AMPLIAÇÃO FINAL E DEFINITIVA PARA O ÚLTIMO POST DA HISTÓRIA ZAPPER! Com entrevistas com novos autores da literatura de cultura pop e nossa derradeira musa rocker: a secretíssima, tesudíssima e cadeludíssima N.R. – Fim de jogo e fim de festa para este TÉTRICO 2018 (sendo que os próximos quatro anos deverão ser iguais em pavor, se não forem piores) e TALVEZ para estas próprias linhas bloggers rockers: após uma década e meia de ótimos serviços prestados ao rock alternativo e à cultura pop, chegou o momento de o blogão zapper sair de cena ao menos na forma como está sendo publicado atualmente e enquanto ainda se mantém relevante e com ótima audiência (ao contrário de certos “vizinhos” pobreloaders que… deixa pra lá, rsrs); assim, nessa postagem derradeira, nada de despedidas chorosas ou dramáticas, sendo que seguimos fazendo o que sempre foi feito muito bem aqui: você vai conhecer um pouco do trabalho do músico e guitarrista Dhema Netho, saber como foi o showzaço de final de ano dos sempre fodásticos Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, conhecer o trabalho de dois novos escritores independentes e que lançaram dois bons livros na seara da cultura pop, e mais isso e aquilo, com um detalhe: aqui NÃO tem lista de “melhores do ano” (isso, novamente, fica para aquele micro blogs que não têm mais assunto para publicar, uia!), “talkey”? (modo Jairzinho saco de cocô, claaaaaro!) (post ampliado, atualizado e finalizado em 28-12-2018)

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Zapnroll chega ao fim de sua trajetória de quinze anos na blogosfera brazuca de rock alternativo e cultura pop, período em que cobriu zilhões de shows internacionais mega, como o U2 (acima), e onde também revelou algumas das melhores bandas da cena alternativa nacional na última década e meia, como Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (abaixo, o zapper ao lado do vocalista Jonnata Araújo); em 2019 a marca do blog deverá continuar presente em eventos especiais em unidades do Sesc e talvez em outras plataformas digitais, como o YouTube

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MICROFONIA EXTRA E ESPECIAL: UM FEROZ PÁSSARO AZUL ROCKER FAZ UM VOÔ RASANTE VIA JONNATA DOLL E SEUS GURIS SOLVENTES – E ESPALHA POEIRA VERMELHA NA CARA DOS CARETAS (E DOS BOLSOTÁRIOS) – O jornalista ainda mezzo loker e eternamente rocker foi lá na Barra Funda (zona oeste de Sampa), em um aprazível final de tarde de domingão, prestigiar uma gig ao ar livre e gratuita dos sempre fodásticos Jonnata Doll & Os Garotos Solventes. E Finaski, mesmo estando combatendo um início de pneumonia com antibióticos e tal, não poderia deixar de ir ver seus guris amados do coração fazerem seu habitual esporro sônico. Foi o primeiro show que o blog viu da banda desde que eles ganharam o Prêmio Governador Do Estado SP para a Cultura (como melhor artista musical) em março deste ano, Prêmio do qual o autor deste blog foi um dos jurados e votou com gosto no grupo. Pois então: mesmo tocando em condições precaríssimas e no chão de terra da praça Olavo Bilac, o quinteto (que além de Joninha nos vocais também conta com as guitarras do Léo Breedlove, do Edson VanGogh, o baixo do Loiro Sujo e a batera do Felipe) literalmente BOTOU FOGO no local. Sonoramente a banda está em ponto de bala (e prontos para entrar em estúdio e registrar seu novo álbum inédito), mais redonda impossível. No repertório, algumas das canções que já se tornaram marcos na pequena discografia deles (como “Rua de trás”, que Jonnata dedicou ao microfone ao “nosso amigo Finatti”, e a dedicatória não poderia ter mais sentido, pois sabemos muito bem o que é ter frequentado uma “rua de trás” há um mês, se entorpecendo e alucinando com o que não deveria nunca mais se entorpecer; mas já passou, felizmente) e a adição de novas e sublimes canções, como a lindíssima “Pássaro azul”. Sem fazer média com a turma (que não precisamos disso) mas a real é que JDEOGS deve mesmo ser a MELHOR banda ao vivo do atual rock brasileiro (ou do que resta dele), ao menos na geração atual. As melhores referências sonoras (glam rock, pós punk à la Smiths, proto punk à la Iggy Pop, Legião Urbana e rock BR dos anos 80), ótimas letras em ótimo português e um vocalista ALUCINADO e do inferno, total andrógino, que se joga no chão e se vira e revira na terra bruta, que começa as apresentações total vestido e as termina inevitavelmente quase sempre apenas de CALCINHA (sim, ele sempre vai aos shows usando CALCINHAS), numa subversão e transgressão estética, visual, comportamental e performática como há muito não se via no MORTO roquinho brasileiro. Um rock hoje eivado de velhos idiotas e reacionários de extrema direita (como Lobão Cagão e Roger Bosta Moreira, ambos eleitores de BolsoNAZI, inacreditável isso; fora os “merdalheiros” fãs de heavy merdal e classic rock, todos também bestas humanas reacionárias de extrema direita) e que ENVERGONHA de verdade quem de fato AMA o grande rock que sempre esteve ao lado da liberdade, da democracia, da justiça social e que JAMAIS irá se alinhar com o fascismo de direita. E como se não bastasse o show ainda rolou bem na frente da sede de uma… igreja evanJEGUE, ops, evangélica, ahahahahaha. Sim, eles mesmos: os evanJEGUES como a futura primeira dama do país (R$ 24 mil na conta dela, depositados de maneira altamente suspeita, que be le za hein bolsOTÁRIOS) e como a futura Ministra dos Direitos Humanos (a que já disse que “é hora de a RELIGÃO governar o país!”, isso porque somos um Estado LAICO, de acordo com a Constituição). Joninha não perdoou e detonou a mesma. Foi, vale repetir, sensacional! O rock daqui nunca precisou tanto nesse momento de uma banda como a Boneca Jonnata e seus guris solventes. Em um país culto e não boçal e medieval como é o Brasil, esses moleques já estariam de contrato com uma grande gravadora e tocando direito nas rádios. Mas aqui, claro, é a nação boÇALnara, medieval ao máximo e que ama sertanojo e pagode burrão, além de axé e funk podreira. Sem problema: Jonnata Doll sabe que o rock voltou ao lugar onde se sente mesmo à vontade e em casa: no underground musical e cultural, na RESISTÊNCIA artística e cultural da qual todos nós faremos (já estamos fazendo, na verdade) parte a partir de 1 de janeiro vindouro, quando o Brasil irá mergulhar na idade das trevas porque 57 milhões de totais imbecis assim o quiseram. Que venha o fascismo troglodita e seu “mito” sujo de barro. Estaremos todos aqui para combate-lo. Ao som de Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, claro!

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Joninha e seus guris solventes: provavelmente o show ao vivo mais esporrento e poderoso da atual cena rock brasileira

***Ainda sobre a gig: o público não foi grande, mas o blog sentiu-se completamente contente e enturmado ali. Só tinha “cidadão do mal” (ahahahaha): “comunistas”, esquerdopatas, “petralhas”, “vagabundos” e LINDAS garotas (de todas as cores e raças) esquerdistas, hehe. Lindas, nada pudicas e de lar nenhum, como as boçais e “limpinhas” garotas de direita jamais o serão.

 

***Final de ano chegou, o inútil natal está aí e bla bla blá. Tá de bobeira este finde e pelos lados do Rio MEDO De Janeiro 40 graus? Então cola na casa noturna Dama De Aço, em Humaitá que a festona lá vai ser absolutamente fodástica nesse sábado, 22 de dezembro: vai rolar a “Ceremony”, apenas com anos 80 e pós punk a noite toda, com super especiais do Joy Division e do Echo & The Bunnymen. A produção do evento é do queridão Kleber Tuma (que vai discotecar também e comemorar seu niver) e Zapnroll é o dj convidado, wow! interessou? Vai aqui e saiba tudo sobre o evento: https://www.facebook.com/events/293078024871304/.

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***E como já estamos todos em clima de fim de festa por aqui (pelos lados do blog) e de final de ano, vamos deixar mais notinhas para a Microfonia para a semana que vem, antes da virada para 2019. Isso se algo realmente importante rolar e merecer ser comentado aqui, beleusma?

 

 

ÚLTIMO POST ZAPPER DO ANO – E FIM TALVEZ DE UMA TRAJETÓRIA LINDONA DE QUINZE ANOS NA BLOGOSFERA BR DE CULTURA POP E DE ROCK ALTERNATIVO

Já disseram há muito tempo Los Hermanos: “todo carnaval tem seu fim”. Estamos total de acordo com essa frase. Pois tudo na existência um dia chega ao fim. Grandes bandas de rock acabam mais cedo ou muito mais tarde (Keith Richards, o genial guitarrista dos Rolling Stones, do alto de seus setenta e cinco anos de idade, já mandou avisar que a atual turnê da banda é mesmo a ÚLTIMA), movimentos acabam, gêneros musicais idem (o rock já foi para o museu, infelizmente), escritores, artistas variados e músicos um dia morrem (desse mundo ninguém sai vivo) e por aí vai. Com este blog não haveria de ser diferente.

Zapnroll começou a ser publicada na internet por volta de maio de 2003. Primeiramente dentro do extinto portal Dynamite online (que foi o substituto digital da revista alternativa de rock do mesmo nome, e que marcou época na imprensa musical brasileira, fundada por volta de 1992 pelo músico, produtor e agitador cultural André Pomba). Depois, com a ampliação do número de leitores e da sua repercussão midiática, ganhou endereço próprio (.com). Mas dez anos antes, em 1993, este espaço dedicado ao rock alternativo teve um período de vida na própria edição impressa da revista Dynamite, em forma de coluna.

Desde então muita coisa aconteceu, muita água rolou embaixo da ponte e poderíamos escrever um LIVRO aqui apenas sobre a década e meia em que o blog e site zapper estão no ar na internet. Nesse período este espaço virtual literalmente acompanhou tudo o que foi possível no rock alternativo daqui e do mundo inteiro. Viajou o Brasil inteiro cobrindo centenas de festivais, descobrindo bandas que hoje são mega conhecidas (entre elas, Vanguart de Cuiabá, e Luneta Mágica de Manaus), resenhou toneladas de discos e shows e cobriu alguns dos maiores festivais (Lollapalooza, Planeta Terra, SWU etc.) e shows gringos (U2, Franz Ferdinand, The Cure, Blur, Oasis, Pulp, Pixies, Duran Duran, The Strokes, Belle & Sebastian et, etc, etc.) que já aconteceram no Brasil. Era e talvez seja, portanto, hora de sair de cena, enquanto este espaço ainda se mantém relevante, digno e com boa audiência. Afinal estamos envelhecendo (assumidamente: ou você morre antes de envelhecer ou envelhece e morre, simples assim) e produzir material para este blog é algo trabalhoso e cansativo, sem dúvida. Fora que o mundo infelizmente mudou radicalmente de anos para cá, com o advento da internet, dos apps, redes sociais e que tais. O grande jornalismo musical e cultural, como o conhecemos (e sendo que Zapnroll talvez seja parte da última grande geração de jornalistas da imprensa IMPRESSA que existiu, a que surgiu na década de 1980), definitivamente morreu. Idem a cultura pop e o próprio rocknroll. Sim, a música pop continua existindo e produzindo novos artistas a todo vapor. Mas eles são tão irrelevantes artisticamente falando que explodem um mega hit nas redes sociais e canais da web (como YouTube etc.) por uma semana e depois desaparecem tão rápido quanto surgiram, sendo logo substituídos por outro astro tão irrelevante e fugaz quanto foi seu antecessor.

Diante de um panorama desses estas linhas virtuais nem tinham mais como atualizar a todo instante o material publicado aqui, justamente por não ver NADA DE RELEVANTE que justificasse tal atualização frenética. Enquanto outros blogs “vizinhos”, que já foram incríveis e mega importantes para o jornalismo de cultura pop e agora se veem em aterradora decadência editorial (publicando micro posts diários sem importância alguma e com um autêntico fiasco em termos de repercussão e audiência), o blog zapper preferiu diminuir suas atualizações, publicando posts com farto material informativo e dedicando edições especiais a grandes bandas e discos da história do rocknroll.

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A Luneta Mágica, de Manaus (acima): uma das grandes descobertas do blog na cena indie nacional; nas fotos abaixo, momentos da trajetória do blog, com Finaski ao lado de Robert Smith (The Cure, em 1996), Kim Gordon (Sonic Youth, em 2005), Frejat (em 2016) e Nasi (vocalista do Ira!, este ano)

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Mas enfim avaliamos e decidimos que agora talvez seja a hora de encerrar de vez as atividades da Zapnroll. Tal qual o gigante REM decidiu por fim à sua trajetória musical sem trauma algum e após trinta anos de gigante trajetória no rock, tal qual Keith Richards que surpreendeu o mundo semanas atrás dizendo que estava parando de beber (“é hora de sair”, disse o guitarrista que é a ALMA dos Stones), também acreditamos que chegou a nossa hora de sair de cena, pois acreditamos que já cumprimos com louvor nossa missão por aqui. No final de 2017 o jornalista zapper publicou seu livro “Escadaria para o inferno”, onde ele faz um balanço de sua vida profissional na imprensa brasileira ao longo de três décadas de atividades. E em outubro passado o blog realizou uma sensacional e magnifica festa de quinze anos de existência nas dependências do Sesc Belenzinho na capital paulista, com showzaços das bandas Saco De Ratos e The Dead Rocks. Damos por encerrada nossa missão. Ao menos por enquanto.

Mas sem tristeza ou choradeira. O espaço do blog irá permanecer ainda por muitos meses online, para ser consultado por seus fieis leitores. E além disso também estamos programando novos eventos e atividades especiais, com a marca do blog – um deles deverá acontecer novamente no SescSP, entre abril e maio de 2019. Quando esses eventos se confirmarem, serão obviamente divulgados por aqui mesmo. E, por fim, talvez Zapnroll se renove e mude de plataforma, estreando um canal no YouTube, por exemplo. Tudo isso será estudado a partir do final de janeiro próximo.

Até lá estas linhas malucas e lokers que causaram polêmica como ninguém na história da blogosfera brazuca de cultura pop, entram em férias “permanentes” a partir deste post. Agradecendo de coração e com todo o carinho do universo quem sempre nos acompanhou e nos prestigiou. E desejando que todos tenham ótimas festas e uma virada de ano bacana, dentro do que é possível esperar de bom no país que será DESgovernado por BolsoNAZI a partir de primeiro de janeiro.

Fica então o nosso “até breve” para toda a galera. Valeu, pessoal!

 

***E não, pode ESQUECER! Na despedida oficial de Zapnroll, não vai haver LISTA ALGUMA aqui de “melhores do ano” – já basta a vergonhosa lista publicada pela revista americana Rolling Stone, com os 50 melhores (ou seriam os PIORES?) discos de 2018. Quer ver listas inúteis? Vai lá no blog pobreload, uia!

 

 

A HISTÓRIA TOTAL ROCKNROLL DE DHEMA NETHO – DE QUEM PROVAVELMENTE VOCÊ NUNCA OUVIU FALAR MAS QUE TEM UMA TRAJETÓRIA JÁ GIGANTE NO MONDO ROCKER

Yep, você provavelmente nunca ouviu falar dele. Mas como uma das funções primordiais de toda a história de década e meia deste blog eternamente rocker foi apresentar gente desconhecida mas totalmente envolvida como o grande rocknroll, achamos que era uma boa se deter no personagem do músico Dhema Netho para ser um dos tópicos principais de nosso derradeiro post.

Quem? Dhema Netho. Ou Ademar Neto, seu nome de batismo. Que nasceu no interior do Paraná há mais de cinco décadas, foi protético na adolescência e juventude, começou a tocar guitarra aos dezenove anos de idade, se apaixonou pelo rocknroll e nunca mais desistiu da sua paixão. Que o levou a montar bandas na década de 90 (uma delas, a Brechó De Elite, chegou a fazer razoável sucesso entre 1989 e 1995, chegando a tocar em rádio e a fazer aparições na então poderosa MTV Brasil), depois a ter uma loja de discos lendária em São Paulo (a Rocks Off, no bairro de Pinheiros) e, por fim, a leva-lo para Londres, onde morou por mais de quinze anos. Período em que gravou e lançou discos (um deles, inclusive, teve seus registros feitos no mega lendário Abbey Road, onde foram gravados alguns dos álbuns gigantes dos Beatles e de toda a história do rock), tocou no Cavern Club em Liverpool (onde uns certos Beatles também começaram tudo) e foi vivendo da sua música até se cansar “do frio” inglês para retornar a Sampa, há mais ou menos dois anos. Enfim, uma trajetória pra lá de bizarra e incrível e sendo que sua produção musical jamais cessou – Dhema tem cerca de quatrocentas músicas INÉDITAS e ainda não gravadas.

Como o blog conheceu o músico, que vive ao lado de cinco guitarras em uma kit no centro da capital paulista? Isso você, dileto leitor zapper, irá saber logo menos lendo a entrevista que fizemos com ele e onde o guitarrista e compositor relembra histórias bizarras de sua década e meia morando em Londres. Abaixo, os principais trechos do bate papo que ele teve com este espaço rocker blogger.

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O músico, guitarrista e compositor Dhema Netho (acima) e seu projeto, Monkey Revolution (abaixo): uma história incrível no rocknroll nos últimos dezesseis anos

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Zapnroll – Você já possui uma extensa trajetória como músico, guitarrista e compositor. Começou a tocar ainda na adolescência, teve banda de rock nos anos 90 (a Brechó De Elite) e morou dezesseis anos em Londres, tendo voltado há pouco tempo para São Paulo. Assim, para quem não conhece seu trabalho gostaria que você detalhasse bem tudo o que fez até hoje em termos artísticos e musicais.

 

Dhema Netho – A banda brecho’ de Elite foi fundada por mim mesmo em 1989 com um anuncio num jornal chamado primeira mão procurando integrantes para montar uma banda de Rock, e então os interessados foram aparecendo. Esse jornal foi de uma geração de Rock dos anos 80, pois nele você poderia procurar musicos , vender e comprar instrumentos musicais. Nessa época nem se sonhava com instrumentos importados no Brasil. Achar uma guitarra Fender, amplificador Marshall era impossível.

As lojas de instrumentos musicais na Teodoro Sampaio (rua do bairro de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista) estavam começando a surgir.

A banda Brecho’ de Elite teve 3 vocalistas. Musicos?  Dezenas passaram pela banda. Um entra e sai de musicos e na verdade  NUNCA  tive musicos que realmente gostasse deles como gosto musical . Um gostava do Pantera , outro do Iron Maiden, outro do Steve Vai e  eu adorava e ainda gosto do Chuck Berry e Rolling Stones. Então as coisas, as ideias  NUNCA se encaixavam e nada dava certo. Passei a maior parte da existência dessa banda procurando acertar os musicos do que realmente chegando a algum lugar. Depois de muito sacrificio e insistência consegui gravar o primeiro álbum do Brecho’ de Elite, “A vida e’ Rock and Roll” em 1995, por uma gravadora independente de Sao Paulo que já pegou as músicas todas gravadas e estúdio já pago por mim mesmo. Ninguém da banda pôs um centavo do bolso, eu paguei tudo, uma parte em dinheiro e outra parte em  instrumentos musicais. Essa mesma gravadora tinha lançado a banda Velhas Virgens e eles estavam quebrando o pau com os donos dessa gravadora que eu nem quero dizer o nome e nem sei para onde eles foram e que fim eles levaram, nem quero saber. Depois de ter caído numa grande roubada dessa gravadora, assim como os Velhas Virgens caíram, essa porcaria de gravadora jogou um membro da banda Brecho’ de Elite um contra o outro e a casa caiu feio. Os integrantes tentaram me roubar a banda por influência de um dos donos da gravadora dizendo que ele me queria fora da banda pois eu como dono, líder da banda representava perigo para eles, dono da gravadora manipular e não cumprir o contrato e roubar as músicas que nem sequer eles pagaram para gravar. Foi um verdadeiro inferno essa fase. Um integrante da banda roubou um amplificador de um amigo meu que emprestou para a gente gravar no estúdio. Os pais desse amigo foram no meu apê dizendo que iam chamar a polícia se não devolvesse o amplificador do filho dele e esse mesmo integrante da banda disse que ia ficar com o amplificador do meu amigo para pagar as horas de gravação dele no estúdio, vai vendo. Era um cabeçote valvulado para Guitarra mod. 5150 Van Halen. Não fazia muito o meu gênero como amplificador, mas esse guitarrista queria gravar com ele. No final ele devolveu o amplificador com ameaças de ir preso por roubo. Um idiota, moleque inconsequente. Meti um precesso em todo mundo. Ganhei a causa na Justiça, coisa que não foi nada dificil para ganhar POR SER TÃO ÓBVIA a situação. Traumatizado, abondonei tudo, vendi tudo e fui embora para Londres sem querer nem saber de banda, de guitarra e só pensava em recomeçar uma vida completamente nova e comecei uma vida completamente nova: fui produzir música eletrônica old school . Nada de House music, nada comercial. Musica eletrônica Underground Minimal Techno, Drum and Bass, etc. Não toquei Guitarra por 10 anos. E nunca entendi o por que disso e nunca achei resposta. Um dia bem discretamente, isso ja’ em Londres depois de 10 anos ja’ morando la’, entrei numa loja de guitarras, há 10 anos sem tocar ou pegar esse instrumento, com muita timidez peguei um violão bem principiante nas mãos e queria saber se eu ainda sabia tocar aquilo. Foi muito estranho aquele momento. Comprei o violão pois custava uma merreca, 60 libras. Foi então que aos poucos fui

lembrando e em pouco tempo eu ja’ estava com a casa, quarto cheio de Guitarras Fender, Amplificadores para toda parte. E la’ vamos nós, quero dizer eu, montar uma banda de rock de novo. Só que agora em Londres. Começar tudo do zero de novo como banda de rock. Anúncios e anúncios em jornais, revistas de musica procurando integrantes para formar banda. Entrei numa banda que era uma vocalista meio Blues, Folk, até Punk. Deu tudo certo logo de cara. A banda nao tinha nome. Eu dei o nome de Burning Money e todo mundo gostou. Eu era o único brasileiro nessa banda. Ainda bem que ninguém me pediu para tocar bossa nova ou samba, hehehehe,  man, fuck you, no way. Gravamos 6 musicas logo de cara, pois eu peguei todas as minha musicas do Brecho’ de Elite e traduzi para o inglês com a vocalista  adaptando uma coisinha aqui outra lá, pois alguma coisa nao fazia muito sentido dizer aquilo em inglês. Pronto, vamos fazer shows e procurar pubs para tocar. Nós agora somo o Burning Money: queimando dinheiro e não tínhamos muito onde cair mortos. Muitas águas rolaram, ou melhor, pedras rolaram e acabamos dentro do Abbey Road Studios (um dos estúdios mais célebres do mundo, onde os Beatles gravaram algumas de suas obras primas). E eu WOOOOO, isso seria uma recompensa depois do inferno no Brasil? Olho do meu lado sentado numa mesa do café do estúdio ninguém menos do que JIMMY PAGE do Led Zeppelin, a banda que eu idolatrava quando moleque? Ele sentado sozinho lá no jardim do estúdio e eu aqui também fazendo meu trabalho como  musico e agora mister Dhema Netho, eu me pergunto a mim mesmo? Por alguns minutos passou um filme pela minha mente doque eu tudo tinha passado no Brasil com o brechó de elite e membros, e pensei: essa é a minha verdadeira recompensa. Fui até Jimmy Page, pedi licença se poderia trocarmos umas palavras e ele disse por favor sente se e sinta se a vontade. Me apresentei como brasileiro,  e depois comentei se ele ainda tinha uma casa no Brasil onde ele passava as férias, ele disse que sim mas que não vinha ao Brasil há uns 3, 4 anos. Me perguntou se eu estava gravando musicas no Abbey Road ou só visitando. Respondi que sim estava masterizando umas musicas com minha banda o Burning Money. Ele fez uma brincadeira com o nome da banda perguntando se eu estava queimando dinheiro por ter ficado rico com a banda. Dei um cd demo para ele apertamos as mãos e boa sorte com sua musica rapaz, ele disse. Nos vemos por aí. Já estava dando a hora de subir para entrar no estúdio pois ficava no primeiro andar. E assim mil e outras histórias com famosos cruzaram o meu caminho. Por que decidi voltar ao Brasil depois de 16 anos na Inglaterra? Para por a minha cabeça no lugar, perdas de grandes amigos que fiz por lá que morrem com abuso de substancias, outros de câncer bem jovem. E eu estava precisando dar um tempo de Londres, pois estava bem cansado de lá. Talvez ainda volte a morar lá, mas quando penso no inverno, no frio que faz lá, eu nao sei não se voltarei a morar. Talvez só a passeio mas tem que ser no verão com certeza absoluta.

 

Zap – Por que você foi parar em Londres, afinal? O que houve com a Brechó De Elite e por que decidiu voltar ao Brasil?

 

Dhema – Nao consegui viver só de musica em Londres. A maioria de integrantes de bandas Inglesas tem um trabalho em loja de instrumentos musicais como acontece aqui no Brasil. Nada muda nesses termos , a dureza para chegar em algum lugar como banda não  é nada fácil. Trabalhei em Lojas de instrumentos também na Rua Dean Mark st. onde ficam todas as lojas, tipo uma Teodoro Sampaio em São Paulo. Sim, toquei guitarra nas ruas também com uma amiga nos vocais. Toquei muito em Camden Town, um bairro bem louco de Londres onde as pessoas parecem morcegos góticos. Eu não saia de lá.

 

Zap – Conseguia viver de música lá? Conte sobre sua fase como músico de rua, tocando em estações de metrô etc. E como foi a história de você também ter tocado no Cavern Club em Liverpool, onde os Beatles começaram a trajetória deles?

 

 

Dhema –  Caverna Pub em Liverpool, sim, fiz várias jamming  sessions no Caverna. Eu ia muito a Liverpool com um amigo inglês que tinha vários amigos em Liverpool e também eram musicos. Assim com em Manchester também. Íamos durante a tarde um dos amigos tinha um irmão que trabalhava no Caverna Pub e liberava tudo pra gente lá dentro. Nos sentíamos como se o caverna fosse nosso. Quando você está vivendo isso, tudo é tão natural, tão normal. Mas pode ter muita gente agora lendo isso e achar isso um sonho para eles. Talvez até um sonho nao realizável. Eu também ainda tenho sonhos que não sei se vão se realizar. Por exemplo, tocar um dia no The Royal Albert Hall. Uma casa de Londres onde as maiores bandas inglesas tocaram e fui ver shows lá centenas de vezes. Uma dupla sertaneja do Brasil já tocou nesse lugar. Mas tem um porém, eles dedetizaram o lugar ao meu pedido para as bandas de rock voltarem a tocar lá, rsrs.

 

Zap – De volta ao Brasil, você tem composto muito? Quantas canções inéditas você possui prontas para serem lançadas?

 

Dhema – Na verdade eu componho o tempo todo. E onde quer que eu esteja, estou com letras vindo à cabeça e mando isso via mensagem para o meu próprio celular para evitar que eu esqueça. Faço isso há muitos anos. E o mesmo eu faço com um gravadorzinho de voz para registrar coisas que me vem quando estou tocando guitarra. Não tenho smartphone, iphone não gosto disso de forma alguma. Meu celular não tem internet e não tira fotos. To muito feliz assim e não quero me tornar um escravo de uma máquina tão idiota e não fazer nada mais na vida a nao ser estar olhando e segurando aquilo 24 horas por dia, não entendo essas pessoas que fazem isso.  Sim, tenho gravado muitas musicas novas com amigos do Brasil lá em Pinheiros. E sao musicas ótimas.

 

 

Zap – Quais foram suas maiores influências musicais e no rock ao longo da sua vida? Quais suas bandas preferidas?

 

Dhema – Eu diria que quase tudo que tem qualidade musical. Ou seja, musica boa de verdade. Quando muito pequeno black music, disco music que eu adorava. Peguei e vivi toda a fase da discotheque e até hoje gosto muito desse estilo. Por volta dos 12, 14 anos o Rock&Roll entrou na minha vida e dominou tudo. Nazareth, Ac/Dc , The Sweet, Rolling Stones, The Beatles, Gary Gliter, Joan Jet, Bad Company, Led Zeppelin, The Who, Deep Purple, Yes, Sex Pistols, The Ramones etc. Isso era o que eu realmente ouvia. Tudo isso eu tinha em aqueles compactos vinil de 2 musicas de cada lado. E depois veio o Vinil.

 

 

Zap – Como você vê a música e o rock em si nos tempos da internet? Acha que o grande momento do rocknroll mundial já passou e não volta mais, ou ainda acredita que o gênero irá sobreviver?

 

Dhema – Não acredito de forma alguma  que o estilo Rock irá ter um BOOOOM como teve nos anos 50,60,70 e talvez até anos 80. É uma outra geração, uma outra mentalidade, uma outra realidade. E honestamente nada disso me interessa. Não tem aparecido uma banda que me interessa nestes últimos 20 anos. Seja essa banda de qualquer país. Não gosto de nenhuma banda dessas que estão. Não vou citar nomes porque SÃO TODAS. Musica na internet? Não faço downloading. Tenho tudo que me interessa para ouvir no meu Notebook e no pendrive. Internet facilita a vida das pessoas em todos os sentidos se você souber usar isso de uma forma inteligente. Tudo é muito prático e muito rápido quase no tempo real.O Rock vai sobreviver? O ock vai estar sempre aí como todos os outros estilos de musica boa. Assim como o Reggae, Folk, Blues, Country, Jazz, Clássico, Punk Rock etc. E isso vai ficar ao gosto, interesse individual de cada um o que quer ouvir. Agora, o que vai predominar ou continuar predominando é essa porcaria que está nessa geração Iphone. Como disse Albert Einstein, quando a tecnologia dominar as pessoas, dominar o mundo, essa será a geração mais estúpida na face da Terra. Se você não sabe usar a tecnologia, ela te usa e faz de você um verdadeiro idiota.  A tecnologia é sensacional se você souber usa la e não ser usado por ela.

 

Zap – Seus planos para 2019. Pretende lançar um disco inédito, afinal?

 

Dhema – Sim , pretendo lançar um álbum todo de inéditas que já tem umas 8 musicas novas com o Monkey Revolution, meu novo projeto/banda. Com esse projeto realmente eu alcancei quase o top da montanha em termos de satisfação profissional com as composições, produções, arranjos etc. E eu canto nesse projeto, coisa que demorou muito para eu assumir que gostava da minha voz cantando e tenho sido muito elogiado por isso. Mas sempre quase todo mundo diz a mesma coisa: parece Lou Reed , David Bowie, Bob Dylan, em termos de voz. Tudo bem, para mim e’ um elogio.

 

***Para saber muito mais sobre Dhema Netho e seu Monkey Revolution, vai aqui: https://www.facebook.com/Monkey-Revolution-was-born-in-London-by-Ademar-Mello-Brazilian-Musician-574501856270636/

 

 

E MONKEY REVOLUTION AÍ EMBAIXO

Em diversos vídeos, no canal no YouTube dedicado ao projeto de Dhema Netho

https://www.youtube.com/user/1964ademar

 

 

CULTURA POP LITERÁRIA – DOIS ESTREANTES EM LIVROS CONVERSAM COM O BLOG EM NOSSA DERRADEIRA EDIÇÃO

Em um momento em que o mundo em geral e o Brasil em particular possui cada vez menos apreço pelo lazer e simples (e ótimo) ato de ler um livro (afinal a era da web democratizou e tornou todos iguais perante à boçalidade humana: ninguém mais quer saber de ler livros ou textos longos mas, sim, compartilhar bobagens e imbecilidades vazias e ligeiras em redes sociais e aplicativos de celular), a literatura ainda possui devotos fiéis e segue respirando. Parte essencial e intrínseca da cultura pop e de nossa formação cultural e intelectual, ler um (ou muitos) livro (s) deveria ser algo obrigatório na existência humana. Manter essa arte gigante viva então nos tempos atuais, publicando um livro, pode se tornar um autêntico ato de coragem.

Pois dois diletos amigos pessoais destas linhas virtuais de cultura pop que estão se despedindo da blogosfera BR após uma década e meia de presença nela, ousaram, tiveram coragem e acabam de se lançar em suas estreias literárias. O jornalista Jesse Navarro vem com o seu “Macumba Rock”. Já a farmacêutica (!) e publicitária Tatiana Pereira apresenta “De analgésicos e opióides”, título homônimo do blog que ela mantém já há alguns anos. E para saber do que se tratam os dois livros e conhecer um pouco melhor a trajetória dos autores, Zapnroll foi bater um papo com ambos. Sendo que as duas entrevistas você confere abaixo.

 

JESSE NAVARRO

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O jornalista e escritor Jesse Navarro e seu primeiro livro, “Macumba Rock”

 

Zapnroll – Você é jornalista de formação, já tendo passado por redações de veículos impressos e pela produção de programas de tv e para a internet. O que o motivou a lançar este seu primeiro livro?

