AMPLIAÇÃO FINAL E DEFINITIVA PARA O ÚLTIMO POST DA HISTÓRIA ZAPPER! Com entrevistas com novos autores da literatura de cultura pop e nossa derradeira musa rocker: a secretíssima, tesudíssima e cadeludíssima N.R. – Fim de jogo e fim de festa para este TÉTRICO 2018 (sendo que os próximos quatro anos deverão ser iguais em pavor, se não forem piores) e TALVEZ para estas próprias linhas bloggers rockers: após uma década e meia de ótimos serviços prestados ao rock alternativo e à cultura pop, chegou o momento de o blogão zapper sair de cena ao menos na forma como está sendo publicado atualmente e enquanto ainda se mantém relevante e com ótima audiência (ao contrário de certos “vizinhos” pobreloaders que… deixa pra lá, rsrs); assim, nessa postagem derradeira, nada de despedidas chorosas ou dramáticas, sendo que seguimos fazendo o que sempre foi feito muito bem aqui: você vai conhecer um pouco do trabalho do músico e guitarrista Dhema Netho, saber como foi o showzaço de final de ano dos sempre fodásticos Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, conhecer o trabalho de dois novos escritores independentes e que lançaram dois bons livros na seara da cultura pop, e mais isso e aquilo, com um detalhe: aqui NÃO tem lista de “melhores do ano” (isso, novamente, fica para aquele micro blogs que não têm mais assunto para publicar, uia!), “talkey”? (modo Jairzinho saco de cocô, claaaaaro!) (post ampliado, atualizado e finalizado em 28-12-2018)

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Zapnroll chega ao fim de sua trajetória de quinze anos na blogosfera brazuca de rock alternativo e cultura pop, período em que cobriu zilhões de shows internacionais mega, como o U2 (acima), e onde também revelou algumas das melhores bandas da cena alternativa nacional na última década e meia, como Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (abaixo, o zapper ao lado do vocalista Jonnata Araújo); em 2019 a marca do blog deverá continuar presente em eventos especiais em unidades do Sesc e talvez em outras plataformas digitais, como o YouTube

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MICROFONIA EXTRA E ESPECIAL: UM FEROZ PÁSSARO AZUL ROCKER FAZ UM VOÔ RASANTE VIA JONNATA DOLL E SEUS GURIS SOLVENTES – E ESPALHA POEIRA VERMELHA NA CARA DOS CARETAS (E DOS BOLSOTÁRIOS) – O jornalista ainda mezzo loker e eternamente rocker foi lá na Barra Funda (zona oeste de Sampa), em um aprazível final de tarde de domingão, prestigiar uma gig ao ar livre e gratuita dos sempre fodásticos Jonnata Doll & Os Garotos Solventes. E Finaski, mesmo estando combatendo um início de pneumonia com antibióticos e tal, não poderia deixar de ir ver seus guris amados do coração fazerem seu habitual esporro sônico. Foi o primeiro show que o blog viu da banda desde que eles ganharam o Prêmio Governador Do Estado SP para a Cultura (como melhor artista musical) em março deste ano, Prêmio do qual o autor deste blog foi um dos jurados e votou com gosto no grupo. Pois então: mesmo tocando em condições precaríssimas e no chão de terra da praça Olavo Bilac, o quinteto (que além de Joninha nos vocais também conta com as guitarras do Léo Breedlove, do Edson VanGogh, o baixo do Loiro Sujo e a batera do Felipe) literalmente BOTOU FOGO no local. Sonoramente a banda está em ponto de bala (e prontos para entrar em estúdio e registrar seu novo álbum inédito), mais redonda impossível. No repertório, algumas das canções que já se tornaram marcos na pequena discografia deles (como “Rua de trás”, que Jonnata dedicou ao microfone ao “nosso amigo Finatti”, e a dedicatória não poderia ter mais sentido, pois sabemos muito bem o que é ter frequentado uma “rua de trás” há um mês, se entorpecendo e alucinando com o que não deveria nunca mais se entorpecer; mas já passou, felizmente) e a adição de novas e sublimes canções, como a lindíssima “Pássaro azul”. Sem fazer média com a turma (que não precisamos disso) mas a real é que JDEOGS deve mesmo ser a MELHOR banda ao vivo do atual rock brasileiro (ou do que resta dele), ao menos na geração atual. As melhores referências sonoras (glam rock, pós punk à la Smiths, proto punk à la Iggy Pop, Legião Urbana e rock BR dos anos 80), ótimas letras em ótimo português e um vocalista ALUCINADO e do inferno, total andrógino, que se joga no chão e se vira e revira na terra bruta, que começa as apresentações total vestido e as termina inevitavelmente quase sempre apenas de CALCINHA (sim, ele sempre vai aos shows usando CALCINHAS), numa subversão e transgressão estética, visual, comportamental e performática como há muito não se via no MORTO roquinho brasileiro. Um rock hoje eivado de velhos idiotas e reacionários de extrema direita (como Lobão Cagão e Roger Bosta Moreira, ambos eleitores de BolsoNAZI, inacreditável isso; fora os “merdalheiros” fãs de heavy merdal e classic rock, todos também bestas humanas reacionárias de extrema direita) e que ENVERGONHA de verdade quem de fato AMA o grande rock que sempre esteve ao lado da liberdade, da democracia, da justiça social e que JAMAIS irá se alinhar com o fascismo de direita. E como se não bastasse o show ainda rolou bem na frente da sede de uma… igreja evanJEGUE, ops, evangélica, ahahahahaha. Sim, eles mesmos: os evanJEGUES como a futura primeira dama do país (R$ 24 mil na conta dela, depositados de maneira altamente suspeita, que be le za hein bolsOTÁRIOS) e como a futura Ministra dos Direitos Humanos (a que já disse que “é hora de a RELIGÃO governar o país!”, isso porque somos um Estado LAICO, de acordo com a Constituição). Joninha não perdoou e detonou a mesma. Foi, vale repetir, sensacional! O rock daqui nunca precisou tanto nesse momento de uma banda como a Boneca Jonnata e seus guris solventes. Em um país culto e não boçal e medieval como é o Brasil, esses moleques já estariam de contrato com uma grande gravadora e tocando direito nas rádios. Mas aqui, claro, é a nação boÇALnara, medieval ao máximo e que ama sertanojo e pagode burrão, além de axé e funk podreira. Sem problema: Jonnata Doll sabe que o rock voltou ao lugar onde se sente mesmo à vontade e em casa: no underground musical e cultural, na RESISTÊNCIA artística e cultural da qual todos nós faremos (já estamos fazendo, na verdade) parte a partir de 1 de janeiro vindouro, quando o Brasil irá mergulhar na idade das trevas porque 57 milhões de totais imbecis assim o quiseram. Que venha o fascismo troglodita e seu “mito” sujo de barro. Estaremos todos aqui para combate-lo. Ao som de Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, claro!

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Joninha e seus guris solventes: provavelmente o show ao vivo mais esporrento e poderoso da atual cena rock brasileira

***Ainda sobre a gig: o público não foi grande, mas o blog sentiu-se completamente contente e enturmado ali. Só tinha “cidadão do mal” (ahahahaha): “comunistas”, esquerdopatas, “petralhas”, “vagabundos” e LINDAS garotas (de todas as cores e raças) esquerdistas, hehe. Lindas, nada pudicas e de lar nenhum, como as boçais e “limpinhas” garotas de direita jamais o serão.

 

***Final de ano chegou, o inútil natal está aí e bla bla blá. Tá de bobeira este finde e pelos lados do Rio MEDO De Janeiro 40 graus? Então cola na casa noturna Dama De Aço, em Humaitá que a festona lá vai ser absolutamente fodástica nesse sábado, 22 de dezembro: vai rolar a “Ceremony”, apenas com anos 80 e pós punk a noite toda, com super especiais do Joy Division e do Echo & The Bunnymen. A produção do evento é do queridão Kleber Tuma (que vai discotecar também e comemorar seu niver) e Zapnroll é o dj convidado, wow! interessou? Vai aqui e saiba tudo sobre o evento: https://www.facebook.com/events/293078024871304/.

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***E como já estamos todos em clima de fim de festa por aqui (pelos lados do blog) e de final de ano, vamos deixar mais notinhas para a Microfonia para a semana que vem, antes da virada para 2019. Isso se algo realmente importante rolar e merecer ser comentado aqui, beleusma?

 

 

ÚLTIMO POST ZAPPER DO ANO – E FIM TALVEZ DE UMA TRAJETÓRIA LINDONA DE QUINZE ANOS NA BLOGOSFERA BR DE CULTURA POP E DE ROCK ALTERNATIVO

Já disseram há muito tempo Los Hermanos: “todo carnaval tem seu fim”. Estamos total de acordo com essa frase. Pois tudo na existência um dia chega ao fim. Grandes bandas de rock acabam mais cedo ou muito mais tarde (Keith Richards, o genial guitarrista dos Rolling Stones, do alto de seus setenta e cinco anos de idade, já mandou avisar que a atual turnê da banda é mesmo a ÚLTIMA), movimentos acabam, gêneros musicais idem (o rock já foi para o museu, infelizmente), escritores, artistas variados e músicos um dia morrem (desse mundo ninguém sai vivo) e por aí vai. Com este blog não haveria de ser diferente.

Zapnroll começou a ser publicada na internet por volta de maio de 2003. Primeiramente dentro do extinto portal Dynamite online (que foi o substituto digital da revista alternativa de rock do mesmo nome, e que marcou época na imprensa musical brasileira, fundada por volta de 1992 pelo músico, produtor e agitador cultural André Pomba). Depois, com a ampliação do número de leitores e da sua repercussão midiática, ganhou endereço próprio (.com). Mas dez anos antes, em 1993, este espaço dedicado ao rock alternativo teve um período de vida na própria edição impressa da revista Dynamite, em forma de coluna.

Desde então muita coisa aconteceu, muita água rolou embaixo da ponte e poderíamos escrever um LIVRO aqui apenas sobre a década e meia em que o blog e site zapper estão no ar na internet. Nesse período este espaço virtual literalmente acompanhou tudo o que foi possível no rock alternativo daqui e do mundo inteiro. Viajou o Brasil inteiro cobrindo centenas de festivais, descobrindo bandas que hoje são mega conhecidas (entre elas, Vanguart de Cuiabá, e Luneta Mágica de Manaus), resenhou toneladas de discos e shows e cobriu alguns dos maiores festivais (Lollapalooza, Planeta Terra, SWU etc.) e shows gringos (U2, Franz Ferdinand, The Cure, Blur, Oasis, Pulp, Pixies, Duran Duran, The Strokes, Belle & Sebastian et, etc, etc.) que já aconteceram no Brasil. Era e talvez seja, portanto, hora de sair de cena, enquanto este espaço ainda se mantém relevante, digno e com boa audiência. Afinal estamos envelhecendo (assumidamente: ou você morre antes de envelhecer ou envelhece e morre, simples assim) e produzir material para este blog é algo trabalhoso e cansativo, sem dúvida. Fora que o mundo infelizmente mudou radicalmente de anos para cá, com o advento da internet, dos apps, redes sociais e que tais. O grande jornalismo musical e cultural, como o conhecemos (e sendo que Zapnroll talvez seja parte da última grande geração de jornalistas da imprensa IMPRESSA que existiu, a que surgiu na década de 1980), definitivamente morreu. Idem a cultura pop e o próprio rocknroll. Sim, a música pop continua existindo e produzindo novos artistas a todo vapor. Mas eles são tão irrelevantes artisticamente falando que explodem um mega hit nas redes sociais e canais da web (como YouTube etc.) por uma semana e depois desaparecem tão rápido quanto surgiram, sendo logo substituídos por outro astro tão irrelevante e fugaz quanto foi seu antecessor.

Diante de um panorama desses estas linhas virtuais nem tinham mais como atualizar a todo instante o material publicado aqui, justamente por não ver NADA DE RELEVANTE que justificasse tal atualização frenética. Enquanto outros blogs “vizinhos”, que já foram incríveis e mega importantes para o jornalismo de cultura pop e agora se veem em aterradora decadência editorial (publicando micro posts diários sem importância alguma e com um autêntico fiasco em termos de repercussão e audiência), o blog zapper preferiu diminuir suas atualizações, publicando posts com farto material informativo e dedicando edições especiais a grandes bandas e discos da história do rocknroll.

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A Luneta Mágica, de Manaus (acima): uma das grandes descobertas do blog na cena indie nacional; nas fotos abaixo, momentos da trajetória do blog, com Finaski ao lado de Robert Smith (The Cure, em 1996), Kim Gordon (Sonic Youth, em 2005), Frejat (em 2016) e Nasi (vocalista do Ira!, este ano)

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Mas enfim avaliamos e decidimos que agora talvez seja a hora de encerrar de vez as atividades da Zapnroll. Tal qual o gigante REM decidiu por fim à sua trajetória musical sem trauma algum e após trinta anos de gigante trajetória no rock, tal qual Keith Richards que surpreendeu o mundo semanas atrás dizendo que estava parando de beber (“é hora de sair”, disse o guitarrista que é a ALMA dos Stones), também acreditamos que chegou a nossa hora de sair de cena, pois acreditamos que já cumprimos com louvor nossa missão por aqui. No final de 2017 o jornalista zapper publicou seu livro “Escadaria para o inferno”, onde ele faz um balanço de sua vida profissional na imprensa brasileira ao longo de três décadas de atividades. E em outubro passado o blog realizou uma sensacional e magnifica festa de quinze anos de existência nas dependências do Sesc Belenzinho na capital paulista, com showzaços das bandas Saco De Ratos e The Dead Rocks. Damos por encerrada nossa missão. Ao menos por enquanto.

Mas sem tristeza ou choradeira. O espaço do blog irá permanecer ainda por muitos meses online, para ser consultado por seus fieis leitores. E além disso também estamos programando novos eventos e atividades especiais, com a marca do blog – um deles deverá acontecer novamente no SescSP, entre abril e maio de 2019. Quando esses eventos se confirmarem, serão obviamente divulgados por aqui mesmo. E, por fim, talvez Zapnroll se renove e mude de plataforma, estreando um canal no YouTube, por exemplo. Tudo isso será estudado a partir do final de janeiro próximo.

Até lá estas linhas malucas e lokers que causaram polêmica como ninguém na história da blogosfera brazuca de cultura pop, entram em férias “permanentes” a partir deste post. Agradecendo de coração e com todo o carinho do universo quem sempre nos acompanhou e nos prestigiou. E desejando que todos tenham ótimas festas e uma virada de ano bacana, dentro do que é possível esperar de bom no país que será DESgovernado por BolsoNAZI a partir de primeiro de janeiro.

Fica então o nosso “até breve” para toda a galera. Valeu, pessoal!

 

***E não, pode ESQUECER! Na despedida oficial de Zapnroll, não vai haver LISTA ALGUMA aqui de “melhores do ano” – já basta a vergonhosa lista publicada pela revista americana Rolling Stone, com os 50 melhores (ou seriam os PIORES?) discos de 2018. Quer ver listas inúteis? Vai lá no blog pobreload, uia!

 

 

A HISTÓRIA TOTAL ROCKNROLL DE DHEMA NETHO – DE QUEM PROVAVELMENTE VOCÊ NUNCA OUVIU FALAR MAS QUE TEM UMA TRAJETÓRIA JÁ GIGANTE NO MONDO ROCKER

Yep, você provavelmente nunca ouviu falar dele. Mas como uma das funções primordiais de toda a história de década e meia deste blog eternamente rocker foi apresentar gente desconhecida mas totalmente envolvida como o grande rocknroll, achamos que era uma boa se deter no personagem do músico Dhema Netho para ser um dos tópicos principais de nosso derradeiro post.

Quem? Dhema Netho. Ou Ademar Neto, seu nome de batismo. Que nasceu no interior do Paraná há mais de cinco décadas, foi protético na adolescência e juventude, começou a tocar guitarra aos dezenove anos de idade, se apaixonou pelo rocknroll e nunca mais desistiu da sua paixão. Que o levou a montar bandas na década de 90 (uma delas, a Brechó De Elite, chegou a fazer razoável sucesso entre 1989 e 1995, chegando a tocar em rádio e a fazer aparições na então poderosa MTV Brasil), depois a ter uma loja de discos lendária em São Paulo (a Rocks Off, no bairro de Pinheiros) e, por fim, a leva-lo para Londres, onde morou por mais de quinze anos. Período em que gravou e lançou discos (um deles, inclusive, teve seus registros feitos no mega lendário Abbey Road, onde foram gravados alguns dos álbuns gigantes dos Beatles e de toda a história do rock), tocou no Cavern Club em Liverpool (onde uns certos Beatles também começaram tudo) e foi vivendo da sua música até se cansar “do frio” inglês para retornar a Sampa, há mais ou menos dois anos. Enfim, uma trajetória pra lá de bizarra e incrível e sendo que sua produção musical jamais cessou – Dhema tem cerca de quatrocentas músicas INÉDITAS e ainda não gravadas.

Como o blog conheceu o músico, que vive ao lado de cinco guitarras em uma kit no centro da capital paulista? Isso você, dileto leitor zapper, irá saber logo menos lendo a entrevista que fizemos com ele e onde o guitarrista e compositor relembra histórias bizarras de sua década e meia morando em Londres. Abaixo, os principais trechos do bate papo que ele teve com este espaço rocker blogger.

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O músico, guitarrista e compositor Dhema Netho (acima) e seu projeto, Monkey Revolution (abaixo): uma história incrível no rocknroll nos últimos dezesseis anos

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Zapnroll – Você já possui uma extensa trajetória como músico, guitarrista e compositor. Começou a tocar ainda na adolescência, teve banda de rock nos anos 90 (a Brechó De Elite) e morou dezesseis anos em Londres, tendo voltado há pouco tempo para São Paulo. Assim, para quem não conhece seu trabalho gostaria que você detalhasse bem tudo o que fez até hoje em termos artísticos e musicais.

 

Dhema Netho – A banda brecho’ de Elite foi fundada por mim mesmo em 1989 com um anuncio num jornal chamado primeira mão procurando integrantes para montar uma banda de Rock, e então os interessados foram aparecendo. Esse jornal foi de uma geração de Rock dos anos 80, pois nele você poderia procurar musicos , vender e comprar instrumentos musicais. Nessa época nem se sonhava com instrumentos importados no Brasil. Achar uma guitarra Fender, amplificador Marshall era impossível.

As lojas de instrumentos musicais na Teodoro Sampaio (rua do bairro de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista) estavam começando a surgir.

