com a lindaça e cachorrona A. Que topou ser musa do blogão com fotos canalhas e total nude, desde que sua identidade não fosse revelada. Estas linhas online toparam e aí está. Um ensaio pra lá de safado com uma garota que é uma ótima amiga de papos online. Papos onde ela já assumiu pro jornalista canalha: “sou casada sim. Mas AMO foder com outros homens. Já traí meu marido pelo menos umas sete vezes desde que nos casamos”. Ou seja: trata-se de um corno feliz. Afinal ele também como o bocetão, ahahahaha.

 

Machos (cados), gozem sem moderação, uia!

Um rabo DIVINO!

 

Peitos idem!

 

 

A BOCETONA em chamas, sempre!

Calcinha de PUTA, pra arrancar porra do macho

E se lambuzando toda após levar “leitinho” quente e grosso na boca, wow!

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O postão segue sendo ampliado e VAI MESMO SER CONCLUÍDO logo no início da próxima semana, com as dicas culturais e o roteiro de baladas legais pra semana toda. Por hora o blog fica por aqui, anunciando que vai NA FAIXA hoje à noite no show do Vanguart, em Sampa:

 

Cris Dias

 

Amanda Da Mata

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: o novo dos Forgotten Boys, “Outside Of Society”.

 

* Banda, I: Pois sempre nos surpreendemos com algo novo e bacana quando menos esperamos, néan. É o que rola com o blog nesse momento, ao descobrir o som (entre o trip hop e o dream pop) do duo de Campinas SETI. Formado pela vocalista e instrumentista Roberta Artiolli e pelo multiinstrumentista Bruno Romani, o Seti existe desde 2012 e acaba de lançar um lindo EP de seis faixas com canções oscilando entre o bucolismo e a melancolia, com vocais femininos doces e suaves, e boas letras em português, que sugerem belas e poéticas imagens. A dupla estará se apresentando na próxima noite rocker do blog na Sensorial Discos, no primeiro sábado de outubro. E logo menos falaremos mais dela por aqui. Enquanto isso você ouvir o Seti e conhecer melhor o som do grupo aqui: http://motimrecords.bandcamp.com/album/xtase. E saber mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/setirock?fref=ts.

O duo trip hop Seti, de Campinas: canções melancólicas e bucólicas, com letras em português e melodias oníricas

 

* Banda, II: hoje à noite (leia-se: nesta quinta-feira à noite) o badalo alternativo em Sampa vai ser mesmo lá no Centro Cultural São Paulo, quando vai rolar show gratuito do quarteto goiano Boogarins, a partir das 7 da noite. Quem? Você pode nunca ter ouvido falar do grupo, mas ele está bombadíssimo na indie scene atual e é xodó de queridos amigos nossos jornalistas, como o sempre antenadíssimo Lucio Ribeiro. Os garotos têm um EP lançado (“As plantas que curam”), estão pra soltar seu primeiro álbum cheio, já rodaram parte do circuito alternativo dos EUA e Europa etc. A parada deverá ser tumultuada no final da tarde desta quinta (dia 27 de agosto, quando este post está sendo finalmente concluído) lá no CCSP. Repetindo: o show é de graça (ingressos têm que ser retirados na bilheteria do teatro a partir das 5 da tarde). Na página do evento no faceboquete já há a confirmação de 1.300 pessoas no show. Detalhe: cabe apenas a metade disso no local onde a banda vai tocar. Na boa? Os Boogarins são ok em disco. Seu som é bem acima da média do que se escuta atualmente na paupérrima cena independente nacional (e a culpa dessa pobreza musical e artística todos sabem de quem é: de gente como Pablo Capilantra, ex-todo poderoso da quadrilha Fora Do Eixo, e também do escroque Fabrício Nobre, não por acaso, um dos “inventores” do grupo Boogarins). Mas o blog sinceramente acha o quarteto superestimado e badalado demais. Óbvio que podemos estar enganados e precisamos vê-los ao vivo, para comprovar se estamos certos (na questão de achá-los superestimados) ou errados (com o conjunto sendo fodão ao vivo). Então por isso mesmo estas linhas online irão logo menos conferir a gig dos rapazes. E sugere que quem ainda não os conhece faça o mesmo. Lembrando que o Centro Cultural São Paulo fica na rua Vergueiro, 1000 (Paraíso, zona sul da capital paulista).

 O quarteto goiano Boogarins: show grátis hoje no Centro Cultural São Paulo

 

* Baladas boas pro finde: o postão finalmente chega ao fim já na quinta-feira, quase finalzinho de agosto. Então vamos ver o que rola de baladas alternativas bacanudas pro finde que começa amanhã. Na sexta em si, 28, tem festança de aniversário do queridão Claudio Medusa lá no Astronete (que fica na rua Augusta, 335, centrão rocker de Sampa). Também amanhã tem showzaço duplo com Fábrica De Animais e Saco De Ratos no Centro Cultural Zapata (que fica na rua Riachuelo, 328, centrão de Sampalândia).///Já no sabadão em si o mesmo Centro Cultural Zapata abriga show novamente duplo, mas com os sempre bacanudos Rock Rocket e a nova sensação da indie scene paulistana, o BBGG. Beleza? Então se apruma, capricha no visu rocker e se joga meu rei (ou minha rainha).

 

 

E FIM DE POST

Que já tá ótimo, néan. E sim, continua mandando seus e-mails pro hfinatti@gmail.com que na semana que vem desovamos finalmente o pacote com livros bacanas da Edições Ideal, entre eles a bio do Steven Adler, o loki ex-batera do Guns N”Roses. Ficamos por aqui então, deixando todos os beijos do mundo na Neide Rodrigues e na Patrícia Pera, duas gatas incríveis que o blog amadora de paixão. Até mais!

 

 

(ampliado, atualizado e FINALIZADO por Finatti em 27/8/2015 às 14:00hs.)