 

Jesse Navarro – Sempre escrevi, no colegial fiz curso técnico de redator auxiliar, minha primeira faculdade foi letras e meu pai foi jornalista e escritor. No entanto, não conseguia me organizar para escrever um livro. Em 2017, o exercício de um curso de roteiro era criar uma série imaginária para a Netflix. Nasceu Macumba Rock. Como é muito difícil virar série mesmo, resolvi adaptar a história para um livro. Da ideia original da qual apresentei até um “pitching” no curso, só ficaram o título Macumba Rock e os papos entre o espírito de Raul Seixas e uns jovens ocultistas num cemitério. Virou Culto a Raul. O resto é coisa que vi na vida, histórias de minhas consulentes de baralho cigano e dos moradores de rua com quem trabalho. O objetivo é mostrar a capacidade humana de sair das trevas por quem já viveu nelas, o poder de superação pelos caminhos da arte e da espiritualidade. A trilha sonora da minha vida que sempre foi rock alternativo viveu uma mudança: passei a ouvir cada vez mais o que chamo de xamanismo eletrônico e sons cheios de tambores. Esses barulhos estavam na minha mente e viraram ficção. Inclusive na trilha sonora incluí também preciosidades musicais da Grã Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez, um dos discos mais vanguardistas dos anos 70, pós-tropicalista e debochado, com Raul Seixas, Miriam Batucada, Sérgio Sampaio e Edy Star. Incluí essas trilhas na versão áudio livro que está em arte final. Foi uma fase inspirada da minha produção na Rádio Mundial, usando horas e horas de estúdio 2 para produzir esse material com vários dubladores. Lançamento será em mp3 em janeiro. Sei que tudo nasceu num curso de roteiros num momento de profunda transformação na minha vida pessoal.

 

Zap – Fale um pouco de sua trajetória jornalística e de suas influências literárias.

 

Jesse – Minha trajetória jornalística começou numa assessoria de imprensa na Prefeitura de Osasco. Meu sonho era o rádio, a televisão e peguei a internet chegando. Adorava ser repórter do jornal Primeira Hora, onde comecei cobrindo polícia e depois parei na política. Fui repórter de vários pequenos jornais e apresentador de várias pequenas emissoras de TV, rádio e internet, passando a ter mais pegada cultural. Entrei na RedeTV para ser editor de um programa da tarde e acabei trabalhando em algumas produções, pautei muito Márcia Goldsmidt na Band e dirigi o Clodovil interinamente por uns quinze dias. Durante dois anos fui assistente de direção. Aquilo era puro entretenimento e eu ainda vivia no estado da arte mais erudita. Meu programa na TV Osasco se chamava Giralata e acabou virando Oráculo em outro portal local. Criei um personagem punk místico cultural que atraiu a atenção da MTV da época. Aparecia no programa Gordo Freak Show, umas matérias externas, uma experiência bizarra pela proposta humorística de cornetar o artista na porta do seu show, mas uma experiência inesquecível de gravar uma externa com profissionais de verdade. Passei pelo Guia Quatro Rodas da Abril e depois disso, minha trajetória de jornalismo sobreviveu como comunicação e leitura de oráculos. Fui para a Rádio Mundial e hoje leio ocultismo, um ou outro romance espírita, minha influência literária é beat, Hunter Thompson, Plínio Marcos, cinema da Boca do Lixo. Dica de livro para verdadeiros estudantes de tarô: “O caminho do tarô”, Jodorovsky. A cultura de auto ajuda espiritual é um caminho que mudou minha leitura, meu radicalismo, coisas que assisto e impressões da existência.

 

Zap – De onde surgiu a ideia para o nome “Macumba rock”? Do que trata o romance, afinal?

 

Jesse – Havia um teste nesse curso de roteiros e os professores estimulavam os participantes a compararem as pessoas às séries. Me compararam com “Sons of Anarchy” e o rock realmente está em mim. Fiz uma piada interna comigo sobre isso. Lembrando de pontos da Umbanda e vendo que minha realidade hoje era muito mais tropical, bem mais alinhadas à busca da espiritualidade africana do que com o velho punk. Então veio Macumba Rock. O título antes de qualquer enredo. O romance se trata da capacidade de recuperação de pessoas parecidas perdidas, que não terão volta em suas decadências. Todas elas se encontram no bairro da Freguesia do Ó, em São Paulo. É um thriller que evoca um culto a Raul Seixas em meio a uma delirante e caótica vida macumbeira, festiva, cigana em que uma moça se revolta quando lhe dizem que sua pomba-gira é marmotagem e terá um destino de perdição enfrentando demônios em cemitérios e fazendo contato com Raul Seixas. Como prefaciou Newton Cannito, “Macumba Rock é um livro muito ousado: Navarro escreveu um thriller espiritual erótico, uma mistura heterodoxa de vários gêneros de sucesso. Tem prazer na leitura para todos os lados. Se você gosta de investigações policiais, leia o livro. Se gosta de literatura espiritual e quer saber mais sobre entidades da umbanda, leia o livro. Se quer ouvir detalhes eróticos de boas trepadas, leia o livro. E se você gosta de Raul Seixas, leia o livro”.

 

 Zap – Você hoje em dia se dedica a qual área? Tem planos de prosseguir lançando mais livros?

 

Jesse – Hoje me dedico à comunicação holística. Apresento dois programas. Um na Rádio Mundial todo domingo, o programa Momento. E o programa Profecias do Momento, um canal do YouTube que realmente agregou uma comunidade participativa que interage escolhendo um dos três montinhos do baralho cigano. Levo adiante minha causa social com moradores em situação de rua, sempre trazendo novos parceiros até terapeutas musicais ou massagistas que tragam quick massage. Minha criatividade continua a mil e pretendo lançar outros livros.

 

 

Zap – É fato que a era da internet, se por um lado democratizou e colocou ao alcance de todos o máximo de informação possível, por outro meio que boçalizou as pessoas, visto que elas perderam o interesse por obras literárias mais densas e extensas. O reflexo disso é a queda na venda de livros no Brasil e a crise que se abate sobre o mercado editorial brasileiro, com editoras fechando e mega livrarias entrando em recuperação judicial. Diante de um panorama desses você ainda acredita na literatura e no livro impresso como forma de levar lazer e cultura para um grande público? Você mesmo bancou a edição independente do seu livro?

 

Jesse – Ainda tem bastante gente lendo. O que quebrou o antigo mercado foi a Amazon. Como você é um jornalista da área cultural, me preocupo com sua visão pessimista. Antigas tradições sobreviveram e a leitura de livros é uma delas, que sempre lutou por seu espaço. As pessoas boçais são minoria e muitas se curarão. Existe uma evolução natural junto com uma mudança marcante de formatos, livros digitais dobráveis. Macumba Rock foi artesanal. Uma edição limitada para me lançar como escritor. E os dados ainda estão rolando.

 

Zap – Seus heróis literários e suas obras favoritas em todos os tempos?

 

Jesse – Meus heróis morreram de overdose e as obras favoritas foram desconstruídas. Cem anos de solidão, G G Marques, A Erva do Diabo, Castaneda, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Machado de Assis, modernistas, simbolistas, dadaístas, Dom Quixote, Mate-me por favor, Bukowski, Marcelo Rubens Paiva, Adelaide Carraro, Hemmingway e meu pai, Jesse Navarro Júnior, autor de “A voragem dos moribundos” (1975) e outros.

 

Zap – Para comprar o livro, como proceder?

 

Jesse – Entre no site www.profeciasdomomento.com.br.

 

 

TATIANA PEREIRA

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Zapnroll e a escritora Tatiana Pereira, no coquetel de lançamento do livro dela

 

 

Zapnroll – Como e quando uma farmacêutica bioquímica foi se apaixonar por literatura e por cultura pop, a ponto de criar um blog sobre os dois temas e, anos depois, publicar um livro com os textos que saíram neste blog?

 

Tatiana Pereira – A minha profissão veio bem depois da paixão pela literatura e pela cultura pop. Nasci numa casa onde a literatura sempre foi reverenciada, então sempre li muito, desde criança, e comecei a escrever poesia muito cedo, mas tudo de forma muito pessoal, sem um plano para me tornar escritora. O blog aconteceu no comecinho dos anos dois mil e foi uma maneira de compartilhar o que antes ficava apenas “na gaveta” – acredito que tenha sido um processo natural da época.  Já a publicação do livro veio com mais maturidade, quando senti que já tinha escrito coisas que valiam à pena ter esse formato.

 

 

Zap – De onde surgiu a ideia para o nome “De analgésicos e opioides”?

 

Tatiana – O De Analgésicos & Opioides foi um mini conto que escrevi por volta de 2005 – vale dizer que o conto era bem pessoal, sem uma validade literária, tanto que nunca foi publicado em lugar algum – mas eu gostei do título dele e passei a usá-lo como título do blog. Para mim, a literatura é capaz de te proporcionar analgesia da mesma maneira que te leva às experiências mais loucas como o ópio, e quando fiz essa relação não consegui mais desvincular esses “signos”.

 

Zap – O livro possui 470 páginas reunindo crônicas e textos curtos. Todos já haviam sido publicados no blog ou há algo inédito?

 

Tatiana – Não. Pelo menos 60% do livro nunca foi publicado no blog, nem em qualquer outro veículo. Tem muito mais material inédito no livro do que espalhado pelos canais digitais.

 

Zap – Você hoje em dia se dedica à área de marketing, certo? Tem planos de prosseguir lançando mais livros?

 

Tatiana – Sim. Fiz faculdade de Farmácia e Bioquímica e logo percebi que estudar marketing me ajudaria a desenvolver projetos de serviços de saúde com uma comunicação mais assertiva, mais direta, sem esse lado “sisudo” e muitas vezes “impondo medo” que a comunicação nessa área insiste em fazer – o que me incomoda muito. Para isso, acabei fazendo MBA em Planejamento Estratégico de Marketing, fiz pós em Marketing Digital, estudei Netnografia e decidi que precisava ter uma qualidade de vida melhor para poder fazer o que gosto sem a dureza do mundo corporativo. Foi quando, há 8 anos, abri minha própria empresa onde a área de saúde se torna uma divisão de negócio, mas amplifiquei o leque de serviços para outros segmentos. Tudo isso para poder ter tempo de escrever. Hoje já tenho mais dois livros praticamente prontos e tenho escrito roteiros de longas, curtas e uma previsão de lançamento de filme em 2019.

 

Zap – É fato que a era da internet, se por um lado democratizou e colocou ao alcance de todos o máximo de informação possível, por outro meio que boçalizou as pessoas, visto que elas perderam o interesse por obras literárias mais densas e extensas. O reflexo disso é a queda na venda de livros no Brasil e a crise que se abate sobre o mercado editorial brasileiro, com editoras fechando e mega livrarias entrando em recuperação judicial. Diante de um panorama desses você ainda acredita na literatura e no livro impresso como forma de levar lazer e cultura para um grande público?

 

Tatiana – Você pontuou coisas importantes aí e me arrisco a dizer que as grandes livrarias começaram a deixar seus reais leitores/ consumidores de lado para investir nos leitores de internet – o que não haveria nada de errado se houvesse um equilíbrio, entendimento e planejamento. É só entrar nessas livrarias para perceber que na mesa dos mais vendidos e de lançamentos há uma série de réplicas de coisas já publicadas na internet e que não é mais novidade para quase ninguém. Tentar aplicar a rapidez e liquidez do ambiente digital nas lojas e nas editoras sem considerar a diferença de consumo dos dois ambientes nos levou a esse cenário triste da literatura. Em contrapartida, tem gente que entendeu o processo, e usa os canais digitais para levar o público para a loja física – que é o caso da editora Lote 42 que também é dona da Banca Tatuí e da Sala Tatuí, no bairro Santa Cecília, em São Paulo – que me faz acreditar que o livro impresso sempre vai existir, mas não na quantidade de hoje. E aí eu pergunto: se as grandes redes de supermercados entenderam que uma cidade como São Paulo precisa mais de mini mercados e uma curadoria geolocalizada de mix de produtos, por que as redes de livrarias não fizeram esse exercício?!

 

Zap – Para quem não conhece seu blog e seu estilo literário, o que esse possível leitor irá encontrar no seu livro?

 

Tatiana – O livro é uma série de crônicas e prosas poéticas que abordam os diferentes estados emocionais do ser humano fazendo referências à cultura pop – literatura, cinema, música, artes plásticas – usando, muitas vezes, a própria gramática como personagem.

 

Zap – Seus heróis literários e suas obras favoritas em todos os tempos?

 

Tatiana – Listas são sempre terríveis, pois tendem à uma injustiça. Risos! Mas vamos lá: meu deus é o Fernando Pessoa e seus heterônimos. Coleciono Júlio Cortázar, Clarice Lispector e Haruki Murakami como referência literária, e a Fernanda Young como o humor [ou a falta dele] de uma sofisticação para poucos. Gosto demais do Ariano Suassuna e tenho o tenho lido muito nos últimos anos. Minhas obras favoritas são Histórias de Cronópios e Famas, do Cortázar. Água Viva, da Clarice Lispector. O livro do Desassossego e toda obra do Alberto Caeiro, do Fernando Pessoa.

 

Zap – Para comprar o livro, como proceder?

 

Tatiana – Na Livraria Blooks [São Paulo e Rio de Janeiro] e através da Indie Blooks: http://indieblooks.iluria.com/pd-5d701f-de-analgesicos-opioides.html. E diretamente comigo, pelo Pagseguro [vai com dedicatória e autógrafo]: https://bit.ly/2GBtoer.

 

 

ARQUIVOS DO JORNALISTA MUSICAL FINASKI – SAUDADES DOS SHOWS DE ROCK QUE VIMOS NA VIA FUNCHAL SP

Madrugada dessas estava o loker rocker aqui assistindo ao programa do Jools Holland (ou Jools “RÔLA”) no canal Bis. Gostamos de ver, sempre rolam atrações bacanas: nessa madruga, por exemplo, teve Damon Albarn (vocalista do Blur, pros desinformados de plantão), Black Keys e… Coldplay. Ok, ok, a banda não é mais o que era antes mas continuamos achando o dream pop inicial deles (pelo menos até o terceiro disco) digno de respeito. E ouvindo Chris Martin e sua turma se apresentando, nos lembramos saudosos das duas vezes em que vimos a banda ao vivo na finada Via Funchal.

Fomos pesquisar na web. No Wikipedia tem um verbete bastante completo sobre aquela que, na nossa opinião, foi mesmo a MELHOR casa de shows internacionais que existiu na capital paulista nos últimos 25 anos. Projetada com esmero e rigor, permitia que você assistisse super bem as gigs que lá aconteciam, estivesse onde estivesse lá dentro (havia uma pista em desnível em direção ao palco, com degraus, o que permitia que a fila à sua frente ficasse sempre ABAIXO da sua visão do palco). Fora que a acústica era ótima e a iluminação idem. Mas como tudo que é ótimo nunca dura para sempre o local encerrou atividades em dezembro de 2012, já que a dupla que era sócia de lá vendeu o mesmo a uma incorporadora imobiliária pela “bagatela” de R$ 100 milhões.

Enfim, a Via Funchal durou 14 anos, de 1998 a 2012. E nessa quase década e meia de existência, este jornalista eternamente rocknroll viu shows verdadeiramente incríveis por lá (alguns nem tanto, vamos ser honestos), e agradecemos isso à queridíssima Miriam Martinez, que foi assessora de imprensa máster da casa durante toda a existência dela. Miroca, que atualmente trabalha na Tom Brasil SP, é uma das nossas melhores e mais bacanas amigas na assessoria de imprensa rock paulistana há mais de 30 anos, e nunca nos deixou na mão, hehe. De modos que aí embaixo segue um resumo de algumas das gigs que vimos por lá, com rápidos comentários sobre cada uma delas e sobre o momento pelo qual estávamos então.

 

***Green Day (novembro de 1998): a Via Funchal existia há apenas dois meses e esse foi o primeiro show de rock que o blog viu lá. E foi showzão, casa lotada (cabiam 6 mil pessoas lá), a banda ótima no palco etc.

 

***Echo & The Bunnymen (setembro de 1999): os “homens coelho” finalmente retornavam ao Brasil após 12 anos de sua primeira e histórica passagem por aqui. Vieram na turnê do disco que marcou a volta do grupo, o PÉSSIMO “Evergreen”. Mas novamente a gig foi sensacional (enlouquecemos ao ver na nossa frente, pois estávamos COLADOS no palco, na área de imprensa, a banda começar a apresentação com a clássica “Rescue”), mesmo com Ian McCulloch sem voz alguma. E foi nesse show que o zapper estava acompanhado DELA! Quem? Ana S.B., um XOXOTAÇO goth que havíamos conhecido semanas antes na porta do Madame Satã. Linda, gostosa, 17 aninhos de idade (e o loker aqui com meus 36 já…), inteligentíssima e… totalmente PERVA, safada e ordinária, rsrs. O zapper se apaixonou pela garota. Fomos juntos ao Echo e depois passamos no também finado e saudoso Nias (um dos clubes de rock mais legais que existiram em Sampa), bebemos e dançamos por lá, até que propus irmos ao Madame (afinal, tínhamos nos conhecido na porta do casarão goth clássico do Bixiga). Ela topou. Pegamos um táxi e quando chegamos na porta do Satã, me disse que não queria entrar. “Vamos logo pro hotel TREPAR!”, falou, para nosso total espanto. Nem precisou pedir duas vezes. A foda foi do inferno e jamais esqueceremos do BOQUETE primoroso feito pela magrinha de peitos miúdos e rosto angelical perfeito como o de uma boneca de porcelana oriental. E também não me esqueço jamais dos seus gritos histéricos quando ela gozou. Trepamos ainda mais duas vezes e Aninha sumiu, para apenas me reencontrar muitos anos depois, quando estava CASADA com um espanhol com o dobro da idade dela. Procurou o jornalista rocker novamente, foi na casa dele e DEU novamente. O blog se casaria com ela. Mas nunca mais a vimos depois de mais duas fodas canalhas e inesquecíveis.

 

***The Mission (junho de 2000): o quarteto gótico inglês já estava em franca decadência. Mas havia lançado um cd TRIPLO (!) e veio tocar aqui mais uma vez (depois virou carne-de-vaca no Brasil e o vocalista e líder Wayne Hussey até se casou com uma loiraça goth perua de Santo André, onde parece que mora até hoje). A Via Funchal quase lotou e a tribo goth enlouqueceu com os hits do grupo. Depois do show fomos parar num muquifo goth que estava funcionando no cu da zona leste paulistana, levados por um busão caindo aos pedaços e fretado pelos ex-donos do Madame Satã, para fazer o tal trajeto.

 

***Coldplay (setembro de 2003): a primeira visita dos ingleses ao Brasil. E já estavam no auge, prestes a lançar seu terceiro álbum de estúdio e com dois CDs primorosos na bagagem. Foram três noites absolutamente LOTADAS na Via Funchal. Não me lembro em qual fui, mas estava lá. De calça preta, camisa social branca de manga comprida e blazer por cima (disso me lembro bem). Ficamos EMOCIONADOS com a gig, de verdade. E quando saímos de lá fomos ainda em um coquetel fechado para convidados em Pinheiros, lançamento de um disco se não me engano. O coquetel era open bar e fiquei (claro!) num estado lamentável. Como sou adicto (dependente químico que não deveria sequer beber UMA gota de álcool), não deu outra: saí dali direto para o centro de São Paulo, para me ENTUPIR de CRACK. Final de madrugada absolutamente trágico para uma noite que havia começado de forma sensacional. Normal, faz parte.

 

***Massive Attack (maio de 2004): o zapper já tinha visto a trupe trip hop inglesa alguns anos no extinto Free Jazz Festival. Show mais uma vez perturbador. Pela concepção cênica e pela ambiência sonora total sinistra e sombria. Foi lindão, no final das contas.

 

***The Sisters Of Mercy (maio de 2006): também já estava em sua fase total decadente e vivia aparecendo para shows caça níqueis por aqui. Já os tinha visto 15 anos antes no finado ProjetoSP, onde a gig já não tinha sido grande coisa (a real é que a banda nunca foi muito boa ao vivo). Mas o povo goth amava a banda e assim bastante gente apareceu para revê-los ao vivo.

 

***New Order (novembro de 2006): o retorno do gigante synthpop inglês, depois de sua gloriosa primeira vinda ao Brasil, em 1988. Foi legal, a VF lotou (óbvio), Peter Hook (ainda estava no conjunto) deu show no baixo mas já não era mais a mesma coisa. Hoje em dia, então… só para TROUXAS ou FANÁTICOS.

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Echo & The Bunnymen (acima) e REM (abaixo): duas das zilhões de bandas gigantes da história do rock mundial e que o blog testemunhou ao vivo ao longo de nossa década e meia de existência, ambos em gigs na finada e saudosa Via Funchal SP

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***Coldplay (fevereiro de 2007): eles voltaram e lá estava Zapnroll novamente (iria cobrir a apresentação para o caderno B do diário carioca Jornal Do Brasil, onde Finaski estava colaborando então). Mais uma vez três noites lotadas. Mais uma vez showzaço emocionante. E felizmente desta vez não teve crack no final da noite.

 

***Interpol (março de 2008): a única gig que vimos dos nova-iorquinos pós punk que emulam Joy Division à perfeição. E foi ótimo!

 

***REM (novembro de 2008): um dos shows INESQUECÍVEIS da NOSSA VIDA. Uma das cinco bandas eternas da minha existência. Já os tinha visto em janeiro de 2001, no terceiro Rock In Rio. E aqui foi ainda melhor pois era espaço fechado e com muito mais visibilidade de palco e som muito melhor. E este zapper CHOROU quando a banda tocou “Losing My Religion”.

 

***Duran Duran (novembro de 2008): a volta do new romantic histórico inglês, 20 anos após tocar pela primeira vez no Brasil (em janeiro de 1988, no festival Hollywood Rock). Foi um dos melhores shows que assistimos na Via Funchal.

 

***Peter Murphy (fevereiro de 2009): gig solo do ex-vocalista dos Bauhaus. Na boa, foi chatíssimo, rsrs.

 

***The Kooks (junho de 2009): os inglesinhos indie rock dos anos 2000 estavam no auge e fizeram um bom set.

 

***Cat Power (julho de 2009): nossa deusa e musa americana ad eternum. Set melancólico, climático e lindíssimo. Sendo que o blog estava apaixonado e quase namorando com a Rudja, que morava (e mora até hoje) em… Macapá! Tanto que LIGAMOS pra ela do via celular no meio da apresentação, e tentamos fazer com que ela escutasse parte do show pelo celular.

 

***Belle & Sebastian (novembro de 2010): nossos eternos heróis escoceses do indie rock e dream pop. Show inesquecível, sendo que saíram lágrimas dos meus olhos ao final dele. E sim, o blog estava acompanhado da garota de Macapá (a Rudja), com quem havia namorado e noivado por um ano, e ela tinha vindo passar um mês em Sampa (também vimos juntos a primeira edição do festival SWU), pra nos despedirmos do noivado. Aquela noite pós B&S foi looooonga, com álcool, drugs etc. Mas não posso entrar em detalhes porque senão a fofa Telma (mãezona da garota e querida amiga nossa até hoje) me mata, hihi.

 

***Stone Temple Pilots (dezembro de 2010): outro show za ço! Scott Weiland sempre foi nosso “ídalo”, rsrs (e também do mozão André Pomba, ahahaha). No final da gig Zapnroll, já com algumas doses de whisky na cachola, deu de cara com o porcão, jotalhão e covardão José Flávio MERDA Jr., um dos seres humanos e jornalistas mais escrotos e imundos que tivemos o desprazer de conhecer em toda a nossa existência. Só não partimos pra cima do pança de elefante porque fomos contido pelo querido Pablo Miyazawa (então editor chefe da finada revista Rolling Stone Brasil). Depois o blog veria novamente o STP na segunda edição do festival SWU, em 2011 em Paulínea. E depois Scott se foi, morto por overdose de drugs aos 48 anos de idade. Viveu rápido, intensamente, e morreu jovem ainda. Como todo mundo deveria viver e morrer, no final das contas – é um CASTIGO cruel se tornar um velhote solitário, senil e gagá, definitivamente.

 

***Pulp (novembro de 2012): o fim para o blog por ali, e para o próprio Via Funchal em si. A gig foi no dia 28 daquele mês, dois dias depois do niver de 50 anos de idade do jornalista zapper. Foi uma despedida mega digna para o MELHOR espaço de shows de rock que já houve em Sampalândia. Deixou saudades. E quem viu o que vimos ali e relembramos nesta publicação, viu. Quem não viu não irá ver nunca mais.

 

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E PARA FECHAR COM CHAVE DE OURO A HISTÓRIA DAS MUSAS ROCKERS ZAPPERS, ELA! A MUSA SECRETA N.R., QUE PASSOU UM ANO CHIFRANDO SEM DÓ O MARIDO ENQUANTO ERA FODIDA NUMA PAIXÃO LOUCA PELO JORNALISTA LOKER ROCKER

Yeeeeesssss. Para encerrarmos verdadeiramente os quinze anos de Zapnroll no tópico “musa rocker”, teríamos que caprichar. Afinal muitas, lindas, divinas, devassas, bocetudíssimas, cadeludas, imorais e total pervas passaram por aqui ao longo desta década e meia. De modos que para terminar super bem também este capítulo, resolvemos caprichar e enlouquecer de verdade nosso dileto leitorado macho (cado), com uma reedição do ensaio DELA! Quem? Da musa SECRETA N.R., oras. E de quem não podemos revelar a identidade pois a garota é CASADA e durante um ano meteu corno sem dó no seu maridón, dando e fodendo com gosto com seu AMANTE zapper – este mesmo aqui, o eterno jornalista gonzo, loker e rocker. A paixão entre ambos foi algo realmente avassalador. Mas tudo que é ótimo um dia acaba. Ficaram então as lembranças. Que você confere aí embaixo, sem moderação alguma!

 

Nome: N.R.

Idade: 36 anos.

De: São Paulo.

Mora em: São Paulo.

Com quem: com o marido.

O que faz: já foi comerciária, hoje cuida da sua casa.

Paixão: literatura, sendo que seus autores preferidos estão Charles Bukowski e o cubano Pedro Juan Gutiérrez.

Música: fã de Tiê, Ana Carolina, Cazuza, Chico Buarque e Legião Urbana.

Como ela e o autor deste blog se conheceram: foi através de um grupo de discussão na internet sobre a obra do velho safado Charles Bukowski, o célebre autor americano do qual ambos são fãs devotados. Os papos online começaram, depois ligações pelo celular. Começou a negociação para um encontro pessoal e ao vivo, o que não demorou a acontecer. E o que era para ter sido apenas uma única tarde de foda intensa porém sem compromisso emocional algum, se tornou uma paixão avassaladora que durou um ano e dezenas de TREPADAS enlouquecedoras, com o casal GOZANDO tudo o que podia. Como a situação não poderia se prolongar ad eternum sem que uma possível tragédia acontecesse, tudo se findou um dia. Restaram as lembranças imagéticas e uma amizade que perdura até hoje.

 

FRASES INESQUECÍVEIS DISPARADAS DURANTE ALGUMAS DAS FODAS DESVAIRADAS DO CASAL

 

“A irmã CRENTE rezando, e a PUTA aqui dando!” (N.R., numa tarde de sábado, quando estava sendo traçada de ladinho pelo jornalista Finas, e lembrando que naquele exato instante sua irmã, que é evangélica, deveria estar na igreja orando)

 

“Vai, me dá LEITE DE PUTA!” (era assim que N.R. se referia ao esperma, que adorava BEBER sem restrição. E Zapnroll soltou muita porra na BOCA dela, ulalá!)

 

“A puta branquela, peituda, magra e perfeita!” (assim Finaski se referia a N.R., já que ela é branca como um fantasma, possui bunda durinha e miúda, pernas finas e peitos GIGANTES)

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Uma BOCETA do inferno e sempre em chamas!

 

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Peitões portentosos

 

 

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A bundinha magra e durinha de uma cadela branquela e puta sem igual

 

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Uma devotada fã de literatura

 

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Sim, o CORPO dela sempre acalmava o velho jornalista

 

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O casal saciado carnalmente, após uma de suas fodas alucinadas

 

 

2003-2018 – FIM DA HISTÓRIA ZAPPER!

Sim! Tudo tem um fim, tudo um dia acaba. Foi ótimo enquanto durou e foi um imenso prazer estar com todos vocês durante os últimos quinze anos. Nos vemos por aí! Beijos na galera que ainda ama rocknroll, vocês estarão sempre em nosso coração!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 28-12-2018 às 18:30hs.)

 

AMPLIAÇÃO FINAL, com os novos discos do Ride e da Lorde e também todas as infos sobre a edição 2017 do festival de documentários In Edit Brasil – Com o mondo indie rocker planetário em quase completa dormência e irrelevância o blog analisa com rigor e sem babação de ovos a “banda da vez” e que acabou de lançar seu primeiro álbum cheio nos EUA: o Cigarettes After Sex, que por pouco não provocou BOCEJOS nestas sempre rigorosas linhas zappers; mais: com shows confirmados (a partir de setembro) de The Who, U2 e a deusa inglesa PJ Harvey, o triste bananão tropical (esse aqui mesmo) ao menos terá um final de 2017 mais animado e menos modorrento; o julgamento da chapa Dilma/Temer pelo STE (que absolveu o vampiro golpista) e as lastimáveis condições do sistema prisional brasileiro só mostram e constatam pela milésima vez o que todos já estão carecas de saber mas têm vergonha de admitir: o Brasil é um país LIXO e quinto mundo dos infernos, infelizmente…; e um autêntico DELEITE e COLÍRIO gigante para nosso leitorado fã de nudes tesudos e despudorados ao máximo: um ensaio pra lá de delirante com nossa primeira dama das musas do blog, a eternamente lindíssima e incrível Jully DeLarge em todo o seu esplendor de nove meses de GRAVIDEZ gloriosa, e prestes a se tornar mãe! (postão AMPLIADÃO E TOTAL CONCLUÍDO, em 16/6/2017)

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Informações: (11) 9 8320-0700 (whats app) e também aqui: https://www.facebook.com/events/1905708276384988/?acontext=%7B%22action_history%22%3A%22null%22%7D

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A indie rock scene planetária está em crise brava de criatividade e de qualidade artística; assim uma banda como a Cigarettes After Sex (acima), mesmo sendo não muito mais que competente, causa enorme falatório no mondo rocker e nas redes sociais por conta do lançamento do seu primeiro álbum de estúdio, um trabalho que, de resto, está muito longe das obras-primas lançadas, por exemplo, pela deusa PJ Harvey (abaixo) que retorna ao Brasil para show em novembro, mesmo mês do aniversário do jornalista zapper/loker que continua sabendo o que é bom em termos de cultura pop (basta ver a imagem também abaixo: ele ao lado da nossa sempre eterna musa rocker number one, a deusa Jully DeLarge, que vai ser mamãe daqui a pouco!)

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MAIS MICROFONIA: NO FERIADÃO MODORRENTO DE PORCUS TRISTIS, O NOVO DISCO DO RIDE CHEGA PRA ANIMAR O POVO ROCKER

Exatamente. O feriado de PORCUS TRISTIS em si já está chegando ao seu final (só que ele vai ser estendido por todo o finde, claaaaaro) e acabou sendo bastante animado no final das contas. Pois saiu HOJE “Weather Diaries”, o disco que marca oficialmente a volta do grande Ride. Na Inglaterra o álbum saiu oficialmente nesta sexta-feira. Aqui no bananão e em se tratando de plataforma física (cd e vinil), jamé. Mas com a internet aí, foda-se. Está ao alcance de quem quiser escutar. É o primeiro trabalho de estúdio inédito do quarteto inglês (que surgiu em Oxford, em 1988) em mais de duas décadas – o último disco deles havia sido o algo fracote e melancólico “Tarantula”, que saiu em março de 1996 e decretou então o fim do conjunto naquela época. Sendo que o Ride foi um GIGANTE da geração shoegazer britânica dos anos 90’, com pelo menos três álbuns memoráveis em sua trajetória (“Nowhere”, de 1990; “Going Blank Again”, de 1992; e “Carnival Of Light”, lançado em 1994 e o nosso preferido deles). Depois é o que se sabe: veio a queda, o fim da banda e cada um foi pra um lado, inclusive com o guitarrista e vocalista Andy Bell indo parar no Oasis, onde tocou baixo também até o grupo dos manos Gallagher chegar ao fim, em 2009. O que estas linhas bloggers rockers acharam do comeback deles? Bien, nossa percepção inicial (ouvimos o cd apenas duas vezes, até o momento) é de que para um bando de coroas que ficou mais de duas décadas longe dos estúdios de gravação, eles voltaram bem – algumas músicas bem longas (como “Lannoy Point” e “Cali”) são ótimas, sendo que talvez a melhor de todo o álbum seja mesmo “Lateral Alice”, curta, rápida e barulhenta. Se comparado aos primeiros trabalhos digamos que o novo é mediano, mas ainda assim ok. Agora, se comparado ao LIXO que está o rock atual (até mesmo em sua acepção mais, hã, alternativa), trata-se de um disco muito bom. Mas enfim, que eles sejam bem-vindos de volta. “Weather Diaries” será com certeza o destaque do próximo post da Zap’n’roll. E quem sabe o grupo não resolve dar uma passadinha pelo Brasil, já que estão em turnê de divulgação do cd. Não custa sonhar, né?