A banda Brecho’ de Elite teve 3 vocalistas. Musicos?  Dezenas passaram pela banda. Um entra e sai de musicos e na verdade  NUNCA  tive musicos que realmente gostasse deles como gosto musical . Um gostava do Pantera , outro do Iron Maiden, outro do Steve Vai e  eu adorava e ainda gosto do Chuck Berry e Rolling Stones. Então as coisas, as ideias  NUNCA se encaixavam e nada dava certo. Passei a maior parte da existência dessa banda procurando acertar os musicos do que realmente chegando a algum lugar. Depois de muito sacrificio e insistência consegui gravar o primeiro álbum do Brecho’ de Elite, “A vida e’ Rock and Roll” em 1995, por uma gravadora independente de Sao Paulo que já pegou as músicas todas gravadas e estúdio já pago por mim mesmo. Ninguém da banda pôs um centavo do bolso, eu paguei tudo, uma parte em dinheiro e outra parte em  instrumentos musicais. Essa mesma gravadora tinha lançado a banda Velhas Virgens e eles estavam quebrando o pau com os donos dessa gravadora que eu nem quero dizer o nome e nem sei para onde eles foram e que fim eles levaram, nem quero saber. Depois de ter caído numa grande roubada dessa gravadora, assim como os Velhas Virgens caíram, essa porcaria de gravadora jogou um membro da banda Brecho’ de Elite um contra o outro e a casa caiu feio. Os integrantes tentaram me roubar a banda por influência de um dos donos da gravadora dizendo que ele me queria fora da banda pois eu como dono, líder da banda representava perigo para eles, dono da gravadora manipular e não cumprir o contrato e roubar as músicas que nem sequer eles pagaram para gravar. Foi um verdadeiro inferno essa fase. Um integrante da banda roubou um amplificador de um amigo meu que emprestou para a gente gravar no estúdio. Os pais desse amigo foram no meu apê dizendo que iam chamar a polícia se não devolvesse o amplificador do filho dele e esse mesmo integrante da banda disse que ia ficar com o amplificador do meu amigo para pagar as horas de gravação dele no estúdio, vai vendo. Era um cabeçote valvulado para Guitarra mod. 5150 Van Halen. Não fazia muito o meu gênero como amplificador, mas esse guitarrista queria gravar com ele. No final ele devolveu o amplificador com ameaças de ir preso por roubo. Um idiota, moleque inconsequente. Meti um precesso em todo mundo. Ganhei a causa na Justiça, coisa que não foi nada dificil para ganhar POR SER TÃO ÓBVIA a situação. Traumatizado, abondonei tudo, vendi tudo e fui embora para Londres sem querer nem saber de banda, de guitarra e só pensava em recomeçar uma vida completamente nova e comecei uma vida completamente nova: fui produzir música eletrônica old school . Nada de House music, nada comercial. Musica eletrônica Underground Minimal Techno, Drum and Bass, etc. Não toquei Guitarra por 10 anos. E nunca entendi o por que disso e nunca achei resposta. Um dia bem discretamente, isso ja’ em Londres depois de 10 anos ja’ morando la’, entrei numa loja de guitarras, há 10 anos sem tocar ou pegar esse instrumento, com muita timidez peguei um violão bem principiante nas mãos e queria saber se eu ainda sabia tocar aquilo. Foi muito estranho aquele momento. Comprei o violão pois custava uma merreca, 60 libras. Foi então que aos poucos fui

lembrando e em pouco tempo eu ja’ estava com a casa, quarto cheio de Guitarras Fender, Amplificadores para toda parte. E la’ vamos nós, quero dizer eu, montar uma banda de rock de novo. Só que agora em Londres. Começar tudo do zero de novo como banda de rock. Anúncios e anúncios em jornais, revistas de musica procurando integrantes para formar banda. Entrei numa banda que era uma vocalista meio Blues, Folk, até Punk. Deu tudo certo logo de cara. A banda nao tinha nome. Eu dei o nome de Burning Money e todo mundo gostou. Eu era o único brasileiro nessa banda. Ainda bem que ninguém me pediu para tocar bossa nova ou samba, hehehehe,  man, fuck you, no way. Gravamos 6 musicas logo de cara, pois eu peguei todas as minha musicas do Brecho’ de Elite e traduzi para o inglês com a vocalista  adaptando uma coisinha aqui outra lá, pois alguma coisa nao fazia muito sentido dizer aquilo em inglês. Pronto, vamos fazer shows e procurar pubs para tocar. Nós agora somo o Burning Money: queimando dinheiro e não tínhamos muito onde cair mortos. Muitas águas rolaram, ou melhor, pedras rolaram e acabamos dentro do Abbey Road Studios (um dos estúdios mais célebres do mundo, onde os Beatles gravaram algumas de suas obras primas). E eu WOOOOO, isso seria uma recompensa depois do inferno no Brasil? Olho do meu lado sentado numa mesa do café do estúdio ninguém menos do que JIMMY PAGE do Led Zeppelin, a banda que eu idolatrava quando moleque? Ele sentado sozinho lá no jardim do estúdio e eu aqui também fazendo meu trabalho como  musico e agora mister Dhema Netho, eu me pergunto a mim mesmo? Por alguns minutos passou um filme pela minha mente doque eu tudo tinha passado no Brasil com o brechó de elite e membros, e pensei: essa é a minha verdadeira recompensa. Fui até Jimmy Page, pedi licença se poderia trocarmos umas palavras e ele disse por favor sente se e sinta se a vontade. Me apresentei como brasileiro,  e depois comentei se ele ainda tinha uma casa no Brasil onde ele passava as férias, ele disse que sim mas que não vinha ao Brasil há uns 3, 4 anos. Me perguntou se eu estava gravando musicas no Abbey Road ou só visitando. Respondi que sim estava masterizando umas musicas com minha banda o Burning Money. Ele fez uma brincadeira com o nome da banda perguntando se eu estava queimando dinheiro por ter ficado rico com a banda. Dei um cd demo para ele apertamos as mãos e boa sorte com sua musica rapaz, ele disse. Nos vemos por aí. Já estava dando a hora de subir para entrar no estúdio pois ficava no primeiro andar. E assim mil e outras histórias com famosos cruzaram o meu caminho. Por que decidi voltar ao Brasil depois de 16 anos na Inglaterra? Para por a minha cabeça no lugar, perdas de grandes amigos que fiz por lá que morrem com abuso de substancias, outros de câncer bem jovem. E eu estava precisando dar um tempo de Londres, pois estava bem cansado de lá. Talvez ainda volte a morar lá, mas quando penso no inverno, no frio que faz lá, eu nao sei não se voltarei a morar. Talvez só a passeio mas tem que ser no verão com certeza absoluta.

 

Zap – Por que você foi parar em Londres, afinal? O que houve com a Brechó De Elite e por que decidiu voltar ao Brasil?

 

Dhema – Nao consegui viver só de musica em Londres. A maioria de integrantes de bandas Inglesas tem um trabalho em loja de instrumentos musicais como acontece aqui no Brasil. Nada muda nesses termos , a dureza para chegar em algum lugar como banda não  é nada fácil. Trabalhei em Lojas de instrumentos também na Rua Dean Mark st. onde ficam todas as lojas, tipo uma Teodoro Sampaio em São Paulo. Sim, toquei guitarra nas ruas também com uma amiga nos vocais. Toquei muito em Camden Town, um bairro bem louco de Londres onde as pessoas parecem morcegos góticos. Eu não saia de lá.

 

Zap – Conseguia viver de música lá? Conte sobre sua fase como músico de rua, tocando em estações de metrô etc. E como foi a história de você também ter tocado no Cavern Club em Liverpool, onde os Beatles começaram a trajetória deles?

 

 

Dhema –  Caverna Pub em Liverpool, sim, fiz várias jamming  sessions no Caverna. Eu ia muito a Liverpool com um amigo inglês que tinha vários amigos em Liverpool e também eram musicos. Assim com em Manchester também. Íamos durante a tarde um dos amigos tinha um irmão que trabalhava no Caverna Pub e liberava tudo pra gente lá dentro. Nos sentíamos como se o caverna fosse nosso. Quando você está vivendo isso, tudo é tão natural, tão normal. Mas pode ter muita gente agora lendo isso e achar isso um sonho para eles. Talvez até um sonho nao realizável. Eu também ainda tenho sonhos que não sei se vão se realizar. Por exemplo, tocar um dia no The Royal Albert Hall. Uma casa de Londres onde as maiores bandas inglesas tocaram e fui ver shows lá centenas de vezes. Uma dupla sertaneja do Brasil já tocou nesse lugar. Mas tem um porém, eles dedetizaram o lugar ao meu pedido para as bandas de rock voltarem a tocar lá, rsrs.

 

Zap – De volta ao Brasil, você tem composto muito? Quantas canções inéditas você possui prontas para serem lançadas?

 

Dhema – Na verdade eu componho o tempo todo. E onde quer que eu esteja, estou com letras vindo à cabeça e mando isso via mensagem para o meu próprio celular para evitar que eu esqueça. Faço isso há muitos anos. E o mesmo eu faço com um gravadorzinho de voz para registrar coisas que me vem quando estou tocando guitarra. Não tenho smartphone, iphone não gosto disso de forma alguma. Meu celular não tem internet e não tira fotos. To muito feliz assim e não quero me tornar um escravo de uma máquina tão idiota e não fazer nada mais na vida a nao ser estar olhando e segurando aquilo 24 horas por dia, não entendo essas pessoas que fazem isso.  Sim, tenho gravado muitas musicas novas com amigos do Brasil lá em Pinheiros. E sao musicas ótimas.

 

 

Zap – Quais foram suas maiores influências musicais e no rock ao longo da sua vida? Quais suas bandas preferidas?

 

Dhema – Eu diria que quase tudo que tem qualidade musical. Ou seja, musica boa de verdade. Quando muito pequeno black music, disco music que eu adorava. Peguei e vivi toda a fase da discotheque e até hoje gosto muito desse estilo. Por volta dos 12, 14 anos o Rock&Roll entrou na minha vida e dominou tudo. Nazareth, Ac/Dc , The Sweet, Rolling Stones, The Beatles, Gary Gliter, Joan Jet, Bad Company, Led Zeppelin, The Who, Deep Purple, Yes, Sex Pistols, The Ramones etc. Isso era o que eu realmente ouvia. Tudo isso eu tinha em aqueles compactos vinil de 2 musicas de cada lado. E depois veio o Vinil.

 

 

Zap – Como você vê a música e o rock em si nos tempos da internet? Acha que o grande momento do rocknroll mundial já passou e não volta mais, ou ainda acredita que o gênero irá sobreviver?

 

Dhema – Não acredito de forma alguma  que o estilo Rock irá ter um BOOOOM como teve nos anos 50,60,70 e talvez até anos 80. É uma outra geração, uma outra mentalidade, uma outra realidade. E honestamente nada disso me interessa. Não tem aparecido uma banda que me interessa nestes últimos 20 anos. Seja essa banda de qualquer país. Não gosto de nenhuma banda dessas que estão. Não vou citar nomes porque SÃO TODAS. Musica na internet? Não faço downloading. Tenho tudo que me interessa para ouvir no meu Notebook e no pendrive. Internet facilita a vida das pessoas em todos os sentidos se você souber usar isso de uma forma inteligente. Tudo é muito prático e muito rápido quase no tempo real.O Rock vai sobreviver? O ock vai estar sempre aí como todos os outros estilos de musica boa. Assim como o Reggae, Folk, Blues, Country, Jazz, Clássico, Punk Rock etc. E isso vai ficar ao gosto, interesse individual de cada um o que quer ouvir. Agora, o que vai predominar ou continuar predominando é essa porcaria que está nessa geração Iphone. Como disse Albert Einstein, quando a tecnologia dominar as pessoas, dominar o mundo, essa será a geração mais estúpida na face da Terra. Se você não sabe usar a tecnologia, ela te usa e faz de você um verdadeiro idiota.  A tecnologia é sensacional se você souber usa la e não ser usado por ela.

 

Zap – Seus planos para 2019. Pretende lançar um disco inédito, afinal?

 

Dhema – Sim , pretendo lançar um álbum todo de inéditas que já tem umas 8 musicas novas com o Monkey Revolution, meu novo projeto/banda. Com esse projeto realmente eu alcancei quase o top da montanha em termos de satisfação profissional com as composições, produções, arranjos etc. E eu canto nesse projeto, coisa que demorou muito para eu assumir que gostava da minha voz cantando e tenho sido muito elogiado por isso. Mas sempre quase todo mundo diz a mesma coisa: parece Lou Reed , David Bowie, Bob Dylan, em termos de voz. Tudo bem, para mim e’ um elogio.

 

***Para saber muito mais sobre Dhema Netho e seu Monkey Revolution, vai aqui: https://www.facebook.com/Monkey-Revolution-was-born-in-London-by-Ademar-Mello-Brazilian-Musician-574501856270636/

 

 

E MONKEY REVOLUTION AÍ EMBAIXO

Em diversos vídeos, no canal no YouTube dedicado ao projeto de Dhema Netho

https://www.youtube.com/user/1964ademar

 

 

CULTURA POP LITERÁRIA – DOIS ESTREANTES EM LIVROS CONVERSAM COM O BLOG EM NOSSA DERRADEIRA EDIÇÃO

Em um momento em que o mundo em geral e o Brasil em particular possui cada vez menos apreço pelo lazer e simples (e ótimo) ato de ler um livro (afinal a era da web democratizou e tornou todos iguais perante à boçalidade humana: ninguém mais quer saber de ler livros ou textos longos mas, sim, compartilhar bobagens e imbecilidades vazias e ligeiras em redes sociais e aplicativos de celular), a literatura ainda possui devotos fiéis e segue respirando. Parte essencial e intrínseca da cultura pop e de nossa formação cultural e intelectual, ler um (ou muitos) livro (s) deveria ser algo obrigatório na existência humana. Manter essa arte gigante viva então nos tempos atuais, publicando um livro, pode se tornar um autêntico ato de coragem.

Pois dois diletos amigos pessoais destas linhas virtuais de cultura pop que estão se despedindo da blogosfera BR após uma década e meia de presença nela, ousaram, tiveram coragem e acabam de se lançar em suas estreias literárias. O jornalista Jesse Navarro vem com o seu “Macumba Rock”. Já a farmacêutica (!) e publicitária Tatiana Pereira apresenta “De analgésicos e opióides”, título homônimo do blog que ela mantém já há alguns anos. E para saber do que se tratam os dois livros e conhecer um pouco melhor a trajetória dos autores, Zapnroll foi bater um papo com ambos. Sendo que as duas entrevistas você confere abaixo.

 

JESSE NAVARRO

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O jornalista e escritor Jesse Navarro e seu primeiro livro, “Macumba Rock”

 

Zapnroll – Você é jornalista de formação, já tendo passado por redações de veículos impressos e pela produção de programas de tv e para a internet. O que o motivou a lançar este seu primeiro livro?

 

Jesse Navarro – Sempre escrevi, no colegial fiz curso técnico de redator auxiliar, minha primeira faculdade foi letras e meu pai foi jornalista e escritor. No entanto, não conseguia me organizar para escrever um livro. Em 2017, o exercício de um curso de roteiro era criar uma série imaginária para a Netflix. Nasceu Macumba Rock. Como é muito difícil virar série mesmo, resolvi adaptar a história para um livro. Da ideia original da qual apresentei até um “pitching” no curso, só ficaram o título Macumba Rock e os papos entre o espírito de Raul Seixas e uns jovens ocultistas num cemitério. Virou Culto a Raul. O resto é coisa que vi na vida, histórias de minhas consulentes de baralho cigano e dos moradores de rua com quem trabalho. O objetivo é mostrar a capacidade humana de sair das trevas por quem já viveu nelas, o poder de superação pelos caminhos da arte e da espiritualidade. A trilha sonora da minha vida que sempre foi rock alternativo viveu uma mudança: passei a ouvir cada vez mais o que chamo de xamanismo eletrônico e sons cheios de tambores. Esses barulhos estavam na minha mente e viraram ficção. Inclusive na trilha sonora incluí também preciosidades musicais da Grã Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez, um dos discos mais vanguardistas dos anos 70, pós-tropicalista e debochado, com Raul Seixas, Miriam Batucada, Sérgio Sampaio e Edy Star. Incluí essas trilhas na versão áudio livro que está em arte final. Foi uma fase inspirada da minha produção na Rádio Mundial, usando horas e horas de estúdio 2 para produzir esse material com vários dubladores. Lançamento será em mp3 em janeiro. Sei que tudo nasceu num curso de roteiros num momento de profunda transformação na minha vida pessoal.

 

Zap – Fale um pouco de sua trajetória jornalística e de suas influências literárias.

 

Jesse – Minha trajetória jornalística começou numa assessoria de imprensa na Prefeitura de Osasco. Meu sonho era o rádio, a televisão e peguei a internet chegando. Adorava ser repórter do jornal Primeira Hora, onde comecei cobrindo polícia e depois parei na política. Fui repórter de vários pequenos jornais e apresentador de várias pequenas emissoras de TV, rádio e internet, passando a ter mais pegada cultural. Entrei na RedeTV para ser editor de um programa da tarde e acabei trabalhando em algumas produções, pautei muito Márcia Goldsmidt na Band e dirigi o Clodovil interinamente por uns quinze dias. Durante dois anos fui assistente de direção. Aquilo era puro entretenimento e eu ainda vivia no estado da arte mais erudita. Meu programa na TV Osasco se chamava Giralata e acabou virando Oráculo em outro portal local. Criei um personagem punk místico cultural que atraiu a atenção da MTV da época. Aparecia no programa Gordo Freak Show, umas matérias externas, uma experiência bizarra pela proposta humorística de cornetar o artista na porta do seu show, mas uma experiência inesquecível de gravar uma externa com profissionais de verdade. Passei pelo Guia Quatro Rodas da Abril e depois disso, minha trajetória de jornalismo sobreviveu como comunicação e leitura de oráculos. Fui para a Rádio Mundial e hoje leio ocultismo, um ou outro romance espírita, minha influência literária é beat, Hunter Thompson, Plínio Marcos, cinema da Boca do Lixo. Dica de livro para verdadeiros estudantes de tarô: “O caminho do tarô”, Jodorovsky. A cultura de auto ajuda espiritual é um caminho que mudou minha leitura, meu radicalismo, coisas que assisto e impressões da existência.

 

Zap – De onde surgiu a ideia para o nome “Macumba rock”? Do que trata o romance, afinal?

 

Jesse – Havia um teste nesse curso de roteiros e os professores estimulavam os participantes a compararem as pessoas às séries. Me compararam com “Sons of Anarchy” e o rock realmente está em mim. Fiz uma piada interna comigo sobre isso. Lembrando de pontos da Umbanda e vendo que minha realidade hoje era muito mais tropical, bem mais alinhadas à busca da espiritualidade africana do que com o velho punk. Então veio Macumba Rock. O título antes de qualquer enredo. O romance se trata da capacidade de recuperação de pessoas parecidas perdidas, que não terão volta em suas decadências. Todas elas se encontram no bairro da Freguesia do Ó, em São Paulo. É um thriller que evoca um culto a Raul Seixas em meio a uma delirante e caótica vida macumbeira, festiva, cigana em que uma moça se revolta quando lhe dizem que sua pomba-gira é marmotagem e terá um destino de perdição enfrentando demônios em cemitérios e fazendo contato com Raul Seixas. Como prefaciou Newton Cannito, “Macumba Rock é um livro muito ousado: Navarro escreveu um thriller espiritual erótico, uma mistura heterodoxa de vários gêneros de sucesso. Tem prazer na leitura para todos os lados. Se você gosta de investigações policiais, leia o livro. Se gosta de literatura espiritual e quer saber mais sobre entidades da umbanda, leia o livro. Se quer ouvir detalhes eróticos de boas trepadas, leia o livro. E se você gosta de Raul Seixas, leia o livro”.

 

 Zap – Você hoje em dia se dedica a qual área? Tem planos de prosseguir lançando mais livros?

 

Jesse – Hoje me dedico à comunicação holística. Apresento dois programas. Um na Rádio Mundial todo domingo, o programa Momento. E o programa Profecias do Momento, um canal do YouTube que realmente agregou uma comunidade participativa que interage escolhendo um dos três montinhos do baralho cigano. Levo adiante minha causa social com moradores em situação de rua, sempre trazendo novos parceiros até terapeutas musicais ou massagistas que tragam quick massage. Minha criatividade continua a mil e pretendo lançar outros livros.

 

 

Zap – É fato que a era da internet, se por um lado democratizou e colocou ao alcance de todos o máximo de informação possível, por outro meio que boçalizou as pessoas, visto que elas perderam o interesse por obras literárias mais densas e extensas. O reflexo disso é a queda na venda de livros no Brasil e a crise que se abate sobre o mercado editorial brasileiro, com editoras fechando e mega livrarias entrando em recuperação judicial. Diante de um panorama desses você ainda acredita na literatura e no livro impresso como forma de levar lazer e cultura para um grande público? Você mesmo bancou a edição independente do seu livro?

 

Jesse – Ainda tem bastante gente lendo. O que quebrou o antigo mercado foi a Amazon. Como você é um jornalista da área cultural, me preocupo com sua visão pessimista. Antigas tradições sobreviveram e a leitura de livros é uma delas, que sempre lutou por seu espaço. As pessoas boçais são minoria e muitas se curarão. Existe uma evolução natural junto com uma mudança marcante de formatos, livros digitais dobráveis. Macumba Rock foi artesanal. Uma edição limitada para me lançar como escritor. E os dados ainda estão rolando.

 

Zap – Seus heróis literários e suas obras favoritas em todos os tempos?

 

Jesse – Meus heróis morreram de overdose e as obras favoritas foram desconstruídas. Cem anos de solidão, G G Marques, A Erva do Diabo, Castaneda, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Machado de Assis, modernistas, simbolistas, dadaístas, Dom Quixote, Mate-me por favor, Bukowski, Marcelo Rubens Paiva, Adelaide Carraro, Hemmingway e meu pai, Jesse Navarro Júnior, autor de “A voragem dos moribundos” (1975) e outros.