Yeeeeesssss, agora vai! O blogão de cultura pop e rock alternativo mais legal da web brazuca e que NÃO se pauta apenas por bobagens do indie rock planetário entrevista com EXCLUSIVIDADE o gênio marginal Mário Bortolotto, o maior nome da atual dramaturgia underground nacional; o novo e bacanudo grupo Alvvays e o indie folk sensação de Sharon Van Eteen; mais uma musa rocker TESÃO TOTAL (a japa girl dos seus sonhos delirantes, hihi); e papos sobre Morrissey, Bailen Putos! e Leave Me Out (grunge Mineiro dos bons!), além de filmes e livros que tornam nossas vidas mais legais com certeza! (postão COMPLETÃO e BOMBATOR, com as indicações culturais e o roteiro de baladas alternativas pro finde em Sampa!) (NOVA atualização GIGANTE em 31/7/2014, falando da morte do humorista Fausto Fanti, da escalação do Circuito Banco do Brasil 2014, de mais um chifre tomado pelo xoxotaço Bruna Marquezini e da mudança do trio Branco Ou Tinto pra Sampa)

O mundo anda péssimo e o ser humano está se tornando total bestial; o que ameniza esse quadro desalentador ainda é a grande, intensa e arrebatadora arte de um escritor e dramaturgo como Mário Bortolotto (acima) ou de uma cantora folk como a americana Sharon Van Etten (abaixo), que lançou recentemente um disco sublime e já sério candidato a melhor álbum de 2014

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PLUS MONSTRO! COM POSTÃO TOTAL BOMBATOR ELE FICA NO AR MAIS UMA SEMANA, MAS COM ESSAS ATUALIZAÇÕES AÍ EMBAIXO

 

* Yeeeeesssss! Aos onze anos de existência o blogão zapper atinge sua melhor performance e o AUGE de acessos e audiência com este post. Pela primeira vez o painel do leitor rompeu a barreira das 100 mensagens enviadas e está, no momento em que esta atualização é escrita (na noite de quinta-feira), batendo em 200 likes em redes sociais. São números gigantes pra um blog independente e que nos enchem de orgulho, sem dúvida. E muito desse sucesso devemos a você, diletíssimo leitor que nos acompanha fielmente há tantos anos. Valeu!!!

 

 

*Mas nem tudo é alegria e satisfação, como sempre. Estas linhas online ficaram mega chocadas na noite de quarta-feira quando souberam da morte do humorista Fausto Fanti, que integrava a trupe do sensacional Hermes & Renato desde que o grupo havia sido criado, em 1998. H&R marcaram época na MTV com seu humor totalmente ácido, corrosivo, sagaz, cínico, repleto de ironia e absolutamente politicamente incorreto. Tudo o que está em falta no humorismo brasileiro atual, eivado de preconceito, conservadorismo e moralismo babaca, e com texto chulo e no limite da imbecilidade plena – estão aí tosquices em grau máximo como “Zorra Total” ou “A praça é nossa”, pra não desmentir a opinião do blog. Por isso estas linhas bloggers poppers eram total fãs do humorístico da MTV e de seus personagens inesquecíveis vividos por Fanti, como o apresentador Claudio Ricardo ou o palhaço Gozo. A turma estava em plena atividade e iria estrear nova temporada em 2015, no canal pago Fox. Mas a vida estava cinza pra Fausto, que sofria de depressão aguda (e mesmo dando tanta alegria e riso para seus fãs). Uma depressão que finalmente o fez se enforcar com um cinto, em seu apartamento em São Paulo, no final da tarde da última quarta-feira. Ele tinha trinta e cinco anos de idade. E nos deixou órfãos, com certeza. Vai na paz, camarada, e provoque muito riso e alegria no paraíso!

 Fausto Fanti (acima e abaixo interpretando o apresentador Claudio Ricardo, um dos mais hilários da trupe Hermes & Renato, que ficou célebre na MTV nos anos 2000′), que morreu na última quarta-feira em São Paulo: ele vai fazer falta ao humor brasileiro

 

 

* E foi divulgado o line up do Circuito Banco do Brasil 2014, néan. Em Sampa a balada rock’n’roll vai acontecer no dia 1 de novembro no Campo de Marte, com gigs do Kings Of Leon (de novo??? Argh!), do Paramore (não fede nem cheira) e do hoje caidaço MGMT. Também se apresentam os nacionais (e queridos amigos destas linhas online) Pitty e Skank que, no final das contas, perigam ser as melhores atrações da noitada. Os tickets pra esbórnia começam a ser vendidos a partir da próxima segunda-feira no site www.tudus.com.br. Ah sim: no Rio de Janeiro, o show rola no dia 8 de novembro.

 

 

* Também vai aparecer por aqui mas em outubro o Biffy Clyro, que está se tornando gigante na Inglaterra mas que fora de lá ninguém conhece nem dá muita bola. Shows no Rio dia 15 e em Sampa na noite seguinte.

 

 

* E okays: o mulherio vive dizendo que nós, machos, somos canalhas e que não prestamos. Mas aí um notícia na página F5 (de celebridades) da Folha online informa que a totosa Bruna Marquezine acaba de levar mais um chifre do namorado anarfa, o craque Neymar. Segundo o site, o jogador da selecinha brasileira e do Barcelona meteu rôla grossa na xotaça de uma jovem empresária cadeluda e putona de Fortaleza, e que se encontrou com Neymarzinho em Ibiza. Pois é, rsrs. Fica a questão: nós que somos canalhas ou elas é que são… vagabundas na cara larga? Uia!

 

 Bruna Marquezini é um BOCETÃO, mas só leva chifre do namorado canalha, o jogador e craque anarfa Neymar

 

* Uma das bandas mais legais da cena rock de Cuiabá (a capital do Mato Grosso e que já deu ao Brasil o grande Vanguart), o trio Branco Ou Tinto, está de malas prontas pra São Paulo, onde vai fixar residência a partir de outubro. O BOT (que é formado pelo vocalista e guitarrista Welliton Moraes, pelo baixista Thiago Araújo e pelo batera Tubarão) tem uma sonoridade rock potente, letras muito boas em português e já foi bem resenhado aqui mesmo tempos atrás, nestas linhas bloggers zappers. Se você ainda não conhece ou não ouviu nada deles, dá uma olhada no vídeo aí embaixo, da música “O amor caiu em desuso”, que tem levada pop radiofônica sensacional, melodia com guitarras fodonas e letra idem.

 

 

 

 

 

 

* E mais sobre o Branco Ou Tinto, vai aqui: https://www.facebook.com/brancooutinto?fref=ts.

 O trio cuiabano Branco Ou Tinto: de mudança pra Sampa em outubro

 

 

* E fechando a tampa do up grade neste já gigante postão: o finde promete ser hot em Sampalândia no circuito alternativo. Vai vendo: nesta sexta-feira, 1 de agosto em si, tem show de estreia de A carne é fraca, a nova banda do dramaturgo Mário Bortolotto e que promete “rock para garotos sem futuro e velhos de passado sujo” (o caso do sujeito aqui, hihi). A gig vai rolar no Vagão (rua Nestor Pestana, 237, no centrão junkie e total putaço de Sampalândia), e com bônus de mulherio PELADO durante o show, wow! Rola na madrugada, com entrada a quinze pilas.///Já no sabadão, dia 2 de agosto, continua o festival All Star Converse no Cine Joia, quando sobem ao palco o americano Dinosaur Jr. e os ótimos grupos da indie scene paulistana Single Parents e Churrasco Elétrico. Mas pra essa balada os tickets já elvis, infelizmente.