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O velho mas ainda muito bom shoegazer do britânico Ride: novo disco, após duas décadas de ausência

 

***Mais movimentação no mondo pop também nessa sextona de meio de feriadão brazuca: saiu finalmente o segundo disco da gatinha Lorde. Que chega três anos depois de sua estréia que a transformou em ídolo pop planetário com apenas dezesseis anos de idade. O novo trampo dela, sobre o qual falaremos melhor no próximo post, pode ser ouvido aí embaixo.

 

***Tá de bobeira em Sampa no feriadão? Pois está rolando na cidade a edição 2017 do In Edit Brasil, o maior festival de documentários musicais do mundo. Tem docs sobre os Stooges (wow!), sobre a Tropicália e também pelo menos quatro que detêm seu olhar sobre a história do punk rock, que está comemorando quarenta anos de existência. A programação completa do In Edit pode ser conferida aqui: http://br.in-edit.org/.

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Os inesquecíveis The Stooges: com doc sobre a banda no In Edit Brasil

 

***E também rola neste finde mais uma edição da Parada do Orgulho LGBT em Sampa, domingo o dia todo na avenida Paulista. São esperadas mais de 3 milhões de pessoas e o evento é o maior do mundo no gênero. O blog pretende estar nela (pois há anos que não marcamos presença na parada) mesmo porque nosso apoio à diversidade sexual e ao RESPEITO e à tolerância em relação a questões de gênero é total. Não dá pra aceitar uma sociedade homofóbica como ainda é a brasileira. Muito menos a intolerância religiosa em um país onde o Estado é LAICO (segundo a Constituição) mas que, na real, vive sob pressão de grupos como os evangélicos por exemplo (os maiores inimigos da nação gay). Então fikadika: todos pra Paulista nesse domingão!

 

***Sim, sim, estamos devendo uma resenha sobre o disco de estréia do grupo de surf music instrumental paulistano Pultones. Bem como quem ganhou o cd deles que andamos botando em sorteio por aqui. No próximo post desovamos essa parada de vez, ok?

 

***E agora é fim de transmissão mesmo. Meião de feriadão e Zap’n’roll vai curtir o que resta dele tomando vinho, fumando um beck e dando uma bela foda com uma boceta amiga, hihihi. Portanto: até o próximo post e tchau pra quem fica!

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EDITORIAL POLÍTICO:

BRASIL, O PAÍS LIXO TOTAL E DE QUINTO MUNDO DOS INFERNOS – VOCÊ AINDA TEM ALGUMA DÚVIDA DISSO?

Dois episódios que aconteceram na semana passada e que corroboram o título do editorial político/social que abre este post de Zap’n’roll. Primeiro: o “Profissão Repórter”, como sempre brilhantemente conduzido pelo Caco Barcellos e em sua edição da última quarta-feira, foi absolutamente DEVASTADOR. Ele mostrou o que é o sistema prisional brasileiro como um todo. E, por tabela, exemplificou e resumiu no final das contas o que todos nós estamos carecas de saber mas fingimos (ou tentamos fingir) não saber: isso aqui, esse país chamado BRASIL, é um LIXO TOTAL. Uma nação de QUINTO MUNDO (dos infernos) e que se jacta ser de primeiro mundo. Um primeiro mundo que só existe na cabeça dos super ricos que vivem aqui ou da classe média ogra e burrona que acha que metrópoles horrendas como São Paulo, Rio e Porto Alegre possuem algo de civilizado. Dá até dó dos idiotas que batem no peito e cantam com alegria incontida e retardada o “sou brasileiro com muito orgulho”.

Esses OTÁRIOS deveriam ter assistido o jornalístico comandado por Caco. O programa foi até COVARDE em certo sentido, quando comparou o sistema prisional daqui com o da Noruega (esse sim um país de PRIMEIRÍSSIMO MUNDO). Alguns detalhes, para quem não assistiu:

 

***o governo brasileiro gasta com cada preso do país por ano, em média, R$ 45 mil reais. Você acha muito? Na Noruega o custo anual do governo pra manter cada presidiário (e dar-lhe condições de ser reintegrado à sociedade) é de R$ 390 mil reais! Detalhe: esse gasto governamental tem APOIO TOTAL da população.

 

***mais: no presídio de segurança máxima na Noruega, em cada cela (que fica aberta durante o dia e só é trancada à noite) o preso tem: cama confortável, armário, televisão (de led), frigobar e banheiro decente, além de acesso a um mini mercado onde ele pode comprar o que desejar. Mais? Tem mais: ele também pode fazer cursos de capacitação (como de chef de cozinha) e para aqueles que possuem pendores artísticos (como ser músico, por exemplo) há até um ESTÚDIO onde o preso pode gravar composições e aprender a tocar e a cantar.

 

***tudo isso tem sua justificativa, dada pelo diretor do presídio norueguês: “Quando ele, o preso, sair daqui, poderá ser SEU VIZINHO. Você prefere ter um vizinho VIOLENTO, CHEIO DE ÓDIO dentro de si ou alguém que cumpriu sua pena e voltou plenamente recuperado ao convívio social?”. Simples assim.

 

***e aqui? Ahahahahaha, aqui é a BARBÁRIE, claro. Lá na Noruega, frigobar nas celas. Aqui os pobres diabos bebem água INFESTADA de BARATAS, vivem em celas superlotadas e cheias de RATOS (ratos mesmo, aquele bicho que todos odeiam e que transmite uma série de doenças) e vão desenvolvendo enfermidades como tuberculose ou enfrentando surtos como o de SARNA. Ao ser entrevistado pela equipe do programa, um preso declarou (com total razão em suas palavras): “isso aqui é DESUMANO. O sujeito entra aqui e depois sai com mais ÓDIO de tudo, com mais ódio do que ele tinha antes de entrar”.

Precisa ser dito mais alguma coisa? Se sim, melhor você conferir o programa na íntegra, neste link: http://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2017/06/ratos-baratas-e-doencas-como-sarna-hiv-tuberculose-e-sifilis-sao-comuns-em-presidios-brasileiros.html.

Este blog realmente desistiu disso aqui. Temos TOTAL VERGONHA de ser brasileiro. Um país cujo sistema prisional HORRENDO (e que reflete, de resto, o que é a nossa sociedade como um todo: boçal, bestial, ignorante, conservadora, egoísta na relação entre os quem têm muito e os que não têm nada, atrasada, inculta etc.) é apenas a face mais cruel de uma nação que definitivamente NÃO DEU CERTO. Também esperar o quê de um país onde a classe política é vil e imunda ao máximo, e onde o próprio PRESIDENTE DA REPÚBLICA é um CRIMINOSO e chefe de quadrilha já PILHADO pelas autoridades policiais e judiciárias em diversos CRIMES de assalto ao erário e ao bolso da população?

Caia na real quando você for cantar que é “brasileiro com muito orgulho”: vivemos no LIXO e na RABEIRA do mundo. Somos apenas isso: um QUINTO MUNDO DOS INFERNOS. E nada além disso.

E para completar, o segundo episódio e que dominou a atenção de toda a mídia (da nanica à mega): o julgamento da chapa Dilma/Temer pelo STE. Terminou com a ABSOLVIÇÃO do velho BANDIDO e ESCROTO que preside de forma golpista o Estado brasileiro. Alguém aí ainda tinha alguma dúvida de que ele iria escapar?

É isso. Vamos pra cultura pop e pro rock alternativo, que nos traz ainda um pouco de alegria e satisfação.

 

 

MICROFONIA

(reverberando a cultura pop e a política/sociedade em discos, livros, filmes, shows, baladas etc.)

 

*** foi SEN SA CIO NAL a noite do último sábado no estúdio Lâmina (no centrão de Sampa), com o grupo Les Boomerangs fazendo um set inteiramente dedicado ao gênio francês Serge Gainsbourg. Versões rockers, claro. Nunca imaginamos escutar “Je T’aime” (o mega clássico dos motéis e trepadas de todos nós) com tanta microfonia, distorção e “apitos” na guitarra, hihihi. O Lâmina (localizado num incrível prédio histórico ao lado do metrô São Bento) lotou de gatas gostosíssimas, a DJ set pós-show foi fodástica (Smiths, Bowie, Siouxsie, Joy Division, Les Rita Mitsouko etc.), encontramos amigos queridos (como a gata Persie Oliveira, vocalista das Groupies do Papa, e o Leo Fazio, da banda Molodoys) e nos divertimos e rimos muito com os papos do nosso irmão de coração, o sempre gentleman, divertido e super guitarrista Gabriel Coimbra Guedes. Que venham outras baladas iguais!

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Dupla rocker de respeito máximo no último sabadão, pela madruga baladeira de Sampalândia: o jornalista gonzo/zapper/loker e o super guitarrista Gabriel Guedes

 

***A maleta Mallu Magalhães lançou seu novo álbum, “Vem”, na última sexta-feira. Sério, será que alguém ainda se importa? Com o bananão pegando fogo ao que parece Mallu continua vivendo em outro universo, com suas músicas “fofinhas”, de pegada pop/MPB completamente despolitizada e desconectada do momento trágico pelo qual o país está passando. Nem vamos perder tempo resenhando o álbum, mas para quem tiver curiosidade em ouvir ele está aí embaixo.

 

***para não esquecer tão cedo: abaixo, quem votou contra e a favor da cassação do velhote sujo e ordinário que preside o Brasil. Que vergonha, STE…

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E esse CRETINO, merda e serviçal do governo golpista RI da nossa cara, claro! 

 

*** o episódio em que dois MONSTROS bestiais e boçais torturaram e TATUARAM na testa de um garoto a frase “sou ladrão e vacilão” (por ele supostamente ter tentado roubar a bicicleta de um dos vizinhos da dupla que praticou essa barbárie no moleque), merece todo o repúdio possível. E demonstra também claramente a que ponto chegou a selvageria, bestialidade e boçalidade da sociedade brasileira supostamente “civilizada”. Estamos caminhando para uma nação NAZISTA no final das contas. Pois se vocês bem se recordam eram os NAZISTAS que marcavam a pele dos judeus com ferro em brasa, durante a Segunda Guerra, para depois exterminá-los nos campos de concentração. Até quando, Brasil LIXO e de população selvagem ao máximo?

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A imagem da barbárie social, da boçalidade e bestialidade sem limites do brasileiro atual: dois monstros e covardes fizeram essa tatuagem na testa de um adolescente de 17 anos por ele supostamente ter tentado roubar uma bicicleta; o Brasil regredindo aos tempos do nazismo…

 

***e calma que ao longo desta semana (que começou nesta segundona, dia dos namoridos) mais notas irão entrando aqui no Microfonia, beleusma? Então guentaê e até já!

 

 

CIGARETTES AFTER SEX, O NOVO (MAS NEM TANTO) HYPE DO MONDO ROCKER, LANÇA SEU PRIMEIRO DISCO – E CUJA AUDIÇÃO QUASE PROVOCOU SONO NO BLOG ZAPPER

O mondo pop/rock planetário, mesmo na seara mais, hã, alternativa, está assim mesmo há alguns anos já: vagando à deriva, infestado de hypes que duram apenas alguns singles, alguns discos (quando não apenas um), uma temporada de verão, e depois desaparecem tão rápido quanto surgiram. Fora que a qualidade artística de grupos e artistas solo despencou rumo a um abismo profundo de quinze anos pra cá. Então quando surge algo minimamente mais razoável ou um pouco acima da mediocridade media reinante atualmente no planeta, a banda em questão já desponta como a próxima salvação do rock’n’roll. Gera hype nos sites e blogs especializados em música, gritaria e tumulto nas redes sociais e plataformas visuais e musicais (Spotify, YouTube), e adoração imediata de milhões de fãs virtuais de ocasião. Tudo muito fugaz, imediatista e ilusório, claro. Mas continua acontecendo e dando sobrevida ao rock e suas variações de gênero. E dentro desse panorama o grupo da vez é o quarteto americano Cigarettes After Sex, que lançou oficialmente na última sexta-feira, dia 9 de junho seu primeiro álbum completo de estúdio. Antes o grupo liderado pelo vocalista, letrista e principal compositor Greg Gonzalez, já havia lançado uma série de singles que bombaram na web e colocaram o conjunto em evidência não apenas nos EUA mas também na Europa.

O CAS (como já está sendo carinhosamente chamado pelos fãs) é essencialmente e musicalmente o que sai da mente algo melancólica e sensível de Gonzalez. Bom letrista, compositor, vocalista e instrumentista, ele formou a banda há quase uma década (mais precisamente em 2008) na cidade de El Paso, no estado americano do Texas. E para dar vazão às suas músicas eivadas de ambiências melancólicas e de eflúvios de shoegazer e dream pop, Greg foi se cercando de músicos que eram amigos próximos. Além dele ninguém ficou exatamente fixo no grupo nesses anos todos, sendo que a formação atual se completa com Jacob Tomsky (baterista),  Phillip Tubbs (teclados), e Randy Miller (baixo). Foi com esse line up que a banda sedimentou e amadureceu seu trabalho, lançado agora o primeiro álbum completo e após ter bastante receptividade da crítica e de fãs para seus primeiros singles (como “Affection”, editado em 2015, e “K”, lançado um ano depois, além de um cover bizarro para uma canção do finado grupo hard brega setentista Reo Speedwagon, também lançado como single há dois anos), que acabaram tendo milhares de visualizações no YouTube e angariaram um bom séquito de fãs ardorosos para o quarteto em pouco tempo. Fãs brasileiros inclusive, que já pululam pelas redes sociais e estão se desmanchando de amor pelo Cigarettes em redes sociais como o faceboquete.

Mas e daí? Qual é a do CAS, afinal? É um grupo que vale a pena? É o grande lançamento de 2017 até agora, como bradou um conhecido e bastante lambão, preguiçoso e bundão repórter/blogueiro da FolhaSP online (ele mesmo, o beócio Thales de Menezes) e que, não satisfeito em PEIDAR pela boca sua vassalagem estúpida e exagerada ao grupo, ainda comparou-o aos inesquecíveis Smiths? Quanta IGNORÂNCIA jornalística e musical, rsrs. Não há dúvida, ao se ouvir as canções dos singles do conjunto e também as faixas que estão no seu disco de estréia, que Greg Gonzalez é um compositor habilidoso, melodista idem e um letrista sensível que, tal qual Morrissey mostrou de forma sublime à frente dos Smiths há três décadas, expõe suas tragédias pessoais, amorosas e emocionais de maneira bastante intensa nos versos que compõe. E aí não importa se o desencanto e desalento amoroso se refere a uma relação afetiva homo ou hétero. Vale mais aqui discorrer sobre o que é o amor no final das contas: quase sempre uma pequena (ou, em alguns casos, monstruosa) tragédia existencial, tingida pelos matizes mais cinzas e sombrios que possam existir. Para dar voz, corpo e sentido a essas letras intensas mas igualmente introspectivas, melancólicas e reflexivas, o cantor lança mão de um vocal suave, tristonho, com inflexões agudas (muitas vezes quase sugerindo que é uma MULHER que está cantando), bucólico e contemplativo no final das contas.

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Capa de estreia do disco do CAS: canções dream pop sonolentas

Seria o suficiente para se construir um ótimo trabalho? Aparentemente sim. Mas ocorre que as dez faixas do CD (distribuídas por quase quarenta e sete minutos de duração) foram bordadas com tanta lassidão e contemplação/melancolia instrumental que a audição acaba por se tornar um périplo altamente cansativo para o ouvinte. Não há quase variação alguma entre os temas, seja na abertura com “K”, ou no quase dream pop que se encerra em “Each Time You Fall In Love” (onde fica nítida a sensação de estarmos escutando um vocal feminino, já que Gonzalez capricha na inflexão em falsete), ou ainda em “Apocalypse”, “Flash”, “Sweet” ou “John Wayne”, todas elas invariavelmente conduzidas pelas guitarras elétricas ou acústicas tocadas por Greg, e pontuadas por percussão suave e intervenções discretas de teclado. Tudo muito bem tocado, arranjado e produzido, não há dúvida. Mas já na metade da audição se torna indisfarçável a sensação de quase sonolência que começa a envolver o ouvinte.

Se for para comparar, há bandas e discos muito melhores nos anos 80’, 90’ e de 2000’ pra cá. Na questão da angústia amorosa/emocional e do amor platônico e/ou irrealizável vertido em versos, Morrissey indubitavelmente fez muito melhor pelo rock e pelo pop nos Smiths – aliás a temática que se encerra nas letras do CAS talvez seja de fato o único detalhe que aproxima o grupo americano do inesquecível quarteto liderado por Moz e Johnny Marr. E de alguns anos pra cá, talvez grupos como Beach House e The XX (principalmente este) exibam mais consistência artístico/musical e com uma sonoridade um pouco mais animada, que não provoca letargia em quem escuta. Assim a estréia em álbum cheio do Cigarettes After Sex se revela um pouco acima da média da irrelevância que contamina a maioria das bandas da indie rock scene atual. Mas isso não é suficiente, nem de longe, para afirmar que o trabalho homônimo do conjunto é o grande lançamento de 2017. Ele está longe disso, bem longe. E se não procurar maturar e aprimorar com afinco sua concepção sonora, a irrelevância e o esquecimento por parte da mídia e do público virá logo. Afinal e infelizmente a volubilidade e a volatilidade dos fãs em relação aos seus “ídolos” é um dos maiores problemas para a música, para o pop e o rock nestes tempos superficiais e fúteis da web. A maldita era digital, onde uma canção de quatro minutos se tornou acessório dispensável que serve apenas de fundo musical para tarefas comezinhas. E que, por conta disso e dessa função bastante inglória, ela precisa ter muito mais estofo qualitativo para impactar e marcar quem a escuta.

 

 

O TRACK LIST DO DISCO DE ESTREIA DO CAS

1.”K.”

2.”Each Time You Fall in Love”

3.”Sunsetz”

4.”Apocalypse”

5.”Flash”

6.”Sweet”

7.”Opera House”

8.”Truly”

9.”John Wayne”

10.”Young & Dumb”

 

 

UMA LETRA DO ÁLBUM

(da faixa de abertura do cd, “K)

Eu me lembro de quando notei que você gostava de mim também

Estávamos sentados em um restaurante esperando a conta

Nós tínhamos feito amor mais cedo naquele dia, sem amarras

Mas eu poderia dizer que algo tinha mudado como você olhou para mim naquele momento

 

Kristen, volte logo

Eu estive esperando você voltar para a cama

Quando você acende a vela

 

E no Lower East Side você está dançando comigo agora

E eu estou tirando fotos de você com flores na parede

Acho que eu gosto mais quando você está vestida de preto da cabeça aos pés

Acho que eu gosto mais de você quando você está só comigo

E ninguém mais

 

Kristen, volte logo

Eu estive esperando você voltar para a cama

Quando você acende a vela

 

Estou beijando você deitada no meu quarto

Segurando você até você cair no sono

E é tão bom quanto eu sabia que seria

Fique comigo, eu não quero que você saia

 

Kristen, volte logo

Eu estive esperando você voltar para a cama

Quando você acende a vela

 

 

O CD DE ESTREIA DA BANDA PARA AUDIÇÃO NA ÍNTEGRA, ABAIXO

 

 

 

COM SHOWS DE THE WHO, U2 E PJ HARVEY A PARTIR DE SETEMBRO, O BANANÃO TROPICAL PROMETE TER UM FINAL DE ANO UM POUCO MAIS ANIMADO

Yep. O Brasilzão está parecendo terra arrasada na seara política e econômica, a corrupção desmantelou o país, o golpista sujo de merda não quer arrancar sua bunda imunda da cadeira de presidente nem a pau e assim seguimos. Mas não é que, mesmo com toda essa desgraceira atormentando diariamente a vida da galera, ao menos no circuito pop/rock iremos ter alguma alegria nos meses finais deste ano? É que vêm aí (como todo mundo já está sabendo) algumas gigs que prometem ser fodásticas e imperdíveis, a partir de setembro. O blog explica por quê:

 

***THE WHO – toca em Sampa no dia 21 de setembro, na primeira noite do festival SP Trip. A abertura (com The Cult e a porra do tal After Bridge) nem importa. O que vale mesmo é poder conferir pela primeira vez (e talvez a única) por aqui uma gig daquela que talvez é a última e mega lendária banda da história do rock’n’roll que ainda não havia se apresentado no Brasil. E foda-se que, para os sectários, será uma gig com apenas “meio Who”, com Roger Daltrey nos vocais e o gênio Pete Townshend nas guitarras. A banda que acompanha a dupla é das melhores. E poderemos todos CHORAR ao escutar ao vivo clássicos inesquecíveis e imbatíveis que fazem parte de nossas vidas e histórias, como “My Generation”, “I Can’t Explain”, “Baba O’riley”, “Pinball Wizard”, “Who Are You”, “Substitute” etc. Absolutamente IM PER DÍ VEL!

 

***U2 – o velho e sempre competentíssimo no palco quarteto irlandês volta ao Brasil, na turnê que celebra os trinta anos do álbum “The Joshua Tree”, lançado em 1987. Pra quem nunca os viu ao vivo por aqui (estas linhas zappers já assistiram a banda on stage por duas vezes) é também um show quas imperdível, ainda mais que ele terá a abertura luxuosíssima de um certo Noel Gallagher. Vai ser dia 19 de outubro no estádio do Morumbi, em Sampalândia, claro!

 

***PJ Harvey – Estas linhas eternamente indie rockers AMAM Polly Jean Harvey. Sempre amamos, desde que ela se lançou ao mundo com “Dry” em 1992 (lá se vão 25 anos…). E ela segue como nossa deusa máster do rock inglês que importa de duas décadas e meia pra cá. Pelos discos fantásticos que ela lançou ao longo desses anos todos (como “To Bring You My Love”, de 1995, ou “White Chalk”, editado em 2007, ou ainda o fenomenal “Let England Shake”, que saiu em 2011), pelo show inesquecível que vimos dela em 2004 (no finado Free Jazz Festival) e por ela ser a linda magrela loka e desajustada que é. Zap’n’roll se casaria com essa mulher, rsrs. Então e finalmente PJ Harvey volta enfim pra cá, depois de 13 anos. Vai tocar num festival em Sampa dia 15 de novembro, no Memorial da América Latina. O local é ótimo, o festival nem tanto: muito espalhafatoso, muito imodesto para seu padrão mediano e como sempre com ingressos a preços extorsivos – incluso aí a detestável pista Premium, que sempre foi combatida pelo “prezado” jornalista que organiza a parada mas que acabou sendo incorporada ao evento para, quem sabe, deixar o bolso do pobreloader um pouco mais cheio – e o dos pobres fãs mais vazios. Mas rever PJ Harvey no palco valerá o sacrifício, acho. Se o blog conseguir assistir a gig da nossa amada deusa magrela e, antes, do Who em setembro, já nos daremos por satisfeitos nesse novamente sinistro 2017. Depois de ver novamente Polly Jean ao vivo, o Brasil pode acabar e explodir de vez.

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Linda, magra, loka, deusa do indie rock inglês que ainda importa: PJ Harvey finalmente de volta ao Brasil

 

MUSA ROCKER EDIÇÃO ESPECIAL – A GLORIOSA E IMBATÍVEL NUDEZ DA DEUSA JULLY DE LARGE, QUE VAI SER MAMÃE EM DUAS SEMANAS!

O blog a conheceu pessoalmente há quase uma década, quando ela tinha então apenas dezessete aninhos de pura e total tesudisse e gostosura. Mas desde aquela época já era uma garota total rocker e muito abusada: subiu ao palco de uma finada casa noturna do baixo Augusta (na realidade o local ainda existe, mas deixou de ser um clube de rock para oferecer open bar com som que varia de pop/rock até funk), durante um show da banda Daniel Belleza & Os Corações em Fúria, e sem pudor algum dançou exibindo seus peitaços. O jornalista eternamente rocker (e então ainda bastante loker) também estava presente no local naquela madrugada. Terminado o show do grupo, foi conversar com a garota. Nasceu ali uma amizade que perdura até hoje. Uma amizade tão carinhosa inclusive que ela chama o sujeito aqui de “tio Finatti”, hehehe.

Quase dez anos depois Jully DeLarge se tornou um dos nomes mais conhecidos da cena cult alt porn nacional. Já participou de centenas de ensaios, vídeos, filmes alternativos etc. Linda, gostosa, inteligente, toda tatuada e fã de rock’n’roll, ela sabe explorar como ninguém seu visual e suas potencialidades. E já fez vários ensaios para estas linhas rockers bloggers, além de ter feito performances em eventos promovidos por Zap’n’roll – como na festa de onze anos do blog, realizada em maio de 2014.

De lá pra cá Jully casou, descasou, mudou de Sampa e encontrou um novo amor lá em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife. Casou novamente e tão feliz está com o novo relacionamento que agora vai se tornar mãe: sua primeira filha, Luna Madalena, deve nascer até o final deste mês. De modos que não poderíamos render homenagem mais bacana à nossa eterna musa rocker number one do que mostrar os gloriosos NUDES de sua belíssima gravidez. Imagens que mostram que nossa gatona continuará sendo uma mãe libertária, libertina e total rock’n’roll, sempre!

Apreciem sem moderação! E se quiserem saber mais sobre essa deusa da cultura pop alternativa brazuca, basta ir nesses links: https://www.facebook.com/jullydelarge69, https://www.facebook.com/jully.delarge e https://www.instagram.com/vidalibertina/. Sendo que o ensaio completo das fotos que estão aqui pode ser visto em https://www.safada.tv/mae-nao-imaculada/.

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A nossa musa rocker suprema, Jully DeLarge: mostrando toda sua esplendorosa gravidez e também em imagem de três anos atrás (acima), durante sua performance na festa de aniversário dos onze anos de Zap’n’roll: uma gata tesuda e total libertária, sempre!

 

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FIM DE PAPO

Pronto! Postão atualizado e ampliado em pleno meião de feriadão, rsrs. Mas agora chega que a sextona de Finaski vai ser regada a vinho, marijuana e um xoxotão amigo, hihihi. De modos que logo menos voltamos aqui com um novo postão inédito, okays?

É isso então. Tchau pra quem fica!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por por Finatti em 16/6/2017 às 16hs.)

O gigante U2 quebra um jejum de meia década e coloca o mondo pop/rock em polvorosa com o inesperado lançamento de seu novo álbum, liberado de GRAÇA para meio bilhão de pessoas (e já disponível na web para outros tantos milhões); aproveitando o fato o blogão zapper resgata as impressões do show que os irlandeses fizeram em 2006, em Sampa; como foram o festival Porão Do Rock e mais uma festona do blog; o novo disco do Interpol, outra musa rocker tesão total (direto da capital do Mato Grosso Do Sul!) pra abalar os marmanjos, e o jornalista eternamente loker concorrendo ao PrêmioDynamite 2014, uhú! (plus GIGANTE com os shows gringos que irão rolar a partir de setembro em Sampa, com nova atualização em 19/9/2014)

Uma lenda gigante da história do rock causa tumulto planetário ao lançar seu novo disco de estúdio: o irlandês U2 (acima), volta à cena com “Songs Of Innocence”; já o pós-punk nova-iorquino Interpol (abaixo) também manda bem em seu novo disco, “El Pintor”

 

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UEPA! EXTRINHAS PRA ENGORDAR O POSTÃO NESTE FINDE – SEMANA QUE VEM TEM POSTÃO TOTAL RENOVADO, UIA!

 

* Yep. O postão como sempre tá indo bem, tá bombando em repercussão (tanto em likes como em comments), então bora deixar o mesmo no ar por mais alguns dias, hehe. Mas sempre de olho no que tá rolando pelo mondo pop/rock. E também pela área de comportamento, política e afins.

 

*Assim é que o Foo Fighters está confirmado para nova tour no Brasil, em janeiro de 2015 – pelamor, a coisa vai FERVER agora do final de setembro até março do ano que vem: Queens Of The Stone Age, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, Popload Gig (com Tame Impala, Beirut, Cat Power etc.), The Real State, o velho Echo & The Bunnymen, Paul McCartney, a banda do Dave Grohl e os velhíssimos e esperadíssimos Rolling Stones. Haja bolso… mas o blog nem vai novamente no FF não, sorry. Vimos eles em 2001 no Rock In Rio III (e ficamos SEM VOZ de tanto que berramos durante aquele show) e ano retrasado no Lollapalooza Brasil, naquela gig no Jockey Club SP que durou quase duas horas e meia, que foi sim muito legal mas que em determinado momento começou a cansar porque não acabava nunca. Enfim, pra quem nunca assistiu, vá se preparando. Vale a pena sim.

 Dave Grohl e os Foo Fighters: de volta ao Brasil em janeiro de 2015

 

 

 

* E foi uma semana (que está acabando néan, já que hoje é sextona em si, dia de começar os badalos pela night under da grande metrópole) bacanuda: caíram na web o novo disco do gênio e lenda Leonard Cohen (“Popular Problems”, que sai oficialmente nos Estados Unidos e Inglaterra na próxima segunda-feira) e o segundo álbum solo do vocalista dos Strokes, Julian Casablancas. O álbum do velho menestreal e poeta canadense o blog ainda está digerindo pra comentá-lo melhor por aqui. Já o cd do Julian… preeeeeguiiiiiça de ouvir…

 O cantor folk e poeta Leonard Cohen: disco novo aos 80 anos de idade!

 

 

 

* E miss Sharon Osbourne, eterna empresária e SARGENTO do velho gagá Ozzy, FZILOU o U2 esta semana em entrevista publicada na rock press gringa: “eles deram o disco novo de graça porque ninguém quer ouvir”. Uia!

 

 

* Agora isso aqui todo mundo vai querer ver (o blog inclusive, hehe): a festa “Sodoma & Gomorra”, que rola neste sábado (leia-se amanhã, dia 20) no Purgatorium 90 (lá na rua Augusta, 552, centrão rocker de Sampa). Além da discotecagem bacanuda anos 80’ e pós-punk e EBM, vão rolar performances eróticas tesudas. E uma das performers, aidivinhem, será a nossa eterna e amada musa rocker oficial, a lindaça e gostosíssima Jully DeLarge. Uhú! Nos vemos por lá!

 A super musa rocker oficial do blog, Jully DeLarge: uma das atrações deste sábado na festa “Sodoma & Gomorra”, em Sampa

 

 

* Pois entonces… tantas notícias lecais no mondo pop, néan. Pena que na área politica nunca é assim. E ficamos mega tristes e indignados ao nos darmos conta de que ontem (quintafeira), a polícia militar ASSASSINA do GRANDE BANDIDO E MERDA que é o (des) governador de São Paulo, sr. Geraldinho canalha Alckmin, matou um pobre camelô no centro da capital paulista, durante operação policial na região. E esse pulha ainda vai se reeleger nas próximas eleições. Inacreditável. E totalmente lamentável.

 

 

* Por hora é isso. O postão fica por aqui e será novamente “engordado” se algum fato contundente assim o exigir. Se não, semana que vem estamos na área com postão total inédito, okays? Até lá!

 

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Tumulto mega no mondo pop.