 

Zap – Para comprar o livro, como proceder?

 

Jesse – Entre no site www.profeciasdomomento.com.br.

 

 

TATIANA PEREIRA

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Zapnroll e a escritora Tatiana Pereira, no coquetel de lançamento do livro dela

 

 

Zapnroll – Como e quando uma farmacêutica bioquímica foi se apaixonar por literatura e por cultura pop, a ponto de criar um blog sobre os dois temas e, anos depois, publicar um livro com os textos que saíram neste blog?

 

Tatiana Pereira – A minha profissão veio bem depois da paixão pela literatura e pela cultura pop. Nasci numa casa onde a literatura sempre foi reverenciada, então sempre li muito, desde criança, e comecei a escrever poesia muito cedo, mas tudo de forma muito pessoal, sem um plano para me tornar escritora. O blog aconteceu no comecinho dos anos dois mil e foi uma maneira de compartilhar o que antes ficava apenas “na gaveta” – acredito que tenha sido um processo natural da época.  Já a publicação do livro veio com mais maturidade, quando senti que já tinha escrito coisas que valiam à pena ter esse formato.

 

 

Zap – De onde surgiu a ideia para o nome “De analgésicos e opioides”?

 

Tatiana – O De Analgésicos & Opioides foi um mini conto que escrevi por volta de 2005 – vale dizer que o conto era bem pessoal, sem uma validade literária, tanto que nunca foi publicado em lugar algum – mas eu gostei do título dele e passei a usá-lo como título do blog. Para mim, a literatura é capaz de te proporcionar analgesia da mesma maneira que te leva às experiências mais loucas como o ópio, e quando fiz essa relação não consegui mais desvincular esses “signos”.

 

Zap – O livro possui 470 páginas reunindo crônicas e textos curtos. Todos já haviam sido publicados no blog ou há algo inédito?

 

Tatiana – Não. Pelo menos 60% do livro nunca foi publicado no blog, nem em qualquer outro veículo. Tem muito mais material inédito no livro do que espalhado pelos canais digitais.

 

Zap – Você hoje em dia se dedica à área de marketing, certo? Tem planos de prosseguir lançando mais livros?

 

Tatiana – Sim. Fiz faculdade de Farmácia e Bioquímica e logo percebi que estudar marketing me ajudaria a desenvolver projetos de serviços de saúde com uma comunicação mais assertiva, mais direta, sem esse lado “sisudo” e muitas vezes “impondo medo” que a comunicação nessa área insiste em fazer – o que me incomoda muito. Para isso, acabei fazendo MBA em Planejamento Estratégico de Marketing, fiz pós em Marketing Digital, estudei Netnografia e decidi que precisava ter uma qualidade de vida melhor para poder fazer o que gosto sem a dureza do mundo corporativo. Foi quando, há 8 anos, abri minha própria empresa onde a área de saúde se torna uma divisão de negócio, mas amplifiquei o leque de serviços para outros segmentos. Tudo isso para poder ter tempo de escrever. Hoje já tenho mais dois livros praticamente prontos e tenho escrito roteiros de longas, curtas e uma previsão de lançamento de filme em 2019.

 

Zap – É fato que a era da internet, se por um lado democratizou e colocou ao alcance de todos o máximo de informação possível, por outro meio que boçalizou as pessoas, visto que elas perderam o interesse por obras literárias mais densas e extensas. O reflexo disso é a queda na venda de livros no Brasil e a crise que se abate sobre o mercado editorial brasileiro, com editoras fechando e mega livrarias entrando em recuperação judicial. Diante de um panorama desses você ainda acredita na literatura e no livro impresso como forma de levar lazer e cultura para um grande público?

 

Tatiana – Você pontuou coisas importantes aí e me arrisco a dizer que as grandes livrarias começaram a deixar seus reais leitores/ consumidores de lado para investir nos leitores de internet – o que não haveria nada de errado se houvesse um equilíbrio, entendimento e planejamento. É só entrar nessas livrarias para perceber que na mesa dos mais vendidos e de lançamentos há uma série de réplicas de coisas já publicadas na internet e que não é mais novidade para quase ninguém. Tentar aplicar a rapidez e liquidez do ambiente digital nas lojas e nas editoras sem considerar a diferença de consumo dos dois ambientes nos levou a esse cenário triste da literatura. Em contrapartida, tem gente que entendeu o processo, e usa os canais digitais para levar o público para a loja física – que é o caso da editora Lote 42 que também é dona da Banca Tatuí e da Sala Tatuí, no bairro Santa Cecília, em São Paulo – que me faz acreditar que o livro impresso sempre vai existir, mas não na quantidade de hoje. E aí eu pergunto: se as grandes redes de supermercados entenderam que uma cidade como São Paulo precisa mais de mini mercados e uma curadoria geolocalizada de mix de produtos, por que as redes de livrarias não fizeram esse exercício?!

 

Zap – Para quem não conhece seu blog e seu estilo literário, o que esse possível leitor irá encontrar no seu livro?

 

Tatiana – O livro é uma série de crônicas e prosas poéticas que abordam os diferentes estados emocionais do ser humano fazendo referências à cultura pop – literatura, cinema, música, artes plásticas – usando, muitas vezes, a própria gramática como personagem.

 

Zap – Seus heróis literários e suas obras favoritas em todos os tempos?

 

Tatiana – Listas são sempre terríveis, pois tendem à uma injustiça. Risos! Mas vamos lá: meu deus é o Fernando Pessoa e seus heterônimos. Coleciono Júlio Cortázar, Clarice Lispector e Haruki Murakami como referência literária, e a Fernanda Young como o humor [ou a falta dele] de uma sofisticação para poucos. Gosto demais do Ariano Suassuna e tenho o tenho lido muito nos últimos anos. Minhas obras favoritas são Histórias de Cronópios e Famas, do Cortázar. Água Viva, da Clarice Lispector. O livro do Desassossego e toda obra do Alberto Caeiro, do Fernando Pessoa.

 

Zap – Para comprar o livro, como proceder?

 

Tatiana – Na Livraria Blooks [São Paulo e Rio de Janeiro] e através da Indie Blooks: http://indieblooks.iluria.com/pd-5d701f-de-analgesicos-opioides.html. E diretamente comigo, pelo Pagseguro [vai com dedicatória e autógrafo]: https://bit.ly/2GBtoer.

 

 

ARQUIVOS DO JORNALISTA MUSICAL FINASKI – SAUDADES DOS SHOWS DE ROCK QUE VIMOS NA VIA FUNCHAL SP

Madrugada dessas estava o loker rocker aqui assistindo ao programa do Jools Holland (ou Jools “RÔLA”) no canal Bis. Gostamos de ver, sempre rolam atrações bacanas: nessa madruga, por exemplo, teve Damon Albarn (vocalista do Blur, pros desinformados de plantão), Black Keys e… Coldplay. Ok, ok, a banda não é mais o que era antes mas continuamos achando o dream pop inicial deles (pelo menos até o terceiro disco) digno de respeito. E ouvindo Chris Martin e sua turma se apresentando, nos lembramos saudosos das duas vezes em que vimos a banda ao vivo na finada Via Funchal.

Fomos pesquisar na web. No Wikipedia tem um verbete bastante completo sobre aquela que, na nossa opinião, foi mesmo a MELHOR casa de shows internacionais que existiu na capital paulista nos últimos 25 anos. Projetada com esmero e rigor, permitia que você assistisse super bem as gigs que lá aconteciam, estivesse onde estivesse lá dentro (havia uma pista em desnível em direção ao palco, com degraus, o que permitia que a fila à sua frente ficasse sempre ABAIXO da sua visão do palco). Fora que a acústica era ótima e a iluminação idem. Mas como tudo que é ótimo nunca dura para sempre o local encerrou atividades em dezembro de 2012, já que a dupla que era sócia de lá vendeu o mesmo a uma incorporadora imobiliária pela “bagatela” de R$ 100 milhões.

Enfim, a Via Funchal durou 14 anos, de 1998 a 2012. E nessa quase década e meia de existência, este jornalista eternamente rocknroll viu shows verdadeiramente incríveis por lá (alguns nem tanto, vamos ser honestos), e agradecemos isso à queridíssima Miriam Martinez, que foi assessora de imprensa máster da casa durante toda a existência dela. Miroca, que atualmente trabalha na Tom Brasil SP, é uma das nossas melhores e mais bacanas amigas na assessoria de imprensa rock paulistana há mais de 30 anos, e nunca nos deixou na mão, hehe. De modos que aí embaixo segue um resumo de algumas das gigs que vimos por lá, com rápidos comentários sobre cada uma delas e sobre o momento pelo qual estávamos então.

 

***Green Day (novembro de 1998): a Via Funchal existia há apenas dois meses e esse foi o primeiro show de rock que o blog viu lá. E foi showzão, casa lotada (cabiam 6 mil pessoas lá), a banda ótima no palco etc.

 

***Echo & The Bunnymen (setembro de 1999): os “homens coelho” finalmente retornavam ao Brasil após 12 anos de sua primeira e histórica passagem por aqui. Vieram na turnê do disco que marcou a volta do grupo, o PÉSSIMO “Evergreen”. Mas novamente a gig foi sensacional (enlouquecemos ao ver na nossa frente, pois estávamos COLADOS no palco, na área de imprensa, a banda começar a apresentação com a clássica “Rescue”), mesmo com Ian McCulloch sem voz alguma. E foi nesse show que o zapper estava acompanhado DELA! Quem? Ana S.B., um XOXOTAÇO goth que havíamos conhecido semanas antes na porta do Madame Satã. Linda, gostosa, 17 aninhos de idade (e o loker aqui com meus 36 já…), inteligentíssima e… totalmente PERVA, safada e ordinária, rsrs. O zapper se apaixonou pela garota. Fomos juntos ao Echo e depois passamos no também finado e saudoso Nias (um dos clubes de rock mais legais que existiram em Sampa), bebemos e dançamos por lá, até que propus irmos ao Madame (afinal, tínhamos nos conhecido na porta do casarão goth clássico do Bixiga). Ela topou. Pegamos um táxi e quando chegamos na porta do Satã, me disse que não queria entrar. “Vamos logo pro hotel TREPAR!”, falou, para nosso total espanto. Nem precisou pedir duas vezes. A foda foi do inferno e jamais esqueceremos do BOQUETE primoroso feito pela magrinha de peitos miúdos e rosto angelical perfeito como o de uma boneca de porcelana oriental. E também não me esqueço jamais dos seus gritos histéricos quando ela gozou. Trepamos ainda mais duas vezes e Aninha sumiu, para apenas me reencontrar muitos anos depois, quando estava CASADA com um espanhol com o dobro da idade dela. Procurou o jornalista rocker novamente, foi na casa dele e DEU novamente. O blog se casaria com ela. Mas nunca mais a vimos depois de mais duas fodas canalhas e inesquecíveis.

 

***The Mission (junho de 2000): o quarteto gótico inglês já estava em franca decadência. Mas havia lançado um cd TRIPLO (!) e veio tocar aqui mais uma vez (depois virou carne-de-vaca no Brasil e o vocalista e líder Wayne Hussey até se casou com uma loiraça goth perua de Santo André, onde parece que mora até hoje). A Via Funchal quase lotou e a tribo goth enlouqueceu com os hits do grupo. Depois do show fomos parar num muquifo goth que estava funcionando no cu da zona leste paulistana, levados por um busão caindo aos pedaços e fretado pelos ex-donos do Madame Satã, para fazer o tal trajeto.

 

***Coldplay (setembro de 2003): a primeira visita dos ingleses ao Brasil. E já estavam no auge, prestes a lançar seu terceiro álbum de estúdio e com dois CDs primorosos na bagagem. Foram três noites absolutamente LOTADAS na Via Funchal. Não me lembro em qual fui, mas estava lá. De calça preta, camisa social branca de manga comprida e blazer por cima (disso me lembro bem). Ficamos EMOCIONADOS com a gig, de verdade. E quando saímos de lá fomos ainda em um coquetel fechado para convidados em Pinheiros, lançamento de um disco se não me engano. O coquetel era open bar e fiquei (claro!) num estado lamentável. Como sou adicto (dependente químico que não deveria sequer beber UMA gota de álcool), não deu outra: saí dali direto para o centro de São Paulo, para me ENTUPIR de CRACK. Final de madrugada absolutamente trágico para uma noite que havia começado de forma sensacional. Normal, faz parte.

 

***Massive Attack (maio de 2004): o zapper já tinha visto a trupe trip hop inglesa alguns anos no extinto Free Jazz Festival. Show mais uma vez perturbador. Pela concepção cênica e pela ambiência sonora total sinistra e sombria. Foi lindão, no final das contas.

 

***The Sisters Of Mercy (maio de 2006): também já estava em sua fase total decadente e vivia aparecendo para shows caça níqueis por aqui. Já os tinha visto 15 anos antes no finado ProjetoSP, onde a gig já não tinha sido grande coisa (a real é que a banda nunca foi muito boa ao vivo). Mas o povo goth amava a banda e assim bastante gente apareceu para revê-los ao vivo.

 

***New Order (novembro de 2006): o retorno do gigante synthpop inglês, depois de sua gloriosa primeira vinda ao Brasil, em 1988. Foi legal, a VF lotou (óbvio), Peter Hook (ainda estava no conjunto) deu show no baixo mas já não era mais a mesma coisa. Hoje em dia, então… só para TROUXAS ou FANÁTICOS.

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Echo & The Bunnymen (acima) e REM (abaixo): duas das zilhões de bandas gigantes da história do rock mundial e que o blog testemunhou ao vivo ao longo de nossa década e meia de existência, ambos em gigs na finada e saudosa Via Funchal SP

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***Coldplay (fevereiro de 2007): eles voltaram e lá estava Zapnroll novamente (iria cobrir a apresentação para o caderno B do diário carioca Jornal Do Brasil, onde Finaski estava colaborando então). Mais uma vez três noites lotadas. Mais uma vez showzaço emocionante. E felizmente desta vez não teve crack no final da noite.

 

***Interpol (março de 2008): a única gig que vimos dos nova-iorquinos pós punk que emulam Joy Division à perfeição. E foi ótimo!

 

***REM (novembro de 2008): um dos shows INESQUECÍVEIS da NOSSA VIDA. Uma das cinco bandas eternas da minha existência. Já os tinha visto em janeiro de 2001, no terceiro Rock In Rio. E aqui foi ainda melhor pois era espaço fechado e com muito mais visibilidade de palco e som muito melhor. E este zapper CHOROU quando a banda tocou “Losing My Religion”.

 

***Duran Duran (novembro de 2008): a volta do new romantic histórico inglês, 20 anos após tocar pela primeira vez no Brasil (em janeiro de 1988, no festival Hollywood Rock). Foi um dos melhores shows que assistimos na Via Funchal.

 

***Peter Murphy (fevereiro de 2009): gig solo do ex-vocalista dos Bauhaus. Na boa, foi chatíssimo, rsrs.

 

***The Kooks (junho de 2009): os inglesinhos indie rock dos anos 2000 estavam no auge e fizeram um bom set.

 

***Cat Power (julho de 2009): nossa deusa e musa americana ad eternum. Set melancólico, climático e lindíssimo. Sendo que o blog estava apaixonado e quase namorando com a Rudja, que morava (e mora até hoje) em… Macapá! Tanto que LIGAMOS pra ela do via celular no meio da apresentação, e tentamos fazer com que ela escutasse parte do show pelo celular.

 

***Belle & Sebastian (novembro de 2010): nossos eternos heróis escoceses do indie rock e dream pop. Show inesquecível, sendo que saíram lágrimas dos meus olhos ao final dele. E sim, o blog estava acompanhado da garota de Macapá (a Rudja), com quem havia namorado e noivado por um ano, e ela tinha vindo passar um mês em Sampa (também vimos juntos a primeira edição do festival SWU), pra nos despedirmos do noivado. Aquela noite pós B&S foi looooonga, com álcool, drugs etc. Mas não posso entrar em detalhes porque senão a fofa Telma (mãezona da garota e querida amiga nossa até hoje) me mata, hihi.

 

***Stone Temple Pilots (dezembro de 2010): outro show za ço! Scott Weiland sempre foi nosso “ídalo”, rsrs (e também do mozão André Pomba, ahahaha). No final da gig Zapnroll, já com algumas doses de whisky na cachola, deu de cara com o porcão, jotalhão e covardão José Flávio MERDA Jr., um dos seres humanos e jornalistas mais escrotos e imundos que tivemos o desprazer de conhecer em toda a nossa existência. Só não partimos pra cima do pança de elefante porque fomos contido pelo querido Pablo Miyazawa (então editor chefe da finada revista Rolling Stone Brasil). Depois o blog veria novamente o STP na segunda edição do festival SWU, em 2011 em Paulínea. E depois Scott se foi, morto por overdose de drugs aos 48 anos de idade. Viveu rápido, intensamente, e morreu jovem ainda. Como todo mundo deveria viver e morrer, no final das contas – é um CASTIGO cruel se tornar um velhote solitário, senil e gagá, definitivamente.

 

***Pulp (novembro de 2012): o fim para o blog por ali, e para o próprio Via Funchal em si. A gig foi no dia 28 daquele mês, dois dias depois do niver de 50 anos de idade do jornalista zapper. Foi uma despedida mega digna para o MELHOR espaço de shows de rock que já houve em Sampalândia. Deixou saudades. E quem viu o que vimos ali e relembramos nesta publicação, viu. Quem não viu não irá ver nunca mais.

 

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E PARA FECHAR COM CHAVE DE OURO A HISTÓRIA DAS MUSAS ROCKERS ZAPPERS, ELA! A MUSA SECRETA N.R., QUE PASSOU UM ANO CHIFRANDO SEM DÓ O MARIDO ENQUANTO ERA FODIDA NUMA PAIXÃO LOUCA PELO JORNALISTA LOKER ROCKER

Yeeeeesssss. Para encerrarmos verdadeiramente os quinze anos de Zapnroll no tópico “musa rocker”, teríamos que caprichar. Afinal muitas, lindas, divinas, devassas, bocetudíssimas, cadeludas, imorais e total pervas passaram por aqui ao longo desta década e meia. De modos que para terminar super bem também este capítulo, resolvemos caprichar e enlouquecer de verdade nosso dileto leitorado macho (cado), com uma reedição do ensaio DELA! Quem? Da musa SECRETA N.R., oras. E de quem não podemos revelar a identidade pois a garota é CASADA e durante um ano meteu corno sem dó no seu maridón, dando e fodendo com gosto com seu AMANTE zapper – este mesmo aqui, o eterno jornalista gonzo, loker e rocker. A paixão entre ambos foi algo realmente avassalador. Mas tudo que é ótimo um dia acaba. Ficaram então as lembranças. Que você confere aí embaixo, sem moderação alguma!

 

Nome: N.R.

Idade: 36 anos.

De: São Paulo.

Mora em: São Paulo.

Com quem: com o marido.

O que faz: já foi comerciária, hoje cuida da sua casa.

Paixão: literatura, sendo que seus autores preferidos estão Charles Bukowski e o cubano Pedro Juan Gutiérrez.

Música: fã de Tiê, Ana Carolina, Cazuza, Chico Buarque e Legião Urbana.

Como ela e o autor deste blog se conheceram: foi através de um grupo de discussão na internet sobre a obra do velho safado Charles Bukowski, o célebre autor americano do qual ambos são fãs devotados. Os papos online começaram, depois ligações pelo celular. Começou a negociação para um encontro pessoal e ao vivo, o que não demorou a acontecer. E o que era para ter sido apenas uma única tarde de foda intensa porém sem compromisso emocional algum, se tornou uma paixão avassaladora que durou um ano e dezenas de TREPADAS enlouquecedoras, com o casal GOZANDO tudo o que podia. Como a situação não poderia se prolongar ad eternum sem que uma possível tragédia acontecesse, tudo se findou um dia. Restaram as lembranças imagéticas e uma amizade que perdura até hoje.