 

 

* E é isso. Agora chega de verdade, sendo que na semana que vem o blogão rocker mais BOMBATOR da web BR de cultura pop volta com tudo e com postão total inédito. Até lá!

 

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A BOCA MAIS SENSUAL DO ROCK APAGA VELINHAS HOJE!

Yes, estas linhas online não poderiam deixar de registrar a data de hoje, quando uma das figuras mais lendárias e ilustres de toda a história do rock’n’roll completa mais um ano de vida.

 

Ele canta à frente da MAIOR banda de rock de todos os tempos (e uma das cinco bandas da vida deste jornalista ainda mezzo loker) há mais de meio século. Yep, Finaski já quis beijar MICK JAGGER na boca em sua vida, e não tem problema algum em admitir isso. Quem não iria querer beijar a boca mais famosa e sensual do rock’n’roll um dia, se tivesse oportunidade, fosse homem ou mulher? Pois o autor deste blog quis: alimentava essa fantasia absurda e loka desde a adolescência (quando descobriu os Stones com o álbum “Black And Blue”, de 1976, e quando tínhamos uns 14 anos de idade e elegemos os Stones uma das bandas da nossa vida pra sempre). Os anos foram passando, o rapaz aqui se tornou jornalista, sonhava em ver um show deles (quase foi ver uma gig da banda em Nova York em 1989: descolou passagem de avião permutada, lugar pra ficar e NÃO foi, nem se lembra mais porque) e, quando isso finalmente aconteceu, em janeiro de 1995 (no estádio do Pacaembu, em São Paulo), o jornalista enlouqueceu no meio do set mas não o suficiente pra tentar subir no palco e tentar alcançar a boca de Mick “lábios de borracha” Jagger. O autor destas linhas rockers malokers, que então namorava com um BOCETAÇO crioulo (a Gretona, que tinha 20 aninhos na época, tetas gigantes e era uma foda monumental, que quando estava metendo e levando pinto em sua xotaça gemia no ouvindo zapper: “seu cavalo, seu cachorro! ME FODE, VAI!!!”), ainda era jovem, magro, morenão tesudo e naquela noite estava de calça preta e um colete de couro (sem camiseta por baixo), se contentou APENAS em abaixar as calças e a cueca por alguns segundos rápidos e dar uns tapas na própria bunda. Os Stones estavam tocando “Miss You” no palco naquele instante.

 

Então seguimos amando as Pedras Rolantes, até hoje. Esses caras já fizeram absolutamente TUDO o que uma banda poderia fazer em termos de gigante rock’n’roll. Lançaram discos que são verdadeiras obras-primas e fizeram shows inesquecíveis.

 

Por isso o blog só pode desejar ao Mick, que hoje completa 71 anos de idade: FELIZ ANIVERSÁRIO cara! E muito rock pela frente ainda, sendo que todos nós esperamos você e a banda toda em fevereiro de 2015 por aqui (Maracanã, aí vamos nós!).

Mick “lábios de borracha” Jagger: o blog já quis beijar essa bocona, rsrs

 

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O mundo bestial e a alma cinza.

A semana que está chegando ao fim (o postão está entrando no ar já na tarde de quinta-feira mas ainda não totalmente, sendo que ele será completado até a tarde do próximo sabadão em si) foi pródiga em reafirmar como o mundo está se tornando cada vez pior e o ser humano cada vez mais insensível, egoísta, escroto, materialista, despossuído de solidariedade ao próximo e algo verdadeiramente BESTIAL no final das contas. Foi (está sendo) a semana em que separatistas pró-Rússia abateram com um míssil um jato no céu da Ucrânia, provocando a morte de quase trezentos inocentes (entre eles, dezenas de cientistas e médicos que estavam indo para uma conferência na Ásia, sobre os avanços em relação à cura da Aids). E também a semana em que o GENOCIDA e COVARDE Estado de Israel continuou promovendo o massacre de palestinos na Faixa de Gaza – até o momento em que este editorial do blog está sendo escrito, já foram contabilizados mais de seicentos palestinos mortos, a maioria civis e com muitas mulheres e crianças entre as vítimas fatais. O que nos leva a perguntar, estupefatos: o ser humano se tornou isso mesmo, essa monstruosidade sem alma, sem coração e sem compaixão alguma por seus pares? Foi para ISSO que chegamos ao século XXI, o século da era ultra tecnológica e pós-moderna e que, com todos os seus avanços e engenhocas (celulares, tablets, redes hiper conectadas, os caralho), só está tornando a raça humana cada dia mais insensível, individualista, ressentida, rancorosa e solitária? E como se não bastasse esse panorama desalentador Zap’n’roll também teve (e continua tendo) uma nova crise de inadequação existencial, em grande parte desencadeada por questões de relacionamento com alguém que o blog está gostando muito mas que, mais uma vez, se mostra um relacionamento mega complicado por vários fatores. O amor é sim uma grande e sórdida droga, no final das contas. Ele pode ser sublime e redentor; mas também pode ser perverso e mortal. Entre uma opção e outra, entre os dois extremos a alma vai se tornando perenemente cinza como de resto a própria existência física também é, com breves instantes de parca felicidade. E apenas idiotas não percebem isso, o quanto a vida é cinzenta. O que traz alento a tudo isso é saber que ainda podemos alimentar nosso espírito e nosso intelecto com doses generosas de grande arte. A grande arte de um dramaturgo como Mário Bortolotto (que transita com intensidade, desenvoltura e paixão entre texto, palco, teatro, rock’n’roll, poesia, cinema e vida no final das contas), ou a grande e igualmente intensa arte de uma cantora como a americana Sharon Van Etten. Tanto ele (Mário) quanto ela (Sharon) estão analisados em suas obras nesse post que você começa a ler agora. Ambos sabem que a existência humana se tornou algo bestial. E ainda assim tentam combater essa bestialidade com sua arte em estado bruto e puro, belíssima, poética, intensa e à flor da pele. Se todos nós pudéssemos fazer o mesmo, viver, criar e RESPIRAR arte desta forma, talvez o mundo se tornasse bem menos bestial e nossas almas fossem bem menos cinzas do que são. Mas enquanto isso não é possível, vamos ao que está ao nosso alcance para tornar menos dura a vida do dileto leitor destas linhas virtuais: oferecer a vocês mais um post bacana do blog que ama eternamente a cultura pop e o nosso sagrado rock’n’roll.