Foi o que aconteceu na última terça-feira, 9 de setembro, quando o gigante quarteto irlandês U2 lançou, de maneira espetacular, surpreendente e inesperada, seu novo álbum de estúdio, “Songs Of Innocence”. Foi durante a coletiva de imprensa que aconteceu em Cupertino (na Califórnia) e onde a Apple anunciou o lançamento do i-Phone 6. O “convidado de honra” da coletiva foi justamente a banda de Bono Vox, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen, que em parceria com a empresa de tecnologia anunciou que seu novo disco estava sendo disponibilizado naquele momento para cerca de quinhentos milhões de usuários da plataforma i-Tunes em todo o planeta. Ação espetaculosa e genial, sem dúvida alguma. De resto, como foi quase toda a trajetória do U2 até hoje. Você pode amar ou detestar a obra do quarteto pós-punk irlandês (Zap’n’roll ama boa parte da discografia deles, embora reconheça que o grupo não faz um trabalho realmente acachapante há mais de duas décadas), mas não pode ignorar a importância capital que eles tiveram e ainda têm dentro da história do rock’n’roll mundial. Isso é muito evidente quando nos lembramos que este conjunto legou para o rock’n’roll alguns trabalhos revolucionários em sua concepção sonora ou eivados de contestação político/social, como na estreia deles em “Boy” (de 1980), ou ainda em “War” (de 1983), “The Unforgettable Fire” (editado em 1984), “The Joshua Tree” (que saiu em 1987) e em “Achtung Baby” (lançado em 1991 e onde o grupo rompeu a barreira entre rock e eletrônica com maestria absoluta, assombrando o mundo com um compêndio de faixas densas e dançantes e que antecipariam muito do que viria na sequência na música pop pelas duas décadas seguintes e se tornando, talvez, o último grande sopro de genialidade absoluta de Bono e cia.). Fora que a existência rocker do autor destas linhas online está atrelada, em boa parte, aos discos e músicas do U2, conjunto que conhecemos por volta de 1982 (através da leitura de uma reportagem sobre eles na revista “Pipoca Moderna”, uma publicação mensal que estava muito à frente de seu tempo em termos de concepção editorial e que por isso mesmo não durou mais do que cinco edições), quando sequer haviam discos deles lançados no Brasil – o que só começou a acontecer três anos depois, em 1985, quando a gravadora Warner editou por aqui os álbuns “Unforgettable Fire” e “War” de uma tacada só. A essa altura o U2 já era gigante na Inglaterra, estava estourando nos Estados Unidos e começava a ser conhecido aqui também. E o jovem zapper, futuro jornalista musical, ex-integrante do movimento punk paulistano, quase universitário do curso de História, eternamente apaixonado por literatura, poesia, grande cinema, grande rock’n’roll e um eterno possuidor de espírito inquieto e contestador, caiu de amores pelos riffs disparados pela guitarra de The Edge, pelas melodias pós-punk e pelas letras altamente políticas escritas por Bono Vox. Os anos foram passando, a bande se tornou gigantesca, acabou vindo tocar no Brasil (em 1998, durante a turnê mundial do disco “Pop”), lançou trabalhos muito abaixo do seu potencial criativo na última década e meia, mas nunca perdeu a capacidade de causar tumulto entre os fãs e no circuito pop planetário. Exatamente como ocorreu esta semana, quando “Songs Of Innocence” chegou inesperadamente aos ouvidos de milhões de usuários da plataforma i-Tunes pelo mundo afora. Não importa se o disco é bom, ruim, se mantém ou não os irlandeses entre os grandes nomes do rock’n’roll – e se o disco é bom ou não você saberá (na opinião deste espaço virtual, vale exarar) lendo nossa análise sobre o mesmo. Mas, acima de tudo, o U2 ainda pertence a uma estirpe cada vez mais rara de grupos musicais: aquela de nomes que em algum momento de sua trajetória promoveram revolução, contestação, reflexão artística e comportamental e legaram de fato e de direito algo que realmente valeu a pena à cultura da humanidade. Grupos como o U2, já com quase quarenta anos de vida nas costas, estão se tornando uma raridade nos dias que correm. E a continuar assim, irão em breve desaparecer de vez. Por isso é melhor que quem ama de verdade o grande rock’n’roll torça para que Bono, The Edge, Adam e Larry Mullen ainda fiquem por aí por mais alguns anos, fazendo o que sabem fazer de melhor: música com arte e com relevância total para nossas vidas quase sempre totalmente cinzentas.

 

 

* Yes! Postão sendo concluído já na segunda-feira (leia-se: 15 de setembro) da nova semana. Então vamos ao que sucede no mondo pop/rock, néan?

 

 

Continuam abertas as votações para o Prêmio Dynamite de Música Independente 2014, sendo que a grande (e inesperada, vejam só) novidade deste ano é que o sujeito aqui está concorrendo na categoria Personalidade, uia! Então se você, dileto leitor zapper, quiser votar no Finaski, não se acanhe, oxe! Vá lá e deposite seu voto em nós que a firma agradece, hehe. Para votar, basta entrar no site e mandar brasa: http://www.premiodynamite.com.br/

 

 

* E o que sucede é que já foi dada a largada na boataria em torno do possível line up do festival Lollapalooza Brasil 2015, que vai acontecer em março do ano quem vem em Sampa. Os nomes que surgiram esta semana como prováveis atrações são o gênio Jack White e a lenda Robert Plant. Se vierem mesmo, vai valer a pena ficar com a língua de fora de tanto caminhar pelo autódromo de Interlagos.

 

 

* Já Julian Casablancas mandou avisar que os Strokes voltam a se reunir em janeiro próximo, para possivelmente começar a trabalhar em um futuro novo álbum de estúdio.

 

 

* Que Nick Cave é gênio, todo mundo sabe. Por isso, merecidamente, o australiano está na capa da NME desta semana (aí embaixo). Ele bem que poderia voltar por aqui (onde esteve uma única vez, em 1988). E para TOCAR e não apenas morar, rsrs.

 

 

* O festival Porão Do Rock 2014 rolou no último final de semana de agosto passado, em Brasília. E foi bacaníssimo, como sempre. Muitos shows empolgantes (o melhor deles, sem dúvida alguma, foi o encerramento consagrador dos Raimundos, já na madrugada alta de segunda-feira), alguns decepcionantes (como o dos Titãs) e bandas indies surpreendentes (como Zignal e Madrenegra), por mostrar competência e potência instrumental e melódica no palco. O festival, no final das contas, se mantém como um dos ótimos eventos do circuito alternativo brasileiro e a torcida do blog é para que ele dure ainda por muitos anos. Nas fotos aí embaixo (registradas por Patrícia Laroca e Tainara Rezende), um pouco do que foi o PDR deste ano.

 Pitty: gig competente para mostrar o novo disco, “Sete Vidas”

Raimundos: fecho consagrador no Porão, diante de 20 mil fãs

Max Cavalera desce a porrada no show do Cavalera Conspiracy

Encontro de gente do rock’n’roll no saguão do hotel em Brasília: Zap’n’roll, o batera Fred (ex-Raimundos) e a sempre charmosa Erika Martins

 

 

* Agora, incrível mesmo (uia!) foi mais uma festona zapper na loja Sensorial Discos, em São Paulo, na semana passada. A foto aí embaixo (com o jornalista blogger/maloker “cercado” por duas musas e xoxotaças do blog) já diz tudo, hihihi. Perdeu, playboy? Se fodeu, ahahahaha.

 Que DILIÇA!!! Zap’n’roll deita e rola em mais uma festona do blog, muito bem acompanhado pelas musas e gostosíssimas Madeleine Akyê e Jully DeLarge. Perdeu? Se fodeu, hihi

 

* E pra causar um tumulto MAIOR do que as festas promovidas por estas linhas online, só mesmo o gigante U2 ao lançar seu novo disco. Lê aí embaixo e veja por que.

 

 

O U2 RESSURGE E CAUSA TUMULTO NO MONDO ROCK COM SUAS CANÇÕES DA INOCÊNCIA

Foi surpreendente e compleamente inesperado (mais ou menos igual a quando o gênio David Bowie ressurgiu ano passado, no dia do seu aniversário, anunciando seu primeiro disco de músicas inéditas em uma década). Na última terça-feira, 9 de setembro, um evento na sede da empresa Apple em Cupertino (na California), anunciou o lançamento nos Estados Unidos do mais novo produto da marca, o i-Phone 6. E de repente, como “convidado especial” da festa de lançamento do ultra moderno aparelho de telefonia móvel, lá estava o gigante quarteto pós-punk irlandês U2. Também lançando de maneira impactante seu novo disco de estúdio, “Songs Of Innocence” (o décimo terceiro da trajetória do grupo), que foi imediatamente disponibilizado DE GRAÇA para todos que têm conta na plataforma musical do i-Tunes – cerca de quinhentas milhões de pessoas em todo o mundo. O álbum também foi parar na web (claro), em links de compartilhamento de música gratuita e no YouTube. E sua versão física deve chegar rapidamente às lojas, Brasil incluso.

 

Foi o assunto da semana no pop/rock planetário, óbvio. E independente da questão se o disco é ou não relevante em termos artísticos, o U2 foi esperto o suficiente pra garantir total visibilidade de mídia ao lançamento dele. Para isso firmou parceria com a Apple (de resto, velha parceira do conjunto em projetos passados): a empresa americana BANCOU a produção, gravação e lançamento da nova obra musical dos irlandeses (pagando uma grana bacanuda a eles) e, em troca, ganhou o direito de distribuir o cd aos clientes do i-Tunes. Jogada extraordinária de marketing, sem dúvida pois Bono e cia sabem (como todo mundo sabe) que não se vende mais música em plataforma física hoje em dia. Assim, nada melhor do que distribuir o dito cujo na faixa para (de saída) quinhentos milhões de ouvintes. Deve ter sido o maior lançamento de um disco e de uma banda até hoje.

O novo álbum do gigante U2: longe de ser uma obra-prima, mas ainda assim ok

 

Mas, e sobre o trabalho em si? O que dizer deste “Songs Of Innocence”? Primeiramente, que foi um álbum de gestação complicadíssima. Sem lançar nada de novo desde 2009 (quando editou o bom “No Line On The Horizon”), o quarteto de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. estava numa encruzilhada criativa sem precendentes. As gravações se arrastaram por meses a fio, ideias surgiram e foram descartadas e o vocalista do grupo chegou a declarar, em entrevistas recentes, que se sentia inseguro. “Será que ainda possuímos alguma relevância musical para os fãs?”, se questionou um Bono sempre humilde (a humildade sempre foi uma das grandes qualidades do U2, inclusive) e reflexivo.

 

As primeiras informações davam conta de que o cd seria lançado apenas em novembro deste ano. E surpreendendo a humanidade, ele foi colocado à disposição de todos esta semana. Pois então: se você quer uma obra-prima ao nível de “War”, “Unforgettable Fire” ou “Achtung Baby”, esqueça. Nem teria sentido o U2 tentar emular a si próprio e querer reeditar a estética composicional que permeou esses discos que já se tornaram clássicos da história do rock’n’roll. Ainda assim essas “Canções da Inocência” mostram um conjunto (cujos integrantes já passaram dos cinquenta anos de idade) preocupado em manter suas raízes musicais mas com um olhar no agora, no contemporâneo que os cerca. Para isso a turma convocou os serviços do moderníssimo e mega requisitado Danger Mouse, para pilotar a produção. E saiu do estúdio com um cd enxuto (onze faixas e pouco mais de quarenta e oito minutos de duração) onde o grupo presta vassalagem a ícones do punk como Joey Ramone e The Clash (uma das cinco bandas da vida do autor deste blog), além de tentar resgatar a simplicidade melódica dos primeiros anos de existência do grupo. Então, longe de ser uma obra-prima, o disco traz uma coleção de canções rockers e reflexivas bacanas, como “The Miracle (of Joey Ramone)” (o primeiro single de trabalho) e “California (There Is No End To Love)”. É bem verdade que o álbum se torna muito mais interessante em sua metade final, quando o ouvinte se depara com a intensidade de “Volcano” (e seu baixo poderosíssimo) ou a bucólica melancolia de “The Troubles”, além de encontrar, na nona faixa, o MELHOR momento de todo o cd. “Sleep Like A Baby Tonight” parece saída diretamente de 1983, de uma fusão única e improvável de New Order/Joy Division com o próprio U2: a ambiência synthpop que conduz a melodia, a guitarra em fuzz de The Edge no solo e os vocais em falsete de Bono transformam a música em um dos grandes momentos do rock em 2014. Pode ter certeza disso.

 

Não, não vai revolucionar o rock’n’roll a essa altura do campeonato. Mas “Songs Of Innocence” mantém o U2 com dignidade nessa parada quase escrota em que se transformou a música pop e o rock nos anos 2000’. E no final das contas, ninguém mais precisa de obras-primas pois elas já foram todas gravadas e estão aí pra quem quiser ouvir. Aos irlandeses cabe então apenas isso: nos lembrar sempre que eles foram os responsáveis por algumas dessas obras-primas. Já é mais do que suficiente.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DO U2

1.”The Miracle (of Joey Ramone)”

2.”Every Breaking Wave”

3.”California (There Is No End to Love)”

4.”Song for Someone”

5.”Iris (Hold Me Close)”

6.”Volcano”

7.”Raised by Wolves”

8.”Cedarwood Road”

9.”Sleep Like a Baby Tonight”

10.”This Is Where You Can Reach Me Now”

11.”The Troubles”

 

E “SONGS OF INNOCENCE” AÍ EMBAIXO

Para audição completa do disco.

 

 

E EM FEVEREIRO DE 2006 EM SAMPA, O GIGANTE IRLANDÊS FEZ UMA GIG INESQUECÍVEL

Yep. Demorou anos para o U2 vir pela primeira vez ao Brasil. A primeira turnê do grupo pelo país aconteceu apenas em 1998 (quando ele já existia há mais de duas décadas), durante a excursão mundial que promoveu o fraco álbum “Pop”. A banda fez então um show no Rio De Janeiro (no autódromo de Jacarepaguá) e dois em São Paulo (no estádio do Morumbi), todos em janeiro daquele ano.

 

Oito anos depois e a bordo da turnê “Vertigo”, o quarteto reapareceu em terras brazucas. E fez duas apresentações consagradoras novamente no estádio do Morumbi, na capital paulista. O blog, que na época era repórter de música do caderno de variedades do extinto jornal paulistano Gazeta Mercantil, acompanhou a segunda performance paulistana dos irlandeses. E registrou tudo aqui mesmo nestas linhas zappers (que na época, ainda era coluna e não blog).

 

O texto que você lê então, aí embaixo, foi publicado há oito anos (em fins de fevereiro de 2006). E o reproduzimos agora para que nosso jovem e dileto leitorado entenda a experiência única e inesquecível de assistir ao vivo um dos maiores nomes de toda a história do rock.

 

MORUMBI, SP/SP, 21/02/2006: A NOITE INESQUECÍVEL

Sim, sim, tudo já foi falado e repisado sobre os dois mega-shows que o U2 festa esta semana em São Paulo. O de segunda-feira foi mostrado ao Brasil inteiro pela tv Globo em transmissão, hã, ao vivo (nem tão ao vivo assim, já que os chamados “breaks” comerciais atrasavam a transmissão em alguns minutos). O estádio lotou, o povo vibrou, muitos torceram o nariz, dizendo que o quarteto se tornou mega banda milionária que não tem mais nada a dizer, e que o vocalista Bono está se tornando um rocker demagógico, populista e messiânico em níveis insuportáveis.

 

Ok. Mas muitos dos que dizem isso ou não estavam em nenhum dos dois concertos ou sequer se deram ao trabalho de assistir o mesmo pela tv.

 

E você, dileto leitor destas linhas virtuais semanais, pode acreditar nas palavras deste old and junky escriba rocker: o Morumbi beijou sim a lona na noite da última terça-feira. E o U2 fez, talvez, o show mais espetacular que este colunista já viu em seus mais de vinte anos de estrada, acompanhando eventos do tipo.

 

Em primeiro lugar, a relação deste colunista com a obra do conjunto irlandês é extremamente passional. Dezenas de canções da banda estiveram imiscuídas na vida de Zap’n’roll nas últimas duas décadas e meia, fazendo trilha sonora para momentos importantes, cruciais mesmo da existência deste colunista. Foi assim, por exemplo, que um arrepio percorreu todo o corpo do figura aqui quando a banda tocou “New Year’s Day”: como num flash back poderoso e instantâneo, vieram à cabeça imagens, recordações de quando o “digitador” desta bodega virtual era jovem e punk. De quando ele comprou seu exemplar – ainda em vinil! – do álbum “War”, de como ele se perguntava, em uma época em que ainda quase NINGUÉM conhecia U2: “será que um dia eles tocam por aqui?”. Pois é, vieram, já pela segunda vez, tocaram e encantaram quase 150 mil pessoas.

 

Segundo, vem cá: quantas bandas você conhece que possuem um repertório do calibre do U2? Quantas bandas conseguem se manter na ativa por tanto tempo, sempre procurando gravar bons discos, estar atenta ao que acontece na música pop, se renovando enfim? E, principalmente, quantas bandas, mesmo estando podres de rica e com seus integrantes com mais de 40 anos de idade, conseguem fazer de cada show um acontecimento como se fosse o último dia da vida dos integrantes deste conjunto?

 

Poucas, muito poucas, podem ter certeza disso. E o U2 é uma delas, sem favor algum ou concessão de qualquer espécie. Certo, não há como negar que Bono exagera na simpatia e na diplomacia (e quem esteve no Morumbi sacou isso perfeitamente) e que isso acarreta alguns momentos, digamos, indigestos (como quando ele citou o nome de Lula na segunda-feira, ou disse, na noite seguinte, que o cantor e dublê de ministro Gilberto Gil era “seu novo amigo”, e levou uma sonora vaia por conta disso) e que chegam a incomodar quem é mais cético, racional ou politicamente incorreto. Mas também não dá pra negar que, depois de vinte e cinco anos tocando pelo mundo afora, o grupo faz um show impecável, perfeito, poderoso e irrepreensível em todos os sentidos. Querem exemplos? O palco e sua estrutura de som e luzes avassaladora (o telão metálico circular ao fundo, com seus 25 metros de altura, era mesmo algo impressionante. E as projeções que acompanhavam as músicas, intercaladas com imagens da própria banda em ação, também). E a execução do repertório: incrível como a guitarra de The Edge consegue reproduzir quase que fielmente a timbragem das melodias gravadas em estúdio e como as canções soam como se tivessem sido compostas ontem e de repente parece que estamos todos bem no meio dos anos 80′. Sim, o U2 procura ficar atento ao que acontece na música pop atual. Mas, ao contrário de outras bandas, na hora de executar seu repertório ao vivo, Bono e cia. fazem questão de se manter fiéis ao que foi registrado em estúdio, sem querer modificar arranjos, estruturas, inventar ou criar novas versões para o que todo mundo conhece e quer mesmo é ouvir a música da forma como ela foi concebida originalmente. Nisso, a banda também é mestra.

Bono Vox e o baixista Adam Clayton levantam mais de 70 mil pessoas no estádio do Morumbi em Sampa, durante o show do U2 lá em fevereiro de 2006

 

 

E por tudo isso o show foi lindo e emocionante. O cachê do grupo é exorbitante? Sim. O preço do ingresso para vê-los também foi? Paciência. Em compensação, quem estava naquela noite de fogo e música inesquecíveis se deparou com um conjunto fantástico, de músicos simpáticos e amabilíssimos com seus fãs (sim, sim, Bono novamente chamou duas garotas para subir ao palco e dar a elas seus quinze minutos de fama, como vaticinou o célebre artista multimídia Andy Warhol há mais de três décadas), com um Bono emocionado e em grande forma e com uma seleção de músicas que marejaram os olhos de muita gente que estava ali (como este colunista, afinal). E mesmo quando tentava ser simpático em demasia, Bono ainda assim seduzia o público, com declarações do tipo “ontem, tocamos para o Brasil todo. Hoje, vamos fazer nossa festa particular” (em alusão à transmissão ao vivo da Globo ocorrida na noite anterior, e que não se repetiu na terça-feira). Ou seja, um esforço bacana de se comunicar com o público brasileiro em um português obviamente arrastado, mas bem além do que o mirrado e manjado “obrigado” que todo rock star repete mecanicamente quando aporta por estas plagas.

 

Sim, sim. houve a exibição no telão de trechos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, houve elogios ao governo Lula, houve um engajamento político e social incomum em shows de rock atuais. E também houve momentos de puro êxtase e deleite, como em “Miss Saravejo” (com milhares de luzinhas piscando entre o público presente ao estádio, em um espetáculo lindíssimo e inesquecível), em “One”, em “Vertigo” (a segunda música do set list nas duas noites, e que levou o público ao delírio) e até mesmo na fantástica “Zoo Station”, que abre o espetacular álbum “Achtung Baby” – onde estará Christiane F. neste exato instante, com seu olhar triste e sua face envelhecida?

 

Tiago Bolzan e Jairo Lavia, diletos amigos deste espaço rocker virtual e eventuais colaboradores da coluna, torceram o nariz para os shows do U2. Tanto um como outro acham que o quarteto já está rico e mainstream demais para defender causas humanitárias, como o perdão da dívida de parte do Terceiro Mundo e o combate à pobreza mundial. Também acham que Bono não é tão sincero quanto quer parecer ser.

 

Bom, Zap’n’roll pode ser ingênuo ou puro de sentimentos, vai saber. Mas estava no Morumbi na terça à noite. E pode testemunhar, com certeza absoluta, que Bono parece acreditar mesmo no que diz, faz e canta. Talvez seja isso que lhe dê a credibilidade necessária para não ser apenas mais um demagogo populista a infestar o mundo de aparências falsas do rock mundial. E de mais a mais, alguém já disse que o melhor meio de desmantelar o stablishment (“How To Dismantle An Stablishment”?) é infiltrar-se nele, minando-o por dentro. Talvez seja exatamente isso que o U2 esteja fazendo nos últimos vinte anos, quando se tornou uma das bandas mais ricas e queridas do planeta.

 

Talvez por ser como é, que o U2 fez no Brasil, na última terça-feira em São Paulo, um show inesquecível. Um fogo inesquecível, como o grande rock’n’roll deve ser. Um lindo show, como a noite clara e um céu salpicado de estrelas que brilhavam acima do estádio do Morumbi. Para guardar para sempre na memória e contar para os nossos filhos e netos.

 

 

E NO MORUMBI…

* A batalha para ir no show do U2 foi cruel e sangrenta, não apenas para os chamados “vips”, mas também para a imprensa em geral. Com os ingressos para os dois concertos do grupo tendo se evaporado em questão de horas, a produção brasileira do evento pouco se lixou para os profissionais que queriam cobrir as apresentações. Moral da história? A lista de pedidos de credenciamento foi sumariamente deletada pela assessoria de comunicação dos shows. Claaaaaaaro que alguns jornalistas são “mais” jornalistas do que os outros (na visão cretina da Universal Music, a gravadora do U2 no Brasil). E estes receberam convites para ir ao show, convites que foram comprados pela mencionada Universal. Pois é.

 

* Talvez por isso mesmo a sala de imprensa do Morumbi tenha estado muito pouco concorrida na segunda noite dos irlandeses em São Paulo. Municiada que estava por uma credencial poderosíssima (como ela foi conseguida a coluna conta logo abaixo) e que permitia circulação em qualquer lugar do estádio, Zap’n’roll esteve na sala de imprensa e constatou que ela estava bem equipada com terminais de internet, telefone etc. Mas jornalistas mesmo, que eram necessários…

 

* Como este colunista foi ao U2? Simples, simples: o autor destas linhas digitais também é, desde setembro de 2005, “frila fixo” do caderno cultural “Fim-de-Semana” do jornal paulistano diário Gazeta Mercantil. De circulação modesta, mas com um nome tradicionalíssimo e influente entre empresas dos mais diversos ramos de atividade (indústria, comércio etc), a Gazeta é extremamente bem relacionada com o grupo Pão-de-Açucar, um dos patrocinadores da turnê “Vertigo” no Brasil. Não deu outra: bastou um telefonema da editora do caderno cultural para a assessoria de imprensa do Pão-de-Açucar e pronto: não só o autor desta coluna, mas também uma outra simpática repórter do jornal foram imediatamente credenciados para o show de terça-feira. E o tratamento foi extra-vip: uma van levou os jornalistas convidados pelo supermercado até o estádio e lá ainda instalou os mesmos no comentadíssimo espaço “Pão emotion”, que custava para os pagantes mortais a bagatela de R$ 380 pilas por cabeça. Também pudera: por esse preço, quem estava lá podia se esbaldar em garrafas e garrafas do whisky irlandês Jamerson, em latas e latas de Flash Power e em garrafas e garrafas de champagne Chandon. Fora o animal buffet de frios, canapés e até “quentinhas” de luxo (compostas de arroz, farofa e filé mignon) e que eram servidas por atenciosos garçons.

A credencial zapper utilizada em 2006, para cobrir a gig do U2 em Sampa

 

* Claro que quem estava no “Pão emotion” queria mais era badalar e encher a pança e a lata do que propriamente assistir ao show. Afinal, que espírito rocker há em se assistir a uma apresentação do U2 comendo canapés e tomando Chandon? Foi pensando desta forma e ciente de que poderia circular pelo estádio inteiro com a tal credencial (que está reproduzida logo aí embaixo, para desespero, ódio e inveja mortais de uma turminha maldosa e covarde pertencente a uma certa comunidade do caidaço Orkut, e que espalhou a bilionésima mentira da dita comuna, ao dizer que a coluna não iria ao show), que Zap’n’roll se mandou rapidinho da reservadíssima área vip. Quer dizer, ficou lá o tempo suficiente para bater um papo rápido com o cantor e amigo Paulo Ricardo (yeah, o ex-RPM que abraçou a causa indie e que está lançando seu novo disco solo, via EMI), ver a chegada do dublê de ministro e cantor Gilberto Gil e também… para encher “o tanque” o quanto pôde (já que não era permitido sair do local com copos). Foi assim que, depois de “turbinado” por umas quatro taças de Chandon e mais umas duas doses saradas de Jameson, o colunista se mandou a milhão para a pista do estádio, para assistir a abertura do Franz Ferdinand.

 

* Encerrado o curto set dos escoceses (e cuja crítica você lê logo mais abaixo na coluna), o trêfego e acelerado colunista se mandou para a sala de imprensa, para despachar o relato da abertura para o site da Dynamite. Feito o serviço, voou novamente para o reservadíssimo “Pão emotion”, com a intenção óbvia de tomar “mais algumas” (sim, Zap’n’roll é um notório pé-de-cana e não esconde isso de ninguém). Pois mal chegou ao local e mandou goela abaixo mais duas taças de Chandon e o P.A. do estádio começou a despejar no público um trecho da lindaça “Wake Up”, do sensacional Arcade Fire – que os rockers brasileiros felizmente já tiveram a oportunidade de ver ao vivo, no Tim Festival do ano passado. Eram nove e meia da noite e era a senha: o U2 ia entrar no palco. O que fazer? O que era possível fazer: pedir mais um copaço de Jameson, desta vez com energético, para o atendente mais próximo, virá-lo quase de uma golada só e se mandar voando dali. Como todas as distâncias dentro do Morumbi são enooooormes, a coluna chegou correndo e com a língua de fora quase na frente do palco, quando o U2 já mandava “Vertigo” e o estádio ia abaixo. E dali (em uma das laterais dentro da área “hot”, bem na frente do palco) o colunista não saiu mais até o final do show dos irlandeses. Foi lindo e emocionante ver Bono, Adam e The Edge a menos de cinco metros de distância. Enquanto isso, os vips se compraziam em beber, comer e badalar a uns 100 metros do palco. Ou, como a coluna não se cansa de dizer: lugar de jornalista rocker é no meio do povão, suando a camisa. Já lugar de jornalista bunda-mole é no… orkut (ou nas redações com ar condicionado…)…

 

* Você não foi ao show? Nem assistiu pela Globo? Ainda resta sempre um consolo – no caso, a internet, claaaaaaaro. O concerto de segunda-feira já está inteiro na rede (o que é a tecnologia do século XXI…) e já toca a toda no computador da coluna. Que poderia, como o querido Luscious Ribeiro (o colunista pop superstar da “vizinha” Popload) costuma fazer, queimar um cdzinho e ofertar o “preparado” para os leitores de Zap’n’roll. Mas não dá, “tio” Pomba não deixa por considerar a prática, hã, ilegal. Portanto, podem caçar o show na net crianças, que ele está todinho por lá.

 

 

U2 – A CRÍTICA DO SHOW

Este texto já está publicado aqui mesmo na página de notícias do site, e também estará nesta sexta-feira no caderno cultural do jornal Gazeta Mercantil. Para quem ainda não leu, segue reproduzido abaixo:

 

O U2 se transformou em “Standard” da música pop mundial? A pregação “populista” e “messiânica” do vocalista Bono soa demagógica ao extremo? Depende do ponto de vista e de como pensam cada uma das 73 mil pessoas que foram ao estádio do Morumbi, na capital paulista, na última terça-feira, para assistir ao segundo e derradeiro mega show do quarteto irlandês no Brasil, dentro da turnê “Vertigo”, iniciada em 2005 para promover o mais recente álbum de estúdio do grupo, “How To Dismantle An Atomic Bomb”. Quem é politicamente incorreto, cético e desconfia totalmente de boas causas e boas intenções, venham elas de onde e quem vier, com certeza torceu o nariz totalmente para a apresentação do grupo. Quem ainda possui uma grande dose de ingenuidade e pureza de sentimentos, além de continuar acreditando que grandes canções podem mudar o mundo e o comportamento dos simples mortais e daqueles que governam os destinos da humanidade, simplesmente deve ter amado.
Independente de qual “facção” de pensamento você pertença, um fato é inquestionável: após mais de duas décadas tocando para multidões pelo mundo afora, o U2 se tornou um dos conjuntos mais profissionais e competentes que se pode assistir ao vivo. Seja na parte de efeitos visuais (o telão metálico e circular de alta definição ao fundo do palco, com cerca de 25 metros de altura, era mesmo algo assombroso) ou no quesito sonoro (além da definição impecável do sistema de som trazido pela banda, os quatro músicos estão afiadíssimos na execução das músicas), o grupo ofertou ao público, nas duas noites no Morumbi, o que ele quis: um desfile excepcional de hits que já grudaram no inconsciente das pessoas (“Vertigo”, “Beatiful Day”, “Elevation”, as ultra-políticas “New Year’s Day”, “Sunday Bloody Sunday”, “Miss Saravejo” e “(Pride) In The Name Of Love” e que a banda compôs em homenagem ao líder negro Martin Luther King, assassinado nos Estados Unidos nos anos sessenta, as passionais “Still Haven’t Found What I’m Looking For”, “With Or Without You” e “One”), além do exercício da diplomacia verbal sobre a união de todos os povos por um mundo melhor e contra a pobreza do mundo. Um discurso exercido com maestria pelo vocalista Bono, ainda que ele tenha cometido gafes como chamar o Ministro da Cultura Gilberto Gil de “seu novo amigo” (recebendo uma vaia modesta no ato), ou quando citou o nome da vizinha Argentina no momento em que o telão projetava a imagem de diversos países, enquanto a banda tocava “Where The Streets Have No Name”.
No mais, houve a exibição nos telões (além do “muro” no fundo do palco, haviam mais dois, no alto das caixas de som, que mostravam a banda com uma definição de imagem impressionante), em português, de alguns artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, Bono novamente puxou da platéia mais uma fã (que ficou ao seu lado na execução acústica de “Desire”, uma das novidades no repertório da segunda noite) e, ajudado por uma noite de céu limpo, temperatura agradável e uma platéia “ganha”, o U2 fez, definitivamente, um dos melhores – senão o melhor – concertos na história de shows de rock internacionais no Brasil.
Neste panorama, passou praticamente despercebida a abertura do grupo escocês Franz Ferdinand. Enérgico no palco, com ótimas canções e músicos que deram tudo de si na sua performance, a banda amargou uma quase indiferença total do público presente ao Morumbi. Uma pena, visto que o quarteto mostrou em 40 minutos ser de fato um dos melhores nomes do novo rock britânico.
Mas a noite era, mesmo, do U2. De quatro irlandeses cujo show ficará provavelmente gravado para sempre na memória de quem esteve no Morumbi, em São Paulo, na última segunda e terça-feira.

 

 

FRANZ FERDINAND – A ABERTURA IGNORADA

E como! Apesar de fazer um showzaço, o quarteto escocês amargou uma constrangedora indiferença da esmagadora maioria do público presente ao Morumbi, que estava mais preocupado em ver o U2 do que qualquer outra coisa. A crítica do show do FF, também já publicada na página de notícias do site, segue reproduzida logo abaixo:

 

O quarteto escocês Franz Ferdinand abriu pontualmente às oito da noite, a segunda noite do mega show do U2 em São Paulo. Visivelmente tensos, os integrantes da banda procuraram mostrar energia intensa no palco (e as músicas do grupo têm energia de sobra), apesar do som do PA estar baixíssimo e da fria recepção do público que já lota o estádio do Morumbi. Talvez por isso mesmo a banda liderada pelo vocalista e guitarrista Alex Kapranos já tenha lançado mão de alguns de seus hits mais conhecidos logo no início de seu set – quer dizer, conhecidos mesmo pelos fãs do FF, já que a maioria do estádio permanecia em silêncio e observando o show com atenção, tentando compreender o que se passava no palco e as nuances sonoras de um dos mais modernos (musical e esteticamente falando) conjuntos do rock britânico contemporâneo. Vieram “This Boy” (do segundo disco) e, numa seqüência matadora, “Walk Away” (que levantou um pouco o público), “Do You Want To” (essa sim agitou mais o “público Fm e MTV” presente ao estádio) e “Take Me Out”. O primeiro momento “isqueiro” da segunda noite aconteceu quando o quarteto tocou a bela e melancólica “Eleanor Put Your Boots On”, também do segundo disco. A essa altura, somente este repórter e a estudante de letras da USP, Natalie Dauer, ambos na frente do palco (na chamada “área hot”, onde foram sorteados cerca de 5 mil ingressos entre o público que chegava ao Morumbi) cantavam a letra a plenos pulmões, já que o restante da platéia desconhecia totalmente a canção. Ela, se dizendo fanática pelo Franz Ferdinand (e acompanhada do namorado Daniel Pavani, também estudante da USP e, segundo ele próprio, bem menos fã do quarteto) e conhecedora dos dois discos lançados pelo conjunto até o momento, dançou e cantou com entusiasmo até o final da apresentação deles, que durou 40 minutos e terminou às 21 horas.