 

FRASES INESQUECÍVEIS DISPARADAS DURANTE ALGUMAS DAS FODAS DESVAIRADAS DO CASAL

 

“A irmã CRENTE rezando, e a PUTA aqui dando!” (N.R., numa tarde de sábado, quando estava sendo traçada de ladinho pelo jornalista Finas, e lembrando que naquele exato instante sua irmã, que é evangélica, deveria estar na igreja orando)

 

“Vai, me dá LEITE DE PUTA!” (era assim que N.R. se referia ao esperma, que adorava BEBER sem restrição. E Zapnroll soltou muita porra na BOCA dela, ulalá!)

 

“A puta branquela, peituda, magra e perfeita!” (assim Finaski se referia a N.R., já que ela é branca como um fantasma, possui bunda durinha e miúda, pernas finas e peitos GIGANTES)

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Uma BOCETA do inferno e sempre em chamas!

 

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Peitões portentosos

 

 

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A bundinha magra e durinha de uma cadela branquela e puta sem igual

 

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Uma devotada fã de literatura

 

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Sim, o CORPO dela sempre acalmava o velho jornalista

 

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O casal saciado carnalmente, após uma de suas fodas alucinadas

 

 

2003-2018 – FIM DA HISTÓRIA ZAPPER!

Sim! Tudo tem um fim, tudo um dia acaba. Foi ótimo enquanto durou e foi um imenso prazer estar com todos vocês durante os últimos quinze anos. Nos vemos por aí! Beijos na galera que ainda ama rocknroll, vocês estarão sempre em nosso coração!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 28-12-2018 às 18:30hs.)

 

AMPLIAÇÃO FINAL (com A MORTE DE SCOTT WEILAND, editorial em defesa do mandato de Dilma, indicações culturais do blog e roteiro de baladas): Aeeeeê! O postão custa a aparecer mas cá estamos novamente, e FERVENDO com a análise das SENSACIONAIS biografias de Iggy Pop e Kim Gordon, que já estão disponíveis em edição nacional; o blog questiona novamente (e agora enfim publicando uma análise do tema): qual o interesse ESCUSO por trás do hype em torno dos Boogarins, e a QUEM interessa esse hype afinal?; como foi a gig de despedida dos Pin Ups, em resenha que humilha a “concorrência”, uia! E mais isso e aquilo tudo no blogão campeão em cultura pop e cujo postão está finalmente e totalmente concluído (atualização final em 4/12/2015)

 

 

 Dois gênios e duas lendas da história do grande rock’n’roll têm suas vidas e suas trajetórias artísticas em duas excelentes biografias, que ganharam caprichada edição brasileira: Iggy Pop (acima) e Kim Gordon (ex-baixista do finado grupo americano Sonic Youth, abaixo) fazem parte de uma estirpe de músicos como não existe mais no mondo pop/rock de hoje

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EXTRA BOMBA! A MORTE DE SCOTT WEILAND

O vocalista Scott Weiland, durante apresentação da banda Stone Temple Pilots no festival SWU, em Paulínia (São Paulo), em novembro de 2011; ele morreu ontem nos Estados Unidos, aos 48 anos de idade (foto: Helena Lucas)

 

Esse LOKI se foi. Muito jovem. E o blog gostava PRA CARALHO da obra dele, do ARTISTA que ele era. Durante anos brincamos, eu e  irmão André Pomba, que Scott Weiland era nosso “sonho de consumo” masculino, rsrs (riso sem graça agora, na verdade). E os Stone Temple Pilots foram uma das melhores e mais SUBESTIMADAS do grunge americano noventista, ponto. Fora que Weiland encarnou à perfeição a persona do rock star louco, desajustado e junkie em sua essência: cheirou toda a cocaína que pôde, consumiu toda a heroína possível, fumou quilos de crack, bebeu horrores e era um VOCALISTA FODÍSSIMO, e letrista idem.

 

Rip man. E o rock’n’roll dos anos 2000’ que está na UTI, fica sem um dos seus últimos grandes heróis dos últimos 25 anos.

 

* Cobertura do show do Stone Temple Pilots no SWU 2011 pela Zap’n’roll, aqui: http://www.zapnroll.com.br/?p=1148

 

* E o set da banda no festival, na íntegra, aí embaixo:

 

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EDITORIAL POLÍTICO ENCERRANDO O POST – EM DEFESA DO MANDATO DE DILMA

A maioria dos leitores destas linhas zappers era muito jovem ou talvez nem fosse nascida ainda quando a política brasileira passou pela última vez por situação semelhante a de agora. Foi em 1992, quando o atual senador Fernando Collor era presidente. E naquela época havia todos os elementos do mundo para afastar Collor (sendo que a situação econômica do Brasil era grave, mas nem era tão grave como atualmente). Uma série de denúncias COMPROVADAS com farto material documental indicavam que o político alagoano (que havia sido eleito com a falaciosa peça de marketing de que ele era um super-homem e um “caçador de marajás”; até a saudosa mama Janet, sempre tão esclarecida política e intelectualmente, se quedou e se deixou seduzir pelo discurso do sujeito) vivia nababescamente sustentado por um sórdido esquema de corrupção, que pagava suas contas pessoais e as de sua família. Quando a sujeira toda veio à tona (e, quem diria, com a revelação dela disparada pelo irmão novo do presidente, Pedro, em entrevista de capa à hoje escrota e exemplo máximo de mau caratismo jornalístico, que é a revista Veja) o país se indignou. Milhões foram às ruas pela saída de Collor – o blog se lembra de um comício monstro num final de tarde no Vale do Anhangabaú (centro de São Paulo), em que nós, Luiz Calanca (da loja de discos Baratos Afins, e Valdir Angeli, estivemos presentes, gritando pela deposição do BANDIDO que ocupava a presidência da República). E ele acabou caindo. Com merecimento. Foi a ÚNICA vez na história do Brasil (detalhe: apesar de jornalista há quase 30 anos, sou realmente formado no curso de História) que um presidente foi “impichado”. E como ótimo LADRÃO que é, Collor seguiu na política e nela continua até hoje, roubando como sempre e volta e meia sendo pilhado em esquemas de corrupção, como foi novamente no escândalo do petrolão.

 

O que nos leva à situação atual e ao agora acolhido pedido de impeachment contra Dilma, atual presidente do Brasil e que recebeu mais de 50 milhões de votos nas últimas eleições. Só um IDIOTA, CEGO, OTÁRIO, BURRO, IMBECIL, REACIONÁRIO, CONSERVADOR E HIPÓCRITA para não perceber (ou entender) que há uma diferença MONSTRUOSA entre o que é essa mulher (Dilma) e o que é, foi e continua sendo Fernando Collor. As duas biografias falam por si e quem tiver um MÍNIMO de bom senso e inteligência que vá atrás de ambas e as leia. Dilma pode ter TODOS OS DEFEITOS DO MUNDO – e os têm: é teimosa, turrona, cabeça-dura, tem mega dificuldade em ESCUTAR opiniões contrárias às suas e também a ouvir conselhos. Mas BANDIDA, LADRA, eu tenho convicção de que ela NÃO É. Sim, o país está mergulhado numa crise política e econômica HORRENDA e muito dessa crise é fruto e culpa do próprio PT (o Partido da presidente) e do petismo, que se transfigurou de anos pra cá e se transformou em tudo aquilo de PIOR que existe na política brasileira e nos outros Partidos políticos. O PT sucumbiu à corrupção deslavada, se locupletou no poder e hoje se compraz em utilizar todos os métodos políticos sórdidos na condução do gerenciamento do país que ele sempre abominou nos outros Partidos e combateu com unhas e dentes. E aí esteja talvez outro dos gigantes DEFEITOS de Dilma: uma mulher de conduta pessoal e política ilibada (até onde se sabe, e acredito na idoneidade dela) que infelizmente ainda está dentro de um Partido político infestado de RATAZANAS graúdas (e Delcídio do Amaral é apenas e nesse momento a parte mais visível dessas ratazanas). Ela faria um bem a si mesma se ABANDONASSE o PT.

 

Dito tudo isso aí em cima,  declaramos aqui PUBLICAMENTE que somos CONTRA o impeachement dessa mulher. Ela tem todos os defeitos do mundo, vero. Mas tb é guerreira, é íntegra, Lutou contra a ditadura militar (que matou muita gente no Brasil) e arriscou a própria VIDA pela redemocratização do país e por uma nação melhor e mais justa. Então é INCONCEBÍVEL que um BANDIDO, PILANTRA, ESCROQUE, CANALHA, CAFAJESTE E CHANTAGISTA da PIOR ESPÉCIE como é o presidente da Câmara Eduardo Cunha, tenha o PODER de abrir um processo de impedimento contra uma mulher que ganhou legitimamente nas URNAS o cargo que ocupa. Afinal, como ela mesma disse ontem em ótimo pronunciamento (e assino embaixo tudo o que ela disse), não é ELA que está sendo investigada pelo STF por corrupção no escândalo da Petrobras. Não é ELA que teve contas bancárias secretas (e ILEGAIS perante a Lei brasileira) descobertas na Suíça. Não é ELA que ESCONDEU de todo mundo a existência de bens pessoais milionários. E sim EDUARDO CUNHA é quem fez tudo isso. Quem já deveria estar ESTIRPADO do Congresso e na CADEIA é ELE, ao invés de se querer ARRANCAR À FORÇA Dilma do cargo que ela ocupa.

Uma mulher guerreira (a presidente Dilma, acima) e que ganhou seu mandato no VOTO; o mesmo mandato que agora PILANTRAS como Eduardo Cunha (abaixo) querem arrancar dela à força. Quem é de fato o grande BANDIDO dessa história?

 

Ficou muito claro que esse facínora da pior espécie e sem igual na política nacional, que é Cunha, deflagrou tal processo em RETALIAÇÃO ao fato de que a bancada do PT no Conselho de Ética da Câmara vai mesmo votar pela continuidade do processo pela cassação do seu mandato de deputado. Uma sujeira sem tamanho desse EVANGÉLICO mais sujo que pau de galinheiro, e que ENVERGONHA a classe política e a própria RELIGIÃO a qual ele devota suas (falsas) orações.

 

Se necessário for, voltaremos às ruas como fizemos em 1992. Só que desta vez para DEFENDER o MANDATO de uma mulher que jamais poderá ser equiparada, pessoal e politicamente, a gente do naipe de Eduardo Cunha, Fernando Collor e outros MARGINAIS da política nacional. Eu votei nela. E vamos DEFENDER NOSSO VOTO E SUA PERMANÊNCIA no cargo até o fim.

 

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O velho punk louco e a deusa loira.

Talvez sejam dois personagens em extinção no mondo pop/rock dos tempos atuais, cada vez mais conservadores e intolerantes sob todos os aspectos da existência humana – inclusive na cultura pop e na música em geral. Tanto Iggy Pop (sessenta e oito anos de idade) quanto Kim Gordon (sessenta e dois), ex-baixista do finado e saudoso Sonic Youh, pertencem a uma casta de músicos e artistas que legaram arte GIGANTE (na qualidade) para a história do rock’n’roll. Ele, ao ser um dos personagens principais na formatação do rock de garagem dos anos 60’ e naquilo que alguns anos mais tarde iria explodir na Inglaterra sob o epíteto de punk rock. Ela ao fundar em 1980 junto com o guitarrista, vocalista, compositor e ex-marido Thurston Moore a banda que melhor traduziu Grande Arte em forma de guitarras indies, barulhentas e dissonantes. Não à toa duas das melhores biografias musicais publicadas este ano (e que ganharam caprichadas edições brasileiras) radiografam com precisão a trajetória pessoal e profissional dele e dela. E talvez a leitura dos dois livros (que estão bem analisados neste postão de Zap’n’roll que está começando a entrar no ar na terça-feira, 24 de novembro, ante-véspera de mais um aniversário na vida do autor deste já veterano blog sempre rock’n’roll) jogue alguma luz em nós sobre alguns aspectos do mundo atual. Sobre porque o rock entrou em processo de empobrecimento artístico. Ou sobre porque o ser humano se tornou tão moralista, conservador, preconceituoso e bestial a ponto de gerar aberrações como o grupo terrorista Estado Islâmico. Afinal o mundo em que Iggy e Kim viveram quando eram jovens, era muito diferente do mundo em que vivemos atualmente. Os anos 60’ e 80’ foram décadas excepcionais e maravilhosas na questão da criação cultural e dos valores comportamentais, quando as pessoas eram muito mais liberais e libertárias e havia muito menos intolerância na face da Terra. O que deu errado de lá pra cá, afinal? Foi pra isso que bandas geniais e inesquecíveis como Stooges (onde Iggy cantou, deitou e rolou) e SY existiram? Para hoje assistirmos com absoluta impotência a quase completa desintegração de toda e qualquer manifestação cultural minimamente relevante, que seja? Enfim, são respostas que talve só o tempo nos dê. E enquanto elas não chegam, continuamos aqui, lutando como possível pela cultura pop e pelo nosso sempre amado rock’n’roll alternativo. E a bordo de mais um postão zapper, que começa agora.

 

 

* Yep, o postão anda demorando muito a sair. Mas quando chegamos com ele, chegamos já fervendo, néan.

 

 

* Sendo que os assuntos dominantes nas últimas semanas continuam sendo o infame atentado terrorista em Paris (e que custou a vida de cento e trinta inocentes) e o maior desastre ambiental já ocorrido no Brasil, mais espeificamente em Minas Gerais. Ambos os episódios deixam a alma e o coração do blog eivados de tristeza. E se perguntando: até quando iremos suportar tamanha intolerância e bestialidade geradas pelo próprio ser humano? E até quando empresas bilionárias como a Samarco/Vale, que não possuem o menor respeito pelo meio ambiente e pela vida humana, seguirão provocando IMPUNES no Brasil desastres que MATAM pessoas e aniquilam rios, animais e vegetação?

 

 

* E não, Zap’n’roll NÃO vai falar sobre o novo álbum da Adele, mesmo ele sendo na opinião de blogs vizinhos (que já andaram soltando fogos de artifício até pra anunciar turnê brasileira do mega brega Lionel Richie, jezuiz…), “o lançamento mais importante do ano”. Não é o foco DESTAS linhas bloggers, definitivamente. E felizmente. Todo mundo já está falando disso (capa inclusive da já decadente edição brasileira da revista Rolling Stone), o disco dela vai ser com certeza o mais vendido deste ano (isso numa época onde o cd está praticamente morto), a loira esteve até no Fantástico da TV Globo, então ESTE blog não precisa ficar perdendo tempo com isso.

A humanidade está falando da loira cantante inglesa – inclusive ex-blogs de rock alternativo e que agora anunciam até turnê de Lionel Richie, hihihi; logo, Zap’n’roll não precisa perder tempo com esse assunto

 

* Mais importante do que ficar gastando espaço com Adele é observarmos que a crise econômica pela qual o país está passando afetou inclusive a produção de alguns dos festivais indies mais bacanas do Brasil. Caso dos já veteraníssimos Goiânia Noise e Porão Do Rock. O primeiro chegou aos seus vinte e um anos de existência e sua edição 2015, realizada há duas semanas na capital de Goiás (e produzido sempre pela querida e brava turma da Monstro Discos, de quem o blog é dileto e fiel amigo há anos já), foi feita quase na RAÇA, já que não teve apoio do poder público local (mais interessado em despejar grana na mão de gente escroque, que faz outro festival anual em Goiânia, mais pop e menos voltado ao rock independente). O resultado foi uma edição bem mais modesta do que as anteriores e onde o grande destaque foi mesmo o ainda gigante hardcore Ratos De Porão. Já o PDR deste ano aconece no próximo dia 5 de dezembro em Brasília (quando geralmente ele rola no final de agosto). E a edição 2015, ao contrário das anteriores, será realizada apenas no sábado, no estacionamento do estádio Mané Garrincha. Este ano também não há nenhuma atração internacional (como em 2014 e 2013, que foram acompanhadas de perto pelo blog e quando se apresentaram nomes gringos como Mark Lanegan e Soulfly) mas, ainda assim, haverá gigs de bandas históricas de BsB como Paralmas e Capital Inicial. Enfim, são tempos bicudos mesmo o que estamos vivendo e a torcida é para tudo volte ao normal o mais breve possível e que festivais como o Noise (em Goiânia) e o Porão (em Brasília) possam brilhar novamente como merecem.

 

 

* A pergunta que não quer calar: quando começam as vendas dos tickets pra turnê dos Rolling Stones no Brasil, em fevereiro? Hein???

 

 

* E como o postão está entrando agora no ar mas vai seguir em construção até quinta-feira pelo menos, vamos atualizando as notinhas iniciais até a conlusão dos trabalhos por aqui, okays? Então bora ir já aí embaixo ler sobre as bacaníssimas biografias de Iggy Pop e Kim Gordon, que ganharam ótimas edições nacionais.

 

 

O VELHO LOUCO/JUNKIE IGGY POP E A DEUSA LOIRA KIM GORDON – DUAS LENDAS DA HISTÓRIA DO ROCK QUE NÃO VENDERAM SUAS ALMAS

Não resta dúvida de que o Grande Rock’n’roll acabou – ou, no mínimo, está quase morto, respirando por aparelhos na UTI da música pop planetária atual. Uma música pop (e nela, incluso o rock atual) que viu sua criatividade e qualidade artística descer ladeira abaixo sem dó e rumo a um abismo de mediocridade criativa como nunca antes havia sido visto ou ouvido, cortesia destes tempos incultos e obtusos de internet e redes sociais. Assim, dessa forma, talvez só reste a quem ainda ama o rock que realmente importa,  escutar os álbuns clássicos e LER sobre personagens gigantes que ajudaram a escrever essa história ainda emocionante. E esses personagens já estão ficando idosos, claro. Mas ainda assim continuam representando o que de GRANDIOSO foi feito no rock planetário nas últimas quatro ou cinco décadas. Dois exemplos máximos? Iggy Pop e Kim Gordon. Ele, aos sessenta e oito anos de idade, continua na ativa (se apresentou inclusive em São Paulo, há quase um mês, em um modesto festival de rock). Ela, sessenta e dois, fundou a lenda Sonic Youth (a banda que definiu todo o indie guitar noise rock mundial de três décadas pra cá) e nele permaneceu tocando baixo até o fim do grupo, em 2011. E ambos acabaram de ter lançadas no Brasil duas estupendas biografias: “A garota da banda” (de Kim) e “Open Up And Bleed – a vida e a música de Iggy Pop”, sobre o homem que um dia cantou à frente dos Stooges (a banda garageira/proto punk mais fodástica dos sixties).

 

Dois livraços que o blog recebeu das respectivas editoras que os lançaram aqui (Aleph e Fábrica 231, braço da Rocco) e que está devorando com prazer máximo, sendo que os volumes serão as grandes cias literárias zappers neste final de um 2015 eivado de crises políticas e econômicas, de desastres ambientais monstruosos e por ataques terroristas bestiais. Afinal tanto a música do Iguana (apelido que Iggy tinha no início de sua trajetória) quanto do SY foram companheiros inseparáveis do já velho jornalista loker/rocker em suas últimas três décadas e meia de existência, e onde muito aconteceu e atravessou a vida quase sempre loka do autor deste blog, ao som dos dois nomes em questão. Amores, paixões, trepadas, loucuras variadas, enfiações grotescas de pé na lama em álcool e drugs, shows inesquecíveis tanto de Iggy quanto do Sonic Youth: Zap’n’roll passou por tudo isso e por isso mesmo será sempre um devotado fã da loira e de sua ex-banda, e do sujeito que cantava que queria ser seu (nosso) cão.