 

 

* E enquanto o mundo desaba lá fora, aqui a situação não é nada melhor. As chuvas de inverno estão total insuficientes pra recuperar o Sistema Cantareira, que continua secando em seu agora “volume morto”. São Paulo vai virar sertão. E Geraldinho “merda suprema” Alckmin segue liderando a disputa para Governador do Estado. Lamentável…

 

 

* E o último postão do blogão campeão em cultura pop e rock alternativo foi total bombator, mais uma vez: 161 curtidas em redes sociais e 68 comentários no painel do leitor. A firma agradece, uia!

 

 

* Indo pra música: é mesmo admirável a HUMILDADE que sempre permeou a personalidade dos quatro integrantes do U2. Há cinco anos sem lançar novo álbum de estúdio (o último trabalho foi editado em 2009), o gigante quarteto irlandês andou revelvando em entrevistas recentes que chegou a se questionar qual seria a importância de um novo disco do grupo para os fãs e para o rock atual. “Sim, tivemos essa insegurança”, declarou o vocalista Bono. Superada essa “crise existencial”, a banda pretende que o novo disco chegue ao mundo em novembro próximo. Pois então: se todas as bandas de rock (principalmente as brasileiras) tivessem essa noção de reavaliação de suas trajetórias, com certeza estaríamos livres de muito lixo musical. Mas como sempre, falta humildade a quem mais precisa dela…

 U2, a lenda gigante do rock irlandês: crise de insegurança e disco novo no final deste ano

 

* Como o Merdallica, por exemplo. O baterista Lars Ulrich declarou ao semanário New Musical Express que Noel Gallagher, ex-Oasis e gênio da guitarra, inspirou o baterista da velhusca e cafona banda de thrash metal a largar o vício da cocaína. Poxa… o Merdallica também poderia aprender com Noel a ser uma banda de rock minimamente decente, em todos os sentidos.

 O genial Noel Gallagher, ex-guitarrista e líder do finado Oasis: servindo de inspiração para o batera do Merdallica parar de tecar cocaine, uia!

 

 

* E semana que vem tem o festival Converse Rubber Tracks Brasil, que rola em Sampa (no Cine Jóia) de 30 de julho a 3 de agosto. Desde a última quarta-feira os ingressos pro evento (que vai ter gigs de, entre outros, Dinosaur Jr., Chet Faker, Churrasco Elétrico e Single Parents) estão disponíveis, de GRAÇA, no site do mesmo. Para conseguir um par é entrar no dito cujo e se cadastrar, o que deve ser feito aqui: http://rubbertracks.converseallstar.com.br/.

 

 

* Última forma: esqueçam guys e desconsiderem a info acima. Os tickets pro evento já estão ESGOTADOS, uia!

 

 

* O blog continua sendo mega fã do XOXOTAÇO Lana Del Rey. Motivos pra isso não faltam. Além de ser linda, cantar pra caralho e de ter acabado de lançar um discaço (o sensacional “Ultraviolence”), nossa doce Laninha também é a sinceridade total, algo em falta na música pop há séculos já. Em recente entrevista a uma revista americana, ela não teve pudores em declarar: “dormi com muitos caras na indústria musical. E nenhum deles me ajudou a conseguir um contrato…”. Wow! (sorte do macho que conseguiu esporrar naquela boceta divina…)

 O bocetaço que todos nós amamos, miss Laninha Del Rey, assume em entrevista: levou muita rôla grossa em sua xoxotona, pra conseguir entrar na indústria musical

 

 

* E na capa dessa semana da NME está o nosso amado Manic Street Preachers. A banda merece, e como, pois continua lançando discaços como o recém-editado “Futurology”, que foi beeeeem resenhado no último postão zapper. Será que um dia veremos os Manics tocando por aqui???

 

 

* E tão bacana quanto o som do Manic Street Preachers é a obra teatral e rock’n’roll do dramaturgo Mário Bortolotto. Mas isso você confere aí embaixo, no bate-papo exclusivo que o blog teve com ele.

 

 

A VIDA DE MÁRIO BORTOLOTTO NÃO CABE NUM CHEVROLET

Ele pode ser considerado como uma espécie de Jack Kerouac ou Charles Bukowski (ou um mix de ambos os lendários e inesquecíveis autores da geração de escritores beats americanos, que dominaram a contra-cultura literária americana nas décadas de 50’ e 60’) destes eternos tristes trópicos culturais brazucas, onde teatro é sinônimo de palavrão para as massas e sucessos editoriais se resumem a biografias escandalosas de algum jogador de futebol ou astros de telenovelas, ou então a livros de auto-ajuda ou de padrecos cantores. Ainda assim o paranaense (de Londrina) Mário Bortolotto, cinquenta e um anos de idade e há quase vinte morando em São Paulo (na capital), segue produzindo intensamente e melhor do que isso, consegue VIVER de sua produção artística/cultural. Ele escreve peças de teatro (já foram encenadas mais de trinta), roteiros para minisséries de tv, dirige e atua. E suas obras já foram premiadas duas vezes em 2000’, quando recebeu da Associação Paulista dos Críticos de Arte um troféu pelo conjunto de sua obra, e também ganhou o Prêmio Shell de melhor autor pela peça “Nossa vida não vale um Chevrolet”.

 

E Mário é gente finíssima e do rock também. É o cantor e letrista à frente da banda de blues Saco De Ratos (que já lançou três discos), que volta e meia se apresenta em bares da região do baixo Augusta, no centrão de Sampalândia. Quer encontrá-lo e bater um papo com ele ou vê-lo em cena? Sem problema: nosso (quase) anti-herói literário está sempre participando de alguma peça (como autor, diretor ou ator) que está sendo encenada no bar/teatro Cemitério de Automóveis, do qual ele é um dos sócios proprietários, um pequeno porém aconchegante espaço cultural localizado na rua Frei Caneca, também no centro da capital paulista. Quando não está atuando Mário ainda assim fica por lá na boa, conversando com os amigos e sempre degustando uma boa taça de vinho ou uma dose de Jack Daniel’s.

 

Bortolotto até se tornou conhecido do grande público este ano, ao participar da minissérie “A Teia”, que foi levada ao ar pela Rede Globo tempos atrás. E tem uma trajetória de vida que inclui passagens dramáticas, como quando quase morreu no final de 2009, ao ser baleado durante um assalto a um bar onde ele bebia com amigos, na praça Roosevelt (naquela época, um dos locais mais sinistros pra se aventurar na madrugada paulistana e hoje totalmente revitalizado por artistas que frequentam a própria praça, e que também contaram com a justa e necessária ajuda do Poder Público). Mas felizmente ele sobreviveu e segue firme e forte para continuar brindando os fãs de cultura underground com seus textos sempre calcados em personagens marginais e que vivem mergulhados em álcool, drogas e inadequação existencial.