Uma apresentação correta, esforçada e que ainda brindou quem conhece o trabalho do grupo com epifânias de ambigüidade sexual como “Michael” e “This Fire”, ambas arrasadoras ao vivo. Pena que não houve reciprocidade do povaréu presente ao Morumbi, mesmo quando Kapranos se mostrou simpático e arriscou as tradicionais palavras em português para se comunicar com o público. O que se depreende da abertura do Franz Ferdinand é que a banda ficou algo perdida em um mar de gente louca para ver a atração principal (não foram poucos os gritos de alguns incultos musicais, dizendo “chega”, “valeu”, “vai embora” ou “queremos U2”). Com certeza, se o grupo fizesse um show apenas seu em São Paulo (como no Rio), em um espaço fechado e bem menor, este show seria simplesmente fantástico.

 

 

E O SHOW DE 2006 DO U2 EM SAMPA AÍ EMBAIXO

No vídeo integral da transmissão da apresentação feita pela tv Globo, na primeira noite da banda na capital paulista.

 

 

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MUSA ROCKER BLOGGER – A MORENAÇA ANA LEMOS

Quem: Ana Cláudia Lemos.

 

Idade: 30 anos.

 

De: Campo Grande (MS).

 

Mora: lá também.

 

O que faz: trampa em um escritório de advocacia.

 

Três bandas: The Rolling Stones, The Who e Led Zeppelin.

 

Três discos: ela diz que é difícil escolher apenas três. Gulosa, prefere toda a discografia das bandas do seu coração.

 

Três livros: “Madame Bovary”, “Notas de um velho safado” (do gênio Bukowski, claaaaaro!) e “Assim falou Zaratustra”.

 

Três filmes: “Pulp Fiction”, “Sociedade dos Poetas Mortos” e “The Doors”.

 

O que o blog tem a dizer sobre a nossa musa rocker deste post: Zap’n’roll conheceu a morenaça Ana Cláudia em março de 2009, quando foi fazer dj set em uma festona rock’n’roll no Barfly, na capital do Mato Grosso do Sul. Ambos já se falavam pela internet (através do velho e quase finado Orkut), mas foram mesmo se ver frente a frente lá em Campão. E quando deu de cara com aquele delícia morena de seios fartos, coxas idem e cabelão o jornalista taradón ficou cheio de más intenções, ahahahaha. Mas o final daquela madrugada foi insano, com o então ainda very junkie blogueiro estando total chapado por álcool e devastação nasal, uia! Aninha acompanhou o rapaz até o hotel onde ele estava hospedado, ficou um pouco por lá e depois foi pra sua casa. Ambos se reencontraram na noite seguinte, no mesmo hotel (quando o sujeito já estava recuperado da enfiação grotesca de pé na lama da noite anterior), tiveram uma madrugada tórrida em todos os sentidos e hoje são grandes amigos. Ana Cláudia é do rock, sempre (ela adora classic rock). E o blog vai adorá-la pra sempre também!

 Ela é do rock! E também do blues e da cerveja!

 

Sensual e cheia de charme

 

Um sorriso rock’n’roll e um corpão moreno pronto pra ser desvendado; quem se habilita?

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: “El pintor” é o quinto álbum de estúdio do agora trio pós-punk nova-iorquino Interpol, que já existe há dezessete anos e que lançou seu primeiro disco (o “Turn On The Bright Lights”) em 2002. Desde então a banda passou por mudanças em seu line up (atualmente ela segue comandada pelo vocalista e agora baixista Paul Banks, além de ter Sam Fogarino na bateria e Daniel Kessler nas guitarras), chegou a tocar no Brasil e lançou discos medianos e irregulares, que  nunca mais atingiram o patamar qualitativo de sua estréia há doze anos. Nesse sentido o novo trabalho é o que mais empolga dentro da concepção e ambiência musical sombria que sempre caracterizou a sonoridade do Interpol. O cd já abre bem com o primeiro single de trabalho, “All The Rage Back Home”, e prossegue com canções que perscrutam a inadequação existencial e a inquietude da alma. É esse o tom da atmosfera de faixas como “My Desire”, “My Blue Supreme” ou “Tidal Wave”. Não é um discaço mas garante uma sobrevida ao conjunto. E isso já é um feito e tanto numa época onde bandas de rock desaparecem logo após o primeiro ou segundo álbum.

O novo álbum do Interpol: a banda continua ok

 

* Livro: “Bellini e o labirinto” é o quarto livro da série protagonizada pelo detetive noir criado pelo guitarrista dos Titãs, Tony Bellotto, há quase duas décadas. Se a banda paulistana já deu o que tinha que dar ao menos o músico acabou se revelando como um dos melhores escritores de ficção da literatura brasileira de vinte anos pra cá. O volume acaba de ir pras livrarias e vale uma conferida.

Capa da nova ficção escrita por Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs

 

* Filme: em época de poucos filmes interessantes em cartaz, dá pra assistir “Lucy”, dirigido pelo francês Luc Besson e com a deusa e xoxotaça Scarlett Johansson no papel principal.

 

* Baladonas: com o postão sendo concluído finalmente já no começo da nova semana (afinal hoje é segunda-feira, néan), vamos atualizando aqui ao longo da semana o que vai rolar nos próximos dias no circuito alternativo paulistano, okays? Mas o blog recomenda que o povo rocker já vá se preparando: na sextona em si, dia 19, vai ter showzaço dos Los Porongas na choperia do Sesc Pompeia. E logo depois, pela madrugada, open bar do inferno do site Zona Punk no clube Outs (lá no 486 da rua Augusta). Mais vamos postando aqui no decorrer da semana, certo? Isso aê então!

O quarteto acreano Los Porongas toca na próxima sexta-feira no Sesc Pompeia, em São Paulo

 

FIM DE PAPO

Yep. O postão finalmente chegou ao seu final, hehe. Sendo que ele poderá ser renovado (ou no mínimo, atualizado e ampliado) até a próxima sexta-feira. Mas por enquanto é isso. Nos vamos deixando um super abraço pro queridão CBlau Barsanulfo (é bom quando sabemos que temos amigos que nos prezam e que podemos contar com eles) e o maior beijo do Universo na garota mais incrível deste mesmo Universo, a honey Bunny do coração zapper, Tainara. Até logo menos, povo!

 

 

(atualizado, ampliado e finalizado por Finatti em 15/9/2014 às 4hs.)

Yeeeeesssss, agora vai! O blogão de cultura pop e rock alternativo mais legal da web brazuca e que NÃO se pauta apenas por bobagens do indie rock planetário entrevista com EXCLUSIVIDADE o gênio marginal Mário Bortolotto, o maior nome da atual dramaturgia underground nacional; o novo e bacanudo grupo Alvvays e o indie folk sensação de Sharon Van Eteen; mais uma musa rocker TESÃO TOTAL (a japa girl dos seus sonhos delirantes, hihi); e papos sobre Morrissey, Bailen Putos! e Leave Me Out (grunge Mineiro dos bons!), além de filmes e livros que tornam nossas vidas mais legais com certeza! (postão COMPLETÃO e BOMBATOR, com as indicações culturais e o roteiro de baladas alternativas pro finde em Sampa!) (NOVA atualização GIGANTE em 31/7/2014, falando da morte do humorista Fausto Fanti, da escalação do Circuito Banco do Brasil 2014, de mais um chifre tomado pelo xoxotaço Bruna Marquezini e da mudança do trio Branco Ou Tinto pra Sampa)

O mundo anda péssimo e o ser humano está se tornando total bestial; o que ameniza esse quadro desalentador ainda é a grande, intensa e arrebatadora arte de um escritor e dramaturgo como Mário Bortolotto (acima) ou de uma cantora folk como a americana Sharon Van Etten (abaixo), que lançou recentemente um disco sublime e já sério candidato a melhor álbum de 2014

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PLUS MONSTRO! COM POSTÃO TOTAL BOMBATOR ELE FICA NO AR MAIS UMA SEMANA, MAS COM ESSAS ATUALIZAÇÕES AÍ EMBAIXO

 

* Yeeeeesssss! Aos onze anos de existência o blogão zapper atinge sua melhor performance e o AUGE de acessos e audiência com este post. Pela primeira vez o painel do leitor rompeu a barreira das 100 mensagens enviadas e está, no momento em que esta atualização é escrita (na noite de quinta-feira), batendo em 200 likes em redes sociais. São números gigantes pra um blog independente e que nos enchem de orgulho, sem dúvida. E muito desse sucesso devemos a você, diletíssimo leitor que nos acompanha fielmente há tantos anos. Valeu!!!

 

 

*Mas nem tudo é alegria e satisfação, como sempre. Estas linhas online ficaram mega chocadas na noite de quarta-feira quando souberam da morte do humorista Fausto Fanti, que integrava a trupe do sensacional Hermes & Renato desde que o grupo havia sido criado, em 1998. H&R marcaram época na MTV com seu humor totalmente ácido, corrosivo, sagaz, cínico, repleto de ironia e absolutamente politicamente incorreto. Tudo o que está em falta no humorismo brasileiro atual, eivado de preconceito, conservadorismo e moralismo babaca, e com texto chulo e no limite da imbecilidade plena – estão aí tosquices em grau máximo como “Zorra Total” ou “A praça é nossa”, pra não desmentir a opinião do blog. Por isso estas linhas bloggers poppers eram total fãs do humorístico da MTV e de seus personagens inesquecíveis vividos por Fanti, como o apresentador Claudio Ricardo ou o palhaço Gozo. A turma estava em plena atividade e iria estrear nova temporada em 2015, no canal pago Fox. Mas a vida estava cinza pra Fausto, que sofria de depressão aguda (e mesmo dando tanta alegria e riso para seus fãs). Uma depressão que finalmente o fez se enforcar com um cinto, em seu apartamento em São Paulo, no final da tarde da última quarta-feira. Ele tinha trinta e cinco anos de idade. E nos deixou órfãos, com certeza. Vai na paz, camarada, e provoque muito riso e alegria no paraíso!

 Fausto Fanti (acima e abaixo interpretando o apresentador Claudio Ricardo, um dos mais hilários da trupe Hermes & Renato, que ficou célebre na MTV nos anos 2000′), que morreu na última quarta-feira em São Paulo: ele vai fazer falta ao humor brasileiro

 

 

* E foi divulgado o line up do Circuito Banco do Brasil 2014, néan. Em Sampa a balada rock’n’roll vai acontecer no dia 1 de novembro no Campo de Marte, com gigs do Kings Of Leon (de novo??? Argh!), do Paramore (não fede nem cheira) e do hoje caidaço MGMT. Também se apresentam os nacionais (e queridos amigos destas linhas online) Pitty e Skank que, no final das contas, perigam ser as melhores atrações da noitada. Os tickets pra esbórnia começam a ser vendidos a partir da próxima segunda-feira no site www.tudus.com.br. Ah sim: no Rio de Janeiro, o show rola no dia 8 de novembro.

 

 

* Também vai aparecer por aqui mas em outubro o Biffy Clyro, que está se tornando gigante na Inglaterra mas que fora de lá ninguém conhece nem dá muita bola. Shows no Rio dia 15 e em Sampa na noite seguinte.

 

 

* E okays: o mulherio vive dizendo que nós, machos, somos canalhas e que não prestamos. Mas aí um notícia na página F5 (de celebridades) da Folha online informa que a totosa Bruna Marquezine acaba de levar mais um chifre do namorado anarfa, o craque Neymar. Segundo o site, o jogador da selecinha brasileira e do Barcelona meteu rôla grossa na xotaça de uma jovem empresária cadeluda e putona de Fortaleza, e que se encontrou com Neymarzinho em Ibiza. Pois é, rsrs. Fica a questão: nós que somos canalhas ou elas é que são… vagabundas na cara larga? Uia!

 

 Bruna Marquezini é um BOCETÃO, mas só leva chifre do namorado canalha, o jogador e craque anarfa Neymar

 

* Uma das bandas mais legais da cena rock de Cuiabá (a capital do Mato Grosso e que já deu ao Brasil o grande Vanguart), o trio Branco Ou Tinto, está de malas prontas pra São Paulo, onde vai fixar residência a partir de outubro. O BOT (que é formado pelo vocalista e guitarrista Welliton Moraes, pelo baixista Thiago Araújo e pelo batera Tubarão) tem uma sonoridade rock potente, letras muito boas em português e já foi bem resenhado aqui mesmo tempos atrás, nestas linhas bloggers zappers. Se você ainda não conhece ou não ouviu nada deles, dá uma olhada no vídeo aí embaixo, da música “O amor caiu em desuso”, que tem levada pop radiofônica sensacional, melodia com guitarras fodonas e letra idem.

 

 

 

 

 

 

* E mais sobre o Branco Ou Tinto, vai aqui: https://www.facebook.com/brancooutinto?fref=ts.

 O trio cuiabano Branco Ou Tinto: de mudança pra Sampa em outubro

 

 

* E fechando a tampa do up grade neste já gigante postão: o finde promete ser hot em Sampalândia no circuito alternativo. Vai vendo: nesta sexta-feira, 1 de agosto em si, tem show de estreia de A carne é fraca, a nova banda do dramaturgo Mário Bortolotto e que promete “rock para garotos sem futuro e velhos de passado sujo” (o caso do sujeito aqui, hihi). A gig vai rolar no Vagão (rua Nestor Pestana, 237, no centrão junkie e total putaço de Sampalândia), e com bônus de mulherio PELADO durante o show, wow! Rola na madrugada, com entrada a quinze pilas.///Já no sabadão, dia 2 de agosto, continua o festival All Star Converse no Cine Joia, quando sobem ao palco o americano Dinosaur Jr. e os ótimos grupos da indie scene paulistana Single Parents e Churrasco Elétrico. Mas pra essa balada os tickets já elvis, infelizmente.

 

 

* E é isso. Agora chega de verdade, sendo que na semana que vem o blogão rocker mais BOMBATOR da web BR de cultura pop volta com tudo e com postão total inédito. Até lá!

 

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A BOCA MAIS SENSUAL DO ROCK APAGA VELINHAS HOJE!

Yes, estas linhas online não poderiam deixar de registrar a data de hoje, quando uma das figuras mais lendárias e ilustres de toda a história do rock’n’roll completa mais um ano de vida.

 

Ele canta à frente da MAIOR banda de rock de todos os tempos (e uma das cinco bandas da vida deste jornalista ainda mezzo loker) há mais de meio século. Yep, Finaski já quis beijar MICK JAGGER na boca em sua vida, e não tem problema algum em admitir isso. Quem não iria querer beijar a boca mais famosa e sensual do rock’n’roll um dia, se tivesse oportunidade, fosse homem ou mulher? Pois o autor deste blog quis: alimentava essa fantasia absurda e loka desde a adolescência (quando descobriu os Stones com o álbum “Black And Blue”, de 1976, e quando tínhamos uns 14 anos de idade e elegemos os Stones uma das bandas da nossa vida pra sempre). Os anos foram passando, o rapaz aqui se tornou jornalista, sonhava em ver um show deles (quase foi ver uma gig da banda em Nova York em 1989: descolou passagem de avião permutada, lugar pra ficar e NÃO foi, nem se lembra mais porque) e, quando isso finalmente aconteceu, em janeiro de 1995 (no estádio do Pacaembu, em São Paulo), o jornalista enlouqueceu no meio do set mas não o suficiente pra tentar subir no palco e tentar alcançar a boca de Mick “lábios de borracha” Jagger. O autor destas linhas rockers malokers, que então namorava com um BOCETAÇO crioulo (a Gretona, que tinha 20 aninhos na época, tetas gigantes e era uma foda monumental, que quando estava metendo e levando pinto em sua xotaça gemia no ouvindo zapper: “seu cavalo, seu cachorro! ME FODE, VAI!!!”), ainda era jovem, magro, morenão tesudo e naquela noite estava de calça preta e um colete de couro (sem camiseta por baixo), se contentou APENAS em abaixar as calças e a cueca por alguns segundos rápidos e dar uns tapas na própria bunda. Os Stones estavam tocando “Miss You” no palco naquele instante.

 

Então seguimos amando as Pedras Rolantes, até hoje. Esses caras já fizeram absolutamente TUDO o que uma banda poderia fazer em termos de gigante rock’n’roll. Lançaram discos que são verdadeiras obras-primas e fizeram shows inesquecíveis.

 

Por isso o blog só pode desejar ao Mick, que hoje completa 71 anos de idade: FELIZ ANIVERSÁRIO cara! E muito rock pela frente ainda, sendo que todos nós esperamos você e a banda toda em fevereiro de 2015 por aqui (Maracanã, aí vamos nós!).

Mick “lábios de borracha” Jagger: o blog já quis beijar essa bocona, rsrs

 

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O mundo bestial e a alma cinza.

A semana que está chegando ao fim (o postão está entrando no ar já na tarde de quinta-feira mas ainda não totalmente, sendo que ele será completado até a tarde do próximo sabadão em si) foi pródiga em reafirmar como o mundo está se tornando cada vez pior e o ser humano cada vez mais insensível, egoísta, escroto, materialista, despossuído de solidariedade ao próximo e algo verdadeiramente BESTIAL no final das contas. Foi (está sendo) a semana em que separatistas pró-Rússia abateram com um míssil um jato no céu da Ucrânia, provocando a morte de quase trezentos inocentes (entre eles, dezenas de cientistas e médicos que estavam indo para uma conferência na Ásia, sobre os avanços em relação à cura da Aids). E também a semana em que o GENOCIDA e COVARDE Estado de Israel continuou promovendo o massacre de palestinos na Faixa de Gaza – até o momento em que este editorial do blog está sendo escrito, já foram contabilizados mais de seicentos palestinos mortos, a maioria civis e com muitas mulheres e crianças entre as vítimas fatais. O que nos leva a perguntar, estupefatos: o ser humano se tornou isso mesmo, essa monstruosidade sem alma, sem coração e sem compaixão alguma por seus pares? Foi para ISSO que chegamos ao século XXI, o século da era ultra tecnológica e pós-moderna e que, com todos os seus avanços e engenhocas (celulares, tablets, redes hiper conectadas, os caralho), só está tornando a raça humana cada dia mais insensível, individualista, ressentida, rancorosa e solitária? E como se não bastasse esse panorama desalentador Zap’n’roll também teve (e continua tendo) uma nova crise de inadequação existencial, em grande parte desencadeada por questões de relacionamento com alguém que o blog está gostando muito mas que, mais uma vez, se mostra um relacionamento mega complicado por vários fatores. O amor é sim uma grande e sórdida droga, no final das contas. Ele pode ser sublime e redentor; mas também pode ser perverso e mortal. Entre uma opção e outra, entre os dois extremos a alma vai se tornando perenemente cinza como de resto a própria existência física também é, com breves instantes de parca felicidade. E apenas idiotas não percebem isso, o quanto a vida é cinzenta. O que traz alento a tudo isso é saber que ainda podemos alimentar nosso espírito e nosso intelecto com doses generosas de grande arte. A grande arte de um dramaturgo como Mário Bortolotto (que transita com intensidade, desenvoltura e paixão entre texto, palco, teatro, rock’n’roll, poesia, cinema e vida no final das contas), ou a grande e igualmente intensa arte de uma cantora como a americana Sharon Van Etten. Tanto ele (Mário) quanto ela (Sharon) estão analisados em suas obras nesse post que você começa a ler agora. Ambos sabem que a existência humana se tornou algo bestial. E ainda assim tentam combater essa bestialidade com sua arte em estado bruto e puro, belíssima, poética, intensa e à flor da pele. Se todos nós pudéssemos fazer o mesmo, viver, criar e RESPIRAR arte desta forma, talvez o mundo se tornasse bem menos bestial e nossas almas fossem bem menos cinzas do que são. Mas enquanto isso não é possível, vamos ao que está ao nosso alcance para tornar menos dura a vida do dileto leitor destas linhas virtuais: oferecer a vocês mais um post bacana do blog que ama eternamente a cultura pop e o nosso sagrado rock’n’roll.

 

 

* E enquanto o mundo desaba lá fora, aqui a situação não é nada melhor. As chuvas de inverno estão total insuficientes pra recuperar o Sistema Cantareira, que continua secando em seu agora “volume morto”. São Paulo vai virar sertão. E Geraldinho “merda suprema” Alckmin segue liderando a disputa para Governador do Estado. Lamentável…

 

 

* E o último postão do blogão campeão em cultura pop e rock alternativo foi total bombator, mais uma vez: 161 curtidas em redes sociais e 68 comentários no painel do leitor. A firma agradece, uia!

 

 

* Indo pra música: é mesmo admirável a HUMILDADE que sempre permeou a personalidade dos quatro integrantes do U2. Há cinco anos sem lançar novo álbum de estúdio (o último trabalho foi editado em 2009), o gigante quarteto irlandês andou revelvando em entrevistas recentes que chegou a se questionar qual seria a importância de um novo disco do grupo para os fãs e para o rock atual. “Sim, tivemos essa insegurança”, declarou o vocalista Bono. Superada essa “crise existencial”, a banda pretende que o novo disco chegue ao mundo em novembro próximo. Pois então: se todas as bandas de rock (principalmente as brasileiras) tivessem essa noção de reavaliação de suas trajetórias, com certeza estaríamos livres de muito lixo musical. Mas como sempre, falta humildade a quem mais precisa dela…

 U2, a lenda gigante do rock irlandês: crise de insegurança e disco novo no final deste ano

 

* Como o Merdallica, por exemplo. O baterista Lars Ulrich declarou ao semanário New Musical Express que Noel Gallagher, ex-Oasis e gênio da guitarra, inspirou o baterista da velhusca e cafona banda de thrash metal a largar o vício da cocaína. Poxa… o Merdallica também poderia aprender com Noel a ser uma banda de rock minimamente decente, em todos os sentidos.

 O genial Noel Gallagher, ex-guitarrista e líder do finado Oasis: servindo de inspiração para o batera do Merdallica parar de tecar cocaine, uia!

 

 

* E semana que vem tem o festival Converse Rubber Tracks Brasil, que rola em Sampa (no Cine Jóia) de 30 de julho a 3 de agosto. Desde a última quarta-feira os ingressos pro evento (que vai ter gigs de, entre outros, Dinosaur Jr., Chet Faker, Churrasco Elétrico e Single Parents) estão disponíveis, de GRAÇA, no site do mesmo. Para conseguir um par é entrar no dito cujo e se cadastrar, o que deve ser feito aqui: http://rubbertracks.converseallstar.com.br/.

 

 

* Última forma: esqueçam guys e desconsiderem a info acima. Os tickets pro evento já estão ESGOTADOS, uia!

 

 

* O blog continua sendo mega fã do XOXOTAÇO Lana Del Rey. Motivos pra isso não faltam. Além de ser linda, cantar pra caralho e de ter acabado de lançar um discaço (o sensacional “Ultraviolence”), nossa doce Laninha também é a sinceridade total, algo em falta na música pop há séculos já. Em recente entrevista a uma revista americana, ela não teve pudores em declarar: “dormi com muitos caras na indústria musical. E nenhum deles me ajudou a conseguir um contrato…”. Wow! (sorte do macho que conseguiu esporrar naquela boceta divina…)

 O bocetaço que todos nós amamos, miss Laninha Del Rey, assume em entrevista: levou muita rôla grossa em sua xoxotona, pra conseguir entrar na indústria musical

 

 

* E na capa dessa semana da NME está o nosso amado Manic Street Preachers. A banda merece, e como, pois continua lançando discaços como o recém-editado “Futurology”, que foi beeeeem resenhado no último postão zapper. Será que um dia veremos os Manics tocando por aqui???

 

 

* E tão bacana quanto o som do Manic Street Preachers é a obra teatral e rock’n’roll do dramaturgo Mário Bortolotto. Mas isso você confere aí embaixo, no bate-papo exclusivo que o blog teve com ele.

 

 

A VIDA DE MÁRIO BORTOLOTTO NÃO CABE NUM CHEVROLET

Ele pode ser considerado como uma espécie de Jack Kerouac ou Charles Bukowski (ou um mix de ambos os lendários e inesquecíveis autores da geração de escritores beats americanos, que dominaram a contra-cultura literária americana nas décadas de 50’ e 60’) destes eternos tristes trópicos culturais brazucas, onde teatro é sinônimo de palavrão para as massas e sucessos editoriais se resumem a biografias escandalosas de algum jogador de futebol ou astros de telenovelas, ou então a livros de auto-ajuda ou de padrecos cantores. Ainda assim o paranaense (de Londrina) Mário Bortolotto, cinquenta e um anos de idade e há quase vinte morando em São Paulo (na capital), segue produzindo intensamente e melhor do que isso, consegue VIVER de sua produção artística/cultural. Ele escreve peças de teatro (já foram encenadas mais de trinta), roteiros para minisséries de tv, dirige e atua. E suas obras já foram premiadas duas vezes em 2000’, quando recebeu da Associação Paulista dos Críticos de Arte um troféu pelo conjunto de sua obra, e também ganhou o Prêmio Shell de melhor autor pela peça “Nossa vida não vale um Chevrolet”.

 

E Mário é gente finíssima e do rock também. É o cantor e letrista à frente da banda de blues Saco De Ratos (que já lançou três discos), que volta e meia se apresenta em bares da região do baixo Augusta, no centrão de Sampalândia. Quer encontrá-lo e bater um papo com ele ou vê-lo em cena? Sem problema: nosso (quase) anti-herói literário está sempre participando de alguma peça (como autor, diretor ou ator) que está sendo encenada no bar/teatro Cemitério de Automóveis, do qual ele é um dos sócios proprietários, um pequeno porém aconchegante espaço cultural localizado na rua Frei Caneca, também no centro da capital paulista. Quando não está atuando Mário ainda assim fica por lá na boa, conversando com os amigos e sempre degustando uma boa taça de vinho ou uma dose de Jack Daniel’s.

 

Bortolotto até se tornou conhecido do grande público este ano, ao participar da minissérie “A Teia”, que foi levada ao ar pela Rede Globo tempos atrás. E tem uma trajetória de vida que inclui passagens dramáticas, como quando quase morreu no final de 2009, ao ser baleado durante um assalto a um bar onde ele bebia com amigos, na praça Roosevelt (naquela época, um dos locais mais sinistros pra se aventurar na madrugada paulistana e hoje totalmente revitalizado por artistas que frequentam a própria praça, e que também contaram com a justa e necessária ajuda do Poder Público). Mas felizmente ele sobreviveu e segue firme e forte para continuar brindando os fãs de cultura underground com seus textos sempre calcados em personagens marginais e que vivem mergulhados em álcool, drogas e inadequação existencial.

 

E é esse Mário Bortolotto, um artista total a ver com o pensamento editorial destas linhas zappers, que o blog entrevistou com prazer na semana passada. Foi um longo e bacaníssimo bate-papo realizado através do Facebook e cujos melhores momentos você confere aí embaixo.

 Mário Bortolotto encarna o papel do escritor Henry Chinaski em cena da peça “Mulheres”, adaptada do livro homônimo escrito por Charles Bukowski 

 

Zap’n’roll – Você se tornou um dos dramaturgos e escritores do chamado “teatro marginal” ou “alternativo” mais conhecidos do Brasil de alguns anos pra cá. Pra quem ainda não conhece sua obra, como você se define dentro da produção cultural nacional e como você resumiria sua trajetória até aqui?

 

Mário Bortolotto – Eu sou basicamente um bluesman, rockeiro e escritor que também escreve dramaturgia e que procura levar pra minha dramaturgia justamente o que eu mais gosto em literatura, blues e rock and roll. A minha trajetória é totalmente coerente com a vida que eu decidi ter e que pago o preço por isso. Uma trajetória sem qualquer espécie de concessão. Eu simplesmente decidi que só iria fazer o que acreditasse em minha vida e é o que venho fazendo.

 

Zap – Muito bom. E no seu caso específico, parece que todas essas formas de criação e manifestação artística (música, rock, blues, poesia, literatura, teatro etc.) se conectam super bem. Mas é sabido que é duro viver de arte no Brasil. E ainda mais quando se trata de um criador como você, disposto a não abrir concessões na sua obra. Então vem a questão: você consegue viver bem do que faz?

 

Mário – Como eu sabia que eu seria assim totalmente torto na vida, procurei me preparar para levar uma vida com um padrão baixo. E nesse padrão tenho conseguido fazer apenas o que gosto. Não tenho despesas altas, levo uma vida modesta, etc. Se eu começar a subir o meu padrão de vida, vou ter que ganhar mais pra sustentar esse padrão. Então procuro manter o padrão lá embaixo. Por exemplo, até há pouco tempo morava numa kitchenete abarrotada de livros e discos e fitas cassete. Mal conseguia andar lá dentro. Então entrei num financiamento pra comprar um apartamento maior, mas eu esperava vender logo a kitchenete pra quitar a maior parte da dívida do outro, mas tá sendo muito dificil vender, então tô me ferrando pra pagar as prestações do meu financiamento, o que vai contra os meus principios de contrair dividas. Nunca tive dívidas, justamente porque nunca sei como vou poder pagar. É uma situação nova pra mim, mas que devo resolver assim que conseguir vender a minha kitchenete. Então a minha resposta é: eu vivo bem sim, mas quase que franciscanamente. Não diria franciscanamente, porque tenho os meus luxos como comprar livros e discos e beber whisky. Mas eu consigo sustentar esses luxos com o meu trabalho. E eu trabalho muito. Mas é só no que eu gosto. Escolhi viver assim.

 

Zap – O que nos leva a outra questão: foi por isso, pra ter uma grana um pouco maior, que você aceitou fazer uma participação na minissérie “A Teia”, exibida recentemente pela Tv Globo? Aliás, como se deu o convite para você, um autor e escritor essencialmente underground, participar de uma produção Global?

 

Mário – De maneira nenhuma aceitei pelo dinheiro. Se fosse por esse motivo, já teria aceitado nas outras vezes que me convidaram. Na minha vida toda já recebi muitos convites para trabalhos, alguns com boa remuneração e outros com remuneração nenhuma. E eu só aceito quando eu gosto do trabalho. Se tiver dinheiro, eu vou achar ótimo. Não tenho nada contra ganhar dinheiro fazendo o que gosto. E no caso especifico da “Teia” eu recebi porque foi um trabalho profissa na Rede Globo. Mas eu só aceitei porque gostei do roteiro do Braulio Mantovani. Eles mandaram pra mim todos os capítulos. Eu li, gostei do personagem e aceitei. Já recusei muitos outros trabalhos que seriam muito bem remunerados. E já aceitei trabalhos sem remuneração nenhuma só porque gostei do roteiro. Acho isso muito simples. Mas não tenho nada contra fazer algo para a Globo ou qualquer outra emissora ou produção se eu achar bacana. Gostei do roteiro e fiquei feliz de ter feito. Gostei muito do resultado. Acho que ficou uma puta série bacana, bem dirigida e com uma puta trilha sonora com Stones, The Band, Police e o escambau. Nem esperava por tanto. Atualmente estou escrevendo um episódio pra uma série da HBO. É claro que vou receber por isso, mas é uma série que eu quero escrever sobre um assunto que eu sou a fim de escrever. Do mesmo jeito que eu acabei de dirigir uma peça no meu teatro onde eu ganho apenas porcentagem como todos os outros atores. Eu gosto de fazer o meu trabalho e nunca é pelo dinheiro. Eu me diverti fazendo “A Teia” na Globo e me diverti fazendo a minha peça ou cantando com a banda “Saco de Ratos”. A diferença é que quando eu fiz “A Teia” eu recebi um salário e consegui beber mais whisky e pagar algumas prestações a mais. Mas eu faria um roteiro daquele mesmo que não pagassem porra nenhuma, como eu faço uma porrada de outros trampos. Mas sendo a Globo, eles pagam. E pagam muito corretamente, diga-se de passagem.

 

Zap – Bem, a minha opinião pessoal é de que “A Teia” foi sim uma bola dentro da Globo, muito por alguns dos motivos que você já elencou na sua resposta (a trilha sonora da série era realmente fantástica), e mesmo com muita gente criticando apenas porque era algo produzido pela… Globo. Mas você chegou a receber algum tipo de crítica de algum amigo ou admirador da sua obra por ter aceito participar do seriado?

 

Mário – Claro que sim. Mas são pessoas desavisadas e por quem eu não tenho o menor respeito. Eles não conhecem a minha trajetória nem o meu jeito de pensar realmente e apenas presumem como eu deveria agir. Gosto de muitas séries de tv e costumava gostar de muitas novelas nos anos 80 tipo “Água viva”, “Dancin Days” , etc. A Globo fez ótimas séries nesse período também como “Ciranda Cirandinha”, “Plantão de Polícia”, “Carga Pesada”. Eu gostaria de ter feito qualquer um desses trabalhos. E parece que agora eles querem fazer outros trampos desse tipo, o que eu acho ótimo. E tem as séries das emissoras a cabo que cada dia ficam mais interessantes. O meu amigo Marcelo Montenegro está escrevendo muitos roteiros para essas séries. Vejo com muito otimismo um mercado bacana e com qualidade para a rapaziada trabalhar. E sempre que me convidarem pra trampar em algo que eu considere, vou aceitar, independente de qual veículo ela vai estar, seja tv, cinema ou teatro. Encaro tudo da mesma forma e com o mesmo profissionalismo, tenha dinheiro o não na parada. A minha vida inteira foi assim. Tem trampos que eu ganho muito bem e acho ótimo. E tem trampos que não ganho porra nenhuma e faço com a mesma disposição só por gostar do que tô fazendo. O trampo que fiz na “Teia” não desabona em nada minha trajetória. Muito pelo contrário, tenho o mó orgulho de ter feito.