 

A biografia da loira e eterna baixista do Sonic Youth tem acabamento visual bacana e duzentas e oitenta e seis páginas. Com tradução do jornalista e blogueiro Alexandre Matias, curiosamenre começa pelo FIM da banda e do casamento de Kim Gordon com Thurston Moore. Ela relata em minúcias o processo que desencadeou a separação do casal fundador do grupo (Moore tinha arrumado outra mulher mais jovem, só pra variar, Kim descobriu e foi o fim de tudo, inclusive do SY) e a excursão derradeira da banda, com a passagem final pela América Latina e o ÚLTIMO SHOW, que foi o realizado na segunda (e também derradeira) edição do festival SWU, em Paulínia (próximo à capital paulista) em novembro de 2011 – gig a qual o blog esteve presente, testemunhando a performance final e eletrizante de um conjunto que representou durante três décadas o que de melhor existiu na cultura pop e no rock alternativo americano. Uma performance acima de tudo PROFISSIONAL pois conseguiu fazer com que os milhares de fãs presentes à apresentação (que transcorreu debaixo de chuva forte o tempo todo), NÃO percebessem o clima PESADO e tenso que havia entre os integrantes no palco, em especial entre o ex-casal que não trocou um olhar ou palavra sequer durante toda a duração do set. Kim, no entanto, desvela com sinceridade plena esse esfacelamento conjugal e a conseqüente ruptura do SY por conta disso, detalhando como foram os ensaios que antecederam a turnê durante uma semana em Nova York (quando ela preferiu ficar hospeada em um hotel, ao invés de utilizar o apartamento que tinha com Moore na cidade), a vontade que se manifestou nela para que essa tour derradeira fosse cancelada pelo grupo (“mas tínhamos assinado um contrato e todos nós tínhamos contas a pagar e famílias para sustentar”, lembra ela) e, por fim, como foi o ambiente interno da Juventude Sônica ao longo das apresentações nos países sul-americanos. Uma sinceridade e honestidade textual que, ao que parece, se prolonga até a última pagina do livro – o blog ainda não concluiu a sua leitura e o fará com calma até o final deste ano, inclusive em nosso sempre aprazível réveillon na bucólica São Thomé Das Letras, em Minas Gerais. Em suma, o relato de uma trajetória de vida e artística de uma mulher que angariou milhões de fãs pelo mundo afora (este jornalista incluso) e o respeito da mídia por fazer o que fez durante trinta anos: grande arte musical e excepcional rock’n’roll.

As biografias de Iggy Pop e Kim Gordon (acima), dois dos melhores livros de rock que foram lançados este ano e que ganharam caprichadas edições nacionais; abaixo, a ex-baixista do Sonic Youth com seu ex-marido (o guitarrista e fundador da banda, Thurston Moore) e a filha do casal, Coco

 

 

James Osterberg, aliás Iggy Pop, além de ter se tornado um dos maiores mitos da história do rock’n’roll, também pode ser considerado como um dos últimos sobreviventes ainda dignos de respeito, da grande geração de bandas e rockers que iniciaram sua trajetória nos anos 60’. O velho louco (que se apresentou em São Paulo há algumas semanas, em um pequeno festival de rock) continua na ativa aos sessenta e oito anos de idade. E é um autêntico milagre que ele continue em forma e subindo em palcos para cantar, dado o seu histórico pessoal e artístico. Fundador no final dos anos sessenta do seminal e antológico The Stooges (um dos nomes capitais do rock de garagem e do proto punk americano dos sixties, com quem gravou os clássicos “The Stooges”, “Funhouse” e “Raw Power”), Iggy Pop enfiou com gosto o pé na lama em grotescas sessões de álcool, drogas e orgias variadas, numa existência ultra junkie e que talvez encontre paralelo apenas em outro sobrevivente lendário da loucura rocker, o Stone Keith Richards.

 

Mas ao contrário dos Rolling Stones (que ao longo de cinco décadas de existência venderam milhões de discos) tanto Iggy quanto sua ex-banda nunca foram um estouro mercadológico. Os discos lançados pelos Stooges, embora sejam referência e influência para zilhões de bandas até hoje, venderam muito modestamente na época em que foram lançados, ente 1969 e 1973. E Iggy em sua longa carreira solo (quase vinte discos desde a estréia em 1977, com o sensacional “The Idiot”) só conheceu o sucesso comercial de fato com “Blah Blah Blah” (editado em 1987) e com “Brick By Brick” (lançado em 1991 e que estourou nas rádios do mundo inteiro, Brasil incluso, por conta da balada “Candy”, em que ele divide os vocais com Kate Pierson, dos B-52’s). De lá pra cá o já quase setentão punk se mantém em evidência por conta de bons lançamentos regulares e, principalmente, pela fama e respeito que sua trajetória angariou perante público e jornalistas. Uma trajetória por certo atualmente bem mais tranqüila e longe dos excessos que motivaram performances históricas dos Stooges (com Iggy se jogando na platéia ou se cortando todo com uma gilete em pleno palco) ou episódios autenticamente rock’n’roll em sua vida pessoal total alucicrazy, como quando o eterno “protetor” David Bowie foi buscá-lo em uma clínica de reabilitação e o colocou no estúdio para gravar “The Idiot”. Lançado em 1977 é o primeiro e até hoje o melhor trabalho solo dele.

 

Toda essa trajetória está detalhdamente esmiuçada em “Open Up And Bleed – a vida e a música de Iggy Pop”, escrito por Paul Trynka que saiu há pouco no Brasil. Com capa dura, um miolo recheado de fotos bacanudas e mais de quinhentas páginas, é uma biografia de fôlego sobre um sujeito que contribuiu de forma decisiva para a construção da cultura pop (e do rock) contemporânea. Um sujeito que, tal qual Kim Gordon, faz parte de uma espécie artística infelizmente em completa extinção no mundo cultural absolutamente inócuo de 2015. A espécie daqueles que legaram GRANDE ARTE à humanidade, em forma de música. Então vá até as duas biografias e conheça a vida de ambos. E entenda porque não existem mais (e dificilmente voltarão a existir) artistas pop como Iggy Pop e a ex-baixista do Sonic Youth.

 

 

“A GAROTA DA BANDA” – TRECHO

“…Depois de trinta anos, aquela noite era o último show do Sonic Youth. O Festival de Música e Artes SWU acontecia em Itú, nos arredores de São Paulo, Brasil, a oito mil quilômetros da nossa casa, na Nova Inglaterra. Era um evento de três dias, transmitido pela televisão latino-americana e também pela internet, com grandes empresas patrocinadoras como Coca-Cola e Heineken. As atrações principais eram Faith No More, Kanye West, Black Eyed Peas, Peter Gabriel, Stone Temple Pilots, Snoop Dogg, Soundgarden, gente assim. Éramos provavelmente os menores artistas da escalação. Era um lugar estranho para as coisas chegarem ao fim”.

 

(nota do blog: na verdade, a segunda edição do festival SWU foi realizada na cidade de Paulínia, e não em Itú como Kim escreve em sua biografia)

 

 

“A VIDA E A MÚSICA DE IGGY POP” – TRECHO

“…Àquela altura, Natalie (organizadora do fã clube dos Stooges) já tinha presenciado os membros da banda em toda e qualquer situação sexual possível: James num banheiro encharcado de sangue com duas garotas, Iggy no quarto com três garotas, Scottie, Thurston e Ron num hotel com uma só garota, vinte pessoas numa orgia no quarto de Iggy e por aí vai”.

 

 

O JORNALISTA BLOGGER LOKER NA VIDA LOKA, ACOMPANHANDO AO VIVO IGGY POP E SONIC YOUTH

* 1988: o primeiro show do Iguana no Brasil, a matéria no Jornal Da Tarde e a virgem que perdeu seu cabaço naquela noite/madrugada – era julho de 1988 e a produção do finado ProjetoSP (casa de shows gigantes que ficava no bairro paulistano da Barra Funda e onde cabiam cerca de cinco mil pessoas) anunciou: Iggy Pop iria se apresentar lá no final daquele mês. Seria a primeira visita do lendário ex-vocalista dos Stooges ao Brasil. Zap’n’roll era então um jovem repórter em trabalho de cobertura de férias de trinta dias no prestigiado caderno “Divirta-se”, do diário paulistano Jornal Da Tarde. E na semana do show publicou UMA PÁGINA sobre Iggy no jornal, para alegria dos irmãos Arnaldo e Marcelo Waligora (que eram os donos do ProjetoSP). O bizarro da parada foi o venerável e já nessa época muito conhecido produtor Luiz Calanca, dono da loja e selo Baratos Afins e dileto amigo zapper já naquela época, vir reclamar da matéria durante uma visita do jornalista à loja: “Que absurdo, Finatti! Você ficar babando ovo em uma página inteira do jornal pra esse VELHO aí!”. Uma semana DEPOIS da gig, de volta à Baratos em um final de tarde, o autor destas linhas lokers rockers escuta do mesmo Calanca, já totalmente convertido: “Puta show!!! BABEI na minha camisa, na beira do palco!”. Ahahahaha. Mas falando especificamente daquela noite algo fria de inverno (como não existe mais hoje em dia em Sampa): Iggy veio na turnê do álbum “Instinct”, que ele havia lançado em junho daquele ano. Um disco com guitarras pesadas e muito diferente do anterior, o pop “Blah Blah Blah”, que hvia sido até então o maior sucesso comercial do loki. A apresentação foi centrada então nas músicas desse disco, mas não faltaram os “cavalos de batalha” como “Lust For Life” e “I Wanna Be Your Dog”. E mais uma bizarrice rolou durante a apresentação: o jovem jornalista musical (então com seus parcos vinte e cinco aninhos de idade) consegui achar no meio do público (que não chegou nem a metade da lotação do local) uma deliciosa XOXOTA preta, de peitões suculentos e rosto de… menininha. Começou a papear com a garota e descobriu que ela estava ali por pura curiosidade (tinha ganho um ingresso em alguma promoção), já que nunca tinha ouvido falar em… Iggy Pop, rsrs. Jornalista e garota ficaram então juntos até o final da gig e ele conseguiu “arrastá-la” para o apê onde morava, na rua Frei Caneca. Lá os amassos começaram e o repórter taradão descobriu que a “mocinha” tinha apenas quinze anos de idade (!!!) e que era… virgem. Era, até aquela madrugada, rsrs. No final dela Cíntia (o nome dela) voltou pra casa sem CABAÇO, ulalá! E algo apaixonada por um jornalista que naquela época não queria saber de nada sério com mulher alguma (ainda mais se ela tivesse apenas quinze anos de idade…).

 

* Novembro de 2005: Iggy, Sonic Youth, cocaine e uma foto ao lado de Kim Gordon na noite do aniversário do maloker – foi em vinte e seis de novembro daqyele ano, há exatamente uma década. Era a noite de ANIVERSÁRIO do jornalista eternamente doidón e que já estava escrevendo semanalmente a COLUNA Zap’n’roll no portal Dynamite online. Que era uma das co-parceiras de divulgação do festival Claro Que É Rock, que iria rolar naquele dia/noite em Sampa. E entre os zilhões de artistas bacanudos do line up estavam justamente… Iggy Pop e Sonic Youth. Foi uma noite total insana. Já ANTES da entrada da Juventude Sônica em cena, um amigo zapper chegou nele e disse: “como hoje é seu aniversário, vou te dar um presente!”. E esticou uma TATURANA gigante de cocaine para ser aspirada pela pobre napa fináttica. Feita a devastação nasal lá se foi o jornalista (que estava com uma credencial all acess pendurada em seu pescoço) já total bicudão para a frente do palco (na área reservada aos repórteres), para assistir o SY. Clima de tensão: voavam copos e garrafas de plástico na direção dos jornalistas (além de gritos elogiosos como “sai daí, filho da puta!”), já que eles estavam ATRAPALHANDO a visão de quem estava logo atrás da grade que separava aquela área do restante do público. Não deu outra: bicudo como estava e tenso com a situação, o loker rocker agüentou ficar ali apenas duas músicas. E saiu logo em seguida sabedor que precisava beber URGENTE algo alcoólico e BEM FORTE, pra “cortar” sua “bicudisse”. Com a credencial que estava foi moleza entrar em uma área vip de uma marca de VODKA que estava patrocinando o evento. E lá o zapper então se entupiu de vodka com energético até ficar bem na foto novamente. A essa altura o show do SY caminhava para o final e Zap’n’roll se dirigiu então para o BACKSTAGE da banda. E lá esperou a apresentação acabar e os quatro integrantes do grupo saírem do palco. Quando eles estavam indo para os camarins (improvisados em alguns trailers), o blog conseguiu trocar algumas rápidas palavras com sua deusa loira, a baixista Kim Gordon – que foi bastante simpática e atenciosa com o jornalista cara-de-pau, hihi. Do encontro rápido sobrou um registro imagético bacana (tirado por alguém que estava por por ali) e que estas linhas online guardam com carinho até hoje. Ah, sim: naquela noite Iggy se apresentou com os Stooges. Foi um set absolutamente animalesco, apenas isso. E a noite terminou de forma insana, com o jornalista e mais três amigos e um TAXISTA indo atrás de cinco gramas de cocaine nas biqueiras da avenida Roberto Marinho (na zona sul de Sampalândia), e depois terminando a esbórnia no saudoso e lendário Attari Club. Bons tempos… rsrs.

O jornalista rocker/loker ganha o melhor presente na noite do seu aniversário, em 26 de novembro de 2005 (há uma década): uma foto ao lado da deusa loira Kim Gordon, ex-baixista do Sonic Youth (sendo que a imagem foi registrada no backstage do festival Claro Que É Rock, logo após o grupo encerrar seu set)

 

 

IGGY POP E SONIC YOUTH AÍ EMBAIXO

Em dois momentos ao vivo incríveis de ambos no Brasil: Iggy (com os Stooges) detonando “I Wanna Be Your Dog” no festival Claro Que É Rock, em novembro de 2005. E o show COMPLETO de despedida do Sonic Youth no festival SWU, em novembro de 2011.

Iggy Pop – festival Claro Que É Rock (São Paulo, novembro de 2005) 

 

Sonic Youth – festival SWU (Paulínia, novembro de 2011)

 

 

OS BOOGARINS SÃO MUITO BONS, DE FATO – MAS ALGO NÃO CHEIRA BEM NO EXAGERADO HYPE EM TORNO DA BANDA

Você, dileto leitor zapper, a essa altura já está careca de saber quem são os Boogarins. Quarteto formado em Goiânia (capital de Goiás) em 2012 e atualmente integrado pelos seus fundadores, os guitarrista e vocalistas Benke Ferraz e Dinho Almeida, além do baixista Raphael Vaz e do baterista Yanaiã Benthroldo (ex-Macaco Bong e que entrou no lugar de Hans Castro), os Boogarins ameaçam se tornar o novo nome mais conhecido do rock BR em escala mundial, algo que antes havia sido conseguido apenas pelo finado Cansei De Ser Sexy e pelo hoje total decadente Sepultura. Tanto que o mais recente álbum de estúdio do grupo, “Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos”, lançado há algumas semanas, foi gravado na Espanha e lançado pelo selo americano Other Music, que “descobriu” o conjunto lá fora. A partir daí um hype gigante começou a se formar em torno do quarteto. Um hype que, na real, exala um odor algo desagradável para este blog. E que pode levantar a seguinte questão: qual o interesse ESCUSO por trás desse oba-oba em torno dos Boogarins? E a quem interessa que o grupo se torne mega bombator no atual circuito indie rock planetário?

 

A banda é ok? Sem dúvida. Com influências assumidas de nomes como Tame Impala e Pink Floyd (lá fora) e Mutantes (aqui no Bananão), os Boogarins professam com bastante competência uma psicodelia/lisergia rocker que dominou boa parte do rock’n’roll nos anos 60’ mas que andava meio esquecida nesses tempos de total mediocridade no qual a música pop da era da internet mergulhou. Foi preciso que conjuntos com o australiano Tame Impala ou o inglês Temples (esses moleques são geniais e um dos grupos dos anos 2000’ prediletos destas linhas bloggers) resgatassem as nuances oníricas e sonoras de nomes como Syd Barrett para que o rock de acento psicodélico voltasse a ser notado por mídia e público. Aqui no Brasil então, falar em psicodelia era papo de alienígena (afinal, estamos no país do axé, do sertanojo universotário e do funk escroto ostentação e onde a cena rock atual amarga uma ignorância musical e textual e uma falta de qualidade artística jamais vista por aqui). Até que os goianos resolveram comprar a briga e mostrar a que vieram. Se deram muito bem: foram descobertos pelo Other Music, lançaram por ele o bacana “As plantas que curam” (doses concentradas de guitarras embebidas em psicodelia plena, tecendo melodias contemplativas e que emolduram letras igualmente contemplativas e bucólicas, com alguma dose de inadequação existencial) e começaram a repercutir bem na gringa. Vieram convites para shows nos Estados Unidos e Europa e a gravação do segundo álbum. E no momento em que o novo trabalho de estúdio foi lançado lá fora e aqui também, a banda já experimentava um hype que ela talvez nunca tivesse imaginado que iria acontecer em torno dela.

 

“Manual…” chega a ser melhor e musicalmente mais maduro do que a estréia do grupo. E ao vivo ele também se mostra bastante eficiente, como estas linhas online puderam conferir há um mês no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista, onde os Boogarins se apresentaram – nesse momento os goianos estão encerrando uma turnê pela Europa. Mas algo comeou a INCOMODAR o blog zapper nesse hype ao redor dos Boogarins. Por exemplo: na semana do show no Centro Cultural o caderno cultural Ilustrada, do jornal Folha De S. Paulo, que há muito já deixou de ser sinônimo de relevância e credibilidade jornalística em termos de cobertura musical, deu toda a capa para o quarteto de Goiás com o pomposo e total exagerado título “A maior banda goiana de todos os tempos da última semana”, em texto assinado pelo competente porém sempre festeiro Lúcio Ribeiro (nome já decano do jornalismo rock brasileiro). Um exagero MONSTRO na verdade, se pararmos pra pensar que, mesmo estando atualmente empobrecido, o rock independente nacional possui ainda alguns nomes tão bons em seu trabalho musical quanto os Boogarins e que não estão tendo essa repercussão midiática. Exemplos? Luneta Mágica, de Manaus. Ou Os Descordantes e o Os Euphônicos, de Rio Branco (no Acre). Ou ainda o já veterano Los Porongas, também do Acre mas há anos residindo na capital paulista, e que lançou há pouco seu novo e muito bom disco de estúdio, “Infinito Agora”.

 O quarteto goiano Boogarins: a banda é boa, sem dúvida, mas o hype em torno dela está se tornando exagerado

 

O que nos leva ao que foi dito logo no “lead” deste tópico: qual o INTERESSE escuso por trás do hype em torno dos goianos? E a QUEM interessa esse hype? Algumas “pistas” investigadas pelo blogão que não tem papas na língua, mostram que já há uma autêntica “ação entre amigos” pra fazer os Boogarins bombar. Afinal o disco deles saiu aqui pelo selo Skol Music, dirigido pelo PORCÃO CEM, o PILANTRA e MAU CARÁTER em grau máximo e que todos nós sabemos que ele é. Não só: o “empresário” do grupo é aquele conhecido rotundo produtor rocker goiano, que durante anos foi sócio de um dos principais selos independentes de rock do país, e que realiza um dos mais importantes festivais indies do Brasil anualmente e até hoje na capital de Goiás. Depois de aprontar barbaridades inenarráveis dentro da produtora/selo (como tráfico de influência, alguns desvios financeiros e outras pilantragens), ele acabou sendo defenestrado do mesmo. Agora vive de realizar seu próprio festival anual também em Goiânia (sempre amealhando polpudas verbas do Poder Público) e de caçar bandas como os Boogarins, que possam encher ainda mais de grana seu bolso sem fundo de rapina e raposa que é. Este jovem senhor de conduta ética, moral e profissional algo reprovável, tentou transformar um certo grupo de hard rock/stoner rock meia boca também em hype internacional, para faturar muito com ele. Não deu certo e agora joga novamente suas fichas nos bons meninos dos Boogarins (e se der certo dessa vez o gorducho irá sugar o grupo o quanto puder, claro). Por fim, a “ação entre amigos” se dá quando ficamos sabendo que os dois citados aqui (o CEM noção total de ética, mais o empresário dos Boogarins) são “miguxos” do jornalista Lúcio Ribeiro, e vivem puxando o saco do dito cujo o quanto podem. Tsc, tsc…

 

Diante de tudo isso agauardemos os próximos capítulos da novela “o mega hype em torno dos Boogarins”. O blog torce de coração para que a banda, no final das contas, dure muito tempo e continue tendo o prestígio que angariou pois sua música merece. E torce também para que um dia ela SE LIVRE de trabalhar com GENTE QUE NÃO VALE NADA, e passe a ter sua trajetória cuidada por profissionais que realmente têm caráter e moral acima de qualquer suspeita.