 

E é esse Mário Bortolotto, um artista total a ver com o pensamento editorial destas linhas zappers, que o blog entrevistou com prazer na semana passada. Foi um longo e bacaníssimo bate-papo realizado através do Facebook e cujos melhores momentos você confere aí embaixo.

 Mário Bortolotto encarna o papel do escritor Henry Chinaski em cena da peça “Mulheres”, adaptada do livro homônimo escrito por Charles Bukowski 

 

Zap’n’roll – Você se tornou um dos dramaturgos e escritores do chamado “teatro marginal” ou “alternativo” mais conhecidos do Brasil de alguns anos pra cá. Pra quem ainda não conhece sua obra, como você se define dentro da produção cultural nacional e como você resumiria sua trajetória até aqui?

 

Mário Bortolotto – Eu sou basicamente um bluesman, rockeiro e escritor que também escreve dramaturgia e que procura levar pra minha dramaturgia justamente o que eu mais gosto em literatura, blues e rock and roll. A minha trajetória é totalmente coerente com a vida que eu decidi ter e que pago o preço por isso. Uma trajetória sem qualquer espécie de concessão. Eu simplesmente decidi que só iria fazer o que acreditasse em minha vida e é o que venho fazendo.

 

Zap – Muito bom. E no seu caso específico, parece que todas essas formas de criação e manifestação artística (música, rock, blues, poesia, literatura, teatro etc.) se conectam super bem. Mas é sabido que é duro viver de arte no Brasil. E ainda mais quando se trata de um criador como você, disposto a não abrir concessões na sua obra. Então vem a questão: você consegue viver bem do que faz?

 

Mário – Como eu sabia que eu seria assim totalmente torto na vida, procurei me preparar para levar uma vida com um padrão baixo. E nesse padrão tenho conseguido fazer apenas o que gosto. Não tenho despesas altas, levo uma vida modesta, etc. Se eu começar a subir o meu padrão de vida, vou ter que ganhar mais pra sustentar esse padrão. Então procuro manter o padrão lá embaixo. Por exemplo, até há pouco tempo morava numa kitchenete abarrotada de livros e discos e fitas cassete. Mal conseguia andar lá dentro. Então entrei num financiamento pra comprar um apartamento maior, mas eu esperava vender logo a kitchenete pra quitar a maior parte da dívida do outro, mas tá sendo muito dificil vender, então tô me ferrando pra pagar as prestações do meu financiamento, o que vai contra os meus principios de contrair dividas. Nunca tive dívidas, justamente porque nunca sei como vou poder pagar. É uma situação nova pra mim, mas que devo resolver assim que conseguir vender a minha kitchenete. Então a minha resposta é: eu vivo bem sim, mas quase que franciscanamente. Não diria franciscanamente, porque tenho os meus luxos como comprar livros e discos e beber whisky. Mas eu consigo sustentar esses luxos com o meu trabalho. E eu trabalho muito. Mas é só no que eu gosto. Escolhi viver assim.

 

Zap – O que nos leva a outra questão: foi por isso, pra ter uma grana um pouco maior, que você aceitou fazer uma participação na minissérie “A Teia”, exibida recentemente pela Tv Globo? Aliás, como se deu o convite para você, um autor e escritor essencialmente underground, participar de uma produção Global?

 

Mário – De maneira nenhuma aceitei pelo dinheiro. Se fosse por esse motivo, já teria aceitado nas outras vezes que me convidaram. Na minha vida toda já recebi muitos convites para trabalhos, alguns com boa remuneração e outros com remuneração nenhuma. E eu só aceito quando eu gosto do trabalho. Se tiver dinheiro, eu vou achar ótimo. Não tenho nada contra ganhar dinheiro fazendo o que gosto. E no caso especifico da “Teia” eu recebi porque foi um trabalho profissa na Rede Globo. Mas eu só aceitei porque gostei do roteiro do Braulio Mantovani. Eles mandaram pra mim todos os capítulos. Eu li, gostei do personagem e aceitei. Já recusei muitos outros trabalhos que seriam muito bem remunerados. E já aceitei trabalhos sem remuneração nenhuma só porque gostei do roteiro. Acho isso muito simples. Mas não tenho nada contra fazer algo para a Globo ou qualquer outra emissora ou produção se eu achar bacana. Gostei do roteiro e fiquei feliz de ter feito. Gostei muito do resultado. Acho que ficou uma puta série bacana, bem dirigida e com uma puta trilha sonora com Stones, The Band, Police e o escambau. Nem esperava por tanto. Atualmente estou escrevendo um episódio pra uma série da HBO. É claro que vou receber por isso, mas é uma série que eu quero escrever sobre um assunto que eu sou a fim de escrever. Do mesmo jeito que eu acabei de dirigir uma peça no meu teatro onde eu ganho apenas porcentagem como todos os outros atores. Eu gosto de fazer o meu trabalho e nunca é pelo dinheiro. Eu me diverti fazendo “A Teia” na Globo e me diverti fazendo a minha peça ou cantando com a banda “Saco de Ratos”. A diferença é que quando eu fiz “A Teia” eu recebi um salário e consegui beber mais whisky e pagar algumas prestações a mais. Mas eu faria um roteiro daquele mesmo que não pagassem porra nenhuma, como eu faço uma porrada de outros trampos. Mas sendo a Globo, eles pagam. E pagam muito corretamente, diga-se de passagem.

 

Zap – Bem, a minha opinião pessoal é de que “A Teia” foi sim uma bola dentro da Globo, muito por alguns dos motivos que você já elencou na sua resposta (a trilha sonora da série era realmente fantástica), e mesmo com muita gente criticando apenas porque era algo produzido pela… Globo. Mas você chegou a receber algum tipo de crítica de algum amigo ou admirador da sua obra por ter aceito participar do seriado?

 

Mário – Claro que sim. Mas são pessoas desavisadas e por quem eu não tenho o menor respeito. Eles não conhecem a minha trajetória nem o meu jeito de pensar realmente e apenas presumem como eu deveria agir. Gosto de muitas séries de tv e costumava gostar de muitas novelas nos anos 80 tipo “Água viva”, “Dancin Days” , etc. A Globo fez ótimas séries nesse período também como “Ciranda Cirandinha”, “Plantão de Polícia”, “Carga Pesada”. Eu gostaria de ter feito qualquer um desses trabalhos. E parece que agora eles querem fazer outros trampos desse tipo, o que eu acho ótimo. E tem as séries das emissoras a cabo que cada dia ficam mais interessantes. O meu amigo Marcelo Montenegro está escrevendo muitos roteiros para essas séries. Vejo com muito otimismo um mercado bacana e com qualidade para a rapaziada trabalhar. E sempre que me convidarem pra trampar em algo que eu considere, vou aceitar, independente de qual veículo ela vai estar, seja tv, cinema ou teatro. Encaro tudo da mesma forma e com o mesmo profissionalismo, tenha dinheiro o não na parada. A minha vida inteira foi assim. Tem trampos que eu ganho muito bem e acho ótimo. E tem trampos que não ganho porra nenhuma e faço com a mesma disposição só por gostar do que tô fazendo. O trampo que fiz na “Teia” não desabona em nada minha trajetória. Muito pelo contrário, tenho o mó orgulho de ter feito.