 

Zap – Falando em cinema, você já teve roteiros seus levados à tela, como “Minha vida não cabe num Opala”. Mas ultimamente parece que você tem centrado fogo em adaptar peças ou escrever textos baseados nos escritores da geração beat americana, como Jack Kerouac ou Charles Bukowski (cuja encenação do livro “Mulheres”, assistida pelo blog, ficou sensacional). Você vai retomar algo pro cinema nos próximos meses ou vai continuar concentrado em encenar suas própria peças lá no seu teatro, o Cemitério de Automóveis?

O anti-herói da dramaturgia nacional canta à frente da banda de blues Saco De Ratos

 

 

Mário – Eu vou continuar fazendo tudo que pintar na minha vida se me interessar. Atualmente tô esperando pra começarem as filmagens da adaptação do meu texto “A Frente Fria que a chuva traz” pelo Neville D´Almeida e trabalhando no roteiro da adaptação de outra peça minha que é o “Uma pilha de pratos na cozinha”. Também vou escrever esse roteiro pra um episódio de uma série da HBO. Escrevo prefácios pra livros de amigos (sem ganhar porra nenhuma), Também escrevo e dirijo peças pro nosso teatro (meu e dos meus sócios) sem nenhuma certeza de que vou ganhar algo. Amanhã faremos a primeira leitura do texto “Patrimônio” do meu amigo e sócio Lucas Mayor que eu vou dirigir. Trabalho pra caralho. De vez em quando eu ganho, e na maioria das vezes não, mas costumo ficar muito feliz com minhas escolhas profissionais, sempre. E é isso que importa no final. E é isso que vai ficar. Daqui a alguns anos quero olhar pra trás, pra minha carreira profissional e dizer: “caramba, me orgulho de tudo que fiz”. É isso que importa pra mim.

 

Zap – Bacaníssimo. E um dos episódios mais marcantes da sua trajetória infelizmente nem está ligado à sua produção artística. Mas sim ao assalto que aconteceu em um bar na Praça Roosevelt (centro de São Paulo), em uma madrugada em dezembro de 2009. Você estava no local no momento do assalto e acabou levando três tiros de um dos assaltantes. Foi levado em coma pro hospital, quase morreu e felizmente sobreviveu. Hoje, passados cinco anos e olhando pra trás, que marcas e lições esse episódio deixou em você?

 

Mário – Não sentar de costas pra porta em mesa de bar, principalmente, rs. Na verdade, não trouxe lição nenhuma. Me trouxe sim uma dor no meu peito que não vai me abandonar até que eu morra de vez. No meu peito onde abriram e depois costuraram de volta dói sempre, às vezes me falta ar. O que aconteceu comigo poderia ter acontecido com qualquer um. Os caras entraram, barbarizaram e atiraram em mim. Foi isso. Eu tava muito bêbado, Já tinha matado uma garrafa de Jack [Daniel’s]. Entraram gritando e mandando todo mundo deitar no chão. Eu não tava a fim de encrenca, mas também não queria deitar. Aí um deles veio por trás e me deu uma puta coronhada na cabeça. Qualquer um teria desmaiado e ficaria tudo certo. Até hoje tem um lugar na minha cabeça que não nasce cabelo. A porrada foi muito forte. O que acontece é que eu sou um bosta de um cabeça dura. O cara me deu a porrada, eu levantei e falei: “Qual é, porra, tá louco?” e fui pra cima dele. Entenda que eu não tava bancando o herói como alguns chegaram a dizer. Eu não tava defendendo minhas amigas que foram agredidas. Eu sequer percebi que minhas amigas tinham sido agredidas. Eu não percebi porra nenhuma porque eu tava muito bêbado. Eu só percebi a porrada na minha cabeça. Então eu me levantei. Então eu não quero ser tirado de herói. Mas também não quero ser tirado de irresponsável que enfrenta um cara armado. Eu não reagi a um assalto. Eu reagi a uma agressão. Eu reagi instintivamente e com certeza instintivamente eu reagiria de novo. Essa não é uma reação calculada, pensada. Eu não sou herói e nem irresponsável. Então não ficou nenhuma lição. Tenho certeza que hoje em dia nas condições que eu estava, reagiria da mesma forma.

 

Zap – Entendi. E encerrando então: a praça Roosevelt era meio “sinistra” naquela época, estava bastante abandonada pelo poder público. E depois que aconteceu isso com você, houve toda uma movimentação para que a prefeitura de São Paulo revitalizasse o local o que de fato acabou acontecendo e hoje o espaço lá está completamente reformado, bem policiado e é um dos locais mais seguros pra se frequentar à noite ou mesmo de madrugada. Ou seja: na sua opinião, será que é preciso que ocorra quase uma tragédia com alguém conhecido para que o poder público se mexa e tome as providências necessárias para que eventos semelhantes não voltem a ocorrer?

 

Mário – Não foi exatamente o que aconteceu. A praça já estava em franca revitalização. Os grandes responsáveis pela revitalização da praça foram os grupos de teatro que foram pra lá e implantaram as suas sedes na praça, mais especifamente o Grupo “Satyros” que teve a coragem de ir pra lá quando o lugar era bastante inóspito e que enfrentaram a maior barra pesada e depois os Parlapatões. Eles são os grandes responsáveis pela revitalização da praça. Se não fossem esses dois grupos, a praça não seria o que é hoje. A rua movimentada, os teatros e bares funcionando traz vida pra noite e consequentemente torna a cidade mais segura. Eu só sofri a violencia que sofri justamente porque os bares já estavam fechados por causa dessa lei ridicula que é a Lei Psiu. Uma lei como essa numa metrópole como São Paulo é inaceitável. Se o teatro estivesse aberto e houvessem pessoas na rua, não teria acontecido o que aconteceu comigo. Os bandidos não teriam entrado no bar. Eles só entraram porque a porta estava abaixada e foi levantada para alguns fregueses entrarem. E quando eles entraram, os bandidos entraram na cola. É preciso que a vida boêmia não seja extinta, caso contrário não poderemos sair mais nas ruas de madrugada porque estaremos correndo o risco de ser assassinados. O maior problema hoje é essa evangelização a que estamos nos submetendo. Os evangélicos vão dominar o país e teremos todos que ficar recolhidos em casa. Noite funcionando, bares funcionando é saudável, caramba. Gera cultura, música ao vivo, performances, empregos. Eu lembro com saudades e nostalgia da noite de São Paulo nos anos 80 como era du caralho. Eu conto pros meus amigos que tinha uma livraria no Bexiga, na Rua Santo Antonio, que ficava aberta a madrugada toda e ninguém acredita. É muito foda. Então eu afirmo: para que eventos semelhantes ao que aconteceu comigo não voltem a ocorrer, é preciso que consigamos conter o avanço evangélico. É preciso que voltemos a ter liberdade. Bares abertos, todo mundo fumando, bebendo, se divertindo, assistindo filmes, shows de música, trocando idéias nas mesas dos bares, discutindo projetos, tramando revoluções, namorando, se divertindo e conseguindo pelo menos à noite ou de madrugada, sonhar com uma vida melhor, menos opressora e divertida. Se o sujeito se encontra tolhido na sua vida, infeliz e apenas vendo a sua vida se esvair sem sentido, é claro que em algum momento ele vai se revoltar e fazer alguma cagada. É preciso evitar isso.

 

* Mais sobre Mário Bortolotto, vai aqui: https://www.facebook.com/mario.bortolotto?fref=ts.

 

 

ALVVAYS E SHARON VAN ETTEN TORNAM NOSSA EXISTÊNCIA MENOS AMARGA

O mundo não anda fácil. O ser humano em geral, cada vez mais insensível e bestial, também não anda fácil – e tome aviões comerciais sendo abatidos por mísseis (matando quase trezentos inocentes), Isarel voltando a massacrar palestinos em Gaza etc. Pra piorar tudo de uma vez, o rock’n’roll igualmente não anda fácil. É cada vez mais difícil surgir uma banda ou artista novo que chame a atenção e valha realmente a pena pela QUALIDADE do que gravou. Assim é que quando nos deparamos com uma banda como o canandense Alvvays (assim mesmo, grafado com dois “v”) ou com uma cantora folk como a americana Sharon Van Etten, temos que dar graças aos céus. E acalentar nossos ouvidos escutando muuuuuito o som de ambos.

 

O quinteto Alvvays era desconhecido destas linhas rockers bloggers até a semana passada. Quem nos alertou para a existência dele foi o velho chapa Cristiano Viteck, amigão de anos do blog zapper e blogueiro e apresentador de um programa de rock em uma emissora FM no interior do Paraná, o “Garagem 95”. Sempre antenadíssimo com tudo o que rola no rock alternativo planetário, Cris avisou ao jornalista Finaski pelo Facebook há alguns dias: “fica de olho no Alvvays. Eles acabam de lançar o primeiro disco, que está sendo muito elogiado pela Rolling Stone americana e por sites como o Pitchfork. E o som deles remete a dream pop e shoegazer, bem como você gosta”. De fato: formado em Toronto em 2011, o Alvvays é integrado por duas garotas (a vocalista e guitarrista Molly Rankin e a tecladista Kerri MacLellan) e três marmanjos (Alec O’Hanley também nas guitarras, Brian Murphy no baixo e Phil MacIsaac na bateria). À primeira audição o som deles remete totalmente à algo entre Belle & Sebastian e The Pains Of Being Pure At Heart. As melodias são doces, fofinhas, cativantes, os vocais de Molly idem e há toda uma ambiência shoegazer anos 90’ perpassando a maioria das faixas do disco de estreia homônimo do grupo, e que foi lançado oficialmente na última segunda-feira. Com um detalhe: são apenas nove músicas em enxutos e certeiros trinta e três minutos de rock – uma raridade nos dias de hoje onde conjuntos gravam cds de quase uma hora (ou mais) com repertório que é sempre quase puro lixo. O que nem de longe é o caso do Alvvays que já mostra logo em seu primeiro lançamento alguns momentos preciosos como em “Adult Diversion” (o primeiro single do disco, já com vídeo rodando no YouTube), “Party Police” ou “Red Planet”. Este espaço rocker virtual se encantou pelo trabalho da banda (que de fato recebeu ótimas cotações na Rolling Stone americana, na NME e no AllMusic) e torce para que ela continue assim no futuro.

O quinteto indie shoegazer canadense Alvvays (acima) e o novo disco da cantora folk americana Sharon Van Etten (capa abaixo): o rock alternativo dos anos 2000″ ainda tem salvação!

 

 

 

O mesmo encantamento que se apoderou do autor destas linhas virtuais quando ele foi ouvir “Are We There”, quarto álbum de estúdio da cantora e compositora folk americana Sharon Van Etten. O disco na verdade saiu em maio último mas está começando a bombar entre público, sites e blogs somente agora. E como nunca é tarde para se comentar sobre ótimos trabalhos, Zap’n’roll não se importa nem um pouco de falar dele apenas neste post. Sharon nasceu em Nova York e tem trinta e três anos de idade. Mas começou sua carreira musical há apenas cinco, em 2009. E talvez esteja chegando ao ápice com este belíssimo novo trabalho. Ela possui a inflexão vocal ao mesmo tempo potente e delicada. As canções, todas altamente reflexivas, inebriantes, bucólicas e com melodias eivadas de melancolia plena, transportam o ouvinte para um mundo onde habitam inquietude da alma e do coração, inadequação existencial e dores provocadas por desalentos amorosos. Como se não bastasse essa torrente de faixas que afaga com mega ternura nosso lado emocional, Van Eteen ainda é uma excelente instrumentista que toca com desenvoltura violões, guitarras e pianos. Secundada por um numeroso naipe de músicos convidados, a garota emociona total quem ouve canções avassaladoras como “Afraid Of Nothing”, “Our Love”, “Break Me”, “Your Love Is Killing Me” (título arrebatador para uma música idem) ou “I Know”. Não à toa, no caso dela, a rock press também ficou de joelhos diante do cd, com a Rolling Stone americana e o site Pitchfork se desmanchando em elogios a ele. É um dos discos campeões de audição na house de Zap’n’roll há semanas. E já tem o voto do blog para estar na lista dos melhores lançamentos de 2014.

 

Yep, o rock alternativo mundial ainda tem salvação nestes tristes anos 2000’. Alvvays e Sharon Van Etten estão aí para mostrar isso. Pena que esteja cada dia mais impossível garimpar essa salvação através de artistas como os dois citados neste tópico.

 

* Mais sobre o Alvvays, vai aqui: https://www.facebook.com/ALVVAYS?fref=ts.

 

* E mais sobre Sharon Van Etten, vai aqui: https://www.facebook.com/SharonVanEttenMusic?fref=ts.

 

 

O TRACK LIST DO CD DE ESTREIA DO ALVVAYS

1.Adult Diversion

2.Archie, Marry Me

3.Ones Who Love You

4.Next of Kin

5.Party Police

6.The Agency Group

7.Dives

8.Atop a Cake

9.Red Planet

 

 

E ALVVAYS E SHARON AÍ EMBAIXO

Em dois vídeos: com o quinteto canadense tocando o single “Adult Diversion” e no link do YouTube onde você pode escutar na íntegra o novo álbum da cantora folk americana.

 

 

 

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MUSA ROCKER DA SEMANA – UMA SUPER JAPA GIRL DELÍCIA CREMOSA TOTAL, WOW!

Nome: Madeleine Akye.

 

Idade: 32 aninhos delicious.

 

De onde: Osasco, na Grande São Paulo.

 

Filmes: “Blade Runner – o caçador de androides”, “Áta-me”, “A bela da tarde”, “Dançando no escuro” e “Pulp Fiction”.

 

Livro: “A insustentável leveza do ser”.

 

Bandas: The Smiths, The Cure, Mutantes.

 

Discos: “Is This It?” (a hoje clássica estreia dos Strokes) e “Ok Computer” (a obra-prima do Radiohead).

 

O que o blog tem a dizer sobre ela: além de linda, tesão total e gatíssima, Madeleine é um furacão em termos de agito e de formação intelectual e cultural. Estas linhas online a conheceram há pouco tempo (por intermédio da nossa mui amada amiga e também lindaça cientista política, miss Josiane Butignon) e agora o blogger rocker e a japa girl são amigos inseparáveis. Também, como não se encantar por uma garota que estudou artes cênicas, já cantou em banda de rock, já foi repórter de site e que ainda saca muuuuito de moda?

 

Essa é a nossa musa desta semana. E que está (atenção garotos mui bem intencionados, hihi) solteiríssima. E Madeleine será uma das atrações da Noite Zap’n’roll, que rola em 30 de agosto na Sensorial Discos, em São Paulo, quando ela irá fazer performance erótica abusadíssima ao lado de outro monumento feminino ao tesão nosso de cada dia, a nossa também eterna musa rocker Jully DeLarge.

 

Mas enquanto esse festão não chega, a marmanjada pode se deliciar com essas imagens incríveis da nossa japa idem, clicadas pelo expert Nickk Fotógrafo. Babem crianças, babem!

 Vem, e me DEVORA!

 

Boneca de porcelana ameaçando deixar escapar um dos seios pelas mãos

 

Ultra sexy girl esperando apenas para dar o bote

 

E o encontro das DEUSAS: a japa troca carinhos com a também deliciosa Jully DeLarge

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Discos: A estreia do quinteto canadense Alvvays, o novo de Sharon Van Etten e também o novo do nosso eternamente amado Morrissey. Yep, Moz é Moz: as letras podem ter perdido um pouco a densidade poética de anos atrás e o disco exagera pelo número de faixas (dezoito, na versão de luxo). Mas musicalmente talvez seja o trabalho mais consistente dos últimos anos do ex-vocalista dos inesquecíveis Smiths.

 

*Livros: “Indiscotíveis” (lançamento da novata editora Lote 42) reuniu um time de jornalistas, músicos e produtores que se dispuseram a analisar catorze dos mais importantes discos da história da música brasileira, em diversos segmentos (rock, mpb, reggae, rap, funk etc.). A seleção das obras incluídas no volume pode ter sido algo completamente subjetivo (e foi, claro) mas ainda assim o livro organizado por Itaici Brunetti lançar um olhar textual bacaníssimo sobre discos clássicos como “Cabeça Dinossauro” (dos Titãs), “Acabou Chorare” (dos Novos Baianos), “Afrociberdelia” (de Chico Science & Nação Zumbi), entre outros. Pra ler ouvindo (se possível) os trabalhos ali comentados.

 

* Banda: direto de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, vem o som potente do quinteto Leave Me Out (formado pelo vocalista Bruce Camilo, pelos guitarristas Victor Hugo e Raphael Maldonado, pelo baixista Bob e pelo baterista Danilo Caju). Eles já rodaram bastante por festivais independentes pelo Brasil afora, tem um bom disco lançado há pouco (o “Endless Maze”) e o som do conjunto é poderoso e remete total a Soundgarden e Alice In Chains, dos tempos gloriosos do grunge de show do quinteto mês passado em um mini-festival em Uberlândia e realmente ficou impressionado com a dinâmica sonora deles em cima do palco. Assim, fica aí a dica pra quem quiser conhecer a turma, sendo que mais sobre o Leave Me Out você encontra aqui: https://www.facebook.com/bandaleavemeout/timeline.

 O Leave Me Out: grunge das Minas Gerais

 

* Baladenhas friorentas: e não? Estamos no inverno e anda um frio delicious em Sampalândia. Bom pra ficar em casa embaixo do edredon mas também muito bom pra ir pra rua curtir a night. E como hoje já é sextona em sim (quando esse post está sendo concluído), a pedida é ir ver o pocket show do grupo Alarde lá na sempre ótima Sensorial Discos (na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de Sampa). Depois ainda dá pra emendar curtindo a noitada rocker na Blitz Haus (também na Augusta, mas no 657) ou no sempre bombado Astronete (no 335 da mesma Augusta).///Sabadon? Tem especial rock nacional anos 80’ no Inferno (no 501 da Augusta) e o open bar literalmente do INFERNO no Outs (no 486 da, ufa!, Augusta), onde só os fortes sobrevivem no final da madrugada, uia! Então é isso: veste aquela jaqueta ou capote bacanão e se joga, porra!

 

 

SAINDO A BIO DO IAN CURTIS

Yeeeeesssss! E ele vai para:

 

* Camila Souza, do Rio De Janeiro/RJ.

 

Mas ainda tem promos por aqui, não perca a esperança! Vai lá no hfinatti@gmail.com que continuam em disputa:

 

* UM PAR DE INGRESSOS pro show do The Mission, dia 20 de agosto em São Paulo;

 

* E mais DOIS INGRESSOS pro show do Peter Murphy dia 13 de setembro, também em Sampa. Certo? Mande sua mensagem e boa sorte!

 

 

E AGORA É FIM MESMO!

O postão ficou lindão (modéstia à puta que pariu) e já dá pro nosso dileto leitorado se divertir com ele até a semana que vem. Então paramos por aqui, deixando um beijo apaixonado pra Tainara Rezende e outros no coração da Renata Paes Dias e de todos nossos amados leitores. Até mais!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 31/7/2014 às 20:00hs.)

Haleluia: O blogão zapper finalmente volta ao ataque! E volta cuspindo lava contra a atual cena independente de merda brazuca. Mais: o fodaço festival Rockers Noise com Telescopes e Gallon Drunk. Os retornos desnecessários de Bloc Party e Darkness, o som fodástico do Luneta Mágica (mais uma incrível descoberta zapper, uia!), por que as xoxotas das negras fodem melhor, livros e dvds de rock bacanas etc, etc, etc (mega versão ampliada e finalizada em 20/8/2012)

O gigante mega U2: um dos maiores nomes de toda a história do rock vive dando exemplo de humildade e zero de arrogância, assim como os acrianos Los Porongas (ambos, acima); a mesma humildade que falta hoje a “gênios” de nossa cena indie de merda. “Gênios” como Hélio Flanders (abaixo, vocalista do Vanguart) e a alguns integrantes do grupo paulistano O Quarto Negro (também abaixo)

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UP TO DATE, JÁ NA MADRUGA DE SEGUNDA-FEIRA

* Yeeeeesssss! Postaço lindóno no ar e aqui em cima, bem no começo dele, algumas notinhas derradeiras pra você ler e começar bem a semana, uia!

 

* Suede praticamente confirmado no Planeta Terra 2012. Junto com Garbage e Best Coast, vai fazer o festival pegar fogo. Agora sim tá valendo ir ao Jockey Club no mês que vem.

A bichaça Brett Anderson e o Suede, reis eternos do britpop: a caminho do Brasil

 

* E dear Luscious Ribeiro marca gol de placa (uia!) ao anunciar que a musa Feist vai tocar no Cine Jóia nos dias 22 e 23 de outubro próximo. Feist é linda, canta horrores e seu mais recente álbum, “Metals”, é de chorar de tão lindo. Nessa gig até Zap’n’roll vai querer participar da sua promo de ingressos na Popload, hihi.

Ela é linda, canta pra carajo e se apresenta no Cine Jóia em outubro. Feist é tudibom!

 

* Bien, todo mundo já sabe: as Pussy Riot foram mesmo condenadas na Rússia. A solução é agilizar campanhas pra pressionar o governo russo a libertar a garotas. Putin, seu grande merda e ditador: você tá precisando é levar rôla grossa e dura no cu pra deixar de ser tirano.

 

* Vídeos bacanas recebidos (via YouTube, óbvio) pelo blog há pouco, do brother Tanner Gondim. O primeiro mostra uma devastação nasal (uuuuuiaaaaa!) arrasadora. Atentem pras taturanas que os sujeitos esticam, com CAPAS de disco de vinil, rsrs. O outro vídeo mostra cenas do saudoso Espaço Retrô, a lenda maior da cena alternativa paulistana, lá em 1996 – dezesseis anos atrás… parece que foi ontem… Quantas cafungadas em cocaine ótima e quantas trepadas com xoxotas em brasa o autor deste blog deu naqueles banheiros podres, rsrs. Sendo que no vídeo apaece o querido DJ Toninho (que já foi pro céu, infelizmente, há alguns anos), e o mega amigos zappers Julio Chileno e Rodrigo Kargan, músico atuante até hoje na indie scene paulistana. Pra ver (ou rever) e derramar uma lágrima de saudade.

Devastação nasal mortal, wow!

 

O saudoso Espaço Retrô em Sampa, em 1996: a melhor casa rock alternativa que a capital paulista já teve

 

* É isso? É isso. Mas logo menos tem mais aqui, na próxima sexta-feira. Até lá!

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Hollas! Ó nóis aqui traveis!
Rsrs. Essa proposital saudação grafada em péssimo português é pura zoação, claro. Mas demonstra a felicidade pelo fato de estas linhas rockers bloggers estarem de volta, após quase um mês de “recesso” forçado. A vida é dura, dileto leitorado. Não é mole, não. E se torna ainda mais difícil e complicada quando descobrimos que, nos dias que correm, não dá  mais pra viver (e, em alguns casos como o do autor destas linhas virtuais, também trabalhar) sem um PC de mesa ou notebook e uma conexão com internet dentro de casa. Foi o que rolou com Zap’n’roll nas últimas três semanas: um componente da placa mãe do HP/Compaq (que tem menos de dois anos de uso) corrompeu e pronto: lá se foi o “bebê” Compaq novamente pro “hospital”, atrapalhando (fodendo seria o termo mais exato) a vida do jornalista rocker que escreve semanalmente não apenas um dos blogs de cultura pop e rock alternativo mais acessados da web brasileira hoje, mas também diversos outros textos para outros veículos – entre eles, o portal cultural ligado a uma das maiores editoras e rede de mega livrarias do país. E claro que nesses quase vinte dias de ausência zapper, o mundo continou rodando a mil lá fora. E nós procuramos ir acompanhando essa movimentação da forma que nos era possível. Mas na real e mais uma vez este já tiozão jornalista musical chega mais uma vez àquela inexorável conclusão: a de que éramos, talvez, mais felizes quando não havia internet e computadores conectados em rede no mundo. Não sentíamos falta do que não tínhamos. E quando queríamos informação de qualidade e necessária, íamos heroicamente atrás dela (em jornais e revistas importadas, livros idem, discos, filmes etc.). Hoje está tudo mais fácil, tudo mais à mão e no entanto as pessoas nunca foram tão ignorantes, reacionárias, preconceituosas, moralistas e conservadoras. E se você fica três semanas sem internet na SUA casa, sua vida parece se transformar num caos monstruoso e você parece estar vivendo em outro planeta. Mas enfim, cá estamos novamente. O postaço de hoje vai ser realmente hot, falando da grande merda que é a atual cena rock independente nacional. E também de muitos outros assuntos que o leitor zapper só encontra aqui mesmo (cultura pop, rock alternativo, putarias, loucuras variadas), no blog que há uma década se mantém como o mais legal e polêmico da blogosfera brazuca dedicada à cultura pop.

 

* E começando, só pra constar: o livro que vai compilar as melhores colunas já publicadas aqui, já tem título definido: vai se chamar “Zap’n’roll – sexo, drogas, loucuras e rock’n’roll no blog do jornalista musical mais junky da imprensa brasileira”. Bacana, hein! O livrinho/livrão deve sair até o início de 2013, vamos verrrrr…

 

* Si, si, infelizmente não vai ter SWU esse ano, no? Infelizmente porque foi o melhor festival que rolou por aqui em 2011. Mas o Terra está ficando bem animado, ainda mais com a possibilidade de o grande Suede (bichas lokas rockers em polvorosa agora, uhú!) estar no line up, o que vai se confirmado (ou não) a qualquer momento pela organização do festival. Fora o Lollapalooza BR 2013, que já tem o Pearl Jam como um dos headliners e que vai ter também provavelmente o Cure, como estas linhas online estão comentando há séculos. Então não há tanto motivo pra choro, afinal de contas.

 

* De chorar mesmo foi o encerramento MUSICAL das Olimpíadas, no? A inglesada como de hábito deu show e teve de tudo – Spice Girls, Freddie Mecury em aparição virtual, Blur e até uma emocionante versão do mega clássico “Wonderwall”, do Oasis, tocada pelo Beady Eye de Liam. Tudo lindo, tudo muito bonito até que entrou em cena a vergonha alheia brasileira, nos oito minutos em que o país teve para mostrar sua, hã, Cultura (já que a próxima Olimpíada é no Rio, em 2016). Foi de chorar novamente (e, desta vez, de vergonha e raiva): batucada de Escola de Samba, Marisa Monte (essa mulher está cada vez mais insuportável) e o picareta mor, Seu Jorge. O horror brazuca de sempre, enfim.

 Miss Marisa aos montes: vergonha alheia brasileira no encerramento das Olimpíadas

* Agora, impossível agüentar a megolamania prog/rock/”muderna” do Muse, que já foi uma banda muito lecal. Hoje…

 

* Pois então, há gente já “veterana” que ainda surpreende, néan? Caso dos suecos do Hives, que lançaram seu novo disco (“Lex Hives”) em junho passado e ninguém deu muita bola pro dito cujo. Ok, o blog também ainda não ouviu o álbum (apenas o quinto da banda, em quase duas décadas de existência), mas tá curtindo muito o primeiro single, “Go Right Ahead”, cujo vídeo tá aí embaixo:

 

* E muito mais rock’n’roll do que a esmagadora maioria da podre e pobre cena rock indie BR atual, é a cantora Céu. Yep, isso mesmo: com uma carreira que já dura sete anos e três discos, a paulistana trintona (e muito gostosona) impressiona pela qualidade de seu trabalho musical. O disco mais recente dela é “Caravana Sereia Bloom”, que saiu no início deste ano e que possui músicas densas, poéticas, climáticas e fantásticas como “Retrovisor”, cujo clip tá aí embaixo pra quem ainda não viu (será possível?).

 

* O mulherio atual da música brasileira anda mandando muito bem, na verdade. Muito mais do que essa cuecada tosca, imbecil e burra que não sabe tocar, não sabe compor, não sabe escrever boas letras, não sabe cantar e, ainda por cima, se acha – hahahahaha. O blog é mesmo fã da Céu e também da Tiê, da Vanessa da Mata, Tulipa Ruiz (ela é sensacional!), da Karina Bhur e até da rainha paraense do tecno-brega, a Gabi Amarantos, que tem muito mais personalidade do que essas bandinhas indies escrotas que pululam pelo Brasil afora. Por tudo isso a nova categoria do VMB 2012, “melhor artista feminina”, é mais do que bem-vinda.

 A rainha paraense do tecno-brega, Gabi Amarantos: até ela tem mais personalidade musical do que as bandinhas de merda do indie rock BR atual

 

* Falando em MTV, boatos dão conta de que o canal musical da Abril está para ser vendido e poderá ser extinto no Brasil. Será? Será???

 

* AS XOXOTAÇAS NEGRAS SÃO SEMPRE AS MELHORES NA HORA DA TREPADA – continuando com mais uma das queridas séries (rsrs) destas linhas rockers cafajestes e canalhas, a das “memórias afetivas e SEXUAIS de Finas”, hoje vamos, talvez, ser acusados de “preconceito racial” às avessas. Yep, porque as branquelas e loiras que nos perdoem, mas sempre o jornalista taradón e fodedor sempre preferiu muito mais foder com negras. Óbvio, também existem mulheres brancas que trepam horrores (e o autor destas linhas ordinárias já teve várias assim na cama). Mas as crioulas realmente é que sabem fazer a parada na hora da foda. Fora que aquele cheiro forte e delicioso de boceta preta melada de tesão, sempre deixa Zap’n’roll  louco na hora de lamber e chupar o grelo inchado das moçoilas. Entonces, quantas black girls o blog teve em sua vida? Oito? Dez? Todas foram fodásticas. Como Thaís, que dava o cu de ladinho enquanto batia uma escandalosa e safada siririca, até gozar gritando como uma cadela parindo. Ou Ângela, que também adorava ser socada no cu. Ou ainda Greta (que tinha tetas gigantes e deliciosas), ou Andréia (que fazia Geografia na Usp e não chegou a dar, mas chupou e punhetou com maestria o pinto zapper), Olimaris, Abigaiu (que além de dar o cu de frente ainda sentava na vara e fazia a “gangorra” ou “sobe-e-desce” como ninguém, isso depois de meter a napa em uma bem fornida carreira de cocaine, uia!), Paulinha (outra devotada fã da rola enterrada em seu cu até os bagos baterem na bunda, hihi), Graça (que era realmente uma gracinha) etc, etc. Enfim todas grandes garotas, cultas, inteligentes, lindas (como o último e mais recente affair do jornalista branquelo), que trazem ótimas recordações e que sempre deram show de bola na hora da fodelança putanhesca. O blog fala com conhecimento de causa: as negras são as melhores na cama. Por isso, a todas as ex-black girls do jornalista fanático por pretas, fica esta homenagem, além do carinho e admiração eternos por elas terem sido amantes, rolos ou namoradas tão espetaculares! Beijos em todas vocês, estejam onde e com quem estiverem!

As negras são as melhores, sempre! Só elas fodem como ninguém, só elas engolem porra até arrotar a mesma, só elas possuem um rabaço fenomenal como esse aí em cima (e ainda por cima, “decorado” com um filete de leite quente e grosso, uia!). O macho (cado) que discordar, é porque NUNCA fodeu uma xoxota preta de verdade e com gosto

 

* E sai hoje à tarde, sextona em si (o postão zapper está sendo escrito na madrugada de quinta pra sexta-feira, e com um certo  “luxo” hoje, hihi: enquanto batuca nas teclas do note, o blogger fã dos prazeres etílicos vai sorvendo generosas doses de whisky com água de côco, uia! Ou como diz o bordão perpetrado pelo amado André Pomba: “somos pobres, porém finas!”), a sentença das Pussy Riot, lá em Moscou. Até o braço brasileiro das bocetudas Femen protestou em solidariedade ao trio riot girrrl russo. Pois que elas sejam soltas JÁ! Liberdade para as xoxotas punks guerrilheiras! E Putin, seu grande ditador disfarçado de “democrata”, vai tomar no cu!

As punks russas do Pussy Riot: liberdade JÁ pra elas! 

 

* Falando em sentenças e julgamentos, a parada tá esquentando em Brasília, no STF. O relator do processo do Mensalão, o negão Joaquim Barbosa, começou a pedir a condenação dos réus. Vamos ver se desta vez alguns tubarões da política brasileira e pilantras desde sempre, vão finalmente parar na cadeia.

 

* Enquanto isso não acontece, o blog faz sua parte. Como? Falando algumas verdades sobre a nossa escrota cena rock independente atual, como você vai ler agora aí embaixo.

 

 

ZAP’N’ROLL X INDIE SCENE BR: A GUERRA ESTÁ MAIS DO QUE DECLARADA!
O fato de estas linhas rockers online terem ficado em “recesso” forçado durante as últimas três semanas teve seu lado positivo e bastante reflexivo, afinal. Este tópico que foi sendo escrito na madrugada da última segunda para terça-feira (mais especificamente às três e meia da matina, enquanto a tv estava ligada no “Na Brasa” da MTV, sem áudio para não atrapalhar a concentração textual do sujeito aqui), quando o querido “bebê HP/compaq” finalmente retornou ao seu lar, talvez seja o ataque e a porrada mais virulenta que este blog já desferiu contra quase a maioria daquilo que hoje é conhecido como o rock independente brasileiro. E este ataque/porrada tem zilhões de motivos para estar sendo publicado no post que marca o retorno destas linhas zappers.