 

 

BOOGARINS AÍ EMBAIXO

Ouça “Manual…” na íntegra e também veja o vídeo para a canção “6.000 dias”, já em alta rotação no YouTube. E tire suas próprias conclusões sobre o hype.

 

 

PIN UPS FAZ SHOWZAÇO DE DESPEDIDA E SEPULTA EM DEFINITIVO O INDIE GUITAR ROCK PAULISTANO DOS ANOS 90’

O blog poderia escrever um LIVRO aqui sobre o que viu, ouviu e sentiu no último dia 14 de novembro no Sesc Pompéia (em São Paulo), ao assistir ao show de despedida dos Pin Ups, talvez a banda que melhor simbolizou o que foi a loucura máster, a essência e a criatividade plena de uma certa parcela do indie guitar rock brasileiro (aquele cujas bandas cantavam em inglês e prestavam vassalagem ao noise guitar e ao shoegazer de nomes como Jesus & Mary Chain, Ride, My Bloody Valentine, Telescopes, Spaceman 3 e – por que não? – Sonic Youth) dos anos 90’. Em um sábado à noite pós atentado terrorista insano em Paris (e que fez nossas almas e corações chorarem e colocou o rock alternativo frente a frente com a barbárie dos terroristas do grupo ultra extremista Estdo Islâmico, que simplesmente massacraram com tiros de fuzil quase cem pessoas na casa de shows Bataclan, em Paris, onde estava rolando um show do Eagles Of Death Metal, a outra banda do gênio Josh Homme, e que felizmente não estava participando daquela gig), mais uma vez praticado pela bestialidade, pela intolerância e pelo ódio sem limites que infelizmente dominam o ser humano desse triste século XXI, estar ali naquela chopperia foi um balsamo alentador para curar essa dor/desconforto emocional.

 

A chopperia lotou (mais de 700 pessoas). E todos que estavam lá (dos quarentões/cinqüentões como este jornalista, que viveram intensamente aquela época, aos moleques e garotas mais novos, que sequer ainda tinham nascido quando os Pin Ups promoviam madrugadas repletas de ótimo rock barulhento e de loucuras variadas na LENDA do underground paulistano que foi o saudoso e inesquecível Espaço Retrô) presenciaram uma gig de despedida INESQUECÍVEL do trio Zé Antonio, Alê e Flavio. Todo o repertório hoje clássico e incrível do grupo foi executado com fúria e paixão (não é assim que o rock’n’roll deveria ser sempre?) e a adição de convidados fodíssimos (como Adriano Cintra, Rodrigo Carneiro, Gozo e Mario Bross, todos queridos amigos do blog) só potencializou ainda mais o clima de celebração (jamais de despedida) que se instalou no SESC.

 

Além disso foi incrível rever a turma dos 90’ por lá. Amigos e músicos que fizeram parte de uma geração de bandas que, sem ser arrogante ou soar coroa e ranzinza, produziu uma obra que não encontrou mais paralelo (em termos de qualidade musical) no rock independente brasileiro – ainda mais nos dias atuais, quando bandas e músicos produzem trabalhos cada vez mais medíocres. Em uma noite em que o gigante Pearl Jam também tocou em Sampa (e este esparço blogger gosta muito do PJ, tanto que já assistiu a turma de Eddie Vedder ao vivo 3 vezes) foi um prazer constatar que o show do “modesto” Pin Ups lotou a chopperia, levando até lá até os queridos Roberto Cotrim (o homem que criou o Retrô) e Wlad Cruz (do site Zona Punk, e que nos surpreendeu por estar ali, quando imaginamos que ele estaria no Morumbi, vendo o PJ. “Finatti, nem eu nem você iríamos PERDER essa apresentação dos Pin Ups”, disse ele. Com razão e com certeza). E levou também até lá mais uma infinidade de gente de quem gostamos, temos simpatia e que não víamos pessoalmente há séculos. O calor era imenso lá dentro, a fila pra comprar cerveja dava voltas mas nada disso importou. O prazer de estar ali, participando (sem exagero) de um momento único e histórico, superou qualquer desconforto. E a cada música disparada pelo grupo e a cada gole de breja gelada que descia pela garganta, a sensação de felicidade só aumentava.

 Um dos grandes momentos do show de despedida do grupo indie noise guitar paulistano Pin Ups, no último dia 14 em Sampa: Rodrigo Carneiro, do Mickey Junkies sobe ao palco para cantar em uma das músicas do set (acima e abaixo, no vídeo); depois da gig a festa/confraternização dos amigos prosseguiu nos camarins, e reuniu essa trinca DE PESO do indie rock paulistano: o batera Flavinho Forgotten, o gênio Adriano Cintra (que criou o Cansei De Ser Sexy) e o jornalista loker/zapper, amigo eterno da dupla (abaixo)

 

No final o blog produziu algumas reflexões as quais talvez nem todos que estão lendo aqui irão concordar com elas. Uma: que o Retrô talvez tenha sido (guardadas as devidas proporções) o CBGB’s de São Paulo nos anos 90’ (e isso com todo o respeito a outro templo histórico do udi grudi paulistano, o Madame Satã). E os Pin Ups, pelo número incontável de vezes que tocaram por lá (sendo que ESTE velho jornalista rocker/loker, talvez naquela época o MAIS LOKER de todos, esteve em boa parte dessas gigs, que começavam invariavelmente às 3 da manhã, colocando um bando de malucos na frente do palco, a essa altura todos já devidamente chapados por álcool, drogas etc, literalmente pra pular até morrer) eram os Ramones do Retrô, embora o grupo paulistano não tivesse nenhuma similitude em seu som com o quarteto nova-iorquino que foi um dos fundadores do punk rock.

 

Show terminado, rolou festa e confraternização incríveis no camarim. Finaski saiu de lá quase uma da manhã (na cia dos queridos Felipe Almeida e Falcão Moreno, do grupo Coyotes California) e foi pro baixo Augusta. Oficialmente foi o show de despedida dos Pin Ups. Mas  nunca se sabe… com a repercussão da gig (que vergonhosamente foi completamente ignorada por jornais como a FolhaSP e por blogs de cultura pop “modernos” e “espertos”, que só se preocupam em ficar fazendo dezenas de micro postagens diárias com temas quase desinteressantes, além de ficar especulando sobre turnês gringas no Brasil, pra ganhar alguns minguados likes em redes sociais), achamos (e comentamos isso com a Claudia Bexiga, esposa do Zé Antonio) que a banda deveria sim fazer uma pequena tour de despedida. E quem sabe, ganhar o DINHEIRO que eles nunca sonharam em ganhar quando tocavam nos porões loucos de Sampa há 25 anos.

 

Mas se esse foi mesmo o sepultamento (enfim), com festa inigualável, do indie rock paulistano dos 90’, que assim seja. E que ele (o indie guitar rock noventista) e os Pin Ups agora descansem em paz e permaneçam para sempre em nossa memória.

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: das boas novidades do rock brazuca neste já quase findo (e ruim, em termos de bandas novas que valem a pena) 2015, o trio alagoano (da capital, Maceió) Necro (formado pela vocalista, guitarrista e tecladista Lilian Lessa, pelo baixista, tecladista e vocalista Pedrinho e pelo baterista Thiago) na verdade está na ativa desde 2009. E com os dois pés fincados em stoner rock de guitarras chapadonas, pesadas e psicodélicas à la anos 70’, o grupo chamou a atenção na indie scene americana, onde já lançou discos e conta com um razoável séquito de fãs. Agora seu mais recente ep (que já estava disponível para audição na web desde o ano passado) ganha edição física em cd, através do sempre antenado selo Baratos Afins, do mestre e produtor Luiz Calanca. São sete faixas de instrumental poderoso, que oscilam entre o peso esporrento de “Noite e dia” e a doçura psicodélica de “17 horas”, ambas cantadas em português sendo que também há faixas no disco com vocais em inglês – e isso é o único senão do trabalho na opinião do blog, que não curte muito álbuns que são gravados com vocais em duas línguas diferentes. Mas tirando esse detalhe o Necro se mostra fodão, fazendo rock velhão e muito bom. Não é um trio “muderno” e não faz rock’n’roll “Paul moller” mas, sim, música porrada e contemplativa, como nos ótimos tempos de Black Sabbath, Dust, Blue Cheer etc. Para saber mais sobre a banda, vai aqui: https://www.facebook.com/necro.al/timeline. E para ouvir o ep deles, vai aqui: http://necronomicon.bandcamp.com/album/necro.

 O stoner rock chapadão e muito bom do trio Necro, em lançamento do selo Baratos Afins

 

* Filme: o documentário “Chico – artista brasileiro” provoca satisfação e emoção imensos em quem o assiste. Com depoimentos bacaníssimos do próprio Chico (um dos nomes gigantes e essenciais da história da MPB), de outras personalidades e artistas da música brasileira e contando com um vasto e execelente material de arquivo, o longa proporciona um passeio imperdível por fatos relevantes da trajetória do cantor e compositor, além de ser uma aula de cultura brasileira.Fica um pouco enfadonho em seu terço final mas, ainda assim, merece ser visto com atenção.

 

* Filme, II: entrou em cartaz em São Paulo “Califórnia”, primeiro longa da cineasta e ex-vj da MTV Marina Person. Tem Caio Blat no elenco e a hustória gira em torno de um jovem casal nos anos 80’, suas descobertas de vida, no sexo e a chegada da aids ao mundo. Tudo embalado ao som de David Bowie, The Cure, Joy Division e outros nomes inesquecíveis de uma década igualmente inesquecível. O blog ainda não assistiu mas deve ser beeeeem legal, sendo que o trailer você pode conferir aí embaixo.

 

 

* Festa bacana, I: o blog Crush Em Hi-Fi (um dos bons espaços da atual blogosfera brazuca dedicada à cultura pop e ao rock alternativo), editado pelo queridão João Pedro Ramos, realiza sua primeira grande noitada em Sampa nesta sexta-feira (já que o blog está sendo finalmente concluído hoje, quinta-feira, 3 de dezembro), 4. Vai ter DJ set do próprio João mais show ao vivo com o grupo Horror DeLuxe, sendo que tudo acontece no Morpheus Club (que fica na rua Ana Cintra, 110, metrô Sta. Cecília, região central de Sampa). O blog zapper vai colar lá porque vai ser legal, e espera que seu dileto leitorado também compareça. E você pode saber tudo sobre a balada aqui: https://www.facebook.com/events/1128185410548235/.

 O DJ, promoter e brother zapper (ao lado do blog), João Pedro Ramos, que faz nesta sexta-feira (amanhã), a primeira edição da festa do seu blog, Crush Em Hi-Fi

 

 

* Festa legal, II: na próxima semana, mais especificamente no dia 10 de dezembro, rola mais uma edição do evento “Genesis de Gênios – #mostreseumelhor”. Realizado pelo pessoal da jovem, agitada e batalhadora produtora cultural Plectro, o evento busca abrir espaço para novos talentos artísticos da capital paulista (e também de outras regiões do Brasil). Para tanto abre o palco e o microfone para quem quiser se apresentar nele, com as inscrições podendo ser feitas no mesmo dia e hora em que rola a festa. Muito talento novo, desconhecido e bacana já passou pelas edições anteriores e fikadika do blog então para quem quiser acompanhar o próximo: vai acontecer na Sensorial Discos (na rua Augusta, 2389, na capital paulista), a partir das sete da noite do próximo dia 10. Aparece por lá e sabia mais sobre o Genesis aqui: https://www.facebook.com/events/173128169708024/.

 Zap’n’roll com a turma da produtora Plectro na última edição do “Genesis de Gênios”: a festa bacaníssima tem nova edição semana que vem

 

 

* Baladíssima: postão finalmente sendo concluído no finalzinho da noite de quinta-feira, 3 de dezembro. Então vamos dar uma “zoiada” rápida no que tem de bão no finde alternativo em Sampa, bora! Começando que sexta já tem open bar do inferno no Outs (na rua Augusta, 486, centrão rocker de Sampalândia), sendo que antes você dar uma passada na Tex (também na Augusta, colado na esquina da rua Peixoto Gomide) e tomar um Jack Daniel’s Honey pra começar bem a noite.///Sabadão? Vai ser imperdível mais uma edição da festona Glam Nation no Inferno (o club, rsrs), no 501 da Augusta. Com showzão fodão dos Corazones Muertos, dos queridos Joe Klenner e Jeff Molina, e nesse o blog vai com certeza! Depois ainda dá pra acabar a noite na melhor pista rocker sessentista de Sampa, o Astronete, também na Augusta (no 335 da rua). Tá bão? Então se joga!

Os Corazones Muertos: show nesse sábado no Inferno Club

 

 

TCHAU, BEIJO, ME LIGA!

Postão demora pra chegar e custa pra acabar, hihihi. Mas como tudo que é bom uma hora acaba… então ficamos por aqui. E já nos preparando pra se despedir de 2015, quando deveremos publicar apenas mais dois postões este ano. Aí 2016 virá e com ele, se tudo der certo, algumas novidades por aqui, no formato (e talvez no nome) de um blog de cultura pop que te acompanha já há quase treze anos. E vai continuar acompanhando. É isso aê. Até logo menos então!

 

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 4/12/2015 às 11hs,)

O SWU 2011 foi fodaço e você confere tudo aqui, neste post. Mais: as notas exclusivas e venenosas dos bastidores do festival. A volta por cima dos Forgotten Boys, os babados indies da semana e… quem vai NA FAIXA no show do Tokyo Police Club, hoje à noite em Sampa (plus: vaza na web a suposta programação do Lollapalooza BR 2012) (versão final em 19/11/2011)

 

 A dupla de frente do Duran Duran (o baixista John Taylor e o vocalista Simon Le Bon, acima), e o sempre loucaço Mike Patton, o front-man do Faith No More (abaixo): o grande rock dos anos 80′ e 90′ comandou o SWU 2011, no último finde em Paulínia 

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Up to Date – e ao cair da noite de ontem (sexta-feira, hoje já é sabadão, 19/11), a bomba sacudiu a web. Vazou na rede o cartaz do que seria (ou será) o line up do festival Lollapalooza BR, em abril de 2012, em Sampalândia.

Tumulto formado nas redes sociais (como Twitter e Facebookete), gente acreditando, gente desacreditando, povo já perguntando pela venda de ingressos etc. Este blog, sempre zeloso com o seu dileto e fiel leitorado, prefere esperar até esta segunda-feira pela manhã, quando uma coletiva de imprensa vai, de fato, anunciar oficialmente tudo sobre o Lolla brazuca. O blog estará por lá e depois conta tudo aqui e na Zap do portal Dynamite.

É isso. Bom finde pra galere, que hoje o sujeito aqui vai lá pro baixo Augusta. E semana que vem: festão de aniversário do autor destas linhas online, com DJ set no clube Outs. Todo mundo já está convidado a colar por lá!

 

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Pode ainda não ter sido o evento dos sonhos de quem ama música pop e rock’n’roll.

 Mas ficou bem perto disso: o festival SWU, em sua edição deste ano e que se encerrou na última segunda-feira em Paulínia (cidade do interior paulista, a cerca de 120 kms da capital, São Paulo), mostrou uma organização e estrutura infinitamente superiores à primeira edição, que aconteceu em outubro do ano passado, na famigerada arena Maeda, em Itú (também no interior paulista). E se a programação de shows de 2010 foi melhor do que a deste ano, a edição 2011 compensou com algumas gigs que já podem entrar para a história dos grandes shows gringos vistos no Brasil – como a provável última aparição ao vivo do já clássico e lendário grupo americano Sonic Youth ou, ainda, os sets arrasadores do Duran Duran, do Alice In Chains e do Faith No More. Este último, inclusive, deixou a arena do festival consagrado mais uma vez e merecidamente: fazendo um set que teve os hits empolgantes de sempre (com a banda já disparando “From Out Of Nowhere”, a sensacional faixa de abertura de seu terceiro álbum, logo no começo do show; além de ter tocado também “Epic” e “Easy”), o FNM ainda carregou nas bizarrices habituais de suas apresentações ao vivo. No SWU o grupo homenageou a cultura popular brazuca e os credos religiosos, com a banda vestida toda de branco e o vocalista Mike Patton encarnando um autêntico Zé Pilintra rocker, entrando no palco curvado, apoiado numa bengala e soltando baforadas de cigarro como um louco. Isso sem contar que, antes de a banda entrar em cena, o poeta popular pernambucano Cacau Gomes deu um show à parte, recitando versos de um quase cordel amalucado, repleto de palavrões e citações à sua vida pessoal e à cultura popular nordestina. E quando ele anunciou a entrada do Faith No More, o povaréu (a essa altura, havia 70 mil pessoas ali) foi ao delírio. Óbvio que em um festival dessas proporções, nem tudo funcionou como devia. Ancorado mais uma vez na plataforma da sustentabilidade e do respeito à natureza, o SWU não conseguiu sensibilizar boa parte do público com esse apelo. O resultado disso foi que, mesmo com centenas de latões de lixo espalhados pela área do evento e com mais de mil banheiros químicos à disposição do público, muitos Zé ruelas insistiram em jogar o lixo no chão e mijar onde lhes era conveniente. Isso gerou indignação de parte do público contra a organização do festival, e aí cabe a pergunta: que culpa tem o SWU se as pessoas insistem em não ter civilidade? A chuva também castigou forte a arena em Paulínia durante a maior parte dos três dias e noites de fóruns e de shows. Isso gerou a inevitável lama nas áreas do festival que não eram asfaltadas – como no estacionamento oficial, onde vários carros acabaram ficando atolados por horas, o que também gerou indignação em seus condutores. Em entrevista coletiva concedida aos jornalistas na sala de imprensa, na noite de encerramento do SWU, tanto o diretor-geral do evento (o publicitário Eduardo Fischer) quanto um dos diretores artísticos (o sempre simpático e boa praça Théo Van Der Loo) prometeram soluções para minimizar o problema. Tanto que o festival deverá ser antecipado para setembro ou outubro, evitando assim que ele coincida com o período pesado de chuvas. No cômputo geral, enfim, o saldo foi muito mais positivo do que negativo. Neste post que começa agora, mais aí embaixo, você confere um resumo do que foi o SWU 2011 dia a dia, em textos e fotos do zapper rocker e da nossa colabora oficial, Helena Lucas Rodrigues.

* E antes que você leia aí embaixo como foi o fodástico SWU 2011, cabe a pergunta: quem disse que a onda de shows em Sampalândia acabou? Porra nenhuma! Hoje mesmo, sextona em si, tem Tokyo Police Club lá no UpperClub, que fica na Chácara Santo Antônio (zona sul de Sampa), com promo relâmpago de tickets rolando aqui no blogão que não dorme no ponto – veja os nomes dos dois sortudos que vão na gig por conta do blog no final do post. Mais: o Ok Go! (que nem é tão legal assim) toca em festa fechada, no baixo Augusta, às sete da noite! Depois o grupo sai tocando por aí, na boléia (hihi) de um caminhão, pra divulgar a tequila Cuervo, sendo que amanhã (sabadão em si) uma dessas apresentações vai rolar às dez da noite na altura do número 700 da rua Augusta. Vai encarar?

* E enquanto todas as atenções estavam voltadas para o SWU em Paulínia, o mundo continuava girando, claaaaaro. Adriano Cintra (dileto amigo destas linhas zappers há séculos) deu um foda-se pro CSS e pulou fora da banda. E saiu atirando como sempre, bichona nervosa que ele é, uia! Em resposta a ele, as garotas da banda soltaram um comunicado, hã, todo “afável”, agradecendo ao multiinstrumentista os anos que passaram juntos no grupo. Hum… A opinião destas linhas online, se você quer saber, é: o CSS não deve ir longe sem Adriano, que era o cérebro musical da banda e todo mundo sabe disso. Vai daí que o grupo deve ir pro saco em breve, Lovefoxxx vai sair em carreira solo (óbvio) e que também não vai dar certo, e é isso. Alguma dúvida?

* Da música pra política: o tal Lupi, do Ministério do Trabalho, é mais um que (espera-se) está com os dias contados no governo de dona Dilma. Sério: já passou da hora de fazer uma limpeza pra valer na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Afinal não dá pra engolir a patifaria sem fim que rola ali, há séculos.