 

Zap – Falando em cinema, você já teve roteiros seus levados à tela, como “Minha vida não cabe num Opala”. Mas ultimamente parece que você tem centrado fogo em adaptar peças ou escrever textos baseados nos escritores da geração beat americana, como Jack Kerouac ou Charles Bukowski (cuja encenação do livro “Mulheres”, assistida pelo blog, ficou sensacional). Você vai retomar algo pro cinema nos próximos meses ou vai continuar concentrado em encenar suas própria peças lá no seu teatro, o Cemitério de Automóveis?

O anti-herói da dramaturgia nacional canta à frente da banda de blues Saco De Ratos

 

 

Mário – Eu vou continuar fazendo tudo que pintar na minha vida se me interessar. Atualmente tô esperando pra começarem as filmagens da adaptação do meu texto “A Frente Fria que a chuva traz” pelo Neville D´Almeida e trabalhando no roteiro da adaptação de outra peça minha que é o “Uma pilha de pratos na cozinha”. Também vou escrever esse roteiro pra um episódio de uma série da HBO. Escrevo prefácios pra livros de amigos (sem ganhar porra nenhuma), Também escrevo e dirijo peças pro nosso teatro (meu e dos meus sócios) sem nenhuma certeza de que vou ganhar algo. Amanhã faremos a primeira leitura do texto “Patrimônio” do meu amigo e sócio Lucas Mayor que eu vou dirigir. Trabalho pra caralho. De vez em quando eu ganho, e na maioria das vezes não, mas costumo ficar muito feliz com minhas escolhas profissionais, sempre. E é isso que importa no final. E é isso que vai ficar. Daqui a alguns anos quero olhar pra trás, pra minha carreira profissional e dizer: “caramba, me orgulho de tudo que fiz”. É isso que importa pra mim.

 

Zap – Bacaníssimo. E um dos episódios mais marcantes da sua trajetória infelizmente nem está ligado à sua produção artística. Mas sim ao assalto que aconteceu em um bar na Praça Roosevelt (centro de São Paulo), em uma madrugada em dezembro de 2009. Você estava no local no momento do assalto e acabou levando três tiros de um dos assaltantes. Foi levado em coma pro hospital, quase morreu e felizmente sobreviveu. Hoje, passados cinco anos e olhando pra trás, que marcas e lições esse episódio deixou em você?

 

Mário – Não sentar de costas pra porta em mesa de bar, principalmente, rs. Na verdade, não trouxe lição nenhuma. Me trouxe sim uma dor no meu peito que não vai me abandonar até que eu morra de vez. No meu peito onde abriram e depois costuraram de volta dói sempre, às vezes me falta ar. O que aconteceu comigo poderia ter acontecido com qualquer um. Os caras entraram, barbarizaram e atiraram em mim. Foi isso. Eu tava muito bêbado, Já tinha matado uma garrafa de Jack [Daniel’s]. Entraram gritando e mandando todo mundo deitar no chão. Eu não tava a fim de encrenca, mas também não queria deitar. Aí um deles veio por trás e me deu uma puta coronhada na cabeça. Qualquer um teria desmaiado e ficaria tudo certo. Até hoje tem um lugar na minha cabeça que não nasce cabelo. A porrada foi muito forte. O que acontece é que eu sou um bosta de um cabeça dura. O cara me deu a porrada, eu levantei e falei: “Qual é, porra, tá louco?” e fui pra cima dele. Entenda que eu não tava bancando o herói como alguns chegaram a dizer. Eu não tava defendendo minhas amigas que foram agredidas. Eu sequer percebi que minhas amigas tinham sido agredidas. Eu não percebi porra nenhuma porque eu tava muito bêbado. Eu só percebi a porrada na minha cabeça. Então eu me levantei. Então eu não quero ser tirado de herói. Mas também não quero ser tirado de irresponsável que enfrenta um cara armado. Eu não reagi a um assalto. Eu reagi a uma agressão. Eu reagi instintivamente e com certeza instintivamente eu reagiria de novo. Essa não é uma reação calculada, pensada. Eu não sou herói e nem irresponsável. Então não ficou nenhuma lição. Tenho certeza que hoje em dia nas condições que eu estava, reagiria da mesma forma.

 

Zap – Entendi. E encerrando então: a praça Roosevelt era meio “sinistra” naquela época, estava bastante abandonada pelo poder público. E depois que aconteceu isso com você, houve toda uma movimentação para que a prefeitura de São Paulo revitalizasse o local o que de fato acabou acontecendo e hoje o espaço lá está completamente reformado, bem policiado e é um dos locais mais seguros pra se frequentar à noite ou mesmo de madrugada. Ou seja: na sua opinião, será que é preciso que ocorra quase uma tragédia com alguém conhecido para que o poder público se mexa e tome as providências necessárias para que eventos semelhantes não voltem a ocorrer?

 

Mário – Não foi exatamente o que aconteceu. A praça já estava em franca revitalização. Os grandes responsáveis pela revitalização da praça foram os grupos de teatro que foram pra lá e implantaram as suas sedes na praça, mais especifamente o Grupo “Satyros” que teve a coragem de ir pra lá quando o lugar era bastante inóspito e que enfrentaram a maior barra pesada e depois os Parlapatões. Eles são os grandes responsáveis pela revitalização da praça. Se não fossem esses dois grupos, a praça não seria o que é hoje. A rua movimentada, os teatros e bares funcionando traz vida pra noite e consequentemente torna a cidade mais segura. Eu só sofri a violencia que sofri justamente porque os bares já estavam fechados por causa dessa lei ridicula que é a Lei Psiu. Uma lei como essa numa metrópole como São Paulo é inaceitável. Se o teatro estivesse aberto e houvessem pessoas na rua, não teria acontecido o que aconteceu comigo. Os bandidos não teriam entrado no bar. Eles só entraram porque a porta estava abaixada e foi levantada para alguns fregueses entrarem. E quando eles entraram, os bandidos entraram na cola. É preciso que a vida boêmia não seja extinta, caso contrário não poderemos sair mais nas ruas de madrugada porque estaremos correndo o risco de ser assassinados. O maior problema hoje é essa evangelização a que estamos nos submetendo. Os evangélicos vão dominar o país e teremos todos que ficar recolhidos em casa. Noite funcionando, bares funcionando é saudável, caramba. Gera cultura, música ao vivo, performances, empregos. Eu lembro com saudades e nostalgia da noite de São Paulo nos anos 80 como era du caralho. Eu conto pros meus amigos que tinha uma livraria no Bexiga, na Rua Santo Antonio, que ficava aberta a madrugada toda e ninguém acredita. É muito foda. Então eu afirmo: para que eventos semelhantes ao que aconteceu comigo não voltem a ocorrer, é preciso que consigamos conter o avanço evangélico. É preciso que voltemos a ter liberdade. Bares abertos, todo mundo fumando, bebendo, se divertindo, assistindo filmes, shows de música, trocando idéias nas mesas dos bares, discutindo projetos, tramando revoluções, namorando, se divertindo e conseguindo pelo menos à noite ou de madrugada, sonhar com uma vida melhor, menos opressora e divertida. Se o sujeito se encontra tolhido na sua vida, infeliz e apenas vendo a sua vida se esvair sem sentido, é claro que em algum momento ele vai se revoltar e fazer alguma cagada. É preciso evitar isso.