 

Não é de hoje que Zap’n’roll anda irritadíssima com a indie scene nacional atual. Como já foi dito aqui mesmo várias vezes, a democratização do acesso à tecnologia (via instrumentos e equipamentos eletrônicos mais baratos) e à informação (via internet, óbvio) foi ótimo por um lado (permitiu que muitos artistas e músicos em potencial, que antes não tinham como entrar no circuito musical e mostrar sua arte ao público, passassem a ter esse direito de maneira equânime aos que ainda trafegam no pra lá de moribundo “mainstram” musical) e péssimo por outro: criou uma autêntica monstruosidade que hoje atende pelo nome de cena musical independente nacional. Uma monstruosidade porque, devido às facilidades encontradas para a gravação e divulgação (via web, sites, blogs, portais, YouTube e os caralho) da música, hoje qualquer Zé ruela se acha artista, músico e, muitas vezes, gênio mesmo (e sem a mínima condição ou senso auto-crítico que permita ao sujeito ver, por si próprio, que ele está longe da genialidade que julga possuir). Vai daí que, cotidianamente, a internet é bombardeada por milhares de novas bandas, artistas solo e os links de suas “obras” musicais “magistrais” – que de magistrais não têm absolutamente nada, tamanha a vergonha musical alheia que trazem e propagam na maioria dos casos. E quem sofre com isso, óbvio, são jornalistas como o sujeito aqui ou produtores como o decano, conhecido e respeitadíssimo Luiz Calanca (proprietário há mais de três décadas da já lendária loja de discos e selo Baratos Afins). Ambos, jornalista e produtor, sofrem todos os dias o mesmíssimo problema: são trocentas bandas enviando links atrás de links por todo os caminhos possíveis (e-mail, Twitter, Faceboquete) e implorando (sim, não há exagero aqui, elas imploram mesmo) por um pouco de atenção e divulgação ao seu trabalho. De resto, uma atitude legítma dos artistas (correr atrás de divulgação para o seu trabalho junto a produtores e jornalistas). Mas como já bem observou Calanca tempos atrás, em bate-papo de fim-de-tarde com o autor destas linhas virtuais lá na Baratos (um dos melhores prazeres que um amante de música pode ter é passar um final de dia conversando um pouco com o Luizinho em sua loja na Galeria do Rock, no centrão de Sampa; a informação jorra farta e as risadas são garantidas), “se eu for ouvir tudo o que me enviam pela internet todo santo dia, não faço mais nada na vida”.

 

O blogão zapper começou a dar razão a Calanca quando também começou a ser bombardeado, anos atrás, com links e mais links de bandas querendo divulgar seus trabalhos. E num primeiro momento tentou ser paciente o suficiente para ouvir PRATICAMENTE TUDO o que era enviado ao blog, embora faltasse tempo hábil pra essas audições e a QUALIDADE do material enviado fosse HORRENDA em quase 90% dos casos. Esta estatística, por si só, já seria suficiente para fazer este jornalista dar um foda-se para esse povo todo mas ele continuou procurando divulgar a cena e ser simpático e respeitoso com o trabalho das bandas (ah, o zapper e seu notório coração mole…), por pior que fosse este trabalho, além de se tornar, em muitos casos, “amigo” destas bandas – e com isso, ignorar uma das principais lições deixadas pelo mestre do jornalismo musical americano, o gênio (esse sim, gênio autêntico e imortal) Lester Bangs: a de que jornalistas musicais JAMAIS devem se tornar AMIGOS de artistas. “O artista tem que ser encarado como INIMIGO”, dizia Bangs. E ele estava coberto de razão.

O Agridoce, de Pitty e Martim: ambos também já foram mais humildes. E,
pra piorar, ainda trabalham com um produtor “meia pedra” e neurado, que ameaça jornalistas de agressão sem mais nem menos

 

E o autor deste blog começou a entender que Bangs estava certíssimo em sua “lição” quando começou a observar outras características que hoje estão, mais do que nunca, enraizadas até o talo na porca cena rocker independente brazuca. Uma dessas características: a de que essa corja de músicos de décima categoria quer mordomia e tudo “de grátis” em sua tentativa de chegar a um pseudo e cada vez mais abstrato (nos dias de hoje) “estrelato”. Explicando melhor: estas linhas rockers bloggers se tornaram já, há meses, um dos espaços dedicados à cultura pop e ao rock alternativo mais acessados da blogosfera nacional (cerca de 70 mil visitas/mês, média de vinte e cinco comentários por post e mais de cinqüenta recomendações em redes sociais por postagem). Com esses números em mãos Zap’n’roll lançou uma campanha para vender publicidade no blog, e também ganhar algum dinheiro com ele, algo igualmente justo e legítmo. Ofereceu então banners às suas bandas “amigas”, aquelas mesmas que viviam (e ainda vivem) enchendo literalmente o saco zapper em troca de divulgação para suas músicas. O que aconteceu depois de quase três meses de tentativas de fazer esta parceria comercial/publicitária com os artistas? As mais estapafúrdias respostas negativas que o dileto leitor possa imaginar. Ou as mais clichês, também: “estamos sem dinheiro nenhum! Gravamos num estúdio caríssimo (wow!) e também produzimos um clip com um diretor fodíssimo, que custou a maior grana!” (novamente: wow!!!).

 

Felizmente o autor deste espaço online não depende do blog pra viver, senão já teria morrido de inanição. Mas o fato de ter recebido as respostas que recebeu diante da oferta de publicidade feita às bandas, só demonstrou o MENOSPREZO que a maioria delas possui pelo veículo midiático online que elas tanto enchem por divulgação. Quer dizer: enchem enquanto vêem nele a possibilidade de divulgação gratuita ao seu trabalho. Falou em GASTAR algum dindim de forma honesta e comercial na parada (em forma de anúncio), todos saem correndo e o menosprezo se instala.

 

Tudo isso somado levou o blog à seguinte conclusão (santa inocência, Batman!): não existe mesmo AMIZADE nesse mundinho indiecente que graça hoje no Brasil. O que existe é apenas e tão somente o bom e velho interesse. Como Zap’n’roll NÃO precisa desse povo (mas eles sim precisam do blog), decidimos levar finalmente em consideração a lição master do mestre Lester Bangs: a partir deste post o blog é INIMIGO de quase a totalidade das bandas da indie scene brazuca atual. Elas podem continuar enviando seus links e buscar sua justa divulgação aqui, através do e-mail do autor destas linhas online e que todos já estão carecas de saber qual é (hfinatti@gmail.com). Quando o blog achar algo realmente interessante, será comentado aqui, não se preocupem.

 

Agora, tudo o que foi escrito aqui neste tópico, até o momento, é apenas uma parte da história. A outra, final e pior ainda, se refere à insuportável arrogância e prepotência desse povo todo, algo que estas linhas zappers também vêm observando há tempos na nossa paupérrima (artisticamente falando) cena independente. Observação corrobarada nas últimas semanas por fatos algo desagradáveis e que envolveram o sujeito aqui e músicos que gravitam nessa cena medíocre – sendo que o autor deste espaço rocker blogger sempre DETESTOU gente arrogante. E continua detestando. Há cerca de quinze dias o blog foi até o StudioSP da Vila Madalena, para prestigiar o show do grupo Quarto Negro, que estava lançando naquela noite seu muito bom álbum “Desconocidos”. Tudo muito bom, tudo muito bem não fosse o fato de que havia ali muita gente que integra ou puxa o saco da Ong Fora do Eixo (uma das PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS pelo nivelamento ao rés do chão da qualidade, ou falta dela, que se observa nas bandas nacionais atuais). Foi o suficiente para começar os ataques e “tirações de sarro” em cima do autor deste blog, que semanas antes havia metralhado os FDE durante a entrega do Prêmio Dyanmite de Música Independente, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Pois então: a temperatura foi subindo no Studio SP e o zapper que já estava ficando “mamadão” de whisky e brejas e que é notoriamente conhecido por não ser nada simpático quando está nesse estado etílico, perdeu de vez a paciência quando ouviu alguém falando, entre risos: “esse crítico de merda…”. Foi a conta pro blog dar seu contra-ataque (e assume que na atitude que tomou naquele instante foi mega ofensivo, grosseiro e agressivo com seus desafetos): ele simplesmente pegou uma cópia em vinil do disco do Quarto Negro que tinha acabado de ganhar do produtor Bruno Montalvão (que produzia a festa naquela noite e foi um lorde com estas linhas virtuais) e a atirou ao chão, pisando em cima da mesma em seguida. Sim, uma atitude destemperada do zapper barril de pólvora, mas que teve sua razão de ser. Tão destemperada e mais arrogante foi a reação dos integrantes da banda (agora formada também por membros de grupos como Pública e Bicicletas de Atalaia), que passaram a ofender ostensivamente o sujeito aqui. Curioso que um dos músicos que mais partiu para agredir moralmente este jornalista foi justamente o grande MALA Léo Mattos, integrante do tal Biclicletas de Atalaia. Mala porque ninguém mais do que ele encheu o saco de Zap’n’roll para que déssemos espaço editorial para a sua banda. Foi um final de noite tenso e mega desagradável e o blog apenas lamenta pelo Montalvas, sempre um querido por este espaço online e que ficou vivamente (e com razão) chateado com o ocorrido. De resto o show do Quarto Negro foi muito bom porque a banda é muito boa. Infelizmente a prepotência e a arrogância de alguns de seus músicos, que se acham “gênios” (sem serem) e que têm uma certa condição financeira, hã, confortável (por que será que, via de regra, quem possui estofo monetário se julga no direito de humilhar e menosprezar seus pares?), empalidece o bom trabalho musical do grupo.

 

Episódio semelhante rolou também na semana passada na casa noturna Beco, no baixo Augusta, quando o blog foi procurar ouvir ao vivo as canções do projeto “Agridoce”, integrado pela Srta. Pitty e por seu guitarrista, Martim. O autor deste blog sempre teve simpatia pela dupla e achava que essa simpatia era recíproca da parte deles. Não foi o que se viu por lá: todos tratando Zap’n’roll com uma prepotência de dar inveja a George Michael. Pior foi quando, após o show, o guitarrista Martim tocou Raconteurs em sua DJ set: o blog achou bacana e quis comentar com ele sobre o recente lançamento de um DVD da banda aqui no Brasil (pela ST2), com o registro de um show do grupo no festival de Montreaux, em 2008. Ao tentar mostrar o DVD para o músico o blog foi quase AGREDIDO fisicamente por um nóia escroto, que atende pela alcunha de Meia Pedra (vejam só o nível do sujeito) e que, segundo estas linhas zappers apuraram, trabalha como “auxiliar” de produção de dona Pitty e da banda Cachorro Grande. O figura não possui a mínima condição emocional e psicológica para exercer suas funções, tanto que também já arrumou confusão com um casal amigo do blog, os queridos Vandré Caldas (que é o sujeito mais pacífico do mundo) e Adriana Cristina, sócios do Simplão de Tudo Rock Bar em Paranapiacaba e onde vai rolar um bacaníssimo mini-festival de rock no próximo feriado de 7 de setembro, evento que está sendo co-produzido e apoiado por Zap’n’roll.

 

Em suma, é lamentável que tanto Pitty quanto o Cachorro Grande permitam que um tranqueira desse naipe trabalhe com eles. E mais lamentável ainda é se dar conta de que gente que anos atrás era tão humilde, simpática e generosa (Pitty, quando estava iniciando sua carreira musical, tocou na primeira edição do Dynamite Independente Festival, no Sesc Pompéia em 2003, evento produzido pelo autor deste blog. Seu “cachê” foi na base da “brodagem”: ela estava lançando seu primeiro disco e naquela época ganhou um generoso anúncio na edição impressa da revista Dynamite), tenha se tornado tão prepotente e tão “nariz empinado” e “salto alto”.

Os sensacionais Madame Saatan (acima) e The Baudelaires (abaixo, “cercando” Zap’n’roll em um bar em Belém, durante visita do blog à cidade, em agosto de 2011), ambos do Pará: dois ótimos exemplos de grande qualidade musical e rocker, aliada à humildade e simplicidade

 

 

O blog acha mesmo incrível como essa cena de merda que hoje representa o grosso da produção musical alternativa brasileira, está eivada de prepotência. Todos se acham “gênios”, todos se consideram “rockstars”. A maioria das bandas não é nem uma coisa muitos menos a outra. Conta-se nos DEDOS (o blog vai repetir: nos dedos) os grupos que possuem realmente uma obra ultra consistente ou, no mínimo, AUDÍVEL. E, dentre estas, novamente conta-se nos dedos aquelas que além de serem ótimas musicalmente, ainda possuem integrantes que encaram a arte de fazer música como algo seríssimo, responsável e um ofício que demanda SIM HUMILDADE, SIMPATIA E GENTILEZA para com o próximo (seja o próximo um jornalista, um simples ouvinte ou seja quem for). De que adianta o Vanguart, por exemplo, continuar com um ótimo trabalho se seu vocalista, Hélio Flanders, se julga o Bob Dylan brasileiro? (e o blog zapper tem culpa nisso, assume. Muita culpa…). Falta HUMILDADE e VERGONHA NA CARA nessa turma mequetrefe. Para efeito de comparação de cenas, épocas e situações: o jovem leitor zapper pode hoje achar que o grupo mineiro Skank é uma bela droga, cafona e mainstream. Ou considerar que bandas como Legião Urbana e Barão Vermelho já tiveram seu momento e hoje não signficam mais nada para o rock nacional. Pois bem: todos eles também foram INDEPENDENTES um dia. E todos eles se tornaram GIGANTES (em uma época em que o rock nacional conseguiu se tornar gigante dentro da mega indústria musical brasileira) graças a um trabalho artístico de altíssima qualidade – existe hoje nessa cena rock alternativa ridícula, inculta, burra, sem estofo cultural e intelectual algum e de MERDA fedorenta, algum poeta do calibre de um Renato Russo ou de um Cazuza? Pois é… e mesmo assim, se tornando gigantes em número de discos vendidos e do público que ia a seus shows Barão, Skank e Legião NUNCA perderam a humildade. O autor deste blog foi amigo próximo de Renato Russo durante algum tempo. JAMAIS foi destratado por ele. Pelo contrário: num dos últimos shows da história da Legião, diante de um ginásio do Ibirapuera LOTADO (com cerca de quinze mil pessoas lá dentro), Russo dedicou uma música ao autor deste blog (“Ainda É Cedo”). Barão Vermelho? Gutto Goffi, baterista e um dos fundadores da banda é amigão zapper até hoje. Skank? Estão ricos, nunca tocam em espaços com menos de dez mil pessoas (uma multidão para a qual as bandinhas toscas da indie scene brazuca atual jamais irão se apresentar) e, mesmo assim, Samuel Rosa, Lello, Henrique e Haroldo são quatro “manés” (no ótimo sentido do termo) tamanho o respeito, carinho e simpatia com que eles tratam seus fãs e amigos – inesquecível a cena do vocalista Samuel Rosa encontrando com Zap’n’roll numa premiação do VMB, anos atrás, e gritando: “Finatti! Você é o cara!!!”.

 

Enfim,  diante de tudo o que foi escrito, explicado, exposto e detalhado aqui a pergunta que não cala é: quem é essa ceninha escrotinha rocker de hoje, pra querer se achar genial, rockstar e ter o nariz empinado até a lua? Como bem frisa o produtor Ulysses Cristianinni, proprietário da Pisces Records: “um bando de babacas que não são merda nenhuma, que vivem enchendo o saco por divulgação e pra lançar seus discos e que no final se acham a última bolacha do pacote”. Bolacha velha, ruim e mofada, claro. Essa turma deveria aprender algumas lições de humildade e simpatia com o gigante U2, um dos maiores grupos de toda a história do rock. Afinal a arrogância ABAIXO de zero e a simpatia de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen, já é lendária.

 

Ulysses também tem razão em sua declaração. Por isso, finalizando este tópico repetimos mais uma vez: o blog mais do que nunca vai seguir a lição de Lester Bangs (um jornalista que se tornou lenda ao demolir mitos como Elvis Presley ou Lou Reed): bandas, a partir de agora, são inimigas deste espaço. E serão tratadas como tal. Haverá poucas exceções nesse quadro – nomes como Los Porongas (uma dos DEZ MELHORES GRUPOS em atividade hoje no Brasil e cujos integrantes, além de serem irmãos de fé destas linhas online, ainda são um exemplo de total humildade), Madame Saatan, Doutor Jupter (outro quarteto GIGANTE na qualidade musical e também na SIMPLICIDADE de seus integrantes), Madrid (Adriano Cintra, que já foi popstar internacional quando tocava no CSS, também é outro exemplo de sujeito humilde e super boa praça), Coyotes California (esses moleques da zona leste paulistana ainda vão causar muita raiva em supostos “rockstarzinhos” cu de rola que pululam pelo baixo Augusta), Stereovitrola, Mini Box Lunar e Vila Vintém (todos lá do distante Amapá), Transmissor (de Minas Gerais), Veludo Branco e Mr. Jungle (de Roraima), Nicotines e Luneta Mágica (de Manaus), Baudelaires (de Belém), Cartolas (de Porto Alegre), O Sonso e o Jardim Das Horas (de Fortaleza) e mais alguns poucos são a exceção e continuarão sendo considerados como amigos queridos por este espaço virtual, pela qualidade de seu trabalho e pela humildade que seus integrantes demonstram ter no trato com as pessoas. O resto é o resto e Zap’n’roll quer que todos se fodam, de verdade. Ponto final.

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O SHOEGAZER 90’ ATACA EM SAMPA, NO ROCKERS NOISE FESTIVAL
A essa altura você, dileto leitor destas linhas bloggers rockers e sempre antenado nas movimentações da indie secene paulistana, já está sabendo do Rockers Noise Festival, que rola em outubro em Sampalândia – e também, talvez, no Rio De Janeiro. Organizado pela produtora homônima, o Rockers vai trazer ao Brasil duas lendas do indie guitar shoegazer britânico dos anos 90’, os grupos Gallon Drunk e The Telescopes – estes últimos chegaram a ter uma coletânea lançada aqui há uma década, pelo heróico agitador carioca Rodrigo Lariú. E sendo que no evento também irão tocar grupos essenciais da cena guitar da capital paulista, como o já histórico The Concept e o Twinpines.

 

O blogão zapper ficou sabendo do festival há semanas, quando o produtor Neo Distortion (um dos organizadores da parada), ex-músico do saudoso Starfish100 e brother destas linhas online, começou a pilhar o sujeito aqui pelo faceboquete: “Finatti, você vai cair de costas quando souber o que vamos fazer em outubro e bla bla blá”. Zap’n’roll ficou de fato maluco quando soube da história (quantas madrugadas o autor deste blog passou no extinto e célebre Espaço Retrô, chapado de álcool e cocaine, e dançando desvairadamente ao som de Telescopes…) e combinou uma entrevista sobre o festival com o Neo. O bate-papo rolou suave e quando ia ser publicado aqui… pimba: o notebook saiu de combate e foi pro conserto. Aí outros blogs de rock alternativo foram divulgando o assunto e agora ele já é de domínio público.

 

Porém, a entrevista com Neo ficou tão bacana que ela entra finalmente hoje, no post que marca o retorno destas linhas à blogosfera brazuca de cultura pop. E sendo que de lá pra cá houve mudanças no festival: ele saiu do Santana Hall, onde seria realizado inicialmente, e vai para uma casa chamada Victory, na zona leste paulistana. Mais você fica sabendo lendo aí embaixo o bate-papo que o blog realizou com o Neo:

Os ingleses do Gallon Drunk: ao vivo em Sampa em outubro, pra alegria da confraria shoegazer noventista 

 

Zap’n’roll – Como surgiu a idéia do festival e como foram os contatos para trazer as bandas? Pra quem não conhece você, dê um resumo rápido de sua trajetória como músico e produtor na cena indie paulistana.

 

Neo Distortion –  A idéia do festival surgiu há muito tempo, só nao tínhamos dinheiro pra fazer isso. Depois que saí do Starfish100 [grupo indie guitar paulistano bastante cultuado no início dos anos 2000] reparei que as bandas estavam travadas nessa cena de acesso ao circuito internacional, pois alguns vícios da indústria exigem uma estrutura financeira que muitas bandas não têm pra seguir adiante. Temos na cena bandas como o The Concept, Twinpines e a mais nova de todas Set The Settings, que não estão mais com fôlego de continuar nessas condições de baixos cachês e outras coisas mais que não pegaria bem dizer agora. Mas a partir da minha banda (a Set The Settings) resolvemos resgatar as bandas que estao aí há anos e sem estrutura e montamos nossa produtora, a Rockers. Pra quem não me conhece, sou produtor há 15 anos, sou radialista e ja fiz alguns trabalhos como fotógrafo pro cinema independente. Fiquei anos fazendo festas em lugares que nao quero citar, porque não me valorizaram. Os contatos com as bandas foram super fáceis, até porque eu conto com uma equipe que conhece de musica, como o Renato Malizia, Plínio César Batista, que representaram a Rockers ao contatar as bandas. A nossa intenção é resgatar as bandas e importar e exportar como um grande intercâmbio musical. Juntos na Rockers estão três sócios: Franco Milane ( produtor musical, músico da banda Set the settings), Tatiana Vieira (produtora executiva) e eu. A Rockers é uma produtora que trabalha com vídeo, cinema, música, gravações, ensaios, skate, e temos um projeto social que abrigará atividades diárias para criancas, jovens e terceira idade, dando oficinas e exibições de filmes e teatro amador. Com grandes tentáculos a Rockers vem sendo puxada pelo nosso primeiro evento, o Rockers noise festival.

 

Zap – Bacana. E qual a expectativa para os shows, em termos de público, faixa etária? Na sua visão será um autêntico “baile da saudade indie 90’” para um pessoal trintão, ou nomes como Telescopes e Gallon Drunk também poderão atrair uma molecada mais nova e ligada em atrações como o Best Coast, que estará uma semana antes no festival Planeta Terra?

 

Neo – Bom, seria um grande baile da saudade pros trintões que curtiram os anos 90. Existe uma cultura de esquecimento nesse ramo, e nós temos a intenção de não deixar pra trás artistas tão importantes como esses que estamos trazendo. Em relação a molecada, nós temos a intenção de mostrar essas bandas porque eles ouvem coisas que têm como base essas bandas que estamos trazendo mas nunca ouviram, eles mal sabem de onde vem esse ritmo new indie de hoje. Resgatando a raíz acho que vamos dar uma boa clareada, com certeza os que prestarem atenção não vão pensar duas vezes antes de ir no festival e vão sair ganhando ao conhecer bandas tão importantes. Agora em relação aos trinões, grande baile da saudade mesmo! Se você já não tem mais aquele cabelo shoegazer e é careca agora não tem problema, realmente a geração dos anos 90 que caía na calçada e pulava ouvindo essas bandas, em outubro vai poder relembrar momentos inesquecíveis.

 

Zap – E por que a escolha de um local como o Santana Hall, na zona norte paulistana, para a realização dos shows, ao invés de um tradicional ponto rocker como os que existem no baixo Augusta, por exemplo?

 

Neo – Bom, por praticidade da estrutura que nos ofereceram, e porque queríamos um lugar diferente, uma vez que estamos tentando sair da Augusta como músicos, não seria muito legal tocar pela milésima vez lá, estamos cansados desse circuito. O festival vai ser no dia 30 no Santana hall e dia 31 numa casa menor com capacidade para mil pessoas, mas ainda não vamos divulgar, e teremos um terceiro show provavelmente no Rio de Janeiro, estamos acertando detalhes. O preco do ingresso vai variar de 100 a 200 reais sendo o primeiro lote mais em conta.

 

Zap – Ok. Pra encerrar: alguma curiosidade sobre a contratação das bandas? É verdade que os Telescopes, mesmo tiozões já ainda estão no gás e fizeram alguns pedidos, hã, “bizarros”, pra vir tocar? Quais foram esses pedidos?

 

Neo – Então, eu achei que os pedidos bizarros viriam do Motorama, porque são jovens e tal, mas quem realmente tá a fim de festa à moda antiga sao os caras do Telescopes. Querem festa, luxúria e muita diversão, rsrs. O restante fica na imaginação de vocês (nota do blog: leia-se devastações etílicas e nasais e putarias xoxotescas, uia!), rsrs.

 

* Última forma! (e o Neo vai matar o sujeito aqui por estar divulgando isso, hihi). Se tudo der muito certo com a primeira edição do Rockers Noise Fest, a produtora do evento já agendou uma segunda edição para o começo de 2013. E que vai trazer até nós “apenas” a lenda… Wedding Present! Wow!! Vamos torcer!!!

 

* E os ingressos pro Rockers Noise começam a ser vendidos AMANHÃ (sabadão em si), nos seguintes locais: Loja Fock | Telefone: 11 3898 2898/3061-3769 –  Galeria Ouro FinoRua Augusta 2690 – Térreo – Loja 111, Jardins São Paulo. Locomotiva Discos | Telefone: 11 3257 5938, Galeria Nova Barão: Rua Barão de Itapetininga 37, Loja 51 (rua alta) entrada também pela Rua sete de abril, 157, Metrô Anhangabaú / Republica. Hoteltee’s | Telefone: 11 3081 4426, rua Matias Aires 78, Baixo Augusta.

 

* E claaaaaro que você, sempre naquela irremediável pindaíba, está já bem loko pra ir no Rockers Noise mas não tem dindim pra adquirir seu ticket, certo? Pois então vai aí embaixo no final do post, que o blog talvez resolva seu problema, hihi.

 

POR QUE BLOC PARTY E DARKNESS NÃO DESISTEM E PEDEM PRA SAIR?
São duas das piores (de)formações surgidas no rock inglês de uma década pra cá. The Darkness, todo mundo sabe, é aquele grotesto horror parido em 2000 e que reeditava os piores e mais pavorosos clichês do hard poser rock americano. Cafona e histriônico ao extremo, o grupo liderado pelo breguíssimo vocalista Justin Hawkins estourou com o seu álbum de estréia, “Permission To Land”, editado em 2003 e que vendeu milhões de cópias – isso em uma época em que ainda se vendiam CDs no mundo. Como a piada era de péssimo gosto, a queda brutal veio no segundo disco, lançado dois anos depois e que não vendeu porra nenhuma.

 

Pior é o caso do indie guitar Bloc Party. Surgido na furiosa cena indie Londrina de 2003 e contando com um vocalista que, além de negro, era (e é) gay assumido, o BP lançou um fodástico disco de estréia em 2005, o ótimo “Silent Alarm”. Depois, com o ego inflado e descontrolado veio a queda: os dois trabalhos seguintes ficaram muito aquém do primeiro álbum, em termos de qualidade e impacto musical. Pra completar a banda passou vergonha em terras brazucas, ao fazer playback (!!!) durante sua apresentação numa das festas de premiação do VMB. Parecia o fim da linha para a banda.

The Darkness (acima) e Bloc Party (abaixo): duas tranqueiras do rock inglês dos anos 2000 que deveriam sumir de circulação 

Só que tanto Darkness quanto Bloc Party estão aí, com seus novos trabalhos. O novo álbum do metal farofa inglês se chama “Hot Cakes” e será lançado oficialmente na próxima segunda-feira, 20 de agosto. Já o Bloc Party solta “Four” também na próxima segundona.

 

Zap’n’roll, na boa, não está com a menor vontade de ouvir os dois CDs. Já viu/ouviu sim os singles de trabalho de cada um. E a conclusão depois da audição é inevitável: ambas as bandas deveriam desaperecer de circulação de uma vez por todas.

 

Veja (se é que você ainda não viu) os vídeos das duas músicas aí embaixo e diga se estas linhas rockers, hã, severas (uia!) não estão com a razão.

The Darkness – “Everybody Have A Good Time

 

Bloc Party – “Octopus”

 

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A LUNETA MÁGICA, MAIS UMA INCRÍVEL DESCOBERTA ZAPPER, FAZ PSICODELIA FODONA E BELÍSSIMA NO MEIO DA FLORESTA
Manaus, capital do Amazonas, tem realmente uma cena indie rocker incrível, ao que parece. O blog não conhece a cidade ainda (só passou por lá de avião algumas vezes, a caminho de Boa Vista, e pretende de fato dar uma passeada na cidade agora em setembro), mas já teve contato com algumas bandas bem bacanas de lá, como a Tetris (existe ainda?) e o ótimo Mezzatrio (a mesma pergunta: ainda estão na ativa?), uma autêntica orquestra de guitarras que Zap’n’roll teve o privilégio de assistir ao vivo alguns anos atrás, no festival Varadouro (em Rio Branco, no Acre). Mas nada se compara ao desvairio que tomou conta do sujeito que digita estas linhas quando ele começou a ouvir, nos últimos dias, o disco de estréia do trio A Luneta Mágica – que na verdade foi apresentado ao blog por uma amiga do grupo, uma espécie de “quarto integrante” honorário do conjunto, a linda e meiga Karla Sanches.

 

Pois então: enquanto a maioria dos grupos indies paulistanos cospe arrogância e se compraz em produzir autêntica vergonha alheia travestida de música, a Luneta Mágica mergulha fundo na música em seu estado mais sublime de arte – e não há exagero algum nessa afirmação, muito pelo contrário: causa enorme espanto (o mesmo espanto que atordoou estas linhas online quando ela descobriu o Vanguart em Cuiabá, em 2005, ou conheceu a Mini Box Lunar em Macapá, em 2009) se dar conta de que uma banda assim surgiu em Manaus. E não há nenhum viés preconceituoso nesse espanto. Yep, porque é sabido que apesar de ter uma cena rock alternativa, a capital amazonense é certamente dominada pela música regional e pelos ritmos mais populares da Região Norte.

 

E a Luneta Mágica não tem absolutamente nada a ver com isso. O álbum de estréia da banda, que foi lançado há pouco na web (sim, hoje em dia quase não há mais lançamentos em plataforma física entre os grupos independentes; tudo é jogado na internet, com direito a muito lixo, sendo que de vez em nunca surge uma pérola precioso no lodo, como é o caso aqui), tem dez faixas e é um escândalo delirante de canções sublimes, com ambiências melódicas eivadas de psicodelia. Formado por Pablo Araújo (vocais, guitarras, violões), (baixo, guitarra, teclados, percussão, vocais) e Chico Só (guitarras, violões, e baixo), o LM é mix improvável de Beatles (fase beeeem psicodélica dos Fab Four), rock bucólico e pastoral, algo de Los Hermanos (algo, apenas) e deambulações por folk combinado com ruídos e percussão eletrônica – sim, há bateria acústica no disco (tocada pelo músico convidado Eron Oliveira) mas ela não é preponderante na construção rítmica das faixas. Há também – vejam só – um naipe de cordas (violino e violoncelo, ambos tocados também por músicos convidados), e tudo isso resulta na trilha sonora dionisíaca e dos deuses, música para você entorpecer a alma e o cérebro com as mais diáfanas e prazerosas doses de vinho, ácido ou maconha.

O sensacional trio A Luneta Mágica, de Manaus (acima) e seu disco de estréia (capa, abaixo): já tem o voto do blog como melhor lançamento do indie rock BR de 2012

Não é brincadeira: os vocais dolentes e sobrepostos, as letras abstratas (“Vem, ainda somos os mesmos/Gênios embriagados/Esperando o sol nascente/Loucos pela noite inteira/Amanhã vai ser/O melhor dia da sua vida”, em “O vento e as árvores”), o bucolismo e a plenitude sônica que se encerra em canções lindíssimas (“Astronauta”, “Não acredito”, “Aqui nunca nasceram heróis”), o torpor alucinógeno que domina trecho de outras (como a repetição quase mântrica da frase “cinco bolas de sorvete por apenas um real”, no final da música que tem o mesmo título) e, por fim, o fortíssimo apelo radiofônico e pop de mais algumas (fato raríssimo e que as bandinhas escrotas da atual cena indie nacional dão a mãe pra conseguir e não conseguem: unir altíssima qualidade musical com apelo pop e radiofônico), como “Largo São Sebastião” (uma música que, se houvesse justiça nesse país, estaria tocando em disaparada nas nossas medíocres redes de rádio, ainda incrivelmente movidas a jabá em plena era da web), fazem da Luneta Mágica a GRANDE banda nova da indie scene nacional em 2012.

 

Acha que o blog exagerou? Pois vá em http://lunetamagica.bandcamp.com/ , e ouça você mesmo. Já tem o voto dessas linhas bloggers para o – até o momento – melhor disco de rock nacional deste ano.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco: “Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida”, a estréia do trio manauara A Luneta Mágica. Não tem pra mais ninguém na indie scene nacional nesse momento.

 

* DVD: a ST2 acabou de mandar pras lojas “Kasabian live at the o2”. Gravado na casa de shows homônima da capital inglesa em 15 de novembro do ano passado, mostra o quarteto em um dos shows da turnê do fodástico disco “Velociraptor!”, que eles lançaram no ano passado e que é um dos álbuns preferidos destas linhas online nos anos 2000. Dá bem pra ter uma dimensão da gig que veremos possivelmente aqui em outubro, no festival Planeta Terra, em Sampa. Ainda mais que o DVD vem acompanhado de um cd com áudio do mesmo show. Coisa fina, afinal o Kassabian é ótimo.