* E voltando pra música, novamente: rola entre os dias 1 e 10 de dezembro, em Boa Vista (capital de Roraima, mané) mais uma edição do festival Tomarrock. Organizado pelo pessoal do Canoa Cultural, o Tomarrock é um dos eventos rockers bacanas que sacodem a capital roraimense anualmente. E este ano a programação de shows (que vão rolar nos dias 9 e 10 de dezembro) conta com nomes como os paulistanos Dr. Sin e For Fun, além da Orchestra Camarones. Zap’n’roll esteve há alguns meses em Boa Vista cobrindo outro festival, o também bacana Skinni, em sua primeira edição. O blog adorou a cidade e a cena rock local (tanto que acabou fazendo uma matéria sobre esta mesma cena no Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo), e deverá estar de volta por lá, para cobrir de perto o Tomarrock. Entonces, vai acompanhando o blog que assim que rolarem mais infos e novidades sobre o festival, tudo será publicado aqui, certo mano?

* No mesmo finde do Tomarrock vai rolar em Macapá (capital do Amapá, manezão) a quarta edição do já grande QuebraMar, que é organizado pela turma do coletivo Palafita (alô Otto Ramos e Heluana Quintas, estas linhas bloggers online mandam um abração pra vocês, diletos amigos aí do extremo Norte brazuca). O blog acompanhou de perto as edições de 2010 e 2009 do festival e pode afirmar que ele é um dos melhores entre os festivais que rolam anualmente no Brasil, dentro do calendário do Circuito Fora do Eixo (que anda sendo seriamente questionado quanto seus métodos de condução da cena musical independente brasileira, mas isso é assunto para outro post). E estas linhas virtuais gostariam muitíssimo de estar novamente em Macapá este ano mas como há a viagem pra Boa Vista nos mesmos dias e o sujeito aqui não pode se dividir em dois… De qualquer forma, Zap’n’roll deseja sucesso pro QuebraMar 2011, ainda mais com a programação fodona que eles montaram pra este ano (com Júpiter Maçã, Autoramas, Plastique Noir etc). Enfim, é a brava turma do Norte brasileiro (Roraima e Amapá) arregaçando as mangas pra fazer o rock acontecer e rolar por lá.

* O nosso amado rock’n’roll, que também rolou forte (e como!) no finde passado em Paulínia, com a edição 2011 do sensacional SWU. E que você confere aí embaixo como foi.

SWU 2011 – O DIA A DIA DE UM MEGA FESTIVAL
12/11 – SÁBADO
A arena destinada a abrigar a edição 2011 do SWU não chegou a lotar mas ficou bem cheia, com cerca de 60 mil ingressos vendidos. Mas foi uma noite, hã, chata pra quem curte rock e um banquete para fãs de música pop, black music e reggae já que era noite de, entre outros, Damian Marley, Snoop Dogg e o abominável Black Eyed Peas – e que demonstrou que seu pop com contornos eletrônicos e algo de black music (daquelas diluídas ao máximo, para serem palatáveis ao mega público) de FM tosca, está cada vez pior.

Em um dia como esse, surpreendeu que um rapper como o venerável Emicida tenha animado o público mais “pensante”. E isso, às três da tarde, com o calor em Paulínia batendo nos 32 graus. O resto (inclua aí o mala Kanye West) foi o resto. Resumindo a ópera: foi a noite menos interessante do SWU deste ano.

13/11 – DOMINGO
O rock começou a invadir Paulínia. E a chuva também. O tempo virou espetacularmente e não parou mais de chover na arena do festival (com alguns poucos intervalos entre uma pancada e outra). Isso não desanimou quem foi conferir os shows mas provocou problemas e stress nas internas do festival. Primeiro houve a cena de pugilato entre roadies do Ultraje A Rigor (que atrasou sua entrada no palco em quase duas horas, por conta da chuva, e depois não queria mais parar de tocar) e do venerável Peter Gabriel, que iria fechar a noite no palco Consciência e cujo set iria atrasar caso a já decadente banda brasileira não encerrasse logo sua apresentação. Acalmados os ânimos ali, quem estava diante do palco New Stage aguardando a aparição do americano Modest Mouse, foi surpreendido com a notíci de que o grupo havia acabado de cancelar sua gig no festival. O motivo alegado foi que os equipamentos do conjunto, transportados por uma empresa particular, não haviam chegado a tempo ao Brasil. Isso causou enorme irritação e decepção nos fãs da banda, sendo que vários deles haviam ido a Paulínia apenas mesmo para ver o MM tocar.

A compensação por estes dois episódios negativos começou a vir com o cair da noite. O gigante new romantic oitentista Duran Duran fez um set impecável (o som estava baixo no início do show, mas depois foi equalizado e ficou como devia), com direito a muita afetação visual, plumas, paetês, glamour e o grupo mandando hits como “View To A Kill”, “The Reflex” (momento em que o repórter que assina este texto perdeu a compostura, mandou a elegância se foder e começou a dançar como uma bicha ensandecida, rsrs), “Notorious”, “Ordinary World”, “The Wild Boys” e “Rio”, que fechou espetacularmente o show. Enquanto isso, no New Stage, o Hole já fazia um show que dividiu opiniões: uns amaram, outros detestaram. Cercada por uma banda de apoio formada por músicos com cara de junky de beira de estrada, miss Courtney Love falou, falou, mostrou os peitos (ainda em forma, para os seus veneráveis 47 anos de idade), disparou contra Dave Grohl e Billy Corgan (“ele me comeu duas vezes e grudou no meu pé! Ficava me mandando cartas de amor”, disse a viúva de Kurt Cobain, uia!), e cantou, óbvio. Teve “Violet”, “Malibu” e “Celebrity Skin”, claro. Mas ficou a impressão de que o Hole poderia ter sido beeeem melhor. E que a banda, hoje, já não é mais o que era há duas décadas.

Já o ex-Soundgarden e ex-Audioslave Chris Cornell enfrentou uma multidão apenas acompanhado de violão e, eventualmente, de um segundo guitarrista. Um show quase solo que funcionaria perfeitamente em um local pequeno, e não em um palco gigante de um festival idem. Ainda assim ele se saiu bem (muito por conta de seu vocal fantástico, plenamente em forma até hoje), tocando e cantando muitas músicas do Soundgarden, algumas do Audioslave, de sua carreira solo e também executando covers inusitadas como a de “Billy Jean”.

 Courtney Love e seu Hole: muito falatório, porradas em Billy Corgan e Dave Grohl, e os hits “Malibu” e “Celebrity Skin” cantados em coro pelos fãs. E ela ainda tirou os peitos pra fora…

Mas mico mesmo foi a apresentação do ex-Genesis Peter Gabriel. Aqui, uma observação: o autor deste texto tem respeito máximo pela obra de Gabriel, cuja genialidade é inatacável. Tanto que o show que ele mostrou em São Paulo em 1988, na turnê da Anistia Internacional, foi sensacional, impecável e inesquecível. Mas no SWU Peter resolveu vir com uma orquestra (isso mesmo, orquestra), para reeditar os piores dias do insuportável e mala rock progressivo. Tocou seus clássicos, fez discursos políticos (bem de acordo com a proposta do festival) mas o set foi sonolento de dar dó e provocou debandada geral do público. Uma roubada para um dos maiores nomes do rock inglês em todos os tempos, e que fez o show errado, no dia errado e no festival errado.

Surpreendente mesmo – e como! – foi o encerramento da segunda noite, com a velhusca banda americana de southrn rock Lynyrd Skynyrd.

Tradicionalíssimo nome do rock sulista dos EUA, o LS tem apenas um integrante de sua formação original (quase todos os outros morreram em um desastre de avião, ocorrido em 1977) e, pensava-se, poucos fãs brasileiros. Pois tocando em cena com três guitarristas e mandando ver numa explosiva combinação de rock estradeiro, blues e canções mezzo country/boggie, o grupo levantou o povão, que cantou junto clássicos como “Sweet home Alabama”. Nessa hora todos se esqueceram de que o Lynyrd é de uma região americana ultra conservadora e de direita, e que odeia negros. Afinal, todos estavam ali pra curtir ótimo rock’n’roll. E nesse ponto, o set do grupo encerrou a segunda noite do SWU de maneira impecável e avassaladora.

14/11 – SEGUNDA-FEIRA
Foi a gloriosa noite de encerramento do festival. O rock está morto? A música pop domina o mundo em 2011? Não é o que parece, a julgar pelas 70 mil pessoas que compareceram ao SWU em sua noite derradeira – até a arquibancada vip e coberta, com tickets a preços beeeeem salgados, estava lotada. E os grandes shows tiveram início logo no começo da tarde, com os indies Black Rebel Motorcycle Club e Ash botando pra foder no palco New Stage.

Mas o bicho pegou mesmo foi com a entrada em cena do Stone Temple Pilots. A essa altura a chuva já desabava forte em Paulínia e o povão nem aí. Trajando terno cinza e gravata o vocalista Scott Weilland comandou a ressurreição do grunge dos 90’, apoiado por uma banda que demonstrou muito mais solidez instrumental do que no show que fizeram no final do ano passado, na Via Funchal, em São Paulo. E, claro, não faltaram “Crackerman” (que abriu o set), o mega hit “Plush” e a fodástica “Big Bang Baby”, que não foi tocada no Brasil em 2010 e que fez com que o repórter zapper perdesse o juízo novamente: ele se atirou na grade na frente do palco durante a execução da música.

Daí pra frente a comoção tomou conta do festival. O indie/lenda Sonic Youth fez aquele que pode ser um dos seus últimos shows (a anunciada separação do casal Thourston Moore/Kim Gordon, pode por um ponto final nas três décadas de existência da banda), levantando o público, fazendo muita gente chorar de emoção e encerrando o set com a dobradinha infernal “Sugar Kane/Teenage Riot”. Já está registrado como um clássico e um dos grandes shows gringos no Brasil em 2011. Assim como foi também o set poderoso do Alice In Chains que, mesmo desfalcado do inesquecível Laney Staley nos vocais, segurou os fãs com uma gig impecável e todos aqueles hits que enlouqueceram os grunges há vinte anos – “Would” e “Man In The Box” que o digam.

 

 Dean DeLeo comanda a guitarra do Stone Temple Pilots

Tudo acabou com a inacreditável gig do Faith No More, que adentrou o palco quando já era uma e meia da madruga de terça-feira. O show deles já está bem descrito no começo deste texto. É outra apresentação que vai entrar tranqüila na lista dos melhores shows internacionais deste ano no Brasil.

Foi isso. A celebração da eterna juventude rocker com muita música, muita alegria, alguns sopapos, muita breja, chuva, lama, alguma dorga (maconha, principalmente) e pouca sustentabilidade (por parte do público). Daqui a um ano, na mesma Paulínia, tem mais.

SWU 2011 – O QUE DEU CERTO NO FESTIVAL
* Estrutura e organização: funcionou tudo quase à perfeição. A arena em Paulínia superou com folga a Maeda, onde o evento aconteceu no ano passado, nesses dois quesitos. Houve sim problemas nas áreas gramadas (que se transformaram em lama, com a chuva) e no estacionamento. Mas em compensação o som nos palcos estava potente, os shows começaram quase todos no horário (houve atrasos mínimos por parte de algumas bandas), o acesso ao festival era fácil, rápido e tranqüilo e havia centenas de latas de lixo e banheiros químicos à disposição do público. Quem jogava lixo no chão ou fazia xixi fora do banheiro é porque está mesmo acostumado a ser “sujinho” e não tem educação – e muito menos consciência ambiental.

* Compra de alimentos e bebidas: outra belezura. Não havia fila alguma pra comprar os tickets (que podiam ser pagos com cartão) e muito menos pra retirar no balcão o que foi comprado.

* Linha expressa de busão entre a rodoviária de Campinas e a entrada principal do festival, em Paulínia: um dos maiores acertos do evento. Precisa ser mantida (e ampliada) nas próximas edições. Rápida (trajeto em vinte minutos), sem tumulto (a equipe da Dynamite foi e voltou nas três noites sentada no ônibus) e sem congestionamentos pelo caminho. Havia dezenas de carros à disposição do público e quem ficou hospedado em Campinas pra ir ao festival se deu bem e não teve problemas em chegar lá. Já o povo “coxinha” que insistiu em ir de carro…

* Atendimento nos postos médicos: rápido e eficiente.

* Line up: tirando a primeira noite, que não tem muito a ver com a proposta rocker do SWU, o festival foi perfeito e teve momentos memoráveis (como os shows do Duran Duran, Stone Temple Pilots, Sonic Youth e Faith No More). Boa surpresa também foi o indie psicodélico do americano The Black Angles, que fez um set bacanudo no palco New Stage. Para a edição 2012 a programação pode dar uma melhorada e modestamente já damos algumas sugestões para ela: Radiohead, Blur (se eles estiverem excursionando) e The Cure. Seriam três ótimos headliners pro festival, não?

* Sala de imprensa: estava mega bem equipada, com computadores de última geração, além do habitual festival de mini sandubinhas (o de pão de cenoura com salame estava uma loucura, rsrs), refris, água mineral etc. E o atendimento aos jornalistas também estava o melhor possível.

SWU 2011 – O QUE NÃO DEU TÃO CERTO NO FESTIVAL
* Início dos shows muito cedo: ninguém agüenta chegar numa arena pra ver gigs já às duas da tarde. Para 2012, a sugestão é: começar o festival diariamente um pouco mais tarde (por volta das 18 horas seria perfeito) e esticá-lo até de madrugada.

* A programação pop da primeira noite: ok, a idéia é agradar todas as tribos musicais. Mas a primeira noite do SWU 2011 se mostrou pop demais, o que tira o caráter, hã, mais cultural do festival. E está mais do que provado que a galera do rock lota mesmo qualquer evento: o recorde de público foi na última noite, com 70 mil pessoas pirando na arena em Paulínia.

* Preços abusivos nas bebidas e alimentos: não foi e não é exclusividade do SWU. Sempre haverá extorsão do público em eventos musicais de grande porte (seja em festival de rock, ou em mega shows como Pearl Jam e Paul McCartney). A solução é agüentar a sede a fome e matá-la depois (ou até mesmo antes) do evento, antes de entrar na arena. Em Paulínia foi assim: dentro do SWU, uma garrafa long neck de Heineken (patrocinadora do festival) saía por seis mangos (nos caixas; nos camelôs pulava pra oito). Já do lado de fora, as barraquinhas “alternativas” ofereciam a mesma cerveja por dez reais. Só que com TRÊS UNIDADES! Ou seja: você pagava dez mangos por três garrafinhas, e não apenas uma. 

* Lama no estacionamento: foi inevitável com a chuva que não parava de cair. E quem foi de carro deu o grito, claro, já que muitos veículos ficaram atolados por cerca de seis horas e apenas saíram do lugar quando foram puxados por tratores – que cobravam 50 mangos pelo “serviço”. Fica novamente a dica  pro povo “coxinha” que quer conforto e ir de carro em um festival de rock: deixa o possante na garagem e vai de ônibus, porra!

* Tenda eletrônica Heineken Greenspace: ao contrário de 2010, ela fechou cedo todas as noites, assim que os shows acabaram nos outros palcos. Como era uma balada eletrônica, poderia ter sido esticada até de manhã pra quem estivesse com disposição, não?

SWU EM IMAGENS!!!
Dezenas de pics, a grande maioria tirada pela nossa linda e esperta colaboradora, a Helena Lucas Rodrigues (vulgo negra gata sorrizão e fanática pelo Jerry Cantrell, hihi)

AS BANDAS ARRASAM NOS PALCOS

 Simon Le Bon, mantendo o glamour new romantic três décadas depois

 Uma das bitchies/junkies de miss Love, em ação na gig do Hole

 Erik Krates mandando ver na bateria do STP

 Mr. Scott Weilland, vocal do STP e o junky que é sonho de consumo de muita gente (mulheres e homens também, hihi)

 O velho Jerry Cantrell, segurando os vocais e mantendo o esporro de sempre na guitarra do Alice In Chains

 Zé Pilintra do rock? Mike Patton mais uma vez msotrou que continua um gênio maluco, à frente do Faith No More

O PÚBLICO DÁ SHOW À PARTE

Galera chegando pra curtir um rock

Ela procurou manter a elegância, mesmo na chuva 

Casal faz um copper rápido, pra não perder nenhum show 

  

 Ela estava… triste, em pleno SWU???

Gata rock’n’roll cheia de charme

 Turma animada, sempre!

 

 Dupla da breja

Turma animada II 

 O rocker da capa branca

Galera do metal 

 

 Sustentabilidade para o Faith No More

E NOS BASTIDORES…

 Encontro de homens de preto no show fodástico do Sonic Youth: Zap’n’roll (Ride!) e seu old friend Just Like Dani (aka “A corrente de Jesus & Maria”)

 Na sala de imprensa do festival, na última noite, ao lado do “cappo” do SWU, o publicitário boa praça Eduardo Fischer

 Dupla do barulho: o blogger rocker e Wlad Cruz, o homem do Zona Punk

 Dupla do barulho II: o eterno jornalista gonzo e sua girlfriend, a fotógrafa e blogueira Helena

 Fim de festa, novamente na sala de imprensa, última noite do festival: a bota e a calça do jornalista cobertas de lama, mostra que o SWU foi mesmo rock’n’roll!

SWU EM DOIS VÍDEOS

Aí embaixo você vê a apresentação completa da lenda indie guitar americana, que foi postada no YouTube. E também um vídeo “off” (rsrs), onde o autor destas linhas bloggers lokers tenta “explicar” como será a cobertura zapper no SWU, hihi.

 

O show completo (a despedida deles?) de uma das maiores lendas do indie rock mundial em todos os tempos. SWU, Brasil, 14/11/2011

Zap’n’roll tenta “explicar” como será a cobertura do SWU, rsrs

 

* Equipe da Dynamite e do blog Zap’n’roll em Paulínia: Humberto Finatti e Helena Lucas Rodrigues.

E NAS INTERNAS DO FESTIVAL…

* Foi tranqüila a ida, todos os dias, de Campinas pra Paulínia, pra curtir e cobrir o SWU. O busão expresso que fazia o trajeto entre a rodô campineira e a entrada principal do festival, cobria a distância em meros vinte minutos. E nunca estava lotadaço. E o preço era uma merreca: R$ 2,90. Ponto pra organização do festival, com certeza.

* Foda mesmo foi achar um lugar pra se hospedar. O casal Zap’n’roll e Helena Lucas chegou a Campinas na noite de sábado, já atrasadíssimo (só pra variar…). Fez um périplo por dezenas de hotéis próximos à rodoviária, dos mais caros aos mais pulgueiros. Todos lotados. A salvação veio de uma tiazinha, recpcionista de um “meia estrela”: “moço, vai no flat Campinas, logo ali. É caro, mas deve ter vaga”. E tinha mesmo, mas com diária fura bolso total (mais de cem pilas). Sem alternativa, o casal jornalista/rocker ficou por lá mesmo. E amou a hospedagem na suíte que tinha até sala de estar e cozinha com micro-ondas. Ficou combinado entre o zapper e sua black gilfriend que a hospedagem, no SWU 2012, vai ser novamente ali mesmo, uia!

* A primeira noite do festival foi aquela tosquice de Kanye West, Black Eyed Peas e outros menos votados. O bicho começou a pegar mesmo na segunda noite, com o povo do rock invadindo a arena do SWU. E com com o rock também veio a chuva, claaaaaro. Semrpe que esta apertava o blogger loker se “protegia” na sala de imprensa e lá se divertia comendo sandubinhas, tomando Coca-Cola e vendo as figuras bizarras que compõem hoje a mídia musical brazuca.

* Yep, e ela estava lá, na sala de imprensa! Todas as noites! Quem? A “ídala” destas linhas online, miss Carol Nogueira, primeira e única. Na segunda noite do festival Zap’n’roll não se conteve e foi dar um alô à garota (que é bonitinha, simpática e bem menos pancuda do que demonstra em seus textos no blog Remix). “Oi, sou seu fã!”, disparou o zapper, hihi. Ela, com olhar de quem queria fuzilar o sujeito aqui: “Eu sei que você é o Finatti!”. Uuuuuiiiiiaaaaa!