 

* Mais sobre Mário Bortolotto, vai aqui: https://www.facebook.com/mario.bortolotto?fref=ts.

 

 

ALVVAYS E SHARON VAN ETTEN TORNAM NOSSA EXISTÊNCIA MENOS AMARGA

O mundo não anda fácil. O ser humano em geral, cada vez mais insensível e bestial, também não anda fácil – e tome aviões comerciais sendo abatidos por mísseis (matando quase trezentos inocentes), Isarel voltando a massacrar palestinos em Gaza etc. Pra piorar tudo de uma vez, o rock’n’roll igualmente não anda fácil. É cada vez mais difícil surgir uma banda ou artista novo que chame a atenção e valha realmente a pena pela QUALIDADE do que gravou. Assim é que quando nos deparamos com uma banda como o canandense Alvvays (assim mesmo, grafado com dois “v”) ou com uma cantora folk como a americana Sharon Van Etten, temos que dar graças aos céus. E acalentar nossos ouvidos escutando muuuuuito o som de ambos.

 

O quinteto Alvvays era desconhecido destas linhas rockers bloggers até a semana passada. Quem nos alertou para a existência dele foi o velho chapa Cristiano Viteck, amigão de anos do blog zapper e blogueiro e apresentador de um programa de rock em uma emissora FM no interior do Paraná, o “Garagem 95”. Sempre antenadíssimo com tudo o que rola no rock alternativo planetário, Cris avisou ao jornalista Finaski pelo Facebook há alguns dias: “fica de olho no Alvvays. Eles acabam de lançar o primeiro disco, que está sendo muito elogiado pela Rolling Stone americana e por sites como o Pitchfork. E o som deles remete a dream pop e shoegazer, bem como você gosta”. De fato: formado em Toronto em 2011, o Alvvays é integrado por duas garotas (a vocalista e guitarrista Molly Rankin e a tecladista Kerri MacLellan) e três marmanjos (Alec O’Hanley também nas guitarras, Brian Murphy no baixo e Phil MacIsaac na bateria). À primeira audição o som deles remete totalmente à algo entre Belle & Sebastian e The Pains Of Being Pure At Heart. As melodias são doces, fofinhas, cativantes, os vocais de Molly idem e há toda uma ambiência shoegazer anos 90’ perpassando a maioria das faixas do disco de estreia homônimo do grupo, e que foi lançado oficialmente na última segunda-feira. Com um detalhe: são apenas nove músicas em enxutos e certeiros trinta e três minutos de rock – uma raridade nos dias de hoje onde conjuntos gravam cds de quase uma hora (ou mais) com repertório que é sempre quase puro lixo. O que nem de longe é o caso do Alvvays que já mostra logo em seu primeiro lançamento alguns momentos preciosos como em “Adult Diversion” (o primeiro single do disco, já com vídeo rodando no YouTube), “Party Police” ou “Red Planet”. Este espaço rocker virtual se encantou pelo trabalho da banda (que de fato recebeu ótimas cotações na Rolling Stone americana, na NME e no AllMusic) e torce para que ela continue assim no futuro.

O quinteto indie shoegazer canadense Alvvays (acima) e o novo disco da cantora folk americana Sharon Van Etten (capa abaixo): o rock alternativo dos anos 2000″ ainda tem salvação!

 

 

 

O mesmo encantamento que se apoderou do autor destas linhas virtuais quando ele foi ouvir “Are We There”, quarto álbum de estúdio da cantora e compositora folk americana Sharon Van Etten. O disco na verdade saiu em maio último mas está começando a bombar entre público, sites e blogs somente agora. E como nunca é tarde para se comentar sobre ótimos trabalhos, Zap’n’roll não se importa nem um pouco de falar dele apenas neste post. Sharon nasceu em Nova York e tem trinta e três anos de idade. Mas começou sua carreira musical há apenas cinco, em 2009. E talvez esteja chegando ao ápice com este belíssimo novo trabalho. Ela possui a inflexão vocal ao mesmo tempo potente e delicada. As canções, todas altamente reflexivas, inebriantes, bucólicas e com melodias eivadas de melancolia plena, transportam o ouvinte para um mundo onde habitam inquietude da alma e do coração, inadequação existencial e dores provocadas por desalentos amorosos. Como se não bastasse essa torrente de faixas que afaga com mega ternura nosso lado emocional, Van Eteen ainda é uma excelente instrumentista que toca com desenvoltura violões, guitarras e pianos. Secundada por um numeroso naipe de músicos convidados, a garota emociona total quem ouve canções avassaladoras como “Afraid Of Nothing”, “Our Love”, “Break Me”, “Your Love Is Killing Me” (título arrebatador para uma música idem) ou “I Know”. Não à toa, no caso dela, a rock press também ficou de joelhos diante do cd, com a Rolling Stone americana e o site Pitchfork se desmanchando em elogios a ele. É um dos discos campeões de audição na house de Zap’n’roll há semanas. E já tem o voto do blog para estar na lista dos melhores lançamentos de 2014.

 

Yep, o rock alternativo mundial ainda tem salvação nestes tristes anos 2000’. Alvvays e Sharon Van Etten estão aí para mostrar isso. Pena que esteja cada dia mais impossível garimpar essa salvação através de artistas como os dois citados neste tópico.

 

* Mais sobre o Alvvays, vai aqui: https://www.facebook.com/ALVVAYS?fref=ts.

 

* E mais sobre Sharon Van Etten, vai aqui: https://www.facebook.com/SharonVanEttenMusic?fref=ts.