 

* Livros: a editora paulistana Madras continua lançando livros bacanudos que contam boa parte da emocionante história do rock’n’roll que todos nós amamos. Agora mesmo ela mandou pras livrarias mais dois volumes: “The New York Dolls – do glitter ao caos”, e “Encurralados – os Stones no banco dos réus”. O primeiro é uma boa biografia das “Bonecas de Nova York”, registrando a trajetória bem loka e putanhesca do grupo que na verdade foi o maior inspirador do punk que iria explodir nas ruas de Londres em 1975. E o tomo (ops!) dedicado às Pedras Rolantes esmiúça o célebre inquérito policial que levou Jagger e Richards pra trás das grades (por alguns dias apenas, felizmente) em 1967, por causa de uma “festinha” que Richards promoveu certa vez em sua casa – e onde rolou de tudo, claaaaaro, até a polícia chegar pra acabar com a fodelança movida a trepadas e dorgas. Interessou? Vai lá, pra mais infos: WWW.madras.com.br .

Os livros sobre os New York Dolls (acima) e Stones (abaixo): mais dois bons lançamentos da editora Madras

 

* Baladas? Não é porque o post do blogão está sendo finalizado na madruga de segunda pra terça-feira que elas não estão aqui, hehe. Indo então direto ao ponto: na próxima quinta-feira, 23/8, rola mais uma edição da festa rocker promovida pelo chapa Bruno Montalvão lá no StudioSP da Vila Madalena (na rua Inácio Pereira da Rocha, 170, zona oeste de Sampa). Vai ter show dos sensacionais Los Porongas (que arrasaram na última sexta-feira em seu retorno aos palcos paulistanos, lá no Quintal 251, também na Vila Madalena) e também do The Baggios, nova aposta do Montalvas na indie scene BR. Fikadika pra uma noitada rocker pra lá de recomendada, sendo que no próximo post (na próxima sexta-feira) colocamos aqui o roteiro completo pro finde em si. Mas apenas dando um toque desde já: vai ter showzaço de lançamento do primeiro disco do Coyotes Califórnia na Outs (lá no baixo Augusta), no próximo dia 31 de agosto. E no feriadão do 7 de setembro: primeiro Independence Rock Festival no Simplão de Tudo Rock Bar, em Paranapiacaba. Uma co-produção de Zap’n’roll que vai contar com shows do Coyotes, do grande Doutor Jupter e de várias outras bandas legais de Sampa. Se preparem porque vai se um autêntico micro Woodstock, no meio do mato com bebidas, liberdade, xoxotas em profusão, discotecagem do blog e ótimo rock’n’roll. Capicce?

 

 

TICKETS PRO ROCKERS NOISE FESTIVAL – VEM QUE TEM!
E não? A promo foi posta no ar anteontem e um enxame de pedidos já invadiu o hfinatti@gmail.com . Então não perca tempo e corra lá, que estão em disputa sangrenta:

 

* DOIS PARES DE INGRESSOS pro Rockers Noise Festival, que rola dia 31 de outubro em Sampa, na casa noturna Victory (em frente à estação Penha do metrô, na zona leste paulistana), com showzaços do The Telescopes e Gallon Drunk, e muito mais. Tá dentro? Então boa sorte!

 

 

AGORA, FINDE MESMO!
Postão como o povo gosta, no? Após três semanas de descanso “forçado”, tínhamos que voltar no gás, néan? E guentem só mais um pouco que na próxima sextona tem mais aqui, sempre no blog onde tudo acontece e tudo se comenta em termos de rock alternativo e cultura pop. Até lá então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 20/8/2012, às 3hs.)

A nostalgia rock dos 90’ batendo forte com o novo álbum do Spiritualized, o show do Nada Surf em Sampa (e olha só: promo relâmpago de TICKETS FREE pro show no Rio!) e a leitura de textos antigos da coluna e do blog zapper – PLUS: a volta fodaça do Garbage! (versão ampliada, atualizada e finalizada em 29/4/2012)

O inglês Spiritualized (acima), fundado em 1990, lança novo disco; em São Paulo, o americano Nada Surf (abaixo) fez uma trip nostálgica em show na última quarta-feira. É a volta do indie rock dos anos 90′

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O Garbage, gigante do electro-rock dos 90′, voltando com tudo!

 

Entonces, o Garbage está de volta após sete anos sem gravar. Mais nostalgia anos 90’ (o tema deste postão da Zap’n’roll) né? A banda lança “Not Your Kind Of People” agora em maio (e o blog andou vasculhando a web hoje em busca de um link do dito cujo, mas nada por enquanto). O que estas linhas zappers esperam é que o electro-rock de Butch Vig, Shirley Manson e cia, que tornou o Garbage gigante nos early 90’, ainda funcione bem.

 

Pelo menos o primeiro single, “Blood For Poppies”, é bem legal: dançante, eletrônico e com guitarras na medida. E a boneca Shirley Manson (a louca, junky e devoradora de homens e mulheres que era o “sonho de consumo” do blog e da querida “tia” Andre Pomba, lá pelos idos de 1995, rsrs) continua um xoxotão aos 45 anos de idade.

Vamos aguardar o disco. E quem sabe eles não aparecem por aqui, no SWU ou Terra, né?

 

Aí embaixo o vídeo bacanudo para “Blodd For Poppies”, o primeiro single do novo disco do Garbage

 

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Rock e nostalgia.
Ambos estiveram muito presentes e caminharam juntos esta semana na vida de Zap’n’roll. Afinal, foi uma semana em que o blog assistiu a gig paulistana do grupo americano Nada Surf (cuja carreira foi iniciada há vinte anos, em 1992), ouviu algumas vezes o disco que marca o retorno dos ingleses do Spiritualized (e que começou sua carreira em 1990) e começou a pesquisar textos antigos (e não exatamente dos anos 90’, mas de 2002 pra cá) publicados neste espaço rocker online (que inicialmente era uma coluna virtual, se transformando em blog alguns anos depois), com o objetivo de selecionar os melhores e mais representativos para compilá-los em um volume impresso que deverá ser lançado até 2013, possivelmente pela Pisces Livros, o “braço editorial” do bacana selo indie paulista Pisces Records. Tudo isso deu uma espécie de “liga” e fio condutor editorial para o postão desta semana já que, não raro (muito comum, aliás), rock’n’roll e nostalgia caminham de mãos dadas. E por caminharem assim é que ouvimos discos antigos, vamos a exposições (como a Let’s Rock, ainda em cartaz no Parque do Ibirapuera, em São Paulo) e a shows como o do Nada Surf. Pra reviver um pouco mais novamente aquilo que já foi vivido intensamente – ou que nunca vivenciamos e gostaríamos de ter feito parte. Pode parecer um tanto piegas a abertura deste post, mas a lógica emocional (lógica emocional? Existe isso???) humana funciona extamente assim. O rock funciona assim (bandas lançam discos novos, caem na estrada mas seus shows são preenchidos invariavelmente por apenas duas ou três músicas do trabalho que acaba de ser lançado; o restante do set list é o habitual “greatest hits” da trajetória do grupo). Então não há escapatória desse eterno “recuerdo” nostálgico. E o blog zapper, mesmo sempre antenadíssimo com as novas tendências e a tudo que diz respeito à cultura pop e ao rock alternativo atual, jamais irá deixar de prestar vassalagem ao passado. Como bem diz o clichê: “recordar é viver”. E neste post vamos então recordar como foi o show do Nada Surf na última quarta-feira. E também falar como é o novo disco do Spiritualized. E dizer que, sim, já foram escritos aqui textos sensacionais e que são um arquivo vivo e imprescindível de tudo o que rolou no rock brasileiro e gringo na última década. Um arquivo vivo que breve estará em um livro, ao alcance das suas mãos.

 

* Yep, o trabalho é grande. Mas o blog está mesmo analisando tudo o que foi publicado aqui na última década (quando este espaço online ainda era uma coluna semanal), para selecionar cerca de quarenta colunas e posts inteiros (de um total de mais de quatrocentos) e que deverão ser reunidos em um livro. E olhando/resgatando esses textos, hã, “antigos”, encontram-se autênticos tesouros de informação sobre rock e cultura pop e que radiografam com precisão nascimento e desaparecimento de bandas, tendências, comportamentos. Dois exemplos disso podem ser vistos nestes links: http://www.dynamiteinfo.com.br/portal/view_coluna_antiga.cfm?materia=321 e http://www.dynamiteinfo.com.br/portal/view_coluna_antiga.cfm?materia=387 (sendo que este, em particular, discute a sexualidade humana e a diversidade sexual, a partir da análise de um disco do ex-vocalista do Suede, a bichaça louca e linda que é Brett Anderson, uia!). Mais, só esperando o livro sair ou indo nos arquivos do portal Dynamite online, né?

 

* Outro recuerdo dos últimos anos: onde você estava em fevereiro de 2006? O autor deste blog estava exatamente aqui:

Fevereiro de 2006: o U2 trouxe a mega turnê “Vertigo” ao Brasil, e Zap’n’roll foi ao show no estádio do Morumbi, em Sampa. Essa é uma das muitas histórias que estarão compiladas no livro do blog, a ser lançado até o início de 2013

 

* NO BRASIL, QUEM TEM MAIS $$$ CHORA E MORRE MENOS – mudando um pouco o foco destas linhas poppers bloggers, vamos comentar o assunto que foi pauta durante quase toda a semana nos telejornais das grandes redes de tv: a transferência do filho do cantor Leonardo, do hospital onde ele estava internado em Goiás, para o Sírio Libanês, aqui em São Paulo. Todo mundo sabe, o também cantor Pedro sofreu um gravíssimo acidente de carro após fazer um show em Minas Gerais e, desde então, está internado em coma induzido. Foi transferido ontem para SP, porque aqui os recursos para tratar caso clínico tão delicado são maiores e melhores.  Até aí, nada demais. A família, com recursos financeiros de sobra, fez o que achou melhor para tentar salvar a vida do rapaz – transferência até São Paulo em jatinho particular, UTI móvel particular etc. E o blog deseja sinceramente que o filho do cantor Leonardo se recupere plenamente. Agora, o que espanta e admira absurdamente neste episódio todo é a MOBILIZAÇÃO DE GUERRA que foi feita em SP quando o cantor acidentado chegou aqui: fechou-se uma das FAIXAS da avenida 23 de maio (uma das principais da capital paulista, e que vive com problemas sérios de congestionamento) para que a ambulância pudesse ir rapidamente do aeroporto de Congonhas ao hospital. Ambulância que ainda foi acompanhada por BATEDORES da polícia militar. A pergunta: em que pese seu delicadíssimo estado clínico, o artista é alguma autoridade pública para seu translado ter recebido essas regalias? Já que a família tem recursos financeiros disponíveis, não seria mais viável fazer o transporte do paciente do aeroporto até o hospital de helicóptero, evitando assim mais transtornos ao já caótico trânsito paulistano? E, por último: ricos conseguem cuidar bem dos seus entes queridos em um momento de mega urgência médica. E os pobres desse país? Se fosse um João, José ou Mané qualquer em situação semelhante? O que iria acontecer com ele? Iria morrer na sala de espera de alguma emergência de PS público superlotado? Ou na fila de algum posto de saúde, como vemos diariamente reportagens nos mesmos telejornais dando conta da morte de idosos, crianças e gestantes em parto de risco e que precisavam igualmente de atendimento URGENTE, como o filho de Leonardo precisou? Esse é o Brasil, infelizmente. Aqui, quem tem mais $$$, chora – e morre – menos.

 

* E voltando ao rock, demolir mitos é com a zapinha mesmo, hihihi. A pergunta que não quer calar: pra quê colocar o velho punk John Lydon na capa da NME (aí embaixo) desta semana? O semanário inglês não tinha assunto melhor?

 

* Se não tinha, este blog tem, e como! Esta semana a funkeira Valesca Popozuda disponibilizou na web o áudio de sua mais nova “obra prima”. A romântica canção se chama singelamente “Mama” e conta, ainda, com a participação do MC Catra (wow!). Veja – ou ouça – aí embaixo que primor de erudição desta nova obra-prima do cancioneiro pop brazuca, uia!

 

Essa vadiaça cadeluda aí em cima é uma putaça sem igual e deve dar a xota até o cu fazer biquinho, uia! Valesca Popozuda, a rainha do funk pornô, mostra como se faz em seu novo “hit”, “Mama”

 

* Não entendeu direito a letra? O blog reproduz alguns trechos pro seu dileto e liberal leitorado, sem problema algum: “Quando te vi de patrão/Logo encharcou minha xota/E ali percebi/Que piscou meu cu/Quando a piroca tem dono/É que vem a vontade/De foder/Então mama!/Pega no meu grelo e mama!/Me chama de piranha na cama/Minha xota quer gozar, quero dar!/Puxei sua calcinha de lado/E dei três cuspidas pro meu pau entrar/Mama, pega na minha vara e mama!”. Valesca e Catra: gênios!

 

* Brasileiro é ótário e merece se foder, de verdade. É a conclusão que se chega quando a assessoria da turnê de Velhonna, ops, Madonna no Brasil (que vai acontecer no final deste ano) informa que os tickets para a indecente e famigerada pista Premium, no show de São Paulo (dia 4 de dezembro, no estádio do Morumbi), já se esgotaram. Detalhe: o preço do ingresso nesse setor era 850 pilas. Ou seja: ir a shows de rock ou música pop no Brasil, hoje, virou sinônimo de ostentação fútil. O público reclama mas no final acaba pagando. Enquanto isso as produtoras de mega eventos seguem cobrando preços extorsivos (afinal, há quem pague por eles), e rindo da nossa cara e cagando em nossas cabeças. Lamentável.

 

* E, bien, a nostalgia rocker continua. Quarta-feira da semana que vem tem o grande Noel Gallagher em Sampa. E aí embaixo tem as impressões do blog sobre o disco que marca a volta do Spiritualized.

 

O SPACE ROCK DO SPIRITUALIZED VOLTA MENOS CHAPADO
Banda cultuadíssima na Inglaterra dos early 90’, o Spiritualized nunca havia encerrado oficialmente suas atividades. Mas o grupo liderado pelo compositor, guitarrista e vocalista Jason Pierce e que iniciou sua trajetória em 1990 (após Pierce deixar o line up de outra lenda do rock britânico da época, o Spaceman 3), não lançava disco inédito desde 2008. Bien, o hiato acabou: o Spiritualized lançou na Inglaterra há dez dias seu novo álbum de estúdio – o sétimo trabalho inédito nestas duas décadas de atividade. “Sweet Heart, Sweet Light”, o disco em questão, não deve ganhar edição nacional. Mas já flutua no espaço da web há semanas. E já foi ouvido algumas vezes pelo blog, que apenas agora se animou a comentar o dito cujo.

 

Compositor talentoso e com fama de doidão, Jason Pierce já havia conquistado uma certa notoriedade quando integrou o Spaceman 3, banda que aliava a chapação psicodélica estimulada por ácido e maconha com a distorção noise nas guitarras, à la Jesus & Mary Chain. Porém, o grupo nunca foi um estouro mercadológico e se tornou muito mais uma cult band do que um sucesso de vendas. Vai daí que Jason se cansou dessa vida de “rock star cult porém durango” e um dia pulou fora do barco. Foi montar o Spiritualized.

 

Que não era lá assim tão diferente do Spaceman 3. Um pouco menos noise e mais chapadão, talvez. Mas após lançar dois discos bacaninhas, Pierce e seus acólitos acertaram na mosca quando editaram, em 1997 (o mesmo ano de um certo “Ok Computer”, de um certo Radiohead), o fodástico “Ladies & Gentlemen, We Are Floating In Space”. Espécie de “ópera rock psicodélica”, o disco encantou a crítica especializada, alucinou os fãs e tornou o Spiritualized um dos nomes hot do então rock britânico. Mas ficou nisso: nos anos seguintes, a banda foi demorando cada vez mais para lançar novos trabalhos. E nenhum deles foi tão festejado quanto “Ladies & Gentlemen…”.

 A capa do novo álbum do Spiritualized: menos chapadão, mais calminho

 

O grupo poderia ter acabado há alguns anos, e ele teria garantido seu nominho na história do rock com o seu acachapante álbum de 1997. Mas Jason Pierce, no final das contas, nunca quis pendurar as chuteiras em definitivo. O que nos traz até este “Sweet Heart, Sweet Light”.

 

Trata-se de um álbum bem menos chapado e doidão do que a banda era, digamos, há década e meia. Sim, Jason Pierce continua hábil em compor ambiências bucólicas e algo psicodélicas. Mas aqui ele exagerou: a maioria das canções é longa demais, faltam guitarras no disco e sobram orquestrações e dolência vocal e melódica. Não por caso o melhor momento do cd talvez seja “Little Girl”, com seus menos de quatro minutos de duração. E o primeiro single, “Hey Jane”, ameaça reeditar novamente a combinação psicodelia/guitarras noise. Seria perfeita e o grande trunfo do novo trabalho, se ela não se alongasse por intermináveis nove minutos.

 

Claro, quem é fã vai amar músicas como “Get What You Deserve” ou “Life Is A Problem”. Mas Pierce, que está com quarenta e seis anos de idade, parece ter encaretado. Talvez ele precise voltar a tomar dorgas novamente, pra realmente compor um disco doidaralhaço e mais chapado e rocker. Afinal, a concorrência lá fora anda brava. E como…

 

NADA SURF REVIVE O INDIE GUITAR 90’ EM SHOW LONGO E NOSTÁLGICO
Ah, a nostalgia de tempos que não voltam mais… Parece que foi ontem que os anos 90’ estavam aí, com o indie guitar rock americano dominando o mundo e o Nada Surf estourando com seu primeiro disco, “High/Low” (aquele mesmo, do garotinho em cima de uma bicicleta e mergulhando em uma piscina, lançado em 1996) e o “semi hit” indie “Popular”. Bien, os anos se passaram – duas décadas, pra ser mais exato. Mas o Nada Surf continua uma banda empolgante ao vivo. E mostrou isso para um público sedento dessa nostalgia noventista, na gig realizado ontem no Cine Jóia, em São Paulo. A casa estava quase lotada (isso, em uma modorrenta quarta-feira). E os fãs assistiram a quase duas horas de show.

 

Não foi a primeira vez que o Nada Surf veio ao Brasil. A primeira visita foi há oito anos, em 2004. E este repórter/blogueiro tem muitas recordações daquele show, realizado em São Paulo no extinto Espaço Urbano, no bairro de Pinheiros. Tinha sido um ano turbulento na vida do autor deste texto: ele havia perdido sua saudosa mama Janet, e estava em fim de um longo namoro com a gigante negra Thaís (que também tinha ido ao show). A turnê era a do álbum “Let Go”, que havia saído dois anos antes. E o Nada Surf (que nasceu trio mas há anos excursiona com a adição de um guitarrista e um tecladista/trompetista extras) havia conquistado uma boa legião de fãs brasileiros, amantes do indie guitar ora bucólico ora mais garageiro engendrado pela dupla que comanda o grupo até hoje – o guitarrista, vocalista e compositor Matthews Caw e o baixista Daniel Lorca. O show foi mais intimista naquela época, mais introspectivo talvez. E relatar aqui tudo o que se passou naquela madrugada, renderia tranquilamente um mini diário sentimental no blog zapper.

 

Foi pensando nisso tudo que adentramos o Cine Jóia, para conferir a nova gig dos nova-iorquinos. De cara, a incômoda sensação de um certo tédio dominando o íntimo deste já algo “tiozinho” repórter (estaríamos nós velhos demais para o rock’n’roll? Afinal, antes de a gig de ontem ter início Zap’n’roll, que também escreve esta resenha para a página de notícias do nosso portal, já havia manifestado a pelo menos dois amigos seu “tédio” por estar ali, além de considerar que já está ficando algo enfastiado de ir a shows e festivais de rock. Será???). Sensação que começou a se dissipar apenas quando a banda de abertura, Os Selvagens A Procura De Lei, subiu ao palco por volta das dez e meia da noite. Com um indie rock melódico, mezzo beatle em algumas levadas, bons vocais e boas letras em português, os Selvagens são de Fortaleza, tem um disco lançado (“Aprendendo a mentir”, de 2011) e um clip legal rodando na MTV e no YouTube (para a música “Mucambo Cafundó”). Fizeram um bom “aquecimento” para um público algo indiferente e que ainda estava chegando ao Cine Jóia.

 

Mas quando os “donos” da noite subiram ao palco, o clima mudou bastante no novo espaço de shows da capital paulista. Com a casa já quase lotada, o Nada Surf abriu o set com duas faixas do seu novo disco, o recém-lançado “The Stars Are Indifferent To Astronomy” (que saiu em janeiro deste ano lá fora e que acaba de ganhar edição nacional via Inker, a também produtora da turnê). A galera recebeu bem as músicas (ainda desconhecidas da maioria), mas a primeira explosão de alegria coletiva se deu mesmo quando a banda disparou a contagiante “Happy Kid”, hit do álbum “Let Go”. Daí em diante o grupo foi alternando faixas de todos os seus sete discos de estúdio lançados até hoje, e mostrando uma disposição incomum para um conjunto que já tem exatos vinte anos de existência, em tocar por quase duas horas seguidas – incluso aí um generoso bis de quatro músicas, onde não faltou o hit “Popular” (cantado em coro pelo público) e duas canções do bom álbum “The Weight Is A Gift” (lançado em 2005): “Always Love” e “Blankest Year”.

 

Foi um set bacana, enfim. E bastante nostálgico (o que já ficou claro pelas músicas tocadas no PA do local, antes de o Nada Surf entrar em cena. Uma seleção de faixas do Sonic Youth, Smashing Pumpkins, Jane’s Addiction e outras lendas do guitar rock dos 90’), no final das contas. Já vai longe o tempo em que ninguém conhecia o Nada Surf por aqui (o autor desta resenha mesmo conheceu a banda ao ler sobre ela em algum momento do início dos anos 90’, na extinta coluna “Escuta Aqui”, que era publicada às segundas-feiras no caderno Folhateen, do jornal Folha De S. Paulo). Nestas quase duas décadas o Nada Surf ameaçou se tornar “grande” nos Estados Unidos, manteve os pés no chão, lançou discos regulares, continuou independente e talvez hoje tenha mais fãs no Brasil do que nos Estados Unidos. E Matthews Caw, aos quarenta e quatro anos de idade, ainda mantém o pique de um pós-adolescente em cima do palco. Ele sabe, tanto quanto nós, que rock’n’roll e nostalgia caminham juntos muitas vezes. E que podem eventualmente rejuvenescer quem curte ambos.

 

* Não viu o Nada Surf ao vivo, ainda? Programe-se então: os americanos tocam sábado, 28/4, em Curitiba (no Music Hall), domingo, 29, em Florianópolis (no John Bull), dia 2 de maio no Rio (no Circo Voador), dia 4 em Belém do Pará (no hotel Gold Mar, e onde terão abertura dos sensacionais Baudelaires, uma das melhores bandas indies brasileiras dos anos 2000’, e que está prestes a lançar seu novo disco pelo selo Pisces Records) e fecham a turnê brasileira no dia seguinte em Fortaleza, com gig no Órbita Bar.

 

* E olha só, atenção total povo! Em promo relâmpago feita em parceria com a produtora Inker, a Zap’n’roll e o portal Dynamite tem, aqui e agora:

 

* UM PAR DE INGRESSOS para o show do Nada Surf no Circo Voador, no Rio De Janeiro, na próxima quarta-feira, dia 2 de maio. Pra concorrer, já sabe: e-mail AGORA pro hfinatti@gmail.com, sendo que o (a) ganhador (a) será avisado por e-mail até a próxima terça-feira, feriado em si, no?

 

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Falando em metal, yep: já saiu a lista de quem vai na faixa daqui a pouco no showzão do Anthrax, em Sampa. Luciano Terriaca, Tatiana Ramos, Rodrigo Ramos, Valentim Der Meer, Vanessa Paulini e Luiz Patolli já foram devidamente comunicados por e-mail e a essa altura devem estar enfrentando um belo congestionamento a caminho do HSBC Brasil, hehe. Bom show, galere!

 

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O FRACASSO DO MOA MOSTRA COMO NÃO SE FAZER UM FESTIVAL
Ok, ok, todo mundo já sabe o que rolou na semana passada no Maranhão, durante a (não) realização do Metal Open Air, que pretendia ser “o maior festival de metal da América Latina”. Acabou se tornando o maior fiasco e a maior pilantragem do show business brazuca em décadas.
Quem acompanha estas linhas rockers online há anos sabe que Zap’n’roll não morre de amores pelo heavy metal, o gênero do rock que o autor deste blog considera como sendo, hoje, o mais obtuso, conservador, reacionário e menos criativo de todo o rock’n’roll. Logo, nem deveríamos estar perdendo tempo para escrever um texto analisando o que aconteceu em São Luis. Mas o desastre que foi o MOA merece, sim, algumas observações destas linhas bloggers.

 

Durante décadas o Brasil sofreu com a ausência de grandes shows de rock internacionais por aqui, e o zapper já quase com 5.0 de existência se lembra muito bem desse período. Nos início dos anos 80’, por exemplo, pode-se contar nos dedos as grandes bandas de rock que aqui aportaram para fazer gigs. Foram o Queen (no estádio do Morumbi, em Sampa, em 1981), o Van Halen (em 1983, com shows em São Paulo, Rio e Porto Alegre), o Kiss (também em 1983, no Rio De Janeiro e em São Paulo) e mais alguns poucos menos votados. O blogger rocker, então ainda um pirralho que nem jornalista era, esteve em todos esses shows. Era uma época em que não existia internet e que não existiam sequer telões nos locais das apresentações. Se você fosse assistir a um show no Morumbi da arquibancada do estádio (como foi o caso de Zap’n’roll, no show do Queen), tinha que usar binóculo, sério. A estrutura de som e luz do palco era a possível para a época. Mas enfim o show rolava e a galere, sedenta de atrações gringas bacanas, se esbaldava de piração e satisfação.

 

Havia poucos shows de peso internacionais no país porque o Brasil não era visto com bons olhos diante do business rock planetário. Os gringos desconfiavam de tudo em relação a nós: da capacidade de organizarmos de maneira eficiente um evento, dos equipamentos de som e luz utilizados e, principalmente, da capacidade de honrarmos contratos e efetuarmos os pagamentos dos cachês. Foi preciso que um certo Roberto Medina (esse crédito ele merece) entrasse em cena, organizasse com eficiência um mega festival (a primeira edição do Rock In Rio, em 1985), para que tudo mudasse. O RIR deu tão certo e foi realizado com um profissionalismo tão espetacular – e, até então, inexistente nesse tipo de evento no Brasil –, que produtores e empresários gringos de rock e música pop passaram a enxergar o país com outros olhos. As bandas, a partir de então, começaram a fazer fila para querer se apresentar aqui.

 

Quase três décadas se passaram. O Brasil, hoje (já há um bom tempo, aliás), está totalmente integrado ao circuito mundial dos grandes eventos musicais. As produtoras se profissionalizaram ao máximo, os equipamentos utilizados nas apresentações são de última geração, o calendário anual de shows é intenso e aqui rolam festivais de peso como o Planeta Terra, o RIR, o SWU ou a recente primeira edição do Lollapalooza Brasil. Tudo isso ajudou a mudar a imagem do país na área de grandes espetáculos, sendo que hoje o Brasil tem uma das melhores reputações no circuito pop mundial.
Mas aí entrou em cena o malfadado Metal Open Air…

O linguarudo e velhusco Gene Simmons: ele vinha ao MOA. Vinha…

 

O festival, programado para acontecer no último final de semana em São Luis, capital do Maranhão, tinha tudo para ser um grande evento. Escalação com nomes de peso (como Gene Simmons, Megadeth, Anthrax e mais quarenta e tantos artistas, nacionais e internacionais), shows durante três dias etc. Deu tudo errado: as duas produtoras responsáveis pela organização do festival (uma tal de Lamparina e uma outra, chamada Negri Concerts, esta sediada em São Paulo) não pagaram os cachês combinados com as bandas, não disponibilizaram passagens, vistos de entrada no país e zilhões de etcs para os grupos estrangeiros, não pagaram os valoes combinados aos fornecedores de som, luz e segurança do evento e o resultado foi o esperado: das mais de quarenta atrações programadas para tocar no MOA, apenas treze subiram ao palco – o restante dos grupos desistiu de tocar. O festival começou na última sexta-feira com mais de sete horas de atraso. No domingo, foi cancelado de vez. O público presente (havia metaleiros vindos do Amapá e até de São Paulo) foi tratado literalmente como gado, já que a “área de camping” e “alimentação” do MOA estava localizada em estábulos de animais (!!!) na fazenda onde festival foi precariamente realizado nas duas primeiras noites.
Zap’n’roll nunca havia ouvido falar nem da Lamparina e tampouco da Negri Concerts. De ondem surgiram estas duas empresas? Qual o histórico e o cacife que ambas possuíam/possuem para se aventurar a fazer um evento dessas proporções? Qual a experiência de ambas no ramo? São perguntas que todos estão fazendo. E mesmo que as respostas não surjam (e nem deverão surgir pois as duas empresas se acusam mutuamente pelo fracasso retumbante do Metal Open Air), as duas responsáveis pelo fiasco do Maranhão pelo menos deixaram uma bela lição: a de como NÃO se fazer um festival de rock de tamanhas proporções.

 

Se isso pode abalar novamente a credibilidade do Brasil no circuito internacional de shows? Sim e não. Sim, porque bandas e empresários gringos pensarão duas vezes quando forem contatados por produtoras nacionais desconhecidas e que não tem tradição no mercado de shows. E não porque, felizmente, hoje existem no país produtoras sérias, mega responsáveis e que já têm enorme experiência na realização desse tipo de evento. Tanto que ainda em 2012 teremos novas edições do Planeta Terra e do SWU em Sampa, shows de Madonna etc.

 

Infelizmente o Maranhão pagou o preço da incompetência de duas produtoras de eventos de fundo de quintal, e que se aventuraram em fazer algo além do que poderiam gerenciar – e isso não tem nada a ver com o fato de o festival ter sido programado para acontecer em um Estado nordestino, o fiasco poderia ter acontecido em qualquer outro lugar do país. As lições deixadas pelo fracasso do MOA estão aí. Que sejam aprendidas, para que um vexame desse naipe não volte mais acontecer no país do eterno carnaval mas que também é do rock’n’roll.

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco: “Unrest” é a estréia em cd do trio paulistano Single Parents, integrado por Fernando Dotta, Anderson Lima e Rafael Farah. O disco, que já circula na web há algum tempo, agora ganhou caprichada edição em sua plataforma física. É indie rock de guitarras pra quem curte anos 90’ (yeah, novamente!), como Sonic Youth, Nirvana e até algo de Teenage Fanclub nas passagens mais calmas. As treze faixas, gravadas em um estúdio em Nova York, são bacanas (notadamente “Scape” e  “Ecstatic Pleasures”, que fecha o álbum), todas cantadas em inglês e o SP acaba se mostrando um dos melhores grupos da atual indie scene nacional. Pode ir atrás que vale a pena! Mais sobre a banda, vai lá: http://www.facebook.com/humberto.finatti/posts/354678684579802?ref=notif&notif_t=share_comment#!/thesingleparents .

O trio paulistano Single Parents: vassalagem ao guitar rock noventista

 

* Mini baladenhas do feriadón: pois entonces, postão sendo finalizado em pleno domingão, no meio de um mega feriado, uia! Ficou em Sampalândia e não sabe o que fazer da vida? Então corre pro Beco203 (lá na rua Augusta, 609, centrão de Sampa), que hoje rola a primeira das festas que comemoram os quinze anos do selo Pisces Records. Vai ter showzaço do Doutor Jupter e do The Salad Maker, além de DJ set zapper. Depois, ainda dá pra esticar a noitada na super balada Grind, comandada por André Pomba na Loca (que fica na rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de São Paulo).///Segundona véspera do feriado em si? Cai pro reaberto (e muito bom) , rolar noitada rocker de responsa, lá na rua Conselheiro Ramalho, 873, Bixiga, centro de Sampalândia. É isso. Se joga na night porque a vida é curta, mon amour!

 

 

NADA SURF NO RIO QUER VOCÊ!
E como! Já falamos aí em cima, mas vamos repetir: corre no hfinatti@gmail.com, que está dando sopa por lá

 

* UM PAR DE INGRESSOS pro show do Nada Surf no Rio, nesta quarta-feira, 2 de maio, no Circo Voador. O nome do (a) vencedor (a) da promo sai na terça-feira, feriado em si, e quem ganhar será comunicado por e-mail com as devidas instruções pra ir ao show, ok?

 

É isso, povo.

 

AGORA CHEGA!
Que o post já tá grandão e o feriado está longe de acabar. Na sexta que vem, estamos aqui novamente, palavra de blogger responsável, hihi. Bye!

 

 (atualizado e finalizado por Finatti em 29/4/2012, às 18:30hs.)