* Mais figuras ilustres de nosso jornalismo musical também estavam dando sopa na sala de imprensa. Sérgio Martins, Daniel Vaughan, o sempre queridaço Pablo Miyazawa (super monge japa zen), a fofa Mari Tramontina, o mais que querido Luscious Ribeiro, Paulo Terron e… Jotalhão!!! Yesssss! A grotesca figura surgiu do nada em Paulínia, na última noite do festival, e lá ficou, tagarelando e desfilando sua pança paquidérmica entre os colegas de ofício. Como na última noite o autor destas linhas bloggers lokers estava, hã, já um tanto ébrio por conta de algumas doses de vódega (explicamos melhor isso no próximo bloco, rsrs), ele se irritou ao ver a hedionda rolha de poço do jornalismo cultural de Sampa. Lembrou-se do episódio “lata de breja na cara”, ocorrido anos atrás em Cuiabá, e chegou a cogitar a possibilidade de, desta vez, atingir o nefasto personagem com um… copinho de plástico cheio de vodka, também na fuça. Mas avaliou a situação, viu que isso iria arranhar a “imagem” do jornalista gonzo aqui (além de que ele estava sendo “contido” pela namorada), e desistiu da idéia, hihi.

* Só havia cerveja dentro da arena do SWU. E Heineken, patrocinadora do festival. Tudo lindo, quem não ama uma Heineken? Até Zap’n’roll, que detesta cerveja, adora a holandesa. Só que na última noite, cansado de tomar brejas, o autor deste blog decidiu comprar… uma garrafa de vodka e outra de energético, para levá-las ao evento. E levou, tomando o cuidado de “ocultar” as duas em sua mochila (já que jornalistas não sofriam revista rigorosa como o público comum, na barreira de “contenção” da entrada da arena). Não deu outra: chegando na sala de imprensa, lá se foi o zapper preparar seus apetitosos drinks de vodka com energético, mais gelo no copo. Foi aí que o lado “selvagem” do blogger gonzo voltou a atacar. Cumas? Leia abaixo.

* Entrevista coletiva na sala de imprensa, também na última noite. Eduardo Fischer, o homem que criou o SWU, fazendo um balanço do festival e respondendo perguntas da jornalistada presente. Até que lá pelas tantas, um pirralho mala (provavelmente um foca em início de carreira na profissão), começa a trollar o publicitário: “Mas e essa lama toda? As pessoas estão todas sujas e a área do festival está imunda!”. Fischer, sem perder o aplumb: “Você já esteve alguma vez em Glastonbury? Se sim, sabe o que é lama”. O moleque insiste: “E os carros atolados no estacionamento? A organização deveria tomar medidas e bla bla blá”. Foi quando o autor deste blog, já devidamente calibrado por algumas doses de vodka, interveio: “Cazzo, porque nossa raça, de jornalistas, às vezes é tão chata?”. O moleque, indignado, disparou: “Não estou falando com você!”. E o sujeito aqui, que jamais leva desaforo pra casa, devolveu na lata: “Ah é? Então vai tomar no cu! Entendeu bem? Vai tomar no seu cu!”. E a entrevista prosseguiu, rsrs.

* Dorgas no festival? Havia, claaaaaro. Muuuuuita maconha, sentia-se o cheiro de mato queimando a metros de distância. Já a amada “devastação nasal”, que foi a preferência junky do autor destas linhas rockers lokers durante anos, não foi detectada pelo blog.

* Blog que conseguiu se “infiltrar” no backstage do palco Energia, pouco antes de o Stone Temple Pilots começar seu set. jornalistas não podiam ir ao backstage, claro (com algumas exceções, como o pessoal de equipes de TV e tal). Mas a segurança, por vezes, se distraía. E, numa dessas distrações, pimba: lá se foi o zapper fazer um tour rápido atrás do palco gigante. Foi quando ele teve a “brilhante” idéia de ir buscar a Cannon com a qual a fotógrafa Helena estava registrando o festival. Saiu do backstage, encontrou a garota (já no “chiqueirinho” de imprensa, pronta pra registrar pics das duas primeiras músicas do STP) e pediu, esbaforido: “assim que você terminar de fazer as fotos das duas primeiras músicas, me passa a câmera que eu vou conseguir entrar lá atrás e…”. E mais nada: uma das assessoras do festival já veio com tudo: “Finatti, jornalistas não podem ficar no backstage”. Acabou ali a aventura zapper atrás do grande palco, rsrs.

* Por fim, o saldo de anos de enfiação brava de pé na lama: ao término da segunda noite do festival, o autor deste blog já estava com azia de tanto comer sandubinhas na sala de imprensa. Passou em um dos postos médicos espalhados pela arena e pediu pras enfermeiras de plantão um remédio que desse um alívio ao problema. Medicado, recebeu a sugestão da black gilfriend: “mede a sua pressão. Há quanto tempo você não faz isso?”. E lá se foi o gonzo blogger medir a pressão. O resultado foi um susto, literalmente: 12X16 (quando o normal, todos sabem, é 8X12). Foi aí que Zap’n’roll tomou mais um medicamento (desta vez, pra baixar a pressão) e saiu beeeeem preocupado do SWU. Na noite seguinte, mediu novamente e a coisa começou a voltar ao normal: 8X14. Ótimo. Hoje, sextona e já em Sampa, vamos fazer nova medição. Se tudo estiver “quase” normal, poderemos voltar novamente a praticar nosso esporte predileto: curtir um show de rock (no caso, do Tokyo Police Club), e tomando várias doses de destilados, uia!

* Ah, sim: centenas de sites e blogs “menores” foram “gongados” pela assessoria de imprensa do SWU, e não receberam credenciamento para cobrir o mesmo. Um deles, claaaaaro, é aquela vergonha alheia chamado Female Rock Squad, ou o famoso “blog de fãs e tietes deslumbradas”, comandado por uma desengonçada de quase trinta anos de idade (e, que segundo consta, ainda é virgem; cuidado amiga: faça algo em relação a isso, antes que você se torne uma tiazona neurótica, rsrs) e que dá truque em seus parcos e incautos leitores. Por exemplo: como não foi credenciado, o tal blog e sua “chefa” só fizeram resenha da última noite do festival, já que só devem ter comprado ingresso pra essa noite. Feio isso, né? Enfim, a titular do tal esquadrão feminino da tietagem sem noção deveria fazer o que a funkeira MC Katia recomenda em sua “obra-prima” “Do o meu cu de cabeça pra baixo”, e cujo áudio você (e ela) pode ouvir aí embaixo, hihi. Com certeza a donzela deixaria de ser tiete e adolescente tardia (além de mau caráter com ex-amigas), e olharia a vida com outros olhos e mais tesão, né não?

Um funk “meigo” de MC Kátia, para a bióloga e professora de inglês que “comanda” o blog Esquadrão Feminino da Tietagem sem noção curtir e ser feliz, uia!

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O blog agradece a atenção com que foi tratado pela assessoria do festival, através da Midiorama. E também ao carinho recebido pela Luciana Peluso, pelo Théo Van Der Loo e pelo próprio Eduardo Fischer. Nos vemos em Paulínia novamente, em 2012!
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O COMEBACK FODAÇO DOS GAROTOS ESQUECIDOS
Tudo começou em 1997 quando dois adolescentes –Arthur Frankini e Gustavo Riviera –, ambos apaixonados por MC5, Stooges e glam/glitter rock em geral, decidiram montar uma banda, em São Paulo. De lá pra cá foram catorze anos de trajetória e cinco discos de estúdio. O mais recente, “Taste It”, lançado pela gravadora ST2, acaba de aterrisar nas lojas no velho formato cd – na web, ele já circula há algumas semanas.

O blog zapper está ouvindo o disco há dias e afirma, sem medo de errar e sem querer puxar o saco da banda (que é velha amiga do autor destas linhas online), que este talvez seja o melhor trabalho de estúdio deles até hoje. E o disco vem curiosamente em um momento turbulento na carreira dos Garotos Esquecidos: o fenomenal batera Flávio Cavichioli saiu do grupo após gravar o disco e pouco antes de ele ser lançado oficialmente. Antes, anos atrás, o FB já havia sofrido com a saída do guitarrista Chuck, que tocou por quase oito anos no conjunto e que hoje é VJ da MTV, além de tocar no grupo Vespas Mandarinas. Chuck, porém, nunca deixou de ser amigo de Gustavo e dos FB, tanto que participou do show de lançamento de “Taste It” há três semanas, na casa noturna paulistana Beco203. E, pasmem, tocando bateria!

Zap’n’roll esteve presente na gig e comprovou o que todo mundo está careca de saber: ao vivo, os Forgotten Boys continuam avassaladores. Fora que levam um caminhão de xoxotas tesudas aos seus shows (as famosas “forgotettes”). No Beco, lá pelas tantas, uma fã mais alucinada e postada bem na frente do palco, tirou a camiseta e continuou dançando apenas com o sutiã tampando seus peitaços balouçantes. E com mais um detalhe: era quarta-feira de finados, feriado, e com muito frio em Sampalândia. Mesmo assim o Beco estava beeeeem cheio.

Forgotten Boys: o disco novo é ótimo e recoloca a banda no topo do rock independente BR

Para falar do novo disco e do momento atual do conjunto o blog foi bater um papo com o guitarrista e vocalista Gustavo Riviera. Aos trinta e quatro anos de idade, Gus continua a personificação do que é um Forgotten Boy exemplar – tanto que ele é o único remanescente do grupo original (e que, atualmente, é completado pelo também guitarrista Dazul, pelo baixista Zé Mazzei e pelo tecladista Paulo Kishimoto). E esta foi mais uma das tantas entrevistas que o sujeito aqui já fez com a banda, sendo que uma das mais célebres rolou no começo dos anos 2000, sendo na época capa da edição impressa da revista Dynamite (e que deu o que falar, devido ao seu conteúdo explosivo envolvendo sexo, drogas e putarias variadas).

Aí embaixo, então, os principais trechos do bate-papo, que rolou semana passada, via MSN:

Zap’n’roll – No novo disco a banda voltou a compor músicas somente em inglês. Isso sinaliza que a experiência de fazer músicas em português, no álbum anterior, não foi bem sucedida?

Gustavo Riviera – Não, eu gosto das musicas em português que temos. Quinta-feira, Sem Razão, Me entregar, estão em nosso set list de show e são legais, Não fizemos nada em português só porque nâo fizemos. Mas as em inglês soam melhor com o Forgotten Boys.

Zap – Ao que parece a banda também voltou às suas influências clássicas no novo trabalho, que são hard rock anos 70 e um pouco de glam rock. Há muito de Stones fase It’s Only Rock’n’roll e também de T-Rex no novo disco, você concorda?

Gustavo – Concordo, o disco está soando desse jeito mesmo. Nem acho que foi algo que nos influenciou antes de gravar o disco, nas composições, pra soar dessa maneira, realmente é algo que a banda gerou de si própria, as canções foram surgindo dessa maneira. Mas é claro que essas referências são bastante presentes no que escutamos desde muitos anos atrás e vão continuar.

Zap – Ok. Todos nós sabemos que o grupo andou passando por períodos complicados de turbulência. Anos atrás foi a saída do guitarrista Chuck. Agora foi a vez de o Flavinho (Cavichioli,que tocou por uma década na banda) sair da bateria, sendo que ele é considerado um dos melhores bateristas de rock do Brasil, além de que estava há muito tempo no grupo. Quais foram os reais motivos do desligamento dele e como vocês lidaram e estão lidando com isso? Como a saída dele afetou a banda?

Gustavo – O Flávio é um grande baterista, desde antes de entrar no Forgotten, eu já admirava ele tocando no Pin Ups etc..E no Forgotten ele foi sempre muito bom músico, ninguém na banda queria ele fora, mas as coisa foram levando pra isso, sem querer esconder nada mas foi desgastando mesmo, ele não estava mais a fim, e a banda não poderia ter um baterista que não estava a fim.

Zap – Ele chegou a gravar o disco novo e saiu pouco antes do lançamento. Isso afetou de alguma forma os planos de lançamento do álbum e os shows que já estavam agendados?

Gustavo – Tivemos que correr atrás de um baterista para fazer os shows que estavam marcados, e o Rafael (hoje tocando com a Mallu Magalhaes) tirou umas músicas rapidamente e segurou a onda legal, foram bons shows com ele. E no show de lançamento do disco o Chuck tocou bateria, e foi bem bom. Agora já estamos começando a ensaiar com outro baterista, mas ainda não entrou na banda. Mas posso dizer que é um rapaz com a mão pesada.

Zap – Certo, rsrs. O Chuck realmente mandou bem no show de lançamento no Beco/SP. Ele só participou daquele ou há planos para que ele faça outras participações especiais em outras gigs?

Gustavo – Por enquanto não. Mas é bem legal tocar com alguém que entende o Forgotten Boys. O Chuck saca.

Zap – Com certeza. Você poderia falar um pouco sobre o processo de composição das novas músicas e a gravação do disco? De onde vieram as idéias, o que as letras abordam, o trabalho no estúdio etc.

Gustavo – Foi um disco que vem sendo composto há mais de um ano, tem música que foi gravada há um ano e meio atrás. O disco carrega muita coisa, todas as mudanças na banda em relação a integrantes, empresários, loucuras, experiências, isso tudo está nas músicas. O Paulera (tecladista) e o Dazul ( guitarrista) me ajudaram muito a ver o Forgotten Boys de fora, a repensar o que o Forgotten Boys é as parcerias nas composições foram acontecendo entre a gente, coisa que pra mim era muito dificil, sempre fazia tudo sozinho. As gravações, foram feitas por partes, algumas musicas com o Roy Cicala, outras no Cabeça de Estopa, outras na Trama e na Fabrica de Sonhos, com diferentes pessoas mixando e etc, e mesmo assim o disco soa uniforme. Ao meu ver, é o Forgotten Boys tocando.

Zap – Ok. Falando da trajetória da banda: ela existe há mais de uma década e é um dos grandes nomes do rock independente nacional. Por que vocês não estão na escalação de festivais como o Terra e o SWU? Não é meio injusto isso ou, no mínimo, desatenção de quem monta os line ups destes festivais?

Gustavo – Bom, não estamos porque não nos chamaram. Injusto? Não sei. Gostaríamos de tocar nesses festivais. Algum desses caras uma hora arrisca, e aí a gente mostra. Não tem muito o que a gente fazer, estamos tocando,  fazendo coisas novas e dando uma alternativa pra quem quer
escutar.

Zap – Certo. E em relação aos festivais independentes, coligados à Abrafin e ao Circuito Fora do Eixo, a banda vai estar em algum dos próximos?

Gustavo – Ainda não sabemos.

Zap – Falando nisso, a pergunta inevitável: como você, como músico há anos tocando em uma banda alternativa, vê a atual cena independente nacional? As bandas te agradam? Ou há grupos demais e qualidade de menos? E sobre a atuação do Circuito Fora do Eixo nessa cena, que tem sido muito criticada nos últimos tempos, o que você teria a dizer?

Gustavo – Acho que existem mais bandas, mas continuam poucas as boas, que te envolvam. Esses dias vi o Hellbenders, o Gloom, e gostei. Acho que essa organização [do Fora do Eixo] ajuda as bandas a mostrar seu trabalho, o número de bandas se apresentando pelo Brasil aumentou bastante, e o circuito tem bastante culpa nisso.

Zap – Ok. Pra encerrar, que já está ótimo: com álbum novo lançado quais os planos imediatos da banda?

Gustavo – O plano com esse disco deixar todo mundo excitado com nossas músicas. Tá excitado? Hahah.

DISCO/CRÍTICA: “TASTE IT” FLAGRA BANDA NO AUGE NOVAMENTE
Forgotten Boys, todo mundo que acompanha a trajetória da banda sabe, é sinônimo de hard/glam/glitter rock setentista (Kiss, T-Rex, Rolling Stones na fase “Exile On Main Street” e “It’s Only Rock’n’roll”) e proto-punk sixtie (The Stooges, Iggy Pop). É o que os integrantes da banda (notadamente o fundador do grupo, Gustavo Riviera) sempre gostaram. E se essas referências e influências andaram se perdendo no trabalho anterior, agora retornaram com tudo em “Taste It”, quinto álbum de estúdio do gigante indie paulistano e, desde já, um dos melhores lançamento do rock brasileiro neste já final de 2011.

A banda vem de um disco ruim – “Louva-A-Deus”, editado em 2008, e onde arriscou a fazer canções em português. Foi um período complicado, de adaptações no grupo: ele perdeu o guitarrista Chuck (que era uma das marcas registradas do conjunto, ao vivo) e incorporou percussão e teclados ao seu line up. As músicas em português, ainda que não fossem ruins, soaram estranhas e não caíram no gosto dos fãs. E também não tocaram nas rádios, se essa era a intenção do FB ao gravá-las.

Com dois excelentes álbuns anteriores no currículo (“Gimme More”, de 2003, e “Stand By The D.A.N.C.E.”, editado em 2005 pelo selo paulistano ST2, por onde aliás está novamente saindo o novo trabalho), era o momento de repensar tudo mais uma vez. Gustavo limou a percussão do grupo, manteve os teclados de Paulo Kishimoto, voltou a compor em inglês e levou três longos anos burilando o novo material de estúdio.

Pois a espera fez bem à banda. “Taste It” revela um grupo maduro musicalmente e de volta ao seu auge, em composições 100% rock’n’roll, menos barulhentas e muuuuuito mais melódicas. Gustavo também está cantando melhor e é um prazer ouvir as guitarras mezzo psicodélicas, mezzo Stones/Stooges de “Another Place”, “Change”, “Whatch Us Do It” ou “He’s Gone” – esta uma festa para se ouvir em casa, numa pista de dança ou ao vivo, com andamento pra lá de dançante e com intervenções precisas do piano tocado pelo japa Paulo. E nem se falou aqui dos violões e guitarra steel, que surgem na excepcional mezzo balada “Taste”, ou ainda na belíssima “Oh My Soul”.

Um discaço, no final das contas. E que contou novamente com a produção do expert Roy Cicala, que foi preciso ao acentuar as características rockers que permeiam as músicas do grupo. É um trabalho tão bom que periga ser o melhor álbum dos Forgotten Boys até hoje. E que, se caísse nas mãos da rock press ou de alguma produtora gringa, certamente poderia abrir as portas do mercado americano e inglês para os Garotos Esquecidos.
Enquanto isso não acontece eles estão aqui, ao alcance dos fãs nativos. E ignorados pelos produtores de Rock In Rio, Terra e SWU, que insistem em colocar na escalação desses festivais pasmaceiras como… Miranda Kassim. É a vida…

* Mais sobre o novo disco dos Forgotten Boys, vai lá: www.forgottenboys.com.br

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco: “Taste It”, o novo dos Forgotten Boys.

* Filme: “A pele que habito”, o novo e sensacional (sempre) do gênio Pedro Almodóvar.

* Baladas: passada a ressaca do SWU, de volta à cena under paulistana, no? A sextona, além de shows bacanas do Tokyo Police Club e do Ok Go, ainda vai ferver bonito com showzaço de lançamento do primeiro disco do Orange Disaster, mais DJ set da sempre incrível Vanessa Porto, lá no Container Club (que fica na rua Bela Cintra, 483, Consolação, centro de Sampa).///Já no sabadão em si (mais conhecido como amanhã) tem Bailen Putos na Outs (no 486 da rua Augusta), tem especial do venerável The Cure na festa Pop&Wave, no Inferno (também na Augusta, mas no 501) e, ufa!, tributo aos vinte anos do “Nevermind”, do Nirvana, lá no Beco203 (que também fica na Augusta, lá no 609), com show por conta da turma amiga que tocava no Ecos Falsos. Tá bão, né?

E BORA VER TOKYO POLICE CLUB NA FAIXA!
O sorteio já rolou (ou você não viu a promo também na Zap’n’roll do portal Dynamite? Pois é…) e quem vai logo menos no UpperClub curtir a gig dos canadenses é:

* Edner Morelli e Matheus Morelli, ambos de Sampa.

SAINDO FORA
Post mega gigante, como todo mundo curte, né? Então é isso. Semana que vem o blogão zapper volta, com tudibom e que você só encontra aqui, certo?

Até lá então!

(atualizado e finalizado por Finatti em 19/11/2011 às 16:30hs.)