 

 

O TRACK LIST DO CD DE ESTREIA DO ALVVAYS

1.Adult Diversion

2.Archie, Marry Me

3.Ones Who Love You

4.Next of Kin

5.Party Police

6.The Agency Group

7.Dives

8.Atop a Cake

9.Red Planet

 

 

E ALVVAYS E SHARON AÍ EMBAIXO

Em dois vídeos: com o quinteto canadense tocando o single “Adult Diversion” e no link do YouTube onde você pode escutar na íntegra o novo álbum da cantora folk americana.

 

 

 

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MUSA ROCKER DA SEMANA – UMA SUPER JAPA GIRL DELÍCIA CREMOSA TOTAL, WOW!

Nome: Madeleine Akye.

 

Idade: 32 aninhos delicious.

 

De onde: Osasco, na Grande São Paulo.

 

Filmes: “Blade Runner – o caçador de androides”, “Áta-me”, “A bela da tarde”, “Dançando no escuro” e “Pulp Fiction”.

 

Livro: “A insustentável leveza do ser”.

 

Bandas: The Smiths, The Cure, Mutantes.

 

Discos: “Is This It?” (a hoje clássica estreia dos Strokes) e “Ok Computer” (a obra-prima do Radiohead).

 

O que o blog tem a dizer sobre ela: além de linda, tesão total e gatíssima, Madeleine é um furacão em termos de agito e de formação intelectual e cultural. Estas linhas online a conheceram há pouco tempo (por intermédio da nossa mui amada amiga e também lindaça cientista política, miss Josiane Butignon) e agora o blogger rocker e a japa girl são amigos inseparáveis. Também, como não se encantar por uma garota que estudou artes cênicas, já cantou em banda de rock, já foi repórter de site e que ainda saca muuuuito de moda?

 

Essa é a nossa musa desta semana. E que está (atenção garotos mui bem intencionados, hihi) solteiríssima. E Madeleine será uma das atrações da Noite Zap’n’roll, que rola em 30 de agosto na Sensorial Discos, em São Paulo, quando ela irá fazer performance erótica abusadíssima ao lado de outro monumento feminino ao tesão nosso de cada dia, a nossa também eterna musa rocker Jully DeLarge.

 

Mas enquanto esse festão não chega, a marmanjada pode se deliciar com essas imagens incríveis da nossa japa idem, clicadas pelo expert Nickk Fotógrafo. Babem crianças, babem!

 Vem, e me DEVORA!

 

Boneca de porcelana ameaçando deixar escapar um dos seios pelas mãos

 

Ultra sexy girl esperando apenas para dar o bote

 

E o encontro das DEUSAS: a japa troca carinhos com a também deliciosa Jully DeLarge

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Discos: A estreia do quinteto canadense Alvvays, o novo de Sharon Van Etten e também o novo do nosso eternamente amado Morrissey. Yep, Moz é Moz: as letras podem ter perdido um pouco a densidade poética de anos atrás e o disco exagera pelo número de faixas (dezoito, na versão de luxo). Mas musicalmente talvez seja o trabalho mais consistente dos últimos anos do ex-vocalista dos inesquecíveis Smiths.

 

*Livros: “Indiscotíveis” (lançamento da novata editora Lote 42) reuniu um time de jornalistas, músicos e produtores que se dispuseram a analisar catorze dos mais importantes discos da história da música brasileira, em diversos segmentos (rock, mpb, reggae, rap, funk etc.). A seleção das obras incluídas no volume pode ter sido algo completamente subjetivo (e foi, claro) mas ainda assim o livro organizado por Itaici Brunetti lançar um olhar textual bacaníssimo sobre discos clássicos como “Cabeça Dinossauro” (dos Titãs), “Acabou Chorare” (dos Novos Baianos), “Afrociberdelia” (de Chico Science & Nação Zumbi), entre outros. Pra ler ouvindo (se possível) os trabalhos ali comentados.

 

* Banda: direto de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, vem o som potente do quinteto Leave Me Out (formado pelo vocalista Bruce Camilo, pelos guitarristas Victor Hugo e Raphael Maldonado, pelo baixista Bob e pelo baterista Danilo Caju). Eles já rodaram bastante por festivais independentes pelo Brasil afora, tem um bom disco lançado há pouco (o “Endless Maze”) e o som do conjunto é poderoso e remete total a Soundgarden e Alice In Chains, dos tempos gloriosos do grunge de show do quinteto mês passado em um mini-festival em Uberlândia e realmente ficou impressionado com a dinâmica sonora deles em cima do palco. Assim, fica aí a dica pra quem quiser conhecer a turma, sendo que mais sobre o Leave Me Out você encontra aqui: https://www.facebook.com/bandaleavemeout/timeline.

 O Leave Me Out: grunge das Minas Gerais

 

* Baladenhas friorentas: e não? Estamos no inverno e anda um frio delicious em Sampalândia. Bom pra ficar em casa embaixo do edredon mas também muito bom pra ir pra rua curtir a night. E como hoje já é sextona em sim (quando esse post está sendo concluído), a pedida é ir ver o pocket show do grupo Alarde lá na sempre ótima Sensorial Discos (na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de Sampa). Depois ainda dá pra emendar curtindo a noitada rocker na Blitz Haus (também na Augusta, mas no 657) ou no sempre bombado Astronete (no 335 da mesma Augusta).///Sabadon? Tem especial rock nacional anos 80’ no Inferno (no 501 da Augusta) e o open bar literalmente do INFERNO no Outs (no 486 da, ufa!, Augusta), onde só os fortes sobrevivem no final da madrugada, uia! Então é isso: veste aquela jaqueta ou capote bacanão e se joga, porra!

 

 

SAINDO A BIO DO IAN CURTIS

Yeeeeesssss! E ele vai para:

 

* Camila Souza, do Rio De Janeiro/RJ.

 

Mas ainda tem promos por aqui, não perca a esperança! Vai lá no hfinatti@gmail.com que continuam em disputa:

 

* UM PAR DE INGRESSOS pro show do The Mission, dia 20 de agosto em São Paulo;

 

* E mais DOIS INGRESSOS pro show do Peter Murphy dia 13 de setembro, também em Sampa. Certo? Mande sua mensagem e boa sorte!

 

 

E AGORA É FIM MESMO!

O postão ficou lindão (modéstia à puta que pariu) e já dá pro nosso dileto leitorado se divertir com ele até a semana que vem. Então paramos por aqui, deixando um beijo apaixonado pra Tainara Rezende e outros no coração da Renata Paes Dias e de todos nossos amados leitores. Até mais!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 31/7/2014 às 20:00hs